| Para Sempre Alice | Crítica

3.5

StillAlice
Julianne Moore é Alice Howland

Pode-se dizer que fazer filmes filmes com doenças como pano de fundo é uma maneira fácil de se arrancar lágrimas e, além disso, reconhecimento de prêmios. Pra se ter ideia, dos vinte indicados ao Oscar nas categorias de atuação deste ano, cinco representavam algum tipo de deficiência (e dez eram representações de pessoas reais, curiosidade). E, ao lado de Eddie Redmayne em A Teoria de Tudo, Julianne Moore levou o ouro por Para Sempre Alice, mas felizmente o filme consegue ser algo a mais do que um simples veículo para sua memorável performance.

A trama é inspirada na vida real – e também na obra assinada por Lisa Genova – da Dra. Alice Howland (Julianne Moore), uma conceituada professora de linguística da Universidade de Columbia que começa a sofrer os estágios iniciais do Mal de Alzheimer, mesmo que numa idade surpreendentemente baixa para os padrões da doença. Com a inesperada dificuldade, Alice precisa balancear o tratamento com sua família.

O maior risco de um artista ao embarcar numa narrativa desse tipo é a ultradramatização e a necessidade de arrancar lágrimas do espectador. Poucos filmes de memória recente ilustram esse cenário como A Culpa é das Estrelas, um filme com um ótimo roteiro que é prejudicado por uma direção pedestre, pretensiosa e. uma trilha sonora apelativa. Em parte, Para Sempre Alice também sofre com a fotografia excessivamente desfocada (olha, nunca vi uma webcam que conseguisse desfocar tão bem o fundo, quase num tilt shift) a fim de impactar o espectador com a luta de Alice, como se Moore não fosse capaz de fazer isso por conta própria. É um efeito artificial e que incomoda pela obviedade, mas que os diretores Richard Glatzer (falecido na terça-feira passada, 10) e Wash Westmoreland pelo menos sabem dosar.

Isso porque Alice consegue comover mais através de elementos mais sutis. Seja pela cena em que Alice fica aliviada ao encontrar seu celular após uma sequência tensa da perda deste (“Já faz um mês”, replica o personagem de Alec Baldwin para a filha, revelando o intervalo de tempo de uma cena para a outra) ou nos longos planos que acompanham apenas as nuances do rosto de Julianne Moore enquanto esta luta para preservar suas memórias, ou meras reações em diálogos simples – a dupla de diretores garante muito tempo de corte para Moore. E é realmente uma performance memorável, que a atriz não deixa cair no caricato ou num exagero gritante, conseguindo até inserir um pouco de bom humor (“Tomara que eu esqueça isso”, diz após derrubar papéis durante uma palestra) em meio à situação que lentamente vai se exacerbando.

O filme é todo de Moore, mas preciso dizer que Alec Baldwin merecia mais burburinho como o marido, John. É uma performance muito sutil e discreta, que consegue transmitir sentimentos complexos: Baldwin obviamente está preocupado com a condição de Alice, mas é possível encontrar sinais de raiva – pela esposa estar passando por isso justamente agora, em meio a uma mudança em seu emprego – e até impaciência, e eu me peguei prevendo uma iminente explosão. Não acontece, e a explosão resulta em lágrimas desesperadas com a filha Lydia (Kristen Stewart, mais do mesmo), em um clímax catártico para uma ótima atuação.

Para Sempre Alice não vai inovar em nada a maneira como doenças são retratadas no cinema, mas traz uma boa execução e performances excepcionais de Julianne Moore e Alec Baldwin. Funciona bem.

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Uma resposta to “| Para Sempre Alice | Crítica”

  1. […] Julianne Moore | Para Sempre Alice […]

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