Arquivo para a invenção de hugo cabret

| O Lobo de Wall Street | Uma frenética tragédia grega de finanças

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 12 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

5.0

TheWolfofWallStreet
Leonardo DiCaprio é Jordan Belfort: Oscar é pleonasmo

Eu adoro Ilha do Medo. E acho A Invenção de Hugo Cabret um filme adorável. Mas é com O Lobo de Wall Street que Martin Scorsese tem a oportunidade de fazer (novamente) aquilo que faz como ninguém: histórias sobre sujeitos do outro lado da lei, almas sórdidas cuja conduta irreversível atropela todos os valores éticos, morais e até vidas humanas em sua trajetória brutal – e que, ainda com todas as características repelentes, certamente vão conquistar o público e fazê-lo (de certa forma) ficar ao seu lado, mesmo quando o fundo do poço transforma-se no desfecho inevitável.

A trama é inspirada na vida real de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), um implacável corretor da bolsa de valores que rapidamente foi construindo sua reputação em Wall Street na década de 80. Sua estratégia rendeu milhões graças a sua série de mentiras a que submetia compradores de ações mais baratas, para depois iniciar uma grande empresa que se manteu sob mesmo modus operandi, visando agora os grandes investidores. O roteiro de Terence Winter aborda também sua vida pessoal e as complicações com o FBI que Belfort enfrentou.

Em muitos aspectos, O Lobo de Wall Street se assemelha muito a um dos melhores filmes da carreira de Martin Scorsese: Os Bons Companheiros. Não só pelo fato de termos duas histórias reais sobre sujeitos que ascenderam em suas carreiras ilegais (para depois, sucumbirem em suas próprias ambições estratosféricas), mas pela forma com que seu magistral diretor as contou. Scorsese utiliza de diversos recursos visuais fascinantes, seja a colagem de diversos vídeos promocionais dentro da história, narrações em off (e até uma curiosa “conversa telepática” entre dois personagens) seus famosos planos-sequência (aqui, rende a sequência mais intensa da projeção), a quebra da 4a parede para inteligentemente aproximar o espectador do protagonista (“Vocês não estão entendendo nada disso né? Resumindo, tudo isso era ilegal”, diz Belfort diretamente para a câmera após exemplificar diversos termos específicos da Economia) ou até mesmo alterações na razão de aspecto da tela. Muitos créditos também para a excepcional montadora Thelma Schoonmaker, que profere velocidade e um ritmo alucinado à projeção, mesmo com suas extensas 3 horas.

WolfStreet
A cena mais insana do ano

É de se impressionar também com a presença do humor (politicamente incorreto em sua mais pura forma, claro) presente aqui. Mais conhecido por seu trabalho em séries como Família Soprano e Boardwalk Empire, o roteirista Terence Winter tece diversos diálogos inteligentes e bem contextualizados na insanidade do mundo das ações de Wall Street. Seja no importantíssimo diálogo com o personagem de Mark Hanna (Matthew McCoughney, em participação breve mas memorável) ou no sutil duelo de segundas intenções travado por DiCaprio e o agente do FBI vivido por Kyle Chandler (que pelo visto, se contentou em fazer exatamente o mesmo papel em todos os seus trabalhos em Hollywood) em um barco, que vai ficando mais envolvente (e divertido) à medida em que os dois vão compreendendo suas intenções. Winter também aposta em diversas cenas que não escondem o vício em drogas e as luxuriosas orgias do protagonista  e mesmo que (diversas vezes) o efeito seja cômico, é impossível não ter a noção de que Jordan está cada vez mais próximo de sua autodestruição.

E então chegamos à performance central de Leonardo DiCaprio. Uma que, não fosse tão bem sucedida, resultaria na perda de identificação entre o filme e o espectador e eu aqui agradeço mais uma vez pela gloriosa parceria entre o ator e Scorsese. Na pele do irremediável Lobo, o intenso DiCaprio alcança aqui um dos trabalhos mais memoráveis de sua esforçada carreira, demonstrando incríveis habilidades como ator, dançarino e… ginasta – aguardem só pela cena em que DiCaprio e o colega Jonah Hill (que nem parece Jonah Hill, de tão perdido dentro de seu comicamente perturbado Donnie Azoff) sofrem os efeitos de uma droga rara; duvido que haverá cena mais insana do que esta em 2014. De tão bom que está, um (merecido) Oscar para DiCaprio seria um mero pleonasmo.

Com o mais inspirado uso de trilha sonora incidental em sua carreira em anos, O Lobo de Wall Street é uma frenética e implacável tragédia grega do mundo das finanças. Pode muito bem ser considerado o Bons Companheiros do gênero, mais uma fantástica adição para a carreira de Martin Scorsese. E mesmo que alguns tenham a equivocada visão de que o longa glorifica as ações repreensíveis de seu protagonista, basta observar com atenção a última tomada do filme (selecione para ler) – onde a câmera de Scorsese aponta para as reais vítimas da história.

Um trabalho de mestre. Obrigado, Scorsese. Obrigado, Leo.

Obs: O verdadeiro Jordan Belfort tem uma breve participação na última cena do filme.

Obs II: Esta crítica foi escrita após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 11 de Janeiro.

English Version

2012: Os Melhores dos Melhores

Posted in Melhores do Ano with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de dezembro de 2012 by Lucas Nascimento

bests2012

Chegou aquela hora do ano novamente… Junte-se a mim enquanto escolho os melhores filmes de 2012, mas atenção aos critérios abaixo:

  • A lista contém apenas filmes lançados no Brasil COMERCIALMENTE (logo, filmes de 2011 que chegaram este ano nos cinemas ou home video marcam presença aqui) e alguns lançamentos estrangeiros ficaram de fora (como A Hora Mais Escura, Lincoln, Django Livre, entre muitos outros).
  • Se  não concordar com minha opinião (e isso certamente vai acontecer), fique a vontade para comentar e apresentar sua própria seleção, mas seja educado, porque comentários grosseiros serão reprovados.
  • Ainda não assisti As Aventuras de Pi (acreditem, uma verdadeira odisseia me vê-lo impediu três vezes), mas atualizarei este post (ou não, vai saber) com o filme, ainda este ano.

MELHOR FILME

10. Prometheus

10

“Prometheus é um épica e respeitosa nova entrada no universo de Alien, e também o início (?) de uma promissora nova franquia de ficção científica. Scott e seus roteiristas brincam com a ideia da criação da vida e entregam um longa do gênero que traz suspense e gore (a cena do parto, o que foi aquilo?!) como há muito não se via.”

9.  Moonrise Kingdom

mk

“Trazendo um impecável elenco cheio de rostos conhecidos (dentre os quais, Edward Norton e Bruce Willis se destacam), Moonrise Kingdom oferece uma bela reflexão e uma experiência única e difícil de se rotular. Humor e drama se misturam em uma narrativa dinâmica e fora do comum, características que devem se aplicar a todos os trabalhos de Wes Anderson.

Bem, ele acaba de ganhar mais um admirador de seu trabalho.”

8. A Invenção de Hugo Cabret

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“A Invenção de Hugo Cabret é mais do que apenas o primeiro 3D de Martin Scorsese. É uma história sobre encontrarmos nossa função no mundo e como os sonhos podem ser capturados pela incomparável magia do cinema. É uma carta de amor para o cinéfilo dentro de todos nós.”

7. Looper: Assassinos do Futuro

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“Tecnicamente satisfatório e surpreendente em suas decisões, Looper: Assassinos do Futuro é uma grande surpresa em um ano que carece de ideias originais. Explora ao extremo o conceito de viagem no tempo e promete consolidar a carreira de Rian Johnson, um nome que promete trazer boas contribuições à Sétima Arte. E o Cinema anda precisando de profissionais assim…”

6. O Artista

6

“O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma homenagem muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica. Uma verdadeira obra-prima.”

5. Shame

5

“Shame é uma das experiências mais poderosas e devastadoras do ano. Traz um tema adulto sob o cargo de um cineasta talentoso e maduro, que explora com inteligência (e sem vergonha) as possibilidades de sua premissa e a força de seu ótimo elenco.”

4. Argo

4

“Argo é uma ótima dramatização de um inusitado capítulo da história da CIA, tratando seus temas de forma aprofundada e acessível, além de mostrar que Ben Affleck não é só um bom diretor, mas também um ótimo cineasta.”

3. 007 – Operação Skyfall

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“007 – Operação Skyfall é uma bela homenagem aos 50 anos da série e também um filme maduro, bem executado e com potencial de agradar os mais variados fãs do personagem. Sua conclusão inicia uma nova era para James Bond, e o futuro parece muito promissor.”

2. Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

2

“Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres oferece tudo que a franquia literária merece, provindo um longa adulto e envolvente, catapultando a talentosa Rooney Mara ao estrelato e oferecendo, em uma rara ocasião, uma franquia blockbuster adulta.”

1. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

FILME

Após o sucesso esmagador de seu anterior, que serviu para inspirar toda uma linhagem de longas hollywoodianos com sua abordagem “realista”, é de se admirar que Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge tenha sido realmente feito, sem soar como um caça-níquel. Explorando as conseqüências do filme de 2008 até suas possibilidades mais extremas, Christopher Nolan completa sua trilogia sobre o Homem-Morcego de forma épica e dramática, resultando em uma experiência monstruosa e que testa os limites do super-herói e a psicologia que o faz agir, ao mesmo tempo em que promove um espetáculo de cenas de ação e atuações excepcionais. Completa-se magistralmente uma trilogia que agora entra para a História.

MELHOR DIRETOR

David Fincher | Millennium –  Os Homens que Não Amavam as Mulheres

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David Fincher é um dos melhores diretores da atualidade. Vê-lo em sua zona de conforto (um thriller pesado e com serial killers no meio) ao passo em que adapta uma excelente história de mistério é muito prazeroso. Demonstrando total controle na criação de uma atmosfera sombria e arrepiante, Fincher cria belos planos e mise em scènes muito inteligentes (veja uma análise mais detalhada aqui), nunca se deixando levar pelo estilo e mantendo sempre o foco em seus personagens. Não é seu melhor trabalho no gênero (Se7en, né gente?), mas ainda comprova seu imenso talento.

