Archive for the Cinema Category

| Carol | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2016, Drama, Romance on 31 de maio de 2020 by Lucas Nascimento
Rooney Mara em mais um romance glacial

Algumas histórias simplesmente não poderiam ser contadas no século passado. Ainda é considerado um tabu, mas histórias de amor homossexual vão ganhando cada vez mais espaço no cinema contemporâneo, incluindo o americano. Lentamente as histórias do passado vão tornando-se populares, e o romance Carol é o novo longa do gênero, que o diretor Todd Haynes oferece em uma embalagem digna.

Adaptada do livro semi-autobiográfico The Price of Salt de Patricia Highsmith trama é ambientada no período do Natal de 1952, onde encontramos a jovem Therese Belivet (Rooney Mara), uma aspirante a fotógrafa que trabalha como atendente em uma loja de departamentos. No furor caótico do período de compras, conhece Carol Aird (Cate Blanchett), uma mãe rica e casada com o influente Harge (Kyle Chandler). Um romance escondido entre as duas rapidamente se inicia, ao mesmo tempo em que o marido as persegue.

Não é uma premissa que grita originalidade, mas realmente não há como se ir tão longe na criação de uma história de amor, apenas na forma como é contada. O roteiro de Phyllis Nagy não toma muitas ousadias no desenrolar de sua narrativa, optando por uma condução majoritariamente linear e um foco constante nas relações entre os personagens. Therese tem todo um subtexto de indecisão profissional e emocional, já que encontra-se pressionada com o pedido de casamento súbito de seu namorado e um desejo de realizar arte. Já Carol enfrenta um doloroso processo de divórcio e uma disputa pela guarda de sua filha pequena, Rindy (vivida pelas gêmeas Sadie e  Kk Heim).

São subtramas sólidas e que oferecem uma aproximação forte entre as protagonistas, o que nos leva ao óbvio trunfo da produção: Cate Blanchett e Rooney Mara. Todas as cenas de diálogo entre as duas são fascinantes, principalmente pela química entre as duas até a condução absolutamente sensorial de Todd Haynes. Blanchett assume uma postura muito mais segura e madura durante as cenas com Mara, evidenciando ali sua idade mais avançada, mas é comovente vê-la se quebrando com a ameaça de perder a custódia de sua filha – imediatamente vilanizando o personagem de Kyle Chandler, mas ao analisar de perto encontramos uma insegurança significativa.

Mas é mesmo Rooney Mara quem tem o trabalho mais difícil, justamente pelo fato de ser a personagem mais complexa. Sua grande confusão com o mundo é bem clara com o olhar quase perdido da personagem em cenas de multidão ou com seu complicado namorado; vide a cena em que tenta perguntar a ele se acredita no amor entre duas pessoas do mesmo sexo, imediatamente negando quando este pergunta se o caso se aplicaria a ela. Porém, tudo desaparece ao contracenar com Blanchett. Therese torna-se ali uma mulher madura e que vai descobrindo o que é a vida e o amor, fazendo com que Mara cresça também.

O que nos leva ao sensível estilo de Haynes, um diretor muito inteligente. Na primeira conversa informal entre as duas, em um almoço, seu posicionamento de câmera é certeiro para traduzir visualmente o contraste entre as personagens: numa posição superior econômica (e até emocional, dada sua experiência que é constantemente posta contra à da amante), o plano de Carol é ligeiramente mais alto do que a de Therese, que parece melhor distribuída no contra plano. É revelador vermos uma sutil inversão, no momento em que Carol volta atrás em uma determinada situação, trazendo-a agora em um evidente plano plongée enquanto fala ao telefone com Therese; e esta, enquadrada normalmente do outro lado da linha.

Vale apontar como o olho do diretor é muito interessado em pequenos detalhes. Quando Carol dirige para Therese pela primeira vez, o olhar da jovem foca-se nos dedos da companheira no volante, nos pelos de seu carregado casaco de peles e no vermelho do batom em seus lábios carnudos. A trilha sonora predominantemente focada em piano e flauta fornece o toque perfeito para cenas do tipo, no qual uma química borbulhante entre as duas vai lentamente evoluindo.

O longa também merece aplausos pela genuína recriação do período e a imersão atmosférica que provoca no espectador. A começar pela fotografia de Ed Lachman, que opta por rodar o filme em película 16mm, conferindo assim um grão muito mais evidente, mas que torna-se perfeito quando consideramos não só a época, mas a paixão de Therese pela fotografia; não poderia imaginar este filme tendo o mesmo impacto com cinematografia digital, mesmo preferindo o formato. A tonalidade das cores, sempre pendendo para algo frio e não muito forte também destacam o inverno e o frio da temporada natalina, o que faz sentido quando pensamos na expressão “Christmas Carol”. A imagem de Mara vista através de um vidro de carro embaçado é uma das mais belas.

