| Corações de Ferro | Crítica

3.5

Fury
Brad Pitt é o comandante do tanque Fury

Quando eu achava que simplesmente não poderia haver mais temas possíveis a ser explorado dentro do âmbio da Segunda Guerra Mundial, me aparece um filme de tanque de guerra. Corações de Ferro faz essa proposta, e prova ser um acerto do interessante David Ayer (responsável por Marcados para Morrer, Os Reis da Rua e o roteiro de Dia de Treinamento), ainda que não se arrisque tanto.

A trama é ambientada em Abril de 1945, nos últimos momentos da guerra entre o Eixo e os Aliados. Visando acabar o conflito definitivamente, um pelotão de tanque americano invade a Alemanha e vai conquistando as pequenas cidades por onde passa. Nesse cenário, eles ainda precisam acolher um novo soldado (Logan Lerman), que entra para substituir uma baixa na equipe.

É um filme muito simples e eficiente em sua proposta de entretenimento, servindo como um sólido filme de ação e equipe. David Ayer é um cineasta habilidoso que sabe construir a tensão do antecipamento (como o preparo para um ataque alemão no clímax ou a chegada surpresa de um tanque inimigo) e não se acovarda ao retratar os tiroteios de forma gráfica, sempre explodindo membros e jorrando sangue por toda a parte. A fotografia de Roman Vasyanov ajuda a criar essa visão opressiva, em uma paleta predominante fria coberta por um céu nublado e campos de batalha desertos povoados por meras silhuetas de soldados alemães, como se Ayer os transformassem em meras presenças malignas, ao invés de humanos.

O roteiro também fica à cargo de Ayer, e entre um diálogo espirituoso aqui e ali, ele consegue arrancar boas situações. O grande ápice fica com a parada do pelotão em um apartamento habitado por duas alemãs, uma cena surreal – quase onírica – que destoa de toda a produção, e impressiona ainda mais quando a realidade da guerra a atinge. Vai ficando mais difícil de comprar a ideia (leia-se, “hollywoodiano” demais) quando o grupo se arrisca a enfrentar um pelotão de centenas de alemães no terceiro ato, principalmente quando a trilha evocativa de Steven Price tenta nos emocionar. Poderia ter sido mais Os Doze Condenados e menos Pearl Harbor.

Quanto ao elenco estrelado, ele serve bem a função de construir os mais básicos estereótipos de qualquer tipo de filme de equipe. Brad Pitt se sai bem com o líder idealista-que-passou-por-altas-tretas-no-passado, Shia LaBeouf não incomoda como o soldado-religioso-mas-engraçadinho, Michael Peña permanece em seu casual piloto automático como o “cara latino” e Jon Bernthal faz o típico “cafajeste-que-odiamos”, mas surpreende ao trazer reações específicas em. E Logan Lerman? Nada como o “novato” medroso e odiado que logo vai ganhando respeito da equipe. E todos os estereótipos funcionam bem, nada demais.

Corações de Ferro é um bom entretenimento que é capaz de impressionar por suas brutais sequências de guerra e divertir com o entrosamento do elenco, ainda que raramente se arrisque a ser mais do que um mero escapismo.

Obs: Os créditos finais são muito bem feitos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: