Archive for the Guerra Category

| Sniper Americano | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015, Drama, Guerra with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

3.0

AmericanSniper
Bradley Cooper é Chris Kyle, o sniper americano

Projeto que seria tocado por Steven Spielberg, Sniper Americano foi parar nas hábeis e versáteis mãos de Clint Eastwood, que conseguiu transformá-lo em um dos 8 indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano. O longa também gerou polêmica nas diferentes visões políticas do público americano, que acusaram-no de glorificar feitos violentos de um “psicopata”, enquanto outros defendem que é um retrato fiel de um verdadeiro herói de guerra. Bem…

A trama se dedica a contar toda a trajetória de Chris Kyle (Bradley Cooper) pelo exército americano dos SEAL. Motivado a defender seu país após os ataques do 11 de Setembro, Kyle vai se tornando o atirador de elite mais eficiente do pelotão, ao mesmo tempo em que constrói uma família ao lado de Taya (Sienna Miller) em seu distante lar.

Vamos tirar o elefante da mesa: Sniper Americano é ultranacionalista. Eu realmente não vejo isso em outros filmes do Oscar que sofreram tais críticas (como Guerra ao Terror, Argo ou A Hora Mais Escura, por motivos óbvios), mas o filme de Eastwood está constantemente gritando seu amor à bandeira dos EUA, e é algo que seja a incomodar mais do que a propaganda descarada que Michael Bay faz da Marinha em seus Transformers. Esse elemento tanto prejudica quanto acrescenta à narrativa: a paixão de Kyle por sua pátria o coloca em conflito com suas responsabilidades familiares (“Eu odeio os SEALs”, clama a esposa), mas quando vemos uma reação ultradramática com zoom ins de Kyle observando ataques terroristas na televisão, é difícil não enxergar o aspecto propagantista do filme.

São raros os momentos em que realmente vemos como a guerra mudou Kyle, e que infelizmente não trazem a sutileza que Kathryn Bigelow empregou em Guerra ao Terror (a equipe de mixagem de som merece aplausos por inserir efeitos sonoros de batalha escondidos no cotidiano de Kyle, como um alucinógeno). Como personagem, Bradley Cooper faz o possível para tornar Kyle uma figura carismática – sua transformação física e sotaque texano ajudam na caracterização -, ainda que não fique claro exatamente o quê o move? Puro patriotismo? É a necessidade de ajudar pessoas? É uma figura altamente idealizada, mesmo que Eastwood traga bons momentos de hesitação quando Kyle está com o dedo no gatilho, e seu nada discreto desconforto ao estar eliminando vidas.

Aliás, Eastwood é competente ao criar sequências de pura tensão, como o primeiro encontro de Kyle com um terrorista conhecido como “Açogueiro” e o misterioso sniper inimigo que estaria à sua caça. Aliada à montagem nervosa de Joel Cox e Gary Roach, é uma das cenas mais impactantes do ano. Mas ao mesmo tempo, o diretor vai lá e me traz uma vergonhosa e artificial cena com um tiro em câmera lenta, que parece ter saído de um projeto experimental de – novamente – Michael Bay. Ah, sem falar no já viralizado bebê vergonhosamente falso que Kyle segura em certo momento.

Sniper Americano traz seus bons momentos de tensão e pirotecnicas, mas é arrastado, longo e prejudicado pelo retrato idealista e nacionalista de seu protagonista. Quem diria que, num ano em que Eastwood lança um musical de coro e um filme sobre um atirador, o longa cantado seria melhor?

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| Corações de Ferro | Crítica

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2015, Drama, Guerra with tags , , , , , , , , , , , , on 5 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

Fury
Brad Pitt é o comandante do tanque Fury

Quando eu achava que simplesmente não poderia haver mais temas possíveis a ser explorado dentro do âmbio da Segunda Guerra Mundial, me aparece um filme de tanque de guerra. Corações de Ferro faz essa proposta, e prova ser um acerto do interessante David Ayer (responsável por Marcados para Morrer, Os Reis da Rua e o roteiro de Dia de Treinamento), ainda que não se arrisque tanto.

