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| Grandes Olhos | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 25 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

BigEyes
Christoph Waltz e Amy Adams

Depois de anos mergulhado em histórias fantásticas povoadas por criaturas excêntricas como seu próprio estilo, Tim Burton resolveu parar e contar uma história sobre pessoas “normais”, e fico feliz que o tenha feito. Aguentei tudo que ele entregou até Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, mas suas baboseiras com Alice no País das Maravilhas e Sombras da Noite quase jogaram Burton no limbo. Com Grandes Olhos, Burton meio que se redime.

A trama é inspirada na história real do casal Margaret e Walter Keane (Amy Adams e Christoph Waltz, respectivamente) um casal de pintores que vivia uma boa carreira na década de 60. Margaret pintava seus característicos quadros retratando crianças com olhos desproporcionalmente grandes, enquanto Walter bancava o empresário e vendia suas obras. O problema é quando Walter começa a assumir todo o crédito pelo trabalho de sua esposa.

Nada de fadas, bruxas, vampiros ou outros seres “Burtonescos”, como Johnny Depp ou Helena Bonham Carter. A história também não é ambientada numa vasta mansão ou numa floresta gótica criada por efeitos visuais, mas sim uma pacata cidade da Califórnia. É certo dizer que Burton não contava uma história tão comum assim desde Ed Wood (não por acaso, o melhor filme de sua carreira), que me atinge como a principal influência para Grandes Olhos: é uma história comum, mas o diretor não esconde seu estilo e sabe dosá-lo apropriadamente, de acordo com a demanda narrativa. O Walter de Christoph Waltz, por exemplo, é uma figura gritantemente cartunesca, seja em seus acessos de raiva ou risadas de vitória.

Visualmente, Burton sabe muito bem a hora de jogar um enquadramento mais chamativo/expressionista (a pausa dramática, embalada pela música de Danny Elfman, quando um vendedor pergunta pelo real autor de uma pintura pela primeira vez é magistral) ou liberar todo seu “instinto” quando a trama alcança um momento onírico, no caso a ida ao mercado onde Margaret se depara com diversas pessoas com os olhos imensos. Toda a direção de arte – dos cenários aos figurinos – é eficaz ao criar um mundo colorido e vibrante que a fotografia de Bruno Delbonnel captura com beleza, ainda que não roube a atenção para si; é tão belo quanto uma pintura.

Tudo bem que em certos momentos não parece que estamos diante de uma história real, dado a abordagem mais cômica de Burton. Novamente, o Walter de Waltz (olha, que sonoro) e a Margaret de Adams parecem habitar universos diferentes, já que a performance da atriz é bem menos discreta e mais sutil do que a de seu companheiro. E mesmo tratando-se de acontecimentos verídicos, o roteiro de Scott Alexander e Larry Karaszewski poderia ser mais ácido, ou oferecer mais profundidade à questão do que é realmente Arte; um tema que este apenas tangencia brevemente.

Grandes Olhos é um dos trabalhos mais eficientes que Tim Burton trouxe nos últimos anos. Deixou de lado as fantasias góticas para se dedicar a uma história sobre seres humanos, e mesmo que esta não tenha sido empolgante quanto poderia ser, fico aliviado em ver que o diretor ainda sabe contar histórias.

Obs: Crítica publicada após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 24 de Janeiro.

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Os Mestres do Oscar 2014 | Volume II: Categorias Técnicas

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 25 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Oscar não é só sobre as estrelas, é também para premiar o esforçado trabalho de dezenas (e até centenas) de pessoas que se dedicam às categorias técnicas de um filme. E elas são muito mais interessantes de se analisar, vamos ao segundo volume do especial:

fotografia

Ajudando a transformar a visão do diretor em realidade, o diretor de fotografia possui um dos mais importantes cargos, analisando luzes, cores, sombras, mise en scène, entre muitos outros… Os indicados são:

O Grande Mestre | Philippe Le Sourd

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Indicado surpresa da categoria, o filme de ação chinês O Grande Mestre ainda não tem previsão de estreia no país (o longa foi exibido na Mostra de São Paulo do ano passado, mas só fui descobrir agora…), portanto é difícil analisar o trabalho de Phillippe Le Sourd de uma forma que não seja puramente baseada no visual. E se esse fosse o único aspecto, uau. Só pelo trailer, as lindíssimas imagens preenchidas com névoa, chuva pesada e lutas em slow motion deixaram-me salivando. Infelizmente, só posso dizer que as imagens são espetaculares.

