Arquivo para a viagem

| O Destino de Júpiter | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2015, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , on 7 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

2.5

JupiterAscending
Mila Kunis é Júpiter Jones

Não deve ser fácil ser Lana e Andy Wachowski. Os dois acertaram em cheio com Matrix em 1999 e receberam uma carta branca para se fazer praticamente tudo o que quiserem, desde adaptar o desenho Speed Racer até o ambicioso A Viagem, narrativa de 6 épocas distintas que dirigiram com Tom Tykwer. Agora, os Wachowski trazem sua primeira ideia original desde o encerramento da trilogia Matrix, abraçando em O Destino de Júpiter um pesado space opera que infelizmente não atende às expectativas.

A trama nos apresenta a Júpiter Jones (Mila Kunis), uma jovem que trabalha limpando banheiros para sua família na Terra. Quando o caçador Caine Wise (Channing Tatum) a encontra, ela descobre ser a reencarnação da rainha de uma dinastia alienígena de mil anos atrás, colocando-a na mira do invejoso Balem Abrasax (Eddie Redmayne), que planeja destruí-la para conquistar seu planeta.

Olha, um produtor precisa ter muita confiança para financiar algo como O Destino de Júpiter, pelo simples de motivo de ser um produto original, não adaptado de nenhum material publicado, e por certamente ter custado uma grana alta para os cofres da Warner. E outra, é ridículo demais. Além de a trama se arrastar ao ficar discutindo questões territoriais embaseadas em uma filosofia barata (o roteiro ataca o consumismo, o capitalismo e o sistema, mas nunca se aprofunda nisso) – meio como A Ameaça Fantasma fez no passado – o design das criaturas é risível e estranho, apresentando-nos a híbridos de humanos e animais, que certamente despertarão o riso em algum momento (o que dizer daquele homem-elefante?). Nem as cenas de ação (área que os Wachwoski dominaram como ninguém em Matrix) empolgam, soando genéricas e dosadas demais em efeitos visuais pesados.

O casal de protagonistas também é do mais preguiçoso. Desde as performances automáticas de Kunis e Tatum (a atriz grita mais do que a mocinha de Indiana Jones e o Templo da Perdição, imaginem), o romance dos dois é artificial e repleto de frases intimistas que parecem ter saído de um romance sci fi de Stephenie Meyer (“Você quer me morder?” é apenas um exemplo), sem falar que Caine salva a protagonista exatamente da mesma forma uma dúzia de vezes – mas tudo bem, porque ele tem um par de patins gravitacionais, o que é bem foda. Quem parece se divertir a beça ali é Eddie Redmayne, que está exagerado e afetadíssimo como o vilão Balem, rendendo bons momentos. Pena que o filme o desperdiça ao apostar em inúmeras subtramas e personagens desinteressantes, especialmente o patético núcleo familiar de Jones.

Mas é uma pena ver o navio afundando de forma tão desastrosa. Eu respeito os Wachowski por corajosamente apostar em uma ideia original e com uma mitologia vasta, algo que está cada vez mais esquecido em tempos de remakes, reboots, adaptações de livros em duas partes e inúmeras continuações de mitos do passado. É triste ver que o resultado aqui é um fracasso.

O Destino de Júpiter poderia ter sido o início de algo novo em Hollywood, mas cai na mesmice ao depender de um roteiro preguiçoso, personagens sem graça e uma abordagem um tanto ridícula para temas de ficção científica. Uma pena, mesmo.

Obs: Com todo o festival de excentricidade, não é nenhuma surpresa que Terry Gilliam magicamente aparece numa participação especial.

| Uma História de Amor e Fúria | Animação nacional não faz total uso de sua ambiciosa proposta

Posted in Animação, Aventura, Cinema, Críticas de 2013, Drama with tags , , , , , , , , , , on 4 de abril de 2013 by Lucas Nascimento

2.5

UmaHistoriadeAmoreFuria
Mesmo em forma animada, Camila Pitanga mantém seus belos traços

É sempre bom ver o cinema nacional se arriscando em novos gêneros. Em tempos em que o circuito é dominado por comédias escrachadas, thrillers policiais contra traficantes, longas espíritas e algumas raras exceções (como o ótimo O Palhaço e a divertida ficção científica O Homem do Futuro), eis que chega Uma História de Amor e Fúria com uma proposta ousada e estimulante, mas que que acaba presa no lugar-comum.

Remetendo ligeiramente ao Cloud Atlas (A Viagem, como preferir…) de Tom Tykwer e dos irmãos Wachowski, a trama nos apresenta a um sujeito (voz de Selton Mello) que já viveu por 600 anos. Começando como um índio tupinambá no período da colonização, ele avança os séculos em busca de sua amada Janaína (Camilla Pitanga), passando também pela revolta de escravos da Balaida no século XIX, o ápice da ditadura militar na década de 60 e um futuro distópico em 2096.

Dirigida e escrita por Luiz Bolognesi (que estreia na direção após assinar roteiros como Terra Vermelha e As Melhores Coisas do Mundo), a animação é muito informativa. Considerando que Bolognesi fora jornalista anteriormente, seus relatos sobre alguns períodos históricos e hipóteticas previsões são eficientes e dramatizados de forma a entreter o espectador. O segmento futurista é de longe o mais empolgante, porque abraça conceitos cyber punks dos mais interessantes – algo que não vemos como muita frequência no cinema nacional – e lança diversas ideias com cunho político, como a sutil referência a um líder religioso que teria tornado-se presidente.

Tamanha é a qualidade do último ato do filme, que os demais empalidecem. É triste ver que os demais segmentos sejam compostos por clichês e sigam uma estrutura episódica que impede o desenvolvimento do protagonista – que ainda sofre com um trabalho vocal inexpressivo de seu intérprete (reparem, por exemplo, como o ator adota um senso de “pânico controlado” em um momento nada apropriado). O guerreiro de Mello pula de épocas e sempre trilha um caminho semelhante com o anterior: luta pelos mais fracos e acaba falhando, procura uma forma de se unir a sua amada, e a perde. A repetição é o grande problema de Uma História de Amor e Fúria, que ainda desacredita na inteligência do espectador e insiste em martelar constantemente sua mensagem de que “não conhecer o passado, é viver no escuro”. Depois de ouvir umas três variações dessa frase (que estampa, também, os cartazes do longa)  já pensava comigo mesmo: “tudo bem Bolognesi, já entendi…”

Com uma animação que soa retrógrada em sua forma e execução (os movimentos são lentos, meio “travados”), Uma História de Amor e Fúria é incapaz de se aproveitar de sua ambiciosa proposta – e recorre a um didatismo forçado para transmitir sua nada complicada mensagem. Mas ainda assim, valeu pela intenção e que sirva de exemplo para outros cineastas brasileiros. Já é hora de sair do básico.

Observação: Esta crítica foi publicada após a cabine de imprensa do filme, em 1 de Abril.

O Incógnito Oscar 2013 | Volume III: Sons & Música

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 20 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

oscar3

E chegamos ao volume 3 do especial Oscar 2013. Aqui, analisaremos as categorias de som e as musicais. Vamos nessa:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria

som1

Uma explosão não é uma explosão se ela não tiver um som ensurdecedor, certo? Manipular o som criado ou capturado é uma tarefa complicada, mas o resultado pode ser impactante. Os indicados são:

007 – Operação Skyfall | Per Hallberg e Karen M. Baker

som_skyfall

O trabalho de edição de som é sempre muito eficiente nos longas de 007, considerando que estes sempre trazem tiroteios, explosões e perseguições nos mais variados veículos. Em Skyfall, já iniciamos o filme com uma corrida de motocicletas que culmina em uma luta no topo de um trem em movimento e até mesmo uma escavadeira destruindo a traseira de um dos vagões. O design de produção é habilidoso durante toda a projeção e sabe organizar a intensidade e volume de determinados efeitos; exemplo, a explosão do MI6, que é uma eficaz quebra nas camadas silenciosas estabelecidas na cena anterior.

