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Grade Mental | Os símbolos em MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA

Posted in Artigos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 22 de maio de 2015 by Lucas Nascimento

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Se você ainda não assistiu a Mad Max: Estrada da Fúria, corra. Você certamente ouviu muitos elogios calorosos por aí, e o retorno de George Miller ao universo do Guerreiro da Estrada é realmente primoroso, concretizando-se como um dos maiores filmes de ação dos últimos tempos. Assistam, sério.

E outra: este post discutirá spoilers do filme.

É um fato que Estrada da Fúria não tem uma trama mega elaborada, com reviravoltas e elementos complexos. No entanto, isso não faz com que o filme seja pobre em conteúdo; muito pelo contrário. A narrativa simples e linear permite que George Miller e sua equipe criem algumas das mais insanas cenas de ação que você verá na vida, ao mesmo tempo em que têm a oportunidade de dedicar imenso esforço ao visual. A direção de arte é disparado o departamento mais detalhado, seja na confecção de figurinos, veículos, armamentos e qualquer outro tipo de objeto. Um deles, no entanto, chamou muito minha atenção – e não só por ser absolutamente irado: a focinheira de Max Rockatansky.

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A focinheira com um icônico tridente

Vamos dar aquela situada básica: No começo do filme, Max é capturado no deserto pelos Garotos de Guerra do tirano Immortan Joe. Ele é amordaçado, marcado como um boi e confinado a uma focinheira que eu deduzo ser muito desconfortável; a fim de controlar suas resistências violentas enquanto serve como “bolsa de sangue” no veículo do mutante Nux (Nicholas Hoult). Mas há algo muito particular nesse objeto repreensivo: sua fronteira bocal, que notavelmente traz uma grade em forma de tridente. Agora, tridente nos trás duas referências muito verossímeis no filme: o tridente de Poseidon, já que a água é um dos elementos mais cobiçados no futuro pós-apocalíptico e, aquele que é o tema deste artigo, o símbolo da Psicologia.

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O Tridente da Psicologia

Bom, não sou nenhum especialista no assunto, mas minha namorada muito mais competente me deu uma aulinha básica sobre alguns dos diferentes significados do tridente:

– As três pulsões: Sexualidade, Auto Conservação e Espiritualidade

– Pode referir-se às Forças Teóricas da Psicologia, o Humanismo, Comportamentalismo e Psicanálise.

– Teoria Freudiana: Ego, Superego e Id

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Immortan Joe: a síntese de Poseidon e Satã

Se seguirmos uma interpretação mais mística, nos deparamos, novamente, com a a presença mitológica de Poseidon e até com a figura cristã de Satanás, que também porta um tridente característico. Nessas duas figuras, a referência lógica é o vilão Immortan Joe: não só é o detentor da água da Cidadela, como também revela-se um ser sórdido, manipulador e reverenciado como um deus – possuindo escravos, mulheres obrigadas a lhe dar leite eternamente e um guitarrista literalmente encapetado. Este é um dos símbolos.

Então, voltamos à focinheira de Max. O louco Max, como o título de todos os filmes da franquia nos revelam. Rockatansky é um homem profundamente perturbado pela perda de sua família, e pelas lembranças daqueles que não conseguiu salvar em sua carreira como policial. Alucinações e vozes dentro de sua cabeça claramente nos indicam que o personagem não é mentalmente equilibrado. Durante sua captura e confinamento na focinheira, podemos interpretar uma espécie de “tratamento de choque” no personagem, dada a presença do tridente nesta e as mudanças que o próprio Max enfrenta. É um solitário e um individualista, cuidando da própria vida num futuro hostil, mas tudo muda quando ele é jogado no mundo de Imperator Furiosa (Charlize Theron), uma rebelde que fugiu da Cidadela de Immortan Joe com suas Esposas.

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Max e a coleira de Nux

Quando Max conhece Furiosa, ele está literalmente em uma coleira, ligada à sua focinheira e o pulso de Nux. O próprio George Miller declarou que vê Max como um cão selvagem que necessita de retenção, então quando Furiosa resolve ajudá-lo a se livrar do bocal, o processo continua em duas linhas: o estudo mental e a animalização. No momento em que Max concorda em ajudar Furiosa em sua missão de escapar com as esposas de Immortan Joe, ele encontra uma forma de “consertar” seus fracassos passados e atingir uma espécie de rendenção (que também é o objetivo principal da Imperatriz), ao mesmo tempo em que doma sua fera interior. Dessa forma, Furiosa também aprende a “domar” a fera que existe em Max, no momento em que lhe entrega um instrumento para abrir a focinheira, culminando na reveladora cena em que o  ex-policial desiste de atirar um rifle sniper e empresta seu ombro para que a rebelde passe a atirar – reconhecendo sua superioridade no quesito, em um dos muitos índices da forte presença feminista no filme.
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Max abraça a solidão em dois momentos distintos

Tendo visto o filme duas vezes, posso afirmar com certeza que as vozes e alucinações que assombram Max no primeiro ato não se manifestam após sua liberação da focinheira, com exceção de dois momentos reveladores: quando Max decide tomar seu próprio caminho após a frustração de Furiosa em descobrir a ruína de sua terra natal – e Miller até nos presenteia com uma rima visual que remete diretamente ao primeiro plano do filme, como se todo o ciclo fosse recomeçar caso Max permanecesse ali – e ao levar uma flechada quase letal, jogando-o em uma espécie de quase-morte, fazendo sentido a aparição fantasmagórica de sua filha (Max quase se junta a ela, afinal). Não estou dizendo que a focinheira era uma espécie de artefato mágico, mas sim uma metáfora para sua transformação que viria a seguir.

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Furiosa: libertadora de escravas, domadora de feras e reparadora de mentes

Na triunfante cena final, Max consegue com sucesso acompanhar Furiosa, as Esposas e as Mães de volta à Cidadela, onde o grupo é recebido com clamor e felicidade em decorrência da morte de Immortan Joe. Furiosa ascende, e Max discretamente se mistura à multidão e segue em seu caminho solitário (afinal, Max sempre foi o andarilho que acaba metido na história de outra pessoa), após trocar olhares de satisfação com sua parceira. Sua missão está cumprida, e não temos sinal das vozes ou alucinações de Max – ou seja, a redenção foi encontrada e, pelo menos nesta narrativa (futuras continuações podem me contrariar, claro), o distúrbio mental do protagonista teria chegado ao fim. A focinheira de tridente foi um mero símbolo, mas pelas mãos de Furiosa e de suas ações para ajudá-la, o Louco Max talvez não seja mais tão louco quanto o título sugere.

Por fim, o que essa análise nos revela? A importância de um trabalho sólido de customização e direção de arte, pois mesmo que Miller não tivesse a menor intenção de provocar a discussão, certamente tinha ciência do tipo de símbolo que colocara ali (aliás, encontramos referências diversas em Estrada da Fúria, de ecologia à mitologia nórdica) e só isso já garante ainda mais mérito à produção.

Muito para um filme que é assumidamente uma longa perseguição de carros.

Ação também é Arte.

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Clique aqui para ler em inglês

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Análise Blu-ray | INTERESTELAR

Posted in Análise Blu-ray with tags , , , , , , , , , , , , , , on 23 de março de 2015 by Lucas Nascimento

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O Filme

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Interestelar foi um dos filmes mais divisíveis de 2014. Entre amor e ódio, eu encontrei-me totalmente encantado pela ficção científica ousada de Christopher Nolan, que aborda conceitos físicos fascinantes, nos apresenta a cenas de ação absurdas com visuais inacreditáveis e uma história emocional simples e cativante. É uma experiência e tanto, e eu definitivamente adoro. Crítica

A Ciência de Interestelar (50:20)

4.0

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Aqui, temos o documentário exibido no Discovery Channel sobre os principais temas científicos que Interestelar aborda. Narrado por Matthew McConaughey, o doc nos traz entrevistas da equipe de filmagem e, principalmente, do astrofísico Kip Thorne, que divaga sobre Teoria da Relatividade, a natureza do tempo, buracos de minhoca, buracos negros e até em qual ponto se encontra a tecnologia para garantir uma expedição espacial do nível da do filme. Traz diversos conceitos complexos de Física, mas numa linguagem acessível e ilustrativa. Muito bom, e deve servir pra passar na escola…

Por Dentro de Interestelar

Plotting an Interstellar Journey (7:49)
Tramando uma Jornada Interestelar

4.0

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Uma introdução ao vasto making of do filme. Christopher e Jonathan Nolan discutem a ideia inicial e os desejos de atingir uma fidelidade científica, ao mesmo tempo em que discutem suas influências. Só fiquei surpreso por ninguém mencionar 2001…

Life on Cooper’s Farm (9:43)
Vida na Fazenda de Cooper

4.0

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Aqui, a equipe de produção revela o preparo para as filmagens de cenas na Terra, jogada de volta a uma sociedade agrícola decadente. O designer de produção Nathan Crowley discute a escolha de locação (belíssimas áreas no interior dos EUA), a construção da fazenda de Cooper e até a ciência para o crescimento do milho. E ainda temos os bastidores da ótima perseguição de carro pelo milharal.