O design de produção de Judy Becker revela-se econômico, mas bem sucedido na fidelidade ao período e ao serviço narrativo. A loja de departamentos onde Therese trabalha, por exemplo, é um ambiente claustrofóbico que só piora com o grande número de pessoas e também os enquadramentos de Haynes, sempre posicionando a câmera atrás de algum cômodo ou em cantos de tela, como quando vemos Therese arrumando uma prateleira de bonecas ou a visão periférica de uma chegada que acontece pelo banco de trás de um carro.

Carol pode não oferecer algo muito original ou revolucionário em o que poderia ser descrito como mais uma história de amor, mas é feito e executado com maestria e muita elegância, além de conter duas ótimas performances centrais.

| Spotlight: Segredos Revelados | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2016, Drama with tags , , , , , , , , , , , on 8 de janeiro de 2016 by Lucas Nascimento

 

4.5

Spotlight
Esquadrão Suicida: a ousada equipe Spotlight do Boston Globe

A união de jornalismo com cinema costuma render resultados memoráveis. De Cidadão Kane à Montanha dos Sete Abutres, e então longas mais modernos como Intrigas de Estado e Zodíaco, a primeira gaveta simbólica que se abre na mente das pessoas ao pensar nessa união de estilos é o clássico Todos os Homens do Presidente, filme de Alan J. Pakula sobre o escândalo de Watergate. É também o primeiro filme que me vem à mente após o término da sessão de Spotlight: Segredos Revelados, que pode ser considerado o equivalente desta geração ao suspense de Dustin Hoffman e Robert Redford.

Baseado nos eventos reais de Setembro de 2001, a trama gira em torno da equipe de redação “Spotlight” do jornal Boston Globe, especializado em matérias investigativas. O caso da vez centra-se na exposição dos diversos abusos sexuais cometidos por cardeais da Igreja Católica e o acobertamento destes pela instituição e até mesmo grupos de advogados.

Sendo uma história verídica, a necessidade de retratar os eventos com veracidade torna-se uma preocupação real para os realizadores. É exatamente o que vemos no filme de Tom McCarthy (o mesmo diretor de… Trocando os Pés. Juro. Sério.), adotando uma direção discreta e escrava de seu roteiro factual e pautado no realismo, seja no desenrolar da história repleto de detalhes e informações até os diálogos que tentam resumi-los. A prosa de Josh Singer e do próprio McCarthy aposta pouco em dramatizações ou frases de efeito, conseguindo prender a atenção do espectador com a força de sua história e o clima de mistério/insatisfação que permeia a cada nova pista encontrada pela equipe.

E que equipe, convenhamos. Em uma perfeita distribuição de personagens, fica muito evidente que não temos um protagonista central no longa. Toda a equipe funciona como um organismo vivo e pensante, o que faz sentido a decisão da Sony em inscrever todo o elenco como coadjuvante. De cara, pessoalmente achei que Mark Ruffalo se sobressaiu, tendo a difícil tarefa de elaborar um sotaque português que não soasse caricatural para seu Mike Rezendes, além de ter os maiores surtos emocionais diante da injustiça do caso, rendendo ótimos momentos para o ator.

Michael Keaton empresta sua postura de veterano para Robby Robinson, o chefe da redação de Spotlight. Com muita eficiência na performance de Keaton, percebemos como a determinação de Robby vai pensa muito à frente da de Mike, por exemplo. O colega mais novo grita para que as novas evidências sejam publicadas imediatamente, mas Robby insiste para que coletem evidências ainda mais fortes que sejam capazes de denunciar todo o sistema, ao invés de casos isolados. Não só uma atitude de um grande líder, mas fica ainda mais interessante ao descobrirmos uma camada mais complexa que o personagem vinha ocultando desde o início.

Ainda temos Rachel McAdams entregando mais uma atuação decente como Sacha Pfeiffer, mesmo que a atriz continue presa a uma performance de uma nota só que se estende por seus trabalhos mais recentes. Stanley Tucci aparece pouco, mas é tempo o suficiente para que seu Mitchell Garabedian seja visto como uma figura de início repreensível, mas que revela-se mais importante e útil do que esperado. Liev Schreiber tem ainda menos tempo de tela como Marty Baron, o jornalista que entrega a tarefa para a Spotlight, mas impressiona por seu misto de autoridade, profissionalismo e respeito pelos companheiros (“Vocês merecem uma pausa, mesmo. Mas segunda feira de manhã, precisarei de todos aqui”, é uma de suas melhores entregas).

