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O Ano Mais Violento | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , on 2 de abril de 2015 by Lucas Nascimento

3.0

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Oscar Isaac e Jessica Chastain

Eu já assisti a muitos filmes de gângsteres, e certamente o melhor tipo da variação no gênero é aquele em que o protagonista sucumbe ao caminho perigoso. Seja por lealdade a família, como retratada na imortal trilogia do Poderoso Chefão, a necessidade de sobrevivência e até auto satisfação, na excelente série Breaking Bad, ou pela simples diversão do negócio, vide o também imortal Os Bons Companheiros, é uma metamorfose das mais fascinantes. Então temos algo relativamente inédito: o “quase-gângster”, ao qual J.C. Chandor nos apresenta em O Ano Mais Violento.

Roteirizada pelo próprio Chandor, a trama gira em torno de Abel Morales (Oscar Isaac), um comerciante de gasolina que mantém seu negócio com a esposa Anna (Jessica Chastain) na Nova York de 1981. Ansioso por expandir seu negócio a níveis grandiosos, ele negocia a compra de uma propriedade judaica, justamente quando começa a ser atacado por criminosos e competidores, que almejam quebrá-lo financeiramente.

Primeiramente, aplausos a toda a equipe de Chandor pela construção visual absolutamente impecável. O design de produção recria com sutileza o início da década de 80, enquanto o figurino de Kasia Walicka-Maimone concentra-se na elegância (evitando o estilão mais bizarro, vulgo cabelos de Linda Hamilton) e na necessidade de proteger seus personagens do inverno pesado que assola Nova York. O diretor de fotografia Bradford Young vem se destacando (ele também é responsável pelo ótimo trabalho em Selma) como um profissional nato, adotando uma paleta de cor alaranjada que se aproxima muito do estilo de Gordon Wilis na trilogia do Poderoso Chefão, impressionando também com seu jogo de luz e os planos abertíssimos comandados por Chandor. Tecnicamente, é magnífico.

Meu problema com o filme é que a história simplesmente não empolga, e não traz muito de original. O Abel Morales de Isaac é um sujeito que luta para caminhar “no caminho certo”, como o próprio define, e é justamente o oposto que torna o gênero tão apetitoso. Chandor cria um jogo interessante entre Abel e a esposa, funcionando principalmente pelas excelentes performances de Isaac e Chastain, e sobre a resistência deste para não ceder “ao lado sombrio”, rendendo duas sequências inspiradas em que o personagem luta para controlar seus instintos violentos. Para um filme com um título desses, O Ano Mais Violento é surpreendentemente otimista.

Demora para encantar o espectador, mesmo que os personagens sejam bem representados. Até mesmo a decisão de ambientar o longa em 1981 (que como nos dizem as estatísticas, o ano mais violento da cidade de Nova York) surge desperdiçada, já que a narrativa fica presa a seu próprio mundo, sendo irrelevante qual o ano específico da história – ainda que seja interessante ver algumas locuções de rádio constantemente relatando crimes, como se este fosse uma espécie de fantasma que assombra o protagonista, tentando-o.

O Ano Mais Violento é um brilhante feito técnico e visual, trazendo boas metáforas e interpretações, mas que infelizmente não são o suficientes para carregar a trama arrastada e pouco estimulante que J.C. Chandor. Às vezes, o lado sombrio é o mais fascinante.

Leia esta crítica em inglês.

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| Vizinhos | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , on 21 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

Neighbors
Zac Efron e Seth Rogen na pista de dança

Acho muito satisfatório quando uma comédia consegue ser bem atual, adotando as inovações culturais/tecnológicas da sociedade em suas dezenas de piadas. Judd Apatow (O Virgem de 40 AnosLigeiramente Grávidos, entre outros) é um especialista nesse quesito, e mesmo que seu dedo não esteja presente em Vizinhos, não é difícil encontrar influências do diretor/roteirista. Ainda que escrachada, vulgar e essencialmente um longa com propósito para fazer rir, é possível encontrar um inesperado subtexto sobre justamente isso: inovação.

A trama começa quando uma república de estudantes, liderada por Teddy (Zac Efron), se muda para a casa vizinha à do casal Radner (Seth Rogen e Rose Byrne), que vai lidando com os desafios iniciais de serem pais. Com as constantes e barulhentas festas promovidas pelo grupo, o casal logo inicia uma guerra contra os universitários.

