Arquivo para caminhos da floresta

COSTUME DESIGNERS GUILD AWARDS 2015: Os vencedores

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , on 18 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

HOTEL

Último guild antes do Oscar! Os melhores figurinos, de acordo com o Costume Designers Guild:

FILME DE ÉPOCA

O Grande Hotel Budapeste | Milena Canonero

FILME DE FANTASIA

Caminhos da Floresta | Colleen Atwood

FILME CONTEMPORÂNEO

Birdman | Albert Wolskykins

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ESPECIAL OSCAR 2015 Ou (Como Aprendi a Ignorar as Loucuras da Academia e Curtir o Show) | Volume Dois | Categorias Técnicas

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 14 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

OSCAR15_2

Hora de avaliar as categorias mais divertidas… Vamos lá:

fotografia

Birdman | Emmanuel Lubezki

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“El Chivo” está de volta, e novamente desponta como o favorito na categoria de Fotografia. Em sua colaboração com Alejandro Iñarritu, Emmanuel Lubezki ajuda-o na complicada tarefa de coordenar e elaborar longuíssimos planos, ajudando a simular o efeito de tomada contínua de Birdman (curiosamente, elementos que também se manifestavam em Gravidade, ano passado), tornando uma experiência vibrante e quase documental – assemelhando-se à estética de uma peça de teatro, também. Lubezki controla as iluminações com eficiência, mudando de um ambiente quente para um frio com suavidade, apostando em time-lapses para avançar a narrativa e até transições espaciais bem camufladas pelo trabalho de montagem. Sensacional.

Razão de Aspecto: 1.85: 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arri Alexa M, Leica Summilux-C and Zeiss Master Prime Lenses
Arri Alexa XT, Leica Summilux-C e Zeiss Master Prime Lenses

  • American Society of Cinematographers
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Ida | Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski

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A maior surpresa entre os indicados, a fotografia do filme polonês Ida é um espetáculo visual que contou com dois diretores de fotografia. Rodado em preto e branco e na razão aspecto menor de 1.33: 1, a fotografia de Ida impressiona pelo cuidado ao nivelar os diferentes níveis de preto, e o contraste deste em cenas com interiores pouco iluminados (com as magistrais cenas no clube de Jazz, evocativas do cinema noir) ou tomadas externas dominadas por uma neve branquíssima. Chama atenção também os enquadramentos da dupla, que sempre parecem rebaixar suas personagens e torná-las menor, em uma proporção de tela já consideravelmente pequena. É um lindo trabalho, e certamente o elemento mais memorável do filme.

Razão de Aspecto: 1.33: 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arri Alexa Plus 4:3, Zeiss Ultra Prime Lenses

O Grande Hotel Budapeste | Robert Yeoman

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Simetria define qualquer trabalho de fotografia em um filme de Wes Anderson. Robert Yeoman, seu fiel escudeiro desde sua estreia no ramo, sempre fica atento ao trabalho de enquadramento, que visa uma perfeição estética que pode servir como uma variante cartunesca da obra de Stanley Kubrick. Em O Grande Hotel Budapeste, o elemento que mais se destaca na fotografia é a variação na razão de aspecto da tela, que alterna de acordo com a época em que a narrativa alcança. Como a maior parte é ambientada na década de 20, Yeoman tem a complicada tarefa de enquadrar as cenas na razão de 1.37: 1, um formato quadrado menor do que o vasto 2.35: 1 (quem diria que, em 2015, teríamos dois indicados com essas especificações) Fica interessante porque nem com a razão menor, Anderson não poupa em tomadas grandiosas, de cenários detalhados e épicas perseguições de ski.

Razão de Aspecto: 1.37: 1 | 1.85: 1 | 2.35: 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arricam ST, Technovision/Cooke, Cooke S4, Varotal e Angenieux Optimo Lenses

Invencível | Roger Deakins

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O sempre onipresente diretor de fotografia, Roger Deakins volta para sua 12ª indicação. Dessa vez, porém, confesso que não fui completamente impressionado por seu trabalho (o que geralmente acontece) no drama olímpico/Segunda Guerra/Aventuras de Pi de Angelina Jolie. Deakins adota uma paleta predominantemente cinza e próximo do sépia, ajudando na reconstrução do período. Nesse quesito, as cenas em que o protagonista sobrevive num campo de prisioneiros rendem belas tomadas, como o plano plongée que traz os personagens em um rio sujo de lama. É um trabalho eficiente, mas que pessoalmente não colocaria como um dos melhores de Roger Deakins; ele merece um Oscar por algo mais memorável.

Razão de Aspecto: 2.35: 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arri Alexa XT M, Zeiss Master Prime Lenses
Arri Alexa XT Plus, Zeiss Master Prime Lenses
Arri Alexa XT Studio, Zeiss Master Prime Lenses
Arri Alexa XT, Zeiss Master Prime Lenses

Sr. Turner | Dick Pope

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É uma pena que Sr. Turner não tenha nem garantido uma data de estreia aqui no Brasil, o que dificulta comentar suas indicações. Mas já fica o mérito de uma biografia sobre um pintor obcecado por luz ter um trabalho de fotografia eficiente, e Dick Pope parece bastante inspirado na técnia de Barry Lyndon, que usou luz natural em 90% de suas cenas.

Razão de Aspecto: 2.35: 1

Formato: Codex

Câmeras: Arri Alexa Plus, Cooke Speed Panchro Lenses
Canon EOS C500, Cooke Speed Panchro Lense

APOSTA: Birdman

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Sr. Turner

MEU VOTO: Birdman

FICOU DE FORA: Interestelar | Hoyte Van Hoytema

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Apaixonado por IMAX, Christopher Nolan sempre emprega o formato gigante em seus filmes, aumentando o escopo e fornecendo uma experiência mais imersiva. Hoyte Van Hoytema substitui o habitual Wally Pfister e ajuda a criar o visual incrível de Interestelar, que vai desde uma Terra rural e engolida por tempestades de poeira até a imensidão do espaço, incluindo remotos planetas – com lindas imagens gravadas na Islândia – e estações espaciais rodopiantes.

