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| Êxodo: Deuses e Reis | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 29 de dezembro de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

ExodusGodsAndKings
Christian Bale é Batman. E Moisés. Deal with it.

Com Noé oferecendo um excelente estudo de personagem em meio a uma trama religiosa que provoca questionamentos, confesso que não esperava muito de Êxodo: Deuses e Reis. Parecia mais espetáculo do que o de Darren Aronofsky, e anda difícil confiar em Ridley Scott ultimamente, mesmo que tenha um afinco especial pelos épicos. Mas olhar, além do espetáculo , o filme consegue surpreender em questões mais profundas.

O roteiro, que traz as assinaturas de Bill Collage, Adam Cooper e Steven Zaillian, se dedica a adaptar boa parte do livro do Êxodo, concentrando-se na vida de Moisés (Christian Bale). Primo adotivo do faraó Ramsés (Joel Edgerton), quando sua origem hebraica é exposta, ele é banido do reino e enviado junto a seu povo. Com ordens nebulosas daquele que ele crê ser Deus, ele desafia o poder de Ramsés e luta para libertar os hebreus de uma escravidão de 400 anos.

Dá até medo de entrar num filme destes, já que a garantia de exaustão é um perigo real. E de fato, em suas exaustas 2h30 de duração, Êxodo ganha e perde ritmo com frequência, e sua enorme quantidade de eventos, fases e passagens dos anos contribuem para isso; posso apenas imaginar como deve ter sido difícil para o montador Billy Rich organizar uma narrativa com tantos acontecimentos. Por outro lado, isso também garante que Êxodo possa se diversificar e garantir soluções elegantes para eventos que teriam sido maiores (e menos interessantes). A relação de Moisés com sua esposa Zipporah (María Valverde), por exemplo, é muitíssimo bem resolvida em duas cenas-chave que trazem o mesmo diálogo, só que colocadas em dois momentos diferentes da narrativa.

Especialista em capturar a grandiosidade que um épico necessita, Scott não deixa a desejar. O design de produção reconstrói (com computação gráfica e cenários reais) a imponência e magnitude dos palácios egípcios, assim como as decadentes habitações hebraicas. Os cenários e locações na Espanha (como as Ilhas Canárias) servem de palco para cenas de ação espetaculares, especialmente – como devem imaginar – o clímax que envolve um certo Mar Vermelho. A evocadora trilha sonora de Alberto Iglesias ajuda bastante.

Sempre intenso e entregue de corpo e alma a seus personagens, Christian Bale está ótimo, e constrói um Moisés forte e também complexo. Aliás, a complexidade e o questionamento é algo que sinceramente não esperava ver com tanta força aqui. Como Êxodo é um livro do Antigo Testamento, Deus aqui é um cruel assassino em massa em que garante pragas terríveis para os egípcios, e Scott é eficiente ao mostrar graficamente o efeito de ataques de crocodilos, pragas de gafanhotos e infecções de pele grotescas. Chega a causar um incômodo no espectador, e o tal êxodo do título nem é tão catártico, ou melhor, maniqueísta quanto poderia ter sido – o povo egípcio era merecedor de algo tão monstruoso? Muitos inocentes certamente foram trucidados, e os próprios hebreus sofriam como consequência (“Está atacando a quem?”, questiona o protagonista). Aliás, a ideia de representar Deus na Terra na forma de uma criança raivosa e vingativa é bem reveladora.

Êxodo: Deuses e Reis é um filme eficiente e que surpreende em sua abordagem, ainda que seja uma experiência maçante e cansativa em alguns momentos. Um épico que faz jus à promessa, e ainda oferece algo a mais.

Obs: O 3D do filme é bem decente.

Obs II: Entendo que é um filme sobre Moisés, mas Sigourney Weaver é imensamente desperdiçada aqui… Quero dizer, é a reunião “Alien” entre ela e Scott!

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Esse é Mesmo o Oscar 2012? | VOLUME III: Sons e Música

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

E chegamos ao volume 3 do especial Oscar 2012. Aqui, analisaremos as categorias de som e as musicais. Vamos nessa:

Uma explosão não é uma explosão se ela não tiver um som ensurdecedor, certo? Manipular o som criado ou capturado é uma tarefa complicada, mas o resultado pode ser impactante. Os indicados são:

Cavalo de Guerra | Richard Hymns e Gary Rydstrom

Não tem muito erro quando Steven Spielberg resolve visitar os campos de batalha de alguma guerra. Ambientando-se nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, as cenas de ação ganham um belo design de som, no qual – dentre canhões, explosões de gás mostarda e batidas de espadas – se destaca o galope do cavalo protagonista.