Ben Affleck | Argo

Steve McQueen | Shame

Christopher Nolan | Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Rian Johnson | Looper: Assassinos do Futuro

ATOR

Michael Fassbender | Shame

FASSB

Uma das grandes injustiças do Oscar deste ano foi a ausência de Michael Fassbender por seu desafiador papel em Shame. Na pele de um sujeito solitário e viciado em sexo, o ator irlandês se entregou completamente ao roteiro e às cenas pesadas que este exigia, e sua performance é simplesmente arrasadora; carrega um olhar triste (e malicioso) durante quase toda a projeção. Fassbender é um tremendo ator, e esta é sua melhor performance até o momento.

Andrew Garfield | O Espetacular Homem-Aranha

Joseph Gordon Levitt | Looper: Assassinos do Futuro

Daniel Craig | 007 – Operação Skyfall

Brad Pitt | O Homem que Mudou o Jogo

Jean Dujardin | O Artista

Menção Honrosa: A excelente dicção de Seth McFarlane em Ted.

ATRIZ

Rooney Mara | Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

mara

Encabeçando um dos papéis mais desafiadores dos últimos anos, a pouco conhecida Rooney Mara explodiu como a Lisbeth Salander da versão de David Fincher para Os Homens que Não Amavam as Mulheres. A atriz surge completamente exposta em cenas pesadas de estupro e adota um visual peculiar, que reflete sua performance séria e concentrada. A Salander de Mara é ainda mais agressiva do que a da sueca Noomi Rapace, e mesmo por trás dos piercings, podemos ver que a jovem tem um coração.

Michelle Williams | Sete Dias com Marilyn

Noomi Rapace | Prometheus

Emma Stone | O Espetacular Homem-Aranha

Kara Hayward | Moonrise Kingdom

ATOR COADJUVANTE

Javier Bardem | 007 – Operação Skyfall

James Bond tem uma galeria de vilões impressionante que engloba 23 filmes em 50 anos. E não há como negar: Javier Bardem e seu Silva já se tornaram ícones da franquia e o resultado é um antagonista marcante e muito interessante. Silva é um sujeito afeminado e possivelmente homossexual, e Bardem se diverte com essas características ao dotar o personagem de muito sarcasmo e imprevisibilidade, além de um visual espalhafatoso. Há uma primeira vez pra tudo, certo?

Josh Brolin | MIB – Homens de Preto III

Michael Fassbender | Prometheus

Joseph Gordon Levitt | Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Ezra Miller | As Vantagens de ser Invisível

ATRIZ COADJUVANTE

Anne Hathaway | BatmanO Cavaleiro das Trevas Ressurge

Eu não sei vocês, mas fiquei muito desconfiado quando Christopher Nolan escalou Anne Hathaway para encarnar sua versão da Mulher-Gato no último filme do Batman. Todas as primeiras impressões desapareceram quando vi a atriz encarnando a personagem de forma brilhante em um dos pontos altos do filme: quando a ladra finge ser uma vítima em meio a um tiroteio iniciado por esta (usando o arquétipo de “donzela em perigo” a seu favor). Hathaway surpreende com as diferentes facetas que oferece à Selina Kyle, e ao fim, fica claro que estamos diante da melhor interpretação que a personagem já ganhou.

Berenice Bejo | O Artista

Eva Green | Sombras da Noite

Ellen Page | Para Roma, com Amor

Penelope Cruz | Para Roma, com Amor

ROTEIRO ORIGINAL

Looper: Assassinos do Futuro | Rian Johnson

ROT

Como é bom ver uma ideia original funcionando eficientemente nas telas… Depois de O Preço do Amanhã surgir com uma premissa sensacional no ano passado (e falhar miseravelmente em seu desenvolvimento), eis que Rian Johnson bola uma trama em que assassinos utilizam de viagem no tempo para eliminar suas vítimas. Em uma mistura interessante de De Volta para o Futuro e Exterminador do Futuro, Looper traz um envolvente estudo de personagem e rumos que fazem jus ao conceito de realidades alternativas e afins. Só acho que a presença de poderes telecinéticos era descartável…

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Steven Zaillian, da obra de Stieg Larsson

rot

Adaptar a obra de Stieg Larsson para as telonas não é novidade, já que o livro já havia ganho uma versão sueca em 2009. Mas é inegável que o texto do experiente Steven Zaillian seja superior ao da versão escandinava, já que não só apenas traz ótimos diálogos que respeitem o material original, mas também por não ter medo de alterar o curso da história ou detalhes de seus personagens. A forma como a trama se desenrola é muito mais dinâmica do que

FOTOGRAFIA

007 – Operação Skyfall | Roger Deakins, A.S.C.

O que dizer sobre Roger Deakins? Inubitavelmente um dos cinematógrafos mais talentosos das últimas décadas, e sua reunião com o diretor Sam Mendes para a nova missão de 007 rendeu um dos filmes mais lindos do ano. Deakins trabalha muito bem as paletas de cor em diferentes locações do filme e fornece um tratamento de obra de arte na criação de duas sequências agora icônicas: Bond lutando contra um assassino em Hong Kong (com o desenho da água-viva holográfica preechendo a tela com hipnotizantes tons azulados) e o clímax na Escócia, onde as chamas transformam os personagens em silhuetas. Aí Academia, boa oportunidade pra premiar o cara, hein?

MONTAGEM

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Kirk Baxter & Angus Wall

MONT

Kirk Baxter e Angus Wall manjam de montagem. A dupla já levou um par de Oscars duas vezes consecutivas, ambos por trabalhos com David Fincher: A Rede Social e agora com Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Seguindo a meticulosa estrutura do roteiro de Steven Zaillian, a montagem do filme consegue equilibrar com maestria as narrativas completamente opostas dos protagonistas, criando um ritmo rápido e intenso, até o ponto em que estes se encontram. Vale apontar também as ótimas transições passado-presente, como aquela demarcada pelo acendimento de um cigarro.

FIGURINO

Branca de Neve e o Caçador | Colleen Atwood

costume

Terminada a sessão de Branca de Neve e o Caçador, percebi que o único aspecto do filme que me impressionara positivamente foram os vestidos da Rainha Má. A figurinista Colleen Atwood é especialista quando o assunto é a vestimenta de um personagem fantástico (ela colabora frequentemente com Tim Burton) e sua contribuição para o fraco longa de Reuben Fleischer é um dos deleites visual do mesmo.

TRILHA SONORA

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Hans Zimmer

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Hans Zimmer é um monstro. O impacto que suas composições garantem às imagens conduzidas por Christopher Nolan é gigantesco, conseguindo-lhe proporcionar toda a dramaticidade e senso épico. Tudo bem que Zimmer traz de volta diversos temas que criara anteriormente com James Newton Howard (afinal, como deixar de fora o arrepiante tema que a dupla criou para o Batman?), mas só o uso do coral árabe para o personagem Bane já é a peça musical mais memorável do ano…

DIREÇÃO DE ARTE

A Invenção de Hugo Cabret | Dante Ferretti & Franscesca Lo Schiavo

art

Os habituais designers de Martin Scorsese mais uma vez impressionam com seus cenários incríveis – sendo eles reais ou digitais. Temos aqui uma recriação da Paris dos anos 20 e, ao mesmo tempo em que mantém uma fidelidade histórica (especialmente pela escala da estação de trem de Gare Montparnasse) confere apropriados toques fantásticos, como justificam a presença de enormes engrenagens de relógio e as cores com que a fotografia de Robert Richardson os conferem.

EFEITOS VISUAIS

Os Vingadores – The Avengers

EFEITOS

Em um ano onde efeitos visuais dominaram monstruosamente a maior parte das grandes produções, nenhum deles me impressionou como o de Os Vingadores. Além de verossímil nas demonstrações de poder dos personagens (seja nos voos do Homem-de-Ferro, nos raios do Thor ou nos exércitos inimigos), o longa se beneficia de trazer longas batalhas com muito green-screen e personagens digitais sem prejudicar a visão (vide os Transformers de Michael Bay) e por, enfim, trazer um Hulk digital convincente.

CANÇÃO DO ANO

“Skyfall” – 007 – Operação Skyfall | Adele

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Canções dos filmes de 007 são sempre um deleite a parte, e a melodia suave e profunda de Adele para Operação Skyfall é uma das melhores coisas que já aconteceu à franquia. Evocando tons mais clássicos e adequando suas letras ao clima de “encerramento” que o filme propõe, o resultado é inebriante e fica espetacular com a bela sequência de abertura. Quero ver a canção saindo vitoriosa no Oscar…

CRÉDITOS DE ABERTURA/ENCERRAMENTO

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Uma das aberturas mais espetaculares que já vi na vida. Claramente inspirado pelas aberturas de 007 (será que foi a presença de Daniel Craig no elenco?) o Blur Studios cria uma sequência sombria e pegajosa, onde uma substância negra vai cobrindo a tela e apresentando todos os elementos marcantes da trilogia Millennium; desde seus personagens até cenas icônicas das três obras. E o eletrizante cover do “Immigrant Song” por Karen O faz toda a diferença.

USO DE 3D

A Invenção de Hugo Cabret

3d

Em sua primeira excursão pelo 3D, Martin Scorsese mostra que entende a função da tecnologia e a usa de maneira orgânica e competente. Assim como James Cameron fez em Avatar, o cinesta opta por planos em vasta profundidade e preenchimento, ao invés dos tradicionais efeitos que “atiram” objetos contra o espectador (algo divertido, convenhamos, mas mais apropriado a um parque de diversões do que uma sala de cinema).

Menção Honrosa: O 3D de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, que fica incrível graças aos 48 fps do longa.