Menção Honrosa: Garota Exemplar | Jeff Cronenweth

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Caminhos da Floresta | Dennis Gassner e Anna Pinnock

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Me digam, o que seria dessa categoria sem algum indicado com uma floresta maluca/fantasiosa no meio? Caminhos da Floresta cumpre a cota da Academia, e o trabalho de Dennis Gassner e Anna Pinnock é realmente espetacular. Colocando a maior parte da trama dentro da floresta do título, a dupla é eficaz ao preservar o aspecto teatral da história (como a cachoeira que serve de palco para um número musical dos príncipes) e também referências mais surreais, como o interior imenso da barriga do Lobo.

O Grande Hotel Budapeste | Adam Stockhausen e Anna Pinnock

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Qualquer um que já assistiu a qualquer filme do Wes Anderson repara no Design de Produção, e alguns até passam a saber o que é tal departamento, já que este é um dos personagens dominantes. Em O Grande Hotel Budapeste, Anderson leva sua visão e sua equipe para uma nação européia fictícia dos anos 20, trazendo inspirações da arquitetura russa, alemã e suíça, seja nos interiores do hotel do título, o museu que é palco de uma perseguição ou as cartunescas ambientações em miniatura, que incluem uma pista de ski, um monastério e outros cenários típicos da imaginação do diretor.

  • Art Directors Guild – Filme de Época
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Interestelar | Nathan Crowley e Gary Fettis

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Ano passado, Gravidade também descolou uma indicação nesta categoria, e Interestelar vai ainda mais além do que apenas interiores de espaçonaves e estações espaciais. A equipe de Nathan Crowley desenvolve sua própria mecânica na criação da nave rodopiante Endurance (cujo formato simboliza um relógio analógico, de grande importância à trama) e seus Rangers aerodinâmicos. Juntamente com o físico Kip Thorne e a equipe de efeitos visuais, eles também trabalharam em cima de uma mecânica na criação dos movimentos e aparência dos buracos gravitacionais, culminando na infinita complexidade do Tesseract descoberto no último ato – que por si só, já valeria a vitória do filme aqui.

O Jogo da Imitação | Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald

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Ambientado em três épocas diferentes, as duas designers de produção tiveram que recriar ambientes dos anos 20, 40 e 50. Todos os cenários são eficazes e fiéis em sua reconstrução histórica (o colégio interno dos anos 20 é grandioso), mas o grande destaque do trabalho da dupla é a recriação de Christopher, a máquina que Alan Turing desenvolve para quebrar códigos, que impressiona por sua complexidade.

Sr. Turner | Suzie Davies e Charlotte Watts

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Mais uma indicação para o filme que não estreiou aqui no Brasil… Bom, dá pra dizer que Sr. Turner se dedica a recriar palácios, galerias e ambientações num período de tempo que vai de 1775 a 1851. E como nosso protagonista é um pintor, ateliês e paisagens iluminadas devem fazer parte do pacote aqui. Enfim, díficil julgar sem assistir, mas parece uma indicação justa.

APOSTA: O Grande Hotel Budapeste

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Caminhos da Floresta

MEU VOTO: Interestelar

FICOU DE FORA: Expresso do Amanhã

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Um dos grandes sucessos cult do ano passado, Expresso do Amanhã é todo ambientado dentro de um enorme trem, onde cada vagão traz uma ambientação assustadoramente diferente da outra. Desde a suja ala de prisioneiros, passando pelas estufas verdes, discotecas psicodélicas até salas de máquina que abraçam totalmente o cyberpunk, o design de produção do filme é absolutamente espetacular.

Menções Honrosas: Era Uma Vez em Nova York e Grandes Olhos

figurino

Caminhos da Floresta | Colleen Atwood

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Colleen Atwood é mestre na confecção de figurinos, e ela já mostrou que contos de fada e elementos fantásticos são sua absoluta especialidade. Não teria profissional mais hábil do que Atwood para lidar com os figurinos do “Vingadores dos Contos de Fadas” que é Caminhos da Floresta, musical que reúne Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, João e o Pé de Feijão e outras populares histórias do gênero. O interessante é ver como Atwood retrata de forma inusitada alguns personagens: o Príncipe de Chris Pine, por exemplo, surge com as vestes sempre sujas e desgastadas, enquanto o Lobo de Johnny Depp é outra criação que respeita as raízes teatrais da história.

  • Costume Designers Guild – Filme de Fantasia

O Grande Hotel Budapeste | Milena Canonero

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A veterana Milena Canonero (ele trabalhou com o Kubrick, uau!) volta para a cerimônia depois de sua vitória por Maria Antonieta, oito anos atrás, com a saga excêntrica de Wes Anderson. A principal porção da trama se passa nos anos 20, mas sendo um filme de Wes Anderson, fidelidade histórica não será exatamente algo a ser seguido à risca. Os trajes são coloridos, cartunescos e às vezes até exprimem de forma literal a função de seus personagens (como o “Lobby Boy” no chapéu de Zero) ou as vestes dos prisioneiros, mais estereotipadas possíveis, com suas listras preto e brancas.

  • BAFTA
  • Costume Designers Guild – Filme de Época
  • Critics Choice Awards

Malévola | Anna B. Sheppard e Jane Clive

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Opa, mais contos de fadas na categoria (porque você bem sabe, ou é conto de fada/fantasia ou figurino de época que desponta aqui), agora com a história de origem da vilã Malévola. Anna B. Sheppard e Jane Clive seguem de perto o traço da animação clássica, adaptando as vestimentas das personagens para um contexto real, ainda que mantendo características fantásticas (todos os vestidos de Malévola, especialmente a de sua fase sombria) e até cartunescas (a roupa bufante e peluda do rei, por exemplo). Bom trabalho, mas muito parecido com o de Caminhos da Floresta.