Razão de Aspecto: 2:35:1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arricam LT, Cooke S4 e Lentes Angenieux Optimo
Arricam ST, Cooke S4 e Lentes Angenieux Optimo
Arriflex 435 Xtreme, Cooke S4 e Lentes Angenieux Optimo Lenses
Phantom Flex, Lentes Cooke S4 (tomadas de alta velocidade)

Gravidade | Emmanuel Lubezki

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E pertence a Gravidade o posto de representante da fotografia digital do ano, e muito provavelmente o vencedor da categoria, já que os últimos dois vencedores em Fotografia (As Aventuras de Pi e A Invenção de Hugo Cabret) contavam com o formato, além de um caprichado uso de 3D. E o resultado é realmente espetacular… Mesmo rodado inteiramente quase que inteiramente em greenscreen, o cinematógrafo Emmanuel Lubezki acerta ao talentosamente controlar a fonte do luz (em sua maioria, o sol na imensidão do espaço) sob os rostos dos atores e ao contribuir para a criação de imagens vívidas e espetaculares. Sem falar que Lubezki ainda teve que acompanhar o diretor Alfonso Cuarón na criação de planos-sequência e requintados movimentos/dispositvos de câmera – como aquele que traz Sandra Bullock rodopiando em primeiro plano.

Razão de Aspecto: 2:35:1

Formato: 65mm

Câmeras: Arri Alexa M
Arri Alexa, Panavision Primo e Lentes Zeiss Master Prime
Arriflex 765, Lentes Zeiss 765

  • American Scociety of Cinematographers
  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Bruno Delbonnel

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Bruno Delbonnel é dono de um estilo único. Só de se assistir a um trailer de algum trabalho que o traga na função de diretor de fotografia, é possível perceber seus marcantes traços visuais, demarcados por seus filtros de luz (até mesmo no sexto Harry Potter, que se diferencia visualmente de TODOS os outros filmes da franquia). Com a odisseia folk tragicômica de Inside Llewyn Davis, Delbonnel cria um mundo cinzento e melancólico, envolto por trevas e sombras profundas. Seus filtros também são impecáveis ao retratar um inverno verdadeiramente frio, de uma atmosfera quase onírica (especialmente nas sombrias tomadas ambientadas em estradas e em pequenos bares). A fotografia de Gravidade nos leva até o espaço, mas o trabalho de Delbonnel é coisa de outro mundo.

Razão de Aspecto: 1:85:1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arricam LT, Lentes Cooke S4 Lenses; Arricam ST, Lentes Cooke S4

Nebraska | Phedon Papamichael

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A Academia não resiste a uma boa fotografia em preto-e-branco. Mas diferentemente dos últimos indicados do tipo (O Artista e A Fita Branca), Phedon Papamichael não dispensa as cores para simular um formato antigo, e sim para transmitir a melancolia presente na trama de Nebraska. E é impressionante a capacidade de Papamichael em capturar imagens belíssimas, comprovando como o formato preto-e-branco está longe de ser esquecido. Seja em seu bom olho para paisagens de estradas interioranas (com um céu predominantemente nublado, acentuado pelo cinza) ou sua habilidade de brincar com luzes e sombras nos momentos apropriados – remetendo constantemente ao noir – a fotografia de Nebraska me faz desejar que a Academia voltasse a dividir a categoria entre Preto e Branco e Colorido.

Razão de Aspecto: 2:35 : 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arri Alexa M,Lentes Panavision C-Series
Arri Alexa Plus 4:3, Panavision C-Series, Lentes ATZ e AWZ2

Os Suspeitos | Roger Deakins

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Atmosfera. Essa é a palavra-chave para definir o trabalho do veterano Roger Deakins (ainda sem Oscar) no suspense Os Suspeitos (outro filme que também merecia mais amor da Academia). Dominado por paletas de cor frias e sem vida, o visual do filme de Denis Villenueve é aterrador e perfeito para o tenso desenrolar da história. Ajuda também que Deakins capture diversas imagens dominada pelas trevas, chuvas, neve, chuvas mescladas com neve (!) e um clima predominantemente frio e cinzento. É quase como se fôssemos capazes de mergulhar naquele universo, de tão palpável (a razão de aspecto mais ampla ajuda nesse quesito). Perfeito para um dia de inverno.

Razão de Aspecto: 1.85 : 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arri Alexa Plus, Lentes Zeiss Master Prime
Arri Alexa Studio, Lentes Zeiss Master Prime

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Vitória certa de Gravidade aqui, mas nunca esqueçam de Deakins.

MEU VOTO: Inside Llewyn Davis

FICOU DE FORA: Só Deus Perdoa | Larry Smith

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Em muitos aspectos, Só Deus Perdoa me decepcionou bastante. História vazia, personagens opacos e uma narrativa de associação livre (há quem goste, não é meu caso) tornaram maçante a experiência do último filme de Nicolas Winding Refn; especialmente após o excepcional Drive. Mas se há um quesito excepcional na saga criminosa tailandesa é a fotografia vibrante de Larry Smith, que aposta na predominância do vermelho, trevas e as luzes de neon da cidade. É um deleite visual.

BÔNUS: Vídeo Análise

Não sou nenhum profissional na área da Fotografia, mas o autor deste belo vídeo do Fandom certamente é. Assista aqui a eficiente edição onde o comentarista analisa pequenos detalhes de cada um dos filmes indicados. Muito, muito bom:

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Para povoar a história de personagens e situações, cenários – sejam digitais ou construídos – são essenciais, assim como a equipe que os desenha/projeta antes de lhes dar vida. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão | Adam Stockhausen & Alice Baker

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Ambientado no sul dos EUA no século XIX, o design de produção de 12 Anos de Escravidão concentra-se principalmente no visual e estrutura das plantações de algodão da época. É um trabalho notável de reconstituição de época e, além das ambientações de natureza rural, também temos flashbacks ambientados em ruas de Nova York e portos de cidades no sul. McQueen aproveita bem o trabalho de sua equipe, que jamais soa exagerado, mantendo-se fiel à História.

Ela | K.K. Barrett & Gene Serdena

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Em uma Los Angeles futurista, o design de produção de K.K. Barrett impressiona por sua sutileza e aparente simplicidade. Os cenários, objetos e prédios apresentados no romance de ficção científica Ela acertam ao trazer um design moderno que certamente os situam no futuro, mas sem exagerar a ponto de parecer uma realidade distante. Seja em detalhes simples como slides de flores em um elevador, o predomínio de cores azuis e vermelhas em paredes e vidros ou a arquitetura moderna dos edifícios (as tomadas externas inteligentemente foram gravadas em Xangai, simulando LA), o design do filme perfeitamente situa a história – sem chamar muita atenção para si, mas também sem passar despercebido.

  • Art Directors Guild – Filme Contemporâneo

O Grande Gatsby | Catherine Martin & Beverley Dunn

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Criados a partir de uma mistura eficiente entre efeitos práticos e computadorizados, os cenários e ambientes que criam a Nova York dos anos 20 de O Grande Gatsby fazem jus à grandiosidade do período. É importante observar a diferença socioeconômica é preservada nos diferentes cenários: a faraônica mansão de Gatsby, suas festas colossais e um luxuoso apartamento que acertadamente é dominado pelo vermelho – já que este é usado apenas para o adultério – que se sobressaem diante de lugares mais humildes, como o cinzento Vale das Cinzas e a pequena oficina mecânica de um dos personagens. Tudo isso servindo à visão exuberante de Baz Luhrmann.

  • Art Directors Guild – Filme de Época
  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

Gravidade | Andy Nicholson, Rosie Goodwin & Joanne Woollard

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Quando se pensa no design de produção em Gravidade, a primeira reação é: espaço sideral. Mas então nos damos conta que, além das deslumbrantes imagens da Terra, a produção traz ainda duas estações espaciais distintas na narrativa. Seus exteriores (que incluem para-quedas, satélites e uma mecânica verossímil) impressionam, assim como as sutis diferenças e detalhes que diferenciam seus interiores; uma é russa, outra é chinesa, é divertido encontrar objetos como raquetes de ping pong (chinesa) ou fotografias espalhadas pelas paredes. O design dos veículos espaciais (como a Explorer americana, ou a sequência de despreendimentos na re-entrada) também convence, o que certamente rendeu um vasto trabalho de pesquisa por parte de Andy Nicholson e Rosie Goodwin.

  • Art Directors Guild – Filme de Fantasia

Trapaça | Judy Becker & Heather Loeffler

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Como é possível observar na montagem acima, os cenários de Trapaça são todos construídos (sem retoques aparentes com computação gráfica) e fiéis ao estilo de arquitetura da década de 70 – especialmente nas cores e na decoração de set. É um belo trabalho e que jamais soa inverossímil, mas quem deve ter se beneficiado mais do trabalho foi o elenco, já que o diretor David O. Russell não oferece planos para que admiremos o trabalho de sua equipe (uma money shot, como é conhecida), já que mantém sempre o plano fechado em seus intérpretes. Uma reconstrução de época eficiente.

