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AMERICAN SOCIETY OF CINEMATOGRAPHERS 2016: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , on 6 de janeiro de 2016 by Lucas Nascimento

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Os cinco melhores trabalhos de direção de fotografia escolhidos pela ASC!

Carol | Ed Lachman

Mad Max: Estrada da Fúria | John Seale

Ponte dos Espiões | Janusz Kaminski

O Regresso | Emmanuel Lubezki

Sicario: Terra de Ninguém | Roger Deakins

O vencedor será anunciado em 14 de Fevereiro.

BIRDMAN leva o prêmio da AMERICAN SOCIETY OF CINEMATOGRAPHERS 2015

Posted in Prêmios with tags , , , , , on 16 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Como já era de se esperar, o fantástico trabalho de Emmanuel Lubezki em Birdman foi devidamente reconhecido pela American Society of Cinematographers.

Isso praticamente já sela a vitória do filme no Oscar de Melhor Fotografia.

AMERICAN SOCIETY OF CINEMATOGRAPHERS 2015: Os Indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , on 6 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

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A American Society of Cinematographers escolheu seus trabalhos de direção de fotografia preferidos para 2015. Confira:

Birdman | Emmanuel Lubezki

O Grande Hotel Budapeste | Robert D. Yeoman

O Jogo da Imitação | Oscar Faura

Invencível | Roger Deakins

Sr. Turner | Dick Pope

Sem Interestelar? Sem Garota Exemplar? Ok.

O vencedor será anunciado em 15 de Fevereiro.

Apenas assista

Posted in Notícias with tags , , , , on 13 de março de 2014 by Lucas Nascimento

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Enquanto navegava pelas páginas de cinema do Facebook, me deparo com um link compartilhado pela página oficial da American Society of Cinematographers, que traz uma belíssima edição sobre a evolução da câmera cinematográfica ao longo de sua existência. O vídeo foi exibido como parte do prêmio de conjunto da obra na Society of Camera Operators deste ano, e foi montado por Bob Joyce.

É simplesmente maravilhoso. Assista:

GRAVIDADE leva o AMERICAN SOCIETY OF CINEMATOGRAPHERS 2014

Posted in Prêmios with tags , , , , , , on 2 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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E a fotografia de Emmanuel Lubezki para Gravidade foi a escolhida pela American Society of Cinematographers. É a primeira vez na História do sindicato em que uma fotografia 3D e pesada em uso de efeitos visuais foi premiada – o que sempre rendia uma divergência com os vencedores do Oscar.

Bem, agora Gravidade certamente vai levar o prêmio da Academia. Merecido, todos os candidatos deste ano são espetaculares à sua forma.

AMERICAN SOCIETY OF CINEMATOGRAPHERS 2014: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 8 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Um dos meus sindicatos preferidos, o de Diretores de Fotografia, divulgou hoje seus 7 indicados para 2014. Mesmo que não seja um termômetro tão preciso para o Oscar, geralmente escolhe o melhor trabalho – ao contrário da Academia. Confira:

12 Anos de Escravidão | Sean Bobbitt

Capitão Phillips | Barry Ackroyd

The Grandmaster | Philippe Le Sourd

Gravidade | Emmanuel Lubezki

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Bruno Delbonnel

Nebraska | Phedon Papamichael

Os Suspeitos | Roger Deakins

O ASC divulga o vencedor em 1º de Fevereiro.

O Incógnito Oscar 2013 | Volume II: Categorias Técnicas

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 19 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

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Oscar não é só sobre as estrelas, é também para premiar o esforçado trabalho de dezenas (e até centenas) de pessoas que se dedicam às categorias técnicas de um filme. E elas são muito mais interessantes de analisar, vamos à parte 2 do especial:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria

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Ajudando a transformar a visão do diretor em realidade, o diretor de fotografia possui um dos mais importantes cargos, analisando luzes, cores, sombras, mise en scène, entre muitos outros… Os indicados são:

007 – Operação Skyfall | Roger Deakins

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O vigésimo terceiro filme de James Bond pode não ser o melhor da franquia, mas inubitavelmente é o mais bonito. Com o veterano Roger Deakins no comando da fotografia, Operação Skyfall é recheado de cenas visualmente deslumbrantes. A paleta de cores alterna de locação a outra (mais quente em Istambul e Macau, fria e cinzenta em Londres e no clímax na Escócia) e Deakins utiliza-se muito bem das sombras e luzes durante toda a projeção. Mas o maior feito da área é realmente nas cenas em Xangai, em especial a luta que ocorre em meio à agua-viva holográfica de um outdoor, que produz um tom azulado espetacular. Um trabalho meticuloso de um especialista no assunto, e que – por sinal – ainda carece de uma estatueta na estante…

  • American Society of Cinematographers

Anna Karenina | Seamus McGarvey

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Graças às sempre adoráveis distribuidoras nacionais, Anna Karenina só estreia por aqui em 15 de Março (e como não trocamos o valor insubstituível de uma confortável sala de cinema, não nos renderemos ao download ilegal, certo?), então não será possível fazer uma análise muito profunda sobre sua direção de fotografia. Já tendo sido indicado por sua colaboração anterior com Joe Wright (Desejo & Reparação, em 2008), Seamus McGarvey promove a essa nova visão do clássico de Leo Tolstói uma bela combinação de sombras e cores contrastantes, gerando uma textura muito elegante. Agora, não tendo visto o filme, não posso ir além de dizer que é um trabalho muito bonito.

As Aventuras de Pi | Claudio Miranda

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Assim como Mauro Fiore em Avatar, Claudio Miranda conseguiu estabelecer belíssimas imagens, mesmo que a maioria destas tenham sido criadas em um computador. É de se ficar besta com as paisagens que parecem terem saídos de uma pintura, especialmente nas cenas em que Pi está no bote em alto-mar e o céu e o oceano fundem-se em um só, graças ao reflexos das limpíssimas águas. Não só visualmente maravilhoso, também ilustra a dualidade que As Aventuras de Pi carrega na questão de realidade e ficção, a opção de se ter duas histórias. Outro destaque é o uso de 3D, que Miranda e Ang Lee usam bem e trazem um recurso até então inédito: a manipulação da proporção da tela, em função deste – reparem que a tela “transforma-se” em widescreen durante o ataque dos peixes voadores, como forma de salientar o movimento e quantidade. Lindo trabalho.

  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Django Livre | Robert Richardson

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A Academia adora Robert Richardson e também adora um bom faroeste. O cinematógrafo vencedor da categoria no ano passado (e indicado por sua colaboração anterior com Tarantino, em Bastardos Inglórios0 confere à Django Livre lindas tomadas externas que revelam os campos, lagos e montanhas do sul dos EUA; paisagens típicas de um faroeste, digamos. Já sua iluminação em interiores é dotada de um tom predominantemente quente e pasteurizado, especialmente na residência de Calvin Candie (cuja decoração à velas justifica a a escolha de tais cores). Também gosto do uso de luzes fortes jogadas nas costas dos personagens, característica que tem se mostrado muito presente em suas colaborações com Tarantino. Mais um excelente trabalho de Richardson.

Lincoln | Janusz Kaminski

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É impressionante se compararmos o trabalho de fotografia de Janusz Kaminski aqui em Lincoln como o de sua indicação anterior, Cavalo de Guerra. Mostra como o onipresente colaborador de Steven Spielberg sabe alternar as cores de acordo com a temática da narrativa: se o drama de Primeira Guerra trazia planos coloridos e vivos, ele garante um visual sombrio para a cinebiografia de Abraham Lincoln. Adotando uma lógica visual que consiste em interiores escuros com grandes feixes de luz entrando pelas janelas (algo que remete ligeiramente ao trabalho de Barry Lyndon), Kaminski utiliza desta durante toda a projeção, o que representa como o protagonista está sempre mergulhado nas trevas – e quando este alcança a vitória, o personagem enfim atravessa as cortinas e é engolido pela luminosidade externa, em um ato simbólico muito inteligente.

APOSTA: As Aventuras de Pi

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Skyfall

MEU VOTO: Skyfall

FICOU DE FORA: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Wally Pfister

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O fiel colaborador de Christopher Nolan já foi indicado ao Oscar por 4 de seus 7 trabalhos com o diretor. Na conclusão da trilogia do Homem-Morcego, ele mantém a eficaz manipulação das luzes e sombras, ajudando a criar uma aura dark e fria ao longo da projeção – ainda que este seja o filme de Batman com mais cenas diurnas da trilogia. Além do ótimo trabalho visual, Wally Pfister ainda trabalhou com as câmeras IMAX, que representam mais da metade das cenas do filme, alcançando um resultado grandioso.