SURPRESA DO ANO: Poder sem Limites

power

Quem diria que o subgênero do found-footage ainda teria surpresas na manga? Nas mãos do diretor Josh Trank, acompanhamos uma abordagem incrível para a tradicional premissa do “sujeito comum que ganha poderes extraordinários”, onde não só temos um exercício de estilo fascinante, mas também um estudo de personagens muito comovente. Pra mim, um filme que tinha tudo para dar errado, e acabou por tornar-se um dos melhores exemplares que o gênero já forneceu.

DECEPÇÃO DO ANO: Sombras da Noite

dsk

Tim Burton + Johnny Depp + família sinistra com vampiros e lobisomens. Mas como é que isso deu errado? Uma fórmula perfeita foi completamente desperdiçada aqui, dando espaço a uma trama tediosa e cujas piadas limitam-se a “choques de geração” batidos do personagem principal. O elenco faz um trabalho razoável (com Eva Green, e não Depp, destacando-se), mas Burton prefere (novamente) se preocupar mais com o visual do que com a história que conta. Triste…

MELHORES TRAILERS

1. O Grande Gatsby

2. O Mestre

3. O Homem de Aço

MELHOR PÔSTER

Django Livre – Teaser Poster

DJANGO UNCHAINED

Os 5 FILMES MAIS AGUARDADOS (POR MIM) PARA 2013

Carrie – A Estranha

O Grande Gatsby

O Homem de Aço

Além da Escuridão – Star Trek

Kick-Ass 2

Oscar 2012: Transmissão ao Vivo

Posted in Prêmios, Transmissão ao Vivo with tags , , , , , , , , , , , , , , on 26 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

22:25h – Boa noite e bem vindos à minha cobertura do Oscar 2012! Aguardando pelo início da cerimônia.

22:30 – E está começando!

22:31 – Morgan Freeman introduzindo a festa.

22:32 – Billy Crystal mais uma vez reencena os indicados hehe. Eu gosto dessa brincadeira.

22:33h – Justin Bieber? Não fode… “Jovem Sinatra”????

22:35h – Pô, Missão Impossível 4 nem foi indicado…

22:36h – E Billy Crystal finalmente chega ao palco!

22:39h – Numerozinho musical que não podia faltar, claro. Por enquanto, está O.K.

22:42h – Tom Hanks sobe ao palco para entregar algum prêmio…

22:43h – Direção de Fotografia! Deve dar Árvore da Vida

22:44h – Uau, surpresa. A Invenção de Hugo Cabret ganha Melhor Fotografia. Merece, o filme é lindo.

22:45h – Agora, Direção de Arte. Hugo, por favor!

22:46h – Isso mesmo, A Invenção de Hugo Cabret leva Melhor Direção de Arte. E o filme de Scorsese começa a rapa…

22:47h – Intervalo.

22:50h – Hugo mereceu as duas até agora. Fotografia tava difícil, só tem filme bonito!

22:51h – E voltamos, com mais uma homenagem ao cinema. Mostrar Crepúsculo é ridículo.

22:54h – Cameron Diaz e Jennifer Lopez sobem ao palco para apresentar Melhor Figurino. W.E., talvez?

22:56h – O Artista leva Melhor Figurino! Não acho o melhor candidato, mas tá valendo.

22:58h – Agora, Melhor Maquiagem. Se Harry Potter perder…

22:58h – A Dama de Ferro ganha Melhor Maquiagem. É boa, mas injusto. Potter não leva um único Oscar em 10 anos de franquia…

23:00h – Vários atores falando sobre suas experiências em cinema. Tá precisando viu, o negócio precisa ser mais valorizado.

23:00h – E mais um intervalo.

23:06h – E voltamos com Sandra Bullock.

23:07h – Apresentando Melhor Filme Estrangeiro. Vai dar A Separação, claro.

23:08h – A Separação ganha Melhor Filme Estrangeiro.

23:09h – Quero ver esse filme.

23:10h – Agora entra Christian Bale, com direito a trilha sonora do Batman, para apresentar Atriz Coadjuvante.

23:11h – Amo a Bérénice Bejo…

23:12h – Octavia Spencer leva Melhor Atriz Coadjuvante, por Histórias Cruzadas. Divertida, mas não pra Oscar…

23:15h – Intervalos.

23:18h – E voltamos com mais Billy Crystal…

23:21h – Bacana esse número em preto-e-branco.

23:23h – Tina Fey e Bradley Cooper sobem ao palco para melhor Montagem. Torco por MILLENNIUM!

23:24h – PORRA SIM! MILLENNIUM: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES venceu Melhor Montagem!

23:26h – Agora as categorias de Som. Ambas devem ir para Hugo.

23:26h – Melhor Edição de Som para A Invenção de Hugo Cabret.

23:29h – A Invenção de Hugo Cabret leva Melhor Mixagem de Som. E já são 4 Oscars!

23:30h – Mais um intervalo.

23:35h – E voltamos para a cerimônia com os Muppets! Kermy e Miss Piggy.

23:36h – Bacana essa apresentação acrobática hein?

23:37h – Também, é o Cirque du Soleil. Música de Danny Elfman.

23:40h – Billy Crystal muito sem graça.

23:41h – Agora Robert Downey Jr. e Gwyneth Paltrow (Tony e Pepper), para apresentar Melhor Documentário.

23:42h – Lembrou muito o Stark e a Pepper agora.

23:43h – Melhor Documentário: Undefeated.

23:45h – Chris Rock entra para apresentar Melhor Animação. Cadê o Tintim hein?

23:47h – Rango leva Melhor Animação.

23:49h – Intervalo.

23:52h – Voltamos com Melissa McCarthy dando em cima de Billy Crystal.

23:53h – Ben Stiller e a musa/maravilhosa Emma Stone apresentando Melhores Efeitos Visuais.

23:54h – Sim, eu também adoro a Emma Stone…

23:56h – A Invenção de Hugo Cabret leva Melhores Efeitos Visuais. Não merecia, na real. Adoro o filme, mas os outros candidatos eram melhores!

23:59h – Agora entra Melissa Leo para premiar o Melhor Ator Coadjuvante. Plummer, com certeza.

00:01h – Christopher Plummer ganha por Toda Forma de Amor. Aos 82 anos, o ator mais velho a receber o prêmio!

00:02h – “Você é só 2 anos mais velho do que eu!” Ótima!

00:04h – Intervalo!

00:09h – E voltamos. Brincadeira divertida com os closes.

00:10h – Agora a mensagem do presidente da Academia. Okay…

00:12h – Vamos agora para Trilha Sonora! Go Artista!

00:12h – Penelope Cruz e Owen Wilson vão apresentar.

00:14h – O Artista leva Melhor Trilha Sonora.

00:15h – Só lembrando que a melhor trilha do ano nem sequer foi indicada…#TrentReznorAtticusRoss

00:16h – Agora Will Ferrell e Zach Galifianakis (Credo, ele fez a barba!) para apresentar Canção Original.

00:18h – “Man or Muppet”, dos Muppets leva Melhor Canção Original.

00:20h – Intervalos.

00:23h – ESTA canção deveria ter ganho.

00:24h – Retornamos. Faltam 9 categorias…

00:25h – Angelina Jolie no palco, para apresentar as categorias de Roteiro!

00:27h – Primeiro é Roteiro Adaptado. Gosto de todos, mas torço por Descendentes ou Moneyball.

00:27h – Os Descendentes leva Melhor Roteiro Adaptado.

00:29h – Agora, Roteiro Original. Meia-Noite em Paris, por favor…

00:30h – Meia-Noite em Paris leva Melhor Roteiro Original! E, como de costume, Woody Allen não está presente.

00:33h – Intervalos.

00:37h – E voltamos, com Milla Jovovich, com mais uma homenagem para prêmios técnicos/científicos.

00:38h – Agora vem todo o elenco principal de Missão Madrinha de Casamento para as categorias de curtas-metragens.

00:40h – Melhor Curta-Metragem: The Shore.

00:42h – Melhor Documentário em Curta-Metragem: Saving Face

00:45h – Melhor Curta-Metragem de Animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

00:47h – Olha só o Hans Zimmer na trilha da festa!

00:48h – Intervalos.

00:51h – Michael Douglas vai apresentar Melhor Diretor!

00:53h – Michel Hazanavicius leva Melhor Diretor, por O Artista.

00:56h – Meryl Streep no palco. Falando sobre o Governor’s Awards.

00:59h – Intervalos. Faltam 3 categorias…

01:03h – Voltamos. Hora do In Memoriam.

01:08h – Intervalo.

01:11h – We’re back!

01:14h – Natalie Portman entra no palco para apresentar Melhor Ator.

01:19h – Jean Dujardin, por O Artista. Muito bem merecido!

01:21h – Mais intervalos… Só faltam 2 agora.

01:24h – Voltamos! Colin Firth vai apresentar Melhor Atriz. Faria uma tatuagem se a Rooney Mara vencesse…

01:29h – Meryl Streep por A Dama de Ferro! Terceiro Oscar de sua carreira. Não assisti ao filme e, sinceramente, não me chama muito atenção…

01:33h – E agora Tom Cruise chega para apresentar Melhor Filme! Aposto em O Artista.

01:35h – E o Oscar vai para…

01:36h – Melhor Filme: O Artista! Merecido.

01:37h – E o saldo foi: O Artista e A Invenção de Hugo Cabret empatados com 5, A Dama de Ferro com 2 e Histórias Cruzadas, Toda Forma de Amor, Os Descendentes, Meia-Noite em Paris, Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, Os Muppets, Rango e A Separação com 1 Oscar cada. Obrigado a todos que acessaram e acompanharam a transmissão e uma boa noite!