A trama é ambientada em Abril de 1945, nos últimos momentos da guerra entre o Eixo e os Aliados. Visando acabar o conflito definitivamente, um pelotão de tanque americano invade a Alemanha e vai conquistando as pequenas cidades por onde passa. Nesse cenário, eles ainda precisam acolher um novo soldado (Logan Lerman), que entra para substituir uma baixa na equipe.

É um filme muito simples e eficiente em sua proposta de entretenimento, servindo como um sólido filme de ação e equipe. David Ayer é um cineasta habilidoso que sabe construir a tensão do antecipamento (como o preparo para um ataque alemão no clímax ou a chegada surpresa de um tanque inimigo) e não se acovarda ao retratar os tiroteios de forma gráfica, sempre explodindo membros e jorrando sangue por toda a parte. A fotografia de Roman Vasyanov ajuda a criar essa visão opressiva, em uma paleta predominante fria coberta por um céu nublado e campos de batalha desertos povoados por meras silhuetas de soldados alemães, como se Ayer os transformassem em meras presenças malignas, ao invés de humanos.

O roteiro também fica à cargo de Ayer, e entre um diálogo espirituoso aqui e ali, ele consegue arrancar boas situações. O grande ápice fica com a parada do pelotão em um apartamento habitado por duas alemãs, uma cena surreal – quase onírica – que destoa de toda a produção, e impressiona ainda mais quando a realidade da guerra a atinge. Vai ficando mais difícil de comprar a ideia (leia-se, “hollywoodiano” demais) quando o grupo se arrisca a enfrentar um pelotão de centenas de alemães no terceiro ato, principalmente quando a trilha evocativa de Steven Price tenta nos emocionar. Poderia ter sido mais Os Doze Condenados e menos Pearl Harbor.

Quanto ao elenco estrelado, ele serve bem a função de construir os mais básicos estereótipos de qualquer tipo de filme de equipe. Brad Pitt se sai bem com o líder idealista-que-passou-por-altas-tretas-no-passado, Shia LaBeouf não incomoda como o soldado-religioso-mas-engraçadinho, Michael Peña permanece em seu casual piloto automático como o “cara latino” e Jon Bernthal faz o típico “cafajeste-que-odiamos”, mas surpreende ao trazer reações específicas em. E Logan Lerman? Nada como o “novato” medroso e odiado que logo vai ganhando respeito da equipe. E todos os estereótipos funcionam bem, nada demais.

Corações de Ferro é um bom entretenimento que é capaz de impressionar por suas brutais sequências de guerra e divertir com o entrosamento do elenco, ainda que raramente se arrisque a ser mais do que um mero escapismo.

Obs: Os créditos finais são muito bem feitos.

| A Hora Mais Escura | Kathryn Bigelow disseca a caçada pelo terrorista mais procurado do mundo

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2013, Drama, Guerra, Indicados ao Oscar, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , on 15 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

4.0

ZeroDarkThirty Jessica Chastain é a forte e determinada Maya

Quando Osama Bin Laden foi declarado morto pelo governo dos EUA em 1 de Maio de 2011, eu estava na escola. Envolto em programas de informática e embebido pelo sono provocado pela aula das 7, foi um dos poucos momentos em minha vida que senti estar presenciando a História sendo feita – para bem, ou para mal. E mesmo condenando diversas práticas adotadas em parte dos EUA nessa questão, o ataque da Al-Qaeda em 11 de Setembro é um dos mais abomináveis e cruéis dos últimos tempos.

Mas deixando de lado minha visão política, A Hora Mais Escura faz um ótimo trabalho ao abordar esse tema tão controverso de forma corajosa e que não surja como uma propaganda pró EUA. Isso porque a diretora Kathryn Bigelow não é Michael Bay. A única mulher oscarizada no cargo (vitória adquirida com Guerra ao Terror, em 2010) oferece um tratamento quase documental, certamente fruto da experiência do roteirista Mark Boal como jornalista, e traz uma narrativa repleta de eventos e nomes; tendo início em 2003 e culminando na operação de 2011. E Bigelow felizmente não cai na alternativa de glorificar os soldados americanos e colocá-los caminhando em câmera lenta ao som de uma melodia patriota.

