| Mad Max: Estrada da Fúria | Crítica

5.0

FURY
Tom Hardy é Max Rockatansky: aí vem encrenca

Devo confessar que nunca fui um grande conhecedor de Mad Max, a trilogia de ação pós-apocalíptica do australiano George Miller. Aliás, foi só quando o sensacional primeiro trailer de Mad Max: Estrada da Fúria foi lançado que o Guerreiro da Estrada entrou no meu radar. E ainda bem que entrou. Odiaria ter perdido o espetáculo de ação que é sua nova aventura.

Sem nenhuma menção aos três longas anteriores, a trama começa num mundo devastado por guerras por água e petróleo, e uma subsequente destruição nuclear. Ali, o solitário Max Rockatansky (Tom Hardy) é capturado por guerreiros de uma sociedade dominada pelo tirano Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne, que interpretou Toecutter no primeiro filme). Quando uma de suas generais, a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), se rebela e foge para o deserto com suas escravas, Joe coloca todo seu comboio atrás da rebelde, e Max acaba jogado no meio do conflito.

Primeiramente, não se surpreendem se a premissa parecer rasa ou simples demais. A franquia nunca foi conhecida por tramas mirabolantes ou grandes trabalhos de desenvolvimento de personagens, mas sim pela mitologia rica e vibrante com a qual sustentava um fiapo de história bem linear: o primeiro era uma simples história de vingança e o segundo não passava de uma grande missão de defesa, enquanto Além da Cúpula do Trovão, mesmo sendo um pouco mais elaborado, ainda era uma básica história de fuga. O próprio George Miller definiu Estrada da Fúria como “uma perseguição de carros de 2 horas”, e é exatamente isso o que vemos, em sua forma mais grandiloquente e satisfatória.

Com 70 anos de idade, Miller demonstra a energia de um adolescente (tal como Scorsese com O Lobo de Wall Street, comprovando que os velhinhos tão com tudo) no comando das melhores cenas de ação que você verá este ano, incluindo violentas batidas de automóveis customizados da forma mais abstrata e assassina possível, corridas alucinantes na barriga de uma surreal tempestade de areia e lutas insanas em caminhões em movimento, motos e até bastões acrobáticos. Tudo isso com uma direção compreensível (nada de câmera trêmula aqui) e dinâmica, favorecida pela montagem frenética de Jason Ballantine e Margaret Sixel e a trilha sonora fritada de Junkie XL. A fotografia de John Seale também ajuda a construir um visual lindíssimo, com uma paleta de cores dominada pelo laranja do deserto nas cenas diurnas, e por um azul fortíssimo nas noturnas.

FURIOSA
Charlize Theron é Furiosa: a heroína de ação definitiva de nossos tempos

Mas mesmo diante de um espetáculo robusto e uma trama rasa, Miller e os roteiristas Brendan McCarthy e Nick Lathouris conseguem circular temas pertinentes e criar personagens fortes dentro desse rico universo. A começar pela crise de água, que nunca pareceu tão atual (nos anos 70, era o petróleo) passando pela redenção (tema dos três personagens principais, incluindo o Nux de Nicholas Hoult) e o feminismo, que Miller acerta em cheio na forma da própria fuga das escravas (“Não somos objetos”, diz uma das pichações na parede) e da Furiosa de Charlize Theron. Está aí um exemplo de mulher forte, que apanha e solta porrada na mesma medida que o protagonista; remetendo diretamente à Tenente Ripley da Antologia Alien, senão mais forte ainda. Theron está excelente, não só pela dureza de Furiosa, mas também por seus raros momentos de fraqueza e desabafo emocional (o “grito mudo” no deserto é deslumbrante).

Por fim, mas não menos importante, Tom Hardy revela-se um sucessor digno para Mel Gibson na pele de Max. Tudo bem que o ator não tem muitos diálogos ou expressões aqui, transformando Max num guerreiro enigmático e perturbado, e também divertindo com algumas expressões rabugentas (suas reações ao ser amarrado na ponta de um carro são ótimas). E claro, temos o vilão Immortan Joe que já nasceu ícone: o design de sua máscara é realmente amendrontador, e este comprova-se como um dos antagonistas mais memoráveis que tivemos nos últimos tempos, sendo grotesco na medida certa. Aliás, todo o departamento de direção de arte e design de produção merecem aplausos pelo trabalho esplêndido com veículos, figurinos, maquiagem e objetos, todos com detalhes específicos brilhantes – eu mencionei que há uma guitarra-lança-chamas?

Mad Max: Estrada da Fúria é uma sinfonia de ação que reúne o que o gênero tem de melhor, provocando uma experiência vibrante em um universo rico e completamente surtado. O marketing não estava errado, 2015 realmente pertence aos loucos.

Leia esta crítica em inglês.

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3 Respostas to “| Mad Max: Estrada da Fúria | Crítica”

  1. Nossa, preciso assistir esse filme, tem muita gente falando bem dele.

  2. […] George Miller | Mad Max: Estrada da Fúria […]

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