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Especial OSCAR 2015 | Completo

Posted in Prêmios with tags , , , , on 22 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

OSCAR

O Oscar 2015 é hoje!

Reuni aqui as quatro partes do meu tradicional especial sobre as categorias.

Bom Oscar a todos!

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Os Mestres do Oscar 2014 | Volume III: Sons & Música

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 26 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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E chegamos ao volume 3 do especial Oscar 2013. Aqui, analisaremos as categorias de som e as musicais. Vamos nessa:

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Uma explosão não é uma explosão se ela não tiver um som ensurdecedor, certo? Manipular o som criado ou capturado é uma tarefa complicada, mas o resultado pode ser impactante. Os indicados são:

Até o Fim | Steve Boeddeker and Richard Hymns

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Deixando a performance de Robert Redford e a trilha sonora de Alex Ebert (que venceu o Globo de Ouro), a Academia deixou uma indicação de “consolo” para Até o Fim na categoria de edição de som. Ainda não assisti ao filme de J.C. Chandor (a estreia está prevista para 7 de Março, apenas), mas de longe já da pra perceber que a produção aposta em sequências de tempestades e ondas furiosas – o que sempre funciona bem em tela, especialmente quando a equipe sonora sabe o que faz (e Richard Hymns é um mestre).

Capitão Phillips | Oliver Tarney

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Mesmo que seja mais um thriller em natureza, Capitão Phillips oferece algumas cenas de ação impressionantes – e o trabalho de som nestas é impecável. O grande destaque certamente fica com as duas tentativas de invasão dos Somali ao Maersk Alabama, sendo que a segunda contou com diversas pirotecnias (jatos d’água, sinalizadores e metralhadoras) em alto mar.

  • Motion Picture Sound Editors – Edição de Diálogos e ADR

O Grande Herói | Wylie Stateman

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Filme que se tornou um queridinho por alguns críticos, O Grande Herói também não chegou às telas brasileiras ainda. Mas assim como minha análise subjetiva a Até o Fim, o filme estrelado por Mark Whalberg certamente faz um bom trabalho com suas sequências de ação, que envolvem tiroteios, explosões e quedas de helicópteros.

Gravidade | Glenn Freemantle

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O som não se propaga no vácuo, mas a equipe responsável pela sonoplastia de Gravidade encontrou formas inteligentes de não transformar o filme de Alfonso Cuarón em uma produção muda. Os efeitos sonoros são reduzidos ao mínimo e, mais importante, geralmente são exibidos de acordo com a percepção dos personagens principais: toques abafados, batidas opacas, etc, todos sob a perspectiva de alguém com capacete. Não é só cientificamente apurado, mas também é muito assustador observar os desastres espaciais sem efeitos sonoros.

  • BAFTA
  • Critics Choice Awards
  • Motion Picture Sound Editors – Melhor Foley e Edição de Efeitos Sonoros

O Hobbit: A Desolação de Smaug | Brent Burge

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Como havia comentado no volume anterior, na sessão de efeitos visuais, um dragão fez toda a diferença neste segundo Hobbit. Não só pelas poderosas cuspidas de seu lança-chamas ou seus passos largos, mas especialmente pelo excelente trabalho de Brent Burge ao modificar sutilmente a voz de Benedict Cumberbatch (já grave por natureza) a fim de tornar o dragão Smaug ainda mais ameaçador. Só a criatura nórdica já é o suficiente para a indicação, mas A Desolação de Smaug se beneficia ainda de diversas outras cenas de ação, que trazem belos efeitos sonoros de flechadas, barris, ursos e aranhas gigantes. Pena ter que bater de frente com Gravidade…

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Hobbit, talvez

MEU VOTO: Gravidade

FICOU DE FORA: Círculo de Fogo

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Quando vemos pela primeira vez os robôs colossais partindo para sair na mão com criaturas igualmente colossais em Círculo de Fogo, o espetáculo visual não é o suficiente: o design de som da equipe de Guillermo Del Toro faz jus aos confrontos violentos e monumentais, seja para retratar os elementos tecnológicos dos Jaegers, os rugidos fantásticos dos kaijus ou o rastro de destruição deixados por seus embates, o filme é daqueles que oferecem uma imersão sonora total – especialmente no IMAX.

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Ok, o filme está pronto, editado, os efeitos visuais estão finalizados e os sons no lugar. Agora vem o grande desafio da pós-produção: juntar todos os efeitos sonoros com a trilha sonora, dando espaço a cada um deles de forma apropriada. Os indicados são:

Capitão Phillips | Chris Burdon, Mark Taylor, Mike Prestwood Smith e Chris Munro

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A mixagem de Capitão Phillips colabora perfeitamente tanto com a direção quanto com a montagem, ambas intensas. No caso das camadas sonoras, o destaque fica para os diversos personagens que falam e gritam simultaneamente – especialmente no primeiro contato que o personagem de Hanks tem com os piratas, que surgem gritando em outro idioma ao passo em que a tripulação tenta acalmá-los. O exemplo comprova a busca do filme de Paul Greengrass pelo realismo quase documental, praticamente jogando o espectador dentro da ação.

O Grande Herói | Andy Koyama, Beau Borders e David Brownlow

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Repito o que disse sobre O Grande Herói na seção de Edição de Som: ainda não estreou, mas deve impressionar por suas cenas de ação.

Gravidade | Skip Lievsay, Niv Adiri, Christopher Benstead e Chris Munro

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Tendo em vista que Gravidade retrata o espaço sem som, é relativamente mais fácil para a equipe de mixadores combinar suas faixas sonoras. Aliás, em diversos momentos a trilha sonora de Steven Prince se encaixa tão bem que quase atua como um efeito sonoro diegético (mérito de sua natureza abstrata, discutiremos isso em instantes) nas cenas ambientadas no vácuo espacial, ganhando ainda mais impacto quando estas retratam os intensos acidentes com destroços – com nada, apenas a trilha e as vozes no rádio de George Clooney e Sandra Bullock como guia. É uma fórmula que se mantem ao decorrer da produção; e funciona. Maravilhosamente bem.

Cinema Audio Society

O Hobbit: A Desolação de Smaug | Christopher Boyes, Michael Hedges, Michael Semanick e Tony Johnson

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Como já havia explicitado na sessão de Edição de Som, A Desolação de Smaug oferece muito mais cenas de ação do que o antecessor, e estas são mais elaboradas e apostam também em eventos paralelos. Um exemplo de maravilha sonora é a sequência da fuga dos anões em barris: não só temos camadas de som com a água, madeira e os gritos do personagens, mas logo depois entram em cena os orcs com seus bastões e os elfos com seus arcos – sem falar na trilha sonora de Howard Shore, temperando a sequência apropriadamente.

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Skip Lievsay, Greg Orloff e Peter F. Kurland

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Sempre espere um filme musical (ou com elementos do tipo) marcar presença na categoria de Mixagem de Som. O esquecido Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum se concentra na jornada de Oscar Isaac para se tornar um astro da música folk, premissa que rende diversas sequências baseadas em canções: a que traz “Please, Mr. Kennedy” é particularmente mais complicada em termos de mixagem, já que envolve três cantores simultâneos que emitem diferentes versos da letra e “efeitos sonoros” com suas bocas.

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Inside Llewyn Davis

MEU VOTO: Gravidade

FICOU DE FORA: Rush: No Limite da Emoção

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Tudo bem, eu meio que já esperava a ausência de Rush: No Limite da Emoção nas categorias principais, mas é um absurdo que o filme de Ron Howard não tenha conseguido nem uma indicação por seu eficaz trabalho de som. A área da mixagem é especialmente atraenta, graças ao belo uso da trilha sonora de Hans Zimmer durante as cenas que envolvem corridas em alta velocidades e narrações de comentaristas esportivos. Diversas faixas de áudio que combinam-se perfeitamente bem.

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Um longa-metragem não funciona da mesma maneira sem música. A trilha sonora ajuda a criar o tom, manter o ritmo e encher o espectador de emoção, complementando o que está na tela. Os indicados são:

Ela | Will Butler & Owen Pallett

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Will Butler representa a banda Arcade Fire ao lado do compositor canadense Owen Pallett para a trilha sonora de Ela. Predominantemente sutil, o trabalho da dupla aposta em acordes eletrônicos (gosto como “Milk and Honey” surge no início como preparação de terreno) e faz do piano seu principal instrumento. Como o filme em si, é uma trilha delicada e sensível, apostando principalmente no romance (“Photograph” e “Song on the Beach” são muito bonitas) e na melancolia que persegue o protagonista (“Owl“). Depois de Trent Reznor, Daft Punk, Chemichal Brothers e agora o Arcade Fire, fica a noção de que bandas andam acertando bastante em trilhas cinematográficas.

Faixa preferida: Dimensions

Gravidade | Steven Price

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Durante diversos momentos da produção, confundi a trilha sonora de Steven Price com efeitos sonoros. Só ouvindo separadamente pude perceber que tais momentos faziam parte de uma criação abstrata e incomum, responsável por definir toda a atmosfera claustrofóbica e aterrorizante do vácuo espacial em Gravidade. A música de Price assume um caráter inteiramente orgânico, assumindo tons eletrônicos distorcidos (Debris), leves notas de piano para momentos mais dramáticos (Aurora Borealis) e quando o emocionante clímax se aproxima, suas composições abraçam tons de superação (Shenzou) e o “epicamente épico” (Gravity). Ótima revelação, vamos ficar de olho em Steven Price.

Faixa preferida: Shenzou

  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

A Menina que Roubava Livros | John Williams

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O homem onipresente na categoria… novamente é indicado e, dessa vez, em uma rara colaboração com alguém que não seja Steven Spielberg. Em sua 49ª indicação (!!), John Williams se aventura novamente no período da Segunda Guerra Mundial com a adaptação do best seller A Menina que Roubava Livros. Não assisti ao filme (e, sinceramente, meu interesse no mesmo é mínimo), mas só o tema e as poucas faixas de Williams que ouvi no Youtube comprovam: é mais um trabalho dramático e melancólico do mestre, cheio de piano e violino para traduzir musicalmente uma história pesada e triste. Que venha logo Star Wars: Episódio VII.

Faixa Preferida: One Small Fact

Philomena | Alexandre Desplat

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Após fornecer acordes mais sombrios em produções como Argo e A Hora Mais Escura, o francês Alexandre Desplat retorna à trilhas adoráveis e delicadas (como, por exemplo, a de O Discurso do Rei e Moonrise Kingdom) com a dramédia Philomena. É um trabalho energético e belo, sendo interessante observar as percussões que se assemelham a uma valsa (Philomena), as que fornecem um apropriado tom de mistério (Reminiscence), humor (Drives to Roscrea) e um pesado drama (No Thought of Ireland). O melhor trabalho de Desplat em anos.

Faixa preferida: Philomena

Walt nos Bastidores de Mary Poppins | Thomas Newman

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Surgindo como um concorrente considerável nos primórdios da corrida pelo Oscar, Walt nos Bastidores de Mary Poppins ficou só com uma indicação pela trilha sonora, assinada pelo talentoso Thomas Newman. E diante da ausência do filme em categorias principais, sua estreia no país foi adiada para 7 de Março. Tendo ouvido apenas a trilha isoladamente, nota-se a intenção de Newman em realizar um trabalho energético e que remeta à produções da Disney. Leve de se ouvir e inventiva.

Faixa Preferida: Jollification

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Walt nos Bastidores de Mary Poppins

MEU VOTO: Philomena

FICOU DE FORA: Qualquer Coisa do Hans Zimmer

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Hans Zimmer teve um dos melhores anos de sua impecável carreira em 2013. Muitos apontavam para a indicação de sua investida dramática em 12 Anos de Escravidão, mas o compositor alemão acabou ficando de fora. Além do belo trabalho rejeitado, Zimmer ainda proveu faixas memoráveis para a trilha sonora movida a guitarra de Rush: No Limite da Emoção e foi responsável por criar um novo tema para o Superman, tendo a sombra de John Williams para superar – algo que fez muitíssimo bem em O Homem de Aço.

canção

Aqui, temos as canções que são criadas especialmente para filmes, seja em longa-metragem, animação ou documentário. Confira:

“Happy” – Meu Malvado Favorito 2 | Pharrell Williams

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Ok, muita gente gosta mas eu simplesmente detesto “Happy”, de Pharrell Williams. Tampouco sou fã da franquia Meu Malvado Favorito, e nem assisti ao segundo filme – ouvi a música indicada separadamente. Não me agrada muito a letra, nem o ritmo da canção. Poderíamos ter muita coisa melhor no lugar.

LETRA

It might seem crazy what I’m ‘bout to say
Sunshine she’s here, you can take a break
Mama – hot air balloon that could go to space
With the air like I don’t care, baby, by the way

Because I’m happy…
Come along if you feel like a room without a roof
Because I’m happy…
Clap along if you feel like happiness is the truth
Because I’m happy…
Clap along if you know what happiness is to you
Because I’m happy…
Clap along if you feel like that’s what you want to do
Here comes bad news, talkin’ this and that
But give me all you’ve got, and don’t hold it back
Well, I should probably warn you, I’ll be just fine
No offense to you, don’t waste your time, here’s why…
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down… your love is too high…
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down, I said (let me tell you now)
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down… your love is too high…
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down, I said… Bring me down… can’t nothing…
Bring me down… your love is too high…
Bring me down… can’t nothing…
Bring me down, I said (let me tell you now)
http://www.youtube.com/watch?v=y6Sxv-sUYtM

“Let it Go” – Frozen: Uma Aventura Congelante | Robert Lopez & Kristen Anderson-Lopez

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Não assisti à animação Frozen: Uma Aventura Congelante, mas seria preciso viver dentro de uma caverna para não ter ao menos ouvido falar da canção “Let it Go”, que na versão original do filme é cantada pela dubladora Idina Menzel. A cena em questão (liberada pela Disney no Youtube) representa um momento importante para a protagonista e, como mero admirador, devo dizer que é uma bela canção – e que a letra composta por Robert Lopez & Kristen Anderson-Lopez é muito bonita. É a favorita, e deve ganhar.

  • Critics Choice Awards

LETRA

The snow glows white on the mountain tonight,
not a footprint to be seen.
A kingdom of isolation and it looks like I’m the queen.
The wind is howling like this swirling storm inside.
Couldn’t keep it in, Heaven knows I tried.
Don’t let them in, don’t let them see.
Be the good girl you always have to be.
Conceal don’t feel, don’t let them know.
Well, now they know!

Let it go, let it go.
Can’t hold it back anymore.
Let it go, let it go.
Turn away and slam the door.
I don’t care what they’re going to say.
Let the storm rage on.
The cold never bothered me anyway.
It’s funny how some distance,
makes everything seem small.
And the fears that once controlled me, can’t get to me at all
It’s time to see what I can do,
to test the limits and break through.
No right, no wrong, no rules for me. I’m free!

Let it go, let it go.
I am the one with the wind and sky.
Let it go, let it go.
You’ll never see me cry.
Here I stand, and here I’ll stay.
Let the storm rage on.

My power flurries through the air into the ground.
My soul is spiraling in frozen fractals all around
And one thought crystallizes like an icy blast
I’m never going back; the past is in the past!

Let it go, let it go.
And I’ll rise like the break of dawn.
Let it go, let it go
That perfect girl is gone
Here I stand, in the light of day.

Let the storm rage on!
The cold never bothered me anyway

“The Moon Song” – Ela | Karen O & Spike Jonze

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Vocalista do finado Yeah Yeah Yeahs, Karen O já surpreendia no cinema por nos presentear com um inesquecível cover de “Immigrant Song” com Trent Reznor para Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de David Fincher. Agora, ela se alia novamente com o cineasta (e ex-namorado) Spike Jonze para a sensível e suave “The Moon Song”, tema principal de Ela. É uma bela canção que captura a magia da relação dos protagonistas e  surge em dos mais bonitos momentos da trama, pelas vozes de Scarlett Johansson e Joaquin Phoenix.

