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| Corações de Ferro | Crítica

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2015, Drama, Guerra with tags , , , , , , , , , , , , on 5 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

Fury
Brad Pitt é o comandante do tanque Fury

Quando eu achava que simplesmente não poderia haver mais temas possíveis a ser explorado dentro do âmbio da Segunda Guerra Mundial, me aparece um filme de tanque de guerra. Corações de Ferro faz essa proposta, e prova ser um acerto do interessante David Ayer (responsável por Marcados para Morrer, Os Reis da Rua e o roteiro de Dia de Treinamento), ainda que não se arrisque tanto.

A trama é ambientada em Abril de 1945, nos últimos momentos da guerra entre o Eixo e os Aliados. Visando acabar o conflito definitivamente, um pelotão de tanque americano invade a Alemanha e vai conquistando as pequenas cidades por onde passa. Nesse cenário, eles ainda precisam acolher um novo soldado (Logan Lerman), que entra para substituir uma baixa na equipe.

É um filme muito simples e eficiente em sua proposta de entretenimento, servindo como um sólido filme de ação e equipe. David Ayer é um cineasta habilidoso que sabe construir a tensão do antecipamento (como o preparo para um ataque alemão no clímax ou a chegada surpresa de um tanque inimigo) e não se acovarda ao retratar os tiroteios de forma gráfica, sempre explodindo membros e jorrando sangue por toda a parte. A fotografia de Roman Vasyanov ajuda a criar essa visão opressiva, em uma paleta predominante fria coberta por um céu nublado e campos de batalha desertos povoados por meras silhuetas de soldados alemães, como se Ayer os transformassem em meras presenças malignas, ao invés de humanos.

O roteiro também fica à cargo de Ayer, e entre um diálogo espirituoso aqui e ali, ele consegue arrancar boas situações. O grande ápice fica com a parada do pelotão em um apartamento habitado por duas alemãs, uma cena surreal – quase onírica – que destoa de toda a produção, e impressiona ainda mais quando a realidade da guerra a atinge. Vai ficando mais difícil de comprar a ideia (leia-se, “hollywoodiano” demais) quando o grupo se arrisca a enfrentar um pelotão de centenas de alemães no terceiro ato, principalmente quando a trilha evocativa de Steven Price tenta nos emocionar. Poderia ter sido mais Os Doze Condenados e menos Pearl Harbor.

Quanto ao elenco estrelado, ele serve bem a função de construir os mais básicos estereótipos de qualquer tipo de filme de equipe. Brad Pitt se sai bem com o líder idealista-que-passou-por-altas-tretas-no-passado, Shia LaBeouf não incomoda como o soldado-religioso-mas-engraçadinho, Michael Peña permanece em seu casual piloto automático como o “cara latino” e Jon Bernthal faz o típico “cafajeste-que-odiamos”, mas surpreende ao trazer reações específicas em. E Logan Lerman? Nada como o “novato” medroso e odiado que logo vai ganhando respeito da equipe. E todos os estereótipos funcionam bem, nada demais.

Corações de Ferro é um bom entretenimento que é capaz de impressionar por suas brutais sequências de guerra e divertir com o entrosamento do elenco, ainda que raramente se arrisque a ser mais do que um mero escapismo.

Obs: Os créditos finais são muito bem feitos.

Jessica Chastain vai viver Marilyn Monroe em BLONDE

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , , , , , , , on 22 de abril de 2014 by Lucas Nascimento

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Depois de Michelle Williams ter sido indicada ao Oscar por seu retrato de Marilyn Monroe em Sete Dias com Marilyn, é a vez de Jessica Chastain adotar a cabeleira loira e a pinta característica para viver a diva icônica do cinema norte-americano, substituindo Naomi Watts em Blonde.

O projeto é comandado pelo talentoso Andrew Dominik (parça do Brad Pitt, com quem realizou O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford e O Homem da Máfia), e promete um biopic incomum ao apostar em um tom mais dark do que a maioria dos exemplares do gênero. O roteiro e baseado no livro de Joyce Carol Oates.

Fisicamente, Chastain perde feio para Williams em termos de semelhança com Marilyn, mas tenho certeza de que a atriz entregará uma baita performance.

