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| No Coração do Mar | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 2 de dezembro de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

IntheHeartoftheSea
Chris Hemsworth é Owen Chase

É fascinante, e até um pouco assustador, quando paramos para pensar que o oceano é menos mapeado do que Marte. Sabemos que o planeta vermelho pode não ter nada de muito chamativo em sua superfície deserta, mas alguns biólogos não fazem ideia do tipo de biosfera que podemos encontrar nas profundezas marítimas, e isso é empolgante. Quando No Coração do Mar tem início, com uma narração tematicamente similar, fica a promessa de algo que explorará o místico com um delicioso senso de mistério. Só que não.

A trama é adaptada do livro “In the Heart of the Sea: The Tragedy of the Whaleship Essex”, de Nathaniel Philbrick, que, por sua vez, é a fonte de inspiração de Herman Melville para o clássico Moby Dick. Aqui, acompanhamos a tripulação do navio baleeiro Essex, liderado pelo capitão George Pillard (Benjamin Walker) e seu primeiro imediato, Owen Chase (Chris Hemsworth). Ao descobrirem uma região distante que pode revelar-se absurdamente lucrativa, são atacados por uma gigantesca baleia branca que os coloca em perigo.

De cara, já é admirável notar a versatilidade de Ron Howard: saído das pistas de fórmula 1 com o excelente Rush: No Limite da Emoção, o diretor já traz Chris Hemsworth e seu diretor de fotografia Anthony Dod Mantle para uma aventura em alto mar sobre pesca de baleias. Infelizmente esse novo filme não alcança o mesmo nível de qualidade do anterior, principalmente não saber exatamente o que quer ser. O marketing nos prometia uma história de homem vs natureza no espírito de Moby Dick, mas a gigantesca baleia antagonista não aparece tanto aqui, e Howard falha ao não apostar em um suspense a lá Tubarão para revelar o grande mamífero; ainda que seja realmente belíssimo quando vemos sua colossal calda emergindo do oceano.

Após um ataque que destroi o navio por completo, o longa entra em um ritmo monótono para acompanhar os sobreviventes lutando para permanecerem vivos em alto mar, remetendo à As Aventuras de Pi e até Náufrago quando os personagens encontram uma ilha remota. Tudo isso é retratado com um certo tom de punição, já que a primeira cena de pesca às baleias é dirigida com tristeza, acompanhada por uma trágica trilha sonora de Roque Baños, como se fosse uma coisa terrível que esses homens fazem, e que sua subsequente perdição no mar é um castigo.

O elenco também mostra-se favorável a esse retrato. Hemsworth é carismático o bastante para segurar o papel de protagonista, criando uma figura esperta e moralmente correta com seu Owen Chase; ainda que sua tão divulgada perda de peso no filme não seja tão bem explorada ou aproveitada pela equipe. Tom Holland, prestes a ganhar as telas como o novo Homem-Aranha, também se sai bem ao lado de Hemsworth, mas é mesmo Brendan Gleeson (que interpreta o mesmo personagem envelhecido) quem tem a oportunidade de compor um trabalho mais complexo, já que recusa-se a contar a história de início, apenas para uma revelação chocante e que rende uma reação emocionante do ator.

Visualmente, também é um resultado agridoce. O trabalho mediano de efeitos visuais para criação das baleias e ambientes realmente não casou com o estilo de Anthony Dod Mantle, particularmente no uso de seus filtos e o trabalho de correção de cor na pós-produção; dando a estranha impressão de o elenco estar “descolado” do ambiente, e um brilho atípico para as ondas. O uso constante de Howard das go pros também incomoda, a não ser por momentos mais sutis; como a reação de Chase ao se dar conta de que perdeu o colar dado por sua esposa.

No Coração do Mar é um longa eficiente, mas que encontra problemas quanto ao tipo de história que quer contar, e onde realmente quer estabelecer seu foco: um filme sobre homem vs animal? A vingança da natureza? A ambição do homem? A criação de uma obra-prima? São muitos filmes presos em um fiapo que ocasionalmente revela-se frágil.