LETRA

I’m lying on the moon
My dear, I’ll be there soon
It’s a quiet starry place
Time’s we’re swallowed up
In space we’re here a million miles away

There’s things I wish I knew
There’s no thing I’d keep from you
It’s a dark and shiny place
But with you my dear
I’m safe and we’re a million miles away

We’re lying on the moon
It’s a perfect afternoon
Your shadow follows me all day
Making sure that I’m
Okay and we’re a million miles away

“Ordinary Love” – Mandela | U2

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A popular banda U2 pode estar muito perto de faturar um Oscar com a canção-tema de Mandela (em inglês, com o subtítulo Long Walk to Freedom), cinebiografia com Idris Elba que foi praticamente esquecida pela Academia. Como o filme agora só chegará no Brasil em um lançamento direto para DVD, não sei em que momento a canção “Ordinary Love” aparece (mas aposto que seja nos créditos finais), mas posso dizer o quão bela e maravilhosa é de se ouvir. E olha que não sou nenhum obcecado com o grupo.

  • Globo de Ouro

LETRA

The sea wants to kiss the golden shore.
The sunlight warms your skin.
All the beauty that’s been lost before, wants to find us again.
I can’t fight you anymore; it’s you I’m fighting for.
The sea throws rocks together but time, leaves us polished stones.

We can’t fall any further if, we can’t feel ordinary love.
And we cannot reach any higher, if we can’t deal with ordinary love.

Birds fly high in the summer sky and rest on the breeze.
The same wind will take care of you and I, we’ll build our house in the trees.
Your heart is on my sleeve, did you put it there with a magic marker.
For years I would believe, that the world, couldn’t wash it away

Cause we can’t fall any further if, we can’t feel ordinary love.
And we cannot reach any higher, if we can’t deal with ordinary love.

Are we tough enough, for ordinary love?

We can’t fall any further if, we can’t feel ordinary love.
And we cannot reach any higher, if we can’t deal with ordinary love.

Are we tough enough, for ordinary love?
Are we tough enough, for ordinary love?
Are we tough enough, for ordinary love?

APOSTA: Let it Go

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ordinary Love

MEU VOTO: The Moon Song

FICOU DE FORA: “I See Fire” – O Hobbit: A Desolação de Smaug | Ed Sheeran

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Um dos grandes atrativos do segundo capítulo da adaptação de O Hobbit, é a canção dos créditos executada pelo inglês Ed Sheeran. Peter Jackson sempre tem um bom gosto ao trazer artistas para compor canções baseadas em seus longas da Terra Média, e “I See Fire” sem dúvida é uma das melhores até agora. Não só traz uma temática completamente apropriada à trama de A Desolação de Smaug (fogo, dragões, pânico!), mas é simplesmente belíssima e o faz com elementos simples: vocal, violão e violino.

LETRA

Oh, misty eye of the mountain below
Keep careful watch of my brothers’ souls
And should the sky be filled with fire and smoke
Keep watching over Durin’s sons

If this is to end in fire
Then we shall burn together
Watch the flames climb higher into the night
Calling out father, oh, stand by and we will
Watch the flames burn on and on
The mountainside

And if we should die tonight
Then we should all die together
Raise a glass of wine for the last time
Calling out father, oh
Prepare as we will
Watch the flames burn on and on
The mountainside

Desolation comes upon the sky

Now I see fire
Inside the mountains
I see fire
Burning the trees
And I see fire
Hollowing souls
And I see fire
Burning the breeze
And I hope that you remember me

Oh, should my people fall then
Surely I’ll do the same
Confined in mountain halls
We got too close to the flame
Calling out father, oh
Hold fast and we will
Watch the flames burn on and on
The mountainside

Desolation comes upon the sky

Now I see fire
Inside the mountains
I see fire
Burning the trees
And I see fire
Hollowing souls
And I see fire
Burning the breeze
And I hope that you remember me

And if the night is burning
I will cover my eyes
For if the dark returns then
My brothers will die
And as the sky’s falling down
It crashed into this lonely town
And with that shadow upon the ground
I hear my people screaming out

Now I see fire
Inside the mountains
I see fire
Burning the trees
And I see fire
Hollowing souls
And I see fire
Burning the breeze

I see fire (oh you know I saw a city burning)
(Fire)
And I see fire (feel the heat upon my skin) (fire)
And I see fire (fire)
And I see fire (burn on and on the mountainside)

Menção Honrosa: Qualquer canção original de Inside Llewyn Davis.

Bem, e só nos resta mais um artigo antes da grande cerimônia… Voltem amanhã para o especial de Categorias Principais, com Roteiros, Diretores e, claro, os Filmes indicados.

Leia também:

Os Mestres do Oscar 2014 | Volume II: Categorias Técnicas

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 25 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Oscar não é só sobre as estrelas, é também para premiar o esforçado trabalho de dezenas (e até centenas) de pessoas que se dedicam às categorias técnicas de um filme. E elas são muito mais interessantes de se analisar, vamos ao segundo volume do especial:

fotografia

Ajudando a transformar a visão do diretor em realidade, o diretor de fotografia possui um dos mais importantes cargos, analisando luzes, cores, sombras, mise en scène, entre muitos outros… Os indicados são:

O Grande Mestre | Philippe Le Sourd

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Indicado surpresa da categoria, o filme de ação chinês O Grande Mestre ainda não tem previsão de estreia no país (o longa foi exibido na Mostra de São Paulo do ano passado, mas só fui descobrir agora…), portanto é difícil analisar o trabalho de Phillippe Le Sourd de uma forma que não seja puramente baseada no visual. E se esse fosse o único aspecto, uau. Só pelo trailer, as lindíssimas imagens preenchidas com névoa, chuva pesada e lutas em slow motion deixaram-me salivando. Infelizmente, só posso dizer que as imagens são espetaculares.

Razão de Aspecto: 2:35:1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arricam LT, Cooke S4 e Lentes Angenieux Optimo
Arricam ST, Cooke S4 e Lentes Angenieux Optimo
Arriflex 435 Xtreme, Cooke S4 e Lentes Angenieux Optimo Lenses
Phantom Flex, Lentes Cooke S4 (tomadas de alta velocidade)

Gravidade | Emmanuel Lubezki

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E pertence a Gravidade o posto de representante da fotografia digital do ano, e muito provavelmente o vencedor da categoria, já que os últimos dois vencedores em Fotografia (As Aventuras de Pi e A Invenção de Hugo Cabret) contavam com o formato, além de um caprichado uso de 3D. E o resultado é realmente espetacular… Mesmo rodado inteiramente quase que inteiramente em greenscreen, o cinematógrafo Emmanuel Lubezki acerta ao talentosamente controlar a fonte do luz (em sua maioria, o sol na imensidão do espaço) sob os rostos dos atores e ao contribuir para a criação de imagens vívidas e espetaculares. Sem falar que Lubezki ainda teve que acompanhar o diretor Alfonso Cuarón na criação de planos-sequência e requintados movimentos/dispositvos de câmera – como aquele que traz Sandra Bullock rodopiando em primeiro plano.

Razão de Aspecto: 2:35:1

Formato: 65mm

Câmeras: Arri Alexa M
Arri Alexa, Panavision Primo e Lentes Zeiss Master Prime
Arriflex 765, Lentes Zeiss 765

  • American Scociety of Cinematographers
  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Bruno Delbonnel

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Bruno Delbonnel é dono de um estilo único. Só de se assistir a um trailer de algum trabalho que o traga na função de diretor de fotografia, é possível perceber seus marcantes traços visuais, demarcados por seus filtros de luz (até mesmo no sexto Harry Potter, que se diferencia visualmente de TODOS os outros filmes da franquia). Com a odisseia folk tragicômica de Inside Llewyn Davis, Delbonnel cria um mundo cinzento e melancólico, envolto por trevas e sombras profundas. Seus filtros também são impecáveis ao retratar um inverno verdadeiramente frio, de uma atmosfera quase onírica (especialmente nas sombrias tomadas ambientadas em estradas e em pequenos bares). A fotografia de Gravidade nos leva até o espaço, mas o trabalho de Delbonnel é coisa de outro mundo.

Razão de Aspecto: 1:85:1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arricam LT, Lentes Cooke S4 Lenses; Arricam ST, Lentes Cooke S4

Nebraska | Phedon Papamichael

fot_nebraska

A Academia não resiste a uma boa fotografia em preto-e-branco. Mas diferentemente dos últimos indicados do tipo (O Artista e A Fita Branca), Phedon Papamichael não dispensa as cores para simular um formato antigo, e sim para transmitir a melancolia presente na trama de Nebraska. E é impressionante a capacidade de Papamichael em capturar imagens belíssimas, comprovando como o formato preto-e-branco está longe de ser esquecido. Seja em seu bom olho para paisagens de estradas interioranas (com um céu predominantemente nublado, acentuado pelo cinza) ou sua habilidade de brincar com luzes e sombras nos momentos apropriados – remetendo constantemente ao noir – a fotografia de Nebraska me faz desejar que a Academia voltasse a dividir a categoria entre Preto e Branco e Colorido.

Razão de Aspecto: 2:35 : 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arri Alexa M,Lentes Panavision C-Series
Arri Alexa Plus 4:3, Panavision C-Series, Lentes ATZ e AWZ2

Os Suspeitos | Roger Deakins

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Atmosfera. Essa é a palavra-chave para definir o trabalho do veterano Roger Deakins (ainda sem Oscar) no suspense Os Suspeitos (outro filme que também merecia mais amor da Academia). Dominado por paletas de cor frias e sem vida, o visual do filme de Denis Villenueve é aterrador e perfeito para o tenso desenrolar da história. Ajuda também que Deakins capture diversas imagens dominada pelas trevas, chuvas, neve, chuvas mescladas com neve (!) e um clima predominantemente frio e cinzento. É quase como se fôssemos capazes de mergulhar naquele universo, de tão palpável (a razão de aspecto mais ampla ajuda nesse quesito). Perfeito para um dia de inverno.

Razão de Aspecto: 1.85 : 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arri Alexa Plus, Lentes Zeiss Master Prime
Arri Alexa Studio, Lentes Zeiss Master Prime

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Vitória certa de Gravidade aqui, mas nunca esqueçam de Deakins.

MEU VOTO: Inside Llewyn Davis

FICOU DE FORA: Só Deus Perdoa | Larry Smith

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Em muitos aspectos, Só Deus Perdoa me decepcionou bastante. História vazia, personagens opacos e uma narrativa de associação livre (há quem goste, não é meu caso) tornaram maçante a experiência do último filme de Nicolas Winding Refn; especialmente após o excepcional Drive. Mas se há um quesito excepcional na saga criminosa tailandesa é a fotografia vibrante de Larry Smith, que aposta na predominância do vermelho, trevas e as luzes de neon da cidade. É um deleite visual.

BÔNUS: Vídeo Análise

Não sou nenhum profissional na área da Fotografia, mas o autor deste belo vídeo do Fandom certamente é. Assista aqui a eficiente edição onde o comentarista analisa pequenos detalhes de cada um dos filmes indicados. Muito, muito bom:

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Para povoar a história de personagens e situações, cenários – sejam digitais ou construídos – são essenciais, assim como a equipe que os desenha/projeta antes de lhes dar vida. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão | Adam Stockhausen & Alice Baker

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Ambientado no sul dos EUA no século XIX, o design de produção de 12 Anos de Escravidão concentra-se principalmente no visual e estrutura das plantações de algodão da época. É um trabalho notável de reconstituição de época e, além das ambientações de natureza rural, também temos flashbacks ambientados em ruas de Nova York e portos de cidades no sul. McQueen aproveita bem o trabalho de sua equipe, que jamais soa exagerado, mantendo-se fiel à História.

Ela | K.K. Barrett & Gene Serdena

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Em uma Los Angeles futurista, o design de produção de K.K. Barrett impressiona por sua sutileza e aparente simplicidade. Os cenários, objetos e prédios apresentados no romance de ficção científica Ela acertam ao trazer um design moderno que certamente os situam no futuro, mas sem exagerar a ponto de parecer uma realidade distante. Seja em detalhes simples como slides de flores em um elevador, o predomínio de cores azuis e vermelhas em paredes e vidros ou a arquitetura moderna dos edifícios (as tomadas externas inteligentemente foram gravadas em Xangai, simulando LA), o design do filme perfeitamente situa a história – sem chamar muita atenção para si, mas também sem passar despercebido.

  • Art Directors Guild – Filme Contemporâneo

O Grande Gatsby | Catherine Martin & Beverley Dunn

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Criados a partir de uma mistura eficiente entre efeitos práticos e computadorizados, os cenários e ambientes que criam a Nova York dos anos 20 de O Grande Gatsby fazem jus à grandiosidade do período. É importante observar a diferença socioeconômica é preservada nos diferentes cenários: a faraônica mansão de Gatsby, suas festas colossais e um luxuoso apartamento que acertadamente é dominado pelo vermelho – já que este é usado apenas para o adultério – que se sobressaem diante de lugares mais humildes, como o cinzento Vale das Cinzas e a pequena oficina mecânica de um dos personagens. Tudo isso servindo à visão exuberante de Baz Luhrmann.

  • Art Directors Guild – Filme de Época
  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

Gravidade | Andy Nicholson, Rosie Goodwin & Joanne Woollard

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Quando se pensa no design de produção em Gravidade, a primeira reação é: espaço sideral. Mas então nos damos conta que, além das deslumbrantes imagens da Terra, a produção traz ainda duas estações espaciais distintas na narrativa. Seus exteriores (que incluem para-quedas, satélites e uma mecânica verossímil) impressionam, assim como as sutis diferenças e detalhes que diferenciam seus interiores; uma é russa, outra é chinesa, é divertido encontrar objetos como raquetes de ping pong (chinesa) ou fotografias espalhadas pelas paredes. O design dos veículos espaciais (como a Explorer americana, ou a sequência de despreendimentos na re-entrada) também convence, o que certamente rendeu um vasto trabalho de pesquisa por parte de Andy Nicholson e Rosie Goodwin.

  • Art Directors Guild – Filme de Fantasia

Trapaça | Judy Becker & Heather Loeffler

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Como é possível observar na montagem acima, os cenários de Trapaça são todos construídos (sem retoques aparentes com computação gráfica) e fiéis ao estilo de arquitetura da década de 70 – especialmente nas cores e na decoração de set. É um belo trabalho e que jamais soa inverossímil, mas quem deve ter se beneficiado mais do trabalho foi o elenco, já que o diretor David O. Russell não oferece planos para que admiremos o trabalho de sua equipe (uma money shot, como é conhecida), já que mantém sempre o plano fechado em seus intérpretes. Uma reconstrução de época eficiente.

APOSTA: O Grande Gatsby

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ela

MEU VOTO: Ela

FICOU DE FORA: O Hobbit: A Desolação de Smaug | Dan Hennah, Ra Vincent e Simon Bright

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Quem acompanha o blog sabe da minha resistência à trilogia Hobbit de Peter Jackson, mas a ausência de A Desolação de Smaug na categoria é um absurdo, especialmente considerando que o trabalho aqui é muito superior àquele visto no filme anterior (indicado aqui no ano passado). A segunda aventura se destaca por trazer cenários digitais muito mais fascinantes e belos, começando pelo reino dos Elfos da floresta, até a espetacular Cidade do Lago (que surge como uma mistura de Veneza medieval com Absolutismo francês) e o confronto com o magnífico dragão Smaug em montanhas de moedas douradas. Sem falar que muitos destes cenários foram de fato construídos…

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A menos que estejamos nos referindo a uma produção pornográfica, os atores precisam de roupas; que variam de época, tamanho e estilo, adequando-se à sua narrativa e ao personagem. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão | Patricia Norris

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A veterana Patricia Norris é a responsável pelas vestimentas dos EUA do século XIX, no drama 12 Anos de Escravidão. Não só a figurinista é eficaz ao evidenciar as óbvias diferenças sociais entre homens brancos e escravos (cujas roupas são predominantemente tecidos gastados e velhos), mas também ao separar diferentes fazendeiros. Por exemplo, o vivido por Benedict Cumberbatch é mais nobre do que a maioria de seus colegas, trajando roupas mais elegantes e bem cuidadas, diferenciando-se radicalmente daquele vivido por Michael Fassbender, cujas roupas trazem um aspecto mais desleixado e que adequam-se com sua personalidade explosiva e viciosa. Norris já foi indicada 7 vezes e nunca ganhou, acho que a hora é agora…

Costume Designers Guild – Filme de Época

O Grande Gatsby | Catherine Martin

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Ame ou odeie os filmes de Baz Luhrmann (eu estou bem aqui, no meio-termo), não como negar a beleza exótica de suas produções, em especial os figurinos concebidos por sua onipresente colaboradora (e esposa) Catherine Martin. Já tendo embarcado em períodos de época em produções como Moulin Rouge! (a virada do século XX) e Austrália (pré-Segunda Guerra), Martin embarca no sonho de todo figurinista: os ferozes anos 20. Responsável por vestimentas de centenas de figurantes, Martin mistura a pesquisa histórica do elegante período com o toque excêntrico de Luhrmann – rendendo divertidas criações. Vale apontar seu cuidado com as cores, também: Daisy, por exemplo, surje sempre em tons delicados de branco e rosa, enquanto a personagem de Myrtle (adúltera) é dominada pelo vermelho – rendendo um poderoso contraste com sua moradia cinzenta.

  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

O Grande Mestre | William Chang

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Segunda categoria que o inédito O Grande Mestre conta na premiação, é na confecção de William Chang para um figurino que reconstitua com fidelidade o período da China na década de 30. Bem, como o filme ainda não estreou, fica difícil avaliar o trabalho de Chang (já que nem muitas imagens de divulgação consegui encontrar).

The Invisible Woman | Michael O’Connor

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E o que seria da categoria de Melhor Figurino sem um candidato centrado nas vestimentas européias do século XIX? O especialista Michael O’Connor é o responsável por vestir os personagens do inédito The Invisible Woman (ainda sem previsão de estreia no Brasil), filme dirigido por Ralph Fiennes que o coloca na pele de um apaixonado Charles Dickens, que acaba por manter uma paixão escondida no auge de sua carreira. Bem, a reconstituição de época parece acertada (Connor já levou a estatueta por um trabalho similar, em A Duquesa), mas análises mais detalhadas só são possíveis após conferir o filme.

Trapaça | Michael Wilkinson

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Anos 20 são de matar, mas não deixemos de lado a psicodélica moda dos anos 70, representada muitíssimo bem em Trapaça. Pra começar que o figurino tem um papel importante dentro da história, já que Irving Rosenfeld é dono de uma tinturaria e preenche seu guardarroupas com casacos e paletós deixados para trás. Michael Wilkinson ainda confere uma vasta variedade de vestimentas, acertando especilamente naqueles vestidos por suas atrizes: a personagem de Amy Adams surge sempre com blusas e vestidos dotados de um decote hipnotizante, enquanto a de Jennifer Lawrence tem importante ajuda dos figurinos para demarcar sua idade e persona – no caso, a de dona-de-casa.

APOSTA: 12 Anos de Escravidão

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Grande Gatsby

MEU VOTO: O Grande Gatsby

FICOU DE FORA: Jogos Vorazes: Em Chamas | Trish Summerville

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A franquia Jogos Vorazes é notória pelo visual cartunesco e bizarro de seus personagens, em um exarcebamento distópico das modas “coloridas” que antigem certos grupos sociais. No primeiro filme esse aspecto já era interessante, mas com a entrada de Trish Summerville (que trabalhou em Hollywood ao vestir os personagens de Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres) as vestimentas de Em Chamas ganham maior personalidade e apostam em estilos distintos e que conseguem até uma certa lógica; não é só colorido e espalhafatoso, Summervile consegue tecer um padrão de moda para o futuro distópico de Panem.

montagem

Se há um departamento que é essencial – e também um dos meus preferidos – é a montagem. É preciso habilidade para montar o filme, lhe fornecer o ritmo e tom apropriado e, claro, eliminar cenas desnecessárias. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão | Joe Walker

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Tendo uma narrativa ambientada em 12 anos de duração, o montador Joe Walker é o responsável por manter os eventos mais relevantes (escolhidos dentro do roteiro de John Ridley) e oferecer o ritmo apropriado à trama dramática do filme de Steve McQueen. Vale apontar o uso controlado de flashbacks a respeito da vida do protagonista, especialmente em seu cotidiano e ao explicitar a forma como sua captura se deu. Estrutura narrativa à parte, Walker é eficaz também ao fornecer a intensidade necessária em determinadas sequências, ausentando cortes (McQueen gosta de longas tomadas) ou reduzindo-os ao mínimo, o que garante fluidez às cenas. Mas meu exemplo favorito aqui é um longo plano que traz Solomon de frente à câmera, em um eficiente recurso de passagem do tempo.

Capitão Phillips | Christopher Rouse

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Frequente colaborador de Paul Greengrass, Christopher Rouse mantém seu tradicional estilo (presente em todos os filmes do diretor) em Capitão Phillips: o excesso de cortes, que se manifestam quase que suavemente graças à direção marcada pela técnica “câmera na mão”. Desnecessário dizer que seja uma aliança de artíficios que consegue eficientemente criar uma áurea constante de tensão. Rouse sempre mantém o foco na trama central de Richard Phillips, evitando o excesso de cenas que revelam a intervenção dos militares no sequestro.

  • ACE Eddie Awards – Drama

Clube de Compras Dallas | Jean-Marc Vallée e Martin Pensa

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Indicado supresa da categoria, o trabalho de montagem de Clube de Compras Dallas é eficaz ao fornecer velocidade e energia às sequências de passagem do tempo. O grande destaque vai para as sequências que envolvem as viagens do protagonista para obter medicamentos ilegais, impecavelmente organizada com cortes rápidos e transições que resumem ações de dias em poucos segundos – habilidosamente entrecortando com as subtramas da nardativa. Vale apontar também o uso de legendas como “dia 1”, “dia 2” e “três meses depois” para delimitar espaços de tempo maiores. No geral, o filme tem um bom ritmo, mas poderia acabar bem antes do que realmente o faz.

Gravidade | Alfonso Cuarón e Mark Sanger

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O segredo da montagem de Gravidade é sua aparente ausência. A começar pelo magistral plano sequência de 15 minutos que abre a narrativa, onde a impressão é de que a cena foi executada sem um único corte, mas certamente houveram diversas intervenções sutis da parte de Mark Sanger e Alfonso Cuarón ali – não só por sua dificuldade, mas pela natureza técnica da produção. A curta narrativa é composta por diversos momentos assim, e é de se admirar a competência sublime da dupla ao simular o efeito de uma tomada contínua (um bom exemplo é a cena em que a câmera se aproxima da personagem de Sandra Bullock até entrar em seu capacete e oferecer um dinâmico POV, algo impossível de se realizar manualmente). Em seus cortes “convencionais”, o trabalho também é eficaz e serve para manter o ritmo – considerando também que é uma narrativa quase que em tempo real, com pouquíssimas elipses.

  • Critics Choice Awards

Trapaça | Alan Baumgarten, Jay Cassidy e Crispin Struthers

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É no mínimo curioso que a de montagem de Trapaça tenha sido lembrada, e não o de Thelma Schoonmaker em O Lobo de Wall Street. Isso porque Alan Baumgarten, Jay Cassidy e Crispin Struther devem muito ao trabalho da habitual colaboradora de Martin Scorsese, especialmente em Os Bons Companheiros e Cassino. A montagem do trio preserva a tensão e ritmo entre cada interação dos personagens, ousando mais quando aposta em algumas rápidas digressões temporais a fim de obter um certo humor negro (uma opção falha, já que oferce informações repetidas) ou apresentar os protagonistas – a transição rápida que traz uma foto de Jeremy Renner em uma festa para uma parede do FBI é inspirada. O grande mérito talvez seja quando oferece velocidade a ações efetuadas em múltiplos dias (vide os diversos flagrantes de DiMasio que são resumidos em poucos segundos).

  • ACE Eddie Awards – Musical/Comédia

APOSTA: Capitão Phillips

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Gravidade

MEU VOTO: Capitão Phillips

FICOU DE FORA: O Lobo de Wall Street | Thelma Schoonmaker

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Ah, Thelma. Inubitavelmente uma das melhores profissionais do ramo em atividade, a colaboradora onipresente de Martin Scorsese empresta novamente sua magia de montagem ao frenético O Lobo de Wall Street. E se o filme sobre a vida de Jordan Belfort frequentemente remete a Os Bons Companheiros, o trabalho de Schoonmaker é um dos principais fatores: estão lá os rápidos cortes para indicar ações, as apresentações de personagens e até alguns ocasionais saltos/regressos temporais. A montadora também é eficaz ao manter tensão durante certos diálogos ou deixar a ação fluir sem interferência perceptível. Vale apontar também o uso de colagens durante a narrativa, como comerciais de TV da época, fotos ou vídeos dentro da história. Em suas 3 horas de duração, Schoonmaker jamais deixa o ritmo morrer.

– Menção (muy) Honrosa: Rush: No Limite da Emoção

maquiagem

A arte de enfeitar e disfarçar um artista, resultando em uma transformação do personagem, seja para envelhecê-lo ou transformá-lo em outras pessoas, ou até monstros. Os indicados são:

O Cavaleiro Solitário | Joel Harlow e Gloria Pasqua Casny

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Ao me dar conta da indicação de O Cavaleiro Solitário na categoria (fracasso de bilheteria e crítica, mas ainda encontrou amor na Academia), me veio à mente apenas a pintura facial de Johnny Depp como Tonto. Só depois fui ver que o personagem surge envelhecido graças a um espantoso trabalho de próteses e aplicações da equipe de maquiagem, que deixaram o ator realmente irreconhecível.

Clube de Compras Dallas | Adruitha Lee e Robin Mathews

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O menos impressionante dos trabalhos indicados (mas ainda assim, digno de reconhecimento), o que chama a atenção na maquiagem de Clube de Compras Dallas é a transformação de Jared Leto no travesti Rayon. A meu ver, o ator merece o maior mérito (já que sua assustadora perda de peso é o que torna o personagem marcante), mas a equipe de Adruitha Lee e Robin Mathews acerta ao encher seu rosto com pesada maquiagem feminina. E como a categoria é “Maquiagem & Cabelo”, destaque também para as inúmeras perucas que Leto usa durante a projeção.

Jackass Apresenta: Vovô sem Vergonha | Steve Prouty

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Quem diria que viveríamos para ver o dia em que um filme do Jackass fosse indicado a um Oscar. Não sou um grande admirador do grupo, mas admito o competente trabalho da equipe de Stephen Prouty para transformar Johnny Knoxville no idoso do título. Não assisti ao filme, mas só o resultado expressivo do Vovô sem Vergonha comprova o talento da equipe, que deixou o ator irreconhecível para as inúmeras pegadinhas que o longa apresenta.

APOSTA: Clube de Compras Dallas

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Cavaleiro Solitário

MEU VOTO: O Cavaleiro Solitário

FICOU DE FORA: A Morte do Demônio

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Se tem uma categoria que a cada ano fica mais em graça é a de maquiagem. Tragam os monstros de volta! Rick Baker, pode me ouvir? Enfim, o mais próximo que chegamos disso em 2013 (do que eu assisti, pelo menos) foi o trabalho de transformar lindas jovens como Jane Levy em horrendos e sanguinários demônios automutiladores no remake de A Morte do Demônio. São mudanças simples (como lentes de contato amarelas e próteses dentárias), mas cujo efeito em cena é impressionante; merecendo mérito também por optar por efeitos práticos a CG.

efeitosvisuais

Dando vida ao que não existe, a equipe de efeitos visuais trabalha para criar personagens e ambientes digitais, buscando o realismo perfeito. Os indicados são:

Além da Escuridão – Star Trek

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Com o novo Star Trek, a equipe de J.J. Abrams teve novos mundos fantásticos para dar vida e diversas cenas de ação mais elaboradas do que a do filme anterior. Vale apontar que Além da Escuridão jamais usa seus efeitos visuais de maneira excessiva, servindo sempre a um propósito narrativo e soando elegante em cena – especialmente nas cores nas sequências da Enterprise viajando em velocidade da luz. Já as cenas de ação mais elaboradas contam com uma perfeita combinação de efeitos práticos (como os atores interagindo com um set) e computação gráfica, que eleva as cenas práticas a níveis espetaculares.

O Cavaleiro Solitário

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Grande surpresa entre os indicados (e responsável por roubar a vaga de Círculo de Fogo), O Cavaleiro Solitário conta com uma série de excelentes efeitos visuais de apoio – seja em green screen ou correções digitais de cenário. O grande destaque é a espetacular sequência de ação na locomotiva, que mistura todos esses efeitos sutis em uma cena complicada e empolgante – não vi o filme, mas só esse clipe foi o suficiente para me fazer reconsiderar.

  • Visual Effects Society – Efeitos Visuais de Apoio

Gravidade

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Desde muito antes de as indicações ao Oscar serem anunciadas, um fator já era uma certeza absoluta: Gravidade seria o vencedor na categoria de Efeitos Visuais. E mesmo diante da qualidade impressionante dos outros concorrentes, a vitória do filme de Alfonso Cuarón é mais do que merecida – da mesma forma como foram Avatar e As Aventuras de Pi. Gravidade se beneficia de um pesado trabalho com green screens e novas tecnologias desenvolvidas especialmente para o filme. Com os dois atores principais atuando em meio ao nada, o resultado oferece perfeita interação entre personagens e ambientes, um visual realista e belo e a sensação de que aquilo poderia realmente ser o espaço. Merecidíssimo.

  • BAFTA
  • Critics Choice Awards
  • 6 vitórias no Visual Effects Society
  • É indicado a Melhor Filme (tem uma zica rolando desde 1978, onde a produção indicada a Melhor Filme sempre leva a estatueta de Efeitos Visuais, se indicada)

O Hobbit: A Desolação de Smaug

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Se o primeiro filme (assim como quase toda a trilogia do Anel) já valhiam o louvor a seus efeitos visuais graças ao Gollum de Andy Serkis, o segundo filme da trilogia O Hobbit repete a dose com o Smaug de Benedict Cumberbatch. A Weta criou aqui aquele que provavelmente é o maior e mais carismático dragão já criado nas telas de Cinema, que surge incrivelmente verossímil e carismático graças ao eficiente trabalho de computação gráfica e captura de performance. Não bastasse a magistral criatura, A Desolação de Smaug ainda se beneficia de inúmeros personagens digitais, belos cenários em green screen, a sutil tecnologia capaz de diminuir o elenco e as câmeras de mapeamento digital popularizadas com Avatar.

  • Visual Effects Society – Melhor Personagem Digital

Homem de Ferro 3

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Com a indicação de Homem de Ferro 3 aqui, já é a quarta vez que o herói de Robert Downey Jr. tem seus efeitos digitais reconhecidos. Mesmo que o filme em si seja incrivelmente decepcionante, é inegável que o trabalho da Digital Domain e Industrial Light & Magic (entre muitas outras) seja decente, especialmente na confecção das armaduras e na interação destas com o elenco. O grande destaque, porém, está na excelente cena em que o Força Aérea Um é atacado, e o vingador dourado parte para resgatar a tripulação em queda livre.

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ninguém.

MEU VOTO: Gravidade

FICOU DE FORA: Elysium

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Eu sei, eu sei. Círculo de Fogo foi uma grande esnobada da Academia (eu podia jurar que estaria entre os indicados), tendo em vista o extraordinário trabalho de CG encarado pela Industrial Light & Magic com seus robôs e monstros gigantes. Mas se eu pudesse escolher, certamente meu voto iria iria para Elysium, que novamente comprova a habilidade do diretor Neil Blomkamp em usar efeitos visuais de forma orgânica e crua. O destaque da produção fica com a polícia andróide, em perfeita interação com elenco de carne e osso.

– Menção Honrosa: Círculo de Fogo

Por hoje é só, mas volte amanhã para a terceira parte, onde discutiremos as categorias de Sons & Músicas!

Leia também: Volume 1 – Atuações

Os Mestres do Oscar 2014 | Volume I: Atuações

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

Oscar

Foi no ano passado que batizei o respectivo especial do Oscar de “incógnito”, mas estava errado. Ainda que a edição de 2013 contasse com suas surpresas, a deste ano é verdadeiramente incógnita: tivemos empates inéditos em prêmios da temporada, divergências em círculos de críticos e candidatos tão bons (ou será que não?) que diversas obras excepcionais acabaram ficando de fora. É um Oscar para grandes nomes, mestres. Vamos começar, como sempre, pelo bloco de atuações:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada ator/atriz já garantiu na respectiva categoria

ator

Christian Bale | Trapaça

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Papel: Irving Rosenfeld

Famoso por sua pesada imersão física em seus papéis, Christian Bale engordou quase 20 quilos para entrar na pele do golpista Irving Rosenfeld, o personagem central de Trapaça. O personagem tem grande presença em cena graças à sua caracterização visual marcante (cabelo, óculos e ternos setentistas), e Bale acerta ao manter Irving sempre com um tom de voz baixo e cansado – provavelmente resultado de anos de serviços sujos e seus problemas do coração. Uma ótima performance, mas nada que justifique a indicação ao Oscar do ator; que só aconteceu para que Trapaça repetisse o feito de O Lado Bom da Vida em abocanhar indicações nas 4 categorias de atuação.