Sr. Turner | Jacqueline Durran

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Er… Sr. Turner ainda não estreiou. Mas hei, é mais um trabalho de figurinos de época, vindo da talentosa Jacqueline Durran.

Vício Inerente | Mark Bridges

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Outro filme que infelizmente não estreiará a tempo do Oscar, Vício Inerente traz um trabalho de figurino similar ao de Trapaça, no ano passado. Aproveita a psicodelia dos anos 70 para confeccionar uma mistura de fidelidade histórica com excentricidade, que parece ser o clima ideal do novo filme de Paul Thomas Anderson. Não vejo a hora de assistir.

APOSTA: O Grande Hotel Budapeste

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Caminhos da Floresta

MEU VOTO: Caminhos da Floresta

FICOU DE FORA: Magia ao Luar | Sonia Grande

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Anos 20. Sul da França. Quer mais o quê? A nova comédia de Woody Allen me decepcionou em muitos quesitos, mas o visual certamente não foi um deles. Sonia Grande conseguiu vestir os personagens de Magia ao Luar com classe e elegância, sabendo como deixar a Sophie de Emma Stone mais “fofa” e adorável, enquanto Colin Firth surge como um gentleman boêmio.

montagem

Boyhood: Da Infância à Juventude | Sandra Adair

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Em sua maioria, Boyhood é um filme com um trabalho de montagem praticamente invisível. Não temos grandes transições, digressões, cortes rápidos ou algo muito chamativo no trabalho de Sandra Adair. O que justifica a indicação certamente é a árdua tarefa que Adair teve em selecionar pedaços de 12 anos de material e construir uma narrativa que flua naturalmente e faça sentido ali. E funciona! Os 12 anos da vida de Mason passam com eficiência, sem qualquer tipo de separação textual (“ano 1”, “ano 2”, por exemplo) ou intervenção metalinguística, construindo-se uma narrativa sólida e envolvente.

  • ACE Eddie Awards – Drama

O Grande Hotel Budapeste | Barney Pilling

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A montagem de O Grande Hotel Budapeste segue os elementos clássicos da filmografia de Wes Anderson: cortes inusitados e até secos durante diálogos, a fim de promover um efeito cômico discreto (atire uma pedra quem não riu durante a conclusão da perseguição no museu ou a famosa cena do ski), e uma narrativa linear na maior parte do tempo – contando também com divisões de capítulos. Um bom exemplo da habilidade de Barney Pilling é quando M. Gustave e Zero vão seguindo diversos passos a fim de encontrar um informante, com cada setor da sequência de eventos contendo a frase “Você é M. Gustave?”, criando uma série de repetições que culminam na explosão de Gustave.

  • ACE Eddie Awards – Musical ou Comédia

O Jogo da Imitação | William Goldenberg

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Pois bem… Um dos meus problemas com O Jogo da Imitação é sua estrutura narrativa quebrada, que traz cenas durante a infância de Alan Turing, seu trabalho na Segunda Guerra e a investigação que sofreu nos períodos finais de sua vida. É um elemento do roteiro que pessoalmente acho que tira ritmo da trama central, ainda que William Goldenberg consiga encontrar boas transições e manter a narrativa fluindo quando esta se estabelece num único período. Aprecio como Goldenberg faz a passagem do tempo com cenas de arquivo do combate, ponteiros de relógio (enfatizando a luta contra o tempo) e uma eficiente narração em voice over.

Sniper Americano | Joel Cox e Gary Roach

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Filmes de guerra geralmente são queridos pelos votantes, e Sniper Americano realmente é primoroso no quesito cenas de ação. Quando a câmera nos leva para trás da mira de Chris Kyle, Joel Cox e Gary Roach começam a construir a tensão que passa pela cabeça do protagonista, e a dúvida sobre atirar ou não. Quando a violência explode, a dupla agarra o espectador pela garganta, como na impecável cena em que Kyle encontra o terrorista Açogueiro ao mesmo tempo em que é perseguido por um sniper inimigo. Estruturalmente, a dupla equilibra a carreira militar de Kyle com suas responsabilidades familiares, o que se prova como um dos pontos fracos da narrativa, mas o trabalho de Cox e Roach merece créditos pelas cenas mais intensas.

Whiplash: Em Busca da Perfeição | Tom Cross

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Toda a parte técnica de Whiplash é absolutamente impecável, mas a montagem de Tom Cross certamente é o grande atrativo nesse quesito. Centrado em um baterista, o trabalho de Cross é frenético e rápido, impressionando nas cenas em que Andrew toca o instrumento e os cortes ritimados vão acompanhando a música, quase como se Cross também fosse o baterista. As sequências musicais são fantásticas, e Cross ainda acerta ao conferir velocidade a eventos, como a cena que culmina no acidente de carro do protagonista: cortes rápidos e brutais, mas um longo plano quando o caminhão atinge seu carro. Trabalho perfeito.

  • BAFTA

APOSTA: Boyhood

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Whiplash

MEU VOTO: Whiplash

FICOU DE FORA: Garota Exemplar | Kirk Baxter

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Dessa vez sem o habitual parceiro Angus Wall, Kirk Baxter fica com a complicada tarefa de montar Garota Exemplar. Isso porque é um longa com duas tramas paralelas – a de Nick Dunne, e a da esposa Amy – que caminham diferentemente, enfrentando reviravoltas e até incongruências temáticas. Baxter se sai muito bem ao equilibrá-las, fornecendo transições memoráveis (o corte do beijo para a coleta de DNA é primoroso) e administrando sabiamente os diálogos que vão ficando mais intensos, fornecendo cortes calculados para cada participante. Outra ferramenta notável de Baxter é o fade to black, que o montador acerta ao usá-los rapidamente em cenas mais violentas. Que esnobada…

Menções honrosas: Noé, No Limite do Amanhã e Interestelar

maquiagem

Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo | Bill Corso e Dennis Liddiard

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O grande atrativo na maquiagem de Foxcatcher obviamente é a transformação de Steve Carell em John du Pont. A dupla indicada merece créditos por deixar o ator radicalmente diferente, mas sem transformá-lo em um mero monstro caricato: o nariz é consideravelmente maior, a pele ganhou uma pigmentação mais envelhecida e Carell também usou implantes na boca, a fim de modificar seu modo de falar. Vale a pena ressaltar que a equipe cria uma interpretação do du Pont real, já que o resultado final não é idêntico ao falecido técnico de luta. Um trabalho admirável.

