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Os Mestres do Oscar 2014| Volume IV: Categorias Principais

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 27 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2014! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo em inglês (curiosamente, a Sony não liberou nenhum de seus 5 roteiros indicados)

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Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

Blue Jasmine | Woody Allen

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Como um iniciante na vasta carreira de Woody Allen (não assisti a nem metade de seus 49 filmes), fui surpreendido por seu Blue Jasmine. Depois de 3 comédias leves, Allen aposta em uma densa tragédia de humor negro, que balança mais para o lado dramático do que o de humor, servindo como um poderoso estudo de personagem. Jasmine é a alma do projeto, sua irremediável e inevitável autodestruição, algo que o roteiro acerta ao colocá-la em situações que testam sua paciência e promovem um confronto de ideias/opiniões (vide sua irmã, o namorado desta, etc). Mas minha característica preferida aqui é o uso de digressões temporais (flashbacks) bem posicionados para revelar, aos poucos, os elementos que resultaram na queda de Jasmine da alta classe – deixando o surpreendente estopim para o final.

Quotação Memorável: “Quando a Jasmine não quer saber de alguma coisa, ela tem o hábito de olhar pro outro lado” – Ginger

Clube de Compras Dallas | Craig Borten e Melisa Wallack

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Por anos na conceituada “Black List” dos roteiros americanos, o roteiro de Clube de Compras Dallas é assinado pelos estreantes Craig Borten e Melisa Wallack, que adaptam o período da vida real do eletricista Ron Woodroof quando este descobre ser vítima do mortal vírus da AIDS – passando a contrabandear medicamentos ilegais. O texto da dupla é eficaz ao apresentar diversas críticas sobre temas como homofobia, burocracia farmacêutica, entre outros; mas é de se impressionar com o bem-vindo senso de humor excepcionalmente bem colocado na trama pesada. Sendo um filme centrado em seus personagens, é de se admirar com a eficiente construção das relações entre estes: como opiniões colidem, visões mudam e atitudes são modificadas.

Quotação Memorável: “Cuidado com o que vocês comem e quem vocês comem” – Ron Woodroof

Ela | Spike Jonze

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O mérito do roteiro de Spike Jonze já pode ser encontrado em sua fascinante premissa, que traz um sujeito depressivo apaixonado pelo sistema operacional de seu computador. Passado o choque inicial da ideia, Ela transforma-se em um estudo sensível e delicado a respeito do amor e a forma como a tecnologia pode influenciar as relações humanas – e o quão interessante pode ser a noção de uma máquina adquirir sentimentos e consciência própria. Jonze sutilmente coloca elementos de ficção científica na trama, mas se concentra principalmente em seus personagens, que protagonizam fabulosos diálogos e situações completamente inusitadas (a ideia mais inspirada certamente é o “avatar” utilizado por Samantha no mundo real, coisa de gênio). Ela traz muitas questões em suas palavras, e Jonze ganhou praticamente tudo o que é preciso ganhar para garantir uma vitória aqui. Absolutamente merecido.

Quotação Memorável: “O coração não é como uma caixa que você pode preencher; ele expande seu tamanho à medida em que você ama. Eu sou diferente de você. Mas isso não me faz te amar menos. Na verdade, me faz te amar mais ainda” – Samantha

  • WGA – Roteiro Original
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Nebraska |Bob Nelson

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Em seu primeiro trabalho no cinema, Bob Nelson já descolou uma indicação ao Oscar. Nada mal e merecido, já que seu texto em Nebraska é divertido e bem desenvolvido, apresentando um acertado mix de diversos temas diferentes. Há a saga de auto-satisfação do protagonista Woody Grant, as problemáticas relações familiares (pai e filho, marido e mulher, irmão e irmão), a cobiça, valores do passado e outros pequenos elementos que se complementam com eficiência ao longo da narrativa centrada. É interessante como Nelson aposta na lentidão (o que geralmente é um problema) para situar e contextualizar alguns dos personagens (especialmente a família do irmão de Woody, mergulhada na monotonia) para gerar situações engraçadas, seja através de figuras caricatas (os irmãos Bart e Cole, por exemplo) ou situações absurdas (dois “mascarados” esperando para executar um ataque). Uma história simples, mas com ótimo desenrolar.

Quotação Memorável:

“- Por que você e a mamãe tiveram filhos?
– Porque eu gostava de trepar. E a sua mãe é Católica, então já sabe” – David Grant, Woody Grant

Trapaça | Eric Singer e David O. Russell

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Nos segundos iniciais de Trapaça, um divertido letreiro alerta que “alguns desses eventos até aconteceram mesmo”. Enquanto é difícil identificar o que aconteceu e o que é pura ficção (ou se é tudo ficção, quem sabe), deve-se apontar a bipolaridade presente no texto de David O. Russell e Eric Singer. Sugeri na minha crítica que a dupla teria dividido suas funções, com Russell se dedicando mais à parte de relações pessoais (o que funciona, mas graças ao elenco) e Singer ficando a par dos elementos voltados à golpes, trapaças e dois canos fume… Não, filme errado. No fim, o roteiro de Trapaça comete o erro de tentar complicar sua trama – que é mais simples do que aparenta – e dar voltas, ao repetir frases como “Todo mundo trapaceia para sobreviver” ou diversas outras versões alternativas. O humor e os diálogos são bem acertados, porém.