Bruce Dern | Nebraska

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Papel: Woody Grant

O veterano Bruce Dern conquista aqui só sua segunda indicação ao Oscar, e a primeira como protagonista, na pele do tragicômico protagonista de Nebraska. Woody Grant está à beira da senilidade e carrega nas costas uma vida infeliz, problemas com bebida e relações não muito harmoniosas com sua família. Diversas características pesadas que Dern absorve com naturalidade, dando vida a um sujeito palpável e real, especialmente quando aposta em um andar manco para demonstrar a velhice de Woody ou expressões confusas e ingênuas na maior parte do tempo. Incrível como Bruce Dern chega e dá uma performance dessa, depois de muito tempo sem estampar nos holofotes.

  • Festival de Cannes – Melhor Ator

Leonardo DiCaprio | O Lobo de Wall Street

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Papel: Jordan Belfort

Com forte resistência da Academia há um bom tempo, Leonardo DiCaprio (enfim) retorna à premiação; 7 anos após sua indicação por Diamante de Sangue. Em sua 5ª (e melhor) colaboração com Martin Scorsese, o ator entrega uma performance insanamente carismática e expressiva na pele do magnata corrupto de Wall Street, Jordan Belfort. Seja nas cenas em que dialoga simpaticamente com a câmera, ou quando retrata o vício em drogas de Belfort (rendendo uma sequência incrível que revela um até então desconhecido talento para “comédia” física) intensamente, DiCaprio jamais sai do personagem – absorvendo cada uma de suas camadas inteiramente. Está entre um dos melhores trabalhos de sua carreira.

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia
  • Critics Choice Awards (Comédia)

Chiwetel Ejiofor | 12 Anos de Escravidão

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Papel: Solomon Northup

Já tendo aparecido aqui e ali em pequenas e grandes produções (como Filhos da Esperança e 2012), Chiwetel Ejifor explode em cena na pele do protagonista de 12 Anos de Escravidão. Sendo um homem livre injustamente sequestrado e escravizado, Solomon Northup é uma figura ímpar nesse sombrio cenário: é determinado, forte e não hesita em questionar as ordens irracionais de seus ferozes capatazes. Ejifor passa todas essas características em cena, chamando a atenção por sua eloquência vocal correta (diferenciando-o dos outros escravos) e sua expressiva luta contra o desespero.

  • BAFTA

Matthew McConaughey | Clube de Compras Dallas

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Papel: Ron Woodroof

Com uma impressionante virada em sua carreira marcada por comédias românticas fracas e aventuras de gosto duvidoso, Matthew McConaughey traçou uma série de boas performances em filmes eficientes, culminando em seu notável desempenho – agora favorito ao prêmio da categoria – em Clube de Compras Dallas. Na pele do texano com AIDS que passa a transportar medicamentos ilegais para os EUA na década de 80, o ator segura o filme todo e impressiona com sua dedicação, carisma e assombrosa perda de peso. É interessante observar as relações com outros personagens, especialmente com o transexual de Jared Leto: Woodroof é homofóbico e machista, sendo divertido ver como o sujeito tem seus conceitos transformados – mas não suas atitudes. Agora é oficial: Matthew McConaughey é um nome pra se levar a sério.

  • SAG
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards

APOSTA: Matthew McConaughey

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Leonardo DiCaprio

MEU VOTO: Leonardo DiCaprio

FICOU DE FORA: Tom Hanks | Capitão Phillips

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Papel: Capitão Richard Phillips

A ausência de Tom Hanks surge como uma das grande surpresas deste Oscar. Presente em praticamente TODOS os prêmios pré-Oscar, o excepcional trabalho do ator foi deixado de lado aqui. O que impressiona em sua performance na pele do capitão Richard Phillips é o controle e calma que o ator tenta manter em meio às situações mais extremas; dialogando com seus captores, tentando até criar humor. Mas é mesmo quando Phillips é tomado pelo desespero (e o consequente choque, especialmente na cena final) que toda a construção de Hanks é destruída, fazendo com que seu trabalho cause mais impacto. Um dos grandes atores em atividade, bom saber que ainda está por aí.

atriz

Amy Adams | Trapaça

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Papel: Sydney Prosser

Sempre reconhecida como coadjuvante em ótimos papéis, Amy Adams consegue sua primeira indicação como protagonista na pele da golpista Sydney Prosser, amante do personagem de Christian Bale. E assim como seu companheiro de cena, não acho que o trabalho de Adams seja digno de premiações ainda que consiga maior destaque do que Bale. A atriz surge divertida e absolutamente sedutora em cena, agradando por seu sotaque britânico falso e a ambiguidade que sua personagem carrega ao longo da produção. Mas, convenhamos: uma atuação nível Oscar? Eu pelo menos não vi nada demais, Adams funciona melhor como parte de um todo do que individualmente (assim como todo o elenco de Trapaça).

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia

Cate Blanchett | Blue Jasmine

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Papel: Jasmine

Cate Blanchett é uma excelente atriz, certamente uma das mais talentosas da safra atual. E foi só pegar um papel bom e multifacetado em uma produção igualmente eficiente, que o resultado já desponta como uma das grandes certezas da cerimônia: a vitória da atriz por Blue Jasmine. Na pele da irremediável Jasmine de Woody Allen, Blanchett constrói uma performance centrada na autodestruição de sua personagem – com direito a crises nervosas, ataques de nervos e até um triste (não cômico, felizmente) distúrbio no qual fala consigo mesma. A vitória de Blanchett aqui é uma das certezas da noite, e muito merecida: talvez seja a melhor performance de sua excepcional carreira.

  • SAG
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards
  • Globo de Ouro – Drama

Sandra Bullock | Gravidade

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Papel: Dra. Ryan Stone

Depois do inesperado primeiro Oscar (que muitos ainda apontam como uma vitória duvidosa), Sandra Bullock entrega um trabalho que mostra que Um Sonho Possível não foi acidente. Nas mãos do cineasta Alfonso Cuarón, a atriz precisou usar bastante sua imaginação e mente para lidar com todos os green screens e câmaras escuras com os quais contracenou em Gravidade. O resultado é uma esforçada e dedicada performance, que é responsável por segurar toda a projeção, e Bullock jamais decepciona. Destaque para a sensível cena em que a personagem tem um depressivo momento de reflexão.

Judi Dench | Philomena

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Papel: Philomena Lee

Completando 80 anos de idade em 2014, a inglesa Judi Dench entrega uma performance absolutamente adorável como a protagonista de Philomena, uma mãe que busca seu filho perdido há 50 anos. Como a personagem-título é irlandesa, Dench fornece um sotaque acertado e que jamais soa estereotipado, abraçando também sua personalidade carinhosa e ingênua; seja ao iniciar conversas com praticamente todos os funcionários de um hotel ou surgir alegremente espantada ao descobrir as mordomias de um avião. A atriz também balanceia esse lado divertido com a áurea dramática de Philomena, e a mistura funciona maravilhosamente bem em cena – Dench certamente fará cada um lembrar de uma avó, tia ou parente.

Meryl Streep | Álbum de Família

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Papel: Violet Weston

Já virou chavão elogiar Meryl Streep e dizer que ela é uma das melhores (ou melhor?) atriz em atividade. Mas cara***o, é de se impressionar com a performance ácida, irreverente e complicada de Streep em Álbum de Família. Violet Weston é a mãe da disfuncional família que povoa a narrativa, e é responsável por entregar os comentários mais irônicos, ofensivos e até divertidos quando provoca discussões com suas filhas. Streep é eficiente ao transformar Violet em uma megera, mas é igualmente bem-sucedida ao apresentar o lado trágico de sua personagem; assim como a doença – e o vício – que a prejudicam. Um de seus melhores trabalhos, facilmente.

APOSTA: Cate Blanchett

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Amy Adams, go figure.

MEU VOTO: Cate Blanchett

FICOU DE FORA: Adele Exarchopoulos | Azul é a Cor Mais Quente

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Papel: Adèle

Estreando como atriz aos 19 anos no francês Azul é a Cor Mais Quente, Adèle Exarchopoulos fornece uma performance arrebatadora no filme de Abdellatif Kechiche (que ficou de fora da premiação graças ao ministério da cultura francês). Não só merece créditos pelas desafiadoras cenas de sexo, mas por representar a protagonista sempre de forma espontânea, natural e convicente – como se não víssemos uma atriz interpretando um papel ali, mas sim um ser humano real e palpável.

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Barkhad Abdi | Capitão Phillips

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Papel: Muse

Revelação que chamou atenção universal na pele do antagonista principal de Capitão Phillips, o ator somálio Barkhad Abdi estreia como ator e já garante sua primeira indicação ao Oscar. Nada mal, e Abdi justifica sua presença aqui, já que consegue criar com seu Muse uma figura de presença ameaçadora (seu porte físico influencia bastante nesse quesito), mas também nada que se aproxime de uma caricatura maniqueísta. Ainda que surja forte e assustador enquanto ameaça Tom Hanks, o ator aqui e ali dá indícios de uma simpatia forjada (ao apelidar Phillips de “Irlandês” de forma quase amigável) e também de sua humanidade à medida em que o cerco vai se fechando a sua volta.

  • BAFTA

Bradley Cooper | Trapaça

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Papel: Richie DiMasio

Dentre todos os indicados ao Oscar de Trapaça, Bradley Cooper foi o que me levantou mais suspeitas quanto à competência de sua performance. Talvez justamente por isso ele tenha sido o melhor intérprete da produção a meu ver, incorporando um esquentado agente do FBI que mora com a mãe e usa bobes no cabelo. Cooper diverte ao constantemente retratar seu personagem bufando de raiva e um certo prazer em conhecer o outro lado da lei, conforme sua relação com Sydney se intensifica. Em um momento menor, mas inspirado, o ator tem a oportunidade de exibir sua melhor característica: mudanças bruscas de humor, aqui, quando imita as reações de um colega de trabalho (triste, rindo, triste, rindo, em rápidas mudanças). Surpreendeu.

Michael Fassbender | 12 Anos de Escravidão

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Papel: Edwin Epps

Finalmente Michael Fassbender recebe o devido reconhecimento! Em sua terceira parceria com o diretor Steve McQueen, o ator encarna um cruel e inescrupuloso fazendeiro, responsável por algumas das maiores dores de cabeça do protagonista. Não é apenas a fúria quase que possessa de Epps que assombra, mas sim os momentos em que Fassbender leva seu tempo para apresentar alguma reação (o que por si só o torna mais ameaçador), prendendo outros personagens com um olhar frio e direto. É de se cativar também a estranha obsessão que Epps cultiva pela escrava Patsey, que se mistura com uma forma de paixão e dominância.

Jonah Hill | O Lobo de Wall Street

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Papel: Donnie Azoff

Uma das grandes surpresas (positivas) entre os indicados, Jonah Hill fatura sua segunda indicação ao Oscar com o perturbado Donnie Azoff, braço direito de Jordan Belfort em O Lobo de Wall Street. Ao contrário de sua indicação anterior em O Homem que Mudou o Jogo, – onde dava vida a um personagem tímido e inseguro – Hill abraça o obsceno e o exagerado, acertando na dose do sotaque de Long Island e nos trajetos do sujeito – especialmente em seus muitos atos repreendíveis. Vale apontar também sua química com Leonardo DiCaprio, que surge no 220 na já mencionada sequência da infame droga de paralisia. Jonah Hill, também saído das comédias pesadas, promete um futuro brilhante pela frente.

Jared Leto | Clube de Compras Dallas

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Papel: Rayon

Favorito absoluto da categoria, o vocalista do 30 Seconds from Mars, Jared Leto, dá um tempo com a música e volta para mais uma transformação física na atuação. Tendo engordado aproximadamente 30quilos para Chapter 27, Leto agora perde 14 para se transformar em Rayon, transexual que é uma das figuras mais energéticas e fortes de Clube de Compras Dallas. O filme é todo de McConaughey, mas Leto implacavelmente incendia a tela como o carismático parceiro de negócios do protagonista. Leto surge como um bem-vindo alívio cômico, mas à medida em que conhecemos sua história, transforma-se em uma das figuras mais trágicas da produção – algo que o ator realiza muitíssimo bem.

  • SAG
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

APOSTA: Jared Leto

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ninguém segura Leto

MEU VOTO: Michael Fassbender

FICOU DE FORA: Daniel Bruhl | Rush: No Limite da Emoção

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Papel: Niki Lauda

Ah, Rush. Confesso que não esperava muita presença do filme de Ron Howard na premiação (o que é uma pena, já que o filme merecia), mas a ausência de Daniel Brühl assusta, já que o ator alemão esteve presente em praticamente todos os prêmios de críticos. O trabalho de Brühl já merece aplausos pelo simples fato de não se limitar a uma caricatura de Niki Lauda, e sim um personagem forte, crível e que consegue capturar (sem soar uma imitação forçada) a presença do real corredor da Fórmula 1. O ator domina o sotaque pesado, as próteses no rosto e toda a racionalidade (que flerta com a arrogância) que o papel requer.

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Sally Hawkins | Blue Jasmine

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Papel: Ginger

Na pele da irmã adotiva da Jasmine de Cate Blanchett, a sorridente Sally Hawkins é o oposto da protagonista. De origens mais humildes e menos bem-sucedidas do que a irmã, Ginger revela-se muito mais otimista e resistente do que a problemática Jasmine, traço que Hawkins exibe com eficiência durante toda a projeção. E mesmo diante suas esperançoso comportamento, a atriz acerta também ao trazer a personagem com diversas preocupações e medos a respeito de sua família, assumindo aquela que – certamente – é a personagem cuja bússola moral aponta para o norte.

Jennifer Lawrence | Trapaça

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Papel: Rosalyn Rosenfeld

Aos 23 anos de idade, a queridinha Jennifer Lawrence se torna a pessoa mais jovem da História a colecionar 3 indicações ao Oscar. E é irônico que Lawrence obtenha tal feito ao interpretar uma mulher mais velha, incorporando com sucesso o estereótipo da “dona-de-casa” mas adicionando seu habitual carisma no processo. Lawrence incendia a cena quando aparece (algo que não é tão frequente, infelizmente) e é responsável por alguns dos momentos mais divertidos (sua performance em “Live and Let Die” já justifica sua indicação, além de mostrar como a atriz se diverte em cena) e também impressiona pela humanidade de sua trambiqueira Rosalyn. Nem de longe se equipara à sua vitória anterior (Lado Bom da Vida), mas é uma eficiente adição a seu currículo.

  • Globo de Ouro
  • BAFTA

Lupita Nyong’o | 12 Anos de Escravidão

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Papel: Patsey

De origem quênia, a atriz Lupita Nyong’o faz sua estreia no cinema com 12 Anos de Escravidão e já é favorita para levar a estatueta. Sorte de principiante? Não, já que mesmo que sua participação no longa seja curta, ela garante alguns dos momentos mais intensos com sua esforçadíssima performance na pele da escrava Patsey. A personagem de Nyong’o representa tudo aquilo que o protagonista Solomon Northup luta para evitar: a submissão, o desejo da morte como única escapatória de sua condição, característica que a atriz absorve em uma performance frágil e poderosa. Mesmo que por tão pouco tempo.

  • SAG
  • Critics Choice Awards

Julia Roberts | Álbum de Família

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Papel: Barbara Weston

Sem receber uma indicação desde 2001 (quando levou a estatueta por Erin Brokovich – Uma Mulher de Talento), Julia Roberts se sai muitíssimo bem na tarefa nada fácil de dividir cena com o monstro de talento que atende pelo nome de Meryl Streep. A atriz incorpora uma predominante postura irritada, fazendo a mais forte das irmãs Weston – sendo a única que realmente confronta as ofensas de sua mãe e batalha contra o vício em drogas da mesma. Roberts tem boa presença em cena, e mantém sua firme (e um tanto grosseira) postura até mesmo quando suas intenções são nobres.