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| 007 Contra Spectre | Crítica

Posted in Ação, Aventura, Cinema, Críticas de 2015 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 4 de novembro de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

SPECTRE
Antes tarde do que nunca: a primeira neve do 007 de Daniel Craig

Não é pra qualquer franquia a habilidade de se manter por 53 anos, 24 filmes e 6 atores. É surpreendente como um personagem tão explorado quanto 007 conseguiu ganhar diversas reinvenções ao logo desse tempo, em especial aquelas vistas com Daniel Craig em Cassino Royale e Operação Skyfall, que atualizaram o estilo de personagem para o século XXI ao mesmo tempo em que preservaram suas raízes. Marcando a quarta aparição de Craig como Bond, 007 Contra Spectre reúne – quese – toda a equipe de volta para tentar superar o sucesso do antecessor, e não é surpresa que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

Na trama, James Bond procura mais pistas sobre seu passado após uma missão explosiva na cidade do México. A investigação acaba levando-o até Roma, onde descobre a existência de uma nebulosa organização criminosa conhecida como Spectre, chefiada pelo misterioso Franz Oberhauser (Christoph Waltz) e que parece estar por trás de diversas fatalidades na vida do espião.

Tudo bem, não é tarefa fácil superar Skyfall. Foi um dos filmes mais bem avaliados da série, o mais rentável da história do Reino Unido, vencedor BAFTA e dois Oscars e também um longa certeiro e nostálgico para os 50 anos do personagem. Sam Mendes retorna à cadeira de diretor, assim como os roteiristas John Logan, Robert Wade e Neil Purvis, que – não surpreendentemente – acabam caindo na armadilha de tornar Spectre parecido demais com Skyfall. Novamente temos Bond agindo em uma missão pessoal, novamente o MI6 enfrenta pressão do governo para justificar sua existência num mundo moderno (curiosamente, mesma situação que afetou a IMF em Missão: Impossível – Nação Secreta) e por aí vai. A repetição também se manifesta nos diálogos sem muita profundidade e mais interessados em entregar one liners falhos e sem imaginação (“Fiquei sem balas”, dado o contexto de uma cena específica, é broxante), ainda que algumas raras exceções funcionem: o humor pontual é ótimo, como quando Bond tem sua queda de um prédio interrompida por um sofá ou sua sincera reação ao novo ferimento de um oponente.

Mais do que qualquer outro filme da série, Spectre preocupa-se em conectar seus filmes, indo além das casuais referências nostálgicas (Sam Mendes claramente adora Viva e Deixe Morrer). Os eventos e personagens de CassinoQuantum of SolaceSkyfall são retomados fortemente aqui, criando uma relação megalomaníaca com o Oberhauser de Christoph Waltz, que oferece uma performance vilanesca típica de Hans Landa e promete agradar os fãs mais saudosistas com sua aguardada revelação. Aliás, é justamente essa revelação que torna o antagonista tão especial, já que suas ações não são realmente tão memoráveis – com exceção de uma arrepiante cena de tortura e a reunião dos membros da Spectre em uma sala escura que remete imediatamente a De Olhos Bem Fechados.

Mendes mantém uma condução eficiente, e já começa a projeção com um ótimo plano sequência pela vasta marcha do Dia dos Mortos na capital mexicana. Temos uma ótima sequência envolvendo carros e um avião na neve e uma brutal pancadaria no interior de um trem (remetendo a Moscou contra 007O Espião que me Amava, graças também à postura forte de Dave Bautista como o capanga Sr. Hinx) O diretor de fotografia Hoyte Van Hoytema empresta seu grão sujo para ajudar o diretor, não alcançando um trabalho surreal como o de Roger Deakins em Skyfall, mas capturando belas imagens com paisagens na Áustria e a já mencionada reunião da Spectre, em uma tela expressionista ambientada em Roma. Só é uma pena que não tenhamos cenas muito inventivas, começando por uma perseguição de carro que não empolga – provavelmente por entrecortá-la com exposição de diálogos enquanto Bond conversa com Moneypenny (Naomie Harris, novamente) – e um clímax fraco que só se salva pela conexão criada com os longas anteriores, envisionando um cenário que realmente mergulha no inconsciente de Bond.