Andrew Dominik planeja começar a filmar Blonde em agosto deste ano.

-> Como pude esquecer, Chastain fica uma maravilha loira também!

THE HELP

| 12 Anos de Escravidão | Steve McQueen coloca a escravidão sob lentes viscerais

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 7 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

4.5

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Michael Fassbender ameaça Chiwetel Ejifor: tensão interminável

A escravidão é uma das mais profundas e vergonhosas feridas que os EUA trazem em sua História. No cinema, é possível encontrarmos o sombrio período do século XIX de forma alentadora, que de certa forma idealize a luta de homens brancos para lhes garantir liberdade (como Lincoln, de Steven Spielberg) ou versões satíricas como Django Livre, de Quentin Tarantino. Agora, filmes como 12 Anos de Escravidão não aparecem todo ano. Brutal, violento e provavelmente acertado em sua apuração histórica, o filme de Steve McQueen pega o gênero e lhe oferece uma visão devastadora e – infelizmente – verdadeira.

Baseada na experiência real relatada no livro de Solomon Northup (vivido aqui por Chiwetel Ejifor), o roteiro de John Ridley explora como um homem negro e livre foi sequestrado em Washington e vendido para a escravidão ilegalmente no sul dos EUA. Durante 12 anos, Northup sofreu nas mãos de fazendeiros cruéis e lutou por sua sobrevivência.

Se até hoje você não conhece o nome de Steve McQueen (sem contar o famoso ator, claro), está na hora de fazer aquela visita básica ao IMDB. O diretor britânico entrega seu terceiro trabalho com 12 Anos de Escravidão, após os ótimos Hunger e Shame, duas produções que compartilham histórias humanas trágicas, trabalho visual apurado e um Michael Fassbender surtado (aqui, dando medo na pele do violento fazendeiro Edwin Epps). A partir do excelente roteiro de Ridley, McQueen não se acanha ao apostar em cenas que relatam a violência brutal a que eram submetidos os escravos de plantações: seja nos temerosos açoitamentos (um plano sequência que rende a cena mais intensa do filme), agressões verbais ou “mero” desprezo por sua dignidade – todos estes surgindo ainda mais aterradores em cena graças à trilha sonora de Hans Zimmer, que revela uma nova faceta de suas habilidades como compositor.

Mas talvez o que mais chame a atenção no projeto seja seu protagonista forte e incomum para o gênero: o Solomon Northup de Chiwetel Ejifor não é um sujeito nascido escravo, e sim um homem livre com todos os benefícios e gozos de alguém de sua posição que, inesperadamente, encontra-se na situação de total submissão. Essa característica rende alguns dos melhores momentos do longa, quando o excelente Ejifor questiona as ordens de seus mestre e oferece respostas grosseiras para julgamentos injustos (“Fiz o que me foi instruído. Se deu errado, o problema é com a sua instrução”, solta para o desprezível personagem de Paul Dano). O ator surge completamente perdido no personagem, seu desejo de sobrevivência evidente a cada frame; o que de certa forma se manifesta de forma derrotista na trágica Patsey de Lupita Nyong’o, escrava predileta de Epps que tem pouco tempo em cena, mas vale cada segundo de sua esforçada performance.

Vale apontar também as “participações de luxo” que o filme traz. Temos Paul Giamatti como um negociante de escravos, Benedict Cumberbatch como um dos únicos sujeitos decentes de toda a projeção, a jovem Quvenzhané Wallis (protagonista de Indomável Sonhadora) como uma das filhas de Solomon e o produtor Brad Pitt encarnando um sujeito de ares “proféticos” que desempenha importantíssimo papel aqui.

Excepcional também em seus valores de produção, 12 Anos de Escravidão é uma experiência difícil e pesada. Corajosamente pega um dos gêneros mais delicados do cinema norte-americano e oferece um tratamento visceral e que certamente será lembrado por anos, não só por sua brutalidade, mas também pela força de seu impecável protagonista e o emocionante desfecho de sua dura jornada.