Drive | Lon Bender e Victor Ray Ennis

Eu assisti Drive e não assisti. Durante o voo para Nova York em minha viagem de Janeiro, assisti ao filme mas ainda acho que preciso assistí-lo na tela grande antes de comentar sobre ele (a tela era pequena, muitas cenas eram cortadas). Mas deu pra observar que o longa apresenta boas perseguições de carro, e que o som é bem manipulado quando a violência explode sem aviso – c0mo na briga no elevador, ou durante o ataque no hotel.

A Invenção de Hugo Cabret | Philip Stockton e Eugene Gearty

Os sons de Hugo são muito criativos. O que mais chama atenção, é o uso do som das engrenagens de relógio em quase todo o longa; fazendo apologia às inspiradas declarações do protagonista de que o mundo funciona como uma máquina. Mas vejam por exemplo, a cena do acidente de trem, onde a locomotiva atravessa a plataforma e os trilhos sem apresentar um barulho que corresponda à intensidade do evento. Bons sons, mas nada espetaculares.

Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Ren Klyce

Ren Klyce é um dos sonoplastas mais inventivos da atualidade. Colaborador habitual de David Fincher, aqui ele se diverte com os cenários e situações de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, principalmente o clima gelado de suas locações. O soprar do vento, por exemplo, torna-se quase um personagem com a inteligência com que é usado e também ferramenta de suspense – vide a arrepiante cena onde um dos personagens invade a casa de um suspeito, com o som do vento como som predominante.

Transformers – O Lado Oculto da Lua | Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl

Explosões, explosões e explosões! Grande parte da sonoplastia de O Lado Oculto da Lua se resume a isso, mas ainda é possível encontrar inventividade na hora das transformações (com aqueles efeitos sonoros no melhor estilo Ben Burtt) e muiro, muito barulho. Costumam dizer que o filme mais barulhento é o vencedor da categoria – e Transformers CERTAMENTE é – mas não vai ser dessa vez…

FICOU DE FORA: Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

O melhor filme de ação de 2011 deveria ter marcado presença aqui. Nem ao menos sua ótima edição de som foi lembrada, que dá maior intensidade aos socos e pancadas, constrói suspense durante a escalada no Burj Khalifa (o barulho do vento surge apropriadamente) e praticamente rouba toda a cena durante a perseguição em uma tempestade de areia. A sonoplastia é ótima.

APOSTA: A Invenção de Hugo Cabret

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Cavalo de Guerra

Ok, o filme está pronto, editado, os efeitos visuais estão finalizados e os sons no lugar. Agora vem o grande desafio da pós-produção: juntar todos os efeitos sonoros com a trilha sonora, dando espaço a cada um deles de forma apropriada. Os indicados são:

Cavalo de Guerra | Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson e Stuart Wilson

A música de John Williams é o que completa o charme na sonoplastia de Cavalo de Guerra. Além das já comentadas cenas de batalha, vale destacar a cena em que o cavalo Joey se esforça para a arar a plantação de Albert, com o som da chuva  e de terra molhada ao fundo, enquanto a música vai pontuando adequadamente o momento.

O Homem que Mudou o Jogo | Deb Adair, Ron Bochar, Dave Giammarco e Ed Novick

É curioso ver O Homem que Mudou o Jogo indicado aqui. Talvez seja pela quantidade de diálogos (a Academia adora indicar longas com muitos diálogos), que são bem equilibrados e divididos, dando espaço também à flashbacks, números musicais da filha do protagonista (que ganham força em sua cena final) e o som esurdecedor das torcidas de times de beisebol. Não é um grande indicado, mas é um trabalho elegante.

A Invenção de Hugo Cabret | Tom Fleischman e John Midgley

Não vi grande coisa nos sons de Hugo Cabret. Com excessão do esperto uso das engrenagens de relógio (que comentei na sessão acima), trata-se de um bom trabalho de mixagem, onde a música de Howard Shore é bem aplicada e casa com o ritmo em questão de determinadas cenas. É notável também o cuidado e precisão durante as inúmeras sequências de flashback.

