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Jessica Chastain vai viver Marilyn Monroe em BLONDE

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , , , , , , , on 22 de abril de 2014 by Lucas Nascimento

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Depois de Michelle Williams ter sido indicada ao Oscar por seu retrato de Marilyn Monroe em Sete Dias com Marilyn, é a vez de Jessica Chastain adotar a cabeleira loira e a pinta característica para viver a diva icônica do cinema norte-americano, substituindo Naomi Watts em Blonde.

O projeto é comandado pelo talentoso Andrew Dominik (parça do Brad Pitt, com quem realizou O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford e O Homem da Máfia), e promete um biopic incomum ao apostar em um tom mais dark do que a maioria dos exemplares do gênero. O roteiro e baseado no livro de Joyce Carol Oates.

Fisicamente, Chastain perde feio para Williams em termos de semelhança com Marilyn, mas tenho certeza de que a atriz entregará uma baita performance.

Andrew Dominik planeja começar a filmar Blonde em agosto deste ano.

-> Como pude esquecer, Chastain fica uma maravilha loira também!

THE HELP

| O Homem da Máfia | O “sonho americano” em suas consequências mais extremas

Posted in Cinema, Críticas de 2012, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , on 17 de dezembro de 2012 by Lucas Nascimento

3.5

Killing Them Softly
O novo Comediante: Brad Pitt é Jackie Cogan

Após a crise econômica dos EUA em 2008 – que causou efeitos ao redor de grande parte do globo – a indústria cinematográfica tem se mostrado muito interessada pelo assunto, como se procurasse entendê-lo e analisar suas consequências, como muitas obras recentes têm feito. O Homem da Máfia segue de perto esse objeto de estudo em uma trama criminosa simples e eficiente, mas que se perde em escapismos do roteiro.

Adaptando o livro de George V. Higgins, a história gira em torno de um assalto a uma casa de jogos da Máfia cometido por dois criminosos novatos. Para dar conta da situação e encontrar os responsáveis, é enviado o matador de aluguel Jackie Cogan (Brad Pitt).

Mesmo com uma premissa dessas e um título sugestivo, O Homem da Máfia é, acima da tudo, um filme político. Ambientado nas eleições presidenciais estadunidenses de 2008, o diretor Andrew Dominik preenche o longa com trechos de entrevistas do ex-presidente George W. Bush e dos dois candidatos da época: o republicano John McCain e o democrata (agora reeleito) Barack Obama. O propósito que justifica a presença de tal material é claramente a discussão sobre a economia dos EUA, mas também sobre o país como um todo. “Os EUA não são um país, são um negócio”, afirma Cogan em momento decisivo e a frase é um dos pontos altos da crítica do filme ao sistema capitalista.

Outro deles envolve a longa cena do assalto, que ganha impacto não só por sua delicada execução (onde o amadorismo dos criminosos chega a causar incômodo no espectador) mas também pela presença de um discurso de Bush ao fundo, e logo associamos as palavras do enunciador – que pesam sobre os efeitos que a crise ecônomica terá na população – com as ações que tomam conta da tela. É um exemplo poderoso de causa e efeito, pois testemunhamos um rumo extremo que o problema segue.

Mas ainda que traga essas analogias interessantes, o longa se perde na simplicidade de sua trama. Talvez como uma tentativa de adiar o inevitável desfecho da história, o roteiro (também assinado por Dominik) traz diversas quebras em sua progressão, principalmente com inúmeros diálogos evasivos (bem escritos, e que ainda servem como estudo sobre a sociedade americana, mas irrelevantes). A maior parte deles envolvem o personagem de James Gandolfini que, mesmo sendo muitíssimo bem retratado pelo eterno Tony de Família Soprano, poderia ser descartado da trama sem complicações (o próprio roteiro lhe oferece um destino fútil, sem grandes explicações). Em contrapartida, os longos diálogos entre os criminosos de Scoot McNairy e Ben Mendelsohn (este último, encarnando com perfeição a decadência humana) ajudam a contextualizar eficientemente o desprezível cotidiano da dupla.

O que nos leva ao matador de Brad Pitt que, ainda que estampe todos os pôsteres e trailers do filme, só surge em cena com cerca de 30 minutos de projeção. Ladrão de cena desde sua marcante aparição ao som de Johnny Cash, Pitt compõe o personagem de forma calma e suave (como o título original, Killing them Softly, aponta) o oposto do que seu visual agressivo sugere. E quanto a sua preferência em “matar seus alvos suavemente”, não fica apenas como uma ou duas cenas estilosas (onde Dominik mostra total domínio sobre o slow motion), mas também uma própria metáfora ao método daqueles que o longa ataca: os poderosos executivos e “tubarões” de Wall Street (representados aqui pelo misterioso motorista de Richard Jenkins), que – assim como Cogan – atacam à distância, sem se envolver pessoalmente nas vidas que estão prestes a destruir.

Ao fim de O Homem da Máfia foi impossível para mim não remeter ao clássico Watchmen de Alan Moore, e à marcante resposta do Comediante quando lhe perguntado o que havia acontecido com o “sonho americano”. “O que aconteceu com o sonho americano? Ele virou realidade.” Jackie Cogan é a nova paródia do capitalismo estadunidense.