June Squibb | Nebraska

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Papel: Kate Grant

Pode parecer heresia o que vou falar, mas June Squibb rouba Nebraska de Bruce Dern. Não me entendam mal, o veterano ator está fantástico em cena, mas a atriz responsável por interpretar sua esposa é simplesmente um arraso: o alívio cômico mais sincero da produção, Kate Grant luta sem sucesso para manter o marido e o filho na linha. É incrível como sua postura e fisionomia de “vovó simpática” em nada se assemelha à personagem, que fala o que pensa sem hesitar, é escandalosa e a única que manda todo mundo se foder na hora H. Divertidíssima.

APOSTA: Lupita Nyong’o

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Jennifer Lawrence

MEU VOTO: June Squibb

FICOU DE FORA: Margot Robbie | O Lobo de Wall Street

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Papel: Naomi Lapaglia

Assistindo a O Lobo de Wall Street, não foi só a beleza estonteante (mesmo) da atriz Margot Robbie que me chamou atenção, mas também sua eficiente performance como a esposa de Jordan Belfort. Naomi, vulgo “A Duquesa de Bay Ridge”, se destaca entre as figuras femininas do filme (que, em suma maioria, são meros objetos de desejo do protagonista) ao exibir certa influência e até manipulação em seu marido – seja através de intensos bate-bocas ou seu irresistível poder de sedução. Sem falar no sotaque de Brooklyn que a atriz australiana dominou muito bem.

E foi isso. Gostou? Detestou? Quer minha cabeça numa lança? Comente!

E o Volume II sobre Categorias Técnicas sai amanhã mesmo! =]

O Incógnito Oscar 2013 | Volume IV: Categorias Principais

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

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Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2013! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo (em inglês)

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Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

Amor | Michael Haneke

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Assim como aconteceu com A Separação no ano passado, a indicação de Amor nestas categorias principais automaticamente garante sua vitória em Filme Estrangeiro. Já o texto de Michael Haneke em si, não é meu preferido dentre os indicados… Acho a maior parte dos diálogos monótonos e que raramente trazem temas envolventes (um exemplo raro, é quando vamos percebendo aos poucos a identidade de um ex-aluno), sendo essencialmente cotidianos. O que admiro no roteiro de Haneke são ideias que funcionam melhor visualmente, como a cama de flores ou a genial metáfora da pomba invasora. E, claro, sua chocante reviravolta.

Quotação Memorável:
“- O que você diria se ninguém aparecesse no seu funeral?
– Nada, provavelmente” – Anne, Georges

Django Livre | Quentin Tarantino

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Eu ja disse antes e repito: não há ninguém que seja capaz de escrever diálogos como Quentin Tarantino. Sua investida no gênero de faroeste ( só que aqui, a designação mais apropriada é “farosul”) preserva todos os elementos típicos de sua escrita, desde os longos e caprichados diálogos até os personagens absurdos (como o bandido que cita a Bíblia e cola páginas desta no corpo enquanto chicoteia escravos). É certo que Django Livre é uma narrativa imperfeita, visto que sofre com um leve problema estrutural próximo a seu desfecho – onde a projeção se extende após o tiroteio em Candyland. Mas mesmo assim, o longa merece a vitória graças à habilidade e inteligência de Tarantino na construção dos diálogos, sendo mestre em prolongar as interações entre personagens e trabalhar a ascenção de tensão. Personagens e situações dignos do talento do cineasta, já está bom demais.

Quotação Memorável:Senhores, já tinham minha curiosidade. Mas agora têm minha atenção” – Calvin Candie

  • Globo de Ouro
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards – Roteiro Original

A Hora Mais Escura | Mark Boal

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Mark Boal era um jornalista freelancer antes de se converter a roteirista vencedor do Oscar. E percebe-se a marca de sua profissão anterior aqui, já que o colaborador de Kathryn Bigelow enche A Hora Mais Escura de nomes, eventos e datas; visando um retrato quase que documental da busca por Osama Bin Laden. E ainda assim, certamente há muita ficção aqui, como a teatrilidade que eu pessoalmente duvido que a agente Maya demonstrava (como sua insatisfação ao marcar uma contagem de dias na janela de seu chefe), mas não é nada sensacionalista ou evasivo. Tendo seu final reescrito durante as filmagens, o roteiro do filme traz bons diálogos e situações, mas exausta por sua vasta quantidade de informações.

Quotação Memorável: “Eu sou a ‘motherfucker’ que achou esse lugar, senhor” – Maya

  • WGA – Roteiro Original

Moonrise Kingdom | Wes Anderson e Roman Coppola

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Moonrise Kingdom foi o primeiro filme de Wes Anderson que vi na vida, e acho que a narrativa cômica e quase caricata deve se aplicar à maioria dos trabalhos do diretor/roteirista. Aliado a Roman Coppola (isso mesmo, ele é filho do grande Francis Ford), Anderson traça uma fábula inocente e dócil sobre a própria perda desta; um jovem casal que se apaixona e resolve fugir da cidade, atravessando situações divertidas, simbólicas (o gesto de “furar a orelha”, por exemplo, é revelador) e personagens excêntricos. Não vejo grandes diálogos aqui, mas traz muitas ideias que funcionam visualmente.

Quotação Memorável: “Estarei lá no fundo. Vou procurar uma árvore pra cortar.” – Sr. Bishop

O Voo | John Gatins

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A premissa elaborada por John Gatins em O Voo é muito instigante, e funciona admiravelmente bem na primeira metade da projeção. O problema é que Gatins sente a necessidade de estender a narrativa desnecessariamente, e acaba adicionando elementos comoletamente descartáveis, como a viciada em drogas Nicole. Além disso, o roteirista resolve analisar a fundo o problema de alcoolismo de seu protagonista com uma série de clichês (está lá a velha cena de despejar as bebidas no ralo da pia) que só funcionam graças à performance de Denzel Washington. Se houvessem mais cenas sobre a investigação da perícia (ou apenas elas), seria mais interessante.

Quotação Memorável: “Ninguém poderia ter aterrissado aquele avião como eu. Ninguém” – Whip

FICOU DE FORA: Looper: Assassinos do Futuro | Rian Johnson

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Em uma época em que Hollywood aposta em continuações, adaptações e remakes de tudo quanto é coisa, eis que brota Rian Johnson e oferece uma aventura de ficção científica muito competente na forma de Looper: Assassinos do Futuro. Partindo da criativa premissa em que assassinos são contratados para eliminar alvos do futuro, Johnson explora com eficiência os conceitos e leis desse universo que criou, não se preocupando em oferecer uma explicação mega-científica para realidades alternativas e viagens no tempo. Um bom roteiro, que só peca pela presença desnecessária de poderes telecinéticos…

Quotação Memorável:Eu não quero falar de viagem no tempo, porque se começarmos vamos acabar ficando o dia todo aqui, fazendo diagramas com canudinhos” – Joe do Futuro

APOSTA: Django Livre

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Hora Mais Escura

MEU VOTO: Django Livre

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Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, artigos, peças ou fazer continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

Argo | Chris Terrio, baseado no artigo Escape from Theran: How the CIA used a Fake Sci-Fi Flick to Rescue Americans from Iran de Joshuah Bearman

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Adaptado de um artigo que relata uma história real “que só poderia ser coisa de filme”, o roteiro de Argo deveria ser o sonho de qualquer cineasta. Escrito por Chris Terrio, este faz um ótimo trabalho ao trazer diálogos inteligentes e divertidos (nesse quesito, todas as cenas que envolvem Hollywood), gerando não apenas um eficiente thriller de espionagem, mas também um filme sobre se fazer filmes. Além da inusitada mistura, Terrio ainda traz um tema que se mantém atual e proporciona uma abordagem sem julgamentos pró-EUA. Claro que com um grupo de americanos a serem resgatados no Irã, os árabes recebem um tratamento antagonista, mas nunca chega a ser algo ufanista. E em tempos pós-11 de Setembro e Primavera Árabe, isso já é motivo para parabenizá-lo. Sem falar que criou o bordão mais legal dos últimos anos: “Argofuck yourself!”.

Quotação Memorável: “Se eu vou fazer um filme de mentira, vai ser um sucesso de mentira!” – Lester Siegel

  • WGA – Roteiro Adaptado
  • BAFTA

As Aventuras de Pi | David Magee baseado no livro A Vida de Pi de Yann Martel

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Muitos julgavam Life of Pi de Yann Martel uma obra infilmável (e enquanto termino o livro, reconheço que seja uma adaptação difícil), mas o roteiro de David Magee conseguiu dar conta do recado. Adotando a clássica estrutura do sujeito que compartilha suas histórias fantásticas para um terceiro, tal recurso compensa pela ausência de diálogos e também para envolver melhor o espectador da narrativa – afinal, Pi está nos contando a história. Mas ainda que Magee traga bons momentos de humor e reviravoltas  (a maioria destes na forma de baleias e peixes voadores) em um ambiente limitado, o texto erra no mesmo ponto do livro: a demasiada exposição sobre os conceitos de diversas religiões. Probleminhas à parte, é uma adaptação eficiente e bom entretenimento, conseguindo preservar a bela mensagem sobre o desapego da vida e a presença do simbolismo no embate realidade x ficção.

Quotação Memorável: “Eu acho que no fim, a vida toda torna-se um ato de desapego, mas o que sempre me entristece é não ter um momento para se despedir”. – Pi Patel

Indomável Sonhadora | Lucy Alibar e Benh Zeitlin baseado na peça Juicy and Delicious de Lucy Alibar

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Em breve, texto em progresso!

O Lado Bom da Vida | David O. Russell, baseado no livro The Silver Linnings Playbook de Matthew Quick

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David O. Russell assume a dupla função de diretor e roteirista, e sua habilidade com as palavras e tão formidável como a que este demonstra atrás das câmeras. O diretor adapta o livro de Matthew Quick (que não li, ainda) e oferece um tratamento leve e divertido a temas delicados como transtornos psicológicos e depressão – ambos favorecidos pelos excelentes diálogos entre os carismáticos personagens -, ainda que não os transforme totalmente em uma piada. Do meio pro fim, O Lado Bom da Vida se rende a algumas decisões previsíveis e até a elementos fantásticos (como a presença de “zica” em partidas de futebol americano), mas isso não prejudica por completo o bom trabalho de O. Russell.

Quotação Memorável: É, mande o Ernest Hemingway nos ligar e pedir desculpas também!” – Pat, Sr.

Lincoln | Tony Kushner, baseado parcialmente no livro Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln de Doris Kearns Goodwin

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Já tendo trabalhado com Steven Spielberg em Munique (que também lhe garantiu uma indicação nesta categoria, em 2006), Tony Kushner traz os eventos mais relevantes de Team of Rivals para tratar um perfil dos últimos meses da vida de Abraham Lincoln. O que me incomoda no roteiro de Lincoln é que a narrativa prefere se concentrar nas politicagens e quebra-paus acerca do processo de validação da 13a emenda (e nas práticas maquiavélicas para conseguí-la) do que no homem que nomeia o título. Mesmo que traga bons diálogos nas cenas do Congresso (especialmente as rebatidas de Tommy Lee Jones), é a relação de Lincoln com sua família que me despertou maior interesse, e esta é – infelizmente – pouco explorada.

Quotação Memorável: “Eu poderia escrever sermões mais curtos, mas quando começo tenho preguiça de parar.”

  • Critics Choice Awards – Roteiro Adaptado

FICOU DE FORA: As Vantagens de Ser Invisível | Stephen Chbosky

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É muito interessante quando o autor de um livro sai para adaptar ele próprio sua obra. No caso de Stephen Chbosky, ele não só assina o roteiro de As Vantagens de ser Invisível, mas também a direção do longa; o que lhe da o direito de fazer todas as alterações que bem entender, sem sacrificar a obra original. Na crônica de Charlie e sua entrada no ensino médio, temos aqui diálogos maravilhosos, personagens muito carismáticos e também um tratamento muito delicado e original a temas como abuso sexual, problemas psicológicos e homofobia. Mas mais do que isso, é uma bela história sobre encontrar a si mesmo.

Quotação Memorável: “Nós estamos vivos agora mesmo, e nesse momento eu juro que somos infinitos” – Charlie

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo

diretor

Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Michael Haneke | Amor

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Cineasta de currículo impecável (que conta com Caché, os dois Violência Gratuita e A Fita Branca), é de se espantar que essa seja apenas a primeira indicação de Michael Haneke. Como discuti em minha crítica, o austríaco confere um tom com grande lentidão e calmaria (a ausência de música e a presença de longos planos sem cortes ajudam nesse quesito) ao longo das 2 horas de Amor e isto é essencial para que o clímax funcione tão bem, e destrua toda esse tom como uma bomba atômica. O trabalho de Haneke é muito inteligente, mas requer muita paciência de seu espectador.

Ang Lee | As Aventuras de Pi

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Seguindo os passos de James Cameron e Martin Scorsese, Ang Lee é o novo reconhecido da Academia pelo uso da tecnologia 3D. Não que esta seja algo espetacular, mas o taiwanês traz recursos visuais muito interessantes em sua adaptação de As Aventuras de Pi, como mudar a proporação da imagem – alternando entre 16:9 e 4:3 em momentos chaves – a fim de conferir efeitos tridimensionais que, literalmente, “saltam” da tela. A direção de Ang Lee é criativa e este ajuda a criar uma narrativa competente que se sustenta com lindas imagens.

David O. Russell | O Lado Bom da Vida

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Eu tinha birra com David O. Russell desde sua indicação por O Vencedor, mas agora é tudo water under the bridge após seu trabalho seguro em O Lado Bom da Vida. Sua câmera é habilidosa ao circular todos os personagens em uma cena com diversos movimentos de mão e até bruscos, servindo para salientar ora a tensão, ora o humor (o zoom que este confere a um momento chave é acertadíssimo). Acho particularmente interessante como ele usa o recurso da câmera em primeira pessoa no flashback de Pat, que não só nos coloca na pele do personagem, como também adiciona um elemento de surpresa ao desfecho da cena. Meu trabalho favorito – quem diria – entre os indicados, parabéns sr. Russell.

Steven Spielberg | Lincoln

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De todos os filmes de Steven Spielberg que já vi, Lincoln traz sua direção mais contida. O diretor acerta ao reunir um ótimo elenco e lhes proporcionar um espaço eficiente que lhes permita trabalhar bem (sua câmera é sempre bem fixa e centrada nos intérpretes) e também ao aproveitar seu gordo valor de produção com planos abertos. Não seria justo taxá-lo como “piloto-automático”, já que o diretor cria belos planos que preservam a figura icônica do presidente, mas ainda que saiba como despertar emoções genuínas nos momentos certos (como a aprovação da 13ª emenda), desmerece a vitória por decidir mostrar a morte de Abraham Lincoln de forma melodramática; ainda mais porque poderia ter encerrado o filme minutos antes, com uma bela cena que mostra o protagonista caminhando em direção à luz. Spielberg precisa voltar ao espetáculo.

Benh Zeitlin | Indomável Sonhadora

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Sua estreia na direção de longa-metragens e Benh Zeitlin já garantiu sua primeira indicação Oscar: que belo começo de carreira. Assumindo-se como “essencialmente indie”, o diretor faz uso de uma câmera sempre incessante e com diversos planos e close-ups que retratem a precariedade do ambiente principal de Indomável Sonhadora (preservando com habilidade o ótimo trabalho do design de produção sem recursos grandiloquentes). Mas felizmente Zeitlin não apega-se à melancolia ou a maniqueísmos em tais momentos, conseguindo tirar situações divertidas dos cenários mais improváveis e sobressaindo-se na direção de elenco. Vamos ver se, com seu próximo projeto, não foi sorte de principiante.

FICOU DE FORA: Quentin Tarantino | Django Livre

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Ben Affleck, Kathryn Bigelow e Paul Thomas Anderson foram incríveis ausências nesta categoria. Os três diretores fizeram trabalhos incríveis em seus respectivos filmes, mas senti mais ainda a falta de Quentin Tarantino entre os 5 indicados, já que seu comando no faroeste (sul) de Django Livre é excelente. Cheio de referências e jogadas visuais, o diretor homenageia uma série de filmes do gênero (e também de outros, como Taxi Driver e … E o Vento Levou) e utiliza de um recurso de câmera divertidíssimo: o zoom rápido. Além de manter a narrativa sempre divertida, Tarantino também separa com inteligência a “violencia cômica” da “violência séria” ao alternar a forma com que retrata ambas. Não é o melhor trabalho do diretor, mas nada menos do que digno de indicação.