Novamente, não é um longa que se deixa levar por inovações visuais ou artifícios que poderíamos chamar de “cinematográficos”. A fotografia de Masanobu Takayanagi aposta em uma paleta fria e sem muitos invencionismo, com raras exceções. Há um plano longo muito bem executado e posicionado para a cena em que Matt Carroll (o ótimo Brian d’Arcy James) descobre que um dos padres acusados reside a apenas alguns metros de sua própria casa, ou a sequência de passagem de tempo que aposta em um coral natalino de crianças de igreja; uma escolha brilhante que revela não só o período no qual a trama vai avançado, mas a ironia cruel de sua melodia dócil. Aliás, a trilha sonora discreta de Howard Shore confere o clima perfeito para a projeção, apostando fortemente numa composição simples e eficaz de piano.

Spotlight: Segredos Revelados é um filme que valoriza e respeita o papel do jornalismo investigativo, devendo servir como inspiração para estudantes da área. Mesmo não ousando em questões audiovisuais, é uma narrativa forte e que mantém o espectador vidrado, saindo da sessão com a mesma sensação de injustiçado de seus protagonistas.

Por mais que a tinta e o papel tenham sido armas poderosas, a situação horrenda é uma batalha longe de ser vencida.

| Os Oito Odiados | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2016, Drama with tags , , , , , , , , , , , , on 1 de janeiro de 2016 by Lucas Nascimento

4.0

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Jennifer Jason Leigh é Daisy Domergue: a mais suja entre mal lavados

Filmes de Quentin Tarantino são praticamente um evento cinematográfico. O diretor e roteirista certamente tem ciência disso, afinal durante os créditos iniciais somos alertados de que trata-se de seu “oitavo filme”, o que não deixa de ser uma ironia que trata-se de algo batizado como Os Oito Odiados. Novamente se aventurando no faroeste, após o bem-sucedido Django Livre, Tarantino demonstra maturidade e surpreende, ainda que longe da perfeição.

A trama se passa uns dois anos após a Guerra Civil americana, no final dos anos 1800. Em uma forte nevasca, o caçador de recompensas Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) é acolhido por outro colega de profissão, John Ruth “O Carrasco” (Kurt Russell), que leva acorrentado consigo a prisioneira Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) para ser enforcada na cidade mais próxima. Em decorrência do clima opressor, eles são forçados a ser refugiar em uma estalagem, onde também residem Chris Mannix (Walton Goggins), o novo xerife de Red Rock, o carrasco Oswaldo Mobray (Tim Roth), o mexicano Bob (Demián Bichir), o confederado Sandy Smithers (Bruce Dern) e o vaqueiro Joe Gage (Michael Madsen).

Pelo estabelecimento da trama em um único local, e uma série de intrigas criadas entre seus personagens, é bem evidente que a premissa de Os Oito Odiados se aproxima bastante da do primeiro filme de Tarantino, Cães de Aluguel. Claro, com um orçamento maior e ambições maiores, a trama do faroeste é muito mais complexa e interessante do que vemos à primeira vista. À medida em que passam os capítulos da divisão habitual de Tarantino, descobrimos mais detalhes sobre o passado dos jogadores e o real contexto da história. É muito divertido como  a atmosfera da trama remete bastante a um jogo de tabuleiro, como Detetive, quando descobrimos que alguém ali pode ou não ter intenções letais.

O elenco é fantástico nesse quesito. Em mais uma colaboração com Tarantino, Samuel L. Jackson demonstra muita segurança e experiência na pele de um veterano de guerra, e um medo muito bem mascarado: “Você não sabe como é ser um negro nos EUA”, alerta Warris, que também mostra-se sombrio e perigoso; seu desempenho ao relatar um certo evento para o personagem de Bruce Dern é fabuloso, assim como a reação do veterano ator. Tim Roth e Michael Madsen eram dois atores que não davam as caras em um filme do diretor há um tempo, e se saem muito bem. Roth acerta em sua postura cortês e no sotaque britânico carregado (em muitas maneiras, ele preenche os sapatos de Christoph Waltz), enquanto Madsen mantém seu estilo misterioso e “cool”.

Kurt Russell também retoma a parceria após À Prova de Morte, fazendo de Ruth um sujeito extremamente escandaloso e paranóico, já que toma todas as medidas possíveis para garantir que ninguém lhe passe a perna na captura de Domergue (basta nos lembrarmos que ele está ACORRENTADO a ela). Mas é mesmo Jennifer Jason Leigh quem rouba a cena. Ainda que não fique claro no começo, ela é a personagem quem mais merece o título de “odiado” do título, jamais perdendo força ou charme, mesmo sendo esmurrada e estapeada por Russell durante quase toda a projeção. Suja até os pés de sangue e com os dentes quebrados, o discurso que a protagonista durante o último ato deve se destacar como um dos melhores momentos da carreira de Tarantino.

