| A Teoria de Tudo | Crítica

3.5

TheTheoryofEverything
Felicity Jones e Eddie Redmayne

Sou um fã confesso de Stephen Hawking, tanto por seu conhecimento científico incomparável quanto por sua inacreditável luta contra a doença que lhe tirou movimentações motoras e a habilidade de falar. Um biopic do cientista é isca fácil de prêmios, mas também de sentimentalismo barato e muito melodrama. Com A Teoria de Tudo, o diretor James Marsh fica entre os dois, mas aquém de seu potencial.

A trama começa quando Hawking (Eddie Redmayne) ainda é um calouro na universidade de Cambridge, em 1963. Em uma festa, ele conhece a estudante de Artes, Jane (Felicity Jones), com quem acaba iniciando uma relação. Em meio ao romance e seus estudos para comprovar sua teoria sobre a origem do Universo, ele descobre ser portador da Doença do Neurônio Motor, que lhe daria apenas dois anos de vida.

Dois anos de vida, mas como a História bem nos ensinou, Hawking permanece vivo até hoje, quase 50 anos após seu diagnóstico (isso não é considerado spoiler né? Duh). É uma longa e bela história que o roteirista Anthony McCarten (adaptando uma biografia de autoria de Jane Hawking) consegue comprimir em suas duas horas, conseguindo dosar o romance dos protagonistas com diversos conceitos da Física que Hawking estudava, especialmente a respeito de buracos negros (aliás, irônico que no mesmo ano, tenhamos tido uma biografia de Hawking e que Kip Thorne, seu colega de ramo, servindo como consultor no mesmo assunto em Interestelar), característica que certamente torna a experiência mais estimulante. O eterno debate entre Ciência e Religião também marca presença aqui, mas não ganha o aprofundamento que merecia.

Quanto ao romance, funciona principalmente pela química dos protagonistas. Felicity Jones já é um colírio para os olhos graças a seu belíssimo sorriso que sugere uma jovem adorável, e a atriz preenche Jane com momentos assim, retratando também como a condição de Hawking lhe fez provar sua força e seu eventual desgaste. Mas é Eddie Redmayne quem rouba os holofotes em uma performance absolutamente espetacular e assustadoramente física, assumindo cada detalhe da doença paralítica de Stephen Hawking – e ainda preservando leves nuances de humor e afeto -, sem cair para a caricatura ou algo exagerado demais.

Marsh dirige o filme com eficiência, ainda que abuse da câmera desfocada para relatar os momentos mais dramáticos. A trilha sonora de Jóhann Jóhannsson é bonita quando se dedica a explorar as descobertas científicas do protagonista, mas soa artificial demais quando usada como mero artifício para derramar lágrimas: basta observar como uma cena com total silêncio (no caso, quando Stephen usa a cadeira de rodas pela primeira vez) funciona muito melhor (e até emociona mais) do que uma em que os violinos e notas de piano de Jóhannsson dominam a paisagem sonora.

A Teoria de Tudo é um biopic eficiente que traz excelentes performances do talentoso jovem elenco, ao mesmo tempo em que conta uma grande história de forma convencional, emocional e até formulaica. Poderia ter ido mais longe em seus questionamentos e na vida de Stephen Hawking, mas não deixa de ser uma bela homenagem ao renomado cientista.

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Uma resposta to “| A Teoria de Tudo | Crítica”

  1. […] (e dez eram representações de pessoas reais, curiosidade). E, ao lado de Eddie Redmayne em A Teoria de Tudo, Julianne Moore levou o ouro por Para Sempre Alice, mas felizmente o filme consegue ser algo a mais […]

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