| Promessas de Guerra | Crítica

2.5

TheWaterDiviner
Um sonho de liberdade: Russell Crowe comemora

Há algo de muito familiar entre a investida de Angelina Jolie como diretora em Invencível e a estreia do australiano Russell Crowe na mesma área, com o novo Promessas de Guerra. Não só ambos os filmes contam desbravadoras histórias reais de superação e lutas em um pano de guerra mundial, como também trazem lindos trabalhos de fotografia, a presença estranhamente nada terrível de Jai Courtney e, infelizmente, uma abordagem forçada.

A trama é ambientada em 1915, pouco tempo após a batalha de Galopolli, considerada uma das mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial. Nesse cenário, após a morte de sua esposa, o fazendeiro Joshua Connor (Russell Crowe) parte em uma missão para encontrar seus três filhos dados como mortos, tendo que viajar até uma Turquia que lentamente vai se despedindo do Império Otomano – dando espaço à ocupação britânica.

Claramente vemos as nobres intenções de Crowe e dos roteiristas Andrew Knight e Andrew Anastasios em prestar uma homenagem consistente a todos os mortos e desaparecidos no conflito do início do século passado – como nos atestam os letreiros que abrem e fecham a produção. O design de produção respeita bem as características do período, especialmente nas cenas ambientadas na Turquia e a fotografia do falecido Andrew Lesnie preenche com vida as lindíssimas imagens idealizadas por Crowe, que aposta em planos gerais abertos e paisagens que capturem a beleza de suas locações.

Crowe, além de entregar sua performance habitualmente carismática e que provoca simpatia no público (a tristeza nos olhos de Joshua já é o suficiente para que torcemos para que este tenha êxito em seus objetivos), revela bom olho na composição de tomadas e criatividade com a câmera: o longo travelling que se afasta para revelar a ausência de seus filhos nas camas ajuda a reverter a expectativa do espectador, por exemplo. O simbolismo com a religião também é interessante, vide o discreto momento em que Connor leva uma pancada com um túmulo.

Porém, Crowe, assim como Jolie em seu drama de guerra, também sofre com uma mão pesada para salientar temas mais dramáticos e – suspiros – românticos. O uso de câmera lenta e a pesada música de David Hirschfelder (que consegue criar faixas mais originais quando explora a cultura árabe) transformam a morte da esposa de Connor numa novela mexicana nada sutil. De maneira similar, a direção do australiano cruza o tênue limite entre horror e exagero ao retratar um flashback específico dos filhos de Connor em batalha, e vai testar os limites do público ao apostar em um romance nada cativante – e que tomam boa parte da projeção – com a personagem cartunesca de Olga Kurylenko.

No fim, Promessas de Guerra surge como uma obra irregular que se perde nas nobres intenções, prejudicada pela exposição de Crowe como diretor, ainda que renda um belo visual e uma ou outra passagem memorável.

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Uma resposta to “| Promessas de Guerra | Crítica”

  1. Oie Lucas!
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