Dust (2:38)
Poeira

3.5

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O mais curto de todos os extras do disco, revela o desafio da equipe para criar as tempestades de poeira que assolam o planeta Terra durante o primeiro ato da história. Interessante observar como efeitos práticos (que produziram ventanias fortíssimas) tiveram grande presença aqui.

TARS and CASE (9:27)
TARS e CASE

4.0

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Um dos elementos mais originais de Interestelar reside na dupla de robôs, TARS e CASE. O extra nos revela o incrível trabalho da equipe de efeitos especiais para criar os robôs fisicamente, numa espécie de marionete que era controlada pelo próprio dublador; efeitos visuais CGI só eram usados para movimentos impossíveis, como “a roda”. Nolan também explora sua funcionalidade e o papel da dupla na história.

The Cosmic Sounds of Interstellar (13:20)
Os sons cósmicos de Interestelar

5.0

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Hans Zimmer é um maldito gênio, e esse maravilhoso extra só serve para comprovar isso. Aqui, Nolan e Zimmer comentam a criação da trilha sonora, que nasceu a partir de um mero conceito (pai e filho) para mergulhar numa onda épica dominada por um órgão a vapor. Vemos também como Zimmer levou sua orquestra para compor dentro de uma igreja, detalhando também pequenos elementos de outras composições (um coro para o tema do buraco de minhoca) e a lógica para a evolução da música ao longo da narrativa. Sensacional.

The Spacesuits (4:31)
As Roupas Espaciais

3.5

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Simples e objetivo, esse extra nos traz os bastidores para a confecção das roupas espaciais do filme. A figurinista explica as influências de trajes reais da NASA e a preocupação de atingir um visual moderno e que comportasse bem o elenco – o traje era tão quente que foi desenvolvido um dispositivo para resfriamento interno.

The Endurance (9:24)
A Endurance

4.0

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Nathan Crowley literalmente nos leva a um tour pela principal nave espacial do filme, a Endurance. Ele explica as influências de sua aparência na EEI e a funcionalidade de seu interior, que foi construído de verdade. É interessante observar como o elenco elogia a presença de um set real, ao invés de green screens.

Shooting in Iceland: Miller’s Planet/Mann’s Planet (12:42)
Filmando na Islândia: Planeta de Miller/Planeta de Mann

5.0

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Naquele que certamente é o mais deslumbrante dos extras, acompanhamos as filmagens em duas locações-chave da Islândia, para servir de cenário para os planetas de Miller (todo de água) e o de Mann (todo de gelo). Acompanhamos o esforço para transportar equipamento, elenco e gruas para a locação, além da dificuldade para encarar as condições climáticas extremas. Temos também comentários sobre a criação das ondas gigantes e a luta na geleira.

The Ranger and the Lander (12:20)
O Ranger e o Lander

5.0

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Mais Crowley! Aqui, ele discute a criação das naves de modelo Ranger e Lander, que também foram construídas em escala real para interagir com ambientes e com o elenco. É muito bacana ver como o diretor de fotografia Hoyte Van Hoytema e a equipe de pirotecnia elaboram sistemas para chacoalhar, balançar e controlar remotamente modelos em escala real como se fossem miniaturas, e com o elenco dentro. Pra finalizar, é empolgante ver como a equipe “ressuscitou” a projeção de tela para preencher as janelas das naves, evitando mais uma vez o green screen.

Miniatures in Space (5:29)
Miniaturas no Espaço

5.0

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Numa grande demonstração de mistura de velho com o novo, Nolan e sua equipe de efeitos detalham o processo de criação de miniaturas de naves espaciais (principalmente as cenas de acoplagem), ao mesmo tempo em que utilizam de efeitos CGI para combinar o melhor dos mundos. Mostra muito afeto pelo trabalho feito em produções pioneiras, e também impressiona pela escala de alguns modelos (como aquele usado durante a acoplagem defeituosa do Dr. Mann).