APOSTA: Steven Spielberg

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ang Lee

MEU VOTO: David O. Russell

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Um casal de idosos testando seu amor, espiões cinéfilos, um indiano náufrago, um escravo recém-libertado, uma agente obcecada, uma jovem sonhadora, um popular presidente americano e um grupo de miseráveis cantores estão entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano. Vejamos:

Amor

4.0

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“Então o filme só para idosos? Não, mas requer uma experiência de vida (especialmente àquelas baseadas no sentimento-título) que um jovem à beira da maioridade ainda desconhece por completo. Fui comovido pelas ótimas performances de seu elenco e pelo tratamento que Michael Haneke fornece ao longa, mas acho que levará alguns anos para Amor me acertar em cheio.” Crítica Completa

  • Palma de Ouro – Festival de Cannes
  • Globo de Ouro – Filme Estrangeiro
  • BAFTA – Filme Estrangeiro
  • Critics Choice Awards – Filme Estrangeiro

Argo

4.5

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“Um filme sobre um resgate americano em território iraniano renderia uma propaganda ufanista e exagerada nas mãos de um diretor “Michaelbayano”, mas o diretor-ator merece aplausos por apresentar uma relativa neutralidade diante da questão abordada – questionando tanto a incapacibilidade da CIA diante do sequestro quanto a violência executada pelos revolucionários. Argo é uma ótima dramatização de um inusitado capítulo da história da CIA, tratando seus temas de forma aprofundada e acessível, além de mostrar que Ben Affleck não é só um bom diretor, mas sim um ótimo cineasta.” Crítica Completa

  • Producers Guild Awards
  • Globo de Ouro – Drama
  • Directors Guild Awards
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

As Aventuras de Pi

4.0

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“Competente em seu ritmo de narração e interação entre a história contada e aqueles que contam a mesma (no caso, o ótimo Irrfan Khan), As Aventuras de Pi é uma linda realização visual e também uma bela mensagem sobre o desapego da vida. Não o achei poderoso em suas manifestações divinas, mas entre o caminho racional e o fantástico proposto pelo protagonista e pelo pai deste, fico com “a do tigre”.” Crítica Completa

Django Livre

4.5

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“Movendo-se com um bom ritmo até uma conclusão um tanto exagerada, Django Livre é mais um ótimo trabalho de Quentin Tarantino, e ainda que não alcance a perfeição de Bastardos Inglórios ou Pulp Fiction, comprova a facilidade do diretor em navegar com seu estilo único através de diferentes gêneros. Vejamos o que ele vai aprontar a seguir…” Crítica Completa

A Hora Mais Escura

4.0

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“Não tenho dúvidas de que há muita ficção em A Hora Mais Escura. Mas mesmo que alguns fatos apresentados tragam uma veracidade questionável, funcionam eficientemente bem como peça de entretenimento e não do tipo que vangloria uma nação. Ao invés de comemorar euforicamente a morte de Osama Bin Laden, o filme traz de volta a questão Maquiavélica e ainda deixa no ar uma ainda mais complexa: ” e agora?” A reação ambígua de Maya, que com olhos lacrimejados e a noção de que havia concluído uma tarefa que lhe custara 12 anos de sua vida, é a prova de que o filme vai além de sua proposta.” Crítica Completa

Indomável Sonhadora

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Com diversas passagens protagonizadas por criaturas pré-históricas que marcam presença simbólica (creio eu), Indomável Sonhadora explora de forma criativa e apropriada a relação de “causa e efeito” dentro de um ecossistema, enfatizando como cada pequeno elemento pode gerar consequências devastadoras, e também como as relações familiares podem ser comparadas com tal. É o grande indie da temporada de prêmios.

O Lado Bom da Vida

4.0

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“Com uma admirável química entre os dois protagonistas e um ritmo eficiente que fazem as 2 horas de filme parecerem minutos, O Lado Bom da Vida só peca ao recorrer a clichês típicos do gênero em sua conclusão (como uma série de coincidências e elementos supersticiosos). Mas como o próprio Pat diz ao reclamar de Adeus às Armas de Hemingway: ‘a vida já é dura como é, seria pedir demais por um final feliz?’ No caso deste belo filme, é aceitável.”  Crítica Completa

Lincoln

3.0

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“Em um de seus trabalhos mais contidos e livres de maneirismos (não que isso seja uma qualidade aqui) Steven Spielberg faz de Lincoln uma aula de História americana de quase três horas. Mas mesmo com valores de produção e elenco espetaculares, o “professor” carece de um bom material didático que nos ajude a entender melhor o Lincoln Homem, e restringe seu maior impacto emocional ao povo americano.” Crítica Completa

Os Miseráveis

3.5

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“Com 168 minutos que se movem com notável lentidão, Os Miseráveis apresenta uma ótima história e um elenco espetacular, mas que é ofuscada em meio ao excesso de canções. O novo método escolhido por Tom Hooper favoreceu aos intérpretes, que dão o seu melhor em apresentações intensas, mas rendeu uma experiência difícil de se acompanhar. Nas palavras do comediante Jerry Seinfeld: ‘Não gosto desses musicais, não entendo por que cantar, quem canta? Se tem alguma coisa pra dizer, diga!'” Crítica Completa

  • Globo de Ouro – Musical/Comédia

FICOU DE FORA: O Mestre

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“Pontuado nos momentos certos pela abstrata trilha sonora de Jonny Greenwood, O Mestre é uma obra poderosa que consegue expandir sua premissa a níveis universais, sobre o Homem questionando o papel de um líder ou de uma organização; e como estes podem alterar seus instintos mais básicos. Desculpem pelo trocadilho, mas é um trabalho de Mestre.” Crítica Completa

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo ou Django Livre

Bem, esse foi o especial Oscar 2013, não esqueçam de fazerem suas apostas. E só pra lembrar, no dia da cerimônia (domingo, 24) estarei aqui comentando o evento ao vivo, então apareçam!

O Incógnito Oscar 2013 | Volume II: Categorias Técnicas

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 19 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

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Oscar não é só sobre as estrelas, é também para premiar o esforçado trabalho de dezenas (e até centenas) de pessoas que se dedicam às categorias técnicas de um filme. E elas são muito mais interessantes de analisar, vamos à parte 2 do especial:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria

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Ajudando a transformar a visão do diretor em realidade, o diretor de fotografia possui um dos mais importantes cargos, analisando luzes, cores, sombras, mise en scène, entre muitos outros… Os indicados são:

007 – Operação Skyfall | Roger Deakins

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O vigésimo terceiro filme de James Bond pode não ser o melhor da franquia, mas inubitavelmente é o mais bonito. Com o veterano Roger Deakins no comando da fotografia, Operação Skyfall é recheado de cenas visualmente deslumbrantes. A paleta de cores alterna de locação a outra (mais quente em Istambul e Macau, fria e cinzenta em Londres e no clímax na Escócia) e Deakins utiliza-se muito bem das sombras e luzes durante toda a projeção. Mas o maior feito da área é realmente nas cenas em Xangai, em especial a luta que ocorre em meio à agua-viva holográfica de um outdoor, que produz um tom azulado espetacular. Um trabalho meticuloso de um especialista no assunto, e que – por sinal – ainda carece de uma estatueta na estante…

  • American Society of Cinematographers

Anna Karenina | Seamus McGarvey

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Graças às sempre adoráveis distribuidoras nacionais, Anna Karenina só estreia por aqui em 15 de Março (e como não trocamos o valor insubstituível de uma confortável sala de cinema, não nos renderemos ao download ilegal, certo?), então não será possível fazer uma análise muito profunda sobre sua direção de fotografia. Já tendo sido indicado por sua colaboração anterior com Joe Wright (Desejo & Reparação, em 2008), Seamus McGarvey promove a essa nova visão do clássico de Leo Tolstói uma bela combinação de sombras e cores contrastantes, gerando uma textura muito elegante. Agora, não tendo visto o filme, não posso ir além de dizer que é um trabalho muito bonito.

As Aventuras de Pi | Claudio Miranda

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Assim como Mauro Fiore em Avatar, Claudio Miranda conseguiu estabelecer belíssimas imagens, mesmo que a maioria destas tenham sido criadas em um computador. É de se ficar besta com as paisagens que parecem terem saídos de uma pintura, especialmente nas cenas em que Pi está no bote em alto-mar e o céu e o oceano fundem-se em um só, graças ao reflexos das limpíssimas águas. Não só visualmente maravilhoso, também ilustra a dualidade que As Aventuras de Pi carrega na questão de realidade e ficção, a opção de se ter duas histórias. Outro destaque é o uso de 3D, que Miranda e Ang Lee usam bem e trazem um recurso até então inédito: a manipulação da proporção da tela, em função deste – reparem que a tela “transforma-se” em widescreen durante o ataque dos peixes voadores, como forma de salientar o movimento e quantidade. Lindo trabalho.

  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Django Livre | Robert Richardson

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A Academia adora Robert Richardson e também adora um bom faroeste. O cinematógrafo vencedor da categoria no ano passado (e indicado por sua colaboração anterior com Tarantino, em Bastardos Inglórios0 confere à Django Livre lindas tomadas externas que revelam os campos, lagos e montanhas do sul dos EUA; paisagens típicas de um faroeste, digamos. Já sua iluminação em interiores é dotada de um tom predominantemente quente e pasteurizado, especialmente na residência de Calvin Candie (cuja decoração à velas justifica a a escolha de tais cores). Também gosto do uso de luzes fortes jogadas nas costas dos personagens, característica que tem se mostrado muito presente em suas colaborações com Tarantino. Mais um excelente trabalho de Richardson.

Lincoln | Janusz Kaminski

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É impressionante se compararmos o trabalho de fotografia de Janusz Kaminski aqui em Lincoln como o de sua indicação anterior, Cavalo de Guerra. Mostra como o onipresente colaborador de Steven Spielberg sabe alternar as cores de acordo com a temática da narrativa: se o drama de Primeira Guerra trazia planos coloridos e vivos, ele garante um visual sombrio para a cinebiografia de Abraham Lincoln. Adotando uma lógica visual que consiste em interiores escuros com grandes feixes de luz entrando pelas janelas (algo que remete ligeiramente ao trabalho de Barry Lyndon), Kaminski utiliza desta durante toda a projeção, o que representa como o protagonista está sempre mergulhado nas trevas – e quando este alcança a vitória, o personagem enfim atravessa as cortinas e é engolido pela luminosidade externa, em um ato simbólico muito inteligente.

APOSTA: As Aventuras de Pi

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Skyfall

MEU VOTO: Skyfall

FICOU DE FORA: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Wally Pfister

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O fiel colaborador de Christopher Nolan já foi indicado ao Oscar por 4 de seus 7 trabalhos com o diretor. Na conclusão da trilogia do Homem-Morcego, ele mantém a eficaz manipulação das luzes e sombras, ajudando a criar uma aura dark e fria ao longo da projeção – ainda que este seja o filme de Batman com mais cenas diurnas da trilogia. Além do ótimo trabalho visual, Wally Pfister ainda trabalhou com as câmeras IMAX, que representam mais da metade das cenas do filme, alcançando um resultado grandioso.

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Para povoar a história de personagens e situações, cenários – sejam digitais ou construídos – são essenciais, assim como a equipe que os desenha/projeta antes de lhes dar vida. Os indicados são:

Anna Karenina | Sarah Greenwood & Katie Spencer

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Novamente, não assisti a Anna Karenina, mas sua ambientação de época já seria o suficiente para abocanhar uma indicação nesta categoria. Abraangendo o período do czarismo russo do século XIX, o desenho de produção é eficaz e faz jus à grandiosidade faraônica do período. No entanto, o que me chamou a atenção sobre esta nova versão é o fato desta ser executada de forma teatral; dessa forma, os cenários vão alternando como se fossem apenas um, localizado em um imenso palco com direito a cortinas. Muito interessante.

  • ADG – Filme de Época
  • Critics Choice Awards

As Aventuras de Pi | David Gropman & Anna Pinnock

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As lindas imagens que a fotografia de Claudio Miranda ilustra com magistral beleza começaram aqui, com os desenhos e planejamentos do departamento de arte. Não só é fiel às descrições do livro – que trazem a ideia de um oceano tão limpo e reluzente, que se crie a ilusão de que este “funde-se” ao céu, graças ao reflexo – mas também é competente ao criar belas imagens a partir de um cenário limitado. Claro que há diversas cenas com locação na Índia e cenários de interiores, mas nenhuma que se equipare ao “mar de nuvens”.

  • ADG – Filme de Fantasia

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | Dan Hennah, Ra VincentSimon Bright

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Mesmo quem não é fã da saga de Peter Jackson sobre a Terra Média (eu), deve admitir que o trabalho de direção de arte nos filmes é espetacular (sim, eu admito). Trazendo de volta ambientes já conhecidos da trilogia Senhor dos Anéis (como a compacta, porém aconchegante, toca de Bilbo Bolseiro e as fantásticas torres de Valterra) e também nos apresentando a algumas novidades – ainda que sejam familiares, como a origem dos trolls petrificados – o trabalho do desenho de produção é fabuloso. Acho particularmente fascinante a sombria caverna que serve de palco às “charadas no escuro”, que não só é eficiente visualmente, mas também contribui imensamente para o tom da cena.

Lincoln | Rick Carter & Jim Erickson

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Ao contrário de seu longa anterior, Steven Spielberg não se concentrou nos campos de batalha do período que resolveu abordar. Assim, os congressos e aposentos americanos de Lincoln se sobressaem às trincheiras e plantações rurais que Rick Carter havia criado para Cavalo de Guerra. Uma produção imensa e que recria  cuidadosamente ambientes históricos, em especial a Casa Branca que é sempre marcada pelas sombras e inúmeras pilhas de livros e documentos, salientando a “bagunça” daquele lugar. De forma similar, o Congresso nem se preocupa em separar oponentes, dando lugar à constantes intrigas por mantê-los tão próximos um do outro. E até onde percebi, a maioria dos cenários não é digital.

Os Miseráveis | Eve Stewart & Anna Lynch-Robinson

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Mesmo que utilize de greenscreens artificiais que comprometem o trabalho dos outros departamentos (o de atuação, principalmente) em alguns momentos, o design de produção de Os Miseráveis é competente ao recriar a Paris do período da Revolução Francesa , no século XVIII. E como o título já indica, o longa explora as classes mais baixas, desde os bares sujos e bagunçados (como a propriedade dos vigaristas Thénardier) até a passarela das prostitutas (cuja estrutura é de clara influência teatral). Os grandes parlamentos e igrejas também são bem utilizados e contrastam com os ambientes descritos anteriormente – e o fato de a maioria destes serem reais e de imensa escala é ainda melhor para a imersão na história.

  • BAFTA

APOSTA: Anna Karenina

QUEM PODE VIRAR O JOGO: As Aventuras de Pi

MEU VOTO: Os Miseráveis

FICOU DE FORA: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Nathan Crowley, Kevin Kavanaugh e Paki Smith

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A conclusão da trilogia do Batman de Christopher Nolan foi completamente esquecida pela Academia, que não lembrou do filme em nenhuma categoria. Uma ação injusta já que – mesmo não sendo um longa impecável como o antecessor – Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é impecável em sua área técnica, especialmente em seu grandioso design de produção. Eficiente ao retratar as ruas de Gotham devastadas e os esconderijos subterrâneos do herói e do antagonista Bane, ainda há a prisão localizada dentro de um poço enorme; não só uma construção (real) impressionante, mas também uma metáfora brilhante para a jornada de Bruce Wayne.

montagem

Se há um departamento que é essencial – e também um dos meus preferidos – é a montagem. É preciso habilidade para montar o filme, lhe fornecer o ritmo e tom apropriado e, claro, eliminar cenas desnecessárias. Os indicados são:

Argo | William Goldenberg

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Muitos críticos disseram que Argo parece dois filmes diferentes graças à sua mistura de tensão e humor. Tendo como dois focos narrativos principais um grupo de reféns escondidos no Irã e a equipe da CIA de Tony Mendez, a montagem de William Goldenberg é eficiente ao equilibrar em doses apropriadas esses dois “gêneros” distintos. Se em uma hora o espectador se diverte com o humor irreverente das cenas em Hollywood, Goldenberg logo nos lembra das vidas humanas que estão em risco do outro lado do mundo. Além dessa boa divisão, a montagem também merece créditos pela urgência na cena do aeroporto e pelo uso de imagens reais ao longo da narrativa.