  • Melhores Efeitos Sonoros e Foley no Motion Picture Sound Editors

Argo | Erik Aadahl e Ethan Van der Ryn

som_argo

Não há explosões ou tiroteios em Argo, mas o trabalho de edição sonora do filme merece créditos puramente por sua pesquisa histórica, e a maneira como esta é aplicada diferentemente. O melhor exemplo encontra-se nos gritos iranianos das multidões, e como a equipe aumenta ou diminui tais camadas sonoras; a cena em que Tony Mendez e os reféns atravessam uma manifestação dentro de uma van ajuda a esclarecer os diferentes níveis a que são editadas as cantorias, contribuindo para o exacerbamento da tensão. Um trabalho competente.

As Aventuras de Pi | Eugene Gearty e Philip Stockton

som_pi

Um dos principais elementos de As Aventuras de Pi é a manutenção de um zoológico, logo podemos esperar uma vasta diversidade de animais aqui. A equipe de desenho de som acerta na captura e manipulação de sons, grunhidos, rugidos e todo outra manifestação sonora das mais diferentes espécies de animais (eu particularmente nunca tinha ouvido o choro de uma zebra antes) e sabe como usá-los apropriadamente, fazendo muito barulho – por exemplo – na cena em que os peixes voadores atravessam o bote de Pi ou nos ensurdecedores rugidos do tigre Richard Parker.

  • 2 Vitórias no Motion Picture Sound Editors

Django Livre | Wylie Stateman

som_django

Como é de costume nos filmes de Quentin Tarantino, a violência sempre explode inesperadamente e tal característica é muito bem representada pelo trabalho de som. Em Django Livre, estamos no Velho Oeste (Sul), então não faltam tiroteios e explosões surgindo a níveis altíssimos, onde o design de som é particularmente criativo ao mostrar o sangue jorrando de corpos e pelo uso de efeitos sonoros caricatos (como as balas ricocheteando). Sem esquecer das “onomatopéias” que surgem quando a câmera de Tarantino utiliza o zoom rápido, gerando um efeito muito divertido.

A Hora Mais Escura | Paul N.J. Ottosson

som_0dark30

Assim como 007 – Operação Skyfall, a edição de som de A Hora Mais Escura traz muitas “explosões” sonoras, que surgem inesperadamente para causar tensão. Aqui o impacto é maior, já que grande parte da primeira metade do filme sobre a caçada por Bin Laden é ambientada em escritórios e bases secretas, e a equipe faz um bom trabalho com as cenas que envolvem atentados terroristas, torturas e tiroteios. Mas o ápice do filme é também o da edição de som, que consegue adicionar efeitos discretos (mas destrutivos) aos rifles que o exército usa para invadir o esconderijo de Bin Laden.

FICOU DE FORA: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

som_tdkr

Eu já estava meio que conformado com a possibilidade de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge passar despercebido entre as categorias principais, mas a ausência de seu trabalho de edição de som é simplesmente irracional. Com eficientes efeitos sonoros para a moto e veículo voador do protagonista (sendo ambos impecavelmente modificados a fim de atingir um volume altíssimo), a equipe ainda criou uma das vozes mecânicas mais icônicas desde o Darth Vader de Star Wars: Bane. O filme provavelmente foi esquecido porque os americanos tiveram problema em entender a voz do personagem. Ah, tá.

APOSTA: As Aventuras de Pi

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Skyfall

MEU VOTO: Django Livre

som2

Ok, o filme está pronto, editado, os efeitos visuais estão finalizados e os sons no lugar. Agora vem o grande desafio da pós-produção: juntar todos os efeitos sonoros com a trilha sonora, dando espaço a cada um deles de forma apropriada. Os indicados são:

007 – Operação Skyfall | Scott Millan, Greg P. Russell e Stuart Wilson

mix_skyfall

Assim como a edição de som é fundamental para um filme de ação, a mixagem é igualmente importante, principalmente para garantir verossimilhança aos inúmeros tiroteios e a um confronto entre metralhadoras e helicópteros. Mas o que mais me interessou na mixagem de Operação Skyfall foram suas sutilezas, como uma delicada transição que é demarcada pelo som da chuva mesclando-se com o de uma cachoeira ou pela genial cena do prédio em Xangai, em que todas as camadas sonoras são diminuídas para dar espaço à trilha de Thomas Newman e ao silêncio – seguido pelo crescimento do suspense – que o momento requer.

Argo | John Reitz, Gregg Rudloff e Jose Antonio Garcia

mix_argo

Sendo em sua maior parte um filme de diálogos (com exceção de algumas cenas mais agitadas, como a a invasão à embaixada e as perseguições pelo Grande Bazar e o aeroporto), a mixagem de som de Argo é bem sucedida nestes quesitos básicos – além de acertar na condução sonora das cenas de ação. Um belo exemplo onde o departamento faz jus à indicação é quando acompanhamos de forma intrincada três discursos diferentes: as exigências políticas iranianas, as respostas americanas a estas e a leitura do roteiro do “Argo”. Todos eles juntos e bem divididos – e com a adequada trilha sonora de Alexandre Desplat – fazem desta uma das mais poderosas cenas do filme.

As Aventuras de Pi | Ron Bartlett, Doug Hemphill e Drew Kunin

mix_pi

Com a bela música de Mychael Danna dando o toque necessário em seus momentos apropriados, os inúmeros efeitos sonoros animais, discutidos na seção de Edição de Som, são bem mesclados aqui. O ápice da mixagem em minha opinião, ocorre na cena do naufrágio do navio que transporta o zoológico da família Patel, onde esta traz ensurdecedores alarmes de emergência, o som da água invadindo as ocupações da embarcação e os gritos de desespero de seus variados tripulantes animais… Tudo ao mesmo tempo, e a equipe merece palmas por não sacrificar a compreensão dessas diferentes camadas.

Lincoln | Andy Nelson, Gary Rydstrom e Ronald Judkins

mix_lincoln

A indicação de Lincoln aqui é justificada pela indicação do longa no maior número de categorias, certamente. Mas também porque a Academia adora prestigiar filmes com muitos diálogos aqui, o que é o caso da cinebiografia de Spielberg para o presidente que nomeia o longa. A mixagem acerta ao inserir diversas discussões paralelas que tomam lugar no Congresso americano e considerando que a trilha sonora de John Williams não é das mais eloquentes, não é difícil equilibrá-la com o trabalho vocal do elenco. Um trabalho cuja indicação só é justificada para glorificar o filme, realmente.

Os Miseráveis | Andy Nelson, Mark Paterson e Simon Hayes

mix_lesmis

Sendo Os Miseráveis um longa musical, é essencial um trabalho de som efetivo. Aliada a esse comum requisito, vem o fato de esta nova versão trazer o elenco todo cantando ao vivo, e não durante a pós-produção, logo a trilha musical precisa ser encaixada de forma a preservar o trabalho vocal de seus intérpretes – tarefa que a equipe realiza muitíssimo bem. O problema, em minha opinião, surge quando a mixagem tenta ousar demais, em especial na cena em que acompanhamos múltiplas canções simultaneamente. O resultado não é incompreensível, mas confuso de se acompanhar e levemente cacofônico.

