Arquivo para Alexandre Desplat

ESPECIAL OSCAR 2015 Ou (Como Aprendi a Ignorar as Loucuras da Academia e Curtir o Show) | Volume Três | Sons & Música

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 16 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Hora de falar sobre as categorias sonoras…

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Birdman | Martín Hernández e Aaron Glascock

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Não sei se foi a sala que assisti, mas o trabalho de som em Birdman é absurdamente espetacular. Talvez a fim de capturar o ambiente de uma tomada contínua – e assim, de múltiplos ambientes em uma tomada contínua – Hernández e Glascock trazem o som do filme nítido, claro e explosivo nos momentos certos. O grande destaque certamente é a primeira aparição física do super-herói Birdman, que traz consigo um espetáculo de explosões, lasers, mísseis e até uma água robótica gigante.

  • MPSE – Edição de Música

Interestelar | Richard King

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Christopher Nolan foi para o espaço com Interestelar, mas nem por isso abaixou o volume. Temos perseguições de carro em meio a milharais, ondas colossais atacando espaçonaves e algumas súbitas explosões, e Richard King permanece eficáz ao lhe garantir o impacto necessário. O que mais fascina aqui, porém, são as cenas em que Nolan aposta no silêncio do espaço, deixando apenas a trilha de Hans Zimmer ou os diálogos dos personagens em primeiro plano: a fuga do Dr. Mann é um bom exemplo, onde uma sequência de quase 7 minutos de silêncio é abruptamente interrompida por uma assustadora explosão. Vale apontar também a cena da tempestade poeira e o design sonoro das naves espaciais (especialmente as vibrações provocadas por impactos no espaço).

Invencível | Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro

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Não tendo despontado nas categorias principais, Invencível teve que se contentar com duas indicações nas categorias sonoras. E sinceramente, não sei se era alguma irregularidade do cinema em que assisti ao filme, mas o trabalho de edição de som não me impressionou muito. Um fato um tanto incomum considerando que temos grandes sequências envolvendo batalhas aéreas, metralhadoras e bombardeios. O grande destaque do departamento é quando Louie e seus amigos ficam presos em alto mar, dando espaço ao som de ondas e até ataques-surpresa de tubarões ferozes.

  • MPSE – Edição de Diálogo & ADR

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos | Brent Burge e Jason Canovas

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Única indicação de A Batalha dos Cinco Exércitos ao Oscar (tornando-se o único filme da franquia da Terra Média a não ser indicado para Efeitos Visuais), o trabalho de som aqui faz o que se espera de um filme que promete uma gigantesca batalha. Temos lá exércitos de orcs, elfos, humanos e anões, além de criaturas que vão de águias até dragões cuspidores de fogo – cada um com suas respectivas armas (espadas, arcos, bastões de madeira). É uma vasta diversidade que a dupla equilibra bem, na medida que o espetáculo requer.

Sniper Americano | Alan Robert Murray e Bub Asman

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Outro tipo de trabalho que a Academia adora premiar: filmes de guerra. E no quesito de tiros, explosões e rajadas de vento, Sniper Americano não decepciona. As sequências que envolvem o silêncio do protagonista antes de um disparo letal são primorosas, especialmente quando a bala explode em um bang sutil e suave. Vale destacar também a cena em que o pelotão de Chris Kyle é surpreendido por uma feroz tempestade de areia, que torna praticamente todo diálogo inaudível.

  • MPSE – Efeitos Sonoros & Foley

APOSTA: Sniper Americano

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Invencível

MEU VOTO: Interestelar

FICOU DE FORA: Corações de Ferro

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Em um filme onde tanques de guerra são um elemento central, é de se imaginar que o som será algo absurdo. E Corações de Ferro jamais decepciona nesse quesito, trazendo belas cenas de tiroteios, explosões e até uma intensa batalha entre dois tanques ferozes. O design de som também é esforçado, já que os protagonistas passam boa parte do filme dentro da barriga de ferro que é o tanque Fury, criando também um bom ambiente sonoro.

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Birdman | Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga

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Uma das grandes injustiças deste Oscar reside na ausência da trilha sonora de Antonio Sanchez para Birdman. Sua música toda em percussão jazzística é composta por baterias e tambores, traduzindo com excelência o estado de espírito dos personagens e os pontos de viradas da história, encaixando-se muitíssimo bem com os demais elementos sonoros do filme. A narrativa mentalinguística até brinca com tais elementos, como quando Riggan pede que “música toque”, preenchendo todo campo sonoro com uma peça musical não-diegética, mas que torna-se diegética na imaginação do personagem. Mas meu elemento preferido certamente é o batimento de um relógio que sutilmente preenche o camarim do protagonista, de forma a lembrá-lo que a hora final se aproxima.

  • Cinema Audio Society

Interestelar | Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten

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OK, essa é uma indicação polêmica. Para aqueles que não sabem, Interestelar sofreu diversas reclamações do público americano quanto à sua mixagem de som, atestando que a música era tão alta que os diálogos tornavam-se inaudíveis. O próprio Christopher Nolan teve que vir a público defender o trabalho – mixado do jeito que queria – , que chamou de “experimental”. Bem, realmente certas cenas sofrem desse problema (a perseguição no milharal é o melhor exemplo, já que o diálogo de Cooper é quase inaudível), mas confesso que o barulho ajudou muito na experiência sensorial do filme. A trilha de Hans Zimmer subindo, a tensão crescendo nas ações paralelas e as reviravoltas todas realmente me pegaram. Momentos como quando Cooper ouve sons da natureza na nave ou o próprio silêncio do espaço e sua revelação no mítico Tesseract também são dignos de nota.

Invencível | Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee

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Como já discuti acima, Invencível traz uma série de situações que testam o protagonista, e que também oferecem espaço para que a equipe de mixagem de som explore suas oportunidades. Não acho a trilha de Alexandre Desplat particularmente memorável aqui, mas o filme até consegue se sobressair em cenas como quando Louie corre uma maratona, e a paisagem sonora é dominada por sons de respiração, passos no chão e transmissões de rádio.

Sniper Americano | John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin

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Não há muita música em Sniper Americano, mas a trinca acima faz um ótimo trabalho ao criar sequências de múltiplas ações, cujos sons se misturam com habilidade. O primeiro encontro com o terrorista “Açogueiro” e o sniper inimigo rende uma das cenas mais intensas do longa, e o som que traduz o desespero das vítimas e a urgência do tiroteio é sobrenatural. Outro elemento muito interessante são as cenas em que Chris Kyle está de volta em sua casa, mas os sons de helicópteros e tiros continuam invadindo sutilmente seu cotidiano (a tomada da televisão desligada é genial, por exemplo). Ótimo trabalho.

Whiplash: Em Busca da Perfeição | Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley

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Em um filme onde a música é um dos principais componentes da história, a mixagem de som é fundamental. E a equipe representada pela trinca acima acerta ao colocar a platéia dentro dos grupos musicais ali. A cacofonia sonora durante o preparo dos instrumentos (sendo afinados, testados) é impecável, transportando a platéia diretamente para a escola Shaffer (com os gritos de Terence Fletcher quase superando a bateria insana), o minúsculo apartamento de Andrew ou a magnitude do Carnegie Hall de Nova York. Números musicais como “Caravan” e “Whiplash” se destacam pela diversidade sonora. A mixagem de som de Whiplash – Em Busca da Perfeição é, realmente, a de uma música.

  • BAFTA

APOSTA: Whiplash

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Birdman

MEU VOTO: Birdman

FICOU DE FORA: Garota Exemplar

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Os filmes de David Fincher são impecáveis e minuciosos em todos os departamentos, e o de mixagem de som é um dos mais importantes. Tendo a trilha sonora atmosférica de Trent Reznor e Atticus Ross em seu pano de fundo, Garota Exemplar é composto por diversos voice overs e cenas em que a ação fica completamente muda, dando espaço à música e alguns efeitos sonoros-chave (como a sequência da “garota descolada” em que Amy revela suas reais intenções ou a antológica cena em que o personagem de Neil Patrick Harris se encontra numa situação inesperada). Não é um trabalho que grita por atenção, mas eficaz em sua sutilidade.

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O Grande Hotel Budapeste | Alexandre Desplat

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É um grande ano para Alexandre Desplat. Além da dupla indicação por O Grande Hotel Budapeste e O Jogo da Imitação (chegaremos nesse em alguns instantes), o compositor francês também trouxe ótimos trabalhos em Caçadores de Obras-Primas, Godzilla e Invencível. Em sua mais recente contribuição com Wes Anderson, Desplat cria a trilha musical mais divertida do ano ao tomar inspiração da musicalidade do Leste Europeu, dando vida aos mais diferentes tipos de personagens (“Mr. Moustafa”, “The Family Desgoffe und Taxis”, “M. Ivan”) e às situações mais loucas (“The Cold Blooded Murder of Deputy Vilmos Kovacs”, “Canto at Gabelmeister’s Peak”). Talvez seja o melhor trabalho de Desplat até hoje.

Melhor Faixa: “The Family Desgoffe und Taxis”

  • BAFTA
  • Grammy

Interestelar | Hans Zimmer

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Já disse inúmeras vezes aqui o quanto admiro Hans Zimmer. É sem dúvida o compositor mais talentoso trabalhando atualmente, e seu trabalho para o épico sci fi de Christopher Nolan é um dos maiores feitos de sua carreira. Adotando o órgão de igreja como principal instrumento, Zimmer teça uma música intimista e que traduz sonoramente a relação pai e filha entre Cooper e Murph (“Stay”, “Day One”) ao mesmo tempo em que almeja a grandiosidade (“No Time For Caution”), o terror do misterioso (“The Wormhole”), a tensão (“Mountains”, “Imperfect Lock”) e coisas simplesmente belíssimas (“Cornfield Chase”, “Where We’re Going”). Ouvir a trilha de Interestelar é uma experiência quase religiosa, catártica.

Melhor Faixa: “Coward”

O Jogo da Imitação | Alexandre Desplat

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Segunda indicação de Desplat na noite! E sua trilha mais cerebral para O Jogo da Imitação é mais uma chance de garantir a tão merecida estatueta. Dentro do âmbio da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria, Desplat oferece uma música mais delicada e intimista, usando mais do piano para sugerir o alto intelecto do protagonista Alan Turing (“The Imitation Game”, “Decrypting” e “Crosswords”). Já quando se entrega ao drama mais pesado (“Christopher Is Dead”, “The Apple”) Desplat usa algo mais tradicional, e óbvio. Entre esta e O Grande Hotel Budapeste, fico com Wes Anderson.

Melhor Faixa: “Decrypting”

Sr. Turner | Gary Yershon

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Mais uma indicação surpresa para Sr. Turner, que conseguiu ter sua trilha sonora lembrada aqui. Não era familiarizado com o trabalho de Gary Yershon, mas gostei muito do que ouvi aqui. Mesmo sem ter assistido ao filme, a trilha de Yershon funciona bem e consegue transmitir a obsessão de seu protagonista através de um longo e distorcido violino, mas sem deixar uma elegante orquestra de fora. É um misto de terror, perfeição e drama; diferente de qualquer um dos outros indicados. Yershon é uma grande revelação.

Melhor Faixa: “Action Paiting”

A Teoria de Tudo | Jóhann Jóhannsson

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Nascido na Islândia, Jóhann Jóhannsson desponta com a trilha sonora de A Teoria de Tudo, adotando o piano como seu melhor amigo para contar a história de Stephen Hawking e sua esposa, Jane. A verdade é que há pouco de realmente original no trabalho de Jóhannsson, já que este é centrado em pianos, violinos de forma a fazer o espectador se emocionar o tempo todo (diga-se, fazer chorar). Algumas faixas são realmente bonitas (“Cambridge, 1963” e “Domestic Pressures”, por exemplo), e gosto quando a música se concentra na inteligência de Hawking (“Chalkboard”, “Camping”), mas no geral é um trabalho água com açúcar.