Quotação Memorável: “Eu sou como um vietcongue. Estou dentro, estou fora, mas você não me vê ali.” – Irving Rosenfeld

  • BAFTA

APOSTA: Ela

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Trapaça

MEU VOTO: Ela

FICOU DE FORA: Short Term 12

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Você provavelmente nunca ouviu falar em Short Term 12, o que é uma pena. A produção indie do novato Destin Cretton é de uma qualidade fantástica, pegando a batida temática de jovens disfuncionais e oferecendo um tratamento poderoso graças à força de seus personagens e a sutileza de suas subtramas. Não está disponível no Brasil, e acho difícil que esteja tão cedo.

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Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, artigos, peças ou desenvolver continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão |John Ridley, baseado no livro “12 Anos de Escravidão” de Solomon Northup

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John Ridley tinha uma extraordinária história de sobrevivência em mãos. A jornada de escravidão de Solomon Northup não é uma história para os fracos de coração, e Ridley certifica-se de manter os elementos mais cruéis e brutais desta, em um retrato que mantém o foco exclusivamente em seus personagens durante os 12 anos do título. O que me chama a atenção, é a construção de seu protagonista: um homem livre desacostumado em obedecer ordens brutas e ser atacado com insultos baixos, o que leva Northup a travar diálogos excepcionalmente bem escritos com seus diferentes mestres – fator que o diferencia dentro do gênero. Toda a execução da narrativa funciona, seja na linha do protagonista ou nas subtramas (como aquela envolvendo o fazendeiro Epps e a escrava Patsey). O roteiro de Ridley é forte.

Quotação Memorável: “Eu não quero sobreviver. Eu quero viver” – Solomon

  • Critics Choice Awards
  • USC Scripter

Antes da Meia-Noite | Julie Delpy, Ethan Hawke e Richard Linklater, baseado nos personagens de Richard Linklater

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Fico triste pela ausência de Antes da Meia-Noite em mais categorias, mas ao menos seu impecável roteiro foi lembrado pela Academia. Escrito por Richard Linklater e preenchido com diversas improvisações de Ethan Hawke e Julie Delpy, a terceira parte da trilogia romântica se diferencia radicalmente dos anteriores por apresentar uma trama mais “sombria”, explorando os problemas de relacionamento entre Jesse e Celine, 18 anos após seu primeiro encontro. Elegantemente destrói a ideia de “felizes para sempre”, contando com as habituais longas conversas teatrais e aqui com mais personagens que obtém tempo de cena. Algo que, se tira o foco do casal por alguns instantes, oferece interessantes paralelos e reflexões a respeito da relação de Jesse e Celine. E outra, eu assistira facilmente ao filme que Jesse elabora brevemente.

Quotação Memorável: “Eu fodi a minha vida toda por causa do jeito que você canta” – Jesse

Capitão Phillips | Billy Ray, baseado no livro “Dever de Capitão” de Richard Phillips

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Paul Greengrass é conhecido por seu desejo de reproduzir fatos reais com fidelidade quase documental (vide seu trabalho excepcional em Voo United 93). Agora, se o roteiro de Billy Ray segue à risca todos os eventos envolvendo o sequestro do Capitão Richard Phillips é outra história, mas o que importa aqui é que seu texto cumpre o serviço; sendo capaz de prender o espectador na história – que se concentra quase que inteiramente na situação de risco do protagonista. O mais interessante, porém, foi a admirável decisão de Ray em apresentar tanto Phillips como o Muse (líder dos piratas) como seres multifacetados: em nenhum momento o líder dos piratas é visto como um vilão arquétipo, nem Phillips (ou a Marinha) como um símbolo de soberania estadunidense (uma bobagem que algumas pessoas conseguiram encontrar no filme). No fim, é o poder do choque sobre um ser humano seguro (e as ações que o despedaçam) que prevalece.

Quotação Memorável: “Eu sou o capitão agora” – Muse

  • WGA – Roteiro Adaptado

O Lobo de Wall Street | Terence Winter, baseado no livro “O Lobo de Wall Street” de Jordan Belfort

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Em cerca de 3 horas de duração, o roteiro do estreante (em cinema) Terrence Winter é eficaz ao reunir diversos eventos importantes da vida do corretor Jordan Belfort. Como leitor do livro, parabenizo Winter pelo ótimo trabalho de adaptação ao tomar liberdades criativas com a história, ao pegar diferentes elementos da história e costurá-los em um único grande evento; causando maior impacto cinematograficamente. Mas adaptações à parte, a prosa de Winter é excepcional ao trazer diálogos inteligentes (a forma delicada de como se desenrola aquele entre Jordan e um agente do FBI é tão empolgante como um duelo de armas de fogo), engraçados e completamente situados no mundo das ações de Wall Street. As digressões de seu protagonista (seja em narrações em off ou em quebras de 4ª parede) são divertidíssimas e envolventes.

Quotação Memorável: “Às vezes quando se vai bancar o vilão de James Bond, precisa estar à altura do papel” – Jordan Belfort

Philomena | Steve Coogan e Jeff Pope, baseado no livro “Philomena: A Mother, Her Son, and a Fifty-Year Search”, de Martin Sixmith

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E mais uma história real (impressionante, não? 6 dos 10 indicados de ambas as categorias são baseados em fatos verídicos) é reconhecida pela Academia, o consistente roteiro de Philomena. Seu grande mérito certamente reside nos diálogos entre os protagonistas, especialmente os divertidos choques de opiniões entre os dois; o que leva o texto de Pope e Coogan a abrir algumas discussões a respeito de religião, a repreensão de instinto sexuais, mídia e uma sombria revelação que coloca em xeque algumas práticas da antiga Igreja Católica. Mas no fim, Philomena agrada pelo tom leve e o eficiente equilíbrio entre humor e drama.