  • Cinema Audio Society
  • BAFTA

APOSTA: Os Miseráveis

QUEM PODE VIRAR O JOGO: As Aventuras de Pi

MEU VOTO: Skyfall

trilha

Um longa-metragem não funciona da mesma maneira sem música. A trilha sonora ajuda a criar o tom, manter o ritmo e encher o espectador de emoção, complementando o que está na tela. Os indicados são:

007 – Operação Skyfall | Thomas Newman

trilha_newman

O tema original de James Bond criado por John Barry é um dos mais icônicos da História do cinema. Tendo isso em mente, é de se admirar que o compositor Thomas Newman tenha preenchido 007 – Operação Skyfall com ótimos acordes sem precisar fazer uso excessivo do trabalho de Barry, trazendo-o apenas em momentos-chave (observem o final de Granborough Road). Em seu lugar, Newman traça uma trilha elegante e empolgante que traduz musicalmente alguns elementos da trama, desde a atmosfera agitada de Istambul (Grand Bazaar), a presença tecnológica na espionagem (Quartermaster), a sensualidade (Close Shave) e os cantos mais obscuros do passado de 007 (Skyfall). A trilha de Newman funciona em todos os requisitos, e seria muito interessante vê-lo na franquia novamente.

Faixa preferida: Quartermaster

  • BAFTA

Anna Karenina | Dario Marianelli

trilha_marianelli

Além das tradicionais melodias russas (Dance with Me) e também de uma linda canção tradicional (The Girl and the Birch), o compositor Dario Marianelli traz de volta em Anna Karenina alguns elementos que lhe garantiram o Oscar por seu ótimo trabalho na trilha sonora de Desejo & Reparação (também do diretor do Joe Wright): o uso de sons para produzir uma música. Aqui, por exemplo, o barulho de uma locomotiva pelos trilhos vai se transformando em uma série de batidas  que ajudam a preparar o terreno no início da narrativa (Clerks). A música de Marianelli é charmosa e inventiva, e demasiada superior às trilhas que comumente encontramos em longas do gênero.

Faixa Preferida: She is of Heavens

Argo | Alexandre Desplat

trilha_desplat

O trabalho de Alexandre Desplat em Argo funciona muito bem isoladamente, mas em tela não é dos mais notáveis. Primeiro porque o francês usa seus acordes em poucos – mas apropriados – momentos e geralmente opta por instrumentos de cultura árabe (Main Theme) ou batidas rápidas. Sua música é eficiente ao provocar as reações emocionais apropriadas, tanto o ápice do desespero (Breaking Through the Gates) como a emoção do sucesso (Cleared Iranian Airspace). É, sim, um bom trabalho, mas que empalidece diante da excelente trilha sonora incidental escolhida por Ben Affleck, que vai de Van Halen a Led Zeppelin.

Faixa Preferida:

As Aventuras de Pi | Mychael Danna

trilha_danna

Em um filme com poucas locações como é As Aventuras de Pi, a trilha sonora é essencial para estabelecer o tipo de ação que ocorre e o tom desta. Felizmente, Mychael Danna acerta em cheio e oferece um trabalho que apresenta uma fantástica mistura de instrumentos e culturas. Seja na presença francesa (Pondicherry), passando por manifestações do belo (Which Story do you Prefer?), divertido (Flying Fish) ou desesperador (God’s Storm), a música de Danna sempre traz composições criativas e que funcionam tanto isoladamente quanto em cena.

Faixa preferida: Set Your House in Order

  • Globo de Ouro

Lincoln | John Williams

trilha_williams

Olha aí o compositor onipresente! Em sua 48ª indicação (e marcando 40 anos de colaboração com o diretor Steven Spielberg), Williams deixa o espetáculo de lado e procura melodias mais contidas na cinebiografia de Abraham Lincoln. Fazendo uso do piano a fim de criar um tema melancólico para o protagonista (With Malice toward None), o veterano ainda traz algumas faixas com forte presença da gaita (Race to the White House ) que ajudam a traduzir o período em questão. Mesmo que sejam boas composições, é um trabalho muito tímido de Williams (o que é compreensível, devido à abordagem de Spielberg ao longa) e que se encaixa como uma das mais esquecíveis de sua carreira.

Faixa Preferida: The Blue and Grey

FICOU DE FORA: A Viagem | Tom Tykwer, Reinhold Heil & Johnny Klimek

trilha_cloud

Mesmo aqueles que desaprovaram o intrincado A Viagem, devem admitir que o trabalho de Tom Tykwer, Reinhold Heil e Johnny Klimek na composição musical é de primeira linha. Além de criarem temas elegantes que passam pela aventura, drama, comédia e romance, o trio acerta ao mixar de formas variadas o “Sexteto Cloud Atlas”, que ora surge na forma de piano, ora transforma-se em uma grande orquestra. Essa peça musical é um dos pontos-chave do filme, sendo composta por – nas palavaras do personagem de Ben Whishaw – “movimentos em que pessoas diferentes se encontram novamente e novamente em épocas diferentes, vidas diferentes”. Magistral.

Faixa Preferida: All Boundaries are Conventions

APOSTA: As Aventuras de Pi

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Skyfall

MEU VOTO: Skyfall

canção

E eu achando que a categoria seria anulada (após terem sido indicadas apenas duas obras no ano passado), pelo menos temos boas canções este ano, lembrando que as que surgem nos créditos finais não são consideradas pela Academia. Os indicados são:

“Before my time” – Música e Letra por J. Ralph | Chasing Ice

cancao_chasingice

Acho estranho a presença de “Before my Time” entre os indicados, já que a canção desempenhada por Scarlett Johanssom e x acontece durante os créditos do documentário Chasing Ice; o que a Academia considera como inválido para concorrer ao prêmio. Mas enfim, burocracias à parte, a música aqui é bem agradável e adequa-se ao tema proposto pelo longa, especialmente sobre o derretimento de geleiras. Mas sinceramente, Johanssom é uma cantora muito mediana.

Letra:

Cold feet, don’t fail me now

So much left to do

If I should run ten thousand miles home

Would you be there?



Just a taste of things to come

I still smile


But I don’t want to die alone
I don’t want to die alone
Way before my time



Keep calm and carry on
No worse for the wear



I don’t want to die alone
I don’t want to die alone
Way before my time

Is it any wonder
All this empty air
I’m drowning in the laughter
Way before my time has come

“Everybody needs a Best Friend” – Música por Walter Murphy e Letra por Seth McFarlane | Ted

cancao_ted

Com divertidas melodias e um ótimo ritmo, “Everybody needs a Best Friend” é uma canção enértica que ganha força graças à sua boa parte instrumental e a bela voz de Norah Jones. Sua presença em Ted é muito eficiente para marcar a passagem do tempo nas cenas iniciais, ao passo em que o protagonista vai crescendo junto com seu colega de pelúcia. Claro que a canção só entrou aqui porque Seth McFarlane é o apresentador da cerimônia, mas gostei de ela ter sido lembrada.

Letra:
My words are lazy
My thoughts are hazy
But this is one thing I’m sure of
Everybody needs a best friend
I’m happy I’m yours

You got a double
Who brings you trouble
And though you’re better without me
Everybody needs a best friend
I’m happy I’m yours

A fool could see decidedly
That you’re a ten and I’m a three
A royal breed is what you need
So how did you come to be stuck with a bummer like me

Oh you got a head full of someone dreadful
But how that someone adores you
Everybody needs a best friend
I’m happy I’m yours

A fool could see decidedly
That you’re a ten and I’m a three
A royal breed is what you need
So how did you come to be stuck with a bummer like me

Oh you got a head full of someone dreadful
And yet at last that someone adores you
Everybody needs a best friend
I’m happy I’m yours

I’m just a clown
And I’ll bring you down
But you just don’t care
‘Cause your best friend is me

“Pi’s Lullaby” – Música por Mychael Danna e Letra de Bombay Jayashri| As Aventuras de Pi

cancao_pi

Aliada aos eficazes acordes de Mychael Danna para “Pi’s Lullaby” está a linda voz da cantora indiana Bombay Jayashri. Mesmo que traga versos breves, a canção é muito bem usada na cena de abertura do filme – que vai apresentando diversas figuras da flora e fauna do protagonista, ressaltando a beleza dessas criaturas. Gosto do resultado, mas acho que o mérito é mais para Danna do que para a cantoria de Jayashri, me parecendo mais uma composição do que uma canção propriamente dita.