Melhor Faixa: “Cambridge, 1963”

  • Globo de Ouro

APOSTA: O Grande Hotel Budapeste

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Teoria de Tudo

MEU VOTO: Interestelar

FICOU DE FORA: Garota Exemplar | Trent Reznor & Atticus Ross

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David Fincher e a dupla Trent Reznor & Atticus Ross são um caso de compatibilidade sem igual: a dupla entende perfeitamente o tom e o clima dos filmes do diretor, e não foi diferente com o suspense Garota Exemplar, que exigiu uma música mais sutil, mas ao mesmo tempo abstrata (“The Way He Looks at Me”), radical (“Technically, Missing”) e assustadora (“What Have We Done with Each Other?”). Tem até espaço para a fofura, ainda que levemente distorcida (“Sugar Storm”). A Academia só lembrou deles uma vez, infelizmente.

Melhor Faixa: Technically, Missing

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“Everything is Awesome” | Uma Aventura Lego | Shawn Patterson

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Ainda não consigo entender como Uma Aventura Lego não conseguiu uma indicação a Melhor Animação… De verdade, acredito ser puro exibicionismo da Academia. Mas a canção irritante/adorável que povoa o mundo dos personagens foi lembrada. “Everything is Awesome” (ou “Tudo é Incrível” na versão BR) é uma música divertida e ainda mais viciante do que a vencedora do ano passado (“Let it Go”, claro). É uma letra bobinha que valoriza a amizade e o trabalho em equipe, mas serve bem à temática do filme.

LETRA

Everything is awesome
Everything is cool when you’re part of a team
Everything is awesome when we’re living our dreamEverything is better when we stick together
Side by side, you and I gonna win forever, let’s party forever
We’re the same, I’m like you, you’re like me, we’re all working in harmonyEverything is awesome
Everything is cool when you’re part of a team
Everything is awesome when we’re living our dream(Wooo)
3, 2, 1. GoHave you heard the news, everyone’s talking
Life is good ‘cause everything’s awesome
Lost my job, it’s a new opportunity
More free time for my awesome communityI feel more awesome than an awesome possum
Dip my body in chocolate frostin’
Three years later, wash off the frostin’
Smellin’ like a blossom, everything is awesome
Stepped in mud, got new brown shoes
It’s awesome to win, and it’s awesome to lose (it’s awesome to lose)Everything is better when we stick together
Side by side, you and I, gonna win forever, let’s party forever
We’re the same, I’m like you, you’re like me, we’re all working in harmonyEverything is awesome
Everything is cool when you’re part of a team
Everything is awesome when we’re living our dreamBlue skies, bouncy springs
We just named two awesome things
A Nobel prize, a piece of string
You know what’s awesome? EVERYTHING!

Dogs with fleas, allergies,
A book of Greek antiquities
Brand new pants, a very old vest
Awesome items are the best

Trees, frogs, clogs
They’re awesome
Rocks, clocks, and socks
They’re awesome
Figs, and jigs, and twigs
That’s awesome
Everything you see, or think, or say
Is awesome

Everything is awesome
Everything is cool when you’re part of a team
Everything is awesome when we’re living our dream

“Glory” | Selma – Uma Luta por Igualdade | John Stephens (John Legend) e Lonnie Lynn (Common)

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Grande favorito da categoria, “Glory” é a inusitada segunda indicação de Selma no Oscar deste ano. A música de John Legend e Common mistura gospel e hip hop para homenagear não apenas a figura de Martin Luther King, mas toda a luta de classes e de raças, trazendo até espertas referências aos incidentes de Ferguson. Pessoalmente, o coro forte de Legend me atrai mais do que a proclamação firme de Common, mas é uma bela música com uma poderosa mensagem.

  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

LETRA

One day when the glory comes
It will be ours, it will be ours
Oh one day when the war is won
We will be sure, we will be sure
Oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)

Hands to the Heavens, no man, no weapon
Formed against, yes glory is destined
Every day women and men become legends
Sins that go against our skin become blessings
The movement is a rhythm to us
Freedom is like religion to us
Justice is juxtapositionin’ us
Justice for all just ain’t specific enough
One son died, his spirit is revisitin’ us
Truant livin’ livin’ in us, resistance is us
That’s why Rosa sat on the bus
That’s why we walk through Ferguson with our hands up
When it go down we woman and man up
They say, “Stay down”, and we stand up
Shots, we on the ground, the camera panned up
King pointed to the mountain top and we ran up

One day when the glory comes
It will be ours, it will be ours
Oh one day when the war is won
We will be sure, we will be sure
Oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)

Now the war is not over, victory isn’t won
And we’ll fight on to the finish, then when it’s all done
We’ll cry glory, oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)
We’ll cry glory, oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)

Selma’s now for every man, woman and child
Even Jesus got his crown in front of a crowd
They marched with the torch, we gon’ run with it now
Never look back, we done gone hundreds of miles
From dark roads he rose, to become a hero
Facin’ the league of justice, his power was the people
Enemy is lethal, a king became regal
Saw the face of Jim Crow under a bald eagle
The biggest weapon is to stay peaceful
We sing, our music is the cuts that we bleed through
Somewhere in the dream we had an epiphany
Now we right the wrongs in history
No one can win the war individually
It takes the wisdom of the elders and young people’s energy
Welcome to the story we call victory
The comin’ of the Lord, my eyes have seen the glory

One day when the glory comes
It will be ours, it will be ours
Oh one day when the war is won
We will be sure, we will be sure
Oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)
Oh glory (Glory, glory)
Hey (Glory, glory)

When the war is won, when it’s all said and done
We’ll cry glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)

“Grateful” | Além das Luzes | Diane Warren

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Diane Warren (AKA Rita Ora) abocanha sua sétima indicação na categoria, tendo emprestado sua voz para canções-tema de filmes de ação como Armageddon e Con Air. Agora, ela fornece “Grateful” para o longa musical Além das Luzes (é, também nunca ouvi falar), sobre o romance entre uma aspirante a cantora e um policial. É uma boa música, mas não me parece muito diferente das milhares de músicas pops que encontramos nas rádios americanas.

LETRA

There were a lot of tears I had to cry through
A lot of battles left me battered and bruised
And I was shattered, had my heart ripped in two
I was broken, I was broken
There were a lot of times I stumbled and crashed
When I was on the edge, down to my last chance
So many times when I was so convinced that
I was over, I was over
But I had to fall yeah
To rise above it all

I’m grateful for the storm
Made me appreciate the sun
I’m grateful for the wrong ones
Made me appreciate the right ones
I’m grateful for the pain
For everything that made me break
I’m thankful for all my scars
‘Cause they only make my heart
Grateful, grateful, grateful, grateful, grateful
Grateful

I was sinking, I was drowning in doubt
The weight all of the pain was weighing me down
Pulled it together and I pulled myself out
Learned a lesson, learned a lesson
That there’s a lot you gotta go through, hell yes
But that’s what got me strong, I got no regrets
And I’ve got only love, got no bitterness
Count my blessings, count my blessings, yeah
I’m proud of every tear, yeah
‘Cause they got me here

I’m grateful for the storm
Made me appreciate the sun
I’m grateful for the wrong ones
Made me appreciate the right ones
I’m grateful for the pain
For everything that made me break
I’m thankful for all my scars
‘Cause they only make my heart
Grateful, grateful, grateful, grateful, grateful
Grateful

There is nothing I would change
That even one mistake I made
I got lost, found myself, found my way

I’m grateful for the storm
Made me appreciate the sun
I’m grateful for the wrong ones
Made me appreciate the right ones
I’m grateful for the pain
For everything that made me break
I’m thankful for all my scars
‘Cause they only make my heart
Grateful, grateful, grateful, grateful, grateful, oh
Grateful

You know that I’m grateful
You know that I care
No time for the wrong ones
I’ll always be there
Grateful
Woah (Grateful, grateful, grateful)
I’m grateful, oh yeah (Grateful, grateful)
Oh, I’m grateful, yeah

“I’m Not Gonna Miss You” | Glenn Campbell… I’ll Be Me | Glen Campbell e Julian Raymond

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Eu nunca tinha ouvido falar em Glen Campbell até sua indicação ao Oscar pelo documentário Glenn Campbell… I’ll Be Me. Acontece que Campbell é um cantor country que agora sofre de Alzheimer, e o longa em questão nos leva aos bastidores de seu último show. “I’m Not Gonna Miss You” é bonita e se beneficia de tocar durante uma cena com lembranças de arquivo da vida de Campbell.

LETRA

I’m still here, but yet I’m gone
I don’t play guitar or sing my songs
They never defined who I am
The man that loves you ‘til the end

You’re the last person I will love
You’re the last face I will recall
And best of all, I’m not gonna miss you
Not gonna miss you

I’m never gonna hold you like I did
Or say I love you to the kids
You’re never gonna see it in my eyes
It’s not gonna hurt me when you cry

I’m never gonna know what you go through
All the things I say or do
All the hurt and all the pain
One thing selfishly remains

I’m not gonna miss you
I’m not gonna miss you

“Lost Stars” | Mesmo Se Nada Der Certo | Gregg Alexander e Danielle Brisebois

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Um dos sucessos-surpresa do ano passado, Mesmo Se Nada Der Certo é um romance indie centrado em músicos aspirantes, então faz muito sentido que o filme tenha sido lembrado aqui. “Lost Stars” é uma agradável e linda balada de rock indie, que no filme é cantada por Adam Levine. Na cena em questão, o filme quase se transforma num videoclipe, quando começa a intercalar cenas do show ao vivo de Dave com a reação de Gretta, que logo sai para andar de bicicleta pela cidade.

LETRA

Please don’t see just a boy caught up in dreams and fantasies
Please see me reaching out for someone I can’t see
Take my hand let’s see where we wake up tomorrow
Best laid plans sometimes are just a one night stand
I’d be damned Cupid’s demanding back his arrow
So let’s get drunk on our tears and

God, tell us the reason youth is wasted on the young
It’s hunting season and the lambs are on the run
Searching for meaning
But are we all lost stars, trying to light up the dark?

Who are we? Just a speck of dust within the galaxy?
Woe is me, if we’re not careful turns into reality
Don’t you dare let our best memories bring you sorrow
Yesterday I saw a lion kiss a deer
Turn the page maybe we’ll find a brand new ending
Where we’re dancing in our tears and

God, tell us the reason youth is wasted on the young
It’s hunting season and the lambs are on the run
Searching for meaning
But are we all lost stars, trying to light up the dark?

I thought I saw you out there crying
I thought I heard you call my name
I thought I heard you out there crying
Just the same

God, give us the reason youth is wasted on the young
It’s hunting season and this lamb is on the run
Searching for meaning
But are we all lost stars, trying to light up the dark?

I thought I saw you out there crying
I thought I heard you call my name
I thought I heard you out there crying

But are we all lost stars, trying to light up the dark?
But are we all lost stars, trying to light up the dark?

APOSTA: Glory

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Difícil, mas talvez I’m Not Gonna Miss You

MEU VOTO: Lost Stars

FICOU DE FORA: “Immortals” | Operação Big Hero | Fallout Boy

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Operação Big Hero é uma animação bem bacanuda, mas quando “Immortals” invade o longa durante a sequência de treinamento da equipe recém-formada, ele ameaça de se tornar algo realmente especial. A composição do grupo Fallout Boy mistura com elegância acordes japoneses com um rock pop, em total sincronia com o tema principal do filme, que envolve uma metrópole que mistura São Francisco e Tóquio.

LETRA

They say we are what we are
But we don’t have to be
I’m glad to hate you but I do it in the best way
I’ll be the watcher of the eternal flame
I’ll be the guard dog of all your fever dreams

I am the sand in the bottom half of the hourglass (glass, glass)
I try to picture me without you but I can’t
‘Cause we could be immortals, immortals
Just not for long, for long

If we meet forever now, you pull the blackout curtains down
Just not for long, for long
We could be immor-immortals, immor-immortals
Immor-immortals, immor-immortals
Immortals

Sometimes the only payoff for having any faith
Is when it’s tested again and again everyday
I’m still comparing your past to my future
It might be over, but they’re not sutures

I am the sand in the bottom half of the hourglass (glass, glass)
I try to picture me without you but I can’t
‘Cause we could be immortals, immortals
Just not for long, for long

If we meet forever now, you pull the blackout curtains down
Just not for long, for long
We could be immor-immortals, immor-immortals
Immortals

If we meet forever now, pull the blackout curtains down
We could be immor-immortals, immor-immortals
Just not for long, for long
We could be immor-immortals, immor-immortals
Immor-immortals, immor-immortals
Immortals

A última parte, sobre as categorias principais, sairá até o final da semana.

| O Jogo da Imitação | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

TheImitationGame
Benedict Cumberbatch é Alan Turing

Ainda que o que esteja em primeiro plano em um grande acontecimento receba o grande mérito e reconhecimento, sempre me interessei pelos eventos que aconteciam por detrás das cortinas, nos bastidores. O Jogo da Imitação se dedica a explorar os esforços de um time de matemáticos que lutavam uma vertente diferente da guerra, mas igualmente importante.