A primeira metade do filme é centrada na tortura. Práticas hediondas que a diretora retrata na mera função de comprovar sua existência na busca pelo terrorista – ao contrário das críticas que o filme sofreu, que o acusaram de glamourizá-la inapropriadamente – a diretora claramente as taxa como um “mal necessário” (ainda mais se levarmos em conta os minutos iniciais que trazem gravações do 11 de Setembro, em uma forma de aplicar o pensamento de que “os fins justificam os meios”) e de forma alguma as julga como positivas. Sua câmera é sempre inquieta e constante, causando um senso de tensão ao longo da projeção – mesmo que tenha escritórios da CIA e salas de reuniões como ambientes principais. E ainda que a montagem de William Goldenberg e Dylan Tichenor seja eficiente ao organizar todas as informações que levarão ao terrorista, é Jessica Chastain que carrega nas costas esse bloco inicial.

Interpretando a versão fictícia de uma agente real (mas cuja identidade é mantida em sigilo, já que esta ainda encontra-se em atividade), Chastain impressiona e provoca grande admiração por sua indestrutível persistência. Durona e não deixando sua beleza ficar à frente de sua integridade (“Eu sou a ‘motherfucker’ que achou a casa”, diz ela a seus superiores), a atriz demonstra bem o cansaço através dos olhos pesados e os cabelos bagunçados de Maya; mas que também jamais perde seu foco em completar sua tarefa (e sua insistência ao marcar um certo número de dias diariamente na janela de seu chefe é uma bela evidência de sua insatisfação).

ZeroDark30A “hora mais escura” que nomeia o filme

E quando chega a “hora mais escura” que todos estavam esperando para ver, o filme se transforma. Tendo o roteiro modificado durante as filmagens (já que a produção começara em um período anterior à morte de Bin Laden), a mudança de ritmo é notável e gera uma melhora significativa ao filme. Mesmo que já saibamos o desfecho, a cena da invasão é de um nível cinematográfico excepcional graças à forte condução de Bigelow (que aposta na ausência de música e em momentos de violência gráfica e duvidosa) e a fotografia de Greig Fraser; cujo uso da escuridão e de visões noturnas chega a causar arrepios.

Não tenho dúvidas de que há muita ficção em A Hora Mais Escura. Mas mesmo que alguns fatos apresentados tragam uma veracidade questionável, funcionam eficientemente bem como peça de entretenimento e não do tipo que vangloria uma nação. Ao invés de comemorar euforicamente a morte de Osama Bin Laden, o filme traz de volta a questão Maquiavélica e ainda deixa no ar uma ainda mais complexa: ” e agora?” A reação ambígua de Maya, que com olhos lacrimejados e a noção de que havia concluído uma tarefa que lhe custara 12 anos de sua vida, é a prova de que o filme vai além de sua proposta.

| Cavalo de Guerra | Steven Spielberg comanda mais um drama de guerra

Posted in Cinema, Críticas de 2012, Drama, Guerra, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , on 7 de janeiro de 2012 by Lucas Nascimento


O menino e seu cavalo: O potro Joey e seu dono Albert em um momento de reflexão

Steven Spielberg é um dos nomes mais populares do cinema. Depois de ficar um pouco afastado das telas (desde Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal), ele retorna em 2011 com dois promissores projetos: Cavalo de Guerra e As Aventuras de Tintim – mas esse último já é assunto pra outra semana. Quanto ao épico de guerra, o resultado é clichê e até apelativo, mas inegavelmente satisfatório.

A trama segue o potro Joey, que é vendido para uma fazenda e logo treinado pelo jovem Albert, com que cria um vínculo indestrutível. Quando o animal é forçado a servir de montaria na Primeira Guerra Mundial, os dois seguem caminhos diferentes, enquanto a coragem e resistência do cavalo vai ganhando atenção durante o combate.

