| Caminhos da Floresta | Crítica

3.5

IntotheWoods
Emily Blunt e James Corden

Eu já estou farto de filmes da Disney com visuais bonitinhos e florestas excêntricas, ainda mais se for um musical. E também do Johnny Depp fazendo algum papel maluco, então podem entender o quão temeroso eu estava com este Caminhos da Floresta, musical de Rob Marshall que compila todos este fatores. O mais impressionante é que eu não detestei, muito pelo contrário.

A trama é adaptada de uma peça de James Lapine (que também assina o roteiro), centrando-se num padeiro (James Corden) e sua esposa (Emily Blunt), que são alertados por uma bruxa (Meryl Streep) de uma maldição que os impede de ter filhos. A fim de quebrar o feitiço, o casal é incubido de coletar quatro itens na floresta, colocando-os nos caminhos de Cinderela (Anna Kendrick), Chapeuzinho Vermelho (Lila Crawford), Rapunzel (Mackenzie Mauzie) e João e seu pé-de-feijão (Daniel Huttlestone).

É o fairy tale extravaganza. Caminhos da Floresta me traz uma boa lembrança de Shrek, pela forma com que mistura as diferentes histórias de contos de fadas aqui, e funciona principalmente pela criação do Padeiro e sua Esposa. Vividos pelo ótimo James Corden e a sempre impecável Emily Blunt, o casal é o melhor elemento da produção, sendo capaz de comover e prender o espectador durante toda a projeção – e o fato de o herói do filme ter uns quilinhos a mais, enquanto o príncipe encantado de Chris Pine surge acabado, com barba por fazer e adúltero (“Fui criado para ser encantador, não sincero”, confessa) já nos alerta que o filme irá quebrar algumas convenções, e satirizar os clichês do gênero (como as constantes fugas de Cinderela do baile, devidamente ironizadas pelo narrador). Até a Bruxa da sensacional Meryl Streep tem seus motivos bem explicados.

Visualmente, é um espetáculo. O design de produção de Dennis Gassner é eficaz ao criar um aspecto teatral a diversos cantos da vasta floresta do título, enquanto a veterana Colleen Atwood acerta novamente na elaboração de vestidos, uniformes e quaisquer outras vestimentas que a produção exija (o Lobo de Johnny Depp é um tanto ridículo, mas agrada por manter suas raízes teatrais) Já Rob Marshall se sai bem na direção, movendo  sua câmera com fluidez durante os ótimos números musicais do longa, e impressionando com devaneios visuais como aquele que mostra Chapeuzinho caindo na barriga do Lobo ou quando o tempo congela durante uma revelação de Cinderela.

E a história, aliada a todos os fatores plásticos, funciona perfeitamente. Até o terceiro ato. Infelizmente, o roteiro de Lapine se vê na necessidade de esticar sua trama além do necessário, adicionando elementos que nem de longe são tão interessantes quanto a expedição do Padeiro e sua Esposa. Tudo bem que seria um final bobo e genérico se o roteiro não caminhasse para uma direção mais perigosa (e a cena final, com linda rima com a primeira, é de fato muito eficaz), mas simplesmente não funcionou para mim.

Como alguém que não suporta musicais ou contos de fadas bonitinhos, Caminhos da Floresta representa uma grata surpresa, graças a seu roteiro esperto, elenco excepcional e uma produção belíssima. Tem seus problemas, mas não deixa de ser uma experiência eficiente.

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