A trama se dedica a contar a história de Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um matemático brilhante que é selecionado para ajudar os Aliados a quebrar um código nazista indecifrável que pode lhes garantir a vitória da Segunda Guerra Mundial. A narrativa se divide para contar esse episódio, assim como sua adolescência e sua condenação por ser homossexual, em 1951.

É uma ótima e importante história, especialmente levando em consideração o legado que Turing nos deixa. Computadores, smartphones e outras máquinas do tipo não existirião tão cedo sem seus experimentos inovadores, usados aqui em uma guerra aparentemente inofensiva; travada dentro de galpões e escritórios, mas que o filme do norueguês Morten Tyldum (do divertidíssimo Headhunters) retrata como crucial, contando com um vasto trabalho de recriação de época e composições de Alexandre Desplat que incitem a genialidade e o suspense.

O roteiro de Graham Moore oferece excelentes diálogos que conseguem explorar a urgência da guerra, o humor e a psique de Turing, desde sua arrogância inadvertida até seus raros momentos de sensibilidade. É uma pena que Moore aposte tanto em fórmula na maior parte do filme, promovendo uma narrativa que entretém, mas que pouco inova ou provoca – a exceção é quando o grupo decifra o tal enigma pela primeira vez, mas questiona se seria a decisão mais sábia usar as informações obtidas, mesmo que estas possam salvar inúmeras vidas. Estruturalmente, o filme perde força ao quebrar a narrativa principal para os flashbacks e flashfowards, especialmente por gastar tempo em informações que já havíamos recebido (a investigação do policial de Rory Kinnear, por exemplo, poderia ser facilmente encurtada a fim de evitar repetições e falsos mistérios).

Porém, temos um grande elenco para povoar a história. Benedict Cumberbatch brilha nesta que é a melhor performance de sua carreira, compondo um Turing ambíguo e arrogante, utilizando-se de diversas nuances e acertadamente flertando com o caricato – sem cair inteiramente nessa armadilha. Keira Knightley também está adoravelmente carismática como a brilhante Joan Clarke, e o texto de Moore cria uma relação interessante e moderna (ainda que se passa na década de 40) entre os dois. De elenco coadjuvante, Mark Strong, Matthew Goode e Charles Dance (reprisando seu papel autoritário de Game of Thrones) fecham bem o pacote.

O Jogo da Imitação é um bom filme, mas que não vai muito além da fórmula do biopic esperado de uma temporada de prêmios, pouco arriscando-se. Traz um roteiro eficiente, atuações impecáveis e um grande respeito pelo trabalho de Alan Turing, ainda que não seja uma obra excepcional como a obra de seu biografado.

Obs: Publicado após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 22 de Janeiro de 2015.

| Invencível | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , on 15 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

3.0

Unbroken
Jack O’Connell

Não sou um membro da indústria cinematográfica, nem convivo com pessoas do meio, então é difícil saber o que se passa entre os bastidores de certas produções e se as comédias de humor negro sobre Hollywood acertam em seu retrato. Eu realmente não sei se alguns diretores resolvem fazer tal filme visando apenas as premiações, dinheiro…. Ah, espera. Alguns só pensam nisso, sim. O problema é que Angelina Jolie não é nada sutil com suas intenções em Invencível.

A trama aborda a surpreendente história real de Louis Zamparine (Jack O’Connell), um jovem rebelde que acaba descobrindo habilidade de corrida, o que um transforma num atleta olímpico. Com o avanço da Segunda Guerra Mundial, Zamparine é alistado e vai de mal a pior quando seu bombardeio cai em alto-mar, deixando-o à deriva até ser “resgatado” por tropas japonesas, que o confinam num campo de prisioneiros.

Ou seja, temos três gêneros aqui: o filme esportivo, o filme de guerra e o filme de náufrago. É de se espantar que Louie Zamaparine tenha de fato sobrevivido a tudo isso na vida real, admirável. É um grande material que Jolie tinha em mãos, e ela reuniu um time de vencedores em praticamente todo departamento: os irmãos Joel e Ethan Coen para adaptar o roteiro, Roger Deakins para cuidar da fotografia, William Goldenberg e Tim Squyres (que, ironicamente, montou As Aventuras de Pi) na montagem e Alexandre Desplat na trilha sonora. Mas curiosamente, o texto não se parece nada com algo que os Coen faria, a música de Desplat é um de seus trabalhos mais esquecíveis e a fotografia de Deakins é competente, mas nada que desponte em suas melhores contribuições – e olha que estamos falando de um dos maiores diretores de fotografia da atualidade.

Isso revela que o departamento que atua em cima disso tudo, A.K.A., a direção, não estava muito bem. Jolie consegue pintar umas boas paisagens e constrói tensão apropriadamente aqui e ali (as cenas com tubarões são ótimas), mas tem a mão pesada e trata tudo como algo melodramático e superexagerado, como se gritasse atrás das câmeras que “isso é importante” ou “isso é triste”, ou ainda “Oscar!”. Sua câmera quase sempre está na contra luz, desacelera para provocar catarses o tempo todo, o que provoca uma significativa diminuição no impacto que estas teriam.

Mas disso, temos a revelação de Jack O’Connell. Em seu primeiro grande papel cinematográfico, o jovem demonstra carisma e também a força que Zamperini precisa: ele corre, grita, se suja e também traz paciência e sabedoria nos momentos-chave. Só queria saber quem é Louie Zamperini, porque o filme não me ensinou nada sobre ele. É um sujeito bom, retratado de forma idealista como um ícone, mas eu realmnte não sei o que o move, o que o motiva… Como protagonista de uma narrativa, claro.

Invencível é uma história surpreendente e que poderia ter rendido melhor nas mãos de outros autores, mas que se sustenta aqui graças ao talento de seu protagonista. Angelina Jolie lentamente vai moldando sua visão autoral, mas não é com um melodrama gritante – ainda que bem intencionado – que ela vai se juntar aos grandes.

| Godzilla | Crítica

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 15 de maio de 2014 by Lucas Nascimento

3.0

Godzilla
Godzilla is back

Criado por executivos da Toho Co em 1954, Godzilla é um dos mais adorados ícones da cultura pop da cultura mundial, sendo um dos grandes representantes do gênero japonês Kaiju. Serviu como metáfora inteligente para a questão nuclear que se intensificava na época de seu lançamento e rendeu 28 longas em sua terra natal, além de duas versões americanas. No aniversário de 60 anos do lagartão radioativo, a Warner aposta na visão de Gareth Edwards no reboot Godzilla, que agrada ao resgatar elementos clássicos da franquia, mas erra no tom.

A trama traz os eventos para os dias atuais, com um cientista (vivido por Bryan Cranston) vasculhando para descobrir um segredo encoberto pela empresa japonesa na qual trabalhava antes da morte de sua esposa (Juliette Binoche). Ao mesmo tempo em que seu filho militar (Aaron Taylor-Johnson) retorno para os EUA, estranhos acontecimentos culminam no aparecimento de monstros gigantes que ameaçam cidades americanas – despertando Godzilla, que parte para detê-los.

É isso aí que você leu: Godzilla é, de certa forma, o herói do filme. É uma novidade para as pessoas não familiarizadas com o legado do personagem, mas tal decisão já foi usada diversas vezes ao longo de seus longas japoneses (o monstrão já teve até filhos, parceiros e crossovers) e serve como um diferencial interessante. A forma como o roteirista Max Borenstein (que seguiu ideias de Frank Darabont e David Goyer) descreve a criatura como “uma força da natureza que visa estabelecer equilíbrio no meio natural” é estimulante, assim como a ideia de trazer oponentes que não humanos – ainda que a criatura gigantesca represente uma ameaça à população. Vale elogiar também o design da criatura, que mantém a postura lenta e “gordozilla” do original.

Responsável pelo indenpendente Monstros, Gareth Edwards acerta quando aposta no espetáculo, principalmente quando Godzilla sai na mão com algum de seus oponentes. O diretor ainda brinca com o espectador ao sempre adiar o encontro entre as criaturas, como uma grande porta se fechando antes do combate ou vislumbres em uma televisão. O senso de tamanho é igualmente importante, e ver coisas como um plano plongé que traz o protagonista nadando ao lado de um cargueiro, transformando os humanos em meras formigas, é animador.  Também ajuda na revelação de seus monstros a trilha sonora surpreendentemente épica de Alexandre Desplat, que acertadamente escolhe trombetas e flautas japonesas para compor a narrativa.

Mas se Godzilla impressiona no visual, decepciona em seu roteiro.

Não que seja sensato esperar uma história genial vinda de um filme que traz monstros gigantes batalhando entre prédios, mas se você está disposto a concentrar mais da metade do tempo de projeção em subtramas humanas, ao menos torne-as envolventes. Borenstein fica preso à clichês e convenções (o militar voltando para casa, intrigas pai e filho, mulher e marido…), pecando ainda por seus diálogos expositivos (“Não pai, eu sou do esquadrão antibombas. Eu desarmo bombas, não construo”) e a unidimensionalidade de seus personagens; algo que também não ajuda o elenco. É só notar a diferença de qualidade entre a cena mais dramática entre Bryan Cranston e Juliette Binoche e aquelas entre Aaron Taylor-Johnson e Elizabeth Olsen (ainda que eu fosse capaz de assistir a uma trilogia só com a atriz rindo graciosamente).

“Ora seu… Clichês e arquétipos são típicos do Godzilla original!” Exatamente, mas Edwards erra ao levá-los tão a sério. Se não quisesse apelar para o cartunesco (como fez tão bem Guillermo Del Toro com seus humanos em Círculo de Fogo ou o Godzilla original, que trazia até um cientista de tapa-olho), então que oferecesse algo a mais, ou bem feito. Acompanhar figuras vazias por tanto tempo quase torna a experiência entediante, e esse não é o adjetivo esperado para uma produção do gênero. Nem mesmo o tom alarmante e assustador prometido pelos trailers marca presença aqui, já que nunca temos uma reação global aos eventos catastróficos.

Em termos bem simples, Godzilla é sensacional quando temos cenas com o protagonista, e simplesmente medíocre quando não o temos – o que é algo em torno de 70% da produção. Existem coisas que não precisam ser levadas tão a sério.

Obs: Ainda que o 3D convertido traga momentos de profundidade, é demasiado escuro e descartável.

Os Mestres do Oscar 2014 | Volume III: Sons & Música

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 26 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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E chegamos ao volume 3 do especial Oscar 2013. Aqui, analisaremos as categorias de som e as musicais. Vamos nessa:

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Uma explosão não é uma explosão se ela não tiver um som ensurdecedor, certo? Manipular o som criado ou capturado é uma tarefa complicada, mas o resultado pode ser impactante. Os indicados são:

Até o Fim | Steve Boeddeker and Richard Hymns

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Deixando a performance de Robert Redford e a trilha sonora de Alex Ebert (que venceu o Globo de Ouro), a Academia deixou uma indicação de “consolo” para Até o Fim na categoria de edição de som. Ainda não assisti ao filme de J.C. Chandor (a estreia está prevista para 7 de Março, apenas), mas de longe já da pra perceber que a produção aposta em sequências de tempestades e ondas furiosas – o que sempre funciona bem em tela, especialmente quando a equipe sonora sabe o que faz (e Richard Hymns é um mestre).