The Simulation of Zero-G (5:31)
A Simulação de Gravidade Zero

3.0

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Como é um filme espacial, a gravidade zero é um elemento que certamente estará presente. Porém, diante de todas as outras inovações que o longa traz, não tem um impacto tão marcante ou estimulante no filme em si (não como teve Gravidade, por exemplo), e o extra reflete isso. Temos lá os ensaios e preparamentos, mas não empolga tanto quanto o restante.

Celestial Landmarks (13:22)
Marcos Celestiais

5.0

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This is it. Um dos extras mais aguardados da edição, onde o físico e consultor Kip Thorne compartilha seus conhecimentos sobre a ciência dos buracos de minhoca e buracos negros, desde uma breve aulinha de gravidade e Einstein até a composição para o filme. Acompanhamos também o trabalho da equipe de efeitos visuais, que utilizou das fórmulas de Thorne para criar a representação mais fiel desses elementos até hoje. Sensacional.

Across All Dimensions and Time (9:02)
Através de Todas as Dimensões e do Tempo

5.0

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OK, se muita gente ficou meio pirada com a descoberta de Cooper no terceiro ato do filme (SPOILERS), isso pode ajudar. Christopher e Jonathan Nolan jogam uma luz no enigmático Tesseract, ainda que não expliquem exatamente o que é. Nathan Crowley novamente discute a imensa dificuldade de criar um ambiente que comporte infinitos momentos do tempo, e a revelação de que fora realmente um set, e não CGI, é impressionante.

Final Thoughts (6:02)
Considerações Finais

4.0

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Assim como no início, esse extra faz uma conclusão sobre os temas e processo de Interestelar, trazendo depoimentos do elenco e equipe, buscando também o significado do projeto e a esperança deste em despertar a curiosidade científica nas gerações vindouras.

Trailers

4.0

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Temos aqui os quatro trailers principais do filme. Vale relembrar como eles não entregam nada além da premissa do longa, em um exemplo de bom marketing.

Nota Geral: 4.0

A edição nacional de Interestelar é eficiente e completa, impressionando na exibição do filme (que traz as cenas em IMAX na razão de aspecto maior) e também com seus extras incrivelmente informativos. Infelizmente, nada de comentário em áudio de Christopher Nolan por enquanto… Mas vale a pena, ainda mais para os fãs do filme.

Preço: R$ 69,90

Análise Blu-ray | X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO – Edição de Colecionador

Posted in Análise Blu-ray with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 10 de outubro de 2014 by Lucas Nascimento

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O Filme

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Um dos melhores filmes de 2014 até o momento, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido é certamente uma das produções de quadrinhos mais megalomaníacas já lançadas até hoje. Traz viagem no tempo para juntar a trilogia original dos mutantes com o elenco de X-Men: Primeira Classe, e o resultado é um épico de ação equilibrado e que impressiona pelo cuidado e tempo dedicado a trabalhar o lado dramático/emocional de seus personagens coloridos, ao mesmo tempo em que diverte e entretém. Filmaço. Crítica

Cenas Excluídas

3.0

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Muito se falou sobre a diminuição da Vampira de Anna Paquin em Dias de um Futuro Esquecido. A notícia ruim é que o blu-ray não traz nenhum material relacionado à mutante, mas a notícia boa é que a Fox já anunciou uma versão estendida do filme para o ano que vem, que trará mais cenas da personagem. Já o material apresentado aqui é bem pobre, rendendo míseros 5 minutos de cenas inéditas e nenhuma delas é verdadeiramente interessante. Tem beijo do Wolverine e Tempestade, uma conclusão mais explicitada para Bolívar Trask e algumas tomadas alternativas.

Sequência da Cozinha

4.0

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Se você achou que tinha algo a ver com a fantástica cena protagonizada pelo Mercúrio no filme, enganou-se. Aqui é meio que um divertido fun fact, onde o diretor Bryan Singer explica que, devido a problemas de úlcera, adotou uma voz fina e irritante para dirigir uma cena do filme. Jennifer Lawrence cai na risada e a cena acaba fora do corte final, podendo ser conferida no próprio extra. A cena em questão traz Mística conversando com Xavier, Fera e Wolverine na cozinha da Mansão X.

