Archive for the Críticas de 2011 Category

| Tudo pelo Poder | Thriller político de tirar o fôlego

Posted in Cinema, Críticas de 2011, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , on 23 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento

Eu não sou o maior admirador da política. Aliás, pode-se dizer que raramente (muito mesmo) acompanho eventos do assunto, a não ser por eleições presidenciais. É este o tema de Tudo pelo Poder, filme que traz George Clooney na cadeira de diretor pela quarta vez, um thriller político envolvente e magistralmente executado.

Baseando-se na peça de Beau Willimon, o longa apresenta o período de eleições presidenciais entre dois candidatos: o democrata Mike Morris (Clooney) e o republicano Pullman (Michael Mantell), colocando em foco o dedicado Stephen Meyers (Ryan Gosling), acessor da campanha de Morris que terá sua lealdade testada ao descobrir segredos obscuros sobre seu candidato.

Voltando à parte onde eu disse que não me interessava por política, eu fico surpreso que um filme cujo tema é completamente voltado à mesma, tenha conseguido funcionar tão bem para mim. Isso se deve à ótima direção de Clooney, que mantém o ritmo e tom eficiente durante toda a projeção, despertando o interesse do espectador por seus personagens – nesse sentido, o roteiro assinado por Grant Heslov, Clooney e Willimon também merece atenção, já que apresenta ótimos diálogos e contextualiza com objetividade o complexo mundo onde o longa se passa.

E é muito interessante acompanhar como os eventos vão se desenrolando nesse cenário político. Tomando o filme para si próprio, Ryan Golsing faz um excelente trabalho como Stephen, estabelecendo uma persona de “bom-moço” no primeiro ato e impressionando com sua mudança de caráter ao longo da ocorrêcia de eventos surpreendentes. Clooney aparece menos, mas consegue fazer de Mike Morris um personagem admirável em sua campanha (claramente inspirada na de Barack Obama, note por exemplo na imagem que traz o ator em um pôster eleitoral com design semelhante ao do atual presidente dos EUA), mas com “esqueletos no armário”. Aplausos também para Phillip Seymour Hoffman e Paul Giamatti, sempre ótimos coadjuvantes.

Tratando-se de um cenário aparentemente simples (sem locações exóticas, ou saltos temporais), não era de se esperar um cuidado tão atencioso e bonito com o visual. O diretor de fotografia Phedon Papamichael compõe cada ambiente do filme com imenso talento e criatividade, criando um dos planos mais bonitos do ano, onde Stephen tem uma revelação sobre Molly (estagiária de Morris, interpretada pela carismárica Evan Rachel Wood) enquanto senta no carro durante uma pesada chuva; e a câmera foca o rosto de Gosling enquanto o limpador do retrovisor vai removendo a água, ao mesmo tempo em que pequenas lágrimas vão descendo pela face do ator. Sensacional.

Tudo pelo Poder é um ótimo filme para fãs e não-fãs de política, mas principalmente aos admiradores de uma boa história, madura e inteligente. Esse é o poder do cinema: transformar um assunto que não interessa a alguns (no caso, eu) em um dos melhores filmes do ano.

| Missão: Impossível – Protocolo Fantasma | A arte do bom entretenimento

Posted in Ação, Aventura, Cinema, Críticas de 2011 with tags , , , , , , , , , , , , , , on 22 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento


Toma essa Peter Parker!

Como é boa a sensação de ser completamente entretido dentro do cinema, ainda mais de um filme cujas expectativas nem eram tão altas. Missão: Impossível – Protocolo Fantasma marca a estreia do talentoso Brad Bird (responsável por Os Incríveis e Ratatouille) na direção de longas live action, alcançando um resultado espetacular e muito além da maioria dos filmes do gênero.

A trama acompanha Tom Cruise como o agente Ethan Hunt pela quarta vez, mostrando a  agência do mesmo – a IMF – ser dissolvida após uma atentado a uma base russa. Sem apoio do governo, a equipe do protagonista precisa encontrar o responsável pelos ataques e impedir seu plano de causar uma guerra nuclear.