Esse é Mesmo o Oscar 2012? | VOLUME IV: Categorias Principais

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2012! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

O Artista | Michel Hazanavicius

Assumindo ambos os cargos de diretor e roteirista, Michel Hazanavicius merece créditos por seu roteiro apresentar pouquíssimos diálogos. Os poucos que aparecem são em cartões – típicos dos filmes mudos – e trazem diversas ironias (George Valentin insiste em não falar diversas vezes, simbolizando tanto a situação da trama quanto o fato de O Artista ser mudo) e cenas já icônicas (como Peppy brincando com o casaco de Valentin). No entanto, acho que o roteiro do filme não merece o ouro por não ter diálogos falados.

Quotação Memorável: “Eu não vou falar! Não direi uma palavra!” – George Valentin

Margin Call – O Dia antes do Fim | J.C. Chandor

Não assisti Margin Call – O Dia Antes do Fim, mas fazer um filme sobre crise ecônomica realmente vem a calhar atualmente. Pelo que li, o roteiro de J.C. Chandor é bem adulto e maduro, sem dar explicações sobre eventos ou uma aula de economia. Enfim, preciso assistir antes de falar qualquer coisa.

Quotação Memorável: “Há três meios de se sair bem nesse negócio: seja o primeiro, seja esperto ou trapaceie.” – John Tuld

Meia-Noite em Paris | Woody Allen

Sem dúvida um dos melhores roteiristas em atividade, Woody Allen escreve o melhor roteiro dentre os indicados (incluindo os da categoria de Adaptados) com sua fantástica saga parisiense. A entrada do protagonista em um mundo do passado é sensacional e rende momentos hilários, principalmente com as memoráveis participações especiais (ressalto novamente a inspirada presença de Salvador Dalí). Mas o legal mesmo, é como Allen fala sobre como o tempo surge para reforçar uma ideia ou época, algo com que eu pude me identificar bastante.

Quotação Memorável:Eu confio em você, mas tenho ciúmes. É uma dissonância cognitiva!” – Gil

Missão Madrinha de Casamento | Annie Mumulo & Kristen Wiig

Certamente a indicação mais boba da categoria, a comédiazinha Missão Madrinha de Casamento conseguiu se infiar na lista. Com alguns diálogos inspirados, o filme tem pouco de genuinamente engraçado (a maior parte do charme do filme está nas mãos do elenco) e usa-se de muitos clichês de comédia romântica para estar em uma categoria que preza originalidade. Tem até uma piada (exagerada) com churrascaria brasileira…

Quotação Memorável: “Eu sou a vida, Annie, e eu estou mordendo a sua bunda!” – Megan

A Separação | Asghar Farhadi

A indicação do iraniano A Separação como Roteiro Original sela a vitória o longa de Asghar Farhadi na categoria de Filme Estrangeiro. Ainda não assisti ao filme (sim, tenho muitos a ver), cuja trama foca um casal que é forçado a escolher entre mudar de país para fornecer condições melhores a seus filhos ou ficar no Irã para tratar de um parante portador de Alzheimer. Quando sair em Blu-ray, não vou perder.

Quotação Memorável: “O que é errado é errado. Não importa quem disse ou onde está escrito.” – Nader

FICOU DE FORA: 50% | Will Reiser

Em uma mistura inusitada de comédia e drama, o roteirista Will Reiser coloca sua própria experiência com o câncer no papel, rendendo o divertidíssimo e de bom coração 50%. Traz diálogos bem desenvolvidos (com uma linguagem bem chula, e que abraça o politicamente incorreto todo o tempo) e situações inesperadas para um longa do gênero, como a piada de usar a situação para pegar mulher. Como Missão Madrinha de Casamento entrou e este não, é um mistério.

Quotação Memorável: “Ninguém quer transar comigo. Eu pareço o Voldemort” – Adam

APOSTA: Meia-Noite em Paris

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Artista

Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, peças ou fazer continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

Os Descendentes | Alexander Payne, Nat Faxon & Jim Rash

Adaptado de: Livro Os Descendentes, de Kaui Hart Hemmings

Com alguns dos melhores diálogos do ano, Alexander Payne mostra novamente que é melhor roteirista do que diretor (não que esta seja falha), contando com auxílio de Nat Faxon e Jim Rash. O texto é sedutor por quebrar o clichê paradisíaco que a maioria das pessoas têm em relação ao Havaí, contando com ótimas narrações de seu protagonista e situações criativas e até bizarras – tal como a “conversa” entre Matt e sua esposa no hospital. É o favorito para levar o prêmio, e com razão (mesmo não sendo meu favorito dentre os indicados).

Quotação Memorável: “No telefone ele pode fugir, pessoalmente, ele não tem pra onde ir. Eu quero ver a cara dele” – Matt King

O Espião que Sabia Demais | Bridget O’Connor & Peter Straughan

Adaptado de: Livro O Espião que Sabia Demais de John Le Carré

Complexo e intrincado, é difícil entender a trama de O Espião que Sabia Demais em uma única visita. O roteiro de Bridget O’Connor (falecida pouco antes do início das filmagens) e Peter Straughan é assaverado na lógica e raciocínio do espectador, isentando-se de pausas para explicar o que acontece ou diálogos que sejam claros o bastante. O resultado é meio devagar, mas muito inteligente se analisado a fundo.

Quotação Memorável: “É a mais antiga das perguntas, George. Quem consegue espionar os espiões?” – Oliver Lacon

O Homem que Mudou o Jogo | Aaron Sorkin & Steven Zaillian

Adaptado de: Livro Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game, de Michael Lewis

Com dois nomes de peso na assinatura (e ainda por cima, oscarizados), o roteiro de O Homem que Mudou o Jogo é meu favorito dentre os indicados. No complexo mundo da análise de jogadores de beisebol, Steven Zaillian e Aaron Sorkin – tomando como base o livro acima e o argumento de Stan Chervin – escrevem diálogos formidáveis cheios de passagens inspiradíssimas (especialmente nas formas em que lida com a mediocricidade do time), trabalham bem os personagens e passam um significado que vai além do esporte, lidando com questões familiares e principalmente a importância de uma boa escolha. Excelente.

Quotação Memorável:Você prefere levar um tiro na cabeça ou três no peito e sangrar até morrer?”Billy Beane

A Invenção de Hugo Cabret | John Logan

Adaptado de: Livro A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick

Usando a história de um orfão solitário como ponto de partida, John Logan tece uma trama empolgante e fantástica que traz uma mensagem linda em suas entrelinhas. Além de ser repleto de momentos de bom humor e falar muito sobre a História do Cinema (e atestar, junto com Scorsese, sua paixão de alma e coração pelo mesmo), emociona com sua metáfora onde o mundo é uma grande máquina, e que todos tem uma função nela. Inspirador.

Quotação Memorável:Se o mundo é como uma grande máquina, então eu não poderia ser uma peça extra. Eu tinha que estar aqui por um motivo. E você também” – Hugo Cabret

Tudo pelo Poder | George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon

Adaptado de: Peça Farragut North, de Beau Willimon

Praticamente ignorado no Oscar deste ano, o ótimo thriller político de George Clooney teve, ao menos, seu roteiro lembrado. Escrito pelo próprio Clooney, seu parceiro Grant Heslov e Beau Willimon tece uma intrigante rede de mentiras e traições, tendo como cenário uma eleição presidencial bem contemporânea. O grande atrativo, além dos belos diálogos, é como Tudo pelo Poder é acessível para qualquer um, independente do gosto político; basta ser apreciador de uma boa história.

Quotação Memorável:Você pode mentir, pode trair, pode começar uma guerra e até falir o país, mas você não pode comer as estagiárias. Eles te pegam por isso” – Stephen Meyers

FICOU DE FORA: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Steven Zaillian

Adaptado de: Livro Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de Stieg Larsson

Também de Steven Zaillian, aqui o roteirista faz um trabalho solo e dá uma aula de adaptação literária. Como leitor do livro original, é possível perceber o quanto Zaillian resumiu bem a trama e se deu a coragem de realizar mudanças favoráveis a fim de uma resolução dramática mais simplificada. Os diálogos são excelentes (o que se passa no porão de Martin Vanger é assustadoramente genial), assim como a intrincada construção estrutural da história e seus personagens. Zaillian está escrevendo o segundo filme, será que agora vai?

Quotação Memorável:É engraçado como o medo de ofender pode ser maior do que o medo da dor.” – Martin Vanger

APOSTA: Os Descendentes

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Homem que Mudou o Jogo

Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Woody Allen | Meia-Noite em Paris

Woody Allen sai um pouco de sua zona de conforto, no caso a cidade de Nova York, e se aventura nas luzes da Paris contemporânea e dos anos 20. A viagem  valeu a pena, já que o amado cineasta recebe sua primeira indicação para Melhor Diretor desde Tiros na Broadway (em 1995). Criando planos bem abertos e sem cortes, a direção de Allen é charmosa e sem muitos maneirismos, respeitando principalmente seu próprio roteiro e as bela arquitetura da cidade.

Michel Hazanavicius | O Artista

É preciso coragem para dirigir um filme mudo e preto-branco hoje em dia. Mas parece que o cineasta francês Michel Hazanavicius não se viu tão preocupado, já que comanda O Artista com naturalidade, maestria e expira ar fresco e novo, mesmo tratando-se de uma das mais antigas formas de cinema que existem. Hazanavicius adota a estrutura, capricha nos enquadramentos (sua mise em scène é soberba) e homenageia de alma e coração os bons tempos de Hollywood. Já ganhou o Directors Guild Awards, então é favorito.

Terrence Malick | A Árvore da Vida

Tímido e bastante reservado, o diretor Terrence Malick é indicado ao Oscar novamente e promete também permanecer anônimo durante a cerimônia. Dono de um estilo invejável, sua técnica em A Árvore da Vida é maravilhosa; sua câmera gira, balança e se move junto aos personagens, como se a mesma fosse um personagem com vida própria. Não me agrada o resultado do longa, mas a direção de Malick é muito bonita.