Além de Oberhauser, temos Léa Seydoux excelente como a psicóloga Madeleine Swann. Não chega a ser memorável como uma Vesper Lynd, mas é uma personagem forte e capaz de bater pra igual com Bond, gerando uma boa química com o sempre competente Daniel Craig, que ainda se mostra um ótimo Bond mesmo sem muito de novo a oferecer aqui (não levando em consideração as declarações pouco elegantes do ator). Ben Whishaw novamente atesta que a decisão de rejunescer Q foi genial e Ralph Fiennes surge durão como M, especialmente quando contracena com o cínico Andrew Scott, na pele de um burocrata calculista.

Em seus aspectos técnicos, é primoroso como a maioria dos filmes da série. Além da já comentada fotografia de Hoytema, a montagem de Lee Smith adiciona mais ações em paralelo (afinal, o cara é o colaborador de Christopher Nolan), em especial no clímax que envolve participação de toda a equipe, e Thomas Newman aproveita muito de seus temas criados para Skyfall, inovando apenas na influência musical do México e Roma; além de um mistério mais forte em torno da figura antagonista. Por fim, a sequência de créditos com “Writing’s on the Wall”, de Sam Smith, é provocante e dinâmica, sendo muito eficiente em mesclar a imagem de polvos com as tradicionais silhuetas femininas da saga.

007 Contra Spectre é mais uma boa adição à era de Daniel Craig como James Bond, ainda que não consiga subir ao mesmo nível de seu excelente antecessor. Traz bom entrenimento e nostalgia para os fãs de longa data, mesmo que seja impossível não se sentir um pouco decepcionado.

Saiba detalhes sobre o novo filme de James Bond

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 4 de dezembro de 2014 by Lucas Nascimento

spectre

A produtora de Barbara Broccoli organizou com a MGM e Sony Pictures uma coletiva de imprensa hoje cedo em Londres para revelar informações sobre o novo filme de James Bond, dirigido novamente por Sam Mendes. É um procedimento de praxe que o estúdio realiza para lançamentos de filmes de 007.

O título do novo filme é Spectre, clara referência à organização secreta do icônico vilão Blofeld.

Antes de tudo, Daniel Craig retorna para o papel principal, claro.

Christoph Waltz é confirmado como o vilão Oberhauser (nada de Blofeld, mas não descarte a possibilidade…). Andrew Scott (o Moriarty de Sherlock) será Denbigh, novo membro do MI-6. Dave Bautista será um dos vilões, Sr. Hinks. Monica Belucci e Léa Seydoux marcam as presenças femininas como Lucia Sciarra e Madeline Swann.

Rory Kinnear retorna como Tanner, Ben Whishaw como Q, Naomie Harris como Moneypenny e Ralph Fiennes como M.

Thomas Newman retorna para fazer a trilha sonora. Hoyte Van Hoytema (ElaInterestelar) fará a fotografia e Lee Smith (trilogia Batman – O Cavaleiro das Trevas) fica responsável pela montagem.

As locações incluem Londres, Roma, México, Tangier no Marrocos, Solden na Áustria (alpes suíços, alguém mais pensou em A Serviço Secreto de Sua Majestade?).

James Bond dirigirá um Aston Martin novamente, o novo modelo DB 10.

DB10

007 – Spectre estreia em 25 de Outubro de 2015.

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| 007 – Operação Skyfall | James Bond ganha mais uma reinvenção

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2012, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 26 de outubro de 2012 by Lucas Nascimento


Bond fica artístico: Daniel Craig encarna o personagem pela terceira vez

Tendo sua estreia nos cinemas em 1962 com Dr. No, o agente secreto James Bond comemora 50 anos de sua franquia cinematográfica e, nesse espaço de cinco décadas, muita coisa tem mudado. Adaptando-se para sobreviver, Cassino Royale transformou radicalmente o personagem em 2006 ao lhe oferecer uma abordagem realista e dispensar os elementos fantásticos que tornaram-se sua assinatura. Entra o premiado diretor Sam Mendes para continuar o legado e, nesse processo, acaba por reinventar (novamente) a franquia de forma brilhante em 007 – Operação Skyfall.