Para seu segundo faroeste, Tarantino apostou pesado. Aliado ao diretor de fotografia Robert Richardson, rodou o longa em película Ultra 70 mm, que permite uma razão de aspecto mais extensa e, assim, uma visão de campo muito mais estreita e vasta horizontalmente. As paisagens geladas de montanhas de neve ganham muito com o formato, que também revela-se curioso pela decisão de Tarantino de manter a trama toda em um único espaço. Visualmente, garante muito mais detalhes e ainda valoriza o trabalho do designer de produção de Richard L. Johnson na criação da estalagem, cuja decoração e objetos de cena revelam-se essenciais para algumas das pistas descobertas pelos personagens. A trilha sonora original de Ennio Morricone é outra valiosa adição, que ajuda o espectador a imergir em um clima de mistério e antecipação, dando pouco espaço para uma trilha sonora incidental pop (há apenas uma ocasião, com White Stripes).

Talvez o único problema seja o ritmo. Com quase 3 horas de duração, percebe-se que muito poderia ser reduzido se o montador Fred Raskin fosse mais habilidoso. Depois do “interlúdio” que separa o longa (que é inserido no melhor momento possível, palmas), o ritmo torna-se perigosamente lento, incluindo aí um capítulo em flashback que acaba se alongando muito mais do que o necessário. A conclusão também nos traz um Tarantino mais tímido, mas agrada pela quase inédita preocupação em abordar uma questão social relevante da história dos EUA.

Os Oito Odiados é mais um acerto para Quentin Tarantino, que realiza aqui um de seus experimentos mais maduros e desafiadores. Não atinge a perfeição de seus trabalhos anteriores, mas merece créditos pelo excepcional elenco reunido aqui.

Obs: Será um desafio para as salas de cinema conseguirem projetar com perfeição a película. Boa sorte.

| Star Wars: O Despertar da Força | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2015, Ficção Científica with tags , , , on 18 de dezembro de 2015 by Lucas Nascimento

Star Wars: The Force Awakens..L to R: General Hux (Domnall Gleeson) and Kylo Ren (Adam Driver), in b/g Captain Phasma (Gwendoline Christie)..Ph: David James..? 2015 Lucasfilm Ltd. & TM. All Right Reserved.

Finalmente tempos o novo filme da saga Star Wars. Será que valeu a pena? Será que J.J. Abrams conseguiu revitalizar uma franquia novamente?

Leia aqui no Plano Crítico minha opinião.

 

| No Coração do Mar | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 2 de dezembro de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

IntheHeartoftheSea
Chris Hemsworth é Owen Chase

É fascinante, e até um pouco assustador, quando paramos para pensar que o oceano é menos mapeado do que Marte. Sabemos que o planeta vermelho pode não ter nada de muito chamativo em sua superfície deserta, mas alguns biólogos não fazem ideia do tipo de biosfera que podemos encontrar nas profundezas marítimas, e isso é empolgante. Quando No Coração do Mar tem início, com uma narração tematicamente similar, fica a promessa de algo que explorará o místico com um delicioso senso de mistério. Só que não.

A trama é adaptada do livro “In the Heart of the Sea: The Tragedy of the Whaleship Essex”, de Nathaniel Philbrick, que, por sua vez, é a fonte de inspiração de Herman Melville para o clássico Moby Dick. Aqui, acompanhamos a tripulação do navio baleeiro Essex, liderado pelo capitão George Pillard (Benjamin Walker) e seu primeiro imediato, Owen Chase (Chris Hemsworth). Ao descobrirem uma região distante que pode revelar-se absurdamente lucrativa, são atacados por uma gigantesca baleia branca que os coloca em perigo.

De cara, já é admirável notar a versatilidade de Ron Howard: saído das pistas de fórmula 1 com o excelente Rush: No Limite da Emoção, o diretor já traz Chris Hemsworth e seu diretor de fotografia Anthony Dod Mantle para uma aventura em alto mar sobre pesca de baleias. Infelizmente esse novo filme não alcança o mesmo nível de qualidade do anterior, principalmente não saber exatamente o que quer ser. O marketing nos prometia uma história de homem vs natureza no espírito de Moby Dick, mas a gigantesca baleia antagonista não aparece tanto aqui, e Howard falha ao não apostar em um suspense a lá Tubarão para revelar o grande mamífero; ainda que seja realmente belíssimo quando vemos sua colossal calda emergindo do oceano.

Após um ataque que destroi o navio por completo, o longa entra em um ritmo monótono para acompanhar os sobreviventes lutando para permanecerem vivos em alto mar, remetendo à As Aventuras de Pi e até Náufrago quando os personagens encontram uma ilha remota. Tudo isso é retratado com um certo tom de punição, já que a primeira cena de pesca às baleias é dirigida com tristeza, acompanhada por uma trágica trilha sonora de Roque Baños, como se fosse uma coisa terrível que esses homens fazem, e que sua subsequente perdição no mar é um castigo.