Ganhou o prêmio do CAS por Melhor Mixagem de Som

Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres | David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson

Excepcional ao longo de toda a projeção, a mixagem de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres é melhor do que a dos demais indicados. Tomemos como exemplo, a cena em que Lisbeth Salander visita seu tutor Bjurman para pedir dinheiro para um novo computador. Nela, a trilha perturbante de Trent Reznor e Atticus Ross mescla-se com o som de uma enceradeira ao fundo, alcançando um resultado ainda mais tenso e que torna a cena ainda pior. Genial, mas parece que os votantes da Academia não o reconhecerão…

Transformers – O Lado Oculto da Lua | Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin

Ah sim, o grande responsável pelas dores de cabeça no cinema de 2011. Micheal Bay não perdoa e aumenta o volume da caixa na sua terceira entrada na franquia dos robôs. Explosões, música alta e tanta outras coisas que eu não me lembro (não tenho coragem de reassistir ao filme). Mas os sons são, como sempre, bem aplicados.

FICOU DE FORA: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

Considerando que este é o último longa de uma das maiores franquias cinematográficas da História, era de se esperar um burburinho maior em torno de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2. A mixagem de som, por exemplo, combina todos os efeitos sonoros da batalha de Hogwarts de forma controlada e emocional com a trilha sonora de Alexandre Desplat, dando espaço apenas para a música nos momentos mais dramáticos.

APOSTA: A Invenção de Hugo Cabret

QUEM PODE VIRAR: Cavalo de Guerra

Um longa-metragem não funciona da mesma maneira sem música. A trilha sonora ajuda a criar o tom, manter o ritmo e encher o espectador de emoção, complementando o que está na tela. Os indicados são:
(Clique no título do filme para ouvir a trilha sonora inteira)

As Aventuras de Tintim | John Williams

Com uma dupla indicação este ano, o grande John Williams alcança impressionantes 47 indicações ao Oscar em toda sua carreira. Suas composições em Tintim certamente são mais agradáveis e originais do que as de seu outro longa indicado, emitindo ecos profundos de alguns de seus melhores trabalhos (tais como Os Caçadores da Arca Perdida e Prenda-me se for Capaz) com uma bem-vinda pitada de jazz; principalmente no tema principal do filme e nos sons que dão pulso às ótimas cenas de ação. O melhor trabalho de Williams em anos.

Faixa Preferida: The Adventures of Tintin

O Artista | Ludovic Bource

Pode parecer repetição, mas em um filme mudo duas coisas falam alto: a expressividade dos atores e a trilha sonora. Com inspiração em temas que tornaram esse período do cinema tão icônico, Ludovic Bource proporciona algumas das maiores emoções em O Artista com seus inspirados acordes e composições. É uma trilha clássica e ao mesmo tempo inventiva, flertando com o divertido (George Valentin), o suspense (The World Talks) e o espetáculo (Peppy and George). Merece o prêmio.
Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Trilha Sonora

Faixa Preferida: Peppy and George

Cavalo de Guerra | John Williams

Olha ele aí de novo! John Williams também está indicado pela trilha sonora de Cavalo de Guerra e, mesmo que não seja melhor do que a de Tintim, consegue despertar as emoções necessárias em seus apropriados momentos. É legal ver como Williams adotou a flauta como principal instrumento aqui.

Faixa Preferida: Reunion

O Espião que Sabia Demais | Alberto Iglesias

A trilha de Alberto Iglesias para o silencioso thriller de espionagem comandado por Tomas Alfredson pode ser definida em uma única palavra: elegante. Com um melancólico piano e calmos saxofones, a música transporta o espectador diretamente para a Guerra Fria, entrando em perfeita simbiose com os personagens e a trama do agente infiltrado. É uma música ambiente, definindo-o perfeitamente.

Faixa preferida: George Smiley

A Invenção de Hugo Cabret | Howard Shore

Sem pegar um projeto grandioso desde O Senhor dos Anéis, Howard Shore preenche A Invenção de Hugo Cabret com acordes musicais belíssimos. Predominantemente simpática, a música apresenta muita influência francesa – afinal a trama é ambientada na Paris dos anos 30 – e serve bem para o longa, capturando a aventura (The Chase), felicidade (The Invention of Dreams) e o mistério (The Clocks). Maravilhosa trilha sonora.