Capitão Phillips | Oliver Tarney

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Mesmo que seja mais um thriller em natureza, Capitão Phillips oferece algumas cenas de ação impressionantes – e o trabalho de som nestas é impecável. O grande destaque certamente fica com as duas tentativas de invasão dos Somali ao Maersk Alabama, sendo que a segunda contou com diversas pirotecnias (jatos d’água, sinalizadores e metralhadoras) em alto mar.

  • Motion Picture Sound Editors – Edição de Diálogos e ADR

O Grande Herói | Wylie Stateman

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Filme que se tornou um queridinho por alguns críticos, O Grande Herói também não chegou às telas brasileiras ainda. Mas assim como minha análise subjetiva a Até o Fim, o filme estrelado por Mark Whalberg certamente faz um bom trabalho com suas sequências de ação, que envolvem tiroteios, explosões e quedas de helicópteros.

Gravidade | Glenn Freemantle

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O som não se propaga no vácuo, mas a equipe responsável pela sonoplastia de Gravidade encontrou formas inteligentes de não transformar o filme de Alfonso Cuarón em uma produção muda. Os efeitos sonoros são reduzidos ao mínimo e, mais importante, geralmente são exibidos de acordo com a percepção dos personagens principais: toques abafados, batidas opacas, etc, todos sob a perspectiva de alguém com capacete. Não é só cientificamente apurado, mas também é muito assustador observar os desastres espaciais sem efeitos sonoros.

  • BAFTA
  • Critics Choice Awards
  • Motion Picture Sound Editors – Melhor Foley e Edição de Efeitos Sonoros

O Hobbit: A Desolação de Smaug | Brent Burge

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Como havia comentado no volume anterior, na sessão de efeitos visuais, um dragão fez toda a diferença neste segundo Hobbit. Não só pelas poderosas cuspidas de seu lança-chamas ou seus passos largos, mas especialmente pelo excelente trabalho de Brent Burge ao modificar sutilmente a voz de Benedict Cumberbatch (já grave por natureza) a fim de tornar o dragão Smaug ainda mais ameaçador. Só a criatura nórdica já é o suficiente para a indicação, mas A Desolação de Smaug se beneficia ainda de diversas outras cenas de ação, que trazem belos efeitos sonoros de flechadas, barris, ursos e aranhas gigantes. Pena ter que bater de frente com Gravidade…

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Hobbit, talvez

MEU VOTO: Gravidade

FICOU DE FORA: Círculo de Fogo

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Quando vemos pela primeira vez os robôs colossais partindo para sair na mão com criaturas igualmente colossais em Círculo de Fogo, o espetáculo visual não é o suficiente: o design de som da equipe de Guillermo Del Toro faz jus aos confrontos violentos e monumentais, seja para retratar os elementos tecnológicos dos Jaegers, os rugidos fantásticos dos kaijus ou o rastro de destruição deixados por seus embates, o filme é daqueles que oferecem uma imersão sonora total – especialmente no IMAX.

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Ok, o filme está pronto, editado, os efeitos visuais estão finalizados e os sons no lugar. Agora vem o grande desafio da pós-produção: juntar todos os efeitos sonoros com a trilha sonora, dando espaço a cada um deles de forma apropriada. Os indicados são:

Capitão Phillips | Chris Burdon, Mark Taylor, Mike Prestwood Smith e Chris Munro

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A mixagem de Capitão Phillips colabora perfeitamente tanto com a direção quanto com a montagem, ambas intensas. No caso das camadas sonoras, o destaque fica para os diversos personagens que falam e gritam simultaneamente – especialmente no primeiro contato que o personagem de Hanks tem com os piratas, que surgem gritando em outro idioma ao passo em que a tripulação tenta acalmá-los. O exemplo comprova a busca do filme de Paul Greengrass pelo realismo quase documental, praticamente jogando o espectador dentro da ação.

O Grande Herói | Andy Koyama, Beau Borders e David Brownlow

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Repito o que disse sobre O Grande Herói na seção de Edição de Som: ainda não estreou, mas deve impressionar por suas cenas de ação.

Gravidade | Skip Lievsay, Niv Adiri, Christopher Benstead e Chris Munro

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Tendo em vista que Gravidade retrata o espaço sem som, é relativamente mais fácil para a equipe de mixadores combinar suas faixas sonoras. Aliás, em diversos momentos a trilha sonora de Steven Prince se encaixa tão bem que quase atua como um efeito sonoro diegético (mérito de sua natureza abstrata, discutiremos isso em instantes) nas cenas ambientadas no vácuo espacial, ganhando ainda mais impacto quando estas retratam os intensos acidentes com destroços – com nada, apenas a trilha e as vozes no rádio de George Clooney e Sandra Bullock como guia. É uma fórmula que se mantem ao decorrer da produção; e funciona. Maravilhosamente bem.

Cinema Audio Society

O Hobbit: A Desolação de Smaug | Christopher Boyes, Michael Hedges, Michael Semanick e Tony Johnson

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Como já havia explicitado na sessão de Edição de Som, A Desolação de Smaug oferece muito mais cenas de ação do que o antecessor, e estas são mais elaboradas e apostam também em eventos paralelos. Um exemplo de maravilha sonora é a sequência da fuga dos anões em barris: não só temos camadas de som com a água, madeira e os gritos do personagens, mas logo depois entram em cena os orcs com seus bastões e os elfos com seus arcos – sem falar na trilha sonora de Howard Shore, temperando a sequência apropriadamente.

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Skip Lievsay, Greg Orloff e Peter F. Kurland

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Sempre espere um filme musical (ou com elementos do tipo) marcar presença na categoria de Mixagem de Som. O esquecido Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum se concentra na jornada de Oscar Isaac para se tornar um astro da música folk, premissa que rende diversas sequências baseadas em canções: a que traz “Please, Mr. Kennedy” é particularmente mais complicada em termos de mixagem, já que envolve três cantores simultâneos que emitem diferentes versos da letra e “efeitos sonoros” com suas bocas.

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Inside Llewyn Davis

MEU VOTO: Gravidade

FICOU DE FORA: Rush: No Limite da Emoção

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Tudo bem, eu meio que já esperava a ausência de Rush: No Limite da Emoção nas categorias principais, mas é um absurdo que o filme de Ron Howard não tenha conseguido nem uma indicação por seu eficaz trabalho de som. A área da mixagem é especialmente atraenta, graças ao belo uso da trilha sonora de Hans Zimmer durante as cenas que envolvem corridas em alta velocidades e narrações de comentaristas esportivos. Diversas faixas de áudio que combinam-se perfeitamente bem.

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Um longa-metragem não funciona da mesma maneira sem música. A trilha sonora ajuda a criar o tom, manter o ritmo e encher o espectador de emoção, complementando o que está na tela. Os indicados são:

Ela | Will Butler & Owen Pallett

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Will Butler representa a banda Arcade Fire ao lado do compositor canadense Owen Pallett para a trilha sonora de Ela. Predominantemente sutil, o trabalho da dupla aposta em acordes eletrônicos (gosto como “Milk and Honey” surge no início como preparação de terreno) e faz do piano seu principal instrumento. Como o filme em si, é uma trilha delicada e sensível, apostando principalmente no romance (“Photograph” e “Song on the Beach” são muito bonitas) e na melancolia que persegue o protagonista (“Owl“). Depois de Trent Reznor, Daft Punk, Chemichal Brothers e agora o Arcade Fire, fica a noção de que bandas andam acertando bastante em trilhas cinematográficas.

Faixa preferida: Dimensions

Gravidade | Steven Price

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Durante diversos momentos da produção, confundi a trilha sonora de Steven Price com efeitos sonoros. Só ouvindo separadamente pude perceber que tais momentos faziam parte de uma criação abstrata e incomum, responsável por definir toda a atmosfera claustrofóbica e aterrorizante do vácuo espacial em Gravidade. A música de Price assume um caráter inteiramente orgânico, assumindo tons eletrônicos distorcidos (Debris), leves notas de piano para momentos mais dramáticos (Aurora Borealis) e quando o emocionante clímax se aproxima, suas composições abraçam tons de superação (Shenzou) e o “epicamente épico” (Gravity). Ótima revelação, vamos ficar de olho em Steven Price.

Faixa preferida: Shenzou

  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

A Menina que Roubava Livros | John Williams

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O homem onipresente na categoria… novamente é indicado e, dessa vez, em uma rara colaboração com alguém que não seja Steven Spielberg. Em sua 49ª indicação (!!), John Williams se aventura novamente no período da Segunda Guerra Mundial com a adaptação do best seller A Menina que Roubava Livros. Não assisti ao filme (e, sinceramente, meu interesse no mesmo é mínimo), mas só o tema e as poucas faixas de Williams que ouvi no Youtube comprovam: é mais um trabalho dramático e melancólico do mestre, cheio de piano e violino para traduzir musicalmente uma história pesada e triste. Que venha logo Star Wars: Episódio VII.

Faixa Preferida: One Small Fact

Philomena | Alexandre Desplat

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Após fornecer acordes mais sombrios em produções como Argo e A Hora Mais Escura, o francês Alexandre Desplat retorna à trilhas adoráveis e delicadas (como, por exemplo, a de O Discurso do Rei e Moonrise Kingdom) com a dramédia Philomena. É um trabalho energético e belo, sendo interessante observar as percussões que se assemelham a uma valsa (Philomena), as que fornecem um apropriado tom de mistério (Reminiscence), humor (Drives to Roscrea) e um pesado drama (No Thought of Ireland). O melhor trabalho de Desplat em anos.

Faixa preferida: Philomena

Walt nos Bastidores de Mary Poppins | Thomas Newman

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Surgindo como um concorrente considerável nos primórdios da corrida pelo Oscar, Walt nos Bastidores de Mary Poppins ficou só com uma indicação pela trilha sonora, assinada pelo talentoso Thomas Newman. E diante da ausência do filme em categorias principais, sua estreia no país foi adiada para 7 de Março. Tendo ouvido apenas a trilha isoladamente, nota-se a intenção de Newman em realizar um trabalho energético e que remeta à produções da Disney. Leve de se ouvir e inventiva.

Faixa Preferida: Jollification

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Walt nos Bastidores de Mary Poppins

MEU VOTO: Philomena

FICOU DE FORA: Qualquer Coisa do Hans Zimmer

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Hans Zimmer teve um dos melhores anos de sua impecável carreira em 2013. Muitos apontavam para a indicação de sua investida dramática em 12 Anos de Escravidão, mas o compositor alemão acabou ficando de fora. Além do belo trabalho rejeitado, Zimmer ainda proveu faixas memoráveis para a trilha sonora movida a guitarra de Rush: No Limite da Emoção e foi responsável por criar um novo tema para o Superman, tendo a sombra de John Williams para superar – algo que fez muitíssimo bem em O Homem de Aço.

canção

Aqui, temos as canções que são criadas especialmente para filmes, seja em longa-metragem, animação ou documentário. Confira:

“Happy” – Meu Malvado Favorito 2 | Pharrell Williams

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Ok, muita gente gosta mas eu simplesmente detesto “Happy”, de Pharrell Williams. Tampouco sou fã da franquia Meu Malvado Favorito, e nem assisti ao segundo filme – ouvi a música indicada separadamente. Não me agrada muito a letra, nem o ritmo da canção. Poderíamos ter muita coisa melhor no lugar.

LETRA

It might seem crazy what I’m ‘bout to say
Sunshine she’s here, you can take a break
Mama – hot air balloon that could go to space
With the air like I don’t care, baby, by the way

Because I’m happy…
Come along if you feel like a room without a roof
Because I’m happy…
Clap along if you feel like happiness is the truth
Because I’m happy…
Clap along if you know what happiness is to you
Because I’m happy…
Clap along if you feel like that’s what you want to do
Here comes bad news, talkin’ this and that
But give me all you’ve got, and don’t hold it back
Well, I should probably warn you, I’ll be just fine
No offense to you, don’t waste your time, here’s why…
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down… your love is too high…
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down, I said (let me tell you now)
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down… your love is too high…
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down, I said… Bring me down… can’t nothing…
Bring me down… your love is too high…
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down, I said (let me tell you now)
http://www.youtube.com/watch?v=y6Sxv-sUYtM

“Let it Go” – Frozen: Uma Aventura Congelante | Robert Lopez & Kristen Anderson-Lopez

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Não assisti à animação Frozen: Uma Aventura Congelante, mas seria preciso viver dentro de uma caverna para não ter ao menos ouvido falar da canção “Let it Go”, que na versão original do filme é cantada pela dubladora Idina Menzel. A cena em questão (liberada pela Disney no Youtube) representa um momento importante para a protagonista e, como mero admirador, devo dizer que é uma bela canção – e que a letra composta por Robert Lopez & Kristen Anderson-Lopez é muito bonita. É a favorita, e deve ganhar.