Tendo uma trama muito mais pessoal e centrada do que os longas anteriores, Skyfall começa quando o MI6 falha em uma importante missão na Turquia, tendo a identidade de seus agentes vazada na internet e seu quartel-general destruído. Buscando a identidade do misterioso agressor, James Bond (Daniel Craig) é enviado para neutralizá-lo, mas descobre que a missão tem uma significante relevância com o passado de sua chefe, M (Judi Dench).

O vigésimo-terceiro filme da série é, de fato, muito especial. Escrito por Neal Purvis, Robert Wade (esses já familiarizados com a franquia) e John Logan (indicado 3 vezes ao Oscar) o roteiro mergulha fundo em seus personagens, e aventura-se ao explorar de forma mais dramática a relação entre alguns deles. Bond e M, principalmente, têm mais detalhes revelados e nunca antes aprendemos tanto sobre o passado do protagonista como aqui – e com maior profundidade dramática, Daniel Craig tem a chance de explorar novas áreas, ficando bem próximo de ser datado com o intérprete definitivo do espião. O texto do trio também cria ótimos diálogos (a maior parte deles, proferidos pelo genial Silva de Javier Bardem), ainda que traga uma incrível necessidade de soltar trocadilhos sobre a série (“Será que eu compliquei demais a trama?”, diz Craig, ao passo em que Naomie Harris declara que este é “Um cão velho, com truques novos”), criando um efeito divertido, mas cujo uso excessivo o aproxima de uma paródia.


A magistral fotografia de Roger Deakins

Nome que normalmente não associaríamos ao um filme do gênero, Sam Mendes mostra que seu talento não está apenas ligado ao drama e faz a diferença no comando de ótimas cenas de ação. Sua execução é segura (reparem no longo plano que apresenta o vilão Silva, onde Mendes demonstra total confiança no talento de Bardem) e muito bem equilibrada – nesse quesito, a ótima montagem de Stuart Baird é eficiente ao criar tensão e controlar as múltiplas ações – e estas são visualmente impressionantes graças à inteligente fotografia do mestre Roger Deakins. Alternando entre tons quentes nas cenas em Macau e apostando em uma Londres sempre cinzenta e nublada, o cinematógrafo atinge o auge ao iluminar uma luta entre B0nd e um atirador em Xangai apenas com luzes de outdoors da metrópole. Só esse complexo (e lindo) trabalho, já é o suficiente para indicá-lo ao Oscar da categoria no ano que vem.

Mas o grande destaque do filme é a nova reinvenção que Bond ganha. O agente continua realista e frio como em Cassino Royale e Quantum of Solace, mas aqui tem mais senso de humor e volta a protagonizar acrobacias “impossíveis”, tal como pular de uma escavadeira para um trem em movimento – finalizando com uma sensacional ajeitada no terno. Há também o retorno do quartel-mestre Q, que aqui surge como um nerd na pele do excelente Ben Whishaw, fornecendo ao espião gadgets mais críveis (talvez não tanto assim, mas a abordagem à tais elementos se assemelha à dada por Christopher Nolan em sua trilogia do Batman) e piadas que fortalecem a atualização (“o que você queria, uma caneta explosiva? Não trabalhamos mais com isso”).

007 – Operação Skyfall é uma bela homenagem aos 50 anos da série e também um filme maduro, bem executado e com potencial de agradar os mais variados fãs do personagem. Sua conclusão inicia uma nova era para James Bond, e o futuro parece muito promissor.

James Bond Will Return…

Obs: Os hipnotizantes créditos de abertura deste filme são diferentes de qualquer outra presente na franquia. E a bela música de Adele a acentua com perfeição.

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