Ao pensar nessa premissa, só imagino os roteiristas estreantes Andrew J. Cohen e Brandon O’Brien pelos corredores da Universal vendendo a ideia de um filme sobre “um casal vizinho de uma fraternidade universitária”, e como a amizade com Seth Rogen deve ter ajudado. É uma boa ideia no papel, mas difícil de se fazer um longa que se sustente em aproximadamente 90 minutos, que é justamente onde Vizinhos patina: estrutura. O roteiro da dupla é problemático ao fornecer uma narrativa fluente, dado que em certo momento da trama o casal “vence” a fraternidade, mas resolve voltar a atacá-los simplesmente pelo ócio. Não faz sentido também a briga que o casal tem durante outro ponto da história, que não leva a absolutamente lugar algum e é resolvida sem grande dificuldade.

Mas tudo bem, já que Vizinhos tem muito mais qualidades que o redimem. Falar sobre comédia sempre é uma tarefa engrata, já que é o gênero mais relativo de todos: uns vão rir horrores com frases do tipo “ele parece uma estátua esculpida por cientistas gays”, já outros vão ficar completamente enojados com a rápida imagem de um pênis enorme enrolado no pescoço de uma mulher ou uma bizarra cena de ordenha. Saiba o tipo de filme em que está entrando, é uma comédia suja. Vizinhos me arrancou muitas risadas, especialmente pela facilidade do roteiro em capturar em cheio o período atual, sobrando referências para séries como Breaking Bad (“Sorria, bebê Heisenberg”) e Game of Thrones, a maciça inclusão digital como artifício narrativo e momentos de puro nonsense, como a luta entre Rogen e Zac Efron.

Aliás, como antigo hater do ator marcado por High School Musical, reconheço sua ótima performance como o presidente da fraternidade Delta Psi. Não só é um completo maluco e marginal quando a trama o requer assim, mas também carrega uma faceta dramática escondida – que traz à tona o embate novo/velho e o futuro incerto em um interessante diálogo – que ajuda a tornar seu personagem crível, ao invés de simplesmente um antagonista unidimensional. Ao seu lado temos o cada vez mais carismático Dave Franco como um de seus amigos, o sempre hilário Seth Rogen e a revelação cômica na forma de Rose Byrne, que simplesmente rouba todas as cenas com um brilhante sotaque australiano. E o diretor Nicholas Stoller (Ressaca de Amor e O Pior Trabalho do Mundo) é inteligente ao fornecer bastante espaço para improvisos, além de comandar bem as sequências envolvendo baladas e suas luzes coloridas, e até brincar com diferentes formatos de vídeo em alguns rápidos flashbacks sobre a origem da fraternidade: anos 30, filme mudo; anos 70, razão de super 8; anos 80, VHS.

No fim, Vizinhos é uma experiência divertida e que certamente vai arrancar risadas se você curtir esse tipo de humor, e também surpreende com seu esperto e inesperado subtexto. Considerando que este é um filme onde a ereção é usada como golpe de luta, é no mínimo surpreendente.

Obs: Alguém dê um biscoito para quem teve a ideia de uma festa temática Robert De Niro.

Rian Johnson vai dirigir STAR WARS VIII

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 20 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

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Com mais de um ano nos separando de Star Wars: Episódio VII, a Disney acaba de divulgar mais um nome envolvido na saga espacial de George Lucas. Rian Johnson, diretor de Looper – Assassinos do Futuro e alguns dos melhores episódios de Breaking Bad, foi contratado para escrever e dirigir o Episódio VIII. Johnson ainda foi anunciado como roteirista do vindouro Episódio XIX.

Claro que ainda não sabemos absolutamente nada sobre esses filmes, só temos o elenco estelar escolhido a dedo por J.J. Abrams. E fora da cronologia, teremos também Gareth Edwards (Godzilla) e Josh Trank (Poder sem Limites) para comandar derivados ainda não especificados.

Olha, que time de vencedores a Disney vem reunindo. Mal posso esperar para ver o resultado.

A saga retorna em 18 de Dezembro de 2015.

| Need for Speed – O Filme | Nem Aaron Paul salva adaptação de game

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 16 de março de 2014 by Lucas Nascimento

2.0

NeedforSpeed
Yeah, bitch! Fast cars!