Erros de Gravação

4.5

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Certamente o elemento mais divertido do blu-ray, a montagem de erros de gravação é excelente. Já havia caído na internet há algumas semanas, mas vale conferir novamente momentos como os tropeços, cadeiras de roda danificadas e os duelos de James McAvoy contra um mosquito que insiste em voar ao redor de sua cabeça.

Tomada Dupla: Xavier & Magneto

4.0

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O primeiro extra especificamente sobre o filme é centrado na relação entre Charles Xavier e Magneto. Mais precisamente, como os personagens mudaram no intervalo de tempo entre Primeira Classe e Dias de um Futuro Esquecido. O roteirista Simon Kinberg tem um destaque especial ao mergulhar mais fundo nas respectivas histórias, mas temos ainda entrevistas com James McAvoy e Michael Fassbender, que comentam sobre suas performances e o quão importante foi honrar o trabalho de Patrick Stewart e Ian McKellen – especialmente o Professor X, já que Kinberg afirma que o novo filme é especialmente sobre o telepata (enquanto Primeira Classe fora sobre o Mestre do Magnetismo).

X-Men: Reunidos

4.0

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Aqui, o foco fica na reunião do elenco da trilogia X-Men original, que traz de volta Hugh Jackman, Halle Berry, Ellen Page, Shawn Ashmore, Patrick Stewart e Ian McKellen para seus icônicos papéis. Bryan Singer e os intépretes comentam o clima de camaradagem, a diversão e a interação com o novo elenco liderado por McAvoy, Fassbender e Jennifer Lawrence.

Classificação: M

4.5

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Talvez o grande ápice do disco, o extra explica um pouco mais sobre os principais novos mutantes de Dias de um Futuro Esquecido. O Bishop de Omar Sy, Apache de Booboo Stewart, Blink de Fan Bingbing, Mancha Solar de Adan Canto e, claro, o Mercúrio de Evan Peters têm seus poderes e histórias detalhados, assim como entrevistas com técnicos de efeitos visuais e sonoplastas sobre a lógica visual de seus poderes. O making of da já famosa cena do Mercúrio em tempo congelado no Pentágono é um dos destaques.

Sentinelas: Para um Futuro Seguro

4.0

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Na mesma estrutura dos featurettes anteriores, só que concentrando-se nas Sentinelas. Em cerca de 10 minutos, conhecemos o processo de criação dos temíveis robôs exterminadores do filme, assim como a lógica de sua funcionalidade (a troca de poderes, por exemplo) e o trabalho da equipe de efeitos visuais e som para adaptá-los ao live action de forma respeitável e assustadora.

Galeria: As Indústrias Trask

3.0

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Aqui, temos algumas galerias com material complementar ao filme. Projetos das primeiras Sentinelas, autópsia de mutantes e outros documentos. Divertidinho, mas nada extraordinário.

Trailers

3.5

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Bem, são trailers. Traz os três principais exibidos no circuito comercial.

Espiadinha em Êxodo: Deuses e Reis

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Promovendo um de seus grandes lançamentos de 2014, a Fox traz um videozinho de 1 minuto de Êxodo: Deuses e Reis, grandioso filme de Ridley Scott que traz Christian Bale na pele de Moisés. Dá pra observar como a escala da produção é gigantesca…

Nota Geral: 3.5

A edição de colecionador de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido traz uma bela embalagem e uma qualidade de apresentação invejável, incluindo aí o ótimo uso de 3D do filme. Peca nos extras, que poderiam ser mais aprofundados: um comentário em áudio com Bryan Singer ou detalhes sobre a recriação da década de 70 seriam interessantes. Mas enfim, vale para ter o ótimo filme em casa.

Preço: R$ 99,90

| O Poderoso Chefão: Parte II | 40 Anos

Posted in Clássicos, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 20 de setembro de 2014 by Lucas Nascimento

5.0

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Gerações: Al Pacino como Michael Corleone e Robert De Niro como seu pai, Vito

Poucas continuações têm o impacto de O Poderoso Chefão: Parte II. Aliás, pouquíssimos filmes são complexos, ricos e completos como O Poderoso Chefão Parte II, uma obra densa e que traz em cada frame de seus 200 minutos uma justificativa para que seja considerado um dos melhores da História da Cinema, e que Francis Ford Coppola é um gênio como poucos.