Quotação Memorável: “Nunca estive no México, mas imagino que seja adorável. Com exceção dos sequestros” – Philomena

  • BAFTA
  • Festival de Veneza

APOSTA: 12 Anos de Escravidão

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Capitão Phillips

MEU VOTO: Antes da Meia-Noite

FICOU DE FORA: The Spectacular Now | Scott Neustadter e Michael H. Weber, baseado no livro “The Spectacular Now”, de Tim Tharp

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Ainda sem previsão de lançamento em Home Video no Brasil (no cinema, muito menos), The Spectacular Now passou despercebido por diversas premiações. Uma pena, já que a adaptação de Scott Neustadter e Michael H. Weber (dupla responsável por (500) Dias com Ela) para o romance de Tim Tharp surge como uma das mais honestas, divertidas e bem feitas obras sobre amadurecimento pós-colegial, aquele drama todo. A dupla encontra na complexa figura do protagonista Sutter Keely uma oportunidade de traçar um envolvente estudo de personagem, com uma subtrama amorosa que agrada pela espontaniedade. Assistam.

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Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Alfonso Cuarón | Gravidade

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Assim como James Cameron fez em Avatar, Alfonso Cuarón desenvolveu novas tecnologias e câmeras para contar sua história em Gravidade – costumo brincar ao dizer que este dirigiu o filme numa caixa. Mas atrevo-me a dizer que o resultado alcançado pelo diretor mexicano tenha sido ainda mais fascinante do que aquele visto em 2009: Cuarón aposta em longuíssimos planos sequência onde a câmera passeia pelo ambiente e seus personagens, garantindo uma imersão completa – com belo uso do 3D – dentro da experiência. Em uma premissa limitada (dois astronautas perdidos no espaço), Cuarón realizou um dos filmes mais emocionantes de 2013.

  • DGA
  • BAFTA
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Steve McQueen | 12 Anos de Escravidão

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Responsável pelos excepcionais Hunger e Shame, o britânico Steve McQueen enfim parece ter entrado no radar da Academia com seu pesado e dramático 12 Anos de Escravidão. Seu trabalho ganha força por sua decisão em retratar com visceralidade todos os abusos psicológicos e físicos a que eram submetidos os escravos durante o sombrio período do século XIX, o que faz McQueen apostar em longas tomadas de açoitamentos e agressões (e algumas imagens gráficas). Mas o diretor também é extramamente competente nos quesitos técnicos, mantendo seus habituais longos takes (que aqui geram tensão ou simbolizam sutilmente uma longa passagem de tempo) e um cuidado visual detalhista.

Alexander Payne | Nebraska

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Indicado surpresa da categoria (na teoria, a vaga deveria ser de Paul Greengrass), Alexander Payne é lembrado novamente por seu tragicômico Nebraska. A começar pela decisão do diretor em gravar o filme em preto e branco, o que rendeu um tom absolutamente único para a narrativa, que conta com seu comando de forma contida, mas igualmente efetiva. Payne aposta na lentidão de cenas e diálogos para balancear um humor divertido e diversos subtemas poderosos, sendo explorados por completo meramente por mise em scènes simples ou planos detalhados.

David O. Russell | Trapaça

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Em sua terceira indicação ao Oscar na categoria, por seu terceiro filme consecutivo, David O. Russell já vai assumindo um status invejado em Hollywood. Aprecio seu trabalho, mas sua indicação por Trapaça revela um trabalho muito mais contido e centrado em seu elenco (que, repito mais uma vez, é o grande mérito da produção); não é por acaso que os planos de Russell sejam sempre mais fechados, com raríssimas tomadas abertas e movimentos de câmera que se limitam a circular entre os diálogos dos personagens. Russell aproveita o elenco e, aqui e ali, surge inspirado com algumas tomadas musicais (o destaque aqui fica com “Live and Let Die”), mas nada que eu considere espetacular a ponto de uma indicação.

Martin Scorsese | O Lobo de Wall Street

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Martin Scorsese é um monstro sagrado do Cinema, e aos 71 anos de idade recebe sua 9ª indicação na categoria, pela selvagem e frenética condução de O Lobo de Wall Street. A cinebiografia de Jordan Belfort transporta o diretor para seu território de mestre, um no qual não pisava os pés desde a década de 90, em obras como Os Bons Companheiros e Cassino (sem contar o flerte com o gênero em Os Infiltrados). Aliado de um excelente roteiro, uma poderosa atuação central e sua inseparável montadora, Scorsese traça uma narrativa repleta de elementos dinâmicos (quebra de quarta parede, narrações em off, recortes e até confusões mentais de seu protagonista), humor negro afiado e muita segurança ao abusar do conteúdo de sexo e drogas – mas nunca glorificando seu objeto de estudo. Scorsese como não víamos há tempos.

APOSTA: Alfonso Cuarón

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Steve McQueen

MEU VOTO: Alfonso Cuarón

FICOU DE FORA: Paul Greengrass | Capitão Phillips

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Paul Greengrass, como Tom Hanks, parecia uma aposta certeira para uma vaga no Oscar de direção. É uma pena que Greengrass tenha ficado de fora, já que seu comando no intenso Capitão Phillips é seguro, quase documental e de manter o espectador vidrado na cadeira. Câmera incessante, close ups em seus atores e algumas cenas de ação em alto-mar muito bem executadas.

Menções Honrosas:

Joel e Ethan Coen | Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

Ron Howard | Rush: No Limite da Emoção

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Um homem livre escravizado, um capitão da marinha sequestrado, sistemas operacionais sedutores, astronautas perdidos, corretores da bolsa anárquicos, um pai obcecado com uma fortuna, uma mãe em busca de seu filho e um grupo de golpistas trapaceiros estão entre os indicados a Melhor Filme no Oscar 2014. Vejamos:

12 Anos de Escravidão | Brad Pitt, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Steve McQueen e Anthony Katagas

4.5

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“Excepcional também em seus valores de produção, 12 Anos de Escravidão é uma experiência difícil e pesada. Corajosamente pega um dos gêneros mais delicados do cinema norte-americano e oferece um tratamento visceral e que certamente será lembrado por anos, não só por sua brutalidade, mas também pela força de seu impecável protagonista e o emocionante desfecho de sua dura jornada.”

