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| Bem-vindo aos 40 | Judd Apatow e a idade da loba

Posted in Comédia, Críticas de 2013, DVD with tags , , , , , , , , , , , on 11 de julho de 2013 by Lucas Nascimento

4.0

ThisIs40
Iris Apatow, Maude Apatow, Paul Rudd e Leslie Mann elegantes para a foto

Os filmes de Judd Apatow possuem a incrível capacidade de capturar com eficiência o “feeling” do período em que se situa. Autor de O Virgem de 40 Anos, Ligeiramente Grávidos e Tá Rindo do Quê?, Apatow tem uma afiada habilidade de utilizar referências pop como causa de humor (característica que ninguém domina como ele) em uma situação delicada. Depois da perda da virgindade, gravidez acidental e a quase-morte, Bem-vindo aos 40 traz – como o próprio título sugere – personagens encarando uma crise com a chegada da “idade da loba”.

Servindo como derivado de Ligeiramente Grávidos, a trama se concentra no casal Pete (Paul Rudd) e Debbie (Leslie Mann), que resolvem acertar diversos pontos em sua vida para tornar o novo estágio um período agradável. Enquanto os problemas passam por comida, menopausa e inevitáveis conflitos sobre a durabilidade da relação, o casal ainda precisa prestar atenção em suas filhas (Iris e Maude Apatow, filhas do diretor com Mann).

Os filmes de Apatow são longos para comédias. Com a projeção encostando em 2h20 (a média em um longa do gênero é de 90 minutos), Bem-vindo aos 40 consegue abordar vasto material e fornecer um excelente trabalho de desenvolvimento de personagens; algo que nunca foi uma dificuldade para o diretor/roteirista. O tema do novo filme não rende uma abordagem tão madura quanto a do comediante George em Tá Rindo do Quê?, mas consegue encaixar suas piadas com eficiência ao período atual: Pete e Debbie, por exemplo, têm uma filha adolescente que não larga os aparelhos da Apple (“Você está proibida de usar o Iphone, Ipad, Ipod, Itouch…”) e discute com os pais para poder assistir ao último episódio de Lost no Netflix. Esse tipo de piada faz com que o longa permaneça sempre atual e permita uma identificação com o público, afinal, a figura de jovens dominados pelas redes sociais não é estranha para ninguém.

Mas o humor também é uma eficaz ferramenta para trabalhar o drama de seus personagens. Seja pelos ausentes pais do casal (o dela, um bem-sucedido cirurgião vivido por John Lithgow, o dele, o pobretão pai de trigêmeos vivido por Albert Brooks) ou os constantes desentendimentos, Rudd e Mann sempre soam convincentes graças à ótima química em cena e a diálogos cinceros que trazem verdadeiras pérolas com a cena em que os dois discutem maneiras de matar um ao outro (“Já viu Fargo? Então, daquele jeito). O problema é que Apatow adora gastar um bom tempo de tela com suas filhas, e se antes era “bonitinho” ver suas pequenas participações, agora torna-se algo prejudicial à fita – já que a mais velha (Maude Apatow) carece de carisma.

Bem-vindo aos 40 possui todas as características de um filme de Judd Apatow: é engraçado de forma vulgar, surpreendentemente sensível em seus pontos mais dramáticos e um pouco comprido demais. De qualquer forma, o filme é mais uma ótima adição ao currículo desse competente realizador.

Obs: Sendo um derivado de Ligeiramente Grávidos, fico muito decepcionado com a ausência de uma cameo de Seth Rogen ou Katherine Heigl.

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| Drive | Um anti-herói para se nunca esquecer

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , on 10 de março de 2012 by Lucas Nascimento


O Motorista ou o Piloto? Ou simplesmente, Driver?

Não sabemos muito sobre o personagem de Ryan Gosling em Drive. Ele é silencioso, habilidoso com carros, simpático com seus vizinhos e também incrivelmente violento. Ele não participa de roubos ou assaltos, ele dirige. Sua função é tão fundamental, que nem o nome do Motorista nós descobrimos, mas o diretor Nicolas Winding Refn consegue manter o filme interessante todo o tempo, graças à sua inspirada direção.

A trama é sobre o Motorista misterioso comentado acima. Ele trabalha como dublê de filmes de ação em Hollywood, enquanto à noite ele age como piloto de fuga para roubos criminosos e atividades do gênero. Tudo muda quando ele se envolve com sua vizinha Irene (Carey Mulligan), e o marido da mesma, que o coloca dentro de um golpe envolvendo dois perigosíssimos criminosos.

Não há nada de novo ou revolucionário quanto ao roteiro de Drive, assinado por Hossein Amini (que adapta o livro de mesmo nome, de James Sallis), que segue uma estrutura básica e formulaica. Temos bons personagens e diálogos eficientes, mas o que realmente se destaca é a brilhante execução fornecida pelo diretor dinamarquês – merecidamente premiado em Cannes por seu trabalho, e injustamente esnobado pelo Oscar deste ano. Refn adota o Motorista como alma e centro do filme, e mesmo quando embarcamos em uma cena de perseguição, a câmera predomina no interior do veículo do protagonista – cujos olhos sempre são perceptíveis pelo retrovisor, numa esperta homenagem à Taxi Driver.

O estilo de Refn prepondera durante grande parte da projeção – o cineasta acerta ao não exagerar nos maneirismos, como fez Zack Snyder em seu Sucker Punch – Mundo Surreal – e rende momentos que já podem se considerar marcantes. A primeira cena já é um exemplo de inteligência e agilidade, onde conhecemos o protagonista, entendemos seu trabalho e a técnica com que realiza suas escapadas noturnas; e mal ouvimos uma palavra, já que a boa trilha de Cliff Martinez estabelece bem o clima, a passo que a trilha sonora instrumental oitentista (a indústria anda nostálgica, não?) fortalece e entretém determinadas cenas (como o uso da canção “Oh my love”, de Riz Ortolani, em uma situação-chave). E o que dizer daquela cena monstra do elevador? Linda, tensa, romântica e assustadoramente violenta. Ah sim, Drive não perdoa em seus frenesis de sangue e disparos de shotguns, e o fato de estas se darem de forma inesperada transforma a experiência em algo mais urgente e tenso (parabéns aos responsáveis pela edição de som).

Quanto ao elenco, Ryan Gosling abraça toda a persona calma do Motorista, contribuindo para a imagem subjetiva do personagem. É interessante ver como ele contracena com a inocente Irene (Carey Mulligan, fofa) ou com o companheiro Shannon (Bryan Cranston) e também que por mais que o Motorista seja agressivo, não há figura mais maldosa do que o Bernie Rose de Albert Brooks, ou o Nino de Ron Perlman, ambos surgindo como antagonistas memoráveis.

Muito estilo, boas músicas e momentos de tirar o fôlego e ainda sabemos muito pouco sobre o Motorista. Ele usa veste uma jaqueta bacana, mastiga um palito de dente, usa uma máscara inesquecível para completar um serviço e, principalmebnte, ele dirige/conduz toda a trama.

O Motorista de Drive acaba de entrar para a História.