| Vingadores: Era de Ultron | Crítica

3.0

AvengersAgeofUltron
James Spader dá vida ao vilão Ultron

Em certo momento do clímax, diante de uma situação ameaçadora e completamente fantasiosa, o Gavião Arqueiro de Jeremy Renner vira-se para um companheiro, explicando “O mundo tá acabando, tem um exército de robôs e eu só tenho um arco-e-flecha, isso não faz o menor sentido”. Numa rara situação, a Marvel Studios consegue soltar uma piada inteligente que reflete não só a posição do personagem B, mas da própria saga que culmina em Vingadores: Era de Ultron.

A trama começa no 220 quando encontramos a equipe formada por Homem de Ferro (Robert Downey Jr), Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Hulk (Mark Ruffalo), Viúva Negra (Scarlett Johansson) e o Gavião Arqueiro (Renner) invadindo uma base de HIDRA para recuperar um bem valioso. A descoberta faz com que Tony Stark comece a trabalhar num programa de inteligência artificial, que resulta na criação do maligno Ultron (James Spader), obcecado em destruir a humanidade.

Os Maiores Super-Heróis da Terra. Como dar continuação a um dos filmes de super-heróis mais ambiciosos e grandiosos de todos os tempos? Infelizmente, o diretor Joss Whedon e sua equipe apostaram na filosofia do “Maior e Melhor”, só que o segundo elemento deu lugar ao primeiro, transformando Era de Ultron num festival de excessivas cenas de ação, sempre a fim de encontrar poses mirabolantes para seus protagonistas, tal como nas ilustrações de quadrinhos. Explosões, porradarias e antagonistas que não acabam mais, que certamente irão agradar quem procura o espetáculo de sempre. É só que ,depois de quase uma década assistindo a variações do gênero, essa fórmula já não me satifaz como antes.

Digo, é preciso uma grande ameaça para reunir os Vingadores, mas só eu já cansei dessa eterna história de destruir o mundo? A série que a Marvel lançou em parceria com o Netflix esse ano, Demolidor, facilmente se desponta como uma de suas melhores produções, justamente por adotar uma abordagem mais intimista e concentrar-se em fatores mais… simples – ainda que o Demolidor seja um personagem mais realista do que o supergrupo, claro. A ameaça de Ultron é superficial, e o roteiro de Whedon elabora diálogos com pouco nexo algum para o vilão (vamos agitar um jogo de shot para cada vez que um vilão trazer a Arca de Noé à mesa? E de onde vem esse lance de Pinóquio?), mesmo que Spader garanta uma presença imponente – aliada a efeitos visuais de ponta – e que seu “instrumento de destruição” seja bem original. Admito, porém, que a questão da inteligência artificial é muito bem explorada aqui, ainda mais com as interações entre Ultron e JARVIS, e também da interessante figura do Visão (Paul Betanny sob excelente maquiagem).

AAOU
Aaron Taylor-Johnson e Elizabeth Olsen

O carismático é extenso, mas Whedon habilidosamente equilibra todos os jogadores, de forma a não deixar ninguém sobrando: o Gavião, por exemplo, ganha muito mais destaque do que no primeiro filme, sendo facilmente a figura mais identificável do projeto (até mesmo detalhes de sua surpreendente vida pessoal são revelados). Entram no jogo Elizabeth Olsen e Aaron Taylor-Johnson como os gêmeos Maximoff, respectivamente, Feiticeira Escarlate e Mercúrio (que também fez uma aparição em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, mas intepretado por Evan Peters), personagens interessantes, mas que certamente merecem um pouco mais de tempo – a Feiticeira de Olsen é particularmente fascinante, e seus poderes assombrosos, capazes de provocar alucinações nos heróis, garantem a melhor sequência do filme.

Quando Whedon aprofunda-se na relação entre os personagens, especialmente a de Bruce Banner e Natasha Romanoff, é uma excelente intenção. O diretor e roteirista tenta humanizá-los, mesmo que estejamos falando de seres superpoderosos capazes de demolir prédios e transformar-se em monstros verdes, o que geralmente funciona com o humor (a cena em que os heróis tentam levantar o martelo de Thor numa festa é divertidíssima) e ajuda a causar empatia por estes quando são transformados em bonecos digitais para as absurdas cenas de ação. Só o drama que não funciona com a mesma eficiência, prejudicado por clichês e algumas subtramas pouco exploradas (especialmente uma que envolve Thor e elementos místicos um tanto… exóticos).

Dentro do universo que a Marvel estabeleceu, Era de Ultron oferece conexões confusas, ainda que deixe portas abertas para possibilidades empolgantes. Primeiramente, não há menção alguma ao fato de que Tony Stark claramente abandonou a identidade de Homem de Ferro no terceiro filme, mas aqui está ele em ação como se o filme de Shane Black nunca tivesse acontecido – assim como Don Cheadle usar a armadura do Máquina de Combate, não do Patriota de Ferro. De maneira similar, o gancho de O Soldado Invernal é ignorado apenas para que o Capitão possa se juntar aos Vingadores; aliás, como eles se juntam novamente é um mistério, já que o filme já dispara com a equipe junta nos segundos iniciais, num efeito duplo: desastroso por deixar um buraco na continuidade, mas impactante ao oferecer uma apresentação poderosa. Por fim – mas sem spoilers – Whedon deixa as portas abertas para empolgantes possibilidades no futuro.

Vingadores: Era de Ultron se perde na necessidade de oferecer um espetáculo grandioso demais, saindo inchado e incoerente dentro do próprio universo. Ainda assim, tem um ótimo elenco bem entrosado e uma trama central bem explorada, que certamente traz empolgantes possibilidades para o futuro.

Obs: Stan Lee, cena pós créditos (no meio), vocês sabem…

Obs II: Eu evitaria o 3D convertido, mas que não é dos piores.

2 Respostas to “| Vingadores: Era de Ultron | Crítica”

  1. […] tantos filmes lançados pela Marvel Studios nos últimos 7 anos que, como apontei em meu texto de Vingadores: Era de Ultron, a fórmula e seus personagens já começam a demonstrar sinais de ferrugem. São 5 filmes com […]

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