Alexander Payne | Os Descendentes

Fora da direção de um filme desde Sideways – Entre umas e Outras, Alexander Payne retorna em boa forma com seu ótimo retrato de uma família havaiana em crise com Os Descendentes. É engraçado como Payne vai inserindo humor na trama através de seu visual, como na corrida na praia – onde Matt vai percebendo quem é o corredor que passa por ele – e também equilibrando o drama, tal como na já famosa cena da picina, e na direção de seu impecável elenco.

Martin Scorsese | A Invenção de Hugo Cabret

Trabalhando com a tecnologia 3D – e em um filme para toda a família – pela primeira vez, Martin Scorsese mostra que ainda é um dos melhores cineastas de nossos tempos. Suas tradicionais assinaturas estão aqui (o uso da neblina, névoa entre os personagens), mas ele usa a ferramenta tridimensional para proporcionar uma imersão impressionante, principalmente com seus travellings digitais e uma atenção especial à trama, que se move com ritmo e de forma bem humorada.

FICOU DE FORA: David Fincher | Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Um dos melhores diretores da atualidade, David Fincher nunca trabalhou tanto o visual quanto em Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Mostra-se maduro e ao mesmo tempo infinitamente criativo, ousando nos planos (como na câmera que vira de ponta-cabeça) e sempre prestando atenção nos detalhes da cena (reparem em como enquadramentos mudam durante a cena do primeiro estupro e a vingaça do mesmo), sempre indo além em seu comando narrativo.

Artistas em decadência, a origem da vida, cavalos de guerra, famílias desfuncionais, empregadas lutando contra racismo, técnicos de beisebol que anseiam em mudar o jogo, inventores de cinema, escritores nostálgicos e crianças traumáticas disputam o Oscar deste ano. Os indicados são:

O Artista

O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma ode muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica, e nem mesmo um Oscar é grande o suficiente para o filme. Uma verdadeira obra-prima.” Crítica

A Árvore da Vida

“De verdade, eu não gostei de A Árvore da Vida. Acho suas imagens belíssimas, direção maravilhosa e seu elenco esplêndido, mas sua narrativa complexa e quase sem coerência não foi capaz de me prender, o que tornou a experiência cansativa. Não é um filme para todos, e certamente agradará aos fãs de Terrence Malick, mas não vejo nada de espetacular que possa justificar a indicação para Melhor Filme.Crítica

Cavalo de Guerra

“Cavalo de Guerra é um drama eficiente que, mesmo utilizando artifícios clichês e já explorados, consegue mostrar o poder de uma amizade em meio a uma guerra terrível, onde a inocência do animal – e a compaixão humana por este – surge como um tocante cessar-fogo.” Crítica

Os Descendentes

Os Descendentes é um filme maravilhoso, com um ritmo divertido e emocionante. É difícil para mim colocar em palavras o quanto gostei do filme, então digo apenas que é um longa que merece ser visto e que faz jus às suas indicações ao Oscar. Aloha! Crítica

Histórias Cruzadas

Com valores de produção bons o suficiente para recriar a época em questão, Histórias Cruzadas é um bom filme que, mesmo trazendo um tema já discutido diversas vezes, vale a vista graças a seu ótimo elenco e sua boa mistura de humor/drama. Crítica

O Homem que Mudou o Jogo

O Homem que Mudou o Jogo nos ensina muitas lições. Não apenas sobre beisebol (aqui, por exemplo, é fascinante acompanhar a desvalorização de jogadores por motivos banais), mas sobre todo o resto, já que este bate constantemente na tecla sobre as escolhas que surgem ao longo da vida e a consequência das mesmas. Comovente e bem executado, não é um home run, mas ainda assim uma ótima jogada que certamente merece suas 6 indicações ao Oscar.”
Crítica

A Invenção de Hugo Cabret

A Invenção de Hugo Cabret é mais do que apenas o primeiro 3D de Martin Scorsese. É uma história sobre encontrarmos nossa função no mundo e como os sonhos podem ser capturados pela incomparável magia do cinema. É uma carta de amor para o cinéfilo dentro de todos nós.” Crítica

Meia-Noite em Paris

“Divertidíssimo e com roteiro fabuloso, é um belíssimo atestado à Cidade da Luz e seus artistas, também apresentando um elenco equilibrado e uma bela mensagem sobre a valorização do presente e o poder que o tempo possuí sobre a arte. Algo que certamente Woody Allen compreende bem… . Crítica

Tão Forte e Tão Perto

Trazendo uma calorosa trilha sonora de Alexandre Desplat, Tão Forte e Tão Perto mostra o desespero para se receber indicações ao Oscar (Oskar, alguém?). Stephen Daldry acerta no visual e na ambientação de sua trama, mas não consegue evitar seus inúmeros clichês e situações desnecessárias, além de carecer por um protagonista mais talentoso. Um título melhor seria “Tão Dramático e Tão Apelativo”… Crítica

FICOU DE FORA: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

“Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres oferece tudo que a franquia literária merece, provindo um longa maduro e envolvente, catapultando a talentosa Rooney Mara ao estrelato e oferecendo, em uma rara ocasião, uma franquia blockbuster destinada ao público adulto.” Crítica

APOSTA: O Artista

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Invenção de Hugo Cabret

É isso aí, o especial vai ficando por aqui. Juntem-se a mim durante minha transmissão ao vivo do Oscar 2012 no Domingo (publicarei mais detalhes em breve). Até mais!

Esse é Mesmo o Oscar 2012? | VOLUME III: Sons e Música

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

E chegamos ao volume 3 do especial Oscar 2012. Aqui, analisaremos as categorias de som e as musicais. Vamos nessa:

Uma explosão não é uma explosão se ela não tiver um som ensurdecedor, certo? Manipular o som criado ou capturado é uma tarefa complicada, mas o resultado pode ser impactante. Os indicados são:

Cavalo de Guerra | Richard Hymns e Gary Rydstrom

Não tem muito erro quando Steven Spielberg resolve visitar os campos de batalha de alguma guerra. Ambientando-se nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, as cenas de ação ganham um belo design de som, no qual – dentre canhões, explosões de gás mostarda e batidas de espadas – se destaca o galope do cavalo protagonista.

Drive | Lon Bender e Victor Ray Ennis

Eu assisti Drive e não assisti. Durante o voo para Nova York em minha viagem de Janeiro, assisti ao filme mas ainda acho que preciso assistí-lo na tela grande antes de comentar sobre ele (a tela era pequena, muitas cenas eram cortadas). Mas deu pra observar que o longa apresenta boas perseguições de carro, e que o som é bem manipulado quando a violência explode sem aviso – c0mo na briga no elevador, ou durante o ataque no hotel.

A Invenção de Hugo Cabret | Philip Stockton e Eugene Gearty

Os sons de Hugo são muito criativos. O que mais chama atenção, é o uso do som das engrenagens de relógio em quase todo o longa; fazendo apologia às inspiradas declarações do protagonista de que o mundo funciona como uma máquina. Mas vejam por exemplo, a cena do acidente de trem, onde a locomotiva atravessa a plataforma e os trilhos sem apresentar um barulho que corresponda à intensidade do evento. Bons sons, mas nada espetaculares.

Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Ren Klyce

Ren Klyce é um dos sonoplastas mais inventivos da atualidade. Colaborador habitual de David Fincher, aqui ele se diverte com os cenários e situações de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, principalmente o clima gelado de suas locações. O soprar do vento, por exemplo, torna-se quase um personagem com a inteligência com que é usado e também ferramenta de suspense – vide a arrepiante cena onde um dos personagens invade a casa de um suspeito, com o som do vento como som predominante.

Transformers – O Lado Oculto da Lua | Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl

Explosões, explosões e explosões! Grande parte da sonoplastia de O Lado Oculto da Lua se resume a isso, mas ainda é possível encontrar inventividade na hora das transformações (com aqueles efeitos sonoros no melhor estilo Ben Burtt) e muiro, muito barulho. Costumam dizer que o filme mais barulhento é o vencedor da categoria – e Transformers CERTAMENTE é – mas não vai ser dessa vez…

FICOU DE FORA: Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

O melhor filme de ação de 2011 deveria ter marcado presença aqui. Nem ao menos sua ótima edição de som foi lembrada, que dá maior intensidade aos socos e pancadas, constrói suspense durante a escalada no Burj Khalifa (o barulho do vento surge apropriadamente) e praticamente rouba toda a cena durante a perseguição em uma tempestade de areia. A sonoplastia é ótima.

APOSTA: A Invenção de Hugo Cabret

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Cavalo de Guerra

Ok, o filme está pronto, editado, os efeitos visuais estão finalizados e os sons no lugar. Agora vem o grande desafio da pós-produção: juntar todos os efeitos sonoros com a trilha sonora, dando espaço a cada um deles de forma apropriada. Os indicados são:

Cavalo de Guerra | Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson e Stuart Wilson

A música de John Williams é o que completa o charme na sonoplastia de Cavalo de Guerra. Além das já comentadas cenas de batalha, vale destacar a cena em que o cavalo Joey se esforça para a arar a plantação de Albert, com o som da chuva  e de terra molhada ao fundo, enquanto a música vai pontuando adequadamente o momento.

O Homem que Mudou o Jogo | Deb Adair, Ron Bochar, Dave Giammarco e Ed Novick

É curioso ver O Homem que Mudou o Jogo indicado aqui. Talvez seja pela quantidade de diálogos (a Academia adora indicar longas com muitos diálogos), que são bem equilibrados e divididos, dando espaço também à flashbacks, números musicais da filha do protagonista (que ganham força em sua cena final) e o som esurdecedor das torcidas de times de beisebol. Não é um grande indicado, mas é um trabalho elegante.

A Invenção de Hugo Cabret | Tom Fleischman e John Midgley

Não vi grande coisa nos sons de Hugo Cabret. Com excessão do esperto uso das engrenagens de relógio (que comentei na sessão acima), trata-se de um bom trabalho de mixagem, onde a música de Howard Shore é bem aplicada e casa com o ritmo em questão de determinadas cenas. É notável também o cuidado e precisão durante as inúmeras sequências de flashback.

