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| Aliança do Crime | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 14 de novembro de 2015 by Lucas Nascimento

3.0

BlackMass
Johnny Depp é Whitey Bulger

Quem não adora um bom filme de máfia? Talvez seja, junto com o western, um dos mais característicos gêneros do cinema americano, que já nos rendeu obras como a trilogia Poderoso ChefãoOs Bons Companheiros, ScarfaceEra uma Vez na América,Os Intocáveis e obras recentes como Os Infiltrados, O Gângster, O Homem da MáfiaO Ano Mais Violento e tantas outras. É sempre bom entretenimento observar sagas criminosas de figuras detestáveis que podem – ou não – criar curiosa empatia com o público. Quando anunciado que Johnny Depp largaria a excentricidade irritante de seus trabalhos com Tim Burton em Aliança do Crime, a empolgação é grande.

A trama é inspirada na história real do gângster Jimmy “Whitey” Bulger (Depp) e sua controversa aliança com o FBI, representado na forma do ambicioso John Connolly (Joel Edgerton) nas décadas de 70 e 80. Enquanto Bulger expande seu pequeno império no sul de Boston, é protegido por seu irmão senador (Benedict Cumberbatch) e ganha imunidade do FBI por entregar seus competidores.

É um material excelente para se trabalhar, e o roteiro de Mark Mallouk e Jez Butterworth consegue comportar uma vasta quantidade de eventos em uma narrativa concisa e que usa da função de flashfoward de maneira orgânica; com os antigos comparsas de Bulger prestando depoimento à polícia de forma que avance a trama sem exposição gritante.

O problema é que Aliança do Crime não é exatamente empolgante.

Tem todos os ingredientes e jogadores muito habilidosos, mas o diretor Scott Cooper realmente não consegue encontrar uma identidade para o longa. Não tem o carinho familiar que marcou O Poderoso Chefão (ainda que a história tente criar uma relação afetiva entre Bulger e seu filho pequeno), nem o humor ácido de Os Bons Companheiros, infelizmente limitando-se a uma experiência burocrática. Cooper até consegue compor bons enquadradamentos (é curiosa a rima com o plongée do carro de Bulger com a visão de Connolly e sua esposa vistos atrás de uma porta) e o diretor de fotografia Masanobu Takayanagi utiliza bem das cores e do granulado para compor uma imagem que teria saído dos anos 70, mas não há nada de realmente memorável como cinema. Nem as súbitas explosões de violência impactam como deveriam.

Muitos irão assistir por Johnny Depp, e depois de ver o talentoso ator ser desperdiçado em tantas atrocidades, é confortante vê-lo bem encaixado na pele de Bulger. Sua fala mansa que logo revela-se ameaçadora é cativante, assim como o sutil trabalho do ator com os olhos, dominando todas as cenas em que aparece. É uma construção que felizmente não soa espalhafatosa, podendo muito bem ser posta lado a lado com seu ótimo trabalho em Inimigos Públicos, onde também deu vida a mais um notório criminoso da história dos EUA: John Dillinger. Porém, sua maquiagem excessivamente caricata o destoa de todo o restante da produção, como se fosse uma figura que, visualmente, não pertencesse àquele universo.

E mesmo com um elenco estelar em mãos, Cooper nunca consegue aproveitá-los. Joel Edgerton está excelente como Connolly, e sua jornada de corrupção é certamente o ponto mais interessante da narrativa (ainda que a transição de lado jamais seja verdadeiramente explorada, tendo uma cena de balada aqui e pronto), mas quando temos Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon, Corey Stoll, Peter Sarsgaard, Juno Temple e Jesse Plemons todos reduzidos a participações especiais, é frustrante.

Aliança do Crime jamais atinge o grandioso status que poderia ter alcançado, limitando-se a uma narrativa mais segura e com medo de encontrar sua identidade. Funciona pontualmente pelo elenco e a progressão da história, mas é realmente um longa que não será muito lembrado.

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Novo trailer de BLACK MASS

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , on 22 de maio de 2015 by Lucas Nascimento

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Depois da prévia especial que trazia Johnny Depp em um discurso ameaçador, o thriller de gângster Black Mass ganhou um trailer mais tradiciona, embalada ao som de “The Devil is Alive”, de Rick Ross e Jay Z.