APOSTA: O Grande Gatsby

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ela

MEU VOTO: Ela

FICOU DE FORA: O Hobbit: A Desolação de Smaug | Dan Hennah, Ra Vincent e Simon Bright

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Quem acompanha o blog sabe da minha resistência à trilogia Hobbit de Peter Jackson, mas a ausência de A Desolação de Smaug na categoria é um absurdo, especialmente considerando que o trabalho aqui é muito superior àquele visto no filme anterior (indicado aqui no ano passado). A segunda aventura se destaca por trazer cenários digitais muito mais fascinantes e belos, começando pelo reino dos Elfos da floresta, até a espetacular Cidade do Lago (que surge como uma mistura de Veneza medieval com Absolutismo francês) e o confronto com o magnífico dragão Smaug em montanhas de moedas douradas. Sem falar que muitos destes cenários foram de fato construídos…

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A menos que estejamos nos referindo a uma produção pornográfica, os atores precisam de roupas; que variam de época, tamanho e estilo, adequando-se à sua narrativa e ao personagem. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão | Patricia Norris

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A veterana Patricia Norris é a responsável pelas vestimentas dos EUA do século XIX, no drama 12 Anos de Escravidão. Não só a figurinista é eficaz ao evidenciar as óbvias diferenças sociais entre homens brancos e escravos (cujas roupas são predominantemente tecidos gastados e velhos), mas também ao separar diferentes fazendeiros. Por exemplo, o vivido por Benedict Cumberbatch é mais nobre do que a maioria de seus colegas, trajando roupas mais elegantes e bem cuidadas, diferenciando-se radicalmente daquele vivido por Michael Fassbender, cujas roupas trazem um aspecto mais desleixado e que adequam-se com sua personalidade explosiva e viciosa. Norris já foi indicada 7 vezes e nunca ganhou, acho que a hora é agora…

Costume Designers Guild – Filme de Época

O Grande Gatsby | Catherine Martin

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Ame ou odeie os filmes de Baz Luhrmann (eu estou bem aqui, no meio-termo), não como negar a beleza exótica de suas produções, em especial os figurinos concebidos por sua onipresente colaboradora (e esposa) Catherine Martin. Já tendo embarcado em períodos de época em produções como Moulin Rouge! (a virada do século XX) e Austrália (pré-Segunda Guerra), Martin embarca no sonho de todo figurinista: os ferozes anos 20. Responsável por vestimentas de centenas de figurantes, Martin mistura a pesquisa histórica do elegante período com o toque excêntrico de Luhrmann – rendendo divertidas criações. Vale apontar seu cuidado com as cores, também: Daisy, por exemplo, surje sempre em tons delicados de branco e rosa, enquanto a personagem de Myrtle (adúltera) é dominada pelo vermelho – rendendo um poderoso contraste com sua moradia cinzenta.

  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

O Grande Mestre | William Chang

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Segunda categoria que o inédito O Grande Mestre conta na premiação, é na confecção de William Chang para um figurino que reconstitua com fidelidade o período da China na década de 30. Bem, como o filme ainda não estreou, fica difícil avaliar o trabalho de Chang (já que nem muitas imagens de divulgação consegui encontrar).

The Invisible Woman | Michael O’Connor

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E o que seria da categoria de Melhor Figurino sem um candidato centrado nas vestimentas européias do século XIX? O especialista Michael O’Connor é o responsável por vestir os personagens do inédito The Invisible Woman (ainda sem previsão de estreia no Brasil), filme dirigido por Ralph Fiennes que o coloca na pele de um apaixonado Charles Dickens, que acaba por manter uma paixão escondida no auge de sua carreira. Bem, a reconstituição de época parece acertada (Connor já levou a estatueta por um trabalho similar, em A Duquesa), mas análises mais detalhadas só são possíveis após conferir o filme.

Trapaça | Michael Wilkinson

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Anos 20 são de matar, mas não deixemos de lado a psicodélica moda dos anos 70, representada muitíssimo bem em Trapaça. Pra começar que o figurino tem um papel importante dentro da história, já que Irving Rosenfeld é dono de uma tinturaria e preenche seu guardarroupas com casacos e paletós deixados para trás. Michael Wilkinson ainda confere uma vasta variedade de vestimentas, acertando especilamente naqueles vestidos por suas atrizes: a personagem de Amy Adams surge sempre com blusas e vestidos dotados de um decote hipnotizante, enquanto a de Jennifer Lawrence tem importante ajuda dos figurinos para demarcar sua idade e persona – no caso, a de dona-de-casa.