Ganhou o prêmio do CAS por Melhor Mixagem de Som

Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres | David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson

Excepcional ao longo de toda a projeção, a mixagem de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres é melhor do que a dos demais indicados. Tomemos como exemplo, a cena em que Lisbeth Salander visita seu tutor Bjurman para pedir dinheiro para um novo computador. Nela, a trilha perturbante de Trent Reznor e Atticus Ross mescla-se com o som de uma enceradeira ao fundo, alcançando um resultado ainda mais tenso e que torna a cena ainda pior. Genial, mas parece que os votantes da Academia não o reconhecerão…

Transformers – O Lado Oculto da Lua | Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin

Ah sim, o grande responsável pelas dores de cabeça no cinema de 2011. Micheal Bay não perdoa e aumenta o volume da caixa na sua terceira entrada na franquia dos robôs. Explosões, música alta e tanta outras coisas que eu não me lembro (não tenho coragem de reassistir ao filme). Mas os sons são, como sempre, bem aplicados.

FICOU DE FORA: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

Considerando que este é o último longa de uma das maiores franquias cinematográficas da História, era de se esperar um burburinho maior em torno de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2. A mixagem de som, por exemplo, combina todos os efeitos sonoros da batalha de Hogwarts de forma controlada e emocional com a trilha sonora de Alexandre Desplat, dando espaço apenas para a música nos momentos mais dramáticos.

APOSTA: A Invenção de Hugo Cabret

QUEM PODE VIRAR: Cavalo de Guerra

Um longa-metragem não funciona da mesma maneira sem música. A trilha sonora ajuda a criar o tom, manter o ritmo e encher o espectador de emoção, complementando o que está na tela. Os indicados são:
(Clique no título do filme para ouvir a trilha sonora inteira)

As Aventuras de Tintim | John Williams

Com uma dupla indicação este ano, o grande John Williams alcança impressionantes 47 indicações ao Oscar em toda sua carreira. Suas composições em Tintim certamente são mais agradáveis e originais do que as de seu outro longa indicado, emitindo ecos profundos de alguns de seus melhores trabalhos (tais como Os Caçadores da Arca Perdida e Prenda-me se for Capaz) com uma bem-vinda pitada de jazz; principalmente no tema principal do filme e nos sons que dão pulso às ótimas cenas de ação. O melhor trabalho de Williams em anos.

Faixa Preferida: The Adventures of Tintin

O Artista | Ludovic Bource

Pode parecer repetição, mas em um filme mudo duas coisas falam alto: a expressividade dos atores e a trilha sonora. Com inspiração em temas que tornaram esse período do cinema tão icônico, Ludovic Bource proporciona algumas das maiores emoções em O Artista com seus inspirados acordes e composições. É uma trilha clássica e ao mesmo tempo inventiva, flertando com o divertido (George Valentin), o suspense (The World Talks) e o espetáculo (Peppy and George). Merece o prêmio.
Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Trilha Sonora

Faixa Preferida: Peppy and George

Cavalo de Guerra | John Williams

Olha ele aí de novo! John Williams também está indicado pela trilha sonora de Cavalo de Guerra e, mesmo que não seja melhor do que a de Tintim, consegue despertar as emoções necessárias em seus apropriados momentos. É legal ver como Williams adotou a flauta como principal instrumento aqui.

Faixa Preferida: Reunion

O Espião que Sabia Demais | Alberto Iglesias

A trilha de Alberto Iglesias para o silencioso thriller de espionagem comandado por Tomas Alfredson pode ser definida em uma única palavra: elegante. Com um melancólico piano e calmos saxofones, a música transporta o espectador diretamente para a Guerra Fria, entrando em perfeita simbiose com os personagens e a trama do agente infiltrado. É uma música ambiente, definindo-o perfeitamente.

Faixa preferida: George Smiley

A Invenção de Hugo Cabret | Howard Shore

Sem pegar um projeto grandioso desde O Senhor dos Anéis, Howard Shore preenche A Invenção de Hugo Cabret com acordes musicais belíssimos. Predominantemente simpática, a música apresenta muita influência francesa – afinal a trama é ambientada na Paris dos anos 30 – e serve bem para o longa, capturando a aventura (The Chase), felicidade (The Invention of Dreams) e o mistério (The Clocks). Maravilhosa trilha sonora.

Faixa Preferida: A Train Arrives in the Station

FICOU DE FORA: Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres | Trent Reznor & Atticus Ross

Vencedores da categoria no ano passado, a dupla Trent Reznor e Atticus Ross eleva seu estilo musical a outro nível. Se em A Rede Social a trilha capturava genialidade e solidão, aqui ela serve para criar uma atmosfera sombria e pesada em Os Homens que Não Amavam as Mulheres. O longa é centrado em ambientes frios, e os compositores utilizam de uma variedade de sons (bizarros, incomuns) para falar pelo gelo (Hidden in Snow), buscar vozes do passado (A Pair of Doves) e assombrar a tela (She Reminds me of You). CAGADA da Academia não indicá-los.

Melhor Faixa: The Heretics

APOSTA: O Artista

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Invenção de Hugo Cabret

Em 2012, a Academia simplesmente ligou o “foda-se” e colocou apenas dois indicados para Melhor Canção Original. Mais cedo ou mais tarde, aposto na extinção da categoria… Os indicados são:

“Man or Muppet” | Os Muppets

Uma das melhores cenas de Os Muppets, Bret McKenzie compõe a melancólica e hilária canção “Man or Muppet”, que surge no momento decisivo do longa. Além de brincar com os clichês desse tipo de situação, a cena ganha força com suas participações especiais.

Letra:

I reflect on my reflection
And I ask myself the question
What’s the right direction
to go
I don’t know

Am I a man
or am I a muppet
(Am I a muppet)
If I’m a muppet
then I’m a very manly muppet
(Very manly muppet)
Am I a muppet?
(Muppet)
Or am I a man?
(Am I a man)
If I’m a man that makes me a muppet of a man
(A muppet of a man)

I look into these eyes
And I don’t recognize
The one I see inside
It’s time for me to decide

Am I a man
Or am I a muppet?
(Am I a muppet)
If I’m a muppet
well I’m a very manly muppet
(Very manly muppet)
Am I a muppet
(Muppet)
Or am I a man?
(Am I a man)
If I’m a man that makes me a muppet of a man
(A muppet of a man)

Here I go again
My goal is runnin’ out of time
I think I made up my mind
Now I understand who I am

I’m a man

I’m a muppet
Yeah!

I’m a muppet of a man

I’m a very manly muppet

I’m a muppet-y man!

That’s what I am

“Real in Rio” | Rio

Indicação brasileira no Oscar! Sergio Mendes e o cantor baiano Carlinhos Brown enchem “Real in Rio” com acordes típicos brasileiros, que incluem a forte presença do samba, o som de passarinhos e da natureza. A música é bem divertida e praticamente dá o tom de Rio. Agora é 50% de chance para o Brasil faturar seu primeiro Oscar…

Letra:

All the birds of a feather
Do what they love most of all
We are the best at rhythm and laughter
That’s why we love carnaval

All so clear we can sing to
Sun and beaches they call
Dance to the music, passion and love
Show us the best you can do

Everyone here is on fire
Get up and join in the fun
Dance with a stranger, romance and danger
Magic could happen for real, in Rio
All by it self (it self)
You can’t see it coming
You can’t find it anywhere else (anywhere else)
It’s real, in Rio
Know something else (something else)
You can feel it happen
You can feel it all by yourself

All the birds of a feather
Do what they love most of all
Moon and the stars, strumming guitars
That’s why we love carnaval

Loving our life in the jungle
Everything’s wild and free
Never alone, ‘cause this is our home
Magic can happen for real, in Rio
All by it self (by it self)
You can’t see it coming
You can’t find it anywhere else

I’m a kako wero kinga kinga kinga kinga
Birds like me, ‘cause I’m a hot winga (there’s your hota winga aha)

Here everybody loves samba (I like the Samba)
Rhythm you feel in you heart (I’m the Samba master)
Beauty and love, what more could you want
Everything can be for real, in Rio
Here’s something else (something else)
You just feel it happening
You won’t find it anywhere else

FICOU DE FORA: “Couer Volant” | A Invenção de Hugo Cabret

Com toda a adoração da Academia por Hugo Cabret, chega a ser irracional a linda “Couer Volant” ter ficado de fora. A cantora francesa Zaz empresta sua voz maravilhosa enquanto o compositor Howard Shore fica a cargo da parte instrumental. Bem, só não vai dizer que foi por falta de vaga né?

Letra (em francês):

Animer, à la vie, les songes, les couleurs,
voir la lune, les étoiles, tout se retrouve à nouveau.
 
Serpentant les ruelles,
dans l’oubli, dans la peur,
petit génie aux doigts de fée,
fixant les heures,
ouvrant ses ailes,
un cœur qui pleurait, qui s’envole
l’amour a soigné ce qu’il manquait.
 
Elle était inconnue, curieuse et puis amie
un clin d’œil en offrande
petite sirène aux yeux de nuit
sa clé a porté le rêve vivant
un secret qu’ils partagent à présent.
 
Il était magicien d’images de poèmes
dompteur de rêves,
caché dans l’ombre,
seul avec son jeu brisé,
son cœur cassé
les choses en morceaux se réparent a nouveau.
 
Rêve …
N’oublie pas les rêves!
Rêve …

APOSTA: Man or Muppet

QUEM PODE VIRAR O JOGO (hehe): Real in Rio

Fim da parte 3! Fiquem ligados que amanhã publico a última postagem sobre o especial Oscar 2012, com as principais categorias.

