| O Jogo da Imitação | Crítica

3.5

TheImitationGame
Benedict Cumberbatch é Alan Turing

Ainda que o que esteja em primeiro plano em um grande acontecimento receba o grande mérito e reconhecimento, sempre me interessei pelos eventos que aconteciam por detrás das cortinas, nos bastidores. O Jogo da Imitação se dedica a explorar os esforços de um time de matemáticos que lutavam uma vertente diferente da guerra, mas igualmente importante.

A trama se dedica a contar a história de Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um matemático brilhante que é selecionado para ajudar os Aliados a quebrar um código nazista indecifrável que pode lhes garantir a vitória da Segunda Guerra Mundial. A narrativa se divide para contar esse episódio, assim como sua adolescência e sua condenação por ser homossexual, em 1951.

É uma ótima e importante história, especialmente levando em consideração o legado que Turing nos deixa. Computadores, smartphones e outras máquinas do tipo não existirião tão cedo sem seus experimentos inovadores, usados aqui em uma guerra aparentemente inofensiva; travada dentro de galpões e escritórios, mas que o filme do norueguês Morten Tyldum (do divertidíssimo Headhunters) retrata como crucial, contando com um vasto trabalho de recriação de época e composições de Alexandre Desplat que incitem a genialidade e o suspense.

O roteiro de Graham Moore oferece excelentes diálogos que conseguem explorar a urgência da guerra, o humor e a psique de Turing, desde sua arrogância inadvertida até seus raros momentos de sensibilidade. É uma pena que Moore aposte tanto em fórmula na maior parte do filme, promovendo uma narrativa que entretém, mas que pouco inova ou provoca – a exceção é quando o grupo decifra o tal enigma pela primeira vez, mas questiona se seria a decisão mais sábia usar as informações obtidas, mesmo que estas possam salvar inúmeras vidas. Estruturalmente, o filme perde força ao quebrar a narrativa principal para os flashbacks e flashfowards, especialmente por gastar tempo em informações que já havíamos recebido (a investigação do policial de Rory Kinnear, por exemplo, poderia ser facilmente encurtada a fim de evitar repetições e falsos mistérios).

Porém, temos um grande elenco para povoar a história. Benedict Cumberbatch brilha nesta que é a melhor performance de sua carreira, compondo um Turing ambíguo e arrogante, utilizando-se de diversas nuances e acertadamente flertando com o caricato – sem cair inteiramente nessa armadilha. Keira Knightley também está adoravelmente carismática como a brilhante Joan Clarke, e o texto de Moore cria uma relação interessante e moderna (ainda que se passa na década de 40) entre os dois. De elenco coadjuvante, Mark Strong, Matthew Goode e Charles Dance (reprisando seu papel autoritário de Game of Thrones) fecham bem o pacote.

O Jogo da Imitação é um bom filme, mas que não vai muito além da fórmula do biopic esperado de uma temporada de prêmios, pouco arriscando-se. Traz um roteiro eficiente, atuações impecáveis e um grande respeito pelo trabalho de Alan Turing, ainda que não seja uma obra excepcional como a obra de seu biografado.

Obs: Publicado após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 22 de Janeiro de 2015.

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