  • Producers Guild Awards (Empate)
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

Capitão Phillips | Scott Rudin, Dana Brunetti e Michael De Luca

4.5

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Capitão Phillips é intenso do início ao fim, você sabendo ou não o desfecho da história. Tecnicamente impecável e com atuações verossímeis a ponto de nos esquecermos de que isto são apenas imagens fictícias projetadas em tela, Paul Greengrass fez aqui um dos trabalhos mais memoráveis de 2013. Filmaço.”

Clube de Compras Dallas | Robbie Brenner e Rachel Winter

3.5

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“Ao fim, Clube de Compras Dallas é uma história cativante sobre um sujeito interessante, sendo favorecida pelas esforçadas performances de seu elenco principal. O resultado seria melhor com alguns minutos a menos, mas felizmente Matthew Conaughey é bem sucedido ao carregar o filme todo nas costas.”

Ela | Megan Ellison, Spike Jonze e Vincent Landay

4.0

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“Durante suas duas horas de duração, Ela traz conceitos fascinantes e o poder de despertar as mais variadas discussões envoltas em sua narrativa. Seja na presença onipresente de tecnologia ou em sua abordagem moderna e inovadora sobre o Amor, o filme de Spike Jonze é uma obra importante, pontualmente divertida e sensível, que merece múltiplas visitas e análises mais profundas do que uma mera crítica cinematográfica.”

Gravidade | Alfonso Cuarón e David Heyman

4.5

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“Uma das melhores experiências cinematográficas de 2013, Gravidade é uma trama muito intimista e simples narrada com alguns dos recursos mais grandiloquentes que o cinema já viu. Tenso e emocionante a ponto de dar nó na garganta, Gravidade pode ser visto como o 2001: Uma Odisseia no Espaço da nossa geração, pela forma com que retrata o espaço sideral. Algo especial foi criado aqui.”

  • Producers Guild Awards (Empate)
  • Directors Guild Awards
  • BAFTA – Filme Britânico
  • Critics Choice Awards – Ficção Científica

O Lobo de Wall Street | Leonardo DiCaprio, Emma Tillinger Koskoff, Joey McFarland e Martin Scorsese

5.0

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“Com o mais inspirado uso de trilha sonora incidental em sua carreira em anos, O Lobo de Wall Street é uma frenética e implacável tragédia grega do mundo das finanças. Pode muito bem ser considerado o Bons Companheiros do gênero, mais uma fantástica adição para a carreira de Martin Scorsese. E mesmo que alguns tenham a equivocada visão de que o longa glorifica as ações repreensíveis de seu protagonista, basta observar com atenção a última tomada do filme – onde a câmera de Scorsese aponta para as reais vítimas da história. Um trabalho de mestre. Obrigado, Scorsese. Obrigado, Leo.”

Nebraska | Albert Berger e Ron Yerxa

4.0

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“No fim, é interessante observar Nebraska como uma obra sobre a auto-satisfação, mesmo que seja pautada em mentiras. Seja no suposto prêmio do protagonista, que logo desperta interesses alheios, ou em diversos momentos do último ato, o filme de Alexander Payne acerta ao analisar essa temática de forma bem-humorada e até tocante. Mas se a satisfação dos personagens aqui é fraudulenta, a do espectador diante do filme é verdadeiramente genuína.”

Philomena | Gabrielle Tana, Steve Coogan e Tracey Seaward

3.5

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“Mesmo que, aqui e ali, Frears pese a mão para arrancar algumas lágrimas, Philomena é um belo filme que encontra sustento em suas carismáticas performances centrais e o tratamento simples a temas delicados e complexos. Não é uma grande obra que será lembrada durante anos e anos, mas sem dúvidas rende um bom programa.”

Trapaça | Charles Roven, Richard Suckle, Megan Ellison e Jonathan Gordon

3.0

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“No fundo, Trapaça surge mais como uma boa oportunidade de reunir um grande elenco do que uma experiência narrativa concreta, falhando na agridoce elaboração de seu roteiro. Aqui e ali David O. Russell tenta brincar de Scorsese, mas seu grande mérito reside na liberdade que fornece a seu dream team.”

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia
  • SAG – Melhor Elenco
  • Critics Choice Awards – Melhor Comédia

APOSTA: 12 Anos de Escravidão

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Gravidade

MEU VOTO: O Lobo de Wall Street

FICOU DE FORA: Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

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“Servindo como um curioso estudo de personagem que leva seu objeto do nada ao nada, Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum é uma experiência única, proporcionada por duas das maiores mentes do cinema contemporâneo. Seja em sua maestria técnica, narrativa ou em sua vibrante trilha sonora folk, o filme é tragicômico no melhor sentido da palavra.”

Menções Honrosas (porque 2013 foi foda)

Rush: No Limite da Emoção

Short Term 12

Antes da Meia-Noite

Bem, é isso! O Oscar 2014 acontece já nesse domingo de Carnaval (2), então façam suas apostas e voltem aqui para mais cobertura. Até!

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| Nebraska | A divertida jornada pela fradulenta auto-satisfação

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

Nebraska
Bruce Dern é Woody Grant

Depois de um desmistificador olhar sobre a sociedade havaiana em Os Descendentes (que lhe rendeu um Oscar como corroteirista), o diretor Alexander Payne retorna com uma saudável mistura entre o humor e o drama com Nebraska, sucesso do Festival de Cannes que traz Payne e um talentoso time de volta à cerimônia da Academia deste ano.