Esse é Mesmo o Oscar 2012? | VOLUME II: Categorias Técnicas

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 22 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

E chegamos à parte II do especial sobre o Oscar 2012! Aqui, daremos uma olhada nas sempre interessantes categorias técnicas, sem as quais o filme não seria o mesmo. Vamos lá:

Ajudando a transformar a visão do diretor em realidade, o diretor de fotografia possui um dos mais importantes cargos, analisando luzes, cores, sombras, mise en scène, entre muitos outros… Os indicados são:

O Artista | Guillaume Schiffman

Depois da indicação do alemão A Fita Branca, mais um longa consegue presença com uma fotografia em preto-e-branco. O que destaca o trabalho em O Artista é como Guillaume Schiffman se sai bem ao resgatar o visual retratado em filmes mudos, adotando também a janela de projeção da tela (em 1:31, menor do que as habituais). Os enquadramentos são criativos, os planos-sequência são maravilhosos e encaixam-se perfeitamente na mise en scéne (prestem atenção na sequência onde George Valentin e Peppy Miller conversam numa escadaria, culminando com a subida dela e a descida do astro). O Artista, de fato, parece um filme daquela época.

A Árvore da Vida | Emmanuel Lubezki

Ausente em diversas categorias no Oscar, o novo filme de Terrence Malick certamente merece sua vitória aqui. A fotografia de Lubezki é linda e claramente deu muito trabalho, já que estamos falando de um longa que captura até mesmo a origem do Universo e da Vida (a sequência de tal, é um dos pontos altos do longa). É notável o uso das luzes fortes e da variedade na paleta de cores. Já que a narrativa maluca de A Árvore da Vida não me prendeu, pelo menos deu pra apreciar essas maravilhosas imagens.
Ganhou o ASC de Melhor Fotografia.

Cavalo de Guerra | Janusz Kaminski

Cinematógrafo habitual de Steven Speilberg, Janusz Kaminski retorna aos campos de batalha e mantém sua boa técnica. Ainda que menos forte e contrastante do que Soldado Ryan (já que o longa é bem mais adulto e pesado do que este), Kaminski consegue equilibrar a vivacidade das paisagens campestres, o terror da Primeira Guerra Mundial, principalmente nas sombrias trincheiras, e a emoção do reecontro entre dois personagens; que se dá sob uma sutil caída de neve. Além disso, a cena final faz uma bela homenagem visual à …E o Vento Levou.

A Invenção de Hugo Cabret | Robert Richardson

O talentoso Robert Richardson se úne novamente ao diretor Martin Scorsese, capturando com perfeição o semi-fantasioso mundo habitado por Hugo Cabret. Agora contando com a tecnologia 3D adotada pelo cineasta, Richardson usa uma paleta de cores fortes e vívidas, acentuando as características fantasiosas do longa com um visual espetacular. Vale destaque observar a mudança de iluminação nos flashbacks, que surgem mais radiantes do que o comum.

Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres | Jeff Cronenweth

O trabalho de Jeff Cronenweth na primeira parte da trilogia Millennium é magnífico. Predominantemente sombria – e até remetendo sutilmente à de Clube da Luta, também de David Fincher – , captura a atmosfera gélida da Suécia onde serial killers se escondem em luxuosas residências e hackers tatuadas fazem justiça com as próprias mãos… O visual todo é espetacular e preserva diversos detalhes da trama e da investigação central, especialmente no flashback, em um lindo tom de sépia, que apresenta o desaparecimento de Harriet Vanger (reparem no relógio que marca sua última aparição). Magistral.

FICOU DE FORA: O Espião que Sabia Demais | Hoyte van Hoytema

Responsável também pela fria Suécia de Deixa Ela Entrar, Hoyte van Hoytema se une novamente ao cineasta Tomas Alfredson, agora para embarcar no enigmático mundo da espionagem da Guerra Fria. Adotando planos abertos (como a investigação de Ricki Tarr, em uma janela) e uma iluminação predominantemente fria, Hoytema consegue capturar o espiritio da época e rende ótimos momentos; como o tenso confronto verbal à frente de um avião em rota de pouso.

APOSTA: A Árvore da Vida

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Artista

Para povoar a história de personagens e situações, cenários – sejam digitais ou construídos – são essenciais, assim como a equipe que os desenha/projeta antes de construí-los. Os indicados são:

O Artista | Laurence Bennett & Robert Gould

Situada na Hollywood dos anos 20-30, o design de produção de O Artista captura com perfeição a época que mudou a História do Cinema. Os grandes letreiros na entrada de teatros, as imensas salas de projeção com telas absurdas e até mesmo o uso dos famosos matte paintings (fundos de cidade, cenários, etc). Dentro do contexto da trama, é interessante observar o contraste entre as moradias de George Valentin e Peppy Miller (característica que o figurino também preserva, como veremos em alguns instantes), destacando o luxo da mansão de Miller (e a ironia de possuir artefatos que eram de propriedade do astro em decadência) sobre a pobre residência de Valentin.

Cavalo de Guerra | Rick Carter & Lee Sandales

Ambientado na época da Primeira Guerra Mundial, o que mais vemos em Cavalo de Guerra são fazendas e campos de batalhas. Além de retratarem tais ambientes com fidelidade Histórica, é interessante como a fazenda dos Narracott é desenhada a ser pequena mas aconchegante, enquanto as trincheiras são apertadas, sujas e assustadoras. Spielberg já pode ser chamado de especialista em cenários de guerra…

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | Stuart Craig & Stephenie McMillan

O grande final da saga Harry Potter não inova tanto quanto seu antecessor, mas ganha pontos por trazer de volta ambientes e locações dos longas anteriores. A Sala Precisa agora parece muito mais bagunçada (e a decoradora de set diverte-se ao inserir objetos vistos antes, como as gigantescas peças de xadrez do primeiro filme), o banco Gringotes revela-se uma assustadora caverna por baixo de seus luxuosos saguões e a destruição do castelo de Hogwarts explora com inteligência inúmeros locais. O trabalho aqui é excelente, mas não o melhor da saga.
Ganhou o ADG de Melhor Direção de Arte em Filme de Fantasia

A Invenção de Hugo Cabret | Dante Ferretti & Francesca Lo Schiavo

Sem dúvida, o melhor dentre os indicados. A direção de arte e o design de produção aqui transformam a Paris da década de 30 em uma ambiente fantástico e que simplesmente enche os olhos em cada tijolo, janela ou engrenagem de relógio que aparecem. A estação de trem, onde a maior parte da trama é situada, é sentida como um lugar real – considerando que grande parte dela foi consteruída em escala real – e o trabalho com esta me fizeram entrar completamente na história. Isso sem falar que Ferretii e Lo Schiavo tiveram um desafio ao recriar filmes e sets de filmagens de Georges Méliès.
Ganhou o ADG de Melhor Direção de Arte em Filme de Época.

Meia-Noite em Paris | Anne Seibel & Hélène Dubreuil

Não é difícil caprichar nos cenários quando você tem a Cidade das Luzes como locação principal. Com a beleza da arquitetura parisiense a parte, Anne Seibel e Hélène Dubreuil tiveram o desafio de recriar ambientes da década de 20, como restaurantes, bares e até a casa de Gertrude Stein. Todos os ambientes funcionam no contexto da história de Woody Allen, e impressionam por sua atenção aos detalhes.

FICOU DE FORA: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Donald Graham Burt e K.C. Fox

Mesmo que contemporâneo na maior parte de sua projeção (a única exceção é uma série de flashbacks que nos mostram rapidamente os anos 60), o design de produção de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres é soberbo por retratar bem a beleza da Suécia e também seus cantos obscuros. Desde a enorme mansão Vanger, passando pela espaçosa residência de Martin até o bagunçado apartamento de Salander, vemos que Donald Graham Burt e K.C. Fox souberam falar sobre seus personagens através dos cenários. E isso é raro atualmente.
Ganhou o ADG de Melhor Direção de Arte em Filme Contemporâneo

APOSTA: A Invenção de Hugo Cabret

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Artista

Se há um departamento que é essencial – e também um dos meus preferidos – é a montagem. É preciso habilidade para montar o filme, lhe fornecer o ritmo e tom apropriado e, claro, eliminar cenas desnecessárias. Os indicados são:

O Artista | Anne-Sophie Bion & Michel Hazanavicius

Até na montagem Michel Hazanavicius consegue honrar o cinema mudo. Com ajuda de Anne-Sophie Bion, ele usa de transições clássicas (como a de círculo, desvaneios, entre outros) e outras bem criativas, como a inserção de imagens dentro de outras (como na imagem acima, onde os pôsteres de Peppy vão servindo como transição de cena). Maneirismos requintados à parte, os cortes de Hazanavicius e Bion também acentuam apropriadamente a tensão (como no clímax, onde a vida de um dos personagens está em jogo) e momentos mais emotivos.
Ganhou o ACE Eddie Awards de Montagem em Filme de Comédia/Musical.

Clipe

Os Descendentes | Kevin Tent

A meu ver, o trabalho de montagem de Os Descendentes é muito, muito simples. Kevin Tent equilibra bem os personagens quando encontram-se engajados em diálogos (de acordo com a intensidade, os cortes são mais frequentes) e na apresentação da trama – onde Tent dá espaço também a diversas paisagens havaianas – nos minutos iniciais. Tirando isso, não vejo nada de espetacular que justifique a indicação do longa; é um trabalho bom, mas simples demais.
Ganhou o ACE Eddie Awards de Montagem em Filme de Drama.

Clipe

O Homem que Mudou o Jogo | Christopher Tellefsen

O interessante aqui é como Christopher Tellefsen insere na trama de O Homem que Mudou o Jogo, imagens reais de jogadores de beisebol. A passo que Peter Brandt (Jonah Hill) explica o “Moneyball” para Billy Beane (Brad Pitt), o montador faz um ótimo trabalho ao introduzir fotos de jogadores, estatísticas de computador e, principalmente, consegue tornar claro não só para o personagem, mas para o espectador. Além disso, a trama secundária da carreira de Beane mostra-se bem aplicada, surgindo nos momentos apropriados (que rendem uma certa reflexão com as cenas do presente).