Letra (em indiano):

Kanne
Kanmaniye
Kann urangayo kanne
Mayilo togai mayilo
Kuyilo koovum kuyilo
Nilavo nilavin oliyo
Imayo imayin kanavo
Malaro malarin amudo
Kaniyo kaniyin suvayo

“Skyfall” – Música e Letra por Adele Adkins e Paul Epworth | 007 – Operação Skyfall

cancao_skyfall

As canções-tema dos filmes de 007 já se firmaram como uma das muitas assinaturas da série, e no aniversário de 50 anos da estreia de James Bond nos cinemas, o tema de Operação Skyfall não poderia passar batido. Cantada com a linda voz da britânica Adele, “Skyfall” é uma bela composição que evoca o estilo que predominava na franquia durante seus anos dourados – e nisso, traz uma adorável nostalgia. Além da impecável parte instrumental (que inicia-se com um melancólico piano), a letra escrita pela cantora e Paul Epworth adequa-se perfeitamente ao tom do filme e à temática do fim de um ciclo. Uma das melhores canções da série.

Letra:

This is the end
Hold your breath and count to ten
Feel the earth move and then
Hear my heart burst again

For this is the end
I’ve drowned and dreamt this moment
So overdue I owe them
Swept away, I’m stolen

Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
Face it all together

Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
Face it all together
At skyfall
That skyfall

Skyfall is where we start
A thousand miles and poles apart
Where worlds collide and days are dark
You may have my number, you can take my name
But you’ll never have my heart

Let the sky fall (let the sky fall)
When it crumbles (when it crumbles)
We will stand tall (we will stand tall)
Face it all together

Let the sky fall (let the sky fall)
When it crumbles (when it crumbles)
We will stand tall (we will stand tall)
Face it all together
At skyfall

[x2:]
(Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall)

Where you go I go
What you see I see
I know I’d never be me
Without the security
Of your loving arms
Keeping me from harm
Put your hand in my hand
And we’ll stand

Let the sky fall (let the sky fall)
When it crumbles (when it crumbles)
We will stand tall (we will stand tall)
Face it all together

Let the sky fall (let the sky fall)
When it crumbles (when it crumbles)
We will stand tall (we will stand tall)
Face it all together
At skyfall

Let the sky fall
We will stand tall
At skyfall
Oh

  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

“Suddenly” – Música por Claude-Michel Schönberg e Letra por Herbert Kretzmer e Alain Boublil | Os Miseráveis

cancao_miserables

Todas as canções da badalada versão da Broadway para Os Miseráveis estão no filme de Tom Hooper, mas apenas uma foi criada especialmente para o novo filme. Cantada suavemente por Hugh Jackman, “Suddenly” serve para marcar de forma sentimenal uma mudança na jornada de seu personagem, já que a canção surge logo após este adotar a jovem Cosette e enfim “descobrir o significado do amor”, como este próprio diz posteriormente. Em minha opinião, surge como uma quebra no ritmo agitado que a projeção vinha estabelecendo – fincando aquém de outras canções – mas é importante para ressaltar a vindoura transformação de Jean Valjean.

Letra:

Suddenly I see
Suddenly it starts
When two anxious hearts
Beat as one.
Yesterday I was alone
Today you walk beside me
Something still unclear
Something not yet here
Has begun.
Suddenly the world
Seems a different place
Somehow full of grace
And delight.
How was I to know
That so much love
Was held inside me?
Something fresh and young
Something still unsung
Fills the night.
How was I to know at last
That happiness can come so fast?
Trusting me the way you do
I’m so afraid of failing you
Just a child who cannot know
That danger follows where I go
There are shadows everywhere
And memories I cannot share
Nevermore alone
Nevermore apart
You have warmed my heart
Like the sun.
You have brought the gift of life
And love so long denied me.
Suddenly I see
What I could not see
Something suddenly
Has begun.

FICOU DE FORA: “Who Did that to You?” – John Legend | Django Livre

cancao_django

É muito raro que Quentin Tarantino traga canções originais para seus filmes, e com Django Livre foram nada menos do que 4 músicas do tipo. Todas elas excelentes, mas minha preferida é de longe “Who Did That to You?”, que na empolgada voz de John Legend adiciona uma camada de epicidade à cena em que aparece (no caso, a fuga do protagonista de um grupo australiano) e imediatamente taxa Django como um dos mais icônicos heróis da filmografia de Tarantino. Sem falar que é um deleite de se ouvir.

Letra:

Now I’m not afraid to do the Lord’s work,
You say vengeance is his but Imma do it first.
I’m gonna handle my business in the name of the law.

Now if he made you cry, oh, I gotta know,
If he’s not ready to die, he best prepare for it.
My judgement’s divine, I’ll tell you who you can call,
You can call.

You better call the police, call the coroner,
Call up your priest, have him warn ya.
Won’t be no peace when I find that fool
Who did that to you, yeah,
Who did that to you, my baby,
Who did that to you,
Gotta find that fool who did that to you.

Now I don’t take pleasure in a man’s pain,
But my wrath will come down like the cold rain.
And there won’t be no shelter, no place you can go.

It’s time to put your hands up, time for surrender,
I’m a vigilante, my love’s defender,
You’re a wanted man, here everybody knows.

You better call the police, call the coroner,
Call up your priest, have him warn ya.
Won’t be no peace when I find that fool
Who did that to you, yeah,
Who did that to you, my baby,
Who did that to you,
Gotta find that fool who did that to you.

Now he’ll keep on running, but I’m closing in,
I’ll hunt him down ‘til the bitter end,
If you see me coming near, who you gonna call?

You better call the police, call the coroner,
Call up your priest, have him warn ya.
Won’t be no peace when I find that fool

You better call the doctor, call the lawyer,
I chase ‘em all the way to California,
Get my best trying to find that fool
Who did that to you

APOSTA: Skyfall

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Suddenly

MEU VOTO: Skyfall

E aqui se encerra a terceira parte do especial Oscar 2013. Preparem o papel e a caneta, pois amanhã publicarei a postagem que discute as categorias principais, incluindo melhor filme e diretor. Até lá!

Volume I – Atuações

Volume II – Categorias Técnicas

O Incógnito Oscar 2013 | Volume II: Categorias Técnicas

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 19 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

oscar2

Oscar não é só sobre as estrelas, é também para premiar o esforçado trabalho de dezenas (e até centenas) de pessoas que se dedicam às categorias técnicas de um filme. E elas são muito mais interessantes de analisar, vamos à parte 2 do especial:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria

fotografia

Ajudando a transformar a visão do diretor em realidade, o diretor de fotografia possui um dos mais importantes cargos, analisando luzes, cores, sombras, mise en scène, entre muitos outros… Os indicados são:

007 – Operação Skyfall | Roger Deakins

fot_skyfall

O vigésimo terceiro filme de James Bond pode não ser o melhor da franquia, mas inubitavelmente é o mais bonito. Com o veterano Roger Deakins no comando da fotografia, Operação Skyfall é recheado de cenas visualmente deslumbrantes. A paleta de cores alterna de locação a outra (mais quente em Istambul e Macau, fria e cinzenta em Londres e no clímax na Escócia) e Deakins utiliza-se muito bem das sombras e luzes durante toda a projeção. Mas o maior feito da área é realmente nas cenas em Xangai, em especial a luta que ocorre em meio à agua-viva holográfica de um outdoor, que produz um tom azulado espetacular. Um trabalho meticuloso de um especialista no assunto, e que – por sinal – ainda carece de uma estatueta na estante…

  • American Society of Cinematographers

Anna Karenina | Seamus McGarvey

fot_annakarenina

Graças às sempre adoráveis distribuidoras nacionais, Anna Karenina só estreia por aqui em 15 de Março (e como não trocamos o valor insubstituível de uma confortável sala de cinema, não nos renderemos ao download ilegal, certo?), então não será possível fazer uma análise muito profunda sobre sua direção de fotografia. Já tendo sido indicado por sua colaboração anterior com Joe Wright (Desejo & Reparação, em 2008), Seamus McGarvey promove a essa nova visão do clássico de Leo Tolstói uma bela combinação de sombras e cores contrastantes, gerando uma textura muito elegante. Agora, não tendo visto o filme, não posso ir além de dizer que é um trabalho muito bonito.

