| O Juiz | Crítica

2.5

TheJudge
Robert Downey Jr. e Robert Duvall

Em certo ponto do drama criminal/familiar O Juiz, eu só conseguia me perguntar “por quê?”.

Escrita por Bill Dubuque e Nick Schenk, a trama nos apresenta a Hank Palmer, um notório e egocêntrico advogado que ganha a vida defendendo as pessoas erradas. Quando sua mãe falece, ele é forçado a voltar à sua cidade natal para o funeral, convivendo com sua família disfuncional, liderada por seu pai, Joseph (Robert Duvall), respeitado juiz local. Quando Joseph é acusado de homicídio, Hank é obrigado a prolongar sua estadia e provar sua inocência.

Há muitos elementos potencialmente exploráveis em O Juiz. Nada realmente original, mas que se fosse feito com competência, renderia uma obra acima da média. Nas mãos do diretor David Dobkin (uma escolha incomum, já que Dobkin só dirigiu comédias, de Penetras Bons de Bico a Titio Noel), o já medíocre roteiro da dupla acima transforma-se num festival de melodrama do mais baixo nível, que junta todos os clichês (briga familiar, doença terminal, ex-namoradas) em uma narrativa arrastada e episódica. Dobkin pesa a mão no drama (a cena em que Hank assiste a filmes antigos com seu irmão funcionaria perfeitamente em silêncio, mas Dobkin carece da música de Thomas Newman…), mas inexplicavelmente traz um humor caricato e que não combina com sua abordagem dramática, como os personagens de Dax Sheppard e Billy Bob Thornton (este último, um advogado que daria um ótimo antagonista a Saul Goodman).

Visualmente, o diretor resolve em tratar tudo com grandiosidade. As cenas dos tribunais trazem movimentos de câmera estilizados, enquadramentos fortes e um trabalho de contra-luz do diretor de fotografia Janusz Kaminsky que faz Michael Bay parecer sutil com seu uso de luz (de verdade, os canhões de luz chegam a cobrir de forma nada elegante o rosto dos atores em certos momentos). Falando em – falta de – sutileza, Robert Downey Jr. parece decidido a interpretar Tony Stark para o resto de sua vida, o que é uma gigantesca pena. Sua performance é carismática como de costume, mas eu realmente gostaria de ver o ator experimentar coisas novas, ou ele cairá no mesmo limbo de piloto automático que consumiu Johnny Depp.

Admito que entretém ver Robert Duvall carrancudo e dando sermão pra todo lado (suas discussões com Downey Jr são ainda mais intensas), e a dupla de roteiristas acerta quando a trama se concentra no caso jurídico. Mas quando nos enfiam subtramas risíveis que poderiam ou não conter um caso de incesto, e quando a presença de Vera Farmiga é um elemento que prejudica o filme, sabemos que tem coisa errada por aí.

O Juiz é um festival de melodrama que não medirá esforços para emocionar o espectador, não importa quantos clichês ou artifícios baratos ele use. Traz bons momentos e uma boa presença de Robert Duvall, mas é um trabalho esquecível e falho.

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