O Grande Hotel Budapeste | Frances Hannon e Mark Coulier

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No que diz respeito a penteados e bigodes, O Grande Hotel Budapeste é Wes Anderson na veia: do bigode pomposo de Bill Murray ao visual mais burguês fresco de Ralph Fiennes, a equipe de maquiagem e cabelo é eficaz ao caracterizar as figuras criadas por Anderson. Mas é mesmo o envelhecimento de Tilda Swinton que justifica a indicação, um trabalho que não tem tanto destaque no filme, mas que merece aplausos pelos detalhes e a transformação pesada da atriz.

  • BAFTA
  • Make Up Artists Guild – Maquiagem de Época
  • Make Up Artists Guild – Cabelo de Época

Guardiões da Galáxia | Elizabeth Yianni-Georgiou e David White

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Quando pensamos em uma ficção científica surtada e cartunesca como Guardiões da Galáxia, imediatamente nos vêm à mente o trabalho de maquiagem. E mesmo que não seja nada ultra elaborado como o trabalho de Rick Baker, Elizabeth Yianni-Georgiou merece parabéns por deixar figuras como Karen Gillan (Nebulosa), Lee Pace (Ronan) e Dave Baustista (Drax) irreconhecíveis, mas ainda assim manter seus bons trabalhos de atuação. Segue um padrão simples, ao meramente trocar a cor de seus atores, rendenco uma certa “sutileza alienígena”.

  • Critics Choice Awards
  • Make Up Artists Guild – Efeitos Especiais de Maquiagem
  • Make Up Artists Guild – Cabelo Contemporâneo

APOSTA: O Grande Hotel Budapeste

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Guardiões da Galáxia

MEU VOTO: Guardiões da Galáxia

efeitosvisuais

Capitão América 2: O Soldado Invernal | Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill e Dan Sudick

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Vou ser sincero: acho a indicação de Capitão América 2: O Soldado Invernal injusta. A equipe do filme é eficiente ao criar ambientes totalmente digitais e manda bem nas variadas destruições de heliportos, cruzadores e outros veículos aéreos gigantescos. Só acho que sinceramente não é algo muito impressionante, ainda mais considerando os outros indicados da categoria, e até confesso que achei o green screen gritantemente artificial em alguns momentos (a luta entre o Capitão e o Soldado Invernal no clímax). Mas dou mérito ao genial envelhecimento de Hayley Atwell como Peggy Carter.

Guardiões da Galáxia | Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner e Paul Corbould

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Opa, mais Marvel Studios aqui… Mas essa é bem merecida. A comédia espacial também trabalha muito com ambientes todos digitais, rendendo um bom trabalho de green screen e elaboração de detalhes (a luta com Ronan, em meio à nuvens azuladas brilhantes é espetacular), além de cenas de ação maciças que incluem batalhas áereas e perseguições de naves. O grande destaque, porém, fica com os dois principais personagens digitais: Rocket Raccoon e Groot, que impressionam pelo fotorrealismo e a expressividade de sua animação, jamais soando como criaturas digitais.

Interestelar | Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter e Scott Fisher

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Science, bitch! Como em todos os filmes de Christopher Nolan, os efeitos visuais são usados de forma orgânica e com um estudo científico que os ajudem a fazer sentido dentro daquele universo. Em Interestelar, a grande contribuição dos efeitos visuais foram a criação do buraco de minhoca e o buraco negro Gargantua, que tiveram orientação do físico Kip Thorne a fim de chegar o mais próximo possível de uma representação da tal anomalia. A equipe de Nolan cria alguma das mais belas imagens vistas em 2014, ajudando também a realçar ambientes reais (como as paisagens da Islândia, que servem como os planetas descobertos) e também a criar locais impossíveis de serem reproduzidos, como as “montanhas de água” e o enigmático Tesseract.

  • BAFTA
  • Visual Effects Society – Melhor Ambiente Digital (Tesseract)

Planeta dos Macacos: O Confronto | Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett e Erik Winquist

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É chegada a hora dos macacos. A excelente continuação do reboot de 2011 da continuidade ao trabalho da WETA na criação dos símios digitais, no maior uso de captura de performance em locações externas até hoje. Andy Serkis novamente lidera o elenco de mo-cap, e a equipe de Joe Letteri é impecável ao manter as nuances e expressões das performances do elenco, criando macacos ainda mais realistas e expressivos do que os do anterior – o salto da tecnologia, e também o fato de O Confronto ter uma fotografia mais escura, ajuda.

  • Visual Effects Society – Melhores Efeitos Visuais Constantes
  • Visual Effects Society – Melhor Personagem Digital (César)
  • Visual Effects Society – Melhor Composição
  • Critics Choice Awards

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido | Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie e Cameron Waldbauer

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Uma das mais agradáveis surpresas desse Oscar foi encontrar o ótimo X-Men: Dias de um Futuro Esquecido entre os indicados para efeitos visuais. É a primeira indicação para a franquia, que traz novos personagens e ambientes para poder usufruir de eficientes efeitos de computação gráfica. As Sentinelas são bem criadas e suas adaptações de poderes fazem sentido, assim como os diferentes outros poderes que encontramos aqui (os buracos de minhoca de Blink, rajadas de fogo de Sunspot. Mas é mesmo o velocista Mercúrio que vale a indicação, que protagoniza a melhor cena de ação de 2014 durante sua corrida em câmera lenta, que provou-se um desafio para Bryan Singer e sua equipe.