Mais uma vez assinada por Coppola e o autor Mario Puzo, a trama aqui se divide para mostrar dois períodos distintos: de um lado, temos a continuação direta aos eventos do original, trazend0 Michael (Al Pacino) cada vez mais poderoso como o Padrinho da família Corleone, precisando arriscar um valioso acordo quando sofre um violento atentado que revela a existência deu um traidor em sua organização. Do outro, vemos a humilde origem de Vito Corleone (Robert De Niro) como um imigrante da Sicília, e os pequenos passos que vai dando para montar seu império mafioso em Nova York.

Um dos fatores centrais para o brilhantismo de O Poderoso Chefão: Parte II reside na audaciosa decisão de Coppola em fazer não apenas uma sequência, mas também uma prequela, que, mesmo jamais conversando diretamente entre si (o que seria impossível, claro), servem para definir e contrastar os personagens que as protagonizam. Tanto pela escala quanto pelo maravilhoso trabalho de design de produção, não seria um absurdo dizer que são na verdade dois filmes – de época – diferentes costurados entre si, um mérito todo da primorosa montagem de Barry Malkin, Richard Marks e Peter Zinner, trinca que divide bem o ritmo das narrativas e as une com transições belíssimas, sempre provocando o efeito de que pai e filho “se encaram” durante a fusão das cenas.

Tal estrutura, nos permite estudar o quão diferentes são Michael e Vito.

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Vito e os alencares da Família Corleone

Em um dos flashbacks, Vito encara imóvel o sofrimento de seu filho diante de uma pneumonia. Quase escondendo o rosto nas mãos ao mesmo tempo em que é incapaz de fazer algo para socorrê-lo ou mesmo segurar suas lágrimas (em uma atuação sutil e contida de De Niro), Coppola já estabelece de forma belíssima e de partir o coração os motivos que levam o personagem a agir ilicitamente, e que também justificam a ação violenta que Vito será forçado a tomar a seguir. E mesmo depois do brutal assassinato de Don Fanucci (uma cena magistral que por si só merece uma análise isolada), o diretor nos faz lembrar o que move Vito ao mostrá-lo caminhando pela multidão por um longo plano, até encontrar sua família e carinhosamente se juntar a ela; abraçando o recém-nascido Michael, e praticamente falando ao espectador que é tudo pela família. Cinema puro, onde as imagens transmitem muito mais do que o que se vê.

Já Michael revela-se sedento por poder, ainda que também aja para proteger sua família, ainda que aquela formada por mafiosos aparente lhe interessar mais. Mesmo que eventualmente se renda a instintos sombrios e imperdoáveis, Michael é também vítima do seu tempo, um que é muito mais complexo e sujo do que aquele mais ingênuo e menos organizado habitado por Vito, 40 anos atrás. Eu me pergunto se Vito seria capaz de manter seu negócio próspero durante a Guerra Fria, e também mantendo sua posição contra o tráfico de drogas.“Não é fácil ser o filho”, diz Michael para seu irmão Fredo (John Cazale) em certo ponto. Até sob as lentes do diretor de fotografia Gordon Willis, Michael é um ser humano muito mais sombrio, sempre banhando-o com escuridão.

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Michael enfrenta as acusações da Justiça Americana

Na pele das figuras opostas, temos um intenso Al Pacino e um cuidadoso Robert De Niro. Pacino impressiona com a quantidade de emoções que consegue transmitir ao mesmo tempo, como se Michael estivesse constantemente prestes a explodir; e quando o faz, tal como na brutal discussão com sua esposa Kay (Diane Keaton, coadjuvante de luxo), vemos tudo o que o ator é capaz de fazer. Já De Niro é eficaz ao preservar os maneirismos e trajetos do Vito de Marlon Brando no original, mas tem a oportunidade de tomar o personagem para si ao explorar ainda mais a paixão deste por sua família – com jestos simples, como aquele analisado alguns parágrafos acima – e divertir-se com pequenos momentos que antecipam quem este irá se tornar: como não se arrepiar na primeira vez em que Vito solta o icônico “farei uma oferta que ele não vai recusar?”.