Confira:

Dirigido por Scott Cooper, o filme ainda traz Joel Edgerton, Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon e Dakota Johnson para contar a história real de Whitey Bulger, declarado um dos gângsteres mais notórios da história dos EUA.

Black Mass estreia em 18 de Setembro nos EUA.

Confira o trailer de BLACK MASS

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , on 23 de abril de 2015 by Lucas Nascimento

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Uma das apostas da Warner para essa temporada de prêmios é o thriller criminal Black Mass. O filme de Scott Cooper (Coração Louco) traz um elenco estelar encabeçado por um sinistro Johnny Depp na história real do mafioso Whitey Bulger, um dos mais notórios do país.

O elenco conta também com Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon, Joel Edgerton e Dakota Johnson.

Confira:

Black Mass estreia em 18 de Setembro nos EUA.

ESPECIAL OSCAR 2015 Ou (Como Aprendi a Ignorar as Loucuras da Academia e Curtir o Show) | Volume Um | Atuações

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Chegou a hora do Oscar 2015, uma corrida estranha que promete trazer algumas surpresas, apesar de – pra variar – muita coisa já estar indubitavelmente previsível. Vamos lá:

ator

Steve Carell | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

carell

Papel: John du Pont

É uma grande mudança para Steve Carell, o que ele faz aqui em Foxcatcher. Na pele do milionário esquizofrênico que torna-se obcecado em ganhar a medalha de ouro para seu time de luta olímpíca, o comediante se transforma em uma figura assombrosa e imprevisível, e não apenas pelas próteses faciais. John du Pont fala baixo, devagar e mantém sempre um olhar fixo quando trava em um diálogo, e Carell é bem-sucedido ao não fazer do personagem uma caricatura, controlando até mesmo sua respiração a favor da performance. Nunca esperaria algo assim do ator.

Bradley Cooper | Sniper Americano

cooper

Papel: Chris Kyle

Terceira indicação ao Oscar consecutiva de Bradley Cooper, o ator meio que entrou de intruso por sua forte performance em Sniper Americano (na teoria, esta seria a vaga de Jake Gyllenhaal, por O Abutre). A real é que Cooper realmente se destaca no filme, ainda mais por seu absurdo ganho de massa muscular, que o transformam em um brutamontes, e o sotaque texano que o ajuda a entrar na pele de Chris Kyle. Mas sinceramente? Não acho digno de uma indicação.

Benedict Cumberbatch | O Jogo da Imitação

cumberbatch

Papel: Alan Turing

Um dos mais simpáticos e talentosos atores de nossa geração, Benedict Cumberbatch conquista sua primeira indicação ao Oscar naquele que certamente é seu papel mais desafiador. Em O Jogo da Imitação, o ator dá vida ao matemático Alan Turing, um sujeito tímido, introvertido e inadvertidamente arrogante, escondendo também sua homossexualidade em uma época difícil. Cumberbatch está excelente ao assumir os trejeitos de Turing sem transformá-lo em uma caricatura, expressando sua inteligência e insegurança em uma performance intensa e comovente.

Michael Keaton | Birdman

keaton

Papel: Riggan Thomson

O Cavaleiro das Trevas ressurge! Michael Keaton literalmente nasceu para vivier o personagem principal de Birdman, já que ele é praticamente uma paródia de si mesmo. O ator esquecido pelo público após desistir de viver um popular super-herói no cinema, agora tentando se reiventar no comando de uma ousada peça de teatro, no qual também é o protagonista. O Riggan Thomson de Keaton é ambicioso e até egocêntrico, mas o ator acerta ao sempre deixar a vulnerabilidade de Thomson em evidência, especialmente quando o vemos contracenar com um ator mais capaz (o Mike Shiner de Edward Norton) ou quando tenta reparar relações com sua filha, Sam. Há ainda espaços para elementos mais cômicos, como o sorriso sádico que Riggan esboça invariavelmente ou suas crises alucinógenas com o fantasma de Birdman.