As Aventuras de Pi | Claudio Miranda

fot_lifeofpi

Assim como Mauro Fiore em Avatar, Claudio Miranda conseguiu estabelecer belíssimas imagens, mesmo que a maioria destas tenham sido criadas em um computador. É de se ficar besta com as paisagens que parecem terem saídos de uma pintura, especialmente nas cenas em que Pi está no bote em alto-mar e o céu e o oceano fundem-se em um só, graças ao reflexos das limpíssimas águas. Não só visualmente maravilhoso, também ilustra a dualidade que As Aventuras de Pi carrega na questão de realidade e ficção, a opção de se ter duas histórias. Outro destaque é o uso de 3D, que Miranda e Ang Lee usam bem e trazem um recurso até então inédito: a manipulação da proporção da tela, em função deste – reparem que a tela “transforma-se” em widescreen durante o ataque dos peixes voadores, como forma de salientar o movimento e quantidade. Lindo trabalho.

  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Django Livre | Robert Richardson

fot_djangounchained

A Academia adora Robert Richardson e também adora um bom faroeste. O cinematógrafo vencedor da categoria no ano passado (e indicado por sua colaboração anterior com Tarantino, em Bastardos Inglórios0 confere à Django Livre lindas tomadas externas que revelam os campos, lagos e montanhas do sul dos EUA; paisagens típicas de um faroeste, digamos. Já sua iluminação em interiores é dotada de um tom predominantemente quente e pasteurizado, especialmente na residência de Calvin Candie (cuja decoração à velas justifica a a escolha de tais cores). Também gosto do uso de luzes fortes jogadas nas costas dos personagens, característica que tem se mostrado muito presente em suas colaborações com Tarantino. Mais um excelente trabalho de Richardson.

Lincoln | Janusz Kaminski

fot_lincoln

É impressionante se compararmos o trabalho de fotografia de Janusz Kaminski aqui em Lincoln como o de sua indicação anterior, Cavalo de Guerra. Mostra como o onipresente colaborador de Steven Spielberg sabe alternar as cores de acordo com a temática da narrativa: se o drama de Primeira Guerra trazia planos coloridos e vivos, ele garante um visual sombrio para a cinebiografia de Abraham Lincoln. Adotando uma lógica visual que consiste em interiores escuros com grandes feixes de luz entrando pelas janelas (algo que remete ligeiramente ao trabalho de Barry Lyndon), Kaminski utiliza desta durante toda a projeção, o que representa como o protagonista está sempre mergulhado nas trevas – e quando este alcança a vitória, o personagem enfim atravessa as cortinas e é engolido pela luminosidade externa, em um ato simbólico muito inteligente.

APOSTA: As Aventuras de Pi

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Skyfall

MEU VOTO: Skyfall

FICOU DE FORA: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Wally Pfister

fot_TDKR

O fiel colaborador de Christopher Nolan já foi indicado ao Oscar por 4 de seus 7 trabalhos com o diretor. Na conclusão da trilogia do Homem-Morcego, ele mantém a eficaz manipulação das luzes e sombras, ajudando a criar uma aura dark e fria ao longo da projeção – ainda que este seja o filme de Batman com mais cenas diurnas da trilogia. Além do ótimo trabalho visual, Wally Pfister ainda trabalhou com as câmeras IMAX, que representam mais da metade das cenas do filme, alcançando um resultado grandioso.

direçaodearte

Para povoar a história de personagens e situações, cenários – sejam digitais ou construídos – são essenciais, assim como a equipe que os desenha/projeta antes de lhes dar vida. Os indicados são:

Anna Karenina | Sarah Greenwood & Katie Spencer

set_ak

Novamente, não assisti a Anna Karenina, mas sua ambientação de época já seria o suficiente para abocanhar uma indicação nesta categoria. Abraangendo o período do czarismo russo do século XIX, o desenho de produção é eficaz e faz jus à grandiosidade faraônica do período. No entanto, o que me chamou a atenção sobre esta nova versão é o fato desta ser executada de forma teatral; dessa forma, os cenários vão alternando como se fossem apenas um, localizado em um imenso palco com direito a cortinas. Muito interessante.

  • ADG – Filme de Época
  • Critics Choice Awards

As Aventuras de Pi | David Gropman & Anna Pinnock

art_pi

As lindas imagens que a fotografia de Claudio Miranda ilustra com magistral beleza começaram aqui, com os desenhos e planejamentos do departamento de arte. Não só é fiel às descrições do livro – que trazem a ideia de um oceano tão limpo e reluzente, que se crie a ilusão de que este “funde-se” ao céu, graças ao reflexo – mas também é competente ao criar belas imagens a partir de um cenário limitado. Claro que há diversas cenas com locação na Índia e cenários de interiores, mas nenhuma que se equipare ao “mar de nuvens”.

  • ADG – Filme de Fantasia

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | Dan Hennah, Ra VincentSimon Bright

art_hobbit

Mesmo quem não é fã da saga de Peter Jackson sobre a Terra Média (eu), deve admitir que o trabalho de direção de arte nos filmes é espetacular (sim, eu admito). Trazendo de volta ambientes já conhecidos da trilogia Senhor dos Anéis (como a compacta, porém aconchegante, toca de Bilbo Bolseiro e as fantásticas torres de Valterra) e também nos apresentando a algumas novidades – ainda que sejam familiares, como a origem dos trolls petrificados – o trabalho do desenho de produção é fabuloso. Acho particularmente fascinante a sombria caverna que serve de palco às “charadas no escuro”, que não só é eficiente visualmente, mas também contribui imensamente para o tom da cena.

Lincoln | Rick Carter & Jim Erickson

art_lincoln

Ao contrário de seu longa anterior, Steven Spielberg não se concentrou nos campos de batalha do período que resolveu abordar. Assim, os congressos e aposentos americanos de Lincoln se sobressaem às trincheiras e plantações rurais que Rick Carter havia criado para Cavalo de Guerra. Uma produção imensa e que recria  cuidadosamente ambientes históricos, em especial a Casa Branca que é sempre marcada pelas sombras e inúmeras pilhas de livros e documentos, salientando a “bagunça” daquele lugar. De forma similar, o Congresso nem se preocupa em separar oponentes, dando lugar à constantes intrigas por mantê-los tão próximos um do outro. E até onde percebi, a maioria dos cenários não é digital.

Os Miseráveis | Eve Stewart & Anna Lynch-Robinson

art_lesmiz

Mesmo que utilize de greenscreens artificiais que comprometem o trabalho dos outros departamentos (o de atuação, principalmente) em alguns momentos, o design de produção de Os Miseráveis é competente ao recriar a Paris do período da Revolução Francesa , no século XVIII. E como o título já indica, o longa explora as classes mais baixas, desde os bares sujos e bagunçados (como a propriedade dos vigaristas Thénardier) até a passarela das prostitutas (cuja estrutura é de clara influência teatral). Os grandes parlamentos e igrejas também são bem utilizados e contrastam com os ambientes descritos anteriormente – e o fato de a maioria destes serem reais e de imensa escala é ainda melhor para a imersão na história.