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Para povoar a história de personagens e situações, cenários – sejam digitais ou construídos – são essenciais, assim como a equipe que os desenha/projeta antes de lhes dar vida. Os indicados são:

Anna Karenina | Sarah Greenwood & Katie Spencer

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Novamente, não assisti a Anna Karenina, mas sua ambientação de época já seria o suficiente para abocanhar uma indicação nesta categoria. Abraangendo o período do czarismo russo do século XIX, o desenho de produção é eficaz e faz jus à grandiosidade faraônica do período. No entanto, o que me chamou a atenção sobre esta nova versão é o fato desta ser executada de forma teatral; dessa forma, os cenários vão alternando como se fossem apenas um, localizado em um imenso palco com direito a cortinas. Muito interessante.

  • ADG – Filme de Época
  • Critics Choice Awards

As Aventuras de Pi | David Gropman & Anna Pinnock

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As lindas imagens que a fotografia de Claudio Miranda ilustra com magistral beleza começaram aqui, com os desenhos e planejamentos do departamento de arte. Não só é fiel às descrições do livro – que trazem a ideia de um oceano tão limpo e reluzente, que se crie a ilusão de que este “funde-se” ao céu, graças ao reflexo – mas também é competente ao criar belas imagens a partir de um cenário limitado. Claro que há diversas cenas com locação na Índia e cenários de interiores, mas nenhuma que se equipare ao “mar de nuvens”.

  • ADG – Filme de Fantasia

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | Dan Hennah, Ra VincentSimon Bright

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Mesmo quem não é fã da saga de Peter Jackson sobre a Terra Média (eu), deve admitir que o trabalho de direção de arte nos filmes é espetacular (sim, eu admito). Trazendo de volta ambientes já conhecidos da trilogia Senhor dos Anéis (como a compacta, porém aconchegante, toca de Bilbo Bolseiro e as fantásticas torres de Valterra) e também nos apresentando a algumas novidades – ainda que sejam familiares, como a origem dos trolls petrificados – o trabalho do desenho de produção é fabuloso. Acho particularmente fascinante a sombria caverna que serve de palco às “charadas no escuro”, que não só é eficiente visualmente, mas também contribui imensamente para o tom da cena.

Lincoln | Rick Carter & Jim Erickson

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Ao contrário de seu longa anterior, Steven Spielberg não se concentrou nos campos de batalha do período que resolveu abordar. Assim, os congressos e aposentos americanos de Lincoln se sobressaem às trincheiras e plantações rurais que Rick Carter havia criado para Cavalo de Guerra. Uma produção imensa e que recria  cuidadosamente ambientes históricos, em especial a Casa Branca que é sempre marcada pelas sombras e inúmeras pilhas de livros e documentos, salientando a “bagunça” daquele lugar. De forma similar, o Congresso nem se preocupa em separar oponentes, dando lugar à constantes intrigas por mantê-los tão próximos um do outro. E até onde percebi, a maioria dos cenários não é digital.

Os Miseráveis | Eve Stewart & Anna Lynch-Robinson

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Mesmo que utilize de greenscreens artificiais que comprometem o trabalho dos outros departamentos (o de atuação, principalmente) em alguns momentos, o design de produção de Os Miseráveis é competente ao recriar a Paris do período da Revolução Francesa , no século XVIII. E como o título já indica, o longa explora as classes mais baixas, desde os bares sujos e bagunçados (como a propriedade dos vigaristas Thénardier) até a passarela das prostitutas (cuja estrutura é de clara influência teatral). Os grandes parlamentos e igrejas também são bem utilizados e contrastam com os ambientes descritos anteriormente – e o fato de a maioria destes serem reais e de imensa escala é ainda melhor para a imersão na história.