  • Visual Effects Society – Melhor Fotografia Virtual (Cena da Cozinha)
  • Visual Effects Society – Melhor FX& Simulação de Animação (Cena da Cozinha)

APOSTA: Planeta dos Macacos

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Interestelar

MEU VOTO: Interestelar

FICOU DE FORA: No Limite do Amanhã

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Vejo que a Academia optou por não indicar filmes de 2014 que trouxeram ótimos efeitos visuais, mas que tiveram uma recepção crítica ruim ou bem mediana. É o caso de Transformers: A Era da Extinção e O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, filmes que mereciam sim uma indicação pelo trabalho com CG. Seguindo essa linha da Academia, meu escolhido para entrar seria No Limite do Amanhã, uma excelente ficção científica que trabalha bem os efeitos visuais e cria ambientes, criaturas e cenas de ação muito eficientes.

ESPECIAL OSCAR 2015 Ou (Como Aprendi a Ignorar as Loucuras da Academia e Curtir o Show) | Volume Um | Atuações

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Chegou a hora do Oscar 2015, uma corrida estranha que promete trazer algumas surpresas, apesar de – pra variar – muita coisa já estar indubitavelmente previsível. Vamos lá:

ator

Steve Carell | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

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Papel: John du Pont

É uma grande mudança para Steve Carell, o que ele faz aqui em Foxcatcher. Na pele do milionário esquizofrênico que torna-se obcecado em ganhar a medalha de ouro para seu time de luta olímpíca, o comediante se transforma em uma figura assombrosa e imprevisível, e não apenas pelas próteses faciais. John du Pont fala baixo, devagar e mantém sempre um olhar fixo quando trava em um diálogo, e Carell é bem-sucedido ao não fazer do personagem uma caricatura, controlando até mesmo sua respiração a favor da performance. Nunca esperaria algo assim do ator.

Bradley Cooper | Sniper Americano

cooper

Papel: Chris Kyle

Terceira indicação ao Oscar consecutiva de Bradley Cooper, o ator meio que entrou de intruso por sua forte performance em Sniper Americano (na teoria, esta seria a vaga de Jake Gyllenhaal, por O Abutre). A real é que Cooper realmente se destaca no filme, ainda mais por seu absurdo ganho de massa muscular, que o transformam em um brutamontes, e o sotaque texano que o ajuda a entrar na pele de Chris Kyle. Mas sinceramente? Não acho digno de uma indicação.

Benedict Cumberbatch | O Jogo da Imitação

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Papel: Alan Turing

Um dos mais simpáticos e talentosos atores de nossa geração, Benedict Cumberbatch conquista sua primeira indicação ao Oscar naquele que certamente é seu papel mais desafiador. Em O Jogo da Imitação, o ator dá vida ao matemático Alan Turing, um sujeito tímido, introvertido e inadvertidamente arrogante, escondendo também sua homossexualidade em uma época difícil. Cumberbatch está excelente ao assumir os trejeitos de Turing sem transformá-lo em uma caricatura, expressando sua inteligência e insegurança em uma performance intensa e comovente.

Michael Keaton | Birdman

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Papel: Riggan Thomson

O Cavaleiro das Trevas ressurge! Michael Keaton literalmente nasceu para vivier o personagem principal de Birdman, já que ele é praticamente uma paródia de si mesmo. O ator esquecido pelo público após desistir de viver um popular super-herói no cinema, agora tentando se reiventar no comando de uma ousada peça de teatro, no qual também é o protagonista. O Riggan Thomson de Keaton é ambicioso e até egocêntrico, mas o ator acerta ao sempre deixar a vulnerabilidade de Thomson em evidência, especialmente quando o vemos contracenar com um ator mais capaz (o Mike Shiner de Edward Norton) ou quando tenta reparar relações com sua filha, Sam. Há ainda espaços para elementos mais cômicos, como o sorriso sádico que Riggan esboça invariavelmente ou suas crises alucinógenas com o fantasma de Birdman.

  • Globo de Ouro – Musical/Comédia
  • Critics Choice Awards

Eddie Redmayne | A Teoria de Tudo

redmayne

Papel: Stephen Hawking

Eddie Redmayne em A Teoria de Tudo pode soar como “cota de ator interpretando deficiente” da Academia, mas a verdade é que realmente é um trabalho impecável. Obviamente, é um trabalho que exige um comprometimento físico assustador, e Redmayne surpreende ao trazer cada aspecto da doença de Stephen Hawking à tona de forma convicente e pesada, mas sem cair para uma caricatura exagerada. O ator consegue criar nuances sutis dentro do limitado estado da paralisia, seja em um levantar de sobrancelha, uma piscada ou leve tentativa de sorrir, somos capazes de encontrar ali o senso de humor de Hawking, e também seu afeto.

  • SAG
  • BAFTA
  • Globo de Ouro – Drama

APOSTA: Eddie Redmayne

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Michael Keaton

MEU VOTO: Eddie Redmayne

FICOU DE FORA: Jake Gyllenhaal | O Abutre

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Jake Gyllenhaal está cada vez melhor. Já tendo impressionado este ano com seu trabalho incrível em O Homem Duplicado, o ator se transforma fisicamente e mentalmente para viver o perturbado protagonista de O Abutre. Um homem calculista, obcecado e aparentemente incapaz de sentir afeto ou se preocupar com as consequências morais de seus atos, Lou Bloom é um dos personagens mais detestáveis e fascinantes dos últimos tempos, e Gyllenhaal acerta ao se perder completamente neste difícil papel. Trabalho de mestre, e estupidez sem tamanho da Academia não reconhecê-lo, já que ele está melhor do que qualquer um dos indicados…

Menção Honrosa: David Oyelowo | Selma

atriz

Marion Cotillard | Dois Dias, Uma Noite

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Grande surpresa da categoria, Marion Cotillard recebeu sua segunda indicação ao Oscar, 7 anos após sua vitória pelo inebriante Piaf: Um Hino ao Amor. Não assisti a Dois Dias, Uma Noite ainda, mas vale apontar que é uma performance toda em francês (assim como sua vitória por Piaf), algo difícil de ser reconhecido pela Academia.