APOSTA: 12 Anos de Escravidão

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Grande Gatsby

MEU VOTO: O Grande Gatsby

FICOU DE FORA: Jogos Vorazes: Em Chamas | Trish Summerville

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A franquia Jogos Vorazes é notória pelo visual cartunesco e bizarro de seus personagens, em um exarcebamento distópico das modas “coloridas” que antigem certos grupos sociais. No primeiro filme esse aspecto já era interessante, mas com a entrada de Trish Summerville (que trabalhou em Hollywood ao vestir os personagens de Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres) as vestimentas de Em Chamas ganham maior personalidade e apostam em estilos distintos e que conseguem até uma certa lógica; não é só colorido e espalhafatoso, Summervile consegue tecer um padrão de moda para o futuro distópico de Panem.

montagem

Se há um departamento que é essencial – e também um dos meus preferidos – é a montagem. É preciso habilidade para montar o filme, lhe fornecer o ritmo e tom apropriado e, claro, eliminar cenas desnecessárias. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão | Joe Walker

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Tendo uma narrativa ambientada em 12 anos de duração, o montador Joe Walker é o responsável por manter os eventos mais relevantes (escolhidos dentro do roteiro de John Ridley) e oferecer o ritmo apropriado à trama dramática do filme de Steve McQueen. Vale apontar o uso controlado de flashbacks a respeito da vida do protagonista, especialmente em seu cotidiano e ao explicitar a forma como sua captura se deu. Estrutura narrativa à parte, Walker é eficaz também ao fornecer a intensidade necessária em determinadas sequências, ausentando cortes (McQueen gosta de longas tomadas) ou reduzindo-os ao mínimo, o que garante fluidez às cenas. Mas meu exemplo favorito aqui é um longo plano que traz Solomon de frente à câmera, em um eficiente recurso de passagem do tempo.

Capitão Phillips | Christopher Rouse

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Frequente colaborador de Paul Greengrass, Christopher Rouse mantém seu tradicional estilo (presente em todos os filmes do diretor) em Capitão Phillips: o excesso de cortes, que se manifestam quase que suavemente graças à direção marcada pela técnica “câmera na mão”. Desnecessário dizer que seja uma aliança de artíficios que consegue eficientemente criar uma áurea constante de tensão. Rouse sempre mantém o foco na trama central de Richard Phillips, evitando o excesso de cenas que revelam a intervenção dos militares no sequestro.

  • ACE Eddie Awards – Drama

Clube de Compras Dallas | Jean-Marc Vallée e Martin Pensa

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Indicado supresa da categoria, o trabalho de montagem de Clube de Compras Dallas é eficaz ao fornecer velocidade e energia às sequências de passagem do tempo. O grande destaque vai para as sequências que envolvem as viagens do protagonista para obter medicamentos ilegais, impecavelmente organizada com cortes rápidos e transições que resumem ações de dias em poucos segundos – habilidosamente entrecortando com as subtramas da nardativa. Vale apontar também o uso de legendas como “dia 1”, “dia 2” e “três meses depois” para delimitar espaços de tempo maiores. No geral, o filme tem um bom ritmo, mas poderia acabar bem antes do que realmente o faz.

Gravidade | Alfonso Cuarón e Mark Sanger

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O segredo da montagem de Gravidade é sua aparente ausência. A começar pelo magistral plano sequência de 15 minutos que abre a narrativa, onde a impressão é de que a cena foi executada sem um único corte, mas certamente houveram diversas intervenções sutis da parte de Mark Sanger e Alfonso Cuarón ali – não só por sua dificuldade, mas pela natureza técnica da produção. A curta narrativa é composta por diversos momentos assim, e é de se admirar a competência sublime da dupla ao simular o efeito de uma tomada contínua (um bom exemplo é a cena em que a câmera se aproxima da personagem de Sandra Bullock até entrar em seu capacete e oferecer um dinâmico POV, algo impossível de se realizar manualmente). Em seus cortes “convencionais”, o trabalho também é eficaz e serve para manter o ritmo – considerando também que é uma narrativa quase que em tempo real, com pouquíssimas elipses.