Depois de três bons filmes da franquia (com destaque maior para o terceiro, de J.J. Abrams), os roteiristas Josh Appelbaum e André Nemec introduzem o Protocolo Fantasma, cuja ideia em si já é inteligente por servir como recomeço para a série – já que o IMF, supostamente, passará por uma transformação. E capturando todos os bons elementos de espionagem, a dupla teça uma trama repleta de rumos inesperados e reviravoltas (mesmo que algumas não fazem tanto sentido, nem são tão bem explicadas), sempre mantendo a história empolgante.

Mas é de se admirar o excepcional trabalho de Bird na direção. Depois de mostrar que ratos podem ser cozinheiros e que super-heróis também sustentem família, ele empresta sua imaginação à composição das cenas de ação mais espetaculares do ano, que vão de escaladas ao prédio mais alto do mundo até perseguições em furiosas tempestades de areia. O cineasta compreende a estrutura de uma boa narrativa e, dosando de muito bom humor, consegue manter o ritmo alucinado do primeiro minuto até seus momentos finais, capturando o espectador e envolvendo-o completamente em seus conceitos e ideias; não importando o quão bizarras ou impossíveis elas sejam (alguns gadgets vistos aqui são tão malucos que remetem até a Agente 86, passando por câmeras no olho até locais improváveis para centros do IMF).

Agora, falando sobre maluquices e cenas de ação, aplaudo de pé o desempenho de Tom Cruise aqui. Além de apresentar seu carisma habitual ao personagem, o ator mostra total disposição aos momentos mais perigosos do filme, soando a camisa em perseguições e ao corajosamente escalar o Burj Khalifa em Dubai (para aqueles que não sabem, Cruise dispensou dublês na tal cena) e render uma das mais bem elaboradas e sensacionais sequências do ano – se possível, veja em IMAX. O elenco coadjuvante também mostra-se bem confortável em cena, ao começar pelo sempre divertido Simon Pegg, que interpreta aqui Benji, mais especializado em tecnologia e elaboração de planos. Paula Patton combina com eficiência sensualidade e dureza com a agente Jane enquanto o sempre ótimo Jeremy Renner mostra que seria um bom substituto para Cruise no futuro… (mas calma que o cara já tem Bourne pro ano que vem!)

Eficáz também na montagem e na trilha sonora de Michael Giacchino, que em conjunto dão ainda mais força às cenas mais intensas, Missão: Impossível – Protocolo Fantasma é um dos melhores filmes do ano. Passa longe de se preocupar com a realidade para dar atenção ao que realmente importa em um blockbuster: bom entretenimento.

E meu amigo, isso é entretenimento de primeira.

| Compramos um Zoológico | Cameron Crowe retorna com um filme inspirador e divertido

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2011, Drama with tags , , , , , , , , on 18 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento


Eye of the tiger: Matt Damon em um momento de reflexão com o tigre Spar

O título de um filme é muito importante. A partir do mesmo, o espectador pode ser fisgado pela ideia central do longa e saber exatamente sobre o que se trata. Compramos um Zoológico é um exemplo desse caso; ostentando um título chamativo e interessante (até mesmo os personagens do longa adoram pronunciá-lo), é impossível não ser atraído pela maravilhosa premissa do novo trabalho de Cameron Crowe.

Inspirada em fatos reais, a trama acompanha a tentativa de Benjamin Mee (Matt Damon) em mudar de vida com seus filhos após a morte de sua esposa. Surpreendendo a todos – inclusive a si mesmo – ele resolve comprar um zoológico falido e transformá-lo na maior atração do verão.

Depois de praticamente sumir do cinema, Cameron Crowe retorna à direção depois de seis anos (seu último trabalho foi Tudo Acontece em Elizabethtown, em 2005) com um filme divertidíssimo e original. Partindo de seu ótimo conceito, o diretor também co-assina o roteiro  com Aline Brosh McKenna, adaptado do livro de Benjamin Mee, e proporciona diálogos memoráveis e naturais, especialmente na relação pai-filho entre o protagonista e sua filha Rosie (a excelente Maggie Elizabeth Jones). Toda a personalidade de Mee é maravilhosamente bem construída ao longo do primeiro ato (como clipes mostrando sua vida de aventureiro, restaurantes que este passa a evitar após a morte da esposa) e explorada com sucesso ao longo da projeção.