O elenco também mostra-se favorável a esse retrato. Hemsworth é carismático o bastante para segurar o papel de protagonista, criando uma figura esperta e moralmente correta com seu Owen Chase; ainda que sua tão divulgada perda de peso no filme não seja tão bem explorada ou aproveitada pela equipe. Tom Holland, prestes a ganhar as telas como o novo Homem-Aranha, também se sai bem ao lado de Hemsworth, mas é mesmo Brendan Gleeson (que interpreta o mesmo personagem envelhecido) quem tem a oportunidade de compor um trabalho mais complexo, já que recusa-se a contar a história de início, apenas para uma revelação chocante e que rende uma reação emocionante do ator.

Visualmente, também é um resultado agridoce. O trabalho mediano de efeitos visuais para criação das baleias e ambientes realmente não casou com o estilo de Anthony Dod Mantle, particularmente no uso de seus filtos e o trabalho de correção de cor na pós-produção; dando a estranha impressão de o elenco estar “descolado” do ambiente, e um brilho atípico para as ondas. O uso constante de Howard das go pros também incomoda, a não ser por momentos mais sutis; como a reação de Chase ao se dar conta de que perdeu o colar dado por sua esposa.

No Coração do Mar é um longa eficiente, mas que encontra problemas quanto ao tipo de história que quer contar, e onde realmente quer estabelecer seu foco: um filme sobre homem vs animal? A vingança da natureza? A ambição do homem? A criação de uma obra-prima? São muitos filmes presos em um fiapo que ocasionalmente revela-se frágil.

| Victor Frankenstein | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015 with tags , , on 26 de novembro de 2015 by Lucas Nascimento

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Foi o pior filme que vi em 2015. Descubra o motivo lá no Plano Crítico!

| Jogos Vorazes: A Esperança – O Final | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2015 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 19 de novembro de 2015 by Lucas Nascimento

3.0

Mockingjay2
Jennifer Lawrence vive Katniss Everdeen pela última vez

Desde sua inesperada e bem sucedida estreia em 2012, a franquia Jogos Vorazes se firmou como uma das mais interessantes e inteligentes da atualidade, especialmente se considerando seu público-alvo: adolescentes. Enquanto Crepúsculo fazia rios de dinheiro com uma história péssima e sem nenhuma moral, a saga de Katniss Everdeen se beneficiava de um cenário distópico elaborativo, figuras criativas e uma discussão política relevante. Agora, Jogos Vorazes: A Esperança – O Final chega para encerrar

A trama inicia-se imediatamente após o final do anterior, com Katniss (Jennifer Lawrence) se recuperando do inesperado ataque de Peeta Mellark (Josh Hutcherson), que encontra-se com a mente bagunçada pela Capital. Enquanto isso, a Presidente Coin (Julianne Moore) continua reunindo Distritos para enfim atacar Snow (Donald Sutherland) e libertar Panem de sua ditadura cruel, precisando enviar Katniss e um esquadrão de elite para enfrentar um campo minado de armadilhas para chegar a seu objetivo.

Primeiramente, é importante ressaltar – mais uma vez – como a decisão de dividir livros em dois filmes vêm se provando danosa. A primeira parte de A Esperança já sofria pela ausência de eventos e o ritmo lento, e sua continuação agora curiosamente traz os mesmos deméritos. A trama direta abre espaço para mais cenas de ação, e Francis Lawrence merece aplausos por uma arrepiante sequência que envolve os protagonistas enfrentando nebulosas criaturas em um túnel subterrânea, mas o roteiro de Peter Craig e Danny Strong não oferece muito além. Nem mesmo os diálogos espertos que transformaram Em Chamas em uma experiência vibrante estão aqui, com apenas algumas metáforas e situações de choque (a reviravolta envolvendo Coin, principalmente).

Como todo capítulo final que se preze, algumas mortes são esperadas. Infelizmente, nenhuma delas aqui provoca o impacto desejado (a menos que você seja um fã da franquia), já que os personagens envolvidos são pouquíssimo aproveitados no filme – tendo mais destaque na Parte 1. Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Stanley Tucci, Jeffrey Wright e Gwendoline Cristie (reduzida a uns 40 segundos de participação) são todos mal aproveitados, e a repentina morte de Philip Seymour Hoffman infelizmente mostra-se danosa à produção: seu Plutarch Heavensbee é um jogador muito importante durante a trama, e é simplesmente apagado da história após certo ponto.

Jennifer Lawrence continua segurando o show, ainda que pese a mão nos momentos mais dramáticos (leia-se, caretas exageradas), sendo sempre fascinante ver uma mulher forte com um arco-e-flecha em meio a um grupo de marmanjos com metralhadoras e armas de fogo. A subtrama com o triângulo amoroso entre Peeta e Gale (Liam Hemsworth) atrapalha, rendendo momentos que remetem diretamente à Saga Crepúsculo. Nunca um bom sinal.