  • ACE Eddie Awards
  • BAFTA

As Aventuras de Pi | Tim Squyres

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Centrado em um único personagem que encontra-se preso em um ambiente limitado durante quase toda a projeção, a montagem de Tim Sqyres para As Aventuras de Pi é eficiente ao acelerar a longa passagem dos dias em uma série de transições, optando por fades ou por um tipo mais dinâmico (como na imagem acima, em que amão de Pi fica em 1º plano ao passo em que as cenas vão passando). Tal recurso também é usado para marcar as passagens entre a história que é contada e aquele que a conta, no caso o envelhecido Pi. O equilíbrio entre essas narrativas contribue para que a experiência não torne-se cansativa.

A Hora Mais Escura | William Goldenberg & Dylan Tichenor

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Com uma dupla indicação na categoria deste ano, William Goldenberg se alia a Dylan Tichenor para colar e organizar todos os intrincados eventos que compõem a caçada por Osama Bin Laden em A Hora Mais Escura. Adotando uma estrutura composta por segmentos (recurso que me remeteu à divisão de Cães de Aluguel, entre outros), a dupla compressa acontecimentos que se passam em um intervalo de 8 anos em uma duração de quase 3 horas. E mesmo que o primeiro ato do filme seja cansativo em circunstância da absurda quantidade de nomes e datas, Goldenberg e Tichenor organizam bem as informações e provocam tensão nas horas certas graças a seus cortes rápidos – mas que nunca chegam ao ponto de tornar a ação incompreensível.

O Lado Bom da Vida | Jay Cassidy & Crispin Struthers

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Ao ver a lista dos indicados desta categoria, minha maior surpresa (seguida imediatamente de uma sensação de “WTF”) foi encontrar O Lado Bom da Vida. E só quando assisti ao filme percebi que o trabalho de Jay Cassidy e Crispin Struthers é realmente digno do prêmio, e também um dos principais motivos pelo longa de David O. Russell funcionar tão bem. Tendo que lidar com doses de comédia e drama (meio como faz Argo), a dupla oferece velocidade às cenas de passagem de tempo e ajuda a tornar as cenas de dança – principalmente a do clímax – mais empolgantes, isso sem exagerar no excesso de cortes de rápidos. Durante toda a projeção, o filme tem um ótimo ritmo e que se mantém eficiente até o segundo final.

  • ACE Eddie Awards – Musical/Comédia

Lincoln | Michael Kahn

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Mais um grande colaborador de Steven Spielberg, Michael Kahn é o responsável por juntar com competência todos os inúmeros diálogos e debates políticos em Lincoln. Com cortes “básicos” na maior parte do filme (sendo interessante como este utiliza pouquíssimos na introdução do protagonista, deixando a tomada progredir livremente), o trabalho de Khan se sobressai ao interligar eventos em diferentes tempos, como a sequência que traz as tentativas dos eleitores de conseguir – através de múltiplas fontes – votos para a 13ª Emenda. O demérito é quando Kahn aposta em algumas transições pavorosas (irônico, após ter garantido duas brilhantes em Cavalo de Guerra e As Aventuras de Tintim), especialmente aquela que traz a imagem de Lincoln aparecendo na chama de uma vela.

FICOU DE FORA: A Viagem | Alexander Berner

(as imagens abaixo não se referem a um momento específico do longa, apenas para ilustrar as 6 narrativas que este abraange)

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O que realmente me impressiona na montagem perfeita de A Viagem, não é apenas o fato de o longa manter-se eficaz em seu ritmo e equilibrar com eficiência suas 6 (isso mesmo, 6) narrativas que ocorrem em diferentes períodos da História. O que realmente impressiona é que Alexander Berner conseguiu sozinho administrá-las com perfeição, fazendo uso de transições espertas (especialmente aquelas que respeitam a lógica visual das diferentes ambientações) e cortes com intensidade apropriada ao momento específico. Como deixar um trabalho desses de fora?

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Hora Mais Escura

MEU VOTO: Argo

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A menos que seja um filme pornográfico, os atores precisam de roupas; que variam de época, tamanho e estilo, adequando-se à sua narrativa e ao personagem. Os indicados são:

Anna Karenina | Jacqueline Durran

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Disparado como favorito da categoria, Jacqueline Durran veste as personagens em mais uma versão da clássica obra russa. Ambientando-se no período czarista, o trabalho da figurinista segue os padrões daquela época, porém – considerando o apelo mais “moderno” do diretor Joe Wright -, notam-se características mais contemporâneas (Durran disse ter se inspirado em modelos dos anos 50, por exemplo). A vaidade da personagem-título é bem representada por seus apurados vestidos e jóias; a maioria destes adotando um padrão de cores frio e com acessórios que suportem as baixas temperaturas da Rússia. Novamente, não vi o filme mas parece digno da vitória.

  • Costume Designers Guild – Filme de Época
  • BAFTA

Branca de Neve e o Caçador | Colleen Atwood

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A releitura dark/gótica para as clássicas personagens do conto dos irmãos Grimm (ou da animação da Disney, como preferir) é certamente uma das poucas qualidades de Branca de Neve o Caçador. Trazendo grande influência de seu trabalho com os últimos filmes de Tim Burton, Colleen Atwood acerta ao adicionar novas características aos personagens (como o traje do Caçador, que traz inúmeras machadinhas) e pelos espetaculares vestidos da Rainha Rowena, especialmente aquele que é formado por diversos corvos. Meu preferido dentre os indicados.

Espelho, Espelho Meu | Eiko Ishioka

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E a Academia entrou na febre da Branca de Neve, mas se o longa de Rupert Sanders apostava num visual mais sujo e que remetesse mais à obra dos Grimm, Espelho, Espelho Meu abraçou desvergonhadamente as cores e elementos alegres da versão Disney. Não assisti ao filme (e não pretendo, sinceramente), mas pela pesquisa de imagens que fiz, o maior acerto fica novamente com a antagonista da história, sempre trajando vestidos repletos de detalhes.

Lincoln | Joanna Johnston

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Em um vasto trabalho de pesquisa a bibliotecas e arquivos históricos, Joanna Johnston recriou com fidelidade os ternos e vestidos trajados por todos os políticos e familiares no período de Lincoln. Ambientado no final dos anos 1800, a figurinista acerta ao trazer quase todas as vestimentas em tons escuros e discretos, ao passo em que a Mary Todd Lincoln sempre aparece com cores radiantes e vestidos chamativos (o que traduz visualmente alguns aspectos de sua personalidade explosiva). Fora dos tribunais, Johnston também borda alguns dos uniformes utilizados em combate na Guerra Civil, separando os lados inimigos ao simplesmente trajá-los com cores diferentes.

Os Miseráveis | Paco Delgado

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Mais uma produção de época (compreendam, a Academia adora lembrar longas do tipo nessa categoria), Paco Delgado dá sua versão para as vestimentas do período da Revolução Francesa. Na saga musical de Victor Hugo, é importante notar como o figurino é essencial na representação da classe social das personagens, e como este vai se transformando à medida em que alguns ascendem (como Jean Valjean, que de condenado miserável sobe para nobre rico e elegante) e outros decaem (como a delicada Fantine, cujo rosa sensível é logo substituído por um vermelho berrante quando esta volta-se à prostituição). É de se admirar também o trabalho com as centenas de figurantes, a maioria deles trajando peças da baixa classe da sociedade.

FICOU DE FORA: Django Livre

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Da mesma forma que teve seu trabalho inexplicavelmente esnobado em Bastardos Inglórios, a segunda investida histórica de Quentin Tarantino foi esquecida. Acertando ao retratar a superioridade financeira de personagens como King Schultz e Calvin Candie (que trajam elegantes ternos e casacos), a figurinista xx ainda traz vestimentas típicas de faroeste (como a usada por Django na imagem acima) e também pelas “brincadeiras”, como a roupa inspirada na pintura The Blue Boy que o protagonista escolhe usar no início do filme.

APOSTA: Anna Karenina

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Branca de Neve e o Caçador

maquiagem

A arte de enfeitar e disfarçar um artista, resultando em uma transformação do personagem, seja para envelhece-lo ou transformá-lo em um monstro. Os indicados são:

Hitchcock | Howard Berger, Peter Montagna & Martin Samuel

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Anthony Hopkins está muito parecido com Alfred Hitchcock (até as mesmas iniciais eles compartilham!). É realmente incrível o trabalho da equipe em transformar o ator no Mestre do Suspense (um muito superior a aquele do telefilme A Garota, com Toby Jones), especialmente se o olharmos de perfil. Como Hitchcock ainda não estreiou no Brasil, fica difícil saber como as próteses faciais são utilizadas e se elas favorecem o trabalho de Hopkins. Mas visualmente falando, está impecável.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | Peter King, Rick Findlater & Tami Lane

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Assim como o design de produção e os efeitos visuais (que veremos logo a seguir) de O Hobbit ajudam a criar a monstros fantásticos, a maquiagem desempenha um papel tão importante quanto para alcançar esse feito. Isso porque o trabalho na composição visual de hobbits, anões e outras criaturas cujo nome me escapam à memória é quase todo real, sem computação gráfica. O destaque de Uma Jornada Inesperada fica mesmo com os 13 anões do filme, figuras que – mesmo aparentemente idênticas à distância – trazem diferentes detalhes em seus acessórios, barbas e penteados.

Os Miseráveis | Lisa Westcott & Julie Dartnell

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No trabalho de maquiagem de Os Miseráveis, o truque não foi criar monstros ou recriar diretores famosos, mas sim deixar pessoas elegantes como Hugh Jackman e Anne Hathaway em um estado decadente. A começar pelo ator, que já surge em cena com os cabelos raspados de forma brusca, com uma longa barba e até dentes podres (imagem acima). E enquanto seu Jean Valjean cresce socialmente, a Fantine de Hathaway vai pelo caminho oposto e acaba com os cabelos arrancados e com os dentes quebrados, destruindo a beleza da atriz. São boas transformações, mas é o longa menos impressionante entre os indicados.

  • BAFTA

FICOU DE FORA: A Viagem

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Quando vi pela primeira vez o elenco de A Viagem disfarçado para encarnar diversos personagens no grandioso projeto dos irmãos Wachowksi e Tom Tykwer, já apostei em sua vitória no Oscar. Imaginem minha decepção (e a de muitos outros, certamente) ao não encontrar o trabalho de maquiagem do filme entre os indicados deste ano… Homens viram mulheres, negros viram caucasianos, ocidentais viram orientais e todo o resultado é impressionante, servindo com impecável propósito à narrativa. Vai entender a ausência…

APOSTA: O Hobbit

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Os Miseráveis

MEU VOTO: Hitchcock

efeitosvisuais

Dando vida ao que não existe, a equipe de efeitos visuais trabalha para criar personagens e ambientes digitais, buscando o realismo perfeito. Os indicados são:

As Aventuras de Pi

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Muito bem, vou ser honesto: não acho os efeitos visuais de As Aventuras de Pi perfeitos. As cenas em que a água do mar apresenta uma fosforescência durante a noite (especialmente no salto da baleia) soaram berrantemente artificiais para mim. Mas dane-se. O filme merece o prêmio aqui pelo trabalho espetacular na criação do tigre Richard Parker, uma das criaturas digitais mais realistas e expressivas que já vi na vida. Os movimentos, transformações físicas (o animal emagrece ao longo da trama) e interação com o ator Suraj Sharma são perfeitas, e seria muito fácil confundir o trabalho da Rhythm & Hues (empresa que faliu recentemente) com um tigre real, já que este é absolutamente foto-realista. O greenscreen também é muito eficiente e jamais soa falso.

  • 3 Vitórias no Visual Effects Society
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Branca de Neve e o Caçador

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Assim como a direção de arte e o figurino têm forte influência de Alice no País das Maravilhas de Tim Burton, o trabalho de efeitos visuais de Branca de Neve o Caçador também bebe da mesma fonte. Grande parte do trabalho digital aqui visa preencher o vazio do greenscreen e transformá-lo em cenários fantásticos que ainda trazem diversas criaturas igualmente computadorizadas. Ao passo que o filme de Burton aumentava a cabeça de Helena Bonham Carter, a equipe dese novo filme faz um eficiente trabalho de substituição de cabeças para a criação dos anões, e “diminui” atores  como Ian McShane e Nick Frost.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

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Em todas as suas viagens à Terra Média, Peter Jackson levou de brinde um Oscar nesta categoria para sua equipe da Weta. 10 anos após o fim da trilogia Senhor dos Anéis, O Hobbit traz novas tecnologias de efeitos especiais (como a câmera que diminui o tamanho dos atores a fim e transformá-los em anões, permitindo também que interagissem com outros em tamanho normal, separadamente ou não) e aprimorou diversas, como a captura de performance que o sempre talentoso Andy Serkis sempre faz bom uso; retornando aqui com o icônico Gollum. Os efeitos da Weta acertam na criação de criaturas e cenários digitais e não fosse a vitória quase certa de As Aventuras de Pi aqui, garantiria mais um trófeu para a saga de J.R.R. Tolkien.

  • Visual Effects Society – Fotografia Virtual

Prometheus

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33 anos após seu Alien – O Oitavo Passageiro vencer nesta categoria, Ridley Scott retorna à cerimônia com O “meio-que-prelúdio” do filme que o catapultou à fama, trazendo mais um elegante trabalho com efeitos visuais. A maior parte dos efeitos de Prometheus surgem aqui como o tipo que não se manifesta de forma primária, surgindo mais como greenscreen (que serve de criação para todo o planeta LV-223 e os hologramas das diferentes espaçonaves do longa) e também para realçar objetos reais. Exemplo, a desintegração do Engenheiro na cena inicial, onde a equipe recriou o ator digitalmente apenas para acertar a trajetória do líquido preto que corrói seu corpo. Os efeitos do filme são, realmente, muito eficazes.

Os Vingadores – The Avengers

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Finalmente acertaram no visual do Hulk no cinema. Após dois trabalhos que traziam efeitos visuais medíocres, enfim o Gigante Esmeralda ganha um trabalho digital decente (e que preserva com eficiência as feições de seu intérprete) em Os Vingadores. Só esse feito já seria o suficiente para indicar o longa, mas a Industrial Light & Magic também capricha com a grandiosidade de suas batalhas (que trazem diversos ambientes e personagens digitais) e na manifestação dos poderes dos heróis.

  • Visual Effects Society – Miniatura

APOSTA: As Aventuras de Pi

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Hobbit

MEU VOTO: As Aventuras de Pi

FICOU DE FORA: Ted

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Criado a partir de captura de performance (cujo dublê foi o próprio Seth McFarlane, diretor, roteirista e dublador do filme), o ursinho boca-suja de Ted traz um eficiente trabalho com efeitos visuais, e se estes não fossem perfeitos, o longa não funcionaria. E, de fato, a criatura surje bem carismática e realista, tendo ótima interação com o ambiente e elenco.

Fizeram as apostas? Gostaram? Comentem! Amanhã tem mais análise dos indicados com o volume dedicado às categorias de Sons e Músicas. Até lá!

Especial Oscar 2013 Completo

O Incógnito Oscar 2013 | Volume I: Atuações

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 18 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

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E chegou a hora da 85º cerimônia dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Ao contrário de algumas edições passadas, o Oscar deste ano promete trazer surpresas entre seus indicados principais (principalmente pela ausência de figuras importantes que vêm se destacando em prêmios de sindicatos), por isso é certo dizer que o Oscar 2013 é uma incógnita em algumas áreas. Começaremos, como sempre, pelas categorias de atuação:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada ator/atriz para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada ator/atriz já garantiu esse ano

ator

Bradley Cooper | O Lado Bom da Vida

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Personagem: Pat Solitano Jr.