Faixa Preferida: A Train Arrives in the Station

FICOU DE FORA: Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres | Trent Reznor & Atticus Ross

Vencedores da categoria no ano passado, a dupla Trent Reznor e Atticus Ross eleva seu estilo musical a outro nível. Se em A Rede Social a trilha capturava genialidade e solidão, aqui ela serve para criar uma atmosfera sombria e pesada em Os Homens que Não Amavam as Mulheres. O longa é centrado em ambientes frios, e os compositores utilizam de uma variedade de sons (bizarros, incomuns) para falar pelo gelo (Hidden in Snow), buscar vozes do passado (A Pair of Doves) e assombrar a tela (She Reminds me of You). CAGADA da Academia não indicá-los.

Melhor Faixa: The Heretics

APOSTA: O Artista

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Invenção de Hugo Cabret

Em 2012, a Academia simplesmente ligou o “foda-se” e colocou apenas dois indicados para Melhor Canção Original. Mais cedo ou mais tarde, aposto na extinção da categoria… Os indicados são:

“Man or Muppet” | Os Muppets

Uma das melhores cenas de Os Muppets, Bret McKenzie compõe a melancólica e hilária canção “Man or Muppet”, que surge no momento decisivo do longa. Além de brincar com os clichês desse tipo de situação, a cena ganha força com suas participações especiais.

Letra:

I reflect on my reflection
And I ask myself the question
What’s the right direction
to go
I don’t know

Am I a man
or am I a muppet
(Am I a muppet)
If I’m a muppet
then I’m a very manly muppet
(Very manly muppet)
Am I a muppet?
(Muppet)
Or am I a man?
(Am I a man)
If I’m a man that makes me a muppet of a man
(A muppet of a man)

I look into these eyes
And I don’t recognize
The one I see inside
It’s time for me to decide

Am I a man
Or am I a muppet?
(Am I a muppet)
If I’m a muppet
well I’m a very manly muppet
(Very manly muppet)
Am I a muppet
(Muppet)
Or am I a man?
(Am I a man)
If I’m a man that makes me a muppet of a man
(A muppet of a man)

Here I go again
My goal is runnin’ out of time
I think I made up my mind
Now I understand who I am

I’m a man

I’m a muppet
Yeah!

I’m a muppet of a man

I’m a very manly muppet

I’m a muppet-y man!

That’s what I am

“Real in Rio” | Rio

Indicação brasileira no Oscar! Sergio Mendes e o cantor baiano Carlinhos Brown enchem “Real in Rio” com acordes típicos brasileiros, que incluem a forte presença do samba, o som de passarinhos e da natureza. A música é bem divertida e praticamente dá o tom de Rio. Agora é 50% de chance para o Brasil faturar seu primeiro Oscar…

Letra:

All the birds of a feather
Do what they love most of all
We are the best at rhythm and laughter
That’s why we love carnaval

All so clear we can sing to
Sun and beaches they call
Dance to the music, passion and love
Show us the best you can do

Everyone here is on fire
Get up and join in the fun
Dance with a stranger, romance and danger
Magic could happen for real, in Rio
All by it self (it self)
You can’t see it coming
You can’t find it anywhere else (anywhere else)
It’s real, in Rio
Know something else (something else)
You can feel it happen
You can feel it all by yourself

All the birds of a feather
Do what they love most of all
Moon and the stars, strumming guitars
That’s why we love carnaval

Loving our life in the jungle
Everything’s wild and free
Never alone, ‘cause this is our home
Magic can happen for real, in Rio
All by it self (by it self)
You can’t see it coming
You can’t find it anywhere else

I’m a kako wero kinga kinga kinga kinga
Birds like me, ‘cause I’m a hot winga (there’s your hota winga aha)

Here everybody loves samba (I like the Samba)
Rhythm you feel in you heart (I’m the Samba master)
Beauty and love, what more could you want
Everything can be for real, in Rio
Here’s something else (something else)
You just feel it happening
You won’t find it anywhere else

FICOU DE FORA: “Couer Volant” | A Invenção de Hugo Cabret

Com toda a adoração da Academia por Hugo Cabret, chega a ser irracional a linda “Couer Volant” ter ficado de fora. A cantora francesa Zaz empresta sua voz maravilhosa enquanto o compositor Howard Shore fica a cargo da parte instrumental. Bem, só não vai dizer que foi por falta de vaga né?

Letra (em francês):

Animer, à la vie, les songes, les couleurs,
voir la lune, les étoiles, tout se retrouve à nouveau.
 
Serpentant les ruelles,
dans l’oubli, dans la peur,
petit génie aux doigts de fée,
fixant les heures,
ouvrant ses ailes,
un cœur qui pleurait, qui s’envole
l’amour a soigné ce qu’il manquait.
 