Clipe

A Invenção de Hugo Cabret | Thelma Schoonmaker

Parceira habitual de Scorsese (desde Touro Indomável, em 1980), Thelma Schoonmaker monta A Invenção de Hugo Cabret de forma precisa e controlada, quase como as engrenagens de um relógio, ironicamente. A veterana equilibra os momentos de humor e cria um bom ritmo, conseguindo dar espaço a diversos personagens (que ganham tramas secundárias bem divertidas) e situações. O atrativo no entanto, é como Schoonmaker e Scorsese inserem trechos de longas mudos antigos, como George Méliès e Charles Chaplin. Muito bom.

Clipe

Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres | Kirk Baxter & Angus Wall

Sem dúvida a mais habilidosa dentre os indicados, Kirk Baxter e Angus Wall (vencedores por A Rede Social no ano passado) dão pulso e ritmo a Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. De início, a dupla equilibra com maestria as duas tramas paralelas principais (a dos personagens de Daniel Craig e de Rooney Mara), ao ponto em que estas vão encontrando, e ainda conta com inúmeros flashbacks (que rendem transições inspiradas, como a passagem de tempo através do acender de um cigarro) e narrações em off (como na imagem acima). Infelizmente, Baxter e Wall não têm muita chance de levar a segunda estatueta de suas carreiras.

Clipe

FICOU DE FORA: Contágio | Stephen Mirrione

Ausente em praticamente todas as premiações, Contágio de Steven Soderbergh merecia mais atenção, principalmente por sua habilidosa montagem que intercala diversos personagens – adotando até mesmo o recurso de telas divididas. Estética e estilos a parte, é esperto como o longa começa com o segundo dia da infecção, deixando para a cena final a explicação para o vírus que assombra o longa. Poderia facilmente entrar no lugar de Os Descendentes.

APOSTA: O Artista

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Os Descendentes

A menos que seja um filme pornô, os atores precisam de roupas; que variam de época, tamanho e estilo, adequando-se à sua narrativa e ao personagem. Observação: se duvidavam que a Academia dava preferência a figurinos de época, veja os indicados deste ano:

Anônimo | Lisy Christl

Roland Emmerich dá um tempo nos filmes-catástrofes e aventura-se em um thriller no período shakeasperiano. Anônimo ainda não estreiou por aqui, mas os figurinos retratam com fidelidade a (maravilhosa) época em questão.

O Artista | Mark Bridges

Ambientando-se na Hollywood dos anos 20-30, Mark Bridges escolhe os figurinos apropriados em O Artista. Smokings e vestidos elegantes predominam como vestimentas principais, todas elas bem desenhadas e produzidas. Mas o interessante, é a evolução do personagem George Valentin, que começa o longa com ternos luxuosos e – a medida que vai decaindo profissionalmente – vai trajando roupas mais desgastadas, perdendo todo seu prestígio.

Jane Eyre | Michael O’Connor

Na minha singela opinião figurinista, os trajes de Michael O’Connor para a adaptação Jane Eyre são os melhores da categoria. Apresentam detalhes minuciosos em seus longos vestidos, boas colorações e combinações interessantes. De longe, o que merece a estatueta.

A Invenção de Hugo Cabret | Sandy Powell

Também ambientado nos anos 30, Sandy Powell faz do figurino de Hugo Cabret algo bem colorido e destacante. Tais vestimentas casam perfeitamente com o universo quase que cartunesco da história, ainda que contenha características mais realistas (como os trajes de Georges Méliès) que servem para retratar bem a época em questão. Uma curiosidade, vale observar que Hugo usa o mesmo suéter o filme todo – com exceção de uma única cena.

W.E. – O Romance do Século | Arianne Phillips

E o filme da Madonna consegue abocanhar uma indicação por seu figurino, que captura o romance entre o rei Edward III e a americana Wallis Simpson. Eu também não assisti a W.E., então deixo o comentário superficial de que os trajes estão bonitos. Aposto nele pois levou o CDG de Melhor Figurino em Filme de Época.

FICOU DE FORA: X-Men: Primeira Classe | Sammy Sheldon

Sim, Primeira Classe é uma adaptação de quadrinhos. Ainda anseio para ver uma produção que conta com uniformes coloridos ser indicada, mas não foi isso que me chamou a atenção no figurino do mais novo X-Men, e sim sua fiel e chiquérrima representação dos trajes seiscentistas; demonstrando uma pesquisa história muito maior do que se vê na maioria das produções sobre o tema.

APOSTA: W.E. – O Romance do Século

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Jane Eyre

A arte de enfeitar e disfarçar um artista, resultando em uma transformação do personagem, seja para envelhece-lo ou transformá-lo em um monstro. Os indicados são:

Albert Nobbs | Martial Corneville, Lynn Johnston e Matthew W. Mungle

O que chama a atenção aqui, é como Glenn Close foi transformada em um homem de forma realista e sutil. Ainda é possível perceber os traços da atriz quando esta encarna o mordomo Albert Nobbs, não sendo uma transição tão espetacular, mas que assiste à trama de forma apropriada.

A Dama  de Ferro | Mark Coulier e J. Roy Helland

Meryl Streep encarou horas de sessões de maquiagem para viver Margaret Thatcher em A Dama de Ferro, e isso – somado a sua excelente performance – a transformou na sósia da Ex-Primeira Ministra Britânica. O que mais ganha destaque aqui, é o envelhecimento da personagem, que ganha moldes impecáveis da equipe de maquiagem.

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | Nick Dudman, Amanda Knight e Lisa Tomblin

Será que esse vai ser o único Oscar que a saga Harry Potter vai ganhar em todos os seus 10 anos de existência? Dentre os indicados, os duendes de Relíquias da Morte – Parte 2 são infinitamente superiores e melhores trabalhados. Cerca de 20 figurantes foram maquiados para se transformar nas criaturas que controlam o banco Gringotes, e em momento algum eles soam artificiais. Se perder, é injusto.

FICOU DE FORA: Capitão América – O Primeiro Vingador

Encarnando mais um vilão memorável, Hugo Weaving agora aparece escondido por camadas de maquiagem em sua performance do Caveira Vermelha. É injusto o trabalho não ter sido indicado, já que além de manter os traços e feições de seu ator intactos, fornece toda a monstruosidade que o personagem merece, e o transporta para um mundo real e crível; sem parecer uma criação cartunesca.

APOSTA: Harry Potter

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Dama de Ferro

Dando vida ao que não existe, a equipe de efeitos visuais trabalha para criar personagens e ambientes digitais, buscando o realismo perfeito. Os indicados são:

Gigantes de Aço

Ainda não assisti a Gigantes de Aço, mas só por imagens e vídeos é possível reparar no perfeito trabalho de CGI nos robôs boxeadores, que tem perfeita interação com os atores; além de movimentos naturais e texturas bem realistas.

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2



O último filme da saga Harry Potter impressiona com suas batalhas bem elaboradas, que trazem maravilhosos planos digitais (que permitem uma interatividade e imersão maiores) da destruição de Hogwarts, e criaturas monstruosas – dragões, ogros, aranhas e fantasmas – que sempre convencem.

A Invenção de Hugo Cabret

Usados mais como ferramenta do que espetáculo, os efeitos visuais de Hugo Cabret podem ser observados nos maravilhosos planos digitais (como aquele que abre o filme, passando por dentro da estação de trem até encontrar o pequeno Hugo) e na criação da Paris dos anos 30, vista ao fundo em técnica de greenscreen. Bonito e eficiente em seu propósito, mas temos candidatos melhores.

Planeta dos Macacos: A Origem

A WETA Digital mais uma vez atinge a perfeição na criação do macaco César, interpretado pelo ótimo Andy Serkis, na mais avançada utilização de captura de movimentos já feita. Além do protagonista, dezenas de outros símios são criados através da mesma tecnologia, e o resultado é mais do que satisfatório.
Ganhou maior número de prêmios no Visual Effects Society.

Transformers – O Lado Oculto da Lua

Sempre muito realistas, os robôs de Transformers aparecem mais perfeitos do que nunca no terceiro filme da franquia, contando também com cenas de ação melhores elaboradas, que incluem o impressionante colapso de um edifício – e a atenção aos detalhes, como telefones e canecas entre os destroços, é admirável.

FICOU DE FORA: Capitão América – O Primeiro Vingador

Capitão América merecia a indicação na categoria meramente por um elemento: o encolhimento de Chris Evans. Antes de se tornar o herói bandeiroso que nomeia o longa, o jovem Steve Rogers não passava de um jovem miúdo e frágil, e a equipe de efeitos visuais usou a mesma tecnologia de O Curioso Caso de Benjamin Button para transformar o ator.

APOSTA: Planeta dos Macacos: A Origem

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Invenção de Hugo Cabret

Isso aí, fim da parte 2. O terceiro post será publicado amanhã… Fiquem ligados!

Vencedores do MOTION PICTURE SOUND EDITORS 2012

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , on 20 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

E mais um sindicato divulga seus vencedores! Agora temos os premiados pelo MPSE, formado por editores de som. Confira:

MELHORES EFEITOS SONOROS E FOLEY EM LONGA-METRAGEM

Cavalo de Guerra

MELHOR DIÁLOGO E ADR EM LONGA-METRAGEM

Super 8

MELHOR MÚSICA EM LONGA-METRAGEM

A Invenção de Hugo Cabret

MELHOR EDIÇÃO DE SOM EM LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

As Aventuras de Tintim

MELHOR MÚSICA EM LONGA-METRAGEM MUSICAL

Os Muppets

MELHOR EDIÇÃO DE SOM EM LONGA-METRAGEM ESTRANGEIRO

The Flowers of War

MELHOR EDIÇÃO DE SOM EM DOCUMENTÁRIO

George Harrison: Living in the Material World

Nada mal, mas os efeitos sonoros de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres não poderiam sair de mãos vazias…