Matt Damon contribui muito para o sucesso do longa, já que sua performance é carismática e tridimensional, conseguindo equilibrar o bom humor do personagem ao embarcar em um negócio diferente com seu lado mais sério, principalmente na falta de comunicação com seu filho mais velho (Colin Ford, bem expressivo). O elenco coadjuvante também faz bem, com Scarlett Johansson confortável na pele de Kelly, Thomas Haden Church (que partilha de uma interessante relação quase paternal com Damon) como um divertido alívio cômico e Elle Fanning – em um papel mais curto – adorável como sempre.

O que nos leva à natural direção de Cameron Crowe. Optando por planos mais “tradicionais”, o cineasta retrata bem a natureza preservada do Zoológico Rosemoor (em diversos momentos suas câmeras capturam o comportamento de certos animais, em um convincente ode à preservação ambiental) e consegue fazer o espectador se importar com a situação. Gosto também de certo momento em que o protagonista observa fotos em que encontra-se com sua esposa e a cena ganha vida diante de seus olhos, comprovando o talento de Crowe em criar uma cena emocional sem recorrer ao melodrama.

Acertando também na escolha da trilha sonora incidental, Compramos um Zoológico é um dos filmes mais divertidos do ano. O tema abordado é ligeiramente incomum, mas ganha um tratamento realista (não é fácil comprar e administrar um zoológico!) e bem-humorado e ainda consegue abordar temas familiares com a mesma qualidade. Para toda a família.

Crítica publicada em 18/12, pré-estreia do filme em SP.

| Toda Forma de Amor | Reflexão madura e original sobre a solidão

Posted in Críticas de 2011, Drama, DVD, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , on 18 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento

Fui assistir a Beginners (desculpem, mas ignoro esse péssimo título nacional) esperando um tipo de filme completamente diferente do que vi. Eu esperava um longa mais concreto, no estilo do I Love you Phillip Morris (O Golpista do Ano, com Jim Carrey), mas o que encontrei é uma intrínseca reflexao sobre a vida e a solidão, comandada pelo diretor Mike Mills, que também assina o roteiro – inspirado em acontecimentos de  sua vida, de acordo com ele.

Ao longo do filme todo, pode-se perceber que é um trabalho muito pessoal. A trama, cheia de flashbacks e cortes, acompanha Oliver (Ewan McGregor) em dois momentos de sua vida: quando é surpreendido ao descobrir que seu pai (Christopher Plummer), além de ter um câncer terminal, abraça sua homossexualidade em plena meia-idade e quando inicia um romance com Anna (Mélanie Laurent).

O elemento-chave do longa é sua execução. Abordando três linhas temporais do mesmo indivíduo, o filme vai e volta no tempo – muitas vezes os flashbacks vêm em momentos apropriados (como por exemplo, a cena em que a mãe de Oliver lhe explica sobre a catarse, logo interrompida pelo Oliver adulto pichando um muro com seu amigo), mas em outras parece vir como uma colagem, mas todas contribuem para mostrar a formação de caráter do protagonista. Um elemento fantástico, é como Mills trabalha com a memória de Oliver (quando seu pai revela ser gay, a cena é tocada diversas vezes, enquanto o personagem  tenta se lembrar como seu pai se vestia) e usa de elementos visuais criativos – que vão de fotos de uma época determinada até documentos em fundo preto.

Abraçando a solidão de seu protagonista, Ewan McGregor faz um ótimo trabalho com Oliver. Trabalhando como designer gráfico, o roteiro explora como o personagem é capaz de se afastar das pessoas com facilidade (Às vezes posso ficar parado num lugar e me afastar das pessoas) e como ele tenta mudar isso ao conhecer Anna, vivida pela graciosa e divertida Mélanie Laurent. Mas é mesmo Christopher Plummer quem rouba a cena como o pai recém-assumido de Oliver; o ator esbanja carisma e muita expressividade, merecendo o Oscar pelo qual é cotado no momento…

Escrito e executado com maestria, Beginners (Toda Forma de Amor, como preferir) é uma experiência diferente que proporciona um olhar original e tocante sobre a vida de um indivíduo. Contando com um elenco espetacular, o longa é um dos mais originais do ano e sua linda mensagem sobre a solidão é algo com que eu pude me identificar bastante.

| 30 Minutos ou Menos | Diversão rápida demais

Posted in Comédia, Críticas de 2011, DVD with tags , , , , , , , on 14 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento

Algumas comédias são difíceis de vender. Tá Rindo do quê?, por exemplo, é um filme que foi direto para o home/video aqui no Brasil por ser um longa diferente e sem um público específico. 30 Minutos ou Menos também teve o mesmo destino, mas na minha opinião é um longa facilmente acessível. É divertido, bem executado e, em alguns momentos, surpreendente como toda comédia de erros.