  • BAFTA

APOSTA: Anna Karenina

QUEM PODE VIRAR O JOGO: As Aventuras de Pi

MEU VOTO: Os Miseráveis

FICOU DE FORA: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Nathan Crowley, Kevin Kavanaugh e Paki Smith

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A conclusão da trilogia do Batman de Christopher Nolan foi completamente esquecida pela Academia, que não lembrou do filme em nenhuma categoria. Uma ação injusta já que – mesmo não sendo um longa impecável como o antecessor – Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é impecável em sua área técnica, especialmente em seu grandioso design de produção. Eficiente ao retratar as ruas de Gotham devastadas e os esconderijos subterrâneos do herói e do antagonista Bane, ainda há a prisão localizada dentro de um poço enorme; não só uma construção (real) impressionante, mas também uma metáfora brilhante para a jornada de Bruce Wayne.

montagem

Se há um departamento que é essencial – e também um dos meus preferidos – é a montagem. É preciso habilidade para montar o filme, lhe fornecer o ritmo e tom apropriado e, claro, eliminar cenas desnecessárias. Os indicados são:

Argo | William Goldenberg

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Muitos críticos disseram que Argo parece dois filmes diferentes graças à sua mistura de tensão e humor. Tendo como dois focos narrativos principais um grupo de reféns escondidos no Irã e a equipe da CIA de Tony Mendez, a montagem de William Goldenberg é eficiente ao equilibrar em doses apropriadas esses dois “gêneros” distintos. Se em uma hora o espectador se diverte com o humor irreverente das cenas em Hollywood, Goldenberg logo nos lembra das vidas humanas que estão em risco do outro lado do mundo. Além dessa boa divisão, a montagem também merece créditos pela urgência na cena do aeroporto e pelo uso de imagens reais ao longo da narrativa.

  • ACE Eddie Awards
  • BAFTA

As Aventuras de Pi | Tim Squyres

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Centrado em um único personagem que encontra-se preso em um ambiente limitado durante quase toda a projeção, a montagem de Tim Sqyres para As Aventuras de Pi é eficiente ao acelerar a longa passagem dos dias em uma série de transições, optando por fades ou por um tipo mais dinâmico (como na imagem acima, em que amão de Pi fica em 1º plano ao passo em que as cenas vão passando). Tal recurso também é usado para marcar as passagens entre a história que é contada e aquele que a conta, no caso o envelhecido Pi. O equilíbrio entre essas narrativas contribue para que a experiência não torne-se cansativa.

A Hora Mais Escura | William Goldenberg & Dylan Tichenor

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Com uma dupla indicação na categoria deste ano, William Goldenberg se alia a Dylan Tichenor para colar e organizar todos os intrincados eventos que compõem a caçada por Osama Bin Laden em A Hora Mais Escura. Adotando uma estrutura composta por segmentos (recurso que me remeteu à divisão de Cães de Aluguel, entre outros), a dupla compressa acontecimentos que se passam em um intervalo de 8 anos em uma duração de quase 3 horas. E mesmo que o primeiro ato do filme seja cansativo em circunstância da absurda quantidade de nomes e datas, Goldenberg e Tichenor organizam bem as informações e provocam tensão nas horas certas graças a seus cortes rápidos – mas que nunca chegam ao ponto de tornar a ação incompreensível.

O Lado Bom da Vida | Jay Cassidy & Crispin Struthers

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Ao ver a lista dos indicados desta categoria, minha maior surpresa (seguida imediatamente de uma sensação de “WTF”) foi encontrar O Lado Bom da Vida. E só quando assisti ao filme percebi que o trabalho de Jay Cassidy e Crispin Struthers é realmente digno do prêmio, e também um dos principais motivos pelo longa de David O. Russell funcionar tão bem. Tendo que lidar com doses de comédia e drama (meio como faz Argo), a dupla oferece velocidade às cenas de passagem de tempo e ajuda a tornar as cenas de dança – principalmente a do clímax – mais empolgantes, isso sem exagerar no excesso de cortes de rápidos. Durante toda a projeção, o filme tem um ótimo ritmo e que se mantém eficiente até o segundo final.