É uma produção eficiente do ponto de vista técnico. O design de produção agora explora com mais detalhes o vasto mundo de Panem, e as áreas mais ricas, como a luxuosa estação de trem e a propriedade de Snow, onde uma colorida estufa verde é palco de um dos mais interessantes confrontos. O figurino deixa de lado as vestimentas mais extravagante (já que os personagens usam trajes de infiltração preto durante a maior parte do longa), mas uma bizarra personagem certamente vale por todo o que já vimos nesse quesito na franquia até agora. Já os efeitos visuais são um tanto artificiais, especialmente durante planos abertos em que temos um cenário nitidamente digital ou a composição das criaturas que atacam os heróis no túnel. Há também uma breve recriação do rosto de Hoffman, e não deverá ser difícil de perceber.

Jogos Vorazes: A Esperança – O Final não é a conclusão que uma saga que começou tão bem merecia, limitando-se a uma estrutura lenta e sem muita ousadia. Tem bons momentos, mas pelo menos para mim, a saga de Katniss Everdeen vai ficar mais memorável por suas ideias do que execução.

O 3D convertido é absolutamente descartável.

| Aliança do Crime | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 14 de novembro de 2015 by Lucas Nascimento

3.0

BlackMass
Johnny Depp é Whitey Bulger

Quem não adora um bom filme de máfia? Talvez seja, junto com o western, um dos mais característicos gêneros do cinema americano, que já nos rendeu obras como a trilogia Poderoso ChefãoOs Bons Companheiros, ScarfaceEra uma Vez na América,Os Intocáveis e obras recentes como Os Infiltrados, O Gângster, O Homem da MáfiaO Ano Mais Violento e tantas outras. É sempre bom entretenimento observar sagas criminosas de figuras detestáveis que podem – ou não – criar curiosa empatia com o público. Quando anunciado que Johnny Depp largaria a excentricidade irritante de seus trabalhos com Tim Burton em Aliança do Crime, a empolgação é grande.

A trama é inspirada na história real do gângster Jimmy “Whitey” Bulger (Depp) e sua controversa aliança com o FBI, representado na forma do ambicioso John Connolly (Joel Edgerton) nas décadas de 70 e 80. Enquanto Bulger expande seu pequeno império no sul de Boston, é protegido por seu irmão senador (Benedict Cumberbatch) e ganha imunidade do FBI por entregar seus competidores.

É um material excelente para se trabalhar, e o roteiro de Mark Mallouk e Jez Butterworth consegue comportar uma vasta quantidade de eventos em uma narrativa concisa e que usa da função de flashfoward de maneira orgânica; com os antigos comparsas de Bulger prestando depoimento à polícia de forma que avance a trama sem exposição gritante.

O problema é que Aliança do Crime não é exatamente empolgante.

Tem todos os ingredientes e jogadores muito habilidosos, mas o diretor Scott Cooper realmente não consegue encontrar uma identidade para o longa. Não tem o carinho familiar que marcou O Poderoso Chefão (ainda que a história tente criar uma relação afetiva entre Bulger e seu filho pequeno), nem o humor ácido de Os Bons Companheiros, infelizmente limitando-se a uma experiência burocrática. Cooper até consegue compor bons enquadradamentos (é curiosa a rima com o plongée do carro de Bulger com a visão de Connolly e sua esposa vistos atrás de uma porta) e o diretor de fotografia Masanobu Takayanagi utiliza bem das cores e do granulado para compor uma imagem que teria saído dos anos 70, mas não há nada de realmente memorável como cinema. Nem as súbitas explosões de violência impactam como deveriam.

Muitos irão assistir por Johnny Depp, e depois de ver o talentoso ator ser desperdiçado em tantas atrocidades, é confortante vê-lo bem encaixado na pele de Bulger. Sua fala mansa que logo revela-se ameaçadora é cativante, assim como o sutil trabalho do ator com os olhos, dominando todas as cenas em que aparece. É uma construção que felizmente não soa espalhafatosa, podendo muito bem ser posta lado a lado com seu ótimo trabalho em Inimigos Públicos, onde também deu vida a mais um notório criminoso da história dos EUA: John Dillinger. Porém, sua maquiagem excessivamente caricata o destoa de todo o restante da produção, como se fosse uma figura que, visualmente, não pertencesse àquele universo.

E mesmo com um elenco estelar em mãos, Cooper nunca consegue aproveitá-los. Joel Edgerton está excelente como Connolly, e sua jornada de corrupção é certamente o ponto mais interessante da narrativa (ainda que a transição de lado jamais seja verdadeiramente explorada, tendo uma cena de balada aqui e pronto), mas quando temos Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon, Corey Stoll, Peter Sarsgaard, Juno Temple e Jesse Plemons todos reduzidos a participações especiais, é frustrante.