Esse é daqueles filmes que, quando anunciado, a expectativa é a de um torturante melodrama feito com a clara intenção de arrancar lágrimas de seus espectadores. Por um lado até que é verdade – já que em diversos momentos do filme, nem Spielberg nem o mediano roteiro de Richard Curtis e Lee Hall recorrem situações ou (péssimos) diálogos dramalhões – todavia pelo outro, a história é contada de forma leve e suficientemente agradável, acertando nos momentos apropriados.

Sendo centrado constantemente no cavalo do título, é interessante como o longa “troca” de narradores ao longo de sua projeção, ao mostrar os diferentes donos que Joey coleciona durante sua estadia nas fazendas e campos de batalha. O roteiro da dupla citada no parágrafo anterior é artificial na criação de seus diálogos, mas bem-sucedido quando o objetivo é transitar os diferentes personagens no cenário, mostrando os horrores da guerra através de diferentes olhos (soldados ingleses, alemães e fazendeiros) e situações, mesmo que o próprio não apresente um desenvolvimento tão profundo nas mesmas – desse jeito, o longa seria mais comprido do que já é.

E Spielberg sabe como montar e executar o espetáculo. Experiente após longas de guerra como O Resgate do Soldado Ryan e A Lista de Schindler, não é nenhuma surpresa vê-lo retratando com o mesmo talento os terríveis conflitos durante a Primeira Guerra, especialmente aqueles que tomaram lugar nas trincheiras; e mesmo que não sendo tão violento e explícito (quanto Ryan, por exemplo), o diretor consegue criar uma atmosfera tensa, graças a ajuda da habilidosa montagem de Michael Khan e da linda fotografia de Janusz Kaminski – esta última cria um dos planos mais memoráveis do ano, onde uma execução é mostrada através de um moinho de vento. Não posso esquecer também de John Williams que, mesmo não sendo tão inventivo como antes, acerta na emocionante trilha sonora.

Com um elenco com poucas performances que valham a pena mencionar (a melhor delas sendo a de Tom Hiddleston, o oficial inglês que compra Joey), Cavalo de Guerra é um drama eficiente que, mesmo utilizando artifícios clichês e já explorados, consegue mostrar o poder de uma amizade em meio a uma guerra terrível, onde a inocência do animal – e a compaixão humana por este – surge como um tocante cessar-fogo.

| Capitão América – O Primeiro Vingador | Agrada pelo retrô, mas erra como seus antecessores

Posted in Adaptações de Quadrinhos, Aventura, Cinema, Críticas de 2011, Guerra with tags , , , , , , , , , , , , on 29 de julho de 2011 by Lucas Nascimento


O Patriota: O Capitão América e seu parceiro Bucky em ação

2011 tem sido um ano de testes para a Marvel Studios, e um aquecimento para o grande projeto do estúdio, Os Vingadores. E esse tem sido também o problema que atinge seus filmes recentes: a preocupação excessiva com o longa da super-equipe, que supera o desejo de fazer um bom filme.

A trama volta na Segunda Guerra Mundial e acompanha o jovem Steve Rogers que, fisicamente fraco mas imensamente corajoso, entra em um programa do governo que o transforma em um super-humano. Assim, ele assume a identidade do Capitão América e ajuda os americanos a deter o abominável Caveira Vermelha.

Se a trama já soa bem retrô e traz lembrança daqueles filmes exibidos em matinês nos anos 70, o diretor Joe Johnston faz um trabalho razoável ao aplicar este tom à aventura. Repleto de referências (que aí incluem quadrinhos e cinema), O Primeiro Vingador traz uma boa nostalgia em certos momentos – com os cenários antiquados e personagens absurdos -, mas não apresenta uma trama concreta e que sobreviva sozinha.

Convenhamos, o Capitão é um personagem dificílimo de ser adaptado (vender um personagem que veste a bandeira dos Estados Unidos no mercado internacional é complicado), mas fico aliviado pelo tema do patriotrismo ser tratado de forma leve (uma boa adaptação por exemplo, é que o Capitão era um garoto-propaganda antes de virar herói) e sem exageros do nível de Michael Bay. O acerto foi concentrar-se no homem dentro da roupa.