A trama mostra o que acontece quando um entregador de pizza fracassado (Jesse Eisenberg) é sequestrado por dois imbecis (Danny McBride e Nick Swardson) que amarram uma bomba em seu peito e ameaçam detoná-a caso o sujeito não lhes entregue uma quantia absurda de dinheiro. Desesperado, ele recorre a seu amigo (Aziz Ansari) para assaltar um banco.

Esse tipo de premissa certamente é sedutora. Dois sujeitos ordinários e entediados com suas vidas são lançados em uma situação completamente inesperada e perigosa (certo, já vimos essa fórmula em inúmeros trabalhos), com grande teor cômico. Comandado por Reueben Fleischer (do ótimo Zumbilândia), o filme funciona justamente nesses momentos em que mostram os protagonistas realizando ações perigosas – a cena do assalto, por exemplo, é divertidíssima e suas consequências impressionam. Isso porque o roteiro de Michael Diliberti faz um trabalho admirável no cuidado com os personagens de Eisenberg e Ansari, mas infelizmente falha nos outros elementos da história (os sequestradores, mesmo que divertidos, têm uma péssima conclusão) e parece querer terminá-la o mais rápido possível.

Felizmente, o elenco consegue divertir o espectador mesmo diante de problemas de história. Jesse Eisenberg, recém-saído de sua indicação ao Oscar por A Rede Social, mostra que ainda tem carisma pra comédia e muita expressividade. Aziz Ansari é o rouba-cena com seu professor substituto, sempre com uma voz fina e divertidas expressões faciais (sua apresentação, dentro do carro é hilária). Danny McBride reprisa sua bem-sucedida persona de durão (algo do tipo visto em Segurando as Pontas), ofuscando bastante o (bem mais contido) Nick Swardson.

Ganhando crédito também na execução de algumas cenas de ação, 30 Minutos ou Menos é um filme agradável e divertido, sendo pontualmente engraçado. Tem um bom elenco e diversas boas sacadas (como o “salão de bronzeamento”), mas é completamente perdido em sua história, que resulta num final vazio e decepcionante.

Se fosse melhor trabalhado, a gorjeta seria maior.

| Hanna | Joe Wright narra sua própria Hit-Girl

Posted in Ação, Aventura, Críticas de 2011, DVD with tags , , , , , , , , , , on 7 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento

Com Chloe Moretz arrepiando as telas na pele da assassina Hit-Girl em Kick-Ass: Quebrando Tudo, Hollywood resolveu fazer parecido. Saído das mentes de Seth Lochhead e David Farr (que assinam o roteiro), Hanna é uma aventura bizarra e muito interessante, contando com uma direção habilidosa de Joe Wright e uma ótima Saoirse Roman.

A trama acompanha a jovem Hanna (Roman), que é treinada por seu pai (Eric Bana) para se tornar uma assassina profissional. O grande mistério do longa gira em torno da perseguição que a menina sofre da CIA e da agente Marissa (Cate Blanchett). Dizer mais do que isso, seria spoiler, então paro por aqui.

Pra começar, Saoirse Roman continua provando seu inquestionável talento ao assumir diferentes personagens ao longo de sua carreira. Assumindo o papel-título aqui, ela enche Hanna com uma estranheza e inocência admiráveis; criada em cativeiro em uma cabana no Ártico, a jovem desconhece praticamente qualquer tipo de objeto tecnológico ou moderno (ao menos que você conte a habilidade desta com uma arma de fogo). A jovem atriz consegue traduzir para as telas essa aura de alienamento com muito carisma, mostrando também muita garra nas cenas de ação.

