| Expresso do Amanhã | Crítica

4.0

Snowpiercer
Multiverso: Chris Evans e Jamie Bell se aliam 

Alguns filmes lançados recentemente parecem ter sido feitos com um espírito dos anos 80, como se seus realizadores fossem apaixonados pelos divertidos e cults daquele período glorioso. Mad Max: Estrada da Fúria é um belíssimo exemplo visto este ano, assim como a pérola infinitamente adiada e mantida mofando na geladeira da Playarte Pictures: O Expresso do Amanhã, uma obra forte, empolgante e reflexiva.

A trama é adaptada da graphic novel francesa Perfura-Neve, de Jaques Lob, Benjamin Legrand e Jean -Marc Rochette, onde a Terra é condenada a uma segunda era do gelo após uma tentativa frustrada do governo em acabar com o aquecimento global. Nessa distopia congelante, os sobreviventes vivem num grande trem que roda toda a superfície do planeta: o Snowpiercer. Dentro, a luta de classes começa a incitar uma rebelião, liderada pelo idealista Curtis (Chris Evans).

É uma ideia fantástica que só fica melhor com a presença do diretor sul-coreano (que nação, que nação…) Joon-ho Bong, que já nos presenteou com Mother – A Busca pela VerdadeO Hospedeiro, agora embarcando em seu primeiro filme de língua inglesa. Bong também assina o roteiro ao lado de Kelly Masterson, tecendo uma narrativa intensa e fortemente baseada na sátira política, especialmente quanto à luta de classes que já se estabelece na divisão dos vagões do Snowpiercer: os pobres e operários viajam no último, enquanto os mais ricos e importantes vão habitando os dianteiros.

Dessa forma, Expresso do Amanhã é um filme completamente dependente do excepcional design de produção de Odrej Nekvasil, que fornece a cada compartimento do grande trem uma personalidade distinta, que também se reflete em cores, fotografia e arquitetura: o vagão dos operários é sujo e obscuro, enquanto a “escolinha” é colorida e vibrante, passando também por uma balada e um grande aquário. Visualmente, é maravilhoso, e revoltante que Nekvasil tenha sido completamente ignorado pela Academia.

Chris Evans também se sai muito bem no protagonismo da trama, criando um sujeito visionário e de intenções nobres, mas nem por isso menos violento e sanguinário; o confronto entre o grupo de Curtis e a segurança do trem num apertado corredor sombrio é memorável. Tilda Swinton surge irreconhecível como a burocrata Mason, abusando de cartunescos dentes falsos e perucas exageradas para criar uma debochada representante da alta classe, cujo figurino também contrasta radicalmente com o grupo de Curtis. Estruturalmente, o silencioso personagem de Kang-ho Song rende uma subtrama não muito envolvente  quanto a principal, mas que revela-se decisiva para o surpreendente clímax.

Expresso do Amanhã é uma empolgante e inteligente sátira política, digna de algumas das melhores distopias já apresentadas no cinema, com um forte espírito dos anos 80.

Obs: Sério, Playarte, como deixar esse filme atrasar tanto?

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