E é certamente este o ponto alto do filme: a jornada de Rogers. Chris Evans interpreta o herói com grande carisma e inspiração (superando a maioria de seus trabalhos anteriores), ganhando o carinho do público com sua bondade. Aliás, aplausos para os excelentes efeitos visuais que deixaram Evans magricela e baixinho (a mesma tecnologia usada em Benjamin Button).


Hugo Weaving em uma bem aplicada maquiagem para viver o Caveira Vermelha

Com um belo leque de coadjuvantes de luxo, o roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely não consegue encontrar equilíbrio entre eles e muito menos relacioná-los bem. A relação entre Rogers e Peggy Carter (Hayley Atwell, boa presença), por exemplo é mal explorada e apressada; exatamente como aconteceu em Thor, mas se lá o problema era o humor exagerado, aqui são os clichês (que incluem até aquele descartável momento de ciúmes).

Quem se destaca porém, é Hugo Weaving. Com enorme talento para viver os mais bizarros e caricatos antagonistas e vilões, o ator aparece a maior parte do tempo atrás de uma chamativa maquiagem para viver o Caveira Vermelha. Ele é um nazista estereótipo, mas com características um tanto exageradas – a começar por seu exército (brega e cafona) da Hydra, que armam-se com lança-chamas e armas de raios (completamente implausível). E quem vai se esquecer do tosco”Hail Hydra”?

É bacana também ver o sr. Howard Stark (sim, sim é o pai do Homem-de-Ferro) ter um certo destaque na trama. Dominic Cooper assume o mesmo estilo do personagem de Robert Downey Jr, lembrando até um pouco o Howard Hughes. Gostei também do Tommy Lee Jones como o carrancudo General Phillips, que tem as melhores piadas do filme.

Com uma bela fotografia e razoáveis cenas de ação (a mais interessante sendo a luta do escudo), Capitão América é outro filme que falha por concentrar-se mais em Os Vingadores do que em sua própria história (reparem o final tosco e sem amarras do longa), mas que agrada por seu tom retrô.

Os Vingadores já estragou três filmes da Marvel Studios. É bom que o aguardado filme valha por quatro.

Obs: O 3D convertido do filme é descartável, acrescentando muito pouco ao filme.

Obs 2: Após os créditos, há o trailer de Os Vingadores.

Leia esta crítica em inglês.

| Guerra ao Terror | Versão realista da Guerra no Iraque

Posted in Ação, Críticas de 2010, Drama, DVD, Guerra, Indicados ao Oscar with tags , , on 12 de janeiro de 2010 by Lucas Nascimento

  Perigo real e imediato: O duro trabalho de localizar e desarmar bombas

A guerra no Iraque não gerou filmes tão bons como a Guerra do Vietnã em sua época. Guerra ao Terror, fita de 2008 lançado diretamente em DVD aqui no Brasil, é uma exceção. O filme mostra a realidade nua e crua dos soldados no Iraque, gerando ótimas performances, momentos tensos e emoções fortes. Mas a tempestade de críticas positivas e favoritismo para alguns prêmios não me foi justificada.

Na trama, um grupo de soldados americanos enfrentam os desafios do combate no Iraque, restando apenas 38 dias até o fim da missão. A especialidade da equipe é desarmar bombas. O filme mostra a crua realidade por trás dos combates.

Guerra ao Terror foi elogiadíssimo. Em todos os outros sites que vi, recebia as maiores notas e muitos comentários positivos, além de ser um dos favoritos para o Oscar. Não entendi toda essa tempestade em cima do filme. É um ótimo longa, muito bem dirigido, montado, possui cenas em slow-motion a lá Zack Snyder e muitos momentos dramáticos, mas não é nada além de um simples filme de guerra que consegue mostrar a realidade e o medo dos soldados. O roteiro é bem escrito, possui diálogos memoráveis e uma interessante citação de Chris Hedges, mas em certos momentos parece apenas mais um filme de ação.

O elenco é carismático na medida certa, não deixando cair no exagero ou na inexpressão. Quem lidera os soldados é o Sargento William James, vivido magistralmente pelo pouco conhecido Jeremy Renner, que transmite o ar de calma e, ao mesmo tempo, desespero que o personagem exige. Anthony Mackey se sai muito bem como o Sgt. JT, mas seu talento é muito mais aproveitado nas cenas com Renner. A cena do suco e o último diálogo dos dois é de ficar na memória. De resto, o elenco está excelente com destaque para a pequena participação de Ralph Fiennes.