Claro que além dos dois, temos um elenco coadjuvante sobrenatural. Além dos retornos de Robert Duvall, John Cazale, Diane Keaton e Talia Shire, temos a valiosa adição de Michael V. Gazzo como Frank Pantangeli, divertido e escandaloso mafioso italiano que diversas vezes surge como um bem vindo alívio cômico e o veterano diretor do Actor’s Studio Lee Strasberg, um dos responsáveis pela proliferação do Método Stanislavski nos EUA, na pele do gângster Hyman Roth, que já impressiona pela fortíssima presença de cena. Outro importante “coadjuvante” que sempre ameaça tomar a produção para si é o fantástico trabalho de Nino Rota e Carmine Coppola na trilha sonora original, que adota o tema icônico do primeiro filme quase como um hino religioso, fornecendo ainda mais impacto a cenas operáticas.

Eu poderia passar horas falando sobre O Poderoso Chefão: Parte II e as palavras continuariam a sair sem interrupção. O filme de Francis Ford Coppola é um grande clássico que explora com maestria todas as ferramentas únicas que a Sétima Arte disponibiliza, resultando em algo verdadeiramente único. Se é ou não superior ao primeiro filme é uma questão de preferência, mas na minha humilde opinião é facilmente um dos melhores filmes de todos os tempos.

| O Homem Duplicado | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 18 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

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Cuidado com possíveis spoilers

“Ao que nos compete discernir, o único propósito da existência humana é jogar um pouco de luz nas trevas do mero ser.” – Carl Jung

A cada pensamento, reflexão e teoria encontrada, O Homem Duplicado faz mais sentido em minha cabeça. É um filme estranho e que não se preocupa em entregar de cara as respostas que o espectador busca, transformando o novo filme de Denis Villeneuve em um instigante e atmosférico estudo psicológico. Ainda que imperfeito como experiência, traz a deliciosa tarefa de manter o espectador atento a cada detalhe.

Baseado no romance homônimo de José Saramago, o roteiro de Javier Gullón conta a história do recluso professor de História Adam (Jake Gyllenhaal). Preso em uma rotina caucada na repetição de aulas na faculdade e transas impessoais com sua namorada (Mélanie Laurent, radiante), Adam acaba por descobrir um sujeito, Anthony, que é sua cópia idêntica em um filme, e resolve procurá-lo para entender a situação.

Tal realização não virá de imediato, mas O Homem Duplicado não é tão simples ou trivial como a premissa possa sugerir. Já fica o aviso de que o “tipo” de filme não é do convencional, recorrendo diversas vezes à imagens simbólicas (fotografadas em um belíssimo tom alaranjado por Nicolas Bolduc) e um ritmo onírico que certamente vai afastar boa parcela do público – admito que o ritmo seja o grande problema do filme.

Mas talvez seja um sacrifício diante das profundas análises que Villeneuve trará durante os 90 minutos de projeção. Falar sobre o filme, é falar sobre a dualidade do Homem. Certamente existem múltiplas interpretações da obra (e eu li de tudo, incluindo invasões de monstros), mas o que seria mais conciso aqui é a batalha interna entre os alter egos do protagonista. Faz mais sentido que não exista mesmo um “clone” do protagonista andando por aí, mas sim que a premissa seja uma metáfora para seu próprio inconsciente, e as batalhas que trava em relação a sua vida amorosa. Faz sentido que Villeneuve retrate a personagem de Mélanie Laurent de forma idealizada, e que o apartamento de Adam surja completamente sem personalidade, e mergulhado nas trevas quando Laurent contracena com o protagonista.

Aliás, Jake Gyllenhaal merece uma dupla indicação ao Oscar, já que cria duas performances tão distintas que muitas vezes me peguei esquecendo de que era o mesmo ator ali, contracenando consigo mesmo. Já tendo trabalhado com Villeneuve no ótimo Os Suspeitos, o ator consegue saltar com facilidade entre a persona tímida e introvertida de Adam, ao mesmo tempo em que faz de Anthony um sujeito descolado e confiante; mas sem cair no lugar-comum de fazer o total oposto um do outro.

É bem difícil assistir a O Homem Duplicado uma única vez e entender todo o seu significado. É um nó na cabeça que aposta fortemente em simbolismos (aranhas, preste atenção nas aranhas) e oferece uma experiência cativante, ainda que fácil de se perder. Mas de qualquer forma, um jogo inteligente e que faça discutir é sempre muito bem vindo.

EXTRA –

Se você deseja entender os significados do filme melhor, recomendo fortemente a análise em video de Chris Stuckmann, que quebrou o código de O Homem Duplicado em seus mínimos detalhes. Obviamente, spoilers à frente:

Oscar 2014 é hoje!