  • Critics Choice Awards

LETRA

The snow glows white on the mountain tonight,
not a footprint to be seen.
A kingdom of isolation and it looks like I’m the queen.
The wind is howling like this swirling storm inside.
Couldn’t keep it in, Heaven knows I tried.
Don’t let them in, don’t let them see.
Be the good girl you always have to be.
Conceal don’t feel, don’t let them know.
Well, now they know!

Let it go, let it go.
Can’t hold it back anymore.
Let it go, let it go.
Turn away and slam the door.
I don’t care what they’re going to say.
Let the storm rage on.
The cold never bothered me anyway.
It’s funny how some distance,
makes everything seem small.
And the fears that once controlled me, can’t get to me at all
It’s time to see what I can do,
to test the limits and break through.
No right, no wrong, no rules for me. I’m free!

Let it go, let it go.
I am the one with the wind and sky.
Let it go, let it go.
You’ll never see me cry.
Here I stand, and here I’ll stay.
Let the storm rage on.

My power flurries through the air into the ground.
My soul is spiraling in frozen fractals all around
And one thought crystallizes like an icy blast
I’m never going back; the past is in the past!

Let it go, let it go.
And I’ll rise like the break of dawn.
Let it go, let it go
That perfect girl is gone
Here I stand, in the light of day.

Let the storm rage on!
The cold never bothered me anyway

“The Moon Song” – Ela | Karen O & Spike Jonze

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Vocalista do finado Yeah Yeah Yeahs, Karen O já surpreendia no cinema por nos presentear com um inesquecível cover de “Immigrant Song” com Trent Reznor para Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de David Fincher. Agora, ela se alia novamente com o cineasta (e ex-namorado) Spike Jonze para a sensível e suave “The Moon Song”, tema principal de Ela. É uma bela canção que captura a magia da relação dos protagonistas e  surge em dos mais bonitos momentos da trama, pelas vozes de Scarlett Johansson e Joaquin Phoenix.

LETRA

I’m lying on the moon
My dear, I’ll be there soon
It’s a quiet starry place
Time’s we’re swallowed up
In space we’re here a million miles away

There’s things I wish I knew
There’s no thing I’d keep from you
It’s a dark and shiny place
But with you my dear
I’m safe and we’re a million miles away

We’re lying on the moon
It’s a perfect afternoon
Your shadow follows me all day
Making sure that I’m
Okay and we’re a million miles away

“Ordinary Love” – Mandela | U2

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A popular banda U2 pode estar muito perto de faturar um Oscar com a canção-tema de Mandela (em inglês, com o subtítulo Long Walk to Freedom), cinebiografia com Idris Elba que foi praticamente esquecida pela Academia. Como o filme agora só chegará no Brasil em um lançamento direto para DVD, não sei em que momento a canção “Ordinary Love” aparece (mas aposto que seja nos créditos finais), mas posso dizer o quão bela e maravilhosa é de se ouvir. E olha que não sou nenhum obcecado com o grupo.

  • Globo de Ouro

LETRA

The sea wants to kiss the golden shore.
The sunlight warms your skin.
All the beauty that’s been lost before, wants to find us again.
I can’t fight you anymore; it’s you I’m fighting for.
The sea throws rocks together but time, leaves us polished stones.

We can’t fall any further if, we can’t feel ordinary love.
And we cannot reach any higher, if we can’t deal with ordinary love.

Birds fly high in the summer sky and rest on the breeze.
The same wind will take care of you and I, we’ll build our house in the trees.
Your heart is on my sleeve, did you put it there with a magic marker.
For years I would believe, that the world, couldn’t wash it away

Cause we can’t fall any further if, we can’t feel ordinary love.
And we cannot reach any higher, if we can’t deal with ordinary love.

Are we tough enough, for ordinary love?

We can’t fall any further if, we can’t feel ordinary love.
And we cannot reach any higher, if we can’t deal with ordinary love.

Are we tough enough, for ordinary love?
Are we tough enough, for ordinary love?
Are we tough enough, for ordinary love?

APOSTA: Let it Go

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ordinary Love

MEU VOTO: The Moon Song

FICOU DE FORA: “I See Fire” – O Hobbit: A Desolação de Smaug | Ed Sheeran

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Um dos grandes atrativos do segundo capítulo da adaptação de O Hobbit, é a canção dos créditos executada pelo inglês Ed Sheeran. Peter Jackson sempre tem um bom gosto ao trazer artistas para compor canções baseadas em seus longas da Terra Média, e “I See Fire” sem dúvida é uma das melhores até agora. Não só traz uma temática completamente apropriada à trama de A Desolação de Smaug (fogo, dragões, pânico!), mas é simplesmente belíssima e o faz com elementos simples: vocal, violão e violino.

LETRA

Oh, misty eye of the mountain below
Keep careful watch of my brothers’ souls
And should the sky be filled with fire and smoke
Keep watching over Durin’s sons

If this is to end in fire
Then we shall burn together
Watch the flames climb higher into the night
Calling out father, oh, stand by and we will
Watch the flames burn on and on
The mountainside

And if we should die tonight
Then we should all die together
Raise a glass of wine for the last time
Calling out father, oh
Prepare as we will
Watch the flames burn on and on
The mountainside

Desolation comes upon the sky

Now I see fire
Inside the mountains
I see fire
Burning the trees
And I see fire
Hollowing souls
And I see fire
Burning the breeze
And I hope that you remember me

Oh, should my people fall then
Surely I’ll do the same
Confined in mountain halls
We got too close to the flame
Calling out father, oh
Hold fast and we will
Watch the flames burn on and on
The mountainside

Desolation comes upon the sky

Now I see fire
Inside the mountains
I see fire
Burning the trees
And I see fire
Hollowing souls
And I see fire
Burning the breeze
And I hope that you remember me

And if the night is burning
I will cover my eyes
For if the dark returns then
My brothers will die
And as the sky’s falling down
It crashed into this lonely town
And with that shadow upon the ground
I hear my people screaming out

Now I see fire
Inside the mountains
I see fire
Burning the trees
And I see fire
Hollowing souls
And I see fire
Burning the breeze

I see fire (oh you know I saw a city burning)
(Fire)
And I see fire (feel the heat upon my skin) (fire)
And I see fire (fire)
And I see fire (burn on and on the mountainside)

Menção Honrosa: Qualquer canção original de Inside Llewyn Davis.

Bem, e só nos resta mais um artigo antes da grande cerimônia… Voltem amanhã para o especial de Categorias Principais, com Roteiros, Diretores e, claro, os Filmes indicados.

Leia também:

| Caçadores de Obras Primas | Tropa artística de George Clooney passa longe do status

Posted in Aventura, Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

2.5

TheMonumentsMen
Matt Damon e Cate Blanchett

Caçadores de Obras-Primas, quarto trabalho de George Clooney na direção, levanta um tema muito, mas muito interessante. Não me recordo de ter encontrado outro filme que relate as buscas pelo exército americano por obras de arte roubadas e destruídas por nazistas na Segunda Guerra Mundial, uma premissa deliciosa que, infelizmente, não tem seu potencial inteiramente aproveitado pelos realizadores.

A trama, baseada em fatos reais, é ambientada no final da Guerra e traz o tenente Frank Stokes (Clooney) reunindo uma tropa especial formada por pintores, arquitetos e escultores para ajudar a preservar e recuperar obras de arte ameaçadas pelos nazistas.

Some a premissa tentadora com um elenco estelar e o resultado não tem como dar errado… Em teoria, pelo menos. O grande problema de Caçadores de Obras-Primas é sua péssima estrutura narrativa, que se manifesta brutalmente quando os personagens são forçados a se separarem (algo que acontece logo no primeiro ato, sem spoilers). Temos o protagonista de Clooney aqui, as duplas formadas por John Goodman & Jean Dujardin e Bill Murray & Bob Balaban ali e o pobre Matt Damon jogado na subtrama mais desinteressante possível, onde contracena com Cate Blanchett. Nenhum dos intérpretes faz um trabalho menos do que excelente (especialmente Blanchett, que abraça o estereótipo da “bibliotecária” com charme), mas a montagem de Stephen Mirrione não oferece um encadeamento lógico para as diferentes linhas – o que torna a estrutura do filme praticamente limitada a cenas/momentos isolados.

Uma pena, já que o roteiro de Clooney e o frequente colaborador Grant Heslov acerta em determinados diálogos e passagens, principalmente ao oferecer um longo discurso que justifica a importância da cultura para a Humanidade, mesmo diante da perda de vidas humanas. Já Clooney como diretor… Não deve existir termo mais apropriado do que “piegas” (talvez até tendenciosa) para definir o comando do ator/diretor. Fazendo uso pesado da trilha sonora de Alexandre Desplat (que aposta em uma melodia dramática até mesmo num momento PURAMENTE CÔMICO) em praticamente 100% da projeção, demonstrando falta de confiança em seu próprio trabalho. Sem falar no epílogo completamente descartável e apelativo, e que surge como um dos maiores embaraços já testemunhados no gênero; com um propósito tolo e até risível (um personagem responder a uma pergunta retórica que lhe fora feita 30 anos atrás? Por favor…).

Dado o talento dos envolvidos, fica claro que Caçadores de Obras-Primas poderia ter sido muito mais. A projeção se desenrola agradavelmente com boas doses de humor, mas beira o insuportável quando seu diretor insiste em uma condução apelativa e… piegas. Realmente lastimável. O material poderia render muito mais.

Obs: O compositor Alexandre Desplat tem uma participação consideravelmente longa no filme.

| Philomena | Um belo filme com inesperadas reflexões

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , on 27 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

philomena
Judi Dench e Steve Coogan: alicerces da produção

Surgindo como uma surpresa na temporada de premiações, o drama Philomena revela-se um delicado e ocasionalmente divertido filme assinado pelo britânico Stephen Frears (de Alta Fidelidade e A Rainha), ainda que sua premissa cave por temas dramáticos e controversos – rendendo uma série de reflexões inesperadas no processo.

A trama é inspirada nos acontecimentos reais que moveram a vida de Philomena Lee (Judi Dench), que há 50 anos vive sem notícias de seu filho bastardo – que surgira como consequência de uma escapada de seu convento católico, na década de 50. Ao mesmo tempo, o jornalista recém-desempregado Martin Sixmith (Steve Coogan) vê na história de Philomena a oportunidade de impulsionar sua carreira de escritor, e parte para ajudá-la a encontrar o filho perdido.

Philomena começa com a típica mistura de drama com comédia, sendo beneficiado apenas por seu roteiro esperto – assinado por Jeff Pope e pelo ator Steve Coogan – e o excelente entrosamento entre as duas performances centrais. Coogan mantém sua áurea cômica de forma bem sutil aqui, e a dosa bem com o ceticismo cínico de seu jornalista, enquanto Judi Dench surge absolutamente adorável na pele da personagem-título. Com as rugas e linhas de expressão a fim de torná-las parte fundamental de Philomena, a atriz de 80 anos arrasa ao adotar um acertado sotaque irlandês (que jamais soa estereotipado ou inverossímil) e se comportar sempre de maneira alegre, elogiosa e surpresa (como sua reação ao descobrir que as bebidas servidas no avião são grátis). Dench nos faz acreditar na figura da personagem, e certamente ela fará o espectador recordar de alguém que compartilhe de seu comportamento.

Ainda que o elenco e os diálogos sejam os dois atrativos de peso, o filme ainda se beneficia de quesitos técnicos fascinantes. A começar pela belíssima fotografia de Robbie Ryan, que captura fantásticas paisagens rurais e urbanas, seja nas ambientações rurais européias (as acabrunhadas árvores cobertas de neve em um momento-chave) ou nos hotéis e ruas de uma calma Washington. A trilha sonora de Alexandre Desplat confere energia e drama de acordo com as exigências narrativas (mesmo que o compositor pese demais nas passagens mais melancólicas), que trazem uma inesperada discussão a respeito de crenças religiosas e uma reviravolta final que coloca em discussão as práticas medievais de conventos católicos do século passado. Nada muito aprofundado, mas que ao menos desperta uma reflexão.