Não há muito o que falar sobre Guerra ao Terror, mas resumindo; é um filme muito bom, possui performances impressionantes, visual aterrador e uma guerra mostrada com grande realismo. Mas isso não justifica todo o favoritismo em cima do filme, muito menos o transforma em uma obra-prima.

| Bastardos Inglórios | Tarantino vai à guerra e sai vitorioso

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2009, Guerra, Indicados ao Oscar on 10 de outubro de 2009 by Lucas Nascimento

Otimo

Inglourious Basterds  Nascidos para matar: O Tenente Aldo Raine e “O Urso judeu” acabam com nazistas

Como vimos no meu Especial sobre Quentin Tarantino, seus filmes sempre foram diferentes, sempre tiveram seu toque pessoal. É como se Tarantino tivesse uma versão diferente das coisas. Agora ele nos apresenta sua arrebatadora visão sobre a Segunda Guerra Mundial. Dividido em cinco capítulos, Bastardos Inglórios é um épico de guerra repleto de humor negro, atuações perfeitas e muita violência. É excelente.

Na trama, um grupo de soldados americanos judeus conhecidos como “Os Bastardos”, são mandados para a França com o único objetivo de matar nazistas e espalhar terror. Paralelamente, uma jovem judia que teve seus pais assassinados por nazistas planeja uma vingança contra eles em uma luxuosa sessão de cinema em Paris. As duas tramas se encontram.

Bom, esse foi o primeiro filme de Tarantino que vi no cinema. O primeiro de muitos, eu espero! O filme é simplesmente fantástico, contém os mesmos elementos de seus filmes anteriores, como violência absurda e brilhantes diálogos longos, que chegam a ser um pouco cansativos, mas não perdem qualidade, já que, na minha opinião, ninguém escreve roteiros como Tarantino. São criadas situações tão absurdas que chegam a ser hilariantes, principalmente no seu clímax, que merece ser aplaudido de pé.

O elenco é também extraordinário. Brad Pitt como o Tenente Aldo Raine é muito engraçado, mas não aparece tanto quanto eu achei que fosse aparecer, mas quando aparece é impagável, com destaque para a cena em que tenta falar italiano. O “Bastardo” que mais me chamou a atenção foi o Sargento Donny, também conhecido como “O Urso Judeu”, que esmaga nazistas até a morte com um bastão de beisebol (!). Do lado nazista, não tem como deixar de mencionar Christoph Woltz, perfeito como Hans Landa, conhecido como “O Caçador de Judeus”. Seu personagem é tão interessante e bem construído e sua atuação é merecedíssima de Oscar. Sem falar nas pontas de Mike Myers e a dublagem de Samuel L. Jackson.

O legal do filme é que ele é dividido em capítulos, além de conter uma ótima trilha sonora, que tempera adequadamente diversos momentos do filme. A fotografia é impecável, principalmente na brilhante cena inicial do filme, que mostra o “Caçador de Judeus” fazendo seu trabalho. São muitos diálogos e cenas marcantes, que com certeza ficarão na memória.

Resumindo, é um ótimo filme, uma visão completamente diferente da Segunda Guerra, atuações perfeitas e um eplêndido clímax que arranca risadas e surpresas inéditas em qualquer outro filme. Quando ele chega no fim da projeção, você fica pensando sobre o que acabou de ver, uma experiência única, cômica e inesquecível, que pode ser descrita com poucas palavras: Um filme de Quentin Tarantino.

Nota: 10

Assisti: No Cinema

Data: 10/10/09

O engraçado, é que eu estava no Shopping Bourbon vendo o filme, logo depois que o filme acabou houve aquele incêndio que vocês devem ter ouvido falar. O clímax de Bastardos Inglórios envolve um cinema em chamas, então eu me senti realmente dentro do filme. Só que, felizmente, eu consegui terminar de ver o filme. E não sou nazista.