  • Critics Choice Awards

Trapaça | Alan Baumgarten, Jay Cassidy e Crispin Struthers

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É no mínimo curioso que a de montagem de Trapaça tenha sido lembrada, e não o de Thelma Schoonmaker em O Lobo de Wall Street. Isso porque Alan Baumgarten, Jay Cassidy e Crispin Struther devem muito ao trabalho da habitual colaboradora de Martin Scorsese, especialmente em Os Bons Companheiros e Cassino. A montagem do trio preserva a tensão e ritmo entre cada interação dos personagens, ousando mais quando aposta em algumas rápidas digressões temporais a fim de obter um certo humor negro (uma opção falha, já que oferce informações repetidas) ou apresentar os protagonistas – a transição rápida que traz uma foto de Jeremy Renner em uma festa para uma parede do FBI é inspirada. O grande mérito talvez seja quando oferece velocidade a ações efetuadas em múltiplos dias (vide os diversos flagrantes de DiMasio que são resumidos em poucos segundos).

  • ACE Eddie Awards – Musical/Comédia

APOSTA: Capitão Phillips

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Gravidade

MEU VOTO: Capitão Phillips

FICOU DE FORA: O Lobo de Wall Street | Thelma Schoonmaker

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Ah, Thelma. Inubitavelmente uma das melhores profissionais do ramo em atividade, a colaboradora onipresente de Martin Scorsese empresta novamente sua magia de montagem ao frenético O Lobo de Wall Street. E se o filme sobre a vida de Jordan Belfort frequentemente remete a Os Bons Companheiros, o trabalho de Schoonmaker é um dos principais fatores: estão lá os rápidos cortes para indicar ações, as apresentações de personagens e até alguns ocasionais saltos/regressos temporais. A montadora também é eficaz ao manter tensão durante certos diálogos ou deixar a ação fluir sem interferência perceptível. Vale apontar também o uso de colagens durante a narrativa, como comerciais de TV da época, fotos ou vídeos dentro da história. Em suas 3 horas de duração, Schoonmaker jamais deixa o ritmo morrer.

– Menção (muy) Honrosa: Rush: No Limite da Emoção

maquiagem

A arte de enfeitar e disfarçar um artista, resultando em uma transformação do personagem, seja para envelhecê-lo ou transformá-lo em outras pessoas, ou até monstros. Os indicados são:

O Cavaleiro Solitário | Joel Harlow e Gloria Pasqua Casny

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Ao me dar conta da indicação de O Cavaleiro Solitário na categoria (fracasso de bilheteria e crítica, mas ainda encontrou amor na Academia), me veio à mente apenas a pintura facial de Johnny Depp como Tonto. Só depois fui ver que o personagem surge envelhecido graças a um espantoso trabalho de próteses e aplicações da equipe de maquiagem, que deixaram o ator realmente irreconhecível.

Clube de Compras Dallas | Adruitha Lee e Robin Mathews

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O menos impressionante dos trabalhos indicados (mas ainda assim, digno de reconhecimento), o que chama a atenção na maquiagem de Clube de Compras Dallas é a transformação de Jared Leto no travesti Rayon. A meu ver, o ator merece o maior mérito (já que sua assustadora perda de peso é o que torna o personagem marcante), mas a equipe de Adruitha Lee e Robin Mathews acerta ao encher seu rosto com pesada maquiagem feminina. E como a categoria é “Maquiagem & Cabelo”, destaque também para as inúmeras perucas que Leto usa durante a projeção.

Jackass Apresenta: Vovô sem Vergonha | Steve Prouty

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Quem diria que viveríamos para ver o dia em que um filme do Jackass fosse indicado a um Oscar. Não sou um grande admirador do grupo, mas admito o competente trabalho da equipe de Stephen Prouty para transformar Johnny Knoxville no idoso do título. Não assisti ao filme, mas só o resultado expressivo do Vovô sem Vergonha comprova o talento da equipe, que deixou o ator irreconhecível para as inúmeras pegadinhas que o longa apresenta.

APOSTA: Clube de Compras Dallas

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Cavaleiro Solitário

MEU VOTO: O Cavaleiro Solitário

FICOU DE FORA: A Morte do Demônio

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Se tem uma categoria que a cada ano fica mais em graça é a de maquiagem. Tragam os monstros de volta! Rick Baker, pode me ouvir? Enfim, o mais próximo que chegamos disso em 2013 (do que eu assisti, pelo menos) foi o trabalho de transformar lindas jovens como Jane Levy em horrendos e sanguinários demônios automutiladores no remake de A Morte do Demônio. São mudanças simples (como lentes de contato amarelas e próteses dentárias), mas cujo efeito em cena é impressionante; merecendo mérito também por optar por efeitos práticos a CG.