Mesmo que, aqui e ali, Frears pese a mão para arrancar algumas lágrimas, Philomena é um belo filme que encontra sustento em suas carismáticas performances centrais e o tratamento simples a temas delicados e complexos. Não é uma grande obra que será lembrada durante anos e anos, mas sem dúvidas rende um bom programa.

Obs: Esta crítica foi publicada após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 26 de Janeiro.

O Incógnito Oscar 2013 | Volume III: Sons & Música

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 20 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

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E chegamos ao volume 3 do especial Oscar 2013. Aqui, analisaremos as categorias de som e as musicais. Vamos nessa:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria

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Uma explosão não é uma explosão se ela não tiver um som ensurdecedor, certo? Manipular o som criado ou capturado é uma tarefa complicada, mas o resultado pode ser impactante. Os indicados são:

007 – Operação Skyfall | Per Hallberg e Karen M. Baker

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O trabalho de edição de som é sempre muito eficiente nos longas de 007, considerando que estes sempre trazem tiroteios, explosões e perseguições nos mais variados veículos. Em Skyfall, já iniciamos o filme com uma corrida de motocicletas que culmina em uma luta no topo de um trem em movimento e até mesmo uma escavadeira destruindo a traseira de um dos vagões. O design de produção é habilidoso durante toda a projeção e sabe organizar a intensidade e volume de determinados efeitos; exemplo, a explosão do MI6, que é uma eficaz quebra nas camadas silenciosas estabelecidas na cena anterior.

  • Melhores Efeitos Sonoros e Foley no Motion Picture Sound Editors

Argo | Erik Aadahl e Ethan Van der Ryn

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Não há explosões ou tiroteios em Argo, mas o trabalho de edição sonora do filme merece créditos puramente por sua pesquisa histórica, e a maneira como esta é aplicada diferentemente. O melhor exemplo encontra-se nos gritos iranianos das multidões, e como a equipe aumenta ou diminui tais camadas sonoras; a cena em que Tony Mendez e os reféns atravessam uma manifestação dentro de uma van ajuda a esclarecer os diferentes níveis a que são editadas as cantorias, contribuindo para o exacerbamento da tensão. Um trabalho competente.

As Aventuras de Pi | Eugene Gearty e Philip Stockton

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Um dos principais elementos de As Aventuras de Pi é a manutenção de um zoológico, logo podemos esperar uma vasta diversidade de animais aqui. A equipe de desenho de som acerta na captura e manipulação de sons, grunhidos, rugidos e todo outra manifestação sonora das mais diferentes espécies de animais (eu particularmente nunca tinha ouvido o choro de uma zebra antes) e sabe como usá-los apropriadamente, fazendo muito barulho – por exemplo – na cena em que os peixes voadores atravessam o bote de Pi ou nos ensurdecedores rugidos do tigre Richard Parker.

  • 2 Vitórias no Motion Picture Sound Editors

Django Livre | Wylie Stateman

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Como é de costume nos filmes de Quentin Tarantino, a violência sempre explode inesperadamente e tal característica é muito bem representada pelo trabalho de som. Em Django Livre, estamos no Velho Oeste (Sul), então não faltam tiroteios e explosões surgindo a níveis altíssimos, onde o design de som é particularmente criativo ao mostrar o sangue jorrando de corpos e pelo uso de efeitos sonoros caricatos (como as balas ricocheteando). Sem esquecer das “onomatopéias” que surgem quando a câmera de Tarantino utiliza o zoom rápido, gerando um efeito muito divertido.

A Hora Mais Escura | Paul N.J. Ottosson

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Assim como 007 – Operação Skyfall, a edição de som de A Hora Mais Escura traz muitas “explosões” sonoras, que surgem inesperadamente para causar tensão. Aqui o impacto é maior, já que grande parte da primeira metade do filme sobre a caçada por Bin Laden é ambientada em escritórios e bases secretas, e a equipe faz um bom trabalho com as cenas que envolvem atentados terroristas, torturas e tiroteios. Mas o ápice do filme é também o da edição de som, que consegue adicionar efeitos discretos (mas destrutivos) aos rifles que o exército usa para invadir o esconderijo de Bin Laden.

FICOU DE FORA: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

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Eu já estava meio que conformado com a possibilidade de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge passar despercebido entre as categorias principais, mas a ausência de seu trabalho de edição de som é simplesmente irracional. Com eficientes efeitos sonoros para a moto e veículo voador do protagonista (sendo ambos impecavelmente modificados a fim de atingir um volume altíssimo), a equipe ainda criou uma das vozes mecânicas mais icônicas desde o Darth Vader de Star Wars: Bane. O filme provavelmente foi esquecido porque os americanos tiveram problema em entender a voz do personagem. Ah, tá.

APOSTA: As Aventuras de Pi

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Skyfall

MEU VOTO: Django Livre

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Ok, o filme está pronto, editado, os efeitos visuais estão finalizados e os sons no lugar. Agora vem o grande desafio da pós-produção: juntar todos os efeitos sonoros com a trilha sonora, dando espaço a cada um deles de forma apropriada. Os indicados são:

007 – Operação Skyfall | Scott Millan, Greg P. Russell e Stuart Wilson

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Assim como a edição de som é fundamental para um filme de ação, a mixagem é igualmente importante, principalmente para garantir verossimilhança aos inúmeros tiroteios e a um confronto entre metralhadoras e helicópteros. Mas o que mais me interessou na mixagem de Operação Skyfall foram suas sutilezas, como uma delicada transição que é demarcada pelo som da chuva mesclando-se com o de uma cachoeira ou pela genial cena do prédio em Xangai, em que todas as camadas sonoras são diminuídas para dar espaço à trilha de Thomas Newman e ao silêncio – seguido pelo crescimento do suspense – que o momento requer.

Argo | John Reitz, Gregg Rudloff e Jose Antonio Garcia

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Sendo em sua maior parte um filme de diálogos (com exceção de algumas cenas mais agitadas, como a a invasão à embaixada e as perseguições pelo Grande Bazar e o aeroporto), a mixagem de som de Argo é bem sucedida nestes quesitos básicos – além de acertar na condução sonora das cenas de ação. Um belo exemplo onde o departamento faz jus à indicação é quando acompanhamos de forma intrincada três discursos diferentes: as exigências políticas iranianas, as respostas americanas a estas e a leitura do roteiro do “Argo”. Todos eles juntos e bem divididos – e com a adequada trilha sonora de Alexandre Desplat – fazem desta uma das mais poderosas cenas do filme.

As Aventuras de Pi | Ron Bartlett, Doug Hemphill e Drew Kunin

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Com a bela música de Mychael Danna dando o toque necessário em seus momentos apropriados, os inúmeros efeitos sonoros animais, discutidos na seção de Edição de Som, são bem mesclados aqui. O ápice da mixagem em minha opinião, ocorre na cena do naufrágio do navio que transporta o zoológico da família Patel, onde esta traz ensurdecedores alarmes de emergência, o som da água invadindo as ocupações da embarcação e os gritos de desespero de seus variados tripulantes animais… Tudo ao mesmo tempo, e a equipe merece palmas por não sacrificar a compreensão dessas diferentes camadas.

Lincoln | Andy Nelson, Gary Rydstrom e Ronald Judkins

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A indicação de Lincoln aqui é justificada pela indicação do longa no maior número de categorias, certamente. Mas também porque a Academia adora prestigiar filmes com muitos diálogos aqui, o que é o caso da cinebiografia de Spielberg para o presidente que nomeia o longa. A mixagem acerta ao inserir diversas discussões paralelas que tomam lugar no Congresso americano e considerando que a trilha sonora de John Williams não é das mais eloquentes, não é difícil equilibrá-la com o trabalho vocal do elenco. Um trabalho cuja indicação só é justificada para glorificar o filme, realmente.

Os Miseráveis | Andy Nelson, Mark Paterson e Simon Hayes

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Sendo Os Miseráveis um longa musical, é essencial um trabalho de som efetivo. Aliada a esse comum requisito, vem o fato de esta nova versão trazer o elenco todo cantando ao vivo, e não durante a pós-produção, logo a trilha musical precisa ser encaixada de forma a preservar o trabalho vocal de seus intérpretes – tarefa que a equipe realiza muitíssimo bem. O problema, em minha opinião, surge quando a mixagem tenta ousar demais, em especial na cena em que acompanhamos múltiplas canções simultaneamente. O resultado não é incompreensível, mas confuso de se acompanhar e levemente cacofônico.

  • Cinema Audio Society
  • BAFTA

APOSTA: Os Miseráveis

QUEM PODE VIRAR O JOGO: As Aventuras de Pi

MEU VOTO: Skyfall

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Um longa-metragem não funciona da mesma maneira sem música. A trilha sonora ajuda a criar o tom, manter o ritmo e encher o espectador de emoção, complementando o que está na tela. Os indicados são:

007 – Operação Skyfall | Thomas Newman

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O tema original de James Bond criado por John Barry é um dos mais icônicos da História do cinema. Tendo isso em mente, é de se admirar que o compositor Thomas Newman tenha preenchido 007 – Operação Skyfall com ótimos acordes sem precisar fazer uso excessivo do trabalho de Barry, trazendo-o apenas em momentos-chave (observem o final de Granborough Road). Em seu lugar, Newman traça uma trilha elegante e empolgante que traduz musicalmente alguns elementos da trama, desde a atmosfera agitada de Istambul (Grand Bazaar), a presença tecnológica na espionagem (Quartermaster), a sensualidade (Close Shave) e os cantos mais obscuros do passado de 007 (Skyfall). A trilha de Newman funciona em todos os requisitos, e seria muito interessante vê-lo na franquia novamente.

Faixa preferida: Quartermaster

  • BAFTA

Anna Karenina | Dario Marianelli

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Além das tradicionais melodias russas (Dance with Me) e também de uma linda canção tradicional (The Girl and the Birch), o compositor Dario Marianelli traz de volta em Anna Karenina alguns elementos que lhe garantiram o Oscar por seu ótimo trabalho na trilha sonora de Desejo & Reparação (também do diretor do Joe Wright): o uso de sons para produzir uma música. Aqui, por exemplo, o barulho de uma locomotiva pelos trilhos vai se transformando em uma série de batidas  que ajudam a preparar o terreno no início da narrativa (Clerks). A música de Marianelli é charmosa e inventiva, e demasiada superior às trilhas que comumente encontramos em longas do gênero.

Faixa Preferida: She is of Heavens

Argo | Alexandre Desplat

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O trabalho de Alexandre Desplat em Argo funciona muito bem isoladamente, mas em tela não é dos mais notáveis. Primeiro porque o francês usa seus acordes em poucos – mas apropriados – momentos e geralmente opta por instrumentos de cultura árabe (Main Theme) ou batidas rápidas. Sua música é eficiente ao provocar as reações emocionais apropriadas, tanto o ápice do desespero (Breaking Through the Gates) como a emoção do sucesso (Cleared Iranian Airspace). É, sim, um bom trabalho, mas que empalidece diante da excelente trilha sonora incidental escolhida por Ben Affleck, que vai de Van Halen a Led Zeppelin.

Faixa Preferida:

As Aventuras de Pi | Mychael Danna

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Em um filme com poucas locações como é As Aventuras de Pi, a trilha sonora é essencial para estabelecer o tipo de ação que ocorre e o tom desta. Felizmente, Mychael Danna acerta em cheio e oferece um trabalho que apresenta uma fantástica mistura de instrumentos e culturas. Seja na presença francesa (Pondicherry), passando por manifestações do belo (Which Story do you Prefer?), divertido (Flying Fish) ou desesperador (God’s Storm), a música de Danna sempre traz composições criativas e que funcionam tanto isoladamente quanto em cena.