A trama se concentra no idoso Woody Grant (Bruce Dern), que acredita ter ganhado 1 milhão de dólares em um sorteio e acaba por ficar obcecado em reclamar seu prêmio. Certo de que é apenas um golpe publicitário, seu filho David (Will Forte) promete levar o pai até o estado de Nebraska a fim de lhe garantir uma espécie de satisfação.

Em sua estreia como roteirista de cinema, Bob Nelson elabora uma narrativa muito simples e concentrada nas diferentes situações que ocorrem no caminho da jornada para Nebraska. O mais significativo deles, é certamente a visita de Woody, David e Kate (esposa do protagonista, vivida pela excelente June Squibb) à cidade natal do casal, onde acabam por encontrar parentes e colegas dos velhos tempos. Nelson acerta ao proporcionar os diálogos mais desinteressantes da face da Terra (especialmente aqueles entre a pacata família Grant), e Payne o segue com inteligência ao apostar em um ritmo lentíssimo e sem muitos cortes em tais cenas – mesmo que ocasionalmente maçante, é essencial para a criação de humor do filme. O diretor também agrada ao trazer planos divertidíssimos (como aquele em que dois sujeitos mascarados preparam-se para um ataque inesperado) e que funcionam com o timing de seu elenco – mesmo que completamente unidimensionais, é impossível não rir com os irmãos interpretados por Tim Driscoll e Devin Ratray.

Por outro lado, é interessante a decisão de Alexander Payne em rodar o filme em preto-e-branco, já que esta confere melancolia à saga de Woody Grant. Mesmo que pontualmente engraçado, o personagem do ótimo Bruce Dern é uma figura trágica (alcoólotra, solitário e ingênuo demais), e o veterano ator é eficaz ao dominar um andar manco e devagar; assim como expressões confusas e uma falha audição. E o diretor de fotografia Phedon Papamichael captura com seu inteligente jogo de luzes e sombras o tom apropriado para o longa, fazendo desejar que a Academia voltasse a dividir a categoria entre colorida e preto-e-branco, dada a incrível beleza das imagens capturadas. Além disso, a trilha sonora de Mark Orton contribui ao trazer uma curiosa mistura entre noir e country.

Novamente sobre Payne, devo apontar uma cena específica que traz uma mise em scène fabulosa e absolutamente simples, que comprova seu talento absoluto como cineasta de forma sutil. Logo após os dois filhos (Forte e Bob Odenkirk, da série Breaking Bad e a vindoura Better Call Saul) saírem do carro, Woody fica no banco de trás e sua esposa atrás do volante. Ao retornarem, não há outra decisão estética a não ser colocar Forte ao lado de Woody e Odenkirk ao lado da mãe, o que revela muito sobre seus personagens – e a qual dos pais cada um dos irmãos confere mais afeto. Um exemplo que revela um Payne mais contido, mas nem por isso menos eficiente.

No fim, é interessante observar Nebraska como uma obra sobre a auto-satisfação, mesmo que seja pautada em mentiras. Seja no suposto prêmio do protagonista, que logo desperta interesses alheios, ou em diversos momentos do último ato, o filme de Alexander Payne acerta ao analisar essa temática de forma bem-humorada e até tocante. Mas se a satisfação dos personagens aqui é pautada em elementos fraudulentos, a do espectador diante do filme é verdadeiramente genuína.

Esse é Mesmo o Oscar 2012? | VOLUME IV: Categorias Principais

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2012! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

O Artista | Michel Hazanavicius

Assumindo ambos os cargos de diretor e roteirista, Michel Hazanavicius merece créditos por seu roteiro apresentar pouquíssimos diálogos. Os poucos que aparecem são em cartões – típicos dos filmes mudos – e trazem diversas ironias (George Valentin insiste em não falar diversas vezes, simbolizando tanto a situação da trama quanto o fato de O Artista ser mudo) e cenas já icônicas (como Peppy brincando com o casaco de Valentin). No entanto, acho que o roteiro do filme não merece o ouro por não ter diálogos falados.

Quotação Memorável: “Eu não vou falar! Não direi uma palavra!” – George Valentin

Margin Call – O Dia antes do Fim | J.C. Chandor

Não assisti Margin Call – O Dia Antes do Fim, mas fazer um filme sobre crise ecônomica realmente vem a calhar atualmente. Pelo que li, o roteiro de J.C. Chandor é bem adulto e maduro, sem dar explicações sobre eventos ou uma aula de economia. Enfim, preciso assistir antes de falar qualquer coisa.

Quotação Memorável: “Há três meios de se sair bem nesse negócio: seja o primeiro, seja esperto ou trapaceie.” – John Tuld

Meia-Noite em Paris | Woody Allen

Sem dúvida um dos melhores roteiristas em atividade, Woody Allen escreve o melhor roteiro dentre os indicados (incluindo os da categoria de Adaptados) com sua fantástica saga parisiense. A entrada do protagonista em um mundo do passado é sensacional e rende momentos hilários, principalmente com as memoráveis participações especiais (ressalto novamente a inspirada presença de Salvador Dalí). Mas o legal mesmo, é como Allen fala sobre como o tempo surge para reforçar uma ideia ou época, algo com que eu pude me identificar bastante.