efeitosvisuais

Dando vida ao que não existe, a equipe de efeitos visuais trabalha para criar personagens e ambientes digitais, buscando o realismo perfeito. Os indicados são:

Além da Escuridão – Star Trek

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Com o novo Star Trek, a equipe de J.J. Abrams teve novos mundos fantásticos para dar vida e diversas cenas de ação mais elaboradas do que a do filme anterior. Vale apontar que Além da Escuridão jamais usa seus efeitos visuais de maneira excessiva, servindo sempre a um propósito narrativo e soando elegante em cena – especialmente nas cores nas sequências da Enterprise viajando em velocidade da luz. Já as cenas de ação mais elaboradas contam com uma perfeita combinação de efeitos práticos (como os atores interagindo com um set) e computação gráfica, que eleva as cenas práticas a níveis espetaculares.

O Cavaleiro Solitário

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Grande surpresa entre os indicados (e responsável por roubar a vaga de Círculo de Fogo), O Cavaleiro Solitário conta com uma série de excelentes efeitos visuais de apoio – seja em green screen ou correções digitais de cenário. O grande destaque é a espetacular sequência de ação na locomotiva, que mistura todos esses efeitos sutis em uma cena complicada e empolgante – não vi o filme, mas só esse clipe foi o suficiente para me fazer reconsiderar.

  • Visual Effects Society – Efeitos Visuais de Apoio

Gravidade

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Desde muito antes de as indicações ao Oscar serem anunciadas, um fator já era uma certeza absoluta: Gravidade seria o vencedor na categoria de Efeitos Visuais. E mesmo diante da qualidade impressionante dos outros concorrentes, a vitória do filme de Alfonso Cuarón é mais do que merecida – da mesma forma como foram Avatar e As Aventuras de Pi. Gravidade se beneficia de um pesado trabalho com green screens e novas tecnologias desenvolvidas especialmente para o filme. Com os dois atores principais atuando em meio ao nada, o resultado oferece perfeita interação entre personagens e ambientes, um visual realista e belo e a sensação de que aquilo poderia realmente ser o espaço. Merecidíssimo.

  • BAFTA
  • Critics Choice Awards
  • 6 vitórias no Visual Effects Society
  • É indicado a Melhor Filme (tem uma zica rolando desde 1978, onde a produção indicada a Melhor Filme sempre leva a estatueta de Efeitos Visuais, se indicada)

O Hobbit: A Desolação de Smaug

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Se o primeiro filme (assim como quase toda a trilogia do Anel) já valhiam o louvor a seus efeitos visuais graças ao Gollum de Andy Serkis, o segundo filme da trilogia O Hobbit repete a dose com o Smaug de Benedict Cumberbatch. A Weta criou aqui aquele que provavelmente é o maior e mais carismático dragão já criado nas telas de Cinema, que surge incrivelmente verossímil e carismático graças ao eficiente trabalho de computação gráfica e captura de performance. Não bastasse a magistral criatura, A Desolação de Smaug ainda se beneficia de inúmeros personagens digitais, belos cenários em green screen, a sutil tecnologia capaz de diminuir o elenco e as câmeras de mapeamento digital popularizadas com Avatar.

  • Visual Effects Society – Melhor Personagem Digital

Homem de Ferro 3

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Com a indicação de Homem de Ferro 3 aqui, já é a quarta vez que o herói de Robert Downey Jr. tem seus efeitos digitais reconhecidos. Mesmo que o filme em si seja incrivelmente decepcionante, é inegável que o trabalho da Digital Domain e Industrial Light & Magic (entre muitas outras) seja decente, especialmente na confecção das armaduras e na interação destas com o elenco. O grande destaque, porém, está na excelente cena em que o Força Aérea Um é atacado, e o vingador dourado parte para resgatar a tripulação em queda livre.

APOSTA: Gravidade

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ninguém.

MEU VOTO: Gravidade

FICOU DE FORA: Elysium

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Eu sei, eu sei. Círculo de Fogo foi uma grande esnobada da Academia (eu podia jurar que estaria entre os indicados), tendo em vista o extraordinário trabalho de CG encarado pela Industrial Light & Magic com seus robôs e monstros gigantes. Mas se eu pudesse escolher, certamente meu voto iria iria para Elysium, que novamente comprova a habilidade do diretor Neil Blomkamp em usar efeitos visuais de forma orgânica e crua. O destaque da produção fica com a polícia andróide, em perfeita interação com elenco de carne e osso.

– Menção Honrosa: Círculo de Fogo

Por hoje é só, mas volte amanhã para a terceira parte, onde discutiremos as categorias de Sons & Músicas!