Obs: Esta crítica foi publicada após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 6 de Fevereiro,

| O Conselheiro do Crime | Requintada trama perde-se em sua subjetividade

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , on 25 de outubro de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

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Da nave Prometheus para o México: Michael Fassbender reúne-se com Ridley Scott

É insanamente frustrante quando um projeto se perde em sua própria ambição. Constantemente nos deparamos com tal cenário em blockbusters, mas fiquei surpreso ao reencontrá-lo aqui, em O Conselheiro do Crime. Com um elenco grandioso e um roteiro promissor, é até difícil de acreditar como uma história simples conseguiu se perder tanto ao visar a complexidade.

A trama gira em torno de um advogado (Michael Fassbender) identificado apenas como “doutor (counselor, erroneamente traduzido como “conselheiro” no título nacional) que aceita participar de uma operação de tráfico de drogas com o cliente Reiner (Javier Bardem) e o colega Westray (Brad Pitt). Quando a situação é afetada pela “guerra de drogas” da região fronteiriça entre EUA e México, não demora para que o advogado tenha sua vida, e a de sua noiva (Penelope Cruz), ameaçada pelos cruéis sujeitos envolvidos.

Marcando a estreia do célebre escritor Cormac McCarthy em produções cinematográficas, O Conselheiro do Crime traz uma premissa aparentemente simples, mas que revela-se mais intrincada a cada reavaliação. Seu roteiro aposta em uma série de cenas subjetivas e, à primeira vista, irrelevantes, mas que lentamente preparam o terreno para uma vindoura ação; vide o momento no qual um sujeito entra em uma concessionária e calmamente tira as medidas de uma motocicleta, partindo logo em seguida. Mesmo que seja uma decisão ousada (e que, em teoria, desperte a atenção do espectador), a sucessão de eventos “isolados” torna a experiência evasiva e até mesmo cansativa, ganhando valor apenas quando juntamos as peças para solucionar sua conclusão (nesse quesito, é interessantíssimo reparar na presença de pintas de leopardo tatuadas nas costas da personagem de Cameron Diaz e até na constante aparição do próprio animal).

Uma rede pegajosa e repleta de personagens e ações, mas ainda assim é um trabalho mais fácil para o diretor Ridley Scott após ir remexer na mitologia de Alien com o grandioso Prometheus. Seguindo confiante no texto de McCarthy, Scott é hábil ao capturar belas imagens com o auxílio da fotografia quente de Dariusz Wolski e, principalmente, ao criar momentos de tensão ascendente onde o elenco estelar possa trabalhar à vontade. Mesmo que traga o sempre ótimo Michael Fassbender no topo dos créditos, Javier Bardem rouba a cena ao fazer um personagem colorido e estranhamente inserido àquele universo violento (curioso como ambos os personagens criados por McCarthy e interpretados por Bardem compartilhem de cabeleiras bizarras – vide Anton Chighurn em Onde os Fracos Não têm Vez) enquanto Cameron Diaz compõe uma personagem que certamente foi escrita com a Sharon Stone dos tempos de Instinto Selvagem em mente – aquela ousada cena do carro, uau. Por fim, Pitt e Cruz têm papéis menores, mas conseguem traduzir suas respectivas características (experiência no negócio sujo e fragilidade diante de uma situação perigosa) com sutis nuances.

Pontuado acertadamente por uma tensa música de Daniel Pemberton, O Conselheiro do Crime é um thriller engenhoso, mas que acaba soando vazio em decorrência de seus excessos de subjetividade e até incompreensível por motivos similares.

Obs: Como fã da série Breaking Bad, fiquei feliz ao ver o ator Dean Norris (intérprete de Hank Schrader) em um papel pequeno que, ironicamente, o coloca do outro lado da lei.

Primeiro trailer de 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 15 de julho de 2013 by Lucas Nascimento

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Novo filme de Steve McQueen, diretor de Hunger e Shame, o drama 12 Anos de Escravidão acaba de ganhar seu primeiro trailer. O filme traz , Chiwetel Ejiofor, Don Cheadle, Michael Fassbender e Benedict Cumberbatch em uma trama que envolve a escravização de um homem comum no século XIX; história real adaptada da autobiografia de Solomon Northup. Parece mais um grande trabalho de McQueen, confira:

O ótimo elenco ainda traz Paul Giamatti, Paul Dano, Quvenzhane Wallis e Brad Pitt. É bom ficarmos de olho nesse aqui, hein.

12 Anos de Escravidão estreia em 27 de Dezembro nos EUA.

| Guerra Mundial Z | Sai de baixo, é o mob zombie

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2013, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 28 de junho de 2013 by Lucas Nascimento

3.5

WorldWarZ
Brad Pitt larga o negócio de matar nazistas e entra para o de matar zumbis

Zumbis estão em alta. O sucesso da série de tv americana The Walking Dead (que eu assistiria, não fosse tão tediosa) trouxe de volta ao imaginário pop as criaturas moribundas e sedentas por carne humana, rendendo diferentes abordagens e encarnações para seu perfil tão icônico. Guerra Mundial Z junta tudo isso e ainda traz novos elementos para o gênero, resultando em um eficiente thriller.

A trama é livremente adaptada do livro de Max Brooks (que também publicou divertidíssimo Guia de Sobrevivência a Zumbis) por Matthew Michael Carnahan, Drew Goddard e Damon Lindelof, centrando-se no investigador da ONU Gerry Lane (Brad Pitt), que é forçado a auxiliar a agência quando uma cataclísmica infestação zumbi misteriosamente assola 5% da população mundial.

Da premissa arquétipa até a proliferação mortal sem explicações acerca de sua origem (como dita a tradição do bom e velho George Romero), Guerra Mundial Z acerta ao economizar precioso tempo evitando cair na “didática” do gênero. Em menos de 30 minutos de projeção, o diretor Marc Forster já nos apresenta de cara às ameaças, introduz com inteligência suas características – através de uma sequência que revela a transformação de um cidadão em zumbi sendo acompanhado pela contagem de tempo de Gerry – e coloca os personagens no meio da ação; dando-lhes até armas de fogo. Até mesmo a palavra “zumbi” é constantemente proferida pelos personagens o que revela, graças às reações céticas dos militares ao ouví-la, a sutil possibilidade de estes habitarem um universo onde mortos-vivos fazem parte da cultura pop.

Forster é habilidoso ao retratar a ambientação da história e seu crescente senso de alarmismo global (que passa por uma Filadélfia infestada de automóveis até uma Jerusalém infestada de multidões) ao longo de suas 2 horas de projeção. O diretor também sabe quando o filme requer um toque de aventura, mas jamais se esquece do suspense que seus antagonistas são capazes de provocar (a sequência no terceiro ato é soberba nesse quesito graças à sua condução silenciosa e montagem equilibrada) ou do drama – aqui, uma amputação em offscreen é chocante graças à sua imprevisibilidade, e a aparente naturalidad” com que ocorre. No entanto, Forster demonstra um talento inversamente proporcional nas cenas de ação (algo que já tinha provado com 007 – Quantum of Solace), apostando na câmera tremida e nos cortes em excesso; algo que funciona apenas para conferir maior “realismo” às criaturas digitais ou para aumentar a dor de cabeça resultante do descartável 3D convertido (que só é válido para exarcebar os muitos sustos).

Impressiona aqui a desumanização presente nas criaturas canibais: em um esperto comentário social (afinal, os grandes filmes do gênero sempre trazem uma mensagem em suas entrelinhas) acerca da superpopulação do planeta, os zumbis de Marc Forster são aglomerados de pessoas que atingem o absurdo ao se amontoarem até formar uma “montanha” de seres vivos. É visualmente assustador, e – mesmo sendo “light” em sua quantidade de violência – confere maior urgência quando vemos Brad Pitt correndo desesperadamente dessa multidão em um corredor estreito. Aqui, somos apresentados ao mob zombie.

Guerra Mundial Z é um eficiente filme de zumbis, promovendo inteligentes ideias para a franquia (a solução encontrada no final, é uma das mais verossímeis já vistas) e o início de uma promissora franquia. E assistam, nunca é demais o preparo para um apocalipse zumbi…

| O Homem da Máfia | O “sonho americano” em suas consequências mais extremas

Posted in Cinema, Críticas de 2012, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , on 17 de dezembro de 2012 by Lucas Nascimento

3.5

Killing Them Softly
O novo Comediante: Brad Pitt é Jackie Cogan

Após a crise econômica dos EUA em 2008 – que causou efeitos ao redor de grande parte do globo – a indústria cinematográfica tem se mostrado muito interessada pelo assunto, como se procurasse entendê-lo e analisar suas consequências, como muitas obras recentes têm feito. O Homem da Máfia segue de perto esse objeto de estudo em uma trama criminosa simples e eficiente, mas que se perde em escapismos do roteiro.

Adaptando o livro de George V. Higgins, a história gira em torno de um assalto a uma casa de jogos da Máfia cometido por dois criminosos novatos. Para dar conta da situação e encontrar os responsáveis, é enviado o matador de aluguel Jackie Cogan (Brad Pitt).

Mesmo com uma premissa dessas e um título sugestivo, O Homem da Máfia é, acima da tudo, um filme político. Ambientado nas eleições presidenciais estadunidenses de 2008, o diretor Andrew Dominik preenche o longa com trechos de entrevistas do ex-presidente George W. Bush e dos dois candidatos da época: o republicano John McCain e o democrata (agora reeleito) Barack Obama. O propósito que justifica a presença de tal material é claramente a discussão sobre a economia dos EUA, mas também sobre o país como um todo. “Os EUA não são um país, são um negócio”, afirma Cogan em momento decisivo e a frase é um dos pontos altos da crítica do filme ao sistema capitalista.

Outro deles envolve a longa cena do assalto, que ganha impacto não só por sua delicada execução (onde o amadorismo dos criminosos chega a causar incômodo no espectador) mas também pela presença de um discurso de Bush ao fundo, e logo associamos as palavras do enunciador – que pesam sobre os efeitos que a crise ecônomica terá na população – com as ações que tomam conta da tela. É um exemplo poderoso de causa e efeito, pois testemunhamos um rumo extremo que o problema segue.

Mas ainda que traga essas analogias interessantes, o longa se perde na simplicidade de sua trama. Talvez como uma tentativa de adiar o inevitável desfecho da história, o roteiro (também assinado por Dominik) traz diversas quebras em sua progressão, principalmente com inúmeros diálogos evasivos (bem escritos, e que ainda servem como estudo sobre a sociedade americana, mas irrelevantes). A maior parte deles envolvem o personagem de James Gandolfini que, mesmo sendo muitíssimo bem retratado pelo eterno Tony de Família Soprano, poderia ser descartado da trama sem complicações (o próprio roteiro lhe oferece um destino fútil, sem grandes explicações). Em contrapartida, os longos diálogos entre os criminosos de Scoot McNairy e Ben Mendelsohn (este último, encarnando com perfeição a decadência humana) ajudam a contextualizar eficientemente o desprezível cotidiano da dupla.

O que nos leva ao matador de Brad Pitt que, ainda que estampe todos os pôsteres e trailers do filme, só surge em cena com cerca de 30 minutos de projeção. Ladrão de cena desde sua marcante aparição ao som de Johnny Cash, Pitt compõe o personagem de forma calma e suave (como o título original, Killing them Softly, aponta) o oposto do que seu visual agressivo sugere. E quanto a sua preferência em “matar seus alvos suavemente”, não fica apenas como uma ou duas cenas estilosas (onde Dominik mostra total domínio sobre o slow motion), mas também uma própria metáfora ao método daqueles que o longa ataca: os poderosos executivos e “tubarões” de Wall Street (representados aqui pelo misterioso motorista de Richard Jenkins), que – assim como Cogan – atacam à distância, sem se envolver pessoalmente nas vidas que estão prestes a destruir.

Ao fim de O Homem da Máfia foi impossível para mim não remeter ao clássico Watchmen de Alan Moore, e à marcante resposta do Comediante quando lhe perguntado o que havia acontecido com o “sonho americano”. “O que aconteceu com o sonho americano? Ele virou realidade.” Jackie Cogan é a nova paródia do capitalismo estadunidense.