| Ex Machina: Instinto Artificial | Crítica

4.5

ExMachina
Alicia Vikander estreia como a hipnotizante Eva

Escrevi em meu texto sobre Ela que as relações humanas vêm se transformando com o advento da tecnologia, seja no desenvolvimento de recursos quanto ao convívio do Homem em sociedade. O cinema de ficção científica vinha prevendo diversos tipos de distopias e utopias, e a inteligência artificial sempre esteve ligada a uma imagem mais antagonista, certamente um fruto da paranóia da Guerra Fria dos anos 50 ou a antecipação pelo Bug do Milênio no ano 2000. Mas numa época em que smartphones se transformaram nos nossos melhores amigos, o Cinema tem brincado com a ideia de uma relação afetiva entre Homem e máquina, notavelmente no romântico filme de Spike Jonze e agora no excelente Ex Machina: Instinto Artificial, imperdível sci-fi lançado diretamente para DVD.

A trama começa quando o programador Caleb (Domhnall Gleeson) é selecionado para trabalhar num projeto especial de sua empresa. Movido para a reclusa e luxuosa moradia do CEO Nathan (Oscar Isaac), Caleb descobre que seu chefe criou uma avançada forma de inteligência artificial: a andróide Eva (Alicia Vikander). Ali, o jovem deverá testar a capacidade da máquina de se passar por um humano (como no Teste de Turing) sendo lançado num perigoso jogo de duplas intenções.

Este é o filme de estreia do diretor Alex Garland, que já havia cuidado de roteiros como O ExtermínioSunshineNão Me Abandone JamaisDredd, além de também ser o responsável pelo texto original de Ex Machina. E é admirável ver uma ficção científica tão desafiadora em sua temática. As sessões entre Caleb e Eva são fascinantes de se observar, graças à habilidade de Eva de demonstrar ideias e pensamentos tão complexos para uma máquina, e vê-la subvertendo os papéis com o programador humano é instigante. A revelação de que Eva tem instalada em si uma certa sexualidade é o aspecto mais interessante (“Como um mágico que usa uma assistente gostosa para distrair o público?”, questiona Caleb para Nathan), e o que move a relação entre Caleb e a máquina para algo mais complexo. Se Ela era de fato um romance que abusava do lirismo para ilustrar o afeto do homem pela máquina, Ex Machina é ficção científica na veia, sendo muito mais eficiente na forma com que lida com o tema.

Garland cria imagens altamente memoráveis aqui, especialmente ao fazer robôs sensuais sem parecer que estamos assistindo a uma paródia pornô. A novata atriz sueca Alicia Vikander domina cada minuto de cena, não só por sua hipnotizante performance que traz os sutis indícios de humanidade, mas também pela construção de seu corpo; cuja mistura de materiais e ausência de membros indica uma criação ainda incompleta. O design de produção também acerta na criação da casa de Nathan, dominada pelo cinza e por uma arquitetura que parece sugerir mais um laboratório ilegal ou uma prisão experimental, literalmente confinando o confuso Caleb em suas paredes de vidro.

Outro grande destaque fica com Oscar Isaac, que vem rapidamente se mostrando como um dos atores mais talentosos da atualidade. Quando pensamos em um ricaço cientista inventor de robôs inteligentes, não é a imagem de um barbudo atlético e de fala jovinal como o Nathan de Isaac, que em sua primeira aparição já surge praticando boxe, revelando que o exercício físico é tão importante quanto o mental para Nathan. Seu alcoolismo também é lidado de forma sutil, como seu silêncio confuso quando Caleb pergunta “como teria sido a festa”, a fim de justificar a ressaca que tenta curar – além de ser um importante detalhe que servirá para uma das reviravoltas.

Ex Machina: Instinto Artificial é uma inteligente e questionadora ficção científica, capaz de iniciar um instigante debate sobre a evolução da inteligência artificial e sua relação com o Homem. Um baita começo para Alex Garland, que desde já mostra-se uma aposta promissora.

4 Respostas to “| Ex Machina: Instinto Artificial | Crítica”

  1. […] O diretor Tom Hooper (O Discurso do Rei, Os Miseráveis) está de volta com A Garota Dinamarquesa, filme que traz Eddie Redmayne no papel de Lili Elbe, a primeira transgênera da História. O elenco ainda conta com a cada vez mais atarefada Alicia Vikander (do ótimo Ex Machina). […]

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