Felicity Jones | A Teoria de Tudo

jones

Papel: Jane Hawking

Após assistir A Teoria de Tudo, sinto que quero casar com Felicity Jones e fugir para um chalé nas florestas da Alemanha. Não só por sua beleza radiante e seu sotaque britânico delicioso, mas também pela doçura e determinação que a atriz demonstra no papel de Jane, a incansável esposa de Stephen Hawking. Jones começa como uma jovem apaixonada e delicada, e a doença de Stephen logo testa seus limites, revelando sua força e o iminente desgaste, o que prova que Jane é apenas um ser humano, e não uma super mulher. Ótima performance.

Julianne Moore | Para Sempre Alice

moore

Papel: Dra. Alice Howland

Eu achei difícil de acreditar que Julianne Moore ainda não tinha um Oscar na estante, mas ela sem dúvida garantirá um com seu trabalho em Para Sempre Alice. É a história real de uma professora universitária que se viu vítima de Alzheimer, e a doença dá a Moore o desafio de representá-la fielmente nas telas.

  • SAG
  • BAFTA
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards

Rosamund Pike | Garota Exemplar

pike

Papel: Amy Elliot Dunne

David Fincher precisava de uma atriz muito boa para interpretar Amy Elliot Dunne, a enigmática protagonista de Garota Exemplar. A escolha foi certeira com Rosamund Pike, aquela atriz que você avistou uma vez ou outra em algum papel coadjuvante, que aqui domina cada segundo de cena com uma presença sensual, duvidosa e selvagem. É um papel que exige dedicação e ambiguidade, e Pike nos estimula do primeiro até o último frame da projeção. Sem falar que ela manda muito bem em uma das cenas mais sangrentas que eu já vi na vida.

Reese Witherspoon | Livre

witherspoon

Papel: Cheryl Strayed

Depois de sua vitória em 2006 por Johnny & June, Reese Witherspoon volta à cerimônia na pele de mais uma mulher esforçada. Cheryl Strayed embarcou num exaustivo walkabout após a morte de sua mãe, caminhando incessavelmente por trilhas especializadas nos EUA. Whiterspoon surge muito bem em cena, sem qualquer luxo ou maquiagem elaborada: suja, suada, arrancando unhas do pé e reações realistas diante de sua jornada: é uma mulher forte e feminista, mas que se assusta ao encontrar uma cobra no meio do deserto – como qualquer um faria.

APOSTA: Julianne Moore

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Esse é o ano dela.

MEU VOTO: Rosamund Pike

FICOU DE FORA: Sarah Snook | O Predestinado

snook

Papel: A Mãe Solteira

Nem em um milhão de anos eu esperaria que o trabalho de Sarah Snook no pouco conhecido O Predestinado fosse lembrado pela Academia. O que é uma pena, já que Snook teve um dos papéis mais desafiadores do ano passado, na pela da misteriosa Mãe Solteira, uma jovem que é enganada, tem o coração partido e acaba em uma estranha jornada transexual, colocando-a de frente com o Agente Temporal de Ethan Hawke. Snook é simplesmente impecável.

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Robert Duvall | O Juiz

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Achei impressionante a Academia ter lembrado desse filminho mediano que é O Juiz, representado aqui pela performance do veterano Robert Duvall. O ator interpreta o personagem-título, um renomado juiz que é acusado de homícido, ao mesmo tempo em que lida com a morte de sua esposa, a complicada relação com o filho e um câncer letal. Fórmula perfeita para que Duvall entregue uma boa atuação, mas nada realmente espetacular: é uma indicação apenas para celebrar a carreira deste grande ator.

Ethan Hawke | Boyhood: Da Infância à Juventude

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Papel: Mason Evans Sr.

Como é bom ver Ethan Hawke ser indicado como ator novamente. Em Boyhood, ele meio que reprisa boa parte de seu papel na trilogia de Antes do Amanhecer, fazendo o típico sujeito boa praça e que se dá bem com os filhos, mesmo que seja um adulto irresponsável e não tão bem sucedido. Como o próprio protagonista, Hawke vai amadurecendo e mudando ao longo da narrativa de 12 anos, começando como o arquétipo do sonhador/irresponsável até chegar a um nivel mais estável, representado também por sua mudança fisionômica.

Edward Norton | Birdman

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Papel: Mike Shiner

Que alegria é ver Edward Norton em um papel que lhe permita explorar seu imenso talento. Em Birdman, Norton da vida a um obsessivo ator de Método que trava diversos confrontos com Riggan Thomson, sempre deixando claro como suas capacidades de atuação são melhores, esbanjando egocentrismo. Mas Mike Shiner também é vulnerável como Thomson, especialmente quando se revela incapaz de ter uma ereção, ao menos que esteja no palco. É um retrato de um artista que se perdeu dentro de seu comprometimento obsessivo por viver outras pessoas, e Norton está impecável – e também muito engraçado, nos momentos em que o papel requer.

Mark Ruffalo | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

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Papel: David Schultz

De todos os personagens em Foxcatcher, o David Schultz de Mark Ruffalo é sem dúvida o mais admirável, correto e generoso. Lutador olímpico mais eficiente do que seu irmão Mark, ele não mede esforços pada ajudá-lo no treinamento, e também sempre prioriza sua família. Ruffalo é eficiente ao fazer de Schultz um “cara bacana” e também uma alma verdadeiramente boa, sem arrogância ou ataques de raiva – mesmo que não se entenda com John du Pont, ele nunca perde sua postura.