  • Globo de Ouro – Musical/Comédia
  • Critics Choice Awards

Eddie Redmayne | A Teoria de Tudo

redmayne

Papel: Stephen Hawking

Eddie Redmayne em A Teoria de Tudo pode soar como “cota de ator interpretando deficiente” da Academia, mas a verdade é que realmente é um trabalho impecável. Obviamente, é um trabalho que exige um comprometimento físico assustador, e Redmayne surpreende ao trazer cada aspecto da doença de Stephen Hawking à tona de forma convicente e pesada, mas sem cair para uma caricatura exagerada. O ator consegue criar nuances sutis dentro do limitado estado da paralisia, seja em um levantar de sobrancelha, uma piscada ou leve tentativa de sorrir, somos capazes de encontrar ali o senso de humor de Hawking, e também seu afeto.

  • SAG
  • BAFTA
  • Globo de Ouro – Drama

APOSTA: Eddie Redmayne

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Michael Keaton

MEU VOTO: Eddie Redmayne

FICOU DE FORA: Jake Gyllenhaal | O Abutre

gyllenhaal

Jake Gyllenhaal está cada vez melhor. Já tendo impressionado este ano com seu trabalho incrível em O Homem Duplicado, o ator se transforma fisicamente e mentalmente para viver o perturbado protagonista de O Abutre. Um homem calculista, obcecado e aparentemente incapaz de sentir afeto ou se preocupar com as consequências morais de seus atos, Lou Bloom é um dos personagens mais detestáveis e fascinantes dos últimos tempos, e Gyllenhaal acerta ao se perder completamente neste difícil papel. Trabalho de mestre, e estupidez sem tamanho da Academia não reconhecê-lo, já que ele está melhor do que qualquer um dos indicados…

Menção Honrosa: David Oyelowo | Selma

atriz

Marion Cotillard | Dois Dias, Uma Noite

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Grande surpresa da categoria, Marion Cotillard recebeu sua segunda indicação ao Oscar, 7 anos após sua vitória pelo inebriante Piaf: Um Hino ao Amor. Não assisti a Dois Dias, Uma Noite ainda, mas vale apontar que é uma performance toda em francês (assim como sua vitória por Piaf), algo difícil de ser reconhecido pela Academia.

Felicity Jones | A Teoria de Tudo

jones

Papel: Jane Hawking

Após assistir A Teoria de Tudo, sinto que quero casar com Felicity Jones e fugir para um chalé nas florestas da Alemanha. Não só por sua beleza radiante e seu sotaque britânico delicioso, mas também pela doçura e determinação que a atriz demonstra no papel de Jane, a incansável esposa de Stephen Hawking. Jones começa como uma jovem apaixonada e delicada, e a doença de Stephen logo testa seus limites, revelando sua força e o iminente desgaste, o que prova que Jane é apenas um ser humano, e não uma super mulher. Ótima performance.

Julianne Moore | Para Sempre Alice

moore

Papel: Dra. Alice Howland

Eu achei difícil de acreditar que Julianne Moore ainda não tinha um Oscar na estante, mas ela sem dúvida garantirá um com seu trabalho em Para Sempre Alice. É a história real de uma professora universitária que se viu vítima de Alzheimer, e a doença dá a Moore o desafio de representá-la fielmente nas telas.

  • SAG
  • BAFTA
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards

Rosamund Pike | Garota Exemplar

pike

Papel: Amy Elliot Dunne

David Fincher precisava de uma atriz muito boa para interpretar Amy Elliot Dunne, a enigmática protagonista de Garota Exemplar. A escolha foi certeira com Rosamund Pike, aquela atriz que você avistou uma vez ou outra em algum papel coadjuvante, que aqui domina cada segundo de cena com uma presença sensual, duvidosa e selvagem. É um papel que exige dedicação e ambiguidade, e Pike nos estimula do primeiro até o último frame da projeção. Sem falar que ela manda muito bem em uma das cenas mais sangrentas que eu já vi na vida.

Reese Witherspoon | Livre

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Papel: Cheryl Strayed

Depois de sua vitória em 2006 por Johnny & June, Reese Witherspoon volta à cerimônia na pele de mais uma mulher esforçada. Cheryl Strayed embarcou num exaustivo walkabout após a morte de sua mãe, caminhando incessavelmente por trilhas especializadas nos EUA. Whiterspoon surge muito bem em cena, sem qualquer luxo ou maquiagem elaborada: suja, suada, arrancando unhas do pé e reações realistas diante de sua jornada: é uma mulher forte e feminista, mas que se assusta ao encontrar uma cobra no meio do deserto – como qualquer um faria.

APOSTA: Julianne Moore

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Esse é o ano dela.