Faixa preferida: Set Your House in Order

  • Globo de Ouro

Lincoln | John Williams

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Olha aí o compositor onipresente! Em sua 48ª indicação (e marcando 40 anos de colaboração com o diretor Steven Spielberg), Williams deixa o espetáculo de lado e procura melodias mais contidas na cinebiografia de Abraham Lincoln. Fazendo uso do piano a fim de criar um tema melancólico para o protagonista (With Malice toward None), o veterano ainda traz algumas faixas com forte presença da gaita (Race to the White House ) que ajudam a traduzir o período em questão. Mesmo que sejam boas composições, é um trabalho muito tímido de Williams (o que é compreensível, devido à abordagem de Spielberg ao longa) e que se encaixa como uma das mais esquecíveis de sua carreira.

Faixa Preferida: The Blue and Grey

FICOU DE FORA: A Viagem | Tom Tykwer, Reinhold Heil & Johnny Klimek

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Mesmo aqueles que desaprovaram o intrincado A Viagem, devem admitir que o trabalho de Tom Tykwer, Reinhold Heil e Johnny Klimek na composição musical é de primeira linha. Além de criarem temas elegantes que passam pela aventura, drama, comédia e romance, o trio acerta ao mixar de formas variadas o “Sexteto Cloud Atlas”, que ora surge na forma de piano, ora transforma-se em uma grande orquestra. Essa peça musical é um dos pontos-chave do filme, sendo composta por – nas palavaras do personagem de Ben Whishaw – “movimentos em que pessoas diferentes se encontram novamente e novamente em épocas diferentes, vidas diferentes”. Magistral.

Faixa Preferida: All Boundaries are Conventions

APOSTA: As Aventuras de Pi

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Skyfall

MEU VOTO: Skyfall

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E eu achando que a categoria seria anulada (após terem sido indicadas apenas duas obras no ano passado), pelo menos temos boas canções este ano, lembrando que as que surgem nos créditos finais não são consideradas pela Academia. Os indicados são:

“Before my time” – Música e Letra por J. Ralph | Chasing Ice

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Acho estranho a presença de “Before my Time” entre os indicados, já que a canção desempenhada por Scarlett Johanssom e x acontece durante os créditos do documentário Chasing Ice; o que a Academia considera como inválido para concorrer ao prêmio. Mas enfim, burocracias à parte, a música aqui é bem agradável e adequa-se ao tema proposto pelo longa, especialmente sobre o derretimento de geleiras. Mas sinceramente, Johanssom é uma cantora muito mediana.

Letra:

Cold feet, don’t fail me now

So much left to do

If I should run ten thousand miles home

Would you be there?



Just a taste of things to come

I still smile


But I don’t want to die alone
I don’t want to die alone
Way before my time



Keep calm and carry on
No worse for the wear



I don’t want to die alone
I don’t want to die alone
Way before my time

Is it any wonder
All this empty air
I’m drowning in the laughter
Way before my time has come

“Everybody needs a Best Friend” – Música por Walter Murphy e Letra por Seth McFarlane | Ted

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Com divertidas melodias e um ótimo ritmo, “Everybody needs a Best Friend” é uma canção enértica que ganha força graças à sua boa parte instrumental e a bela voz de Norah Jones. Sua presença em Ted é muito eficiente para marcar a passagem do tempo nas cenas iniciais, ao passo em que o protagonista vai crescendo junto com seu colega de pelúcia. Claro que a canção só entrou aqui porque Seth McFarlane é o apresentador da cerimônia, mas gostei de ela ter sido lembrada.

Letra:
My words are lazy
My thoughts are hazy
But this is one thing I’m sure of
Everybody needs a best friend
I’m happy I’m yours

You got a double
Who brings you trouble
And though you’re better without me
Everybody needs a best friend
I’m happy I’m yours

A fool could see decidedly
That you’re a ten and I’m a three
A royal breed is what you need
So how did you come to be stuck with a bummer like me

Oh you got a head full of someone dreadful
But how that someone adores you
Everybody needs a best friend
I’m happy I’m yours

A fool could see decidedly
That you’re a ten and I’m a three
A royal breed is what you need
So how did you come to be stuck with a bummer like me

Oh you got a head full of someone dreadful
And yet at last that someone adores you
Everybody needs a best friend
I’m happy I’m yours

I’m just a clown
And I’ll bring you down
But you just don’t care
‘Cause your best friend is me

“Pi’s Lullaby” – Música por Mychael Danna e Letra de Bombay Jayashri| As Aventuras de Pi

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Aliada aos eficazes acordes de Mychael Danna para “Pi’s Lullaby” está a linda voz da cantora indiana Bombay Jayashri. Mesmo que traga versos breves, a canção é muito bem usada na cena de abertura do filme – que vai apresentando diversas figuras da flora e fauna do protagonista, ressaltando a beleza dessas criaturas. Gosto do resultado, mas acho que o mérito é mais para Danna do que para a cantoria de Jayashri, me parecendo mais uma composição do que uma canção propriamente dita.

Letra (em indiano):

Kanne
Kanmaniye
Kann urangayo kanne
Mayilo togai mayilo
Kuyilo koovum kuyilo
Nilavo nilavin oliyo
Imayo imayin kanavo
Malaro malarin amudo
Kaniyo kaniyin suvayo

“Skyfall” – Música e Letra por Adele Adkins e Paul Epworth | 007 – Operação Skyfall

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As canções-tema dos filmes de 007 já se firmaram como uma das muitas assinaturas da série, e no aniversário de 50 anos da estreia de James Bond nos cinemas, o tema de Operação Skyfall não poderia passar batido. Cantada com a linda voz da britânica Adele, “Skyfall” é uma bela composição que evoca o estilo que predominava na franquia durante seus anos dourados – e nisso, traz uma adorável nostalgia. Além da impecável parte instrumental (que inicia-se com um melancólico piano), a letra escrita pela cantora e Paul Epworth adequa-se perfeitamente ao tom do filme e à temática do fim de um ciclo. Uma das melhores canções da série.

Letra:

This is the end
Hold your breath and count to ten
Feel the earth move and then
Hear my heart burst again

For this is the end
I’ve drowned and dreamt this moment
So overdue I owe them
Swept away, I’m stolen

Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
Face it all together

Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
Face it all together
At skyfall
That skyfall

Skyfall is where we start
A thousand miles and poles apart
Where worlds collide and days are dark
You may have my number, you can take my name
But you’ll never have my heart

Let the sky fall (let the sky fall)
When it crumbles (when it crumbles)
We will stand tall (we will stand tall)
Face it all together

Let the sky fall (let the sky fall)
When it crumbles (when it crumbles)
We will stand tall (we will stand tall)
Face it all together
At skyfall

[x2:]
(Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall)

Where you go I go
What you see I see
I know I’d never be me
Without the security
Of your loving arms
Keeping me from harm
Put your hand in my hand
And we’ll stand

Let the sky fall (let the sky fall)
When it crumbles (when it crumbles)
We will stand tall (we will stand tall)
Face it all together

Let the sky fall (let the sky fall)
When it crumbles (when it crumbles)
We will stand tall (we will stand tall)
Face it all together
At skyfall

Let the sky fall
We will stand tall
At skyfall
Oh

  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

“Suddenly” – Música por Claude-Michel Schönberg e Letra por Herbert Kretzmer e Alain Boublil | Os Miseráveis

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Todas as canções da badalada versão da Broadway para Os Miseráveis estão no filme de Tom Hooper, mas apenas uma foi criada especialmente para o novo filme. Cantada suavemente por Hugh Jackman, “Suddenly” serve para marcar de forma sentimenal uma mudança na jornada de seu personagem, já que a canção surge logo após este adotar a jovem Cosette e enfim “descobrir o significado do amor”, como este próprio diz posteriormente. Em minha opinião, surge como uma quebra no ritmo agitado que a projeção vinha estabelecendo – fincando aquém de outras canções – mas é importante para ressaltar a vindoura transformação de Jean Valjean.

Letra:

Suddenly I see
Suddenly it starts
When two anxious hearts
Beat as one.
Yesterday I was alone
Today you walk beside me
Something still unclear
Something not yet here
Has begun.
Suddenly the world
Seems a different place
Somehow full of grace
And delight.
How was I to know
That so much love
Was held inside me?
Something fresh and young
Something still unsung
Fills the night.
How was I to know at last
That happiness can come so fast?
Trusting me the way you do
I’m so afraid of failing you
Just a child who cannot know
That danger follows where I go
There are shadows everywhere
And memories I cannot share
Nevermore alone
Nevermore apart
You have warmed my heart
Like the sun.
You have brought the gift of life
And love so long denied me.
Suddenly I see
What I could not see
Something suddenly
Has begun.

FICOU DE FORA: “Who Did that to You?” – John Legend | Django Livre

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É muito raro que Quentin Tarantino traga canções originais para seus filmes, e com Django Livre foram nada menos do que 4 músicas do tipo. Todas elas excelentes, mas minha preferida é de longe “Who Did That to You?”, que na empolgada voz de John Legend adiciona uma camada de epicidade à cena em que aparece (no caso, a fuga do protagonista de um grupo australiano) e imediatamente taxa Django como um dos mais icônicos heróis da filmografia de Tarantino. Sem falar que é um deleite de se ouvir.

Letra:

Now I’m not afraid to do the Lord’s work,
You say vengeance is his but Imma do it first.
I’m gonna handle my business in the name of the law.

Now if he made you cry, oh, I gotta know,
If he’s not ready to die, he best prepare for it.
My judgement’s divine, I’ll tell you who you can call,
You can call.

You better call the police, call the coroner,
Call up your priest, have him warn ya.
Won’t be no peace when I find that fool
Who did that to you, yeah,
Who did that to you, my baby,
Who did that to you,
Gotta find that fool who did that to you.

Now I don’t take pleasure in a man’s pain,
But my wrath will come down like the cold rain.
And there won’t be no shelter, no place you can go.

It’s time to put your hands up, time for surrender,
I’m a vigilante, my love’s defender,
You’re a wanted man, here everybody knows.

You better call the police, call the coroner,
Call up your priest, have him warn ya.
Won’t be no peace when I find that fool
Who did that to you, yeah,
Who did that to you, my baby,
Who did that to you,
Gotta find that fool who did that to you.

Now he’ll keep on running, but I’m closing in,
I’ll hunt him down ‘til the bitter end,
If you see me coming near, who you gonna call?

You better call the police, call the coroner,
Call up your priest, have him warn ya.
Won’t be no peace when I find that fool

You better call the doctor, call the lawyer,
I chase ‘em all the way to California,
Get my best trying to find that fool
Who did that to you

APOSTA: Skyfall

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Suddenly

MEU VOTO: Skyfall

E aqui se encerra a terceira parte do especial Oscar 2013. Preparem o papel e a caneta, pois amanhã publicarei a postagem que discute as categorias principais, incluindo melhor filme e diretor. Até lá!

Volume I – Atuações

Volume II – Categorias Técnicas

Análise Blu-Ray | HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 1

Posted in Análise Blu-ray with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 9 de maio de 2011 by Lucas Nascimento

Disco 1

O Filme

A saga Harry Potter chega à primeira parte de seu último capítulo, mostrando-se mais adulto e maduro e alcançando um nível de qualidade impressionante que, até o último filme chegar, lhe dá o posto de melhor da série. Crítica

Maximum Movie Mode

Em comparação com os outros “Movie Modes” dos blu-rays da Warner, este é bem fraco, exibindo apenas 20 minutos de apresentações extras durante o filme. São pouco reveladoras, mas agradáveis; o material seria mais forte se apresentasse imbutido os mini-documentários do disco 2; desconfio que seja um erro da Warner…

Disco 2

Cenas Adicionais

O disco apresenta 11 minutos de cenas inéditas, dentre as quais, as que envolvem a despedida dos Dursley alcançam o ponto mais alto (mas que realmente quebrariam o ritmo do filme). As outras são interessantes (destaco também uma conversa inesperada com o Sr. Weasley no Ministério da Magia), mas não apresentam grande justificativa para estarem no corte final.

Os Sete Harrys

Aqui, vemos o complicado trabalho de efeitos visuais e do ator Daniel Radcliffe no processo da cena dos Sete Harrys, onde o personagem é multiplicado. Mostra de forma acessível e simples, sendo perfeitamente satisfatório.