J.K. Simmons | Whiplash: Em Busca da Perfeição

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Papel: Terence Fletcher

J.K. Simmons consegue aqui sua chance para brilhar em um papel poderoso e inesquecível. Terence Fletcher é o obcecado professor de jazz que acredita em métodos pouco ortodoxos para extrair a melhor performances de seus músicos aprendizes, não poupando nos gritos, esculachos e insultos homofóbicos e racistas. Simmons é impecável ao criar uma figura assustadora, mas também é genial ao não fazer deste uma mera caricatura malvada, dando vida a um personagem enigmático e capaz de nos fazer compreender seus motivos.

  • SAG
  • BAFTA
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

APOSTA: J.K. Simmons

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Esse Oscar ninguém tira dele.

MEU VOTO: J.K. Simmons

FICOU DE FORA: Josh Brolin | Vício Inerente

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Papel: Detetive Christian “Bigfoot” Bjornsen

Olha, nem assisti a Vício Inerente (valeu, Warner!) mas só pelo trailer é possível ver o quão divertido Josh Brolin parece estar. Sei que uma suposição por peça de marketing não é o bastante para julgar se ele merecia ou não ser indicado (ele garantiu uma vaga no Critics Choice), mas a cena de seu personagem gritando em chinês já é antológica.

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Patricia Arquette | Boyhood: Da Infância à Juventude

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Papel: Olivia

Boyhood é todo sobre o jovem Mason, mas o que é um jovem sem sua mãe? Patricia Arquette é certamente uma das grandes presenças no épico indie de Richard Linklater, sendo uma personagem que enfrenta grandes mudanças e diversas fases diferentes ao longo dos 12 anos de produção. É uma mãe solteira forte, confusa e que amadurece à medida em que vai aprendendo a cuidar de seus filhos. A grande redenção, porém, é em sua inesquecível cena final, que discute a finitude da vida.

  • SAG
  • BAFTA
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Laura Dern | Livre

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Papel: Bobbi

De todas as indicações ao Oscar deste ano, esta é a que faz menos sentido. Pra começar que Laura Dern não tem pouco tempo em cena como a mãe de Cheryl Strayed, aparecendo em curtos flashbacks. Tais momentos revelam uma mulher sonhadora, ingênua e que tenta olhar a vida com otimismo, mesmo quando um câncer ameaça sua saúde. É uma performance eficiente, mas que não traz impacto ou afeto o suficiente para justificar a indicação (não é como Viola Davis em Dúvida, por exemplo), que parece ter acontecido por puro charme.

Keira Knightley | O Jogo da Imitação

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Papel: Joan Clarke

A única mulher que tem um destaque considerável em O Jogo da Imitação, Joan Clarke se mostra tão inteligente quanto o matemático Alan Turing, e Keira Knightley se sai bem ao construir uma personagem adorável e praticamente o oposto do protagonista. Enquanto Turing é um sujeito inadvertidamente arrogante e antissocial, Clarke é carismática e parece tratar suas habilidades matemáticas como uma brincadeira, criando um contraste interessante com Turing.

Emma Stone | Birdman

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Papel: Sam Thomson

Era uma questão de tempo até Emma Stone ter seu talento reconhecido pela Academia. Ela já havia explodido de carisma no subestimado A Mentira, mas em Birdman ela brilha em seu primeiro papel dramático, na pele da filha ex-viciada em drogas de Riggan Thomson. Stone surge emburrada e sarcástica durante a maior parte da projeção, mas é quando ela tem a chance de soltar sua opinião e emoções fortemente que sua performance realmente vem à tona (o esculacho que Sam dá a seu pai certamente é o melhor exemplo). Também é interessante observar como Stone constrói uma dinâmica diferente com o Mike Shiner de Edward Norton, primeiro personagem a realmente entender quem Sam é.

Meryl Streep | Caminhos da Floresta

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Papel: A Bruxa

E com Caminhos da Floresta, Meryl Streep chega a 19 indicações ao Oscar em toda a sua carreira. Sua Bruxa no filme de Rob Marshall, apesar de ser listada aqui como coadjuvante, é a personagem que liga todos os demais. É uma mãe amaldiçoada que desesperadamente luta para quebrar um feitiço, ao mesmo tempo em que tenta ajudar o humilde casal de James Corden e Emily Blunt. Streep sabe como ser assustadora, mas também comovente – como fica claro no número musical que protagoniza ao lado de Rapunzel – o que a torna a personagem mais complexa da produção. É uma ótima performance de Streep, pra variar.

APOSTA: Patricia Arquette

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Esse Oscar ninguém tira dela.

MEU VOTO: Emma Stone

FICOU DE FORA: Jessica Chastain | O Ano Mais Violento

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Papel: Ana Morales

Caramba, essa mulher não pára de trabalhar… E eu agradeço! Jessica Chastain atuou em 4 filmes em 2014, e nenhuma de suas performances foi lembrada no Oscar. Não assisti a O Ano Mais Violento, mas a crítica elogiou muito a destemida Ana Morales de Chastain, e eu tenho certeza que a atriz está no mínimo melhor do que Laura Dern… Pena.

O Volume Dois, com as categorias técnicas sairá amanhã!

| Caminhos da Floresta | Crítica

Posted in Aventura, Críticas de 2015, Musical with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

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Emily Blunt e James Corden

Eu já estou farto de filmes da Disney com visuais bonitinhos e florestas excêntricas, ainda mais se for um musical. E também do Johnny Depp fazendo algum papel maluco, então podem entender o quão temeroso eu estava com este Caminhos da Floresta, musical de Rob Marshall que compila todos este fatores. O mais impressionante é que eu não detestei, muito pelo contrário.