De todos os milhares de títulos de videogames existentes, Need for Speed é certamente um dos que dificilmente renderia uma boa adaptação. Não sou expert em jogos de corrida, mas a franquia da EA Games nunca foi lembrada por sua história, e este é um elemento irrelevante no caso – já que o único propósito da série é entreter os jogadores com suas corridas. É mais ou menos o que acontece com essa adaptação cinematográfica, mas nem a ação é capaz de valer a experiência.

A trama nos apresenta ao habilidoso piloto Tobey Marshall (Aaron Paul, o Jesse Pinkman de Breaking Bad), que serve pena na prisão após ser injustamente acusado pelo homicídio culposo de seu melhor amigo. Em liberdade, Tobey reúne sua antiga equipe para planejar uma vingança contra o verdadeiro assassino (Dominic Cooper), na forma de uma grandiosa corrida clandestina.

Bem, não se pode esperar muito apuro intelectual ou um roteiro incrível de uma obra do tipo (mas a esperança nunca morre), vide a historinha risível que o roteiro do estreante George Gatins sofre para contar: motivações bobinhas, coadjuvantes forçadamente reduzidos a alívios cômicos intrusivos (ainda que o piloto vivido por Scott Mescudi se destaque por representar a típica figura de ajuda onipresente comumente encontrada em games) e um antagonista absurdamente estúpido. Dentre todos os erros, o maior deles certamente é que o diretor Scott Waughs leva tudo a sério demais. A franquia Velozes e Furiosos é longe de ser perfeita, mas funciona – e diverte – pois seus realizadores sabem exatamente o tipo de produção em que estão envolvidos. Need for Speed – O Filme chega até a ser chato na metade da projeção.

Elefante da sala devidamente retirado, vamos aos motivos para que alguém compraria um ingresso para o filme: carros e, no meu caso, Aaron Paul. O último se sai bem e traz carisma de sobra num papel típico de herói de ação, e ainda tem a oportunidade de brilhar em um ou dois momentos mais “dramáticos”. Já nas cenas que retratam a necessidade por velocidade de seus protagonistas, Waughs é habilidoso com suas escolhas de câmera (especialmente naquela que emula a tela de um game ao posicioná-la no painel de um veículo ou em outra fixada em um carro enquanto este rodopia pelo ar) e a sonoplastia traduz com eficiência os poderosos motores dos Mustangs, Lamborghinis, entre outros, envenenados. Nada revolucionário, mas que ao menos distrai.

Elefante da sala devidamente retirado, vamos aos motivos para que alguém compraria um ingresso para o filme: carros e, no meu caso, Aaron Paul. O último se sai bem e traz carisma de sobra num papel típico de herói de ação, e ainda tem a oportunidade de brilhar em um ou dois momentos mais “dramáticos”. Já nas cenas que retratam a necessidade por velocidade de seus protagonistas, Waughs é habilidoso com suas escolhas de câmera (especialmente naquela que emula a tela de um game ao posicioná-la no painel de um veículo ou em outra fixada em um carro enquanto este rodopia pelo ar) e a sonoplastia traduz com eficiência os poderosos motores dos Mustangs, Lamborghinis, entre outros, envenenados. Nada inovador, mas que ao menos distrai.

Capaz de despertar genuína empolgação com músicas incidentais como um cover bacana de Jamie N Commons para “All Along the Watchtower” e “Roads Untraveled”, do Linkin Park, a verdade é que caso Need for Speed – O Filme fosse mais um exemplar da série de games homônima, eu indubitavelmente “pularia” todas as cutscenes para chegar direto à ação. O problema nessa adaptação cinematográfica fica na impossibilidade de se fugir dos momentos entediantes – a menos que você seja o projecionista – e outra pessoa está “jogando” no seu lugar.

Obs: O 3D convertido é um dos piores que eu já vi. Não sei se foi só a minha sessão, mas a imagem estava incomodamente escura.

Obs II: Há uma curta cena extra logo no começo dos créditos finais.

Obs III: Três personagens diferentes usam a palavra “bitch”, e o de Aaron Paul não é um deles…

| Nebraska | A divertida jornada pela fradulenta auto-satisfação

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

Nebraska
Bruce Dern é Woody Grant

Depois de um desmistificador olhar sobre a sociedade havaiana em Os Descendentes (que lhe rendeu um Oscar como corroteirista), o diretor Alexander Payne retorna com uma saudável mistura entre o humor e o drama com Nebraska, sucesso do Festival de Cannes que traz Payne e um talentoso time de volta à cerimônia da Academia deste ano.