  • BAFTA

APOSTA: Anna Karenina

QUEM PODE VIRAR O JOGO: As Aventuras de Pi

MEU VOTO: Os Miseráveis

FICOU DE FORA: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Nathan Crowley, Kevin Kavanaugh e Paki Smith

art_tdkr

A conclusão da trilogia do Batman de Christopher Nolan foi completamente esquecida pela Academia, que não lembrou do filme em nenhuma categoria. Uma ação injusta já que – mesmo não sendo um longa impecável como o antecessor – Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é impecável em sua área técnica, especialmente em seu grandioso design de produção. Eficiente ao retratar as ruas de Gotham devastadas e os esconderijos subterrâneos do herói e do antagonista Bane, ainda há a prisão localizada dentro de um poço enorme; não só uma construção (real) impressionante, mas também uma metáfora brilhante para a jornada de Bruce Wayne.

montagem

Se há um departamento que é essencial – e também um dos meus preferidos – é a montagem. É preciso habilidade para montar o filme, lhe fornecer o ritmo e tom apropriado e, claro, eliminar cenas desnecessárias. Os indicados são:

Argo | William Goldenberg

mont_argo

Muitos críticos disseram que Argo parece dois filmes diferentes graças à sua mistura de tensão e humor. Tendo como dois focos narrativos principais um grupo de reféns escondidos no Irã e a equipe da CIA de Tony Mendez, a montagem de William Goldenberg é eficiente ao equilibrar em doses apropriadas esses dois “gêneros” distintos. Se em uma hora o espectador se diverte com o humor irreverente das cenas em Hollywood, Goldenberg logo nos lembra das vidas humanas que estão em risco do outro lado do mundo. Além dessa boa divisão, a montagem também merece créditos pela urgência na cena do aeroporto e pelo uso de imagens reais ao longo da narrativa.

  • ACE Eddie Awards
  • BAFTA

As Aventuras de Pi | Tim Squyres

mont_pi

Centrado em um único personagem que encontra-se preso em um ambiente limitado durante quase toda a projeção, a montagem de Tim Sqyres para As Aventuras de Pi é eficiente ao acelerar a longa passagem dos dias em uma série de transições, optando por fades ou por um tipo mais dinâmico (como na imagem acima, em que amão de Pi fica em 1º plano ao passo em que as cenas vão passando). Tal recurso também é usado para marcar as passagens entre a história que é contada e aquele que a conta, no caso o envelhecido Pi. O equilíbrio entre essas narrativas contribue para que a experiência não torne-se cansativa.

A Hora Mais Escura | William Goldenberg & Dylan Tichenor

mont_0d30

Com uma dupla indicação na categoria deste ano, William Goldenberg se alia a Dylan Tichenor para colar e organizar todos os intrincados eventos que compõem a caçada por Osama Bin Laden em A Hora Mais Escura. Adotando uma estrutura composta por segmentos (recurso que me remeteu à divisão de Cães de Aluguel, entre outros), a dupla compressa acontecimentos que se passam em um intervalo de 8 anos em uma duração de quase 3 horas. E mesmo que o primeiro ato do filme seja cansativo em circunstância da absurda quantidade de nomes e datas, Goldenberg e Tichenor organizam bem as informações e provocam tensão nas horas certas graças a seus cortes rápidos – mas que nunca chegam ao ponto de tornar a ação incompreensível.

O Lado Bom da Vida | Jay Cassidy & Crispin Struthers

mont_silvr

Ao ver a lista dos indicados desta categoria, minha maior surpresa (seguida imediatamente de uma sensação de “WTF”) foi encontrar O Lado Bom da Vida. E só quando assisti ao filme percebi que o trabalho de Jay Cassidy e Crispin Struthers é realmente digno do prêmio, e também um dos principais motivos pelo longa de David O. Russell funcionar tão bem. Tendo que lidar com doses de comédia e drama (meio como faz Argo), a dupla oferece velocidade às cenas de passagem de tempo e ajuda a tornar as cenas de dança – principalmente a do clímax – mais empolgantes, isso sem exagerar no excesso de cortes de rápidos. Durante toda a projeção, o filme tem um ótimo ritmo e que se mantém eficiente até o segundo final.

  • ACE Eddie Awards – Musical/Comédia

Lincoln | Michael Kahn

mont_lincoln

Mais um grande colaborador de Steven Spielberg, Michael Kahn é o responsável por juntar com competência todos os inúmeros diálogos e debates políticos em Lincoln. Com cortes “básicos” na maior parte do filme (sendo interessante como este utiliza pouquíssimos na introdução do protagonista, deixando a tomada progredir livremente), o trabalho de Khan se sobressai ao interligar eventos em diferentes tempos, como a sequência que traz as tentativas dos eleitores de conseguir – através de múltiplas fontes – votos para a 13ª Emenda. O demérito é quando Kahn aposta em algumas transições pavorosas (irônico, após ter garantido duas brilhantes em Cavalo de Guerra e As Aventuras de Tintim), especialmente aquela que traz a imagem de Lincoln aparecendo na chama de uma vela.

FICOU DE FORA: A Viagem | Alexander Berner

(as imagens abaixo não se referem a um momento específico do longa, apenas para ilustrar as 6 narrativas que este abraange)

mont_cloudatlas

O que realmente me impressiona na montagem perfeita de A Viagem, não é apenas o fato de o longa manter-se eficaz em seu ritmo e equilibrar com eficiência suas 6 (isso mesmo, 6) narrativas que ocorrem em diferentes períodos da História. O que realmente impressiona é que Alexander Berner conseguiu sozinho administrá-las com perfeição, fazendo uso de transições espertas (especialmente aquelas que respeitam a lógica visual das diferentes ambientações) e cortes com intensidade apropriada ao momento específico. Como deixar um trabalho desses de fora?

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Hora Mais Escura

MEU VOTO: Argo

figurino

A menos que seja um filme pornográfico, os atores precisam de roupas; que variam de época, tamanho e estilo, adequando-se à sua narrativa e ao personagem. Os indicados são:

Anna Karenina | Jacqueline Durran

figurino_karenina

Disparado como favorito da categoria, Jacqueline Durran veste as personagens em mais uma versão da clássica obra russa. Ambientando-se no período czarista, o trabalho da figurinista segue os padrões daquela época, porém – considerando o apelo mais “moderno” do diretor Joe Wright -, notam-se características mais contemporâneas (Durran disse ter se inspirado em modelos dos anos 50, por exemplo). A vaidade da personagem-título é bem representada por seus apurados vestidos e jóias; a maioria destes adotando um padrão de cores frio e com acessórios que suportem as baixas temperaturas da Rússia. Novamente, não vi o filme mas parece digno da vitória.

  • Costume Designers Guild – Filme de Época
  • BAFTA

Branca de Neve e o Caçador | Colleen Atwood

figurino_snowhite

A releitura dark/gótica para as clássicas personagens do conto dos irmãos Grimm (ou da animação da Disney, como preferir) é certamente uma das poucas qualidades de Branca de Neve o Caçador. Trazendo grande influência de seu trabalho com os últimos filmes de Tim Burton, Colleen Atwood acerta ao adicionar novas características aos personagens (como o traje do Caçador, que traz inúmeras machadinhas) e pelos espetaculares vestidos da Rainha Rowena, especialmente aquele que é formado por diversos corvos. Meu preferido dentre os indicados.

Espelho, Espelho Meu | Eiko Ishioka

figurino_mirrormirror

E a Academia entrou na febre da Branca de Neve, mas se o longa de Rupert Sanders apostava num visual mais sujo e que remetesse mais à obra dos Grimm, Espelho, Espelho Meu abraçou desvergonhadamente as cores e elementos alegres da versão Disney. Não assisti ao filme (e não pretendo, sinceramente), mas pela pesquisa de imagens que fiz, o maior acerto fica novamente com a antagonista da história, sempre trajando vestidos repletos de detalhes.

