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| Demônio | Muito clichê, pouco claustrofobófico

Posted in Cinema, Críticas de 2010, Suspense, Terror with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 27 de novembro de 2010 by Lucas Nascimento


Unbreakable: Elemento visual interessante, mas não presente no filme

Antes de tudo, vale ressaltar que Demônio não é um filme de M. Night Shyamalan como os publicitários da Paramount anunciam com tanta convicção. O filme é o primeiro da produtora criada pelo cineasta indiano, a The Night Chronicles, que será composta de algumas ideias nunca realizadas do diretor. A primeira, sobre indivíduos presos em um elevador com o diabo, é um começo mediano.

Partindo de seu chamativo e interessante argumento, o longa é bem sucedido no que a maioria deve esperar: sustos. Há alguns jump-scares memoráveis, principalmente na falta de luz no elevador, mas o filme poderia ir bem mais além; considerando o espaço fechado onde se encontram os personagens, o diretor novato John Erick Dowdle deveria ousar mais nos enquadramentos, criar uma sensação de claustrofobia que seria tão perturbadora quanto efeitos de maquiagem ou truques de edição sonora.

Não que seja um desastre total; Dowdle sabe criar um ou dois momentos de tensão extrema e explorar de maneira onírica sensações de vertigem, especialmente na sequência de abertura, que mostra uma vista da cidade do lado invertido. Infelizmente, ele muitas vezes se entrega a ao já conhecido, ao clichê, perdendo grande oportunidade de ser mais ousado. A parte técnica é eficiente; a fotografia fria e obscura acerta no tom da trama, assim como a trilha sonora (que aliás, toma Hans Zimmer como referência quase o tempo todo).

E por falar em ousadia, é algo que nenhum membro do elenco consegue realizar ou expressar. O personagem do detetive Bowden é, de longe, o que mais consegue ganhar a admiração do espectador – mesmo possuindo diversas características arquétipas – e seu intérprete, Chris Messina, faz um trabalho razoável. As indefesas vítimas presas no elevador são todas detestáveis, esquecíveis e mal interpretadas; apesar de Logan Marshall-Green traçar uma personalidade interessante ao seu personagem.

Assim como Predadores, Demônio tinha uma das melhores premissas do ano, mas foi desperdiçada em decorrência de um roteiro fraquíssimo que não explora seus personagens ou a situação principal de maneira satisfatória e exagera nas coincidências, resultando em um longa mediano e esquecível.

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