| Sniper Americano | Crítica

3.0

AmericanSniper
Bradley Cooper é Chris Kyle, o sniper americano

Projeto que seria tocado por Steven Spielberg, Sniper Americano foi parar nas hábeis e versáteis mãos de Clint Eastwood, que conseguiu transformá-lo em um dos 8 indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano. O longa também gerou polêmica nas diferentes visões políticas do público americano, que acusaram-no de glorificar feitos violentos de um “psicopata”, enquanto outros defendem que é um retrato fiel de um verdadeiro herói de guerra. Bem…

A trama se dedica a contar toda a trajetória de Chris Kyle (Bradley Cooper) pelo exército americano dos SEAL. Motivado a defender seu país após os ataques do 11 de Setembro, Kyle vai se tornando o atirador de elite mais eficiente do pelotão, ao mesmo tempo em que constrói uma família ao lado de Taya (Sienna Miller) em seu distante lar.

Vamos tirar o elefante da mesa: Sniper Americano é ultranacionalista. Eu realmente não vejo isso em outros filmes do Oscar que sofreram tais críticas (como Guerra ao Terror, Argo ou A Hora Mais Escura, por motivos óbvios), mas o filme de Eastwood está constantemente gritando seu amor à bandeira dos EUA, e é algo que seja a incomodar mais do que a propaganda descarada que Michael Bay faz da Marinha em seus Transformers. Esse elemento tanto prejudica quanto acrescenta à narrativa: a paixão de Kyle por sua pátria o coloca em conflito com suas responsabilidades familiares (“Eu odeio os SEALs”, clama a esposa), mas quando vemos uma reação ultradramática com zoom ins de Kyle observando ataques terroristas na televisão, é difícil não enxergar o aspecto propagantista do filme.

São raros os momentos em que realmente vemos como a guerra mudou Kyle, e que infelizmente não trazem a sutileza que Kathryn Bigelow empregou em Guerra ao Terror (a equipe de mixagem de som merece aplausos por inserir efeitos sonoros de batalha escondidos no cotidiano de Kyle, como um alucinógeno). Como personagem, Bradley Cooper faz o possível para tornar Kyle uma figura carismática – sua transformação física e sotaque texano ajudam na caracterização -, ainda que não fique claro exatamente o quê o move? Puro patriotismo? É a necessidade de ajudar pessoas? É uma figura altamente idealizada, mesmo que Eastwood traga bons momentos de hesitação quando Kyle está com o dedo no gatilho, e seu nada discreto desconforto ao estar eliminando vidas.

Aliás, Eastwood é competente ao criar sequências de pura tensão, como o primeiro encontro de Kyle com um terrorista conhecido como “Açogueiro” e o misterioso sniper inimigo que estaria à sua caça. Aliada à montagem nervosa de Joel Cox e Gary Roach, é uma das cenas mais impactantes do ano. Mas ao mesmo tempo, o diretor vai lá e me traz uma vergonhosa e artificial cena com um tiro em câmera lenta, que parece ter saído de um projeto experimental de – novamente – Michael Bay. Ah, sem falar no já viralizado bebê vergonhosamente falso que Kyle segura em certo momento.

Sniper Americano traz seus bons momentos de tensão e pirotecnicas, mas é arrastado, longo e prejudicado pelo retrato idealista e nacionalista de seu protagonista. Quem diria que, num ano em que Eastwood lança um musical de coro e um filme sobre um atirador, o longa cantado seria melhor?

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