Posted in Notícias with tags , , , , , , , on 2 de março de 2014 by Lucas Nascimento

ELLEN DEGENERES

Chegou o grande dia esperado pelos cinéfilos! A 86ª cerimônia dos prêmios da Academia, vulgo Oscar. Geralmente teríamos transmissões da Globo e do autor do blog, mas este ano a única opção na televisão é mesmo com a TNT.

  • 20h30: Começa um pre-show com comentários da equipe do canal.
  • 22h: As celebridades começam a chegar no tapete vermelho
  • 23h: It’s on. Começa a cerimônia de premiação.

Não farei transmissão, mas provavelmente escreverei um texto analisando os resultados amanhã.

Boa festa!

Confira aqui os indicados

Confira aqui o Especial Oscar 2014

Análise Blu-ray | BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE

Posted in Análise Blu-ray with tags , , , , , , , , , , , , , , on 29 de novembro de 2012 by Lucas Nascimento

O Filme

Após o sucesso absurdo do longa anterior, Christopher Nolan traz Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge para encerrar sua trilogia sobre o icônico super-herói da DC Comics. Mesmo que não alcance a perrfeição do segundo capítulo, o filme é uma conclusão satisfatória e épica ao extremo, levando seus personagens a rumos ousados (nunca antes um herói fantasiado levou uma surra tão brutal quanto a que vemos aqui) e continuando a abordagem sombria/realista que marcou os longas anteriores. Um excelente filme, e o melhor de 2012 até o momento. Crítica

Produção

No formato que usualmente se associaria aos modos de “Maximum Movie Mode” dos blu-rays da Warner, os bastidores de momentos chave do filme vêm no disco de extras e não junto ao filme. Divergências formais de lado, aqui acompanhamos o processo de criação de cenas como o sequestro do avião, a luta entra Batman e Bane, a perseguição final entre outras. A análise é mais profunda dependendo da dificuldade da cena (e, assim, momentos importantes ficam devendo um tratamento mais detalhado) e é incrível ver como Christopher Nolan realmente gosta de fazer tudo (ou quase) de verdade.

Personagens

Três mini-documentários que acompanham detalhes sobre a criação e história dos principais personagens de O Cavaleiro das Trevas Ressurge: Bruce Wayne, Bane e Selina Kyle. Por mais interessante que seja ver os realizadores discutindo os rumos da jornada do personagem-título ou a intensidade com que Anne Hathaway assumiu os saltos-alto Mulher-Gato, o destaque é mesmo do vilão Bane, que ganha uma análise que explora desde seu visual até a definição de sua voz e a selvagem trilha de Hans Zimmer.

Reflexões

Aqui, temos dois featurettes muito interessantes: um sobre o uso da tecnologia IMAX no filme e outro sobre a conclusão da trilogia de Nolan. O primeiro explora como as cenas ficam muito mais grandiosas no formato – e também como significativa quantidade da projeção aderiu às telas gigantes – enquanto o segundo traz depoimentos de diversos membros da equipe, sobre o final de O Cavaleiro das Trevas Ressurge e as experiências adquiridas no desenvolvimento dos três filmes.

Documentário “O Batmóvel”

Um ótimo documentário que explora o mito por trás do Batmóvel, e sua importância dentro da mitologia do Batman. Do carango usado por Adam West na série de TV dos anos 60, passando pelos estilosos modelos de Tim Burton e Joel Schumacher e, finalmente, ao Tumbler de Christopher Nolan, uma série de depoimentos de cineastas e designers explicam detalhadamente cada um dos carros utilizados pelo Homem-Morcego.

Arquivo de Trailers/Pôsteres

Sempre um “acessório” bem-vindo em edições especiais, aqui temos um acervo com os 4 trailers de divulgação do filme e as principais peças de divulgação do longa, que vão de pôsteres à banners. Nada a reclamar.

Nota geral:

 

Assim como os outros longas da trilogia em blu-ray (aproveitei pra comprar o box com os três filmes, recomendadíssimo) Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge traz uma qualidade de vídeo e som excelentes (com destaque para as cenas em IMAX, onde a imagem ocupa a tela toda) e um material extra muito bom, mas que certamente poderia ser mais explorado. A Warner com certeza deve estar guardando muito material para futuras edições (cenas excluídas e comentários em áudio são o que mais anseio), mas até esse dia chegar, esse blu-ray faz um belo serviço.

Preço: 79,90