A trama se concentra no idoso Woody Grant (Bruce Dern), que acredita ter ganhado 1 milhão de dólares em um sorteio e acaba por ficar obcecado em reclamar seu prêmio. Certo de que é apenas um golpe publicitário, seu filho David (Will Forte) promete levar o pai até o estado de Nebraska a fim de lhe garantir uma espécie de satisfação.

Em sua estreia como roteirista de cinema, Bob Nelson elabora uma narrativa muito simples e concentrada nas diferentes situações que ocorrem no caminho da jornada para Nebraska. O mais significativo deles, é certamente a visita de Woody, David e Kate (esposa do protagonista, vivida pela excelente June Squibb) à cidade natal do casal, onde acabam por encontrar parentes e colegas dos velhos tempos. Nelson acerta ao proporcionar os diálogos mais desinteressantes da face da Terra (especialmente aqueles entre a pacata família Grant), e Payne o segue com inteligência ao apostar em um ritmo lentíssimo e sem muitos cortes em tais cenas – mesmo que ocasionalmente maçante, é essencial para a criação de humor do filme. O diretor também agrada ao trazer planos divertidíssimos (como aquele em que dois sujeitos mascarados preparam-se para um ataque inesperado) e que funcionam com o timing de seu elenco – mesmo que completamente unidimensionais, é impossível não rir com os irmãos interpretados por Tim Driscoll e Devin Ratray.

Por outro lado, é interessante a decisão de Alexander Payne em rodar o filme em preto-e-branco, já que esta confere melancolia à saga de Woody Grant. Mesmo que pontualmente engraçado, o personagem do ótimo Bruce Dern é uma figura trágica (alcoólotra, solitário e ingênuo demais), e o veterano ator é eficaz ao dominar um andar manco e devagar; assim como expressões confusas e uma falha audição. E o diretor de fotografia Phedon Papamichael captura com seu inteligente jogo de luzes e sombras o tom apropriado para o longa, fazendo desejar que a Academia voltasse a dividir a categoria entre colorida e preto-e-branco, dada a incrível beleza das imagens capturadas. Além disso, a trilha sonora de Mark Orton contribui ao trazer uma curiosa mistura entre noir e country.

Novamente sobre Payne, devo apontar uma cena específica que traz uma mise em scène fabulosa e absolutamente simples, que comprova seu talento absoluto como cineasta de forma sutil. Logo após os dois filhos (Forte e Bob Odenkirk, da série Breaking Bad e a vindoura Better Call Saul) saírem do carro, Woody fica no banco de trás e sua esposa atrás do volante. Ao retornarem, não há outra decisão estética a não ser colocar Forte ao lado de Woody e Odenkirk ao lado da mãe, o que revela muito sobre seus personagens – e a qual dos pais cada um dos irmãos confere mais afeto. Um exemplo que revela um Payne mais contido, mas nem por isso menos eficiente.

No fim, é interessante observar Nebraska como uma obra sobre a auto-satisfação, mesmo que seja pautada em mentiras. Seja no suposto prêmio do protagonista, que logo desperta interesses alheios, ou em diversos momentos do último ato, o filme de Alexander Payne acerta ao analisar essa temática de forma bem-humorada e até tocante. Mas se a satisfação dos personagens aqui é pautada em elementos fraudulentos, a do espectador diante do filme é verdadeiramente genuína.

FAN BOYS: Batman Vs. Superman

Posted in Fan Boys with tags , , , , , , , , , , , , , , on 27 de agosto de 2013 by Lucas Nascimento

supbat

Foi rápido, hein? Menos de uma semana após o anúncio de que Ben Affleck seria o Batman na sequência de O Homem de Aço, o usuário do Youtube Solient Brak 1 juntou clipes de diversas obras para trazer o Superman de Henry Cavill ao lado do Morcego e, melhor ainda, um Lex Luthor interpretado por Bryan Cranston. A edição é caprichada e oferece um tom muito interessante, sem falar que a frase final (tirada de um dos episódios de Breaking Bad) foi perfeitamente inserida. Confira:

A música aqui é um mix de “I Will Find Him” e “Arcade”, ambos de Hans Zimmer.

Batman Vs. Superman estreia em 17 de Julho de 2015.