Aliança do Crime jamais atinge o grandioso status que poderia ter alcançado, limitando-se a uma narrativa mais segura e com medo de encontrar sua identidade. Funciona pontualmente pelo elenco e a progressão da história, mas é realmente um longa que não será muito lembrado.

| 007 Contra Spectre | Crítica

Posted in Ação, Aventura, Cinema, Críticas de 2015 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 4 de novembro de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

SPECTRE
Antes tarde do que nunca: a primeira neve do 007 de Daniel Craig

Não é pra qualquer franquia a habilidade de se manter por 53 anos, 24 filmes e 6 atores. É surpreendente como um personagem tão explorado quanto 007 conseguiu ganhar diversas reinvenções ao logo desse tempo, em especial aquelas vistas com Daniel Craig em Cassino Royale e Operação Skyfall, que atualizaram o estilo de personagem para o século XXI ao mesmo tempo em que preservaram suas raízes. Marcando a quarta aparição de Craig como Bond, 007 Contra Spectre reúne – quese – toda a equipe de volta para tentar superar o sucesso do antecessor, e não é surpresa que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

Na trama, James Bond procura mais pistas sobre seu passado após uma missão explosiva na cidade do México. A investigação acaba levando-o até Roma, onde descobre a existência de uma nebulosa organização criminosa conhecida como Spectre, chefiada pelo misterioso Franz Oberhauser (Christoph Waltz) e que parece estar por trás de diversas fatalidades na vida do espião.

Tudo bem, não é tarefa fácil superar Skyfall. Foi um dos filmes mais bem avaliados da série, o mais rentável da história do Reino Unido, vencedor BAFTA e dois Oscars e também um longa certeiro e nostálgico para os 50 anos do personagem. Sam Mendes retorna à cadeira de diretor, assim como os roteiristas John Logan, Robert Wade e Neil Purvis, que – não surpreendentemente – acabam caindo na armadilha de tornar Spectre parecido demais com Skyfall. Novamente temos Bond agindo em uma missão pessoal, novamente o MI6 enfrenta pressão do governo para justificar sua existência num mundo moderno (curiosamente, mesma situação que afetou a IMF em Missão: Impossível – Nação Secreta) e por aí vai. A repetição também se manifesta nos diálogos sem muita profundidade e mais interessados em entregar one liners falhos e sem imaginação (“Fiquei sem balas”, dado o contexto de uma cena específica, é broxante), ainda que algumas raras exceções funcionem: o humor pontual é ótimo, como quando Bond tem sua queda de um prédio interrompida por um sofá ou sua sincera reação ao novo ferimento de um oponente.

Mais do que qualquer outro filme da série, Spectre preocupa-se em conectar seus filmes, indo além das casuais referências nostálgicas (Sam Mendes claramente adora Viva e Deixe Morrer). Os eventos e personagens de CassinoQuantum of SolaceSkyfall são retomados fortemente aqui, criando uma relação megalomaníaca com o Oberhauser de Christoph Waltz, que oferece uma performance vilanesca típica de Hans Landa e promete agradar os fãs mais saudosistas com sua aguardada revelação. Aliás, é justamente essa revelação que torna o antagonista tão especial, já que suas ações não são realmente tão memoráveis – com exceção de uma arrepiante cena de tortura e a reunião dos membros da Spectre em uma sala escura que remete imediatamente a De Olhos Bem Fechados.

Mendes mantém uma condução eficiente, e já começa a projeção com um ótimo plano sequência pela vasta marcha do Dia dos Mortos na capital mexicana. Temos uma ótima sequência envolvendo carros e um avião na neve e uma brutal pancadaria no interior de um trem (remetendo a Moscou contra 007O Espião que me Amava, graças também à postura forte de Dave Bautista como o capanga Sr. Hinx) O diretor de fotografia Hoyte Van Hoytema empresta seu grão sujo para ajudar o diretor, não alcançando um trabalho surreal como o de Roger Deakins em Skyfall, mas capturando belas imagens com paisagens na Áustria e a já mencionada reunião da Spectre, em uma tela expressionista ambientada em Roma. Só é uma pena que não tenhamos cenas muito inventivas, começando por uma perseguição de carro que não empolga – provavelmente por entrecortá-la com exposição de diálogos enquanto Bond conversa com Moneypenny (Naomie Harris, novamente) – e um clímax fraco que só se salva pela conexão criada com os longas anteriores, envisionando um cenário que realmente mergulha no inconsciente de Bond.