Vindo de dramas de época e adaptações de romances, Joe Wright é uma escolha inusitada para dirigir um thriller de espionagem. Com auxílio do diretor de fotografia Alwin Kücher, proporciona uma dos melhores espetáculos visuais do ano, passando de cenários surreais (bem desenhados por Sarah Greenwood, que acertadamente toma referências de contos dos irmãos Grimm) até lutas em planos-sequência (Eric Bana protagoniza a melhor delas). O uso de um playground infantil como palco de um violento confronto também mostra a inteligência narrativa de seu realizadores.

No entanto, Hanna sofre em seu roteiro. Introduzindo-se de forma misterioso e subjetivo (e acertando nesse quesito), o longa perde forças quando mostra a protagonista contracenando com uma família viajante (começando pela artificial Jessica Bardein, que interpreta Sophie) e diversas vezes perde o foco de sua história e, assim, prolongando-a sem necessidade. Por exemplo, é interessante observar Hanna em um encontro amoroso – retratando assim a vida que esta nunca terá – mas descartável no sentido da trama. Aliás, a tal família simplesmente é esquecida no terceiro ato.

Contando também como uma empolgante trilha sonora assinada pelo The Chemichal Brothers, Hanna é um bom thriller de ação que traz ótimas performances e uma direção mais do que inspirada. Só faltava uma história mais focada e que não se levasse tão a sério; com Kick-Ass deu mais do que certo.

| Os Muppets | Retorno divertido aos cultuados fantoches

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2011, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , on 2 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento


Jason Segel e Amy Adams acompanham fantoches Muppets em Los Angeles

Eu não sou muito familiarizado com Os Muppets (uma das únicas coisas que me vem a memória são as paródias a filmes e inúmeros especiais de Natal). Por esse motivo, talvez Os Muppets – nova entrada cinematográfica dos cultuados fantoches – não tenha me agradado tanto quanto outros inúmeros críticos lá fora. É um longa divertidíssimo, bem feito e executado, mas percebe-se que aqueles que já eram fãs dos personagens tem uma experiência melhor.

A trama ambienta-se num momento corretíssimo: Os Muppets estão esquecidos pelo público e, visando salvar seu antigo estúdio em Hollywood, são reunidos pelo sapo Kermit para organizar um sensacional retorno; contando com a ajuda dos humanos Gary (Jason Segel) e Mary (Amy Adams). Tudo isso enquanto um ambicioso empresário de petróleo (Chris Cooper) tenta frustrar o plano dos fantoches.

Escrito pelo próprio Segel e Nicholas Stoller, o roteiro acerta na ambientalização e todo o desenrolar da trama. Mesmo que previsível e focalizada no público infantil em diversos momentos (principalmente a conclusão), a ideia de trazer os Muppets de volta ao estrelato realmente funciona, tanto para os fãs quanto os “novatos” na mitologia. O genial mesmo são as piadas metalinguísticas (como a “viagem pelo mapa”, recurso narrativo típico dos filmes de Indiana Jones) que sempre tornam a experiência mais interessante.

Sem dúvida o grande atrativo do longa, os fantoches são fantásticos. Manuseados por uma equipe extremamente talentosa, todos os personagens apresentam suas próprias características e personalidades distintas – todos muito carismáticos. A começar pelo jovem Walter, que logo nos segundos iniciais de projeção ganha o carinho e admiração do público por sua inocência e por partilhar tantas semelhanças com um ser humano de verdade. E ao desenrolar da história, somos apresentados a inúmeros personagens que ganham vida através de fantoches (meus favoritos são Fozzie e o bateirista maluco, Animal). Sobre atores de carne e osso, Segel e Adams formam um casal bonitinho (mas exagerado em alguns momentos) e diversas participações especiais brotam de todos os cantos.

Infelizmente, a Walt Disney do Brasil trouxe um esmagadora maioria de cópias dubladas do filme para as salas do país. Isso certamente prejudicou minha sessão, já que o longa é composto por alguns números musicais (que ao visto são muito bem ensaiados e colocados dentro da história), que simplesmente perdem seu efeito por não apresentar as vozes originais de seus intérpretes soando muito artificiais.

Mesmo que infantil e bobinho em alguns momentos, Os Muppets é uma diversão inocente e agradável. Repito: provavelmente funciona melhor para aqueles que já são familiarizados com o material (há diversas referências ao antigo programa de TV), mas nem por isso vai deixar de ganhar novos admiradores. Eu, por exemplo.