Elle était inconnue, curieuse et puis amie
un clin d’œil en offrande
petite sirène aux yeux de nuit
sa clé a porté le rêve vivant
un secret qu’ils partagent à présent.
 
Il était magicien d’images de poèmes
dompteur de rêves,
caché dans l’ombre,
seul avec son jeu brisé,
son cœur cassé
les choses en morceaux se réparent a nouveau.
 
Rêve …
N’oublie pas les rêves!
Rêve …

APOSTA: Man or Muppet

QUEM PODE VIRAR O JOGO (hehe): Real in Rio

Fim da parte 3! Fiquem ligados que amanhã publico a última postagem sobre o especial Oscar 2012, com as principais categorias.

| O Espião que Sabia Demais | O Labiríntico mundo real da espionagem

Posted in Cinema, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , on 7 de janeiro de 2012 by Lucas Nascimento

 


O Tom Hardy trouxe essa mesa de lembrança do set de A Origem

A paranóia da Guerra Fria praticamente inaugurou um novo gênero no cinema, deixando sua marca na indústria com inúmeros thrillers de espionagens e agentes secretos. Quando todos achavam que “o mundo estava salvo” após dezenas de filmes de James Bond e cia, e nada mais valeria a pena ser introduzido ao tema, Tomas Alfredson entrega sua labiríntica versão para o livro de John Le Carré.

Ambientada no período citado, a trama sugere que um espião russo esteja infiltrado no alto serviço de inteligência britânica (o Circo) e cabe ao aposentado George Smiley (Gary Oldman) investigar e descobrir o culpado diante de uma grande variedade de suspeitos.

Tendo impressionado públicos universalmente com seu sombrio Deixa ela Entrar, o diretor sueco Tomas Alfredson continua se mostrando um talentoso contador de histórias em seu primeiro filme de língua inglesa. O clima de paranóia e vigilância combinam-se magistralmente com o estilo frio e silencioso do cineasta (características que ele mostrou total controle em seu filme anterior), que usa de inúmeros planos elegantes e cenas que exibem apenas imagens sugestivas (um aceno de mão, um olhar),  requerindo a interpretação e inteligência do espectador a cada minuto.

Alfredson é um mestre na composição de uma cena. Com o auxílio do eficiente diretor de fotografia Hoyte Van Hoytema, seus planos e enquadramentos são sofisticados e inventivos (como aquele em que traz o ótimo Benedict Cumberbatch sendo revelado pela porta de um elevador ou a discussão a frente de uma pista de pouso) e traduzem visualmente o intrincado roteiro de Bridget O’Connor e Peter Straughan, que apresenta complexas linhas narrativas que misturam-se de forma sinuosa – alternando de personagens, eventos e datas – e ficam ainda melhores com a charmosa trilha sonora de Alberto Iglesias. O Espião que Sabia Demais fornece as peças do quebra-cabeça e, mesmo sabendo a imagem que queremos formar, o longa nunca facilita o trabalho de tentar encaixar seus componentes.

E o encarregado de solucionar o enigma é o espião George Smiley, vivido brilhantemente por Gary Oldman naquele que é uma das performances mais delicadas de sua carreira. Mas nem por isso fica mais claro a direção que a trama segue, já que Oldman traça Smiley quase como outro enigma; suas intenções nem sempre são claras, mas sua expressão facial diz tudo, dispensando diálogos na maioria das cenas em que este aparece. Ainda assim, ator é apenas a cereja no topo do bolo, já que temos aqui um elenco majestoso e bem entrosado que conta com Tom Hardy, Mark Strong, Colin Firth, John Hurt, entre outros, todos excelentes em seus respectivos papéis; que contrastam entre motivos para apreciá-los e para colocá-los na lista de suspeitos com a mesma intensidade.

Desenrolando-se de maneira calma e silenciosa (admito que em alguns momentos, até devagar demais), O Espião que Sabia Demais é um inteligente thriller que dispensa perseguições de carro e gadgets de última geração para se concentrar no frio e real mundo da espionagem. E quando chegamos ao inebriante uso da canção “La Mer” de Julio Iglesias em sua conclusão, perecebe-se que o diretor Tomas Alfredson tinha o controle de seu quebra-cabeças desde o início.

Obs: Esta crítica foi publicada após a pré-estreia do filme em SP, no dia 6 de Janeiro.