  • ACE Eddie Awards – Musical/Comédia

Lincoln | Michael Kahn

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Mais um grande colaborador de Steven Spielberg, Michael Kahn é o responsável por juntar com competência todos os inúmeros diálogos e debates políticos em Lincoln. Com cortes “básicos” na maior parte do filme (sendo interessante como este utiliza pouquíssimos na introdução do protagonista, deixando a tomada progredir livremente), o trabalho de Khan se sobressai ao interligar eventos em diferentes tempos, como a sequência que traz as tentativas dos eleitores de conseguir – através de múltiplas fontes – votos para a 13ª Emenda. O demérito é quando Kahn aposta em algumas transições pavorosas (irônico, após ter garantido duas brilhantes em Cavalo de Guerra e As Aventuras de Tintim), especialmente aquela que traz a imagem de Lincoln aparecendo na chama de uma vela.

FICOU DE FORA: A Viagem | Alexander Berner

(as imagens abaixo não se referem a um momento específico do longa, apenas para ilustrar as 6 narrativas que este abraange)

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O que realmente me impressiona na montagem perfeita de A Viagem, não é apenas o fato de o longa manter-se eficaz em seu ritmo e equilibrar com eficiência suas 6 (isso mesmo, 6) narrativas que ocorrem em diferentes períodos da História. O que realmente impressiona é que Alexander Berner conseguiu sozinho administrá-las com perfeição, fazendo uso de transições espertas (especialmente aquelas que respeitam a lógica visual das diferentes ambientações) e cortes com intensidade apropriada ao momento específico. Como deixar um trabalho desses de fora?

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Hora Mais Escura

MEU VOTO: Argo

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A menos que seja um filme pornográfico, os atores precisam de roupas; que variam de época, tamanho e estilo, adequando-se à sua narrativa e ao personagem. Os indicados são:

Anna Karenina | Jacqueline Durran

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Disparado como favorito da categoria, Jacqueline Durran veste as personagens em mais uma versão da clássica obra russa. Ambientando-se no período czarista, o trabalho da figurinista segue os padrões daquela época, porém – considerando o apelo mais “moderno” do diretor Joe Wright -, notam-se características mais contemporâneas (Durran disse ter se inspirado em modelos dos anos 50, por exemplo). A vaidade da personagem-título é bem representada por seus apurados vestidos e jóias; a maioria destes adotando um padrão de cores frio e com acessórios que suportem as baixas temperaturas da Rússia. Novamente, não vi o filme mas parece digno da vitória.

  • Costume Designers Guild – Filme de Época
  • BAFTA

Branca de Neve e o Caçador | Colleen Atwood

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A releitura dark/gótica para as clássicas personagens do conto dos irmãos Grimm (ou da animação da Disney, como preferir) é certamente uma das poucas qualidades de Branca de Neve o Caçador. Trazendo grande influência de seu trabalho com os últimos filmes de Tim Burton, Colleen Atwood acerta ao adicionar novas características aos personagens (como o traje do Caçador, que traz inúmeras machadinhas) e pelos espetaculares vestidos da Rainha Rowena, especialmente aquele que é formado por diversos corvos. Meu preferido dentre os indicados.

Espelho, Espelho Meu | Eiko Ishioka

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E a Academia entrou na febre da Branca de Neve, mas se o longa de Rupert Sanders apostava num visual mais sujo e que remetesse mais à obra dos Grimm, Espelho, Espelho Meu abraçou desvergonhadamente as cores e elementos alegres da versão Disney. Não assisti ao filme (e não pretendo, sinceramente), mas pela pesquisa de imagens que fiz, o maior acerto fica novamente com a antagonista da história, sempre trajando vestidos repletos de detalhes.

Lincoln | Joanna Johnston

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Em um vasto trabalho de pesquisa a bibliotecas e arquivos históricos, Joanna Johnston recriou com fidelidade os ternos e vestidos trajados por todos os políticos e familiares no período de Lincoln. Ambientado no final dos anos 1800, a figurinista acerta ao trazer quase todas as vestimentas em tons escuros e discretos, ao passo em que a Mary Todd Lincoln sempre aparece com cores radiantes e vestidos chamativos (o que traduz visualmente alguns aspectos de sua personalidade explosiva). Fora dos tribunais, Johnston também borda alguns dos uniformes utilizados em combate na Guerra Civil, separando os lados inimigos ao simplesmente trajá-los com cores diferentes.