Lincoln | Joanna Johnston

figurino_lincoln

Em um vasto trabalho de pesquisa a bibliotecas e arquivos históricos, Joanna Johnston recriou com fidelidade os ternos e vestidos trajados por todos os políticos e familiares no período de Lincoln. Ambientado no final dos anos 1800, a figurinista acerta ao trazer quase todas as vestimentas em tons escuros e discretos, ao passo em que a Mary Todd Lincoln sempre aparece com cores radiantes e vestidos chamativos (o que traduz visualmente alguns aspectos de sua personalidade explosiva). Fora dos tribunais, Johnston também borda alguns dos uniformes utilizados em combate na Guerra Civil, separando os lados inimigos ao simplesmente trajá-los com cores diferentes.

Os Miseráveis | Paco Delgado

figurino_lesmis

Mais uma produção de época (compreendam, a Academia adora lembrar longas do tipo nessa categoria), Paco Delgado dá sua versão para as vestimentas do período da Revolução Francesa. Na saga musical de Victor Hugo, é importante notar como o figurino é essencial na representação da classe social das personagens, e como este vai se transformando à medida em que alguns ascendem (como Jean Valjean, que de condenado miserável sobe para nobre rico e elegante) e outros decaem (como a delicada Fantine, cujo rosa sensível é logo substituído por um vermelho berrante quando esta volta-se à prostituição). É de se admirar também o trabalho com as centenas de figurantes, a maioria deles trajando peças da baixa classe da sociedade.

FICOU DE FORA: Django Livre

figurino_django

Da mesma forma que teve seu trabalho inexplicavelmente esnobado em Bastardos Inglórios, a segunda investida histórica de Quentin Tarantino foi esquecida. Acertando ao retratar a superioridade financeira de personagens como King Schultz e Calvin Candie (que trajam elegantes ternos e casacos), a figurinista xx ainda traz vestimentas típicas de faroeste (como a usada por Django na imagem acima) e também pelas “brincadeiras”, como a roupa inspirada na pintura The Blue Boy que o protagonista escolhe usar no início do filme.

APOSTA: Anna Karenina

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Branca de Neve e o Caçador

maquiagem

A arte de enfeitar e disfarçar um artista, resultando em uma transformação do personagem, seja para envelhece-lo ou transformá-lo em um monstro. Os indicados são:

Hitchcock | Howard Berger, Peter Montagna & Martin Samuel

makeup_hitchcock

Anthony Hopkins está muito parecido com Alfred Hitchcock (até as mesmas iniciais eles compartilham!). É realmente incrível o trabalho da equipe em transformar o ator no Mestre do Suspense (um muito superior a aquele do telefilme A Garota, com Toby Jones), especialmente se o olharmos de perfil. Como Hitchcock ainda não estreiou no Brasil, fica difícil saber como as próteses faciais são utilizadas e se elas favorecem o trabalho de Hopkins. Mas visualmente falando, está impecável.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | Peter King, Rick Findlater & Tami Lane

maquiagem_hobbit

Assim como o design de produção e os efeitos visuais (que veremos logo a seguir) de O Hobbit ajudam a criar a monstros fantásticos, a maquiagem desempenha um papel tão importante quanto para alcançar esse feito. Isso porque o trabalho na composição visual de hobbits, anões e outras criaturas cujo nome me escapam à memória é quase todo real, sem computação gráfica. O destaque de Uma Jornada Inesperada fica mesmo com os 13 anões do filme, figuras que – mesmo aparentemente idênticas à distância – trazem diferentes detalhes em seus acessórios, barbas e penteados.

Os Miseráveis | Lisa Westcott & Julie Dartnell

makeup_miserables

No trabalho de maquiagem de Os Miseráveis, o truque não foi criar monstros ou recriar diretores famosos, mas sim deixar pessoas elegantes como Hugh Jackman e Anne Hathaway em um estado decadente. A começar pelo ator, que já surge em cena com os cabelos raspados de forma brusca, com uma longa barba e até dentes podres (imagem acima). E enquanto seu Jean Valjean cresce socialmente, a Fantine de Hathaway vai pelo caminho oposto e acaba com os cabelos arrancados e com os dentes quebrados, destruindo a beleza da atriz. São boas transformações, mas é o longa menos impressionante entre os indicados.

  • BAFTA

FICOU DE FORA: A Viagem

makeup_cloudatlas

Quando vi pela primeira vez o elenco de A Viagem disfarçado para encarnar diversos personagens no grandioso projeto dos irmãos Wachowksi e Tom Tykwer, já apostei em sua vitória no Oscar. Imaginem minha decepção (e a de muitos outros, certamente) ao não encontrar o trabalho de maquiagem do filme entre os indicados deste ano… Homens viram mulheres, negros viram caucasianos, ocidentais viram orientais e todo o resultado é impressionante, servindo com impecável propósito à narrativa. Vai entender a ausência…

APOSTA: O Hobbit

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Os Miseráveis

MEU VOTO: Hitchcock

efeitosvisuais

Dando vida ao que não existe, a equipe de efeitos visuais trabalha para criar personagens e ambientes digitais, buscando o realismo perfeito. Os indicados são:

As Aventuras de Pi

VFX_LOP

Muito bem, vou ser honesto: não acho os efeitos visuais de As Aventuras de Pi perfeitos. As cenas em que a água do mar apresenta uma fosforescência durante a noite (especialmente no salto da baleia) soaram berrantemente artificiais para mim. Mas dane-se. O filme merece o prêmio aqui pelo trabalho espetacular na criação do tigre Richard Parker, uma das criaturas digitais mais realistas e expressivas que já vi na vida. Os movimentos, transformações físicas (o animal emagrece ao longo da trama) e interação com o ator Suraj Sharma são perfeitas, e seria muito fácil confundir o trabalho da Rhythm & Hues (empresa que faliu recentemente) com um tigre real, já que este é absolutamente foto-realista. O greenscreen também é muito eficiente e jamais soa falso.

  • 3 Vitórias no Visual Effects Society
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Branca de Neve e o Caçador

SNOW

Assim como a direção de arte e o figurino têm forte influência de Alice no País das Maravilhas de Tim Burton, o trabalho de efeitos visuais de Branca de Neve o Caçador também bebe da mesma fonte. Grande parte do trabalho digital aqui visa preencher o vazio do greenscreen e transformá-lo em cenários fantásticos que ainda trazem diversas criaturas igualmente computadorizadas. Ao passo que o filme de Burton aumentava a cabeça de Helena Bonham Carter, a equipe dese novo filme faz um eficiente trabalho de substituição de cabeças para a criação dos anões, e “diminui” atores  como Ian McShane e Nick Frost.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

VFX_Hobbit

Em todas as suas viagens à Terra Média, Peter Jackson levou de brinde um Oscar nesta categoria para sua equipe da Weta. 10 anos após o fim da trilogia Senhor dos Anéis, O Hobbit traz novas tecnologias de efeitos especiais (como a câmera que diminui o tamanho dos atores a fim e transformá-los em anões, permitindo também que interagissem com outros em tamanho normal, separadamente ou não) e aprimorou diversas, como a captura de performance que o sempre talentoso Andy Serkis sempre faz bom uso; retornando aqui com o icônico Gollum. Os efeitos da Weta acertam na criação de criaturas e cenários digitais e não fosse a vitória quase certa de As Aventuras de Pi aqui, garantiria mais um trófeu para a saga de J.R.R. Tolkien.

