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| Tubarão | Um ápice na elaboração do suspense cinematográfico

Posted in Clássicos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 22 de abril de 2011 by Lucas Nascimento


Steven Spielberg e seu monstro nos bastidores de Tubarão

O oceano é de fato um ambiente misterioso, que já foi palco de diversas obras cinematográficas – a maioria delas, homem vs. natureza – e documentários sobre a biologia marinha. Mas poucos conseguiram alcançar o feito de Tubarão, dirigido por Steven Spielberg em 1975, que inova a escola de suspense de Hithcock e inaugura o cinema-pipoca.

Baseado no livro de Peter Benchley, o filme engloba os ataques de tubarão em uma cidade litorânea na Nova Inglaterra (Massachussetts), em pleno verão onde as praias estão lotadas de turistas. Nesse cenário, um grupo formado por um xerife, um oceanógrafo e um pescador partem atrás do monstro.

Partindo dessa premissa sedutora, Spielberg percorre e circula e história como o predador que entitula o filme, apresentando suas locações com atenção e detalhismo, criando o apego a seus personagens, em especial o xerife Martin Brody (Roy Scheider), que logo em sua cena inicial já surge como um pai de família dedicado e simpático, traços que Scheider expressa com talento e carisma; enquanto o divertido antagonismo entre o pescador Quint (Robert Shaw) e o oceanógrafo Hooper (Richard Dreyfuss) oferece um equilibrado alívio cômico.

Com cenários e locações prontos, a trama começa a circular. Logo na famosa cena que abre o longa, vemos uma banhista nua sendo atacada pelo tubarão, mas em nenhum momento 0 predador mostra sua barbatana ou dentes, tornando a cena assustadora pelo fato de não sabermos sua aparência e tamanho e, claro, pela icônica e amendrontadora trilha sonora de John Williams (premiada com o Oscar) que ecoa adequadamente nas cenas com o peixe assassino.

E Spielberg opta por esse recurso de suspense por quase o filme inteiro; o que ansia a vontade do espectador de ver o tubarão e desperta sua imaginação para as possibilidades de sua aparência. E quando o monstro de fato aparece, é uma imagem assustadora, por ser diferente (e maior, diga-se de passagem) do que o esperado. A fórmula perfeita para o thriller, que vai transformando-se em uma empolgante aventura em seu terceiro ato.

O suspense de Tubarão inspirou Hollywood e continua a fazê-lo até hoje (Cloverfield e Atividade Paranormal claramente seguem a fórmula), provocando um enorme sucesso e uma diminuição notável de turistas em praias em sua época de lançamento.

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