MEU VOTO: Rosamund Pike

FICOU DE FORA: Sarah Snook | O Predestinado

snook

Papel: A Mãe Solteira

Nem em um milhão de anos eu esperaria que o trabalho de Sarah Snook no pouco conhecido O Predestinado fosse lembrado pela Academia. O que é uma pena, já que Snook teve um dos papéis mais desafiadores do ano passado, na pela da misteriosa Mãe Solteira, uma jovem que é enganada, tem o coração partido e acaba em uma estranha jornada transexual, colocando-a de frente com o Agente Temporal de Ethan Hawke. Snook é simplesmente impecável.

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Robert Duvall | O Juiz

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Achei impressionante a Academia ter lembrado desse filminho mediano que é O Juiz, representado aqui pela performance do veterano Robert Duvall. O ator interpreta o personagem-título, um renomado juiz que é acusado de homícido, ao mesmo tempo em que lida com a morte de sua esposa, a complicada relação com o filho e um câncer letal. Fórmula perfeita para que Duvall entregue uma boa atuação, mas nada realmente espetacular: é uma indicação apenas para celebrar a carreira deste grande ator.

Ethan Hawke | Boyhood: Da Infância à Juventude

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Papel: Mason Evans Sr.

Como é bom ver Ethan Hawke ser indicado como ator novamente. Em Boyhood, ele meio que reprisa boa parte de seu papel na trilogia de Antes do Amanhecer, fazendo o típico sujeito boa praça e que se dá bem com os filhos, mesmo que seja um adulto irresponsável e não tão bem sucedido. Como o próprio protagonista, Hawke vai amadurecendo e mudando ao longo da narrativa de 12 anos, começando como o arquétipo do sonhador/irresponsável até chegar a um nivel mais estável, representado também por sua mudança fisionômica.

Edward Norton | Birdman

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Papel: Mike Shiner

Que alegria é ver Edward Norton em um papel que lhe permita explorar seu imenso talento. Em Birdman, Norton da vida a um obsessivo ator de Método que trava diversos confrontos com Riggan Thomson, sempre deixando claro como suas capacidades de atuação são melhores, esbanjando egocentrismo. Mas Mike Shiner também é vulnerável como Thomson, especialmente quando se revela incapaz de ter uma ereção, ao menos que esteja no palco. É um retrato de um artista que se perdeu dentro de seu comprometimento obsessivo por viver outras pessoas, e Norton está impecável – e também muito engraçado, nos momentos em que o papel requer.

Mark Ruffalo | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

ruffalo

Papel: David Schultz

De todos os personagens em Foxcatcher, o David Schultz de Mark Ruffalo é sem dúvida o mais admirável, correto e generoso. Lutador olímpico mais eficiente do que seu irmão Mark, ele não mede esforços pada ajudá-lo no treinamento, e também sempre prioriza sua família. Ruffalo é eficiente ao fazer de Schultz um “cara bacana” e também uma alma verdadeiramente boa, sem arrogância ou ataques de raiva – mesmo que não se entenda com John du Pont, ele nunca perde sua postura.

J.K. Simmons | Whiplash: Em Busca da Perfeição

simmons

Papel: Terence Fletcher

J.K. Simmons consegue aqui sua chance para brilhar em um papel poderoso e inesquecível. Terence Fletcher é o obcecado professor de jazz que acredita em métodos pouco ortodoxos para extrair a melhor performances de seus músicos aprendizes, não poupando nos gritos, esculachos e insultos homofóbicos e racistas. Simmons é impecável ao criar uma figura assustadora, mas também é genial ao não fazer deste uma mera caricatura malvada, dando vida a um personagem enigmático e capaz de nos fazer compreender seus motivos.

  • SAG
  • BAFTA
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

APOSTA: J.K. Simmons

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Esse Oscar ninguém tira dele.