  • Visual Effects Society – Fotografia Virtual

Prometheus

vfx_prometheus

33 anos após seu Alien – O Oitavo Passageiro vencer nesta categoria, Ridley Scott retorna à cerimônia com O “meio-que-prelúdio” do filme que o catapultou à fama, trazendo mais um elegante trabalho com efeitos visuais. A maior parte dos efeitos de Prometheus surgem aqui como o tipo que não se manifesta de forma primária, surgindo mais como greenscreen (que serve de criação para todo o planeta LV-223 e os hologramas das diferentes espaçonaves do longa) e também para realçar objetos reais. Exemplo, a desintegração do Engenheiro na cena inicial, onde a equipe recriou o ator digitalmente apenas para acertar a trajetória do líquido preto que corrói seu corpo. Os efeitos do filme são, realmente, muito eficazes.

Os Vingadores – The Avengers

VFX_AV

Finalmente acertaram no visual do Hulk no cinema. Após dois trabalhos que traziam efeitos visuais medíocres, enfim o Gigante Esmeralda ganha um trabalho digital decente (e que preserva com eficiência as feições de seu intérprete) em Os Vingadores. Só esse feito já seria o suficiente para indicar o longa, mas a Industrial Light & Magic também capricha com a grandiosidade de suas batalhas (que trazem diversos ambientes e personagens digitais) e na manifestação dos poderes dos heróis.

  • Visual Effects Society – Miniatura

APOSTA: As Aventuras de Pi

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Hobbit

MEU VOTO: As Aventuras de Pi

FICOU DE FORA: Ted

efeito_ted

Criado a partir de captura de performance (cujo dublê foi o próprio Seth McFarlane, diretor, roteirista e dublador do filme), o ursinho boca-suja de Ted traz um eficiente trabalho com efeitos visuais, e se estes não fossem perfeitos, o longa não funcionaria. E, de fato, a criatura surje bem carismática e realista, tendo ótima interação com o ambiente e elenco.

Fizeram as apostas? Gostaram? Comentem! Amanhã tem mais análise dos indicados com o volume dedicado às categorias de Sons e Músicas. Até lá!

Especial Oscar 2013 Completo

Os indicados ao COSTUME DESIGNERS GUILD AWARDS 2013

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de janeiro de 2013 by Lucas Nascimento

snow

Quem aí gosta de moda? O sindicato dos Figurinistas divulgou hoje seus indicados para 2013, confira:

FIGURINO EM FILME DE ÉPOCA

Anna Karenina

Argo

Lincoln

Os Miseráveis

Moonrise Kingdom

FIGURINO EM FILME DE FANTASIA

Branca de Neve e o Caçador

Espelho, Espelho Meu

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Jogos Vorazes

A Viagem

FIGURINO EM FILME CONTEMPORÂNEO

007 – Operação Skyfall

O Exótico Hotel Marigold

A Hora Mais Escura

Indomável Sonhadora

O Lado Bom da Vida

Os vencedores serão anunciados em 19 de Fevereiro.

| A Viagem | Tom Tykwer e os Wachowski navegam pelas nuvens

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2013, Drama, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , on 12 de janeiro de 2013 by Lucas Nascimento

4.0


Jim Sturgess e Tom Hanks no primeiro segmento do filme

Quando as pessoas me perguntam sobre o que é A Viagem, eu me contenho em dizer simplesmente: “um filme que se passa em seis épocas diferentes”. Convenhamos, a curta sentença desperta grande interesse pelo longa e quando eu próprio descobri sobre o projeto, me perguntei como seria possível fazer uma obra de tal maneira. O que vemos na colaboração entre os irmãos Wachowski e Tom Tykwer é um filme diferente de tudo o que já vimos.

Partindo do intrincado livro de David Mitchell, Cloud Atlas é difícil de se sumarizar (afinal, são seis narrativas), mas vai aí um breve resumo, em ordem cronólogica dos eventos: um advogado navega pelo Pacífico no século XVII enquanto trata de uma doença; um jovem músico ajuda um compositor aposentado a escrever uma música revolucionária nos anos 30; uma jornalista investiga uma misteriosa usina nuclear nos anos 70; um idoso é enganado e preso em uma casa de repouso autoritária, planejando assim uma fuga nos dias atuais; um futuro distante mostra uma sociedade distópica; por fim, uma sociedade tribal pós-apocalíptica tenta sobreviver ao passo em que ajudam uma estrangeira a enviar uma mensagem de socorro.

Analisando assim, pode-se dizer que o filme tem de tudo. Abrange diversos gêneros distintos em uma projeção que enconsta nas 3 horas. Mas o que realmente surpreende não é a ousadia dos cineastas, mas sim como essas narrativas foram combinadas e como tantos elementos opostos conseguem fazer sentido. Não é uma relação óbvia, ainda que seja possível entender os pontos em comum entre as seis histórias com um pouco de atenção, e é nesse quesito que a direção do trio faz a diferença.


Doona Bae é Sonmi 451 no segmento de ficção científica

Os Wachowski e Tykwer conseguem traçar muitos paralelos visuais nas diferentes narrativas, o que torna possível uma identificação entre elas. Em determinado momento, é realmente emocionante ver o personagem de Jim Sturgess lutando para salvar duas vidas diferentes ao mesmo tempo e em épocas distintas (em situações igualmente distintas, uma cena em um navio mercantil e outra numa ponte futurista), e aí fica evidente qual é seu papel definitivo em todas as suas “6 vidas”. De maneira similar, todos os personagens que Hugo Weaving interpreta são malignos ou, no mínimo, desprezíveis; com destaque para sua monstruosa caracterização como um demônio que atormenta uma das vidas de Tom Hanks. E o ator talvez seja a grande alma da narrativa, já que seu personagem é um dos únicos que parece realmente evoluir. Não entrarei em detalhes muito profundos, mas basta dizer que Hanks começa de uma forma e chega ao final completamente diferente – aliás, todo o elenco passa por transformações físicas notáveis, graças a um magistral trabalho de maquiagem.

Sobre os valores de produção, não há do que reclamar. As filmagens aconteceram de forma separada (com Tykwer dirigindo o segundo, terceiro e quarto segmento e os Wachowski comandando o primeiro e os dois últimos) e, ainda que cada diretor ofereça seu próprio estilo, acertam em manter a mesma lógica visual. Experientes após a trilogia Matrix, Lana e Andy entendem mais de efeitos visuais do que o cineasta alemão – que hora ou outra, utiliza de green screens perceptíveis demais – mas este consegue “homenagear” seu excelente Corra, Lola, Corra em uma breve sequência de perseguição. E é claro, não esqueçamos do trabalho de Tykwer, Reinhold Heil e Johnny Klimek na espetacular trilha sonora; outro elemento fundamental para a conexão entre as seis tramas.

É difícil descrever Cloud Atlas. É uma experiência incrível que merece ser vivenciada nas telas de cinema e, ainda que imperfeita (eu particularmente não gosto do segmento final) é para se emocionar e discutir todos os seus significados. Um trabalho visionário, sem dúvidas.

Obs: Fiquem durante os créditos para conferir o excpecional trabalho de maquiagem.

Obs II: A VIAGEM? Que tradução escrota para o lindo CLOUD ATLAS.

Indicados ao ART DIRECTORS GUILD 2013

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 3 de janeiro de 2013 by Lucas Nascimento

skyfall_22

Agora o Sindicato dos Diretores de Arte de Hollywood divulgou seus indicados para 2013. Adoro esta categoria (que define os cenários dos filmes), confiram:

FILME DE ÉPOCA

Anna Karenina

Argo

Django Livre

Lincoln

Os Miseráveis

FILME DE FANTASIA

As Aventuras de Pi

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Prometheus

A Viagem

FILME CONTEMPORÂNEO

007 – Operação Skyfall

O Exótico Hotel Marigold

A Hora Mais Escura

O Impossível

O Voo

Os vencedores serão anunciados em 2 de Fevereiro.