Leia também: Volume 1 – Atuações

| Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum | Saga folk dos irmãos Coen acerta em cheio

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014, Drama, Indicados ao Oscar, Musical with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 22 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

4.5

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Oscar Isaac e seu gato sem nome

Os irmãos Joel e Ethan Coen (quem não os conhece, faz favor) costumam dizer que “já existem muitos filmes sobre o sucesso”, como a justificativa para apostarem em tantas histórias com personagens e desfechos… Pouco convencionais, sem a esperança de um final feliz. Mas os Coen não são derrotistas ferozes, nunca deixando de lado seu humor negro característico (presente até mesmo no sombrio Onde os Fracos Não Têm Vez, e a saga folk Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum revela-se mais uma eficiente adição à carreira peculiar dos dois mestres.

A trama é centrada no músico fictício Llewyn Davis (Oscar Isaac), que encontra-se em sua pior fase após o suicídio de seu parceiro. Vagando pelas ruas da Greenwhich Village dos anos 60 (ponto de partida de figuras como Bob Dylan e Dave Von Ronk, que serviu de inspiração para a criação do protagonista), acompanhamos Davis dormindo na casa de amigos e aceitando qualquer tipo de bico pela cidade a fim de receber alguns trocados e alcançar o almejado sucesso profissional.

Basicamente é isso, como o título sugere: um olhar por dentro de Llewyn Davis, sem uma trama definida especificamente. A decisão estrutural possibilita que os Coen teçam diversas situações isoladas e que surgem diferentes a seu modo, seja no completo nonsense (no melhor sentido da palavra) ao apostar no road movie com os estranhos personagens de John Goodman e Garrett Hedlund ou na subtrama que envolve o carismático gato (sem exageros, que animalzinho talentoso) encontrado pelo protagonista – que possibilita um sutil paralelo não só com o próprio Davis, mas também – vejam só – com A Odisseia de Homero e Bonequinha de Luxo. Outro elemento fundamental é a ciclicidade da narrativa, que oferece início e fim praticamente idênticos, deixando claro que a situação de Davis não só é preocupante; mas permanente.

O personagem sofre, até mesmo as paredes do corredor parecem dispostas a achatá-lo (excepcional decisão do designer de produção Jess Gonchor) e a fotografia sobrenatural de Bruno Delbonnel nos situa em mundo frio, dominado por tons cinzas e paletas de cor frias – além de seu toque característico que é favorecido pelo uso da escuridão de bares ou uma onírica rodovia. Ainda assim, é impossível não se divertir com Inside Llewyn Davis. Não só pelas figuras excêntricas descritas acima, mas também pelas canções produzidas originalmente por T-Bone Burrett para o longa. Vale apontar as performances de “Hang Me, Oh Hang Me”, “The Death of Queen Jane” e o uso genial de “Fare Thee Well” para a sequência que apresenta o cotidiano de Llewyn. Seria uma heresia deixar de citar a divertidíssima “Please Mr. Kennedy”, canção com uma letra hilária que traz as vozes de Oscar Isaac, Justin Timberlake e Adam Driver (da série Girls).

Servindo como um curioso estudo de personagem que leva seu objeto do nada ao nada, Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum é uma experiência única, proporcionada por duas das maiores mentes do cinema contemporâneo. Seja em sua maestria técnica, narrativa ou em sua vibrante trilha sonora folk, o filme é tragicômico no melhor sentido da palavra. E sua ausência em grandes categorias do Oscar é crueldade.

Obs: reparem na “participação especial” que se destaca nos últimos momentos do filme…

Obs II: Quando a tradução é ruim eu detono, mas preciso reconhecer quando as distribuidoras fazem um bom trabalho. O subtítulo do filme é acertadíssimo, parabéns.

AMERICAN SOCIETY OF CINEMATOGRAPHERS 2014: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 8 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Um dos meus sindicatos preferidos, o de Diretores de Fotografia, divulgou hoje seus 7 indicados para 2014. Mesmo que não seja um termômetro tão preciso para o Oscar, geralmente escolhe o melhor trabalho – ao contrário da Academia. Confira:

12 Anos de Escravidão | Sean Bobbitt

Capitão Phillips | Barry Ackroyd

The Grandmaster | Philippe Le Sourd

Gravidade | Emmanuel Lubezki

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Bruno Delbonnel

Nebraska | Phedon Papamichael

Os Suspeitos | Roger Deakins

O ASC divulga o vencedor em 1º de Fevereiro.