Os Miseráveis | Paco Delgado

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Mais uma produção de época (compreendam, a Academia adora lembrar longas do tipo nessa categoria), Paco Delgado dá sua versão para as vestimentas do período da Revolução Francesa. Na saga musical de Victor Hugo, é importante notar como o figurino é essencial na representação da classe social das personagens, e como este vai se transformando à medida em que alguns ascendem (como Jean Valjean, que de condenado miserável sobe para nobre rico e elegante) e outros decaem (como a delicada Fantine, cujo rosa sensível é logo substituído por um vermelho berrante quando esta volta-se à prostituição). É de se admirar também o trabalho com as centenas de figurantes, a maioria deles trajando peças da baixa classe da sociedade.

FICOU DE FORA: Django Livre

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Da mesma forma que teve seu trabalho inexplicavelmente esnobado em Bastardos Inglórios, a segunda investida histórica de Quentin Tarantino foi esquecida. Acertando ao retratar a superioridade financeira de personagens como King Schultz e Calvin Candie (que trajam elegantes ternos e casacos), a figurinista xx ainda traz vestimentas típicas de faroeste (como a usada por Django na imagem acima) e também pelas “brincadeiras”, como a roupa inspirada na pintura The Blue Boy que o protagonista escolhe usar no início do filme.

APOSTA: Anna Karenina

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Branca de Neve e o Caçador

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A arte de enfeitar e disfarçar um artista, resultando em uma transformação do personagem, seja para envelhece-lo ou transformá-lo em um monstro. Os indicados são:

Hitchcock | Howard Berger, Peter Montagna & Martin Samuel

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Anthony Hopkins está muito parecido com Alfred Hitchcock (até as mesmas iniciais eles compartilham!). É realmente incrível o trabalho da equipe em transformar o ator no Mestre do Suspense (um muito superior a aquele do telefilme A Garota, com Toby Jones), especialmente se o olharmos de perfil. Como Hitchcock ainda não estreiou no Brasil, fica difícil saber como as próteses faciais são utilizadas e se elas favorecem o trabalho de Hopkins. Mas visualmente falando, está impecável.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | Peter King, Rick Findlater & Tami Lane

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Assim como o design de produção e os efeitos visuais (que veremos logo a seguir) de O Hobbit ajudam a criar a monstros fantásticos, a maquiagem desempenha um papel tão importante quanto para alcançar esse feito. Isso porque o trabalho na composição visual de hobbits, anões e outras criaturas cujo nome me escapam à memória é quase todo real, sem computação gráfica. O destaque de Uma Jornada Inesperada fica mesmo com os 13 anões do filme, figuras que – mesmo aparentemente idênticas à distância – trazem diferentes detalhes em seus acessórios, barbas e penteados.

Os Miseráveis | Lisa Westcott & Julie Dartnell

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No trabalho de maquiagem de Os Miseráveis, o truque não foi criar monstros ou recriar diretores famosos, mas sim deixar pessoas elegantes como Hugh Jackman e Anne Hathaway em um estado decadente. A começar pelo ator, que já surge em cena com os cabelos raspados de forma brusca, com uma longa barba e até dentes podres (imagem acima). E enquanto seu Jean Valjean cresce socialmente, a Fantine de Hathaway vai pelo caminho oposto e acaba com os cabelos arrancados e com os dentes quebrados, destruindo a beleza da atriz. São boas transformações, mas é o longa menos impressionante entre os indicados.

  • BAFTA

FICOU DE FORA: A Viagem

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Quando vi pela primeira vez o elenco de A Viagem disfarçado para encarnar diversos personagens no grandioso projeto dos irmãos Wachowksi e Tom Tykwer, já apostei em sua vitória no Oscar. Imaginem minha decepção (e a de muitos outros, certamente) ao não encontrar o trabalho de maquiagem do filme entre os indicados deste ano… Homens viram mulheres, negros viram caucasianos, ocidentais viram orientais e todo o resultado é impressionante, servindo com impecável propósito à narrativa. Vai entender a ausência…

APOSTA: O Hobbit

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Os Miseráveis

MEU VOTO: Hitchcock

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Dando vida ao que não existe, a equipe de efeitos visuais trabalha para criar personagens e ambientes digitais, buscando o realismo perfeito. Os indicados são:

As Aventuras de Pi

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Muito bem, vou ser honesto: não acho os efeitos visuais de As Aventuras de Pi perfeitos. As cenas em que a água do mar apresenta uma fosforescência durante a noite (especialmente no salto da baleia) soaram berrantemente artificiais para mim. Mas dane-se. O filme merece o prêmio aqui pelo trabalho espetacular na criação do tigre Richard Parker, uma das criaturas digitais mais realistas e expressivas que já vi na vida. Os movimentos, transformações físicas (o animal emagrece ao longo da trama) e interação com o ator Suraj Sharma são perfeitas, e seria muito fácil confundir o trabalho da Rhythm & Hues (empresa que faliu recentemente) com um tigre real, já que este é absolutamente foto-realista. O greenscreen também é muito eficiente e jamais soa falso.

  • 3 Vitórias no Visual Effects Society
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Branca de Neve e o Caçador

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Assim como a direção de arte e o figurino têm forte influência de Alice no País das Maravilhas de Tim Burton, o trabalho de efeitos visuais de Branca de Neve o Caçador também bebe da mesma fonte. Grande parte do trabalho digital aqui visa preencher o vazio do greenscreen e transformá-lo em cenários fantásticos que ainda trazem diversas criaturas igualmente computadorizadas. Ao passo que o filme de Burton aumentava a cabeça de Helena Bonham Carter, a equipe dese novo filme faz um eficiente trabalho de substituição de cabeças para a criação dos anões, e “diminui” atores  como Ian McShane e Nick Frost.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

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Em todas as suas viagens à Terra Média, Peter Jackson levou de brinde um Oscar nesta categoria para sua equipe da Weta. 10 anos após o fim da trilogia Senhor dos Anéis, O Hobbit traz novas tecnologias de efeitos especiais (como a câmera que diminui o tamanho dos atores a fim e transformá-los em anões, permitindo também que interagissem com outros em tamanho normal, separadamente ou não) e aprimorou diversas, como a captura de performance que o sempre talentoso Andy Serkis sempre faz bom uso; retornando aqui com o icônico Gollum. Os efeitos da Weta acertam na criação de criaturas e cenários digitais e não fosse a vitória quase certa de As Aventuras de Pi aqui, garantiria mais um trófeu para a saga de J.R.R. Tolkien.

  • Visual Effects Society – Fotografia Virtual

Prometheus

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33 anos após seu Alien – O Oitavo Passageiro vencer nesta categoria, Ridley Scott retorna à cerimônia com O “meio-que-prelúdio” do filme que o catapultou à fama, trazendo mais um elegante trabalho com efeitos visuais. A maior parte dos efeitos de Prometheus surgem aqui como o tipo que não se manifesta de forma primária, surgindo mais como greenscreen (que serve de criação para todo o planeta LV-223 e os hologramas das diferentes espaçonaves do longa) e também para realçar objetos reais. Exemplo, a desintegração do Engenheiro na cena inicial, onde a equipe recriou o ator digitalmente apenas para acertar a trajetória do líquido preto que corrói seu corpo. Os efeitos do filme são, realmente, muito eficazes.

Os Vingadores – The Avengers

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Finalmente acertaram no visual do Hulk no cinema. Após dois trabalhos que traziam efeitos visuais medíocres, enfim o Gigante Esmeralda ganha um trabalho digital decente (e que preserva com eficiência as feições de seu intérprete) em Os Vingadores. Só esse feito já seria o suficiente para indicar o longa, mas a Industrial Light & Magic também capricha com a grandiosidade de suas batalhas (que trazem diversos ambientes e personagens digitais) e na manifestação dos poderes dos heróis.

  • Visual Effects Society – Miniatura

APOSTA: As Aventuras de Pi

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Hobbit

MEU VOTO: As Aventuras de Pi

FICOU DE FORA: Ted

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Criado a partir de captura de performance (cujo dublê foi o próprio Seth McFarlane, diretor, roteirista e dublador do filme), o ursinho boca-suja de Ted traz um eficiente trabalho com efeitos visuais, e se estes não fossem perfeitos, o longa não funcionaria. E, de fato, a criatura surje bem carismática e realista, tendo ótima interação com o ambiente e elenco.

Fizeram as apostas? Gostaram? Comentem! Amanhã tem mais análise dos indicados com o volume dedicado às categorias de Sons e Músicas. Até lá!

Especial Oscar 2013 Completo