MEU VOTO: J.K. Simmons

FICOU DE FORA: Josh Brolin | Vício Inerente

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Papel: Detetive Christian “Bigfoot” Bjornsen

Olha, nem assisti a Vício Inerente (valeu, Warner!) mas só pelo trailer é possível ver o quão divertido Josh Brolin parece estar. Sei que uma suposição por peça de marketing não é o bastante para julgar se ele merecia ou não ser indicado (ele garantiu uma vaga no Critics Choice), mas a cena de seu personagem gritando em chinês já é antológica.

atrizcoadj

Patricia Arquette | Boyhood: Da Infância à Juventude

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Papel: Olivia

Boyhood é todo sobre o jovem Mason, mas o que é um jovem sem sua mãe? Patricia Arquette é certamente uma das grandes presenças no épico indie de Richard Linklater, sendo uma personagem que enfrenta grandes mudanças e diversas fases diferentes ao longo dos 12 anos de produção. É uma mãe solteira forte, confusa e que amadurece à medida em que vai aprendendo a cuidar de seus filhos. A grande redenção, porém, é em sua inesquecível cena final, que discute a finitude da vida.

  • SAG
  • BAFTA
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Laura Dern | Livre

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Papel: Bobbi

De todas as indicações ao Oscar deste ano, esta é a que faz menos sentido. Pra começar que Laura Dern não tem pouco tempo em cena como a mãe de Cheryl Strayed, aparecendo em curtos flashbacks. Tais momentos revelam uma mulher sonhadora, ingênua e que tenta olhar a vida com otimismo, mesmo quando um câncer ameaça sua saúde. É uma performance eficiente, mas que não traz impacto ou afeto o suficiente para justificar a indicação (não é como Viola Davis em Dúvida, por exemplo), que parece ter acontecido por puro charme.

Keira Knightley | O Jogo da Imitação

knightley

Papel: Joan Clarke

A única mulher que tem um destaque considerável em O Jogo da Imitação, Joan Clarke se mostra tão inteligente quanto o matemático Alan Turing, e Keira Knightley se sai bem ao construir uma personagem adorável e praticamente o oposto do protagonista. Enquanto Turing é um sujeito inadvertidamente arrogante e antissocial, Clarke é carismática e parece tratar suas habilidades matemáticas como uma brincadeira, criando um contraste interessante com Turing.

Emma Stone | Birdman

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Papel: Sam Thomson

Era uma questão de tempo até Emma Stone ter seu talento reconhecido pela Academia. Ela já havia explodido de carisma no subestimado A Mentira, mas em Birdman ela brilha em seu primeiro papel dramático, na pele da filha ex-viciada em drogas de Riggan Thomson. Stone surge emburrada e sarcástica durante a maior parte da projeção, mas é quando ela tem a chance de soltar sua opinião e emoções fortemente que sua performance realmente vem à tona (o esculacho que Sam dá a seu pai certamente é o melhor exemplo). Também é interessante observar como Stone constrói uma dinâmica diferente com o Mike Shiner de Edward Norton, primeiro personagem a realmente entender quem Sam é.

Meryl Streep | Caminhos da Floresta

streep

Papel: A Bruxa

E com Caminhos da Floresta, Meryl Streep chega a 19 indicações ao Oscar em toda a sua carreira. Sua Bruxa no filme de Rob Marshall, apesar de ser listada aqui como coadjuvante, é a personagem que liga todos os demais. É uma mãe amaldiçoada que desesperadamente luta para quebrar um feitiço, ao mesmo tempo em que tenta ajudar o humilde casal de James Corden e Emily Blunt. Streep sabe como ser assustadora, mas também comovente – como fica claro no número musical que protagoniza ao lado de Rapunzel – o que a torna a personagem mais complexa da produção. É uma ótima performance de Streep, pra variar.

APOSTA: Patricia Arquette

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Esse Oscar ninguém tira dela.

MEU VOTO: Emma Stone

FICOU DE FORA: Jessica Chastain | O Ano Mais Violento

chastain

Papel: Ana Morales

Caramba, essa mulher não pára de trabalhar… E eu agradeço! Jessica Chastain atuou em 4 filmes em 2014, e nenhuma de suas performances foi lembrada no Oscar. Não assisti a O Ano Mais Violento, mas a crítica elogiou muito a destemida Ana Morales de Chastain, e eu tenho certeza que a atriz está no mínimo melhor do que Laura Dern… Pena.

O Volume Dois, com as categorias técnicas sairá amanhã!

| O Jogo da Imitação | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

TheImitationGame
Benedict Cumberbatch é Alan Turing

Ainda que o que esteja em primeiro plano em um grande acontecimento receba o grande mérito e reconhecimento, sempre me interessei pelos eventos que aconteciam por detrás das cortinas, nos bastidores. O Jogo da Imitação se dedica a explorar os esforços de um time de matemáticos que lutavam uma vertente diferente da guerra, mas igualmente importante.