Quem diria que de coadjuvante antagonista em Penetras Bons de Bico até protagonista de um dos filmes de comédia mais lucrativos da atualidade, Bradley Cooper se transformaria em indicado ao Oscar? Na pele de um sujeito diagnosticado com transtornos de personalidade, o ator impressiona por sua eficiente capacidade de alternar de humor naturalmente; hora furioso, resta um elogio sobre sua forma física para fazê-lo sorrir e esquecer seu problema. Mesmo que mantenha certo carisma cômico (característica que se encaixa aqui), é sua dramaticidade que realmente surpreende, assim como sua bela química com Jennifer Lawrence.

Daniel Day-Lewis | Lincoln

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Personagem: Abraham Lincoln

Um dos melhores atores em atividade, Daniel Day-Lewis é um monstro de atuação e caracterização. Entrando na pele do 16º presidente dos EUA, Lewis cria diversos elementos para sua composição; desde o andar meio manco até a suave voz (o ator teve que elaborar uma, já que não existem gravações sonoras de Abraham Lincoln), sendo responsável por todo o mérito de Lincoln. Não é uma performance que domina a tela o tempo todo (afinal, o longa aborda diversas personagens), mas que suga toda a atenção quando aparece. É uma vitória certa e, mesmo não sendo meu preferido entre os indicados, merecida.

  • SAG
  • Globo de Ouro – Drama
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Hugh Jackman | Os Miseráveis

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Personagem: Jean Valjean

Libertando-se das garras de Wolverine por alguns instantes (afinal, este ano o ator reprisa o papel do mutante imortal), Hugh Jackman solta a voz como protagonista da versão de Tom Hooper de Os Miseráveis. Honrando o título do longa ao surgir de aparência decadente nos minutos iniciais, o ator também soltou a voz e cantou ao vivo durante as gravações do filme; e seu trabalho talvez seja o mais evidente, já que este tem diversas canções em que aparece sozinho e com a câmera o acompanhando sem cortes.

  • Globo de Ouro – Musical/Comédia

Joaquin Phoenix | O Mestre

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Personagem: Freddie Quell

Após sua brincadeira sem graça como rapper barbudo, Joaquin Phoenix retornou àquilo que faz muitíssimo bem. Na pele de um desequilibrado ex-fuzileiro naval, Phoenix se entrega de corpo e alma e garante uma performance tanto física quanto psicológica, especialmente por manter o mesmo tom de voz, os acessos descontrolados de risadas e por manter um lado de seu rosto torto, quase deformado. É realmente impressionante a dedicação de Phoenix ao personagem, e também como oferece indícios de um possível distúrbio mental de Quell.

Denzel Washington | O Voo

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Personagem: William “Whip” Whitaker

Ainda bem que Denzel Washington é o protagonista de O Voo. O filme de Robert Zemeckis não é ruim, mas o que o torna cativante até o final da projeção é a performance do excelente ator, que encarna um piloto de avião com problemas de alcoolismo – tornando-se uma figura heróica após aterrissar uma aeronave que se despedaçava nos céus. O carisma e ar simpático de Washington nos fazem identificar com Whip e também com sua difícil luta contra o vício – tratado com elementos clichês que o roteiro de John Gatins apresenta, e que só funcionam graças ao ator.

FICOU DE FORA: Jean-Louis Trintignant | Amor

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Personagem: Georges

A Anne de Emmanuelle Riva é o centro de Amor, mas quem realmente acompanha o espectador durante a projeção, é seu marido vivido por Jean-Louis Trintignant. O veterano ator francês acerta ao conseguir transpor todo a sua dedicação à Anne em uma série de ações e também pela paciência que demonstra. Quando este perde a paciência em certo momento (e também em sua decisão inesperada ao fim da projeção), vemos a versatilidade do ator, que imediatamente choca-se com seu feito e pede desculpas. Amor é bem sucedido graças a junção de Trintignant e Riva.

APOSTA: Daniel Day Lewis

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Quando Daniel Day-Lewis quer um Oscar, quem vai ficar em seu caminho?

MEU VOTO: Joaquin Phoenix

atriz

Jessica Chastain | A Hora Mais Escura

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Personagem: Maya

A Maya de Jessica Chastain talvez seja uma das figuras femininas mais badass dos últimos anos. Inspirada em uma agente real da CIA, a responsável por organizar e liderar a caçada pelo terrorista Osama Bin Laden é incrivelmente determinada e jamais perde seu foco, características que a atriz transpõem bem ao exibir o cansaço da personagem através do olhar e a ausência de glamour em sua caracterização. É de se admirar quando Chastain tira o problema de sua inquestionável beleza ficar à frente de sua integridade, adotando uma aura forte e persistência, não hesitando em levantar a voz ou usar palavrões à frente de seus superiores. Não vai ser dessa vez que a atriz levará o ouro, mas só comprova que ela veio pra ficar.

  • Globo de Ouro – Drama

Jennifer Lawrence | O Lado Bom da Vida

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Personagem: Tiffany Maxwell

Eu me apaixonei por Jennifer Lawrence após vê-la nesta divertida e irresistível performance. Adotando as características excêntricas de Tiffany, Lawrence acerta ao compor sua performance com uma série de nuances faciais (os dentes cerrados quando está nervosa, e  sua risada irônica são arrebatadores) e por atribuir à personagem muita força e uma aura durona – características que a tornam quase que invulnerável emocionalmente. Mas a atriz também acerta quando encontramos os sentimentos que jaziam ocultos dentro de Tiffany, o que revelam as facetas mais complexas desta. Também é um colírio para os olhos vê-la dançando de forma sensual ao som de Stevie Wonder.

  • SAG
  • Globo de Ouro – Musical/Comédia

Emmanuelle Riva | Amor

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Personagem: Anne

Atriz mais velha a ser indicada ao Oscar nesta categoria, a francesa Emmanuelle Riva talvez converta-se também na mais velha vencedora. No papel de uma idosa que é repentinamente atacada por um derrame, a atriz merece créditos por retratar a doença de forma real – sem cair à caricaturas ou clichês – e o resultado é incomodante, de tão verossímil que é seu trabalho. Simpática e adorável quando saudável, a performance da atriz vai melhorando ao passo em que a doença de Anne piora (como quando ela luta para formular algumas palavras).

  • BAFTA

Quvenzhané Wallis | Indomável Sonhadora

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Personagem: Hushpuppy

E Quvenzhané Wallis (desafio vocês a soletrarem o primeiro nome sem trapaça) torna-se a mais jovem atriz a ser indicada na categoria, com apenas 9 anos de idade. Como Indomável Sonhadora só estreia no Brasil na próxima sexta (22), ainda não posso comentar o desempenho da atriz, mas atualizarei assim que assistir ao filme.

  • Critics Choice Awards – Atriz Estreante

Naomi Watts | O Impossível

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Personagem: Maria

Quando O Impossível estreiou, me passou despercebido como um candidato ao Oscar. Dessa forma, não consegui ver o desempenho de Naomi Watts, que interpreta uma mãe que ajuda pessoas desoladas quando um tsunami ataca seu resort na Tailândia. Parece o tipo de papel que requer uma interpretação intensa e desesperadora de sua atriz, mas não posso avaliar o desempenho desta sem ter visto o filme, então…

FICOU DE FORA: Helen Mirren | Hitchcock

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Personagem: Alma Reville

Eu ainda não assisti a Hitchcock, mas a ausência de Helen Mirren foi uma surpresa – já que a veterana esteve presente em quase todas as outras premiações. Dando sua interpretação da esposa de Alfred Hitchcock, Alma Reville, dizem que Mirren conseguiu tomar o filme todo para ela, conseguindo até deixar a elogiada performance de Anthony Hopkins em segundo plano. E pelos trailers (mas não se deve tomá-los como única referência, claro), a atriz parece estar ótima. Anseio pelo dia 1º de Março para ver se a Academia fez um erro, ou não, ao deixá-la de fora.

APOSTA: Emmanuelle Riva (além de se converter em ganhadora mais velha, faz aniversário no dia premiação. Como resistir?)

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Jennifer Lawrence

MEU VOTO: Jennifer Lawrence

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Alan Arkin | Argo

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Personagem: Lester Siegel

Ao lado de John Goodman, Alan Arkin é o alívio cômico perfeito do thriller de Ben Affleck. Assumindo o jeito e os óculos escuros do fictício Lester Siegel, o ator trava os diálogos mais divertidos do filme e assume uma irreverência sem precedentes, mostrando-se como grande entendedor dos negócios em Hollywood (seu confronto verbal com um produtor é seu ponto alto) e uma sátira a esse tipo de figura tão popular nos anos 70, e o ator afirmou que sua principal inspiração foi o produtor Jack Warner. Arkin está ótimo no papel, e nos relembra como funciona bem como um coadjuvante cômico.

Robert De Niro | O Lado Bom da Vida

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Personagem: Pat, Sr.

Depois de 21 anos sem uma indicação Oscar (e muitos papéis estereótipos em comédias fracas), eis Robert DeNiro é lembrado por seu personagem supersticioso e viciado em futebol americano. E é uma indicação justa, já que o ator enfim sai do piloto-automático e consegue divertir com essa figura honesta e surpreende em uma cena específica em que este finalmente se abre com o filho; revelando que muitas de suas ações eram um mero pretexto para que os dois se reaproximem. DeNiro surge aqui com muita paixão e carisma, e nos lembra daquele ator fantástico que foi no passado. Bom saber que ele ainda existe.

Phillip Seymour Hoffman | O Mestre

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Personagem: Lancaster Dodd

Dando vida ao “mestre” do título, Phillip Seymour Hoffman entrega mais uma performance muito competente. Tendo seu personagem inspirado no escritor de ficção científica L. Ron Hubbard (o fundador da Cientologia na década de 50), o ator inicialmente o preenche com um ar simpático e acolhedor e ao passo que o roteiro de Paul Thomas Anderson vai dando indícios de que  Dodd é um charlatão, Hoffman vai fazendo as mudanças necessárias. Reparem em sua explosiva ira e apelo a agressões verbais quando tem suas ideias contestadas por terceiros. Hoffman faz de Dodd um sujeito ambíguo, uma decisão acertadíssima que é essencial para o sucesso do longa.

  • Critics Choice Awards

Tommy Lee Jones | Lincoln

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Personagem: Thaddeus Stevens

É difícil acompanhar uma presença monstruosa como a de Daniel Day-Lewis, mas Tommy Lee Jones talvez seja o que mais conseguiu se sustentar. Roubando a cena quando não acompanhamos Abraham Lincoln, seu Thaddeus Stevens é uma figura forte e que exala sarcasmo em seus ótimos discursos (e é também o responsável por não torná-los uma chatice total). Jones mantém sua persona rabungenta, mas é na última cena de seu personagem que enfim entendemos suas motivações; e é impossível não seguí-lo quando abre um sorriso muito satisfeito.

  • SAG

Christoph Waltz | Django Livre

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Personagem: Dr. King Schultz

Repetindo a parceria com Quentin Tarantino, o austríaco Christoph Waltz oferece mais um personagem memorável. Na pele do caçador de recompensas alemão King Schultz, o ator traz de volta diversos traços de sua performance em Bastardos Inglórios, como a elegante dicção de um vocabulário elegante, sua educação cortês e sua invejável capacidade de falar múltiplos idiomas com facilidade. E como o único personagem branco que despreza a escravidão no faroeste Django Livre, Schultz ora utiliza de métodos ortodoxos para a resolução de problemas, mas também utiliza a violência quando estes falham. Waltz é um monstro de ator, e Tarantino parece ser o único que aproveita o máximo de seu potencial.

  • Globo de Ouro
  • BAFTA

APOSTA: Christoph Waltz

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Tommy Lee Jones

MEU VOTO: Christoph Waltz

FICOU DE FORA: Leonardo DiCaprio | Django Livre

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Personagem: Calvin J. Candie

Sempre injustiçado pela Academia, Leonardo DiCaprio vem experimentando um papel melhor atrás do outro nos últimos anos. No faroeste de Quentin Tarantino, ele assume o primeiro vilão de sua carreira ao interpretar o cruel fazendeiro Calvin Candie e se sai incrivelmente bem. Livrando-se de qualquer trajeto típico de trabalhos anteriores, DiCaprio transforma-se num sujeito narcisista e malévolo, chocando com suas explosões de violência.

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Amy Adams | O Mestre

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Personagem: Peggy Dodd

Com as poderosas atuações de seus colegas Joaquin Phoenix e Phillip Seymour Hoffman (e também pelo maior tempo que o roteiro dedica a estes personagens), não há muito destaque para Amy Adams em O Mestre. A talentosa atriz interpreta a esposa do “mestre” Lancaster Dodd e o que chama a atenção em sua performance é sua mudança de atitude: simpática e acolhedora como o marido em suas primeiras cenas, Peggy logo repudia as ações de Dodd e é aversisva a crescente relação deste com Freddie Quell. A atriz trata bem essas características, mas sua melhor cena é quando fornece prazer a Dodd no banheiro; sua impassibilidade diante da situação (e a dominância sobre o sujeito) é espantosa.

Sally Field | Lincoln

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Personagem: Mary Todd Lincoln

Depois de passar um bom tempo dedicando-se a trabalhos na televisão, a carismática Sally Field retorna ao cinema em 2012 com dois papéis maternos e é lembrado nas premiações por um deles. Claro que não me refiro a sua Tia May de O Espetacular Homem-Aranha mas sim à Mary Todd Lincoln, esposa radical do personagem-título. E assim como Tommy Lee Jones, a atriz consegue seguir a linha de Daniel Day-Lewis com sua adorável preocupação com os filhos e engaja poderosas discussões com Lincoln pela segurança destes. Adoro o momento em que Field vai lentamente destruindo Thaddeus Stevens em uma festa, onde ela o faz com uma dicção dócil e um sorriso imutável.

Anne Hathaway | Os Miseráveis

hathaway

Personagem: Fantine

Não querendo menosprezar o filme, mas eu não daria tanta atenção a ele sem a presença poderosa de Anne Hathaway. Mesmo aparecendo em cena por pouco mais de 20 minutos, sua performance é a melhor coisa de Os Miseráveis e, assim como todo o restante do elenco, a atriz protagonizou as cenas de canto ao vivo e seu desempenho nestas é dos mais intensos. Seu tour de fource é definitivamente a canção “I Dreamed a Dream”, onde Hathaway surge completamente vulnerável fisicamente e entrega uma melodia triste e de partir o coração com sua voz fragilizada. Uma performance espetacular.

  • Globo de Ouro
  • SAG
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Helen Hunt | As Sessões

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Personagem: Sheryl

E quase consigo completar o especial, só me falta assistir As Sessões. Sobre a indicação de Helen Hunt, posso afirmar que é corajoso que a atriz participe de diversas cenas de nudez frontal e desempenhe um papel delicado como “terapeuta sexual” de um sujeito paralítico.

Jacki Weaver | O Lado Bom da Vida

weaver

Personagem: Dolores Solitano

Jacki Weaver certamente foi indicada apenas para que O Lado Bom da Vida garantisse indicações nas 4 categorias de atuação (algo que não acontecia a 31 anos, com ), já que sua personagem se destaca pouco no filme. A atriz faz um bom trabalho como a mãe carinhosa que está sempre lá para apoiar o filho (e até retirá-lo da instituição mental antes do planejado) e também a controlar as ações de seu marido. Weaver está eficiente, mas as ações da personagem falam mais alto do que a performance em si.

FICOU DE FORA: Judi Dench | 007 – Operação Skyfall

dench

Personagem: M

É certo que em 007 – Operação Skyfall quem rouba a cena entre os coadjuvantes é o vilão Silva de Javier Bardem. No entanto, é a primeira vez em que a personagem de Judi Dench tem mais a fazer do que simplesmente dar ordens, e sua relação com James Bond é muito mais explorada aqui. É o que torna a M de Skyfall uma curiosa figura materna, e Dench faz um ótimo trabalho. Sendo sua última participação na franquia, a veterana merecia ser lembrada.

APOSTA: Anne Hathaway

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Se há uma certeza sobre este ano é a de que ninguém tirará o prêmio de Hathaway.

MEU VOTO: Anne Hathaway

Por hoje é só, mas amanhã sai o volume 2 (meu preferido, devo acrescentar) com as categorias técnicas. Até lá!

Atualização:

Volume II: Categorias Técnicas

Volume III: Sons & Músicas

Volume IV: Categorias Principais