Quotação Memorável:Eu confio em você, mas tenho ciúmes. É uma dissonância cognitiva!” – Gil

Missão Madrinha de Casamento | Annie Mumulo & Kristen Wiig

Certamente a indicação mais boba da categoria, a comédiazinha Missão Madrinha de Casamento conseguiu se infiar na lista. Com alguns diálogos inspirados, o filme tem pouco de genuinamente engraçado (a maior parte do charme do filme está nas mãos do elenco) e usa-se de muitos clichês de comédia romântica para estar em uma categoria que preza originalidade. Tem até uma piada (exagerada) com churrascaria brasileira…

Quotação Memorável: “Eu sou a vida, Annie, e eu estou mordendo a sua bunda!” – Megan

A Separação | Asghar Farhadi

A indicação do iraniano A Separação como Roteiro Original sela a vitória o longa de Asghar Farhadi na categoria de Filme Estrangeiro. Ainda não assisti ao filme (sim, tenho muitos a ver), cuja trama foca um casal que é forçado a escolher entre mudar de país para fornecer condições melhores a seus filhos ou ficar no Irã para tratar de um parante portador de Alzheimer. Quando sair em Blu-ray, não vou perder.

Quotação Memorável: “O que é errado é errado. Não importa quem disse ou onde está escrito.” – Nader

FICOU DE FORA: 50% | Will Reiser

Em uma mistura inusitada de comédia e drama, o roteirista Will Reiser coloca sua própria experiência com o câncer no papel, rendendo o divertidíssimo e de bom coração 50%. Traz diálogos bem desenvolvidos (com uma linguagem bem chula, e que abraça o politicamente incorreto todo o tempo) e situações inesperadas para um longa do gênero, como a piada de usar a situação para pegar mulher. Como Missão Madrinha de Casamento entrou e este não, é um mistério.

Quotação Memorável: “Ninguém quer transar comigo. Eu pareço o Voldemort” – Adam

APOSTA: Meia-Noite em Paris

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Artista

Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, peças ou fazer continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

Os Descendentes | Alexander Payne, Nat Faxon & Jim Rash

Adaptado de: Livro Os Descendentes, de Kaui Hart Hemmings

Com alguns dos melhores diálogos do ano, Alexander Payne mostra novamente que é melhor roteirista do que diretor (não que esta seja falha), contando com auxílio de Nat Faxon e Jim Rash. O texto é sedutor por quebrar o clichê paradisíaco que a maioria das pessoas têm em relação ao Havaí, contando com ótimas narrações de seu protagonista e situações criativas e até bizarras – tal como a “conversa” entre Matt e sua esposa no hospital. É o favorito para levar o prêmio, e com razão (mesmo não sendo meu favorito dentre os indicados).

Quotação Memorável: “No telefone ele pode fugir, pessoalmente, ele não tem pra onde ir. Eu quero ver a cara dele” – Matt King

O Espião que Sabia Demais | Bridget O’Connor & Peter Straughan

Adaptado de: Livro O Espião que Sabia Demais de John Le Carré

Complexo e intrincado, é difícil entender a trama de O Espião que Sabia Demais em uma única visita. O roteiro de Bridget O’Connor (falecida pouco antes do início das filmagens) e Peter Straughan é assaverado na lógica e raciocínio do espectador, isentando-se de pausas para explicar o que acontece ou diálogos que sejam claros o bastante. O resultado é meio devagar, mas muito inteligente se analisado a fundo.

Quotação Memorável: “É a mais antiga das perguntas, George. Quem consegue espionar os espiões?” – Oliver Lacon

O Homem que Mudou o Jogo | Aaron Sorkin & Steven Zaillian

Adaptado de: Livro Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game, de Michael Lewis

Com dois nomes de peso na assinatura (e ainda por cima, oscarizados), o roteiro de O Homem que Mudou o Jogo é meu favorito dentre os indicados. No complexo mundo da análise de jogadores de beisebol, Steven Zaillian e Aaron Sorkin – tomando como base o livro acima e o argumento de Stan Chervin – escrevem diálogos formidáveis cheios de passagens inspiradíssimas (especialmente nas formas em que lida com a mediocricidade do time), trabalham bem os personagens e passam um significado que vai além do esporte, lidando com questões familiares e principalmente a importância de uma boa escolha. Excelente.

Quotação Memorável:Você prefere levar um tiro na cabeça ou três no peito e sangrar até morrer?”Billy Beane

A Invenção de Hugo Cabret | John Logan

Adaptado de: Livro A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick

Usando a história de um orfão solitário como ponto de partida, John Logan tece uma trama empolgante e fantástica que traz uma mensagem linda em suas entrelinhas. Além de ser repleto de momentos de bom humor e falar muito sobre a História do Cinema (e atestar, junto com Scorsese, sua paixão de alma e coração pelo mesmo), emociona com sua metáfora onde o mundo é uma grande máquina, e que todos tem uma função nela. Inspirador.

Quotação Memorável:Se o mundo é como uma grande máquina, então eu não poderia ser uma peça extra. Eu tinha que estar aqui por um motivo. E você também” – Hugo Cabret

Tudo pelo Poder | George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon

Adaptado de: Peça Farragut North, de Beau Willimon

Praticamente ignorado no Oscar deste ano, o ótimo thriller político de George Clooney teve, ao menos, seu roteiro lembrado. Escrito pelo próprio Clooney, seu parceiro Grant Heslov e Beau Willimon tece uma intrigante rede de mentiras e traições, tendo como cenário uma eleição presidencial bem contemporânea. O grande atrativo, além dos belos diálogos, é como Tudo pelo Poder é acessível para qualquer um, independente do gosto político; basta ser apreciador de uma boa história.