A trama se dedica a contar a história de Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um matemático brilhante que é selecionado para ajudar os Aliados a quebrar um código nazista indecifrável que pode lhes garantir a vitória da Segunda Guerra Mundial. A narrativa se divide para contar esse episódio, assim como sua adolescência e sua condenação por ser homossexual, em 1951.

É uma ótima e importante história, especialmente levando em consideração o legado que Turing nos deixa. Computadores, smartphones e outras máquinas do tipo não existirião tão cedo sem seus experimentos inovadores, usados aqui em uma guerra aparentemente inofensiva; travada dentro de galpões e escritórios, mas que o filme do norueguês Morten Tyldum (do divertidíssimo Headhunters) retrata como crucial, contando com um vasto trabalho de recriação de época e composições de Alexandre Desplat que incitem a genialidade e o suspense.

O roteiro de Graham Moore oferece excelentes diálogos que conseguem explorar a urgência da guerra, o humor e a psique de Turing, desde sua arrogância inadvertida até seus raros momentos de sensibilidade. É uma pena que Moore aposte tanto em fórmula na maior parte do filme, promovendo uma narrativa que entretém, mas que pouco inova ou provoca – a exceção é quando o grupo decifra o tal enigma pela primeira vez, mas questiona se seria a decisão mais sábia usar as informações obtidas, mesmo que estas possam salvar inúmeras vidas. Estruturalmente, o filme perde força ao quebrar a narrativa principal para os flashbacks e flashfowards, especialmente por gastar tempo em informações que já havíamos recebido (a investigação do policial de Rory Kinnear, por exemplo, poderia ser facilmente encurtada a fim de evitar repetições e falsos mistérios).

Porém, temos um grande elenco para povoar a história. Benedict Cumberbatch brilha nesta que é a melhor performance de sua carreira, compondo um Turing ambíguo e arrogante, utilizando-se de diversas nuances e acertadamente flertando com o caricato – sem cair inteiramente nessa armadilha. Keira Knightley também está adoravelmente carismática como a brilhante Joan Clarke, e o texto de Moore cria uma relação interessante e moderna (ainda que se passa na década de 40) entre os dois. De elenco coadjuvante, Mark Strong, Matthew Goode e Charles Dance (reprisando seu papel autoritário de Game of Thrones) fecham bem o pacote.

O Jogo da Imitação é um bom filme, mas que não vai muito além da fórmula do biopic esperado de uma temporada de prêmios, pouco arriscando-se. Traz um roteiro eficiente, atuações impecáveis e um grande respeito pelo trabalho de Alan Turing, ainda que não seja uma obra excepcional como a obra de seu biografado.

Obs: Publicado após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 22 de Janeiro de 2015.

SAG AWARDS 2015: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 10 de dezembro de 2014 by Lucas Nascimento

SAG

O primeiro GRANDE prêmio da temporada! O Screen Actors Guild of America divulgou os indicados para o prêmio de 2015. Confira abaixo as categorias de cinema:

MELHOR ELENCO

Birdman

Boyhood: Da Infância à Juventude

O Grande Hotel Budapeste

O Jogo da Imitação

A Teoria de Tudo

MELHOR ATOR

Steve Carell | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

Benedict Cumberbatch | O Jogo da Imitação

Jake Gyllenhaal | O Abutre

Michael Keaton | Birdman

Eddie Redmayne | A Teoria de Tudo

MELHOR ATRIZ

Jennifer Aniston | Cake

Felicity Jones | A Teoria de Tudo

Julianne Moore | Para Sempre Alice

Rosamund Pike | Garota Exemplar

Reese Witherspoon | Livre

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Robert Duvall | O Juiz

Ethan Hawke | Boyhood: Da Infância à Juventude

Edward Norton | Birdman

Mark Ruffalo | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

J.K. Simmons | Whiplash: Em Busca da Perfeição

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Patricia Arquette | Boyhood: Da Infância à Juventude

Keira Knightley | O Jogo da Imitação

Emma Stone | Birdman

Meryl Streep | Caminhos da Floresta

Naomi Watts | St. Vincent

MELHOR EQUIPE DE DUBLÊS

Corações de Ferro

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

Invencível

James Brown

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Os vencedores serão anunciados em 25 de Janeiro.