On the Green with Rupert, Tom, Oliver and James

Começa de forma meio inútil, mostrando alguns membros do elenco jogando golfe no País de Gales, mas no fim ganha pontos por trazer depoimentos de alguns atores sobre o fim da série e a liberdade de encontrar novos papeis.

Dan, Rupert and Emma’s Running Competition

Bem-humorado mas muito curto, apresenta detalhes sobre a cena de perseguição na floresta, dando ênfase ao trio principal competindo sobre quem era o mais rápido. Era Emma, claro…

Godric’s Hollow/Harry and Nagini Battle

Curto, mas cheio de conteúdo, mostra os bastidores das cenas em Godric’s Hollow, como o gigantesco trabalho do design de produção (que alcança na tela um resultado impressionante) e a direção de fotografia. Também vemos como foi feita a luta entre Harry e a cobra (digital, claro) Nagini. Ótimo extra.

The Frozen Lake

Pequeno documentário sobre a cena do lago congelado, onde Harry e Rony destroem a horcrux e reatam sua amizade. Bem desenvolvido, com ênfase para o uso de um grande tanque de água.

Sneak Peek de Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2

Uma provocante prévia do novo filme, apresentada pelo diretor David Yates e por alguns membros da produção, que mostra uma conversa sobre varinhas entre Harry e o Sr. Olivanders, além de alguns relances da batalha de Hogwarts. Bacana.

Behind the Soundtrack

Como o próprio nome já diz, vemos os bastidores da trilha sonora do filme, composta pelo genial Alexandre Desplat, que explica em breves depoimentos a importância da música na cena e como ela alterna dependendo do personagem ou situação. Excelente, mas muito curto.

Nota Geral:

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 é um bom blu-ray que apresenta ótima qualidade de imagem e som, mas que derrapa no conteúdo dos extras, que poderiam ser mais completos. Minha sugestão? Aguarde pelo lançamento em DVD/Blu-ray da Parte 2. Imagine o marketing que a Warner vai preparar…

Preço: 79,90

Batalha pelo Oscar 2011 | Parte III | Sons e Música

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de fevereiro de 2011 by Lucas Nascimento

Conseguimos! Chegamos na parte 3 do especial sobre o Oscar e agora vamos analisar sons, músicas e canções. Vamos lá:

Uma explosão não é uma explosão se ela não tiver um som ensurdecedor, certo? Manipular o som criado ou capturado é uma tarefa complicada, mas o resultado pode ser emocionante. Os indicados são:

A Origem | Richard King

Logo em seus segundos iniciais já é possível se impressionar pelo som de A Origem. É um filme barulhento e muito alto, com tiros, explosões, rachaduras, batidas de carros, trens entre muitos outros. Destaque também às cenas em câmera lentíssima, que exigiram uma distorção sonora trabalhosa. Richard King merece a estatueta e provavelmente vai levá-la.

Bravura Indômita | Skip Lievsay e Craig Berkey

Aqui temos um trabalho notável. Os sons utilizados nas cenas de tiroteios são bem altos e cristalinos, capturando a essência da época, mas dando-lhe um toque moderno. Cavalgadas, pancadas e ecos são editados perfeitamente, merecendo a indicação.

Incontrolável | Mark P. Stoeckinger

Além de acertar na hora das explosões e nas transições de cena, a equipe de Incontrolável merece créditos por contribuir na composição do trem do título como um personagem, distorcendo seus efeitos sonoros até ficarem similares aos de animais, alcançando um resultado monstruoso.

Toy Story 3 | Tom Myers e Michael Silvers

Repleto de sequências empolgantes, a edição sonora ajuda muito. Não me recordo no momento de muitos exemplos, mas a aterradora cena da fornalha é memorável por suas emoções fortes, mas também pelo som que vai aumentando conforme a cena progride.

Tron – O Legado | Gwendolyn Yates Whittle e Addison Teague

Mesmo assistindo no IMAX, não vi grande coisa na edição sonora de Tron. De fato, os efeitos sonoros criados são excelentes, dignos de Ben Burtt, mas o som alto que empolga raramente se destaca; apenas na corrida de motos luminosas temos uma boa experiência sonora.

Ficou de fora: Cisne Negro

O memorável no som de Cisne Negro é como os efeitos são distorcidos – mais ou menos como em A Origem e Incontrolável – para atingir um resultado onírico e assustador, complementando a metamorfose da protagonista de maneira impactante.

Vídeo:

APOSTA: A Origem

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Acho dificílimo, mas se não for A Origem, Bravura Indômita merece.

Ok, o filme está pronto, editado, os efeitos visuais estão finalizados e os sons no lugar. Agora vem o grande desafio da pós-produção: juntar todos os efeitos sonoros com a trilha sonora, dando espaço a cada um deles de forma apropriada. Os indicados são:

A Origem  |Lora Hirschberg, Gary Rizzo e Ed Novick

A mixagem aqui é arrasadora, um marco. Além de manter intacto o barulhento trabalho da edição de som, o filme vai mesclando diversos sons ao mesmo tempo, sem nunca prejudicá-los ou confundi-los, como na cena em que Ariadne (Ellen Page) passa pelas camadas do sonho; há a trilha sonora de Hans Zimmer, os efeitos sonoros de explosões e batidas e ainda a música de Edith Piaf. Um marco sonoro que executa-se com perfeita maestria.

A Rede Social | Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick e Mark Weingarten

Ao longo do filme, o trabalho de mixagem é consideravlemente simples, porém uma ou duas sequências se destacam. Exemplo: o diálogo entre Mark e Sean em uma balada; o som da cena é perfeito, deixando a música de fundo levemente mais alta do que a conversa, o que faz o espectador “entrar” na cena, como se estivesse de fato dentro de uma balada com som alto.

Bravura Indômita | Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff e Peter F. Kurland

Sendo um filme dos Coen, em muitos momentos o diálogo ou até o silêncio tomará conta da cena. A equipe de mixagem acerta por inserir sutilmente sons de fundo, como fogueiras, rangidos, e também o som das botas de Matt Damon, cujo detalhe da estrela metálica emite um ruído que facilita a identificação de sua presença em cena. Trabalho eficáz.

O Discurso do Rei | Paul Hamblin, Martin Jensen e John Midgley

Sinceramente, não vi grande coisa na mixagem aqui. A edição sonora até merecia destaque (pelas cenas em que o protagonista fala pelo microfone), mas trata-se um trabalho sutil e simples. A trilha sonora encaixa-se bem e nunca temos confusões sonoras.

Salt | Jeffrey J. Haboush, William Sarokin, Scott Millan e Greg P. Russell

Não assisti Salt, mas pelos clipes que assisti parece ser uma boa edição, típica de um blockbuster de ação. Trilha sonora, tiros e gritos de Angelina Jolie mesclam-se com sutileza.

Ficou de Fora: Deixe-me Entrar | Ed White, Will Files e Rick Kline

É um trabalho simples, mas eficáz. Contribuindo na construção da aura dark e sinistra do longa, o sons são perfeitamente juntados à trilha e resultam em uma experiência assustadora. Vale lembrar também dos pequenos detalhes; como na maravilhosa cena da capotagem (olha ela de novo!) que mescla os efeitos dos pneus grinchando no asfalto, o rádio ligado, o vidro se quebrando… Tudo na medida certa para garantir uma indicação…

Vídeo:

APOSTA: A Origem

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Bravura Indômita

Um longa metragem não funciona da mesma maneira sem música. A trilha sonora ajuda a criar o tom, manter o ritmo e encher o espectador de emoção, complementando o que está na tela. Os indicados são:

127 Horas | A.R. Rahman

Depois de ganhar o Oscar por seu trabalho em Quem quer ser um Milionário?, o indiano Rahman mantém o ritmo musical de seu país na agitada trilha de 127 Horas. São poucas faixas, e três delas possuem o mesmo acorde (diferentes variações de Liberation), mas a música é intensa e original; conseguindo capturar o espírito do longa e de seu protagonista.

Melhor Faixa: Liberation in a Dream

Clique aqui para ouvir todas as faixas.

A Origem | Hans Zimmer

Vejam bem; o brilhante compositor alemão começou a desenvolver a trilha sonora de A Origem através da leitura do roteiro, não do filme propriamente terminado. Um grande trabalho, que resulta em uma trilha grandiosa, com tons de misterio (One Simple Idea), épica, que combina elementos (Dream is Collapsing) e adequa-se magistralmente a cada cena do filme, passando pelas de ação até as de emoção (Time), que ajudam a arrepiar qualquer espectador.

Melhor faixa: One Simple Idea

Clique aqui para ouvir todas as faixas. 

A Rede Social | Trent Reznor & Atticus Ross

Provando-se como uma das trilhas mais originais dos últimos anos, os sons eletrônicos da dupla representam o futuro; é interessante observar como em várias faixas (especialmente a memorável Hand Covers Bruise) a presença de sons de computador, batidas, a ponta de uma caneta no vidro, rugidos animais (Magnetic) e até uma bela homenagem eletrônica à In the Hall of the Mountain King. Faixas dinâmicas, sombrias e que fazem toda a diferença no filme.

Melhor Faixa: A Familiar Taste

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Como Treinar o seu Dragão | Jim Powell

Gostei muito do trabalho musical de Jim Powell. Suas composições são sempre alegres, mas com ritmo e muita empolgação, tomando muitas referências célticas e irlandesas, conseguindo equilibrar emoção, drama e tons mais épicos que funcionam muitíssimo bem.

Melhor Faixa: Battling the Green Death

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O Discurso do Rei | Alexandre Desplat

Como de costume, o genial francês Alexandre Desplat compõem uma maravilhosa trilha, cujas faixas são predominatemente delicadas, com uso excessivo – e perfeito – do piano para temperar a música, contribuindo na criação de um estado emotivo único do filme.

Melhor Faixa: My Kingdom, My Rules

Clique aqui para ouvir todas as faixas

Ficou de Fora: Tron – O Legado | Daft Punk

Enquanto o roteiro apresenta falhas enormes e os efeitos visuais não alcançam a perfeição desejada, o grande trunfo de Tron – O Legado é mesmo sua trilha sonora eletrônica, assinada pela dupla francesa Daft Punk. As faixas são empolgantes e fazem o possível para tentar deixar o filme interessante; mas a atenção é voltada para os acordes techno-bizarros.

Melhor Faixa: Derezzed

APOSTA: A Rede Social

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Discurso do Rei

Se for um filme predominantemente musical, canções são inevitáveis, mas nos outros gêneros, não vejo muita relevaância na categoria… Os indicados são:

“If I Rise”| 127 Horas

“If I Rise” acerta pela parte instrumental (mais uma vez, com forte referência musical indiana), mas falha pela cantoria desanimada e principalmente pelo coral ridículo ao fundo. A letra até que se adequa ao filme, porém, é uma canção mediana.

“Coming Home ” | Country Song

Ah como eu adoro música country. Not!

“I See the Light” | Enrolados

Bem alegre, bem conduzida e bonitinha. Perdoem a falta de comentários, eu realmente não sou fã dessa categoria…

We Belong Together” | Toy Story 3

De lavar a alma, a canção do último filme dos brinquedos é divertida e empolgante. A letra de Randy Newman adequa-se perfeitamente à trama e o cara sabe cantar. Porque não levar a estatueta?

Ficou de Fora: “Black Sheep” – Clash at the Demonhead | Scott Pilgrim contra o Mundo

A excelente adaptação dos quadrinhos de Scott Pilgrim oferece uma seleção musical de primeira, introduzindo diversas canções de bandas fictícias da trama. A melhor delas, sem dúvida, a Black Sheep do Clash at the Demonhead. A versão do filme, com a dócil voz de Brie Larson, é muito superior à do Metric e também traça um grande paralelo com a narrativa central do filme. Nunca seria indicada, mas vale a lembrança…

APOSTA: Toy Story 3 (We Belong Together)

QUEM PODE VIRAR O JOGO: 127 Horas (If I Rise)

Bem, acaba aqui a Parte 3. Fiquem de olho, na Sexta-Feira tem a última parte, com as categorias principais. Até lá!