Quotação Memorável:Você pode mentir, pode trair, pode começar uma guerra e até falir o país, mas você não pode comer as estagiárias. Eles te pegam por isso” – Stephen Meyers

FICOU DE FORA: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Steven Zaillian

Adaptado de: Livro Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de Stieg Larsson

Também de Steven Zaillian, aqui o roteirista faz um trabalho solo e dá uma aula de adaptação literária. Como leitor do livro original, é possível perceber o quanto Zaillian resumiu bem a trama e se deu a coragem de realizar mudanças favoráveis a fim de uma resolução dramática mais simplificada. Os diálogos são excelentes (o que se passa no porão de Martin Vanger é assustadoramente genial), assim como a intrincada construção estrutural da história e seus personagens. Zaillian está escrevendo o segundo filme, será que agora vai?

Quotação Memorável:É engraçado como o medo de ofender pode ser maior do que o medo da dor.” – Martin Vanger

APOSTA: Os Descendentes

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Homem que Mudou o Jogo

Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Woody Allen | Meia-Noite em Paris

Woody Allen sai um pouco de sua zona de conforto, no caso a cidade de Nova York, e se aventura nas luzes da Paris contemporânea e dos anos 20. A viagem  valeu a pena, já que o amado cineasta recebe sua primeira indicação para Melhor Diretor desde Tiros na Broadway (em 1995). Criando planos bem abertos e sem cortes, a direção de Allen é charmosa e sem muitos maneirismos, respeitando principalmente seu próprio roteiro e as bela arquitetura da cidade.

Michel Hazanavicius | O Artista

É preciso coragem para dirigir um filme mudo e preto-branco hoje em dia. Mas parece que o cineasta francês Michel Hazanavicius não se viu tão preocupado, já que comanda O Artista com naturalidade, maestria e expira ar fresco e novo, mesmo tratando-se de uma das mais antigas formas de cinema que existem. Hazanavicius adota a estrutura, capricha nos enquadramentos (sua mise em scène é soberba) e homenageia de alma e coração os bons tempos de Hollywood. Já ganhou o Directors Guild Awards, então é favorito.

Terrence Malick | A Árvore da Vida

Tímido e bastante reservado, o diretor Terrence Malick é indicado ao Oscar novamente e promete também permanecer anônimo durante a cerimônia. Dono de um estilo invejável, sua técnica em A Árvore da Vida é maravilhosa; sua câmera gira, balança e se move junto aos personagens, como se a mesma fosse um personagem com vida própria. Não me agrada o resultado do longa, mas a direção de Malick é muito bonita.

Alexander Payne | Os Descendentes

Fora da direção de um filme desde Sideways – Entre umas e Outras, Alexander Payne retorna em boa forma com seu ótimo retrato de uma família havaiana em crise com Os Descendentes. É engraçado como Payne vai inserindo humor na trama através de seu visual, como na corrida na praia – onde Matt vai percebendo quem é o corredor que passa por ele – e também equilibrando o drama, tal como na já famosa cena da picina, e na direção de seu impecável elenco.

Martin Scorsese | A Invenção de Hugo Cabret

Trabalhando com a tecnologia 3D – e em um filme para toda a família – pela primeira vez, Martin Scorsese mostra que ainda é um dos melhores cineastas de nossos tempos. Suas tradicionais assinaturas estão aqui (o uso da neblina, névoa entre os personagens), mas ele usa a ferramenta tridimensional para proporcionar uma imersão impressionante, principalmente com seus travellings digitais e uma atenção especial à trama, que se move com ritmo e de forma bem humorada.

FICOU DE FORA: David Fincher | Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Um dos melhores diretores da atualidade, David Fincher nunca trabalhou tanto o visual quanto em Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Mostra-se maduro e ao mesmo tempo infinitamente criativo, ousando nos planos (como na câmera que vira de ponta-cabeça) e sempre prestando atenção nos detalhes da cena (reparem em como enquadramentos mudam durante a cena do primeiro estupro e a vingaça do mesmo), sempre indo além em seu comando narrativo.

Artistas em decadência, a origem da vida, cavalos de guerra, famílias desfuncionais, empregadas lutando contra racismo, técnicos de beisebol que anseiam em mudar o jogo, inventores de cinema, escritores nostálgicos e crianças traumáticas disputam o Oscar deste ano. Os indicados são:

O Artista

O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma ode muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica, e nem mesmo um Oscar é grande o suficiente para o filme. Uma verdadeira obra-prima.” Crítica

A Árvore da Vida

“De verdade, eu não gostei de A Árvore da Vida. Acho suas imagens belíssimas, direção maravilhosa e seu elenco esplêndido, mas sua narrativa complexa e quase sem coerência não foi capaz de me prender, o que tornou a experiência cansativa. Não é um filme para todos, e certamente agradará aos fãs de Terrence Malick, mas não vejo nada de espetacular que possa justificar a indicação para Melhor Filme.Crítica

Cavalo de Guerra

“Cavalo de Guerra é um drama eficiente que, mesmo utilizando artifícios clichês e já explorados, consegue mostrar o poder de uma amizade em meio a uma guerra terrível, onde a inocência do animal – e a compaixão humana por este – surge como um tocante cessar-fogo.” Crítica

Os Descendentes

Os Descendentes é um filme maravilhoso, com um ritmo divertido e emocionante. É difícil para mim colocar em palavras o quanto gostei do filme, então digo apenas que é um longa que merece ser visto e que faz jus às suas indicações ao Oscar. Aloha! Crítica

Histórias Cruzadas

Com valores de produção bons o suficiente para recriar a época em questão, Histórias Cruzadas é um bom filme que, mesmo trazendo um tema já discutido diversas vezes, vale a vista graças a seu ótimo elenco e sua boa mistura de humor/drama. Crítica