Pacote Marvel 3 | Ao Infinito e Além

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 29 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

A estreia de Guardiões da Galáxia está a cada dia mais próxima. Trata-se de um projeto ambicioso e muito importante para a Marvel Studios, um que pode vir a definir todo o futuro de sua saga cinematográfica e expandir as possibilidades ao trazer novos personagens e universos.

Na terceira edição do Pacote Marvel, divago sobre os possíveis novos rumos e filmes que a Marvel prepara para o futuro…

Homem-Formiga

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De lançamento marcado para 2015, Homem-Formiga já não me interessa como antigamente. Claro que tem tudo a ver com a saída do brilhante Edgar Wright da direção, substituído por um mero operário de Kevin Feige. Enfim, a produção ainda conta com um ótimo elenco (Michael Douglas, Paul Rudd e Evangeline Lily encabeçam a trinca principal) e uma pegada heist.

Doutor Estranho

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Dentre todos os novos personagens que se preparam para tomar as telonas, o Doutor Estranho é o mais fascinante. Além de ser em si um personagem visual e conceitualmente interessante, traz consigo um universo místico e repleto de magia, o que pode render um espetáculo de mundos, criaturas e oponentes. A esc0lha de Scott Derrickson na direção (responsável por um ou outro bom filme de terror), também revela que a Marvel pode apelar para o sobrenatural.Rezo para que o estúdio acerte aqui, e um bom ator no papel-título é crucial. Os rumores colocam Benedict Cumberbatch, Joaquin Phoenix, Tom Hardy e Jared Leto na disputa.

Pantera Negra

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Um dos muitos projetos em desenvolvimento na Casa das Ideias, o Pantera Negra tem tudo pra ser o super-herói negro mais badass dos cinemas até agora. Já tendo muitas vezes sido taxado como “o Batman da Marvel” (pelo visual), o T’Challa é o líder de uma tribo africana na região fictícia de Wakanda e suas habilidades incluem força, agilidade e poderes místicos. Como as filmagens de Os Vingadores 2 – A Era de Ultron passaram pela África do Sul, é certo deduzir que o filme trará alguma referência ao herói. Pena que Idris Elba já é o Heimdall no Universo Marvel, o ator seria a escolha perfeita para o papel. No entanto, John Boyega (de Star Wars VII) talvez esteja ligado ao projeto…

Nova

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Com Guardiões da Galáxia se aventurando por universos intergalácticos, é uma questão de tempo até o Nova ganhar seu filme-solo. O alter-ego de Richard Rider faz parte de uma polícia espacial (exatamente como o Lanterna Verde no universo DC), que já tem presença garantida no filme dos Guardiões. Não conheço muito sobre a mitologia do personagem, mas tem um visual bacana e a vantagem de aprender com os erros do filme da DC de 2011.

Solo Hulk

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Mark Ruffalo tem um contrato para 9 filmes como o verdão Hulk, e a Marvel está sendo muito sábia em guardar o ator – já que sua aceitação popular foi maciça, e Robert Downey Jr. já vai se preparando para pendurar as chuteiras de Homem de Ferro. Não sabemos o que o futuro reserva para Bruce Banner, mas um rumor muito interessante circula pela internet, sugerindo que o Gigante Esmeralda será mandado para o espaço, onde encontraria… Os Guardiões da Galáxia! É uma boa, e traz ecos de Planeta Hulk, aclamado arco de gladiadores espaciais, além de fazer a ponte entre os Vingadores e o vilão Thanos.

O Soldado Invernal

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Quem conhece bem os quadrinhos do Capitão América sabe a importância de Bucky Barnes, que no segundo filme do herói assumiu a identidade do misterioso Soldado Invernal. Como o ator Sebastian Stan tem contrato para 9 (NOVE) filmes com a Marvel Studios, eu apostaria facilmente que ele será o substituto de Chris Evans no papel do Sentinela da Liberdade. Aposto na morte de Steve Rogers no terceiro filme solo do Capitão (se a Marvel está segura em bater de frente com a estreia de Batman V Superman, deve ter um grande trunfo em mãos) pelas mãos do vilão Ossos Cruzados, e uma subsequente retomada com Barnes.

Ficaremos de olho.