A trama é adaptada de uma peça de James Lapine (que também assina o roteiro), centrando-se num padeiro (James Corden) e sua esposa (Emily Blunt), que são alertados por uma bruxa (Meryl Streep) de uma maldição que os impede de ter filhos. A fim de quebrar o feitiço, o casal é incubido de coletar quatro itens na floresta, colocando-os nos caminhos de Cinderela (Anna Kendrick), Chapeuzinho Vermelho (Lila Crawford), Rapunzel (Mackenzie Mauzie) e João e seu pé-de-feijão (Daniel Huttlestone).

É o fairy tale extravaganza. Caminhos da Floresta me traz uma boa lembrança de Shrek, pela forma com que mistura as diferentes histórias de contos de fadas aqui, e funciona principalmente pela criação do Padeiro e sua Esposa. Vividos pelo ótimo James Corden e a sempre impecável Emily Blunt, o casal é o melhor elemento da produção, sendo capaz de comover e prender o espectador durante toda a projeção – e o fato de o herói do filme ter uns quilinhos a mais, enquanto o príncipe encantado de Chris Pine surge acabado, com barba por fazer e adúltero (“Fui criado para ser encantador, não sincero”, confessa) já nos alerta que o filme irá quebrar algumas convenções, e satirizar os clichês do gênero (como as constantes fugas de Cinderela do baile, devidamente ironizadas pelo narrador). Até a Bruxa da sensacional Meryl Streep tem seus motivos bem explicados.

Visualmente, é um espetáculo. O design de produção de Dennis Gassner é eficaz ao criar um aspecto teatral a diversos cantos da vasta floresta do título, enquanto a veterana Colleen Atwood acerta novamente na elaboração de vestidos, uniformes e quaisquer outras vestimentas que a produção exija (o Lobo de Johnny Depp é um tanto ridículo, mas agrada por manter suas raízes teatrais) Já Rob Marshall se sai bem na direção, movendo  sua câmera com fluidez durante os ótimos números musicais do longa, e impressionando com devaneios visuais como aquele que mostra Chapeuzinho caindo na barriga do Lobo ou quando o tempo congela durante uma revelação de Cinderela.

E a história, aliada a todos os fatores plásticos, funciona perfeitamente. Até o terceiro ato. Infelizmente, o roteiro de Lapine se vê na necessidade de esticar sua trama além do necessário, adicionando elementos que nem de longe são tão interessantes quanto a expedição do Padeiro e sua Esposa. Tudo bem que seria um final bobo e genérico se o roteiro não caminhasse para uma direção mais perigosa (e a cena final, com linda rima com a primeira, é de fato muito eficaz), mas simplesmente não funcionou para mim.

Como alguém que não suporta musicais ou contos de fadas bonitinhos, Caminhos da Floresta representa uma grata surpresa, graças a seu roteiro esperto, elenco excepcional e uma produção belíssima. Tem seus problemas, mas não deixa de ser uma experiência eficiente.

MOTION PICTURE SOUND EDITORS 2015: Os Indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 14 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

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O último sindicato a liberar seus indicados antes do Oscar! O prêmio da Motion Picture Sound Editors seleciona os melhores trabalhos de Edição de Som do ano. Confira:

MELHORES EFEITOS SONOROS E FOLEY EM LONGA-METRAGEM

Birdman

Capitão América 2: O Soldado Invernal

Corações de Ferro

Guardiões da Galáxia

Interestelar

Invencível

Planeta dos Macacos: O Confronto

Sniper Americano

MELHOR DIÁLOGO E ADR EM LONGA-METRAGEM

Birdman

O Grande Hotel Budapeste

Invencível

O Jogo da Imitação

Para Sempre Alice

Planeta dos Macacos: O Confronto

A Teoria de Tudo

Whiplash – Em Busca da Perfeição

MELHOR EDIÇÃO DE MÚSICA EM LONGA-METRAGEM

Birdman

A Culpa é das Estrelas

Garota Exemplar

Guardiões da Galáxia

Interestelar

Planeta dos Macacos: O Confronto

Selma

MELHOR EDIÇÃO DE SOM EM LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Uma Aventura LEGO

Como Treinar o Seu Dragão 2

Festa no Céu

Operação Big Hero

MELHOR EDIÇÃO DE MÚSICA EM LONGA-METRAGEM MUSICAL

Annie

Caminhos da Floresta

James Brown

Jersey Boys: Em Busca da Música

Whiplash – Em Busca da Perfeição

MELHOR EDIÇÃO DE SOM EM LONGA-METRAGEM ESTRANGEIRO

Human Capital

The Liberator

Operação Invasão 2

Roar

Uzumasa Limelight

MELHOR EDIÇÃO DE SOM EM DOCUMENTÁRIO

America – Imagine The World Without Her

CitizenFour

Deepsea Challenge 3D

Glen Campbell… I’ll Be Me

Jodorowsky’s Dune

Under The Electric Sky

Warsaw Uprising

Os vencedores serão anunciados em 15 de Fevereiro.

BAFTA 2015: Os Indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , on 9 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

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É  a vez dos britânicos e sua Academia divulgarem seus indicados ao BAFTA! Confira:

MELHOR FILME

Birdman

Boyhood: Da Infância à Juventude

O Grande Hotel Budapeste

O Jogo da Imitação

A Teoria de Tudo

MELHOR FILME BRITÂNICO

’71

O Jogo da Imitação

Paddington

Pride

Sob a Pele

MELHOR ESTREIA DE UM DIRETOR, PRODUTOR OU ROTEIRISTA BRITÂNICO

Elaine Constantine (Roteiro/Direção) | Northern Soul

Gregory Burke (Roteiro) | ’71

Hong Khaou (Diretor/Roteiro) | Lilting

Paul Katis (Diretor/Produtor), Andrew De Lotbinière (Produtor) | Kajaki: The True Story

Stephen Beresford (Roteiro), David Livingstone (Produtor) | Pride

MELHOR DIRETOR

Wes Anderson | O Grande Hotel Budapeste

Damien Chazelle | Whiplash – Em Busca da Perfeição

Alejandro G. Iñarritu | Birdman

James Marsh