Além de Oberhauser, temos Léa Seydoux excelente como a psicóloga Madeleine Swann. Não chega a ser memorável como uma Vesper Lynd, mas é uma personagem forte e capaz de bater pra igual com Bond, gerando uma boa química com o sempre competente Daniel Craig, que ainda se mostra um ótimo Bond mesmo sem muito de novo a oferecer aqui (não levando em consideração as declarações pouco elegantes do ator). Ben Whishaw novamente atesta que a decisão de rejunescer Q foi genial e Ralph Fiennes surge durão como M, especialmente quando contracena com o cínico Andrew Scott, na pele de um burocrata calculista.

Em seus aspectos técnicos, é primoroso como a maioria dos filmes da série. Além da já comentada fotografia de Hoytema, a montagem de Lee Smith adiciona mais ações em paralelo (afinal, o cara é o colaborador de Christopher Nolan), em especial no clímax que envolve participação de toda a equipe, e Thomas Newman aproveita muito de seus temas criados para Skyfall, inovando apenas na influência musical do México e Roma; além de um mistério mais forte em torno da figura antagonista. Por fim, a sequência de créditos com “Writing’s on the Wall”, de Sam Smith, é provocante e dinâmica, sendo muito eficiente em mesclar a imagem de polvos com as tradicionais silhuetas femininas da saga.

007 Contra Spectre é mais uma boa adição à era de Daniel Craig como James Bond, ainda que não consiga subir ao mesmo nível de seu excelente antecessor. Traz bom entrenimento e nostalgia para os fãs de longa data, mesmo que seja impossível não se sentir um pouco decepcionado.

| Sicario: Terra de Ninguém | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , on 21 de outubro de 2015 by Lucas Nascimento

4.0

Sicario
Emily Blunt é Kate Macer

No cinema americano, o gênero de guerra sempre precisou de um conflito chave para gerar boas narrativas. Nada a ver com ideologia ou ufanismo (na maioria dos casos, claro), mas uma situação em que humanos se viram uns contra os outros para derramamento de sangue oferece um olhar reflexivo e por vezes fascinantes sobre o Homem. Ainda que não seja uma guerra propriamente dita, o narcotráfico têm se tornado um tema popular nos últimos anos, tendo em Sicario: Terra de Ninguém, mais uma adição digna.

Estreia do ator Taylor Sheridan (Sons of Anarchy) como roteirista, a trama nos apresenta à agente do FBI Kate Macer (Emily Blunt), que é designada para um divisão especial na luta contra um notório cartel de drogas mexicano. Sob a conduta do nebuloso Matt Graver (Josh Brolin) e auxílio do misterioso Alejandro (Benicio Del Toro), Kate mergulha fundo na perigosa atmosfera do México e a luta por respostas.

É muito simples o texto de Sheridan, e não vai muito além do familiar. Afinal, depois do sucesso avassalador de Breaking Bad, qualquer produto audiovisual sobre o tema tem uma grande dificuldade em destacar-se (saindo novamente do cinema, é o caso da série Narcos, que é eficiente mas nada original). Sicario faz o básico e traz personagens interessantes, especialmente o agente irrotulável que Benicio Del Toro vive de forma soturna e imprevisível; não sendo nenhuma surpresa que este roube totalmente o filme da protagonista de Blunt. O que é uma pena, dado que havia aqui a oportunidade de criar uma protagonista feminina forte aos moldes da Maya de A Hora Mais Escura, e a atriz se sai bem ao questionar as ações de seus superiores e demonstrar muita fragilidade – a cena de abertura é matadora. Só fico decepcionado que uma personagem que prometesse tanto, acabasse em um arco dramático tão frustrante; mesmo sendo uma consequência natural de suas escolhas e do universo cruel no qual habita.

Mas o que torna o filme realmente memorável é seu diretor. Denis Villeneuve. Vindo de uma carreira forte marcada por IncêndiosOs SuspeitosO Homem Duplicado, o franco-canadense explora aqui sua habilidade de criar tensão, sendo capaz de nos deixar preocupados com seus personagens mesmo com pouco tempo de filme. A crueldade da descoberta feita na primeira cena já é o primeiro indício da violência que encontraremos, e a antecipação por esta é muitíssimo bem salientada pelos planos bem abertos – monstrualizando as áridas paisagens mexicanas – e a excelente trilha sonora de Jóhann Johánssonn, capaz de provocar com as notas mais simples possíveis.

Vale apontar também a condução de Villeneuve durante as tensas sequências envolvendo uma possível emboscada na fronteira entre EUA e México e a invasão da equipe em um túnel que exige que o sempre brilhante diretor de fotografia Roger Deakins troque suas ensolaradas lentes para uma visão noturna/infravermelha, garantindo uma solução dinâmica e imersiva.

 Sicario: Terra de Ninguém continua solidificando a carreira e comprovando o talento de Denis Villeneuve, rendendo um filme intenso e que se beneficia de uma condução impecável, capaz de invalidar a estrutura batida do roteiro e sua falta de originalidade.