O Homem que Mudou o Jogo

O Homem que Mudou o Jogo nos ensina muitas lições. Não apenas sobre beisebol (aqui, por exemplo, é fascinante acompanhar a desvalorização de jogadores por motivos banais), mas sobre todo o resto, já que este bate constantemente na tecla sobre as escolhas que surgem ao longo da vida e a consequência das mesmas. Comovente e bem executado, não é um home run, mas ainda assim uma ótima jogada que certamente merece suas 6 indicações ao Oscar.”
Crítica

A Invenção de Hugo Cabret

A Invenção de Hugo Cabret é mais do que apenas o primeiro 3D de Martin Scorsese. É uma história sobre encontrarmos nossa função no mundo e como os sonhos podem ser capturados pela incomparável magia do cinema. É uma carta de amor para o cinéfilo dentro de todos nós.” Crítica

Meia-Noite em Paris

“Divertidíssimo e com roteiro fabuloso, é um belíssimo atestado à Cidade da Luz e seus artistas, também apresentando um elenco equilibrado e uma bela mensagem sobre a valorização do presente e o poder que o tempo possuí sobre a arte. Algo que certamente Woody Allen compreende bem… . Crítica

Tão Forte e Tão Perto

Trazendo uma calorosa trilha sonora de Alexandre Desplat, Tão Forte e Tão Perto mostra o desespero para se receber indicações ao Oscar (Oskar, alguém?). Stephen Daldry acerta no visual e na ambientação de sua trama, mas não consegue evitar seus inúmeros clichês e situações desnecessárias, além de carecer por um protagonista mais talentoso. Um título melhor seria “Tão Dramático e Tão Apelativo”… Crítica

FICOU DE FORA: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

“Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres oferece tudo que a franquia literária merece, provindo um longa maduro e envolvente, catapultando a talentosa Rooney Mara ao estrelato e oferecendo, em uma rara ocasião, uma franquia blockbuster destinada ao público adulto.” Crítica

APOSTA: O Artista

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Invenção de Hugo Cabret

É isso aí, o especial vai ficando por aqui. Juntem-se a mim durante minha transmissão ao vivo do Oscar 2012 no Domingo (publicarei mais detalhes em breve). Até mais!

| Os Descendentes | Honrando a camisa florida

Posted in Cinema, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , on 5 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

4.0


George Clooney e Shailene Woodley em um momento crucial da trama

Todo mundo tem uma certa impressão sobre o Havaí. A maioria das pessoas tende a vê-lo como um paraíso tropical, um lugar para relaxar e isentar-se dos problemas rotineiros; imagem estabelecida por inúmeros filmes e seriados de TV. Os Descendentes mostra que sim, o Havaí é lindo e maravilhoso, mas nem por isso são todos os seus habitantes.

A trama gira em torno de Matt King (George Clooney), poderoso homem de negócios que se encontra em um grande problema quando sua mulher entra em coma, deixando-o responsável pelas duas filhas. Além disso, tem que tomar uma decisão importante em uma venda de terras que será definitiva para o estado e com um segredo deixado pela esposa.

Adaptado da obra de Kaui Hart Hemmings, Os Descendentes superou minhas expectativas. Alexander Payne não dirigia um longa desde Sidways – Entre Umas e Outras, e compensa a ausência de 8 anos com a divertida, e ao mesmo tempo dramática, história de Matt King. Com uma perceptível alma indie, Payne comanda o filme com leveza e humor, destacando as paisagens havaianas e criando planos originais (como a cena da piscina, onde as lágrimas de um dos personagens se escondem debaixo da água), assim como respeita algumas tradições típicas do Havaí; como retirar os sapatos antes de entrar em casa e a presença de camisas floridas até em reuniões de negócios. Payne também co-assina o roteiro, com Nat Faxon e Jim Rash e cria passagens memoráveis – o uso da narração em off nos minutos iniciais é bem aplicado e auxilia na introdução à trama e seus personagens – além de trabalhar muitíssimo bem seus personagens.

Merecem aplausos também o talentoso elenco reunido aqui. A começar por George Clooney, que só tem recebido elogios por sua performance aqui, e  ele certamente  os merece; o ator mostra-se muito carismático e consegue fazer de King um personagem realista e natural (com leves toques de bizarrice, como na hilária cena da corrida), ao mesmo tempo em que retrata seu lado frágil. É admirável também a química de Clooney com as intérpretes de suas filhas Scottie e Alexandra, Amara Miller e Shailene Woodley (ambas excelentes, mas Woodley chama mais atenção pela força/vulnerabilidade emocional de sua personagem) e como fica evidente a dificuldade do pai em lidar com as duas. De coadjuvantes, Matthew Lillard faz uma participação memorável como um corretor de imóveis – sem querer estragar uma surpresa da trama.

Os Descendentes é um filme maravilhoso, com um ritmo divertido e emocionante. É difícil para mim colocar em palavras o quanto gostei do filme, então digo apenas que é um longa que merece ser visto e que faz jus às suas indicações ao Oscar. Aloha!

Confira os indicados ao DGA 2012

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , on 9 de janeiro de 2012 by Lucas Nascimento

O sindicato dos diretores também acaba de anunciar seus indicados para 2012. Confira os felizardos abaixo:

Woody Allen – Meia-Noite em Paris

David Fincher – MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Michel Hazanavicius – O Artista

Alexander Payne – Os Descendentes

Martin Scorsese – A Invenção de Hugo Cabret

Surpreso por ver o sr. Fincher na lista! MILLENNIUM vai ganhando cada vez na força na disputa. Mas quem deve levar o prêmio é o francês Michel Hazanavicius, e se este vencer, tudo indica que o Oscar também será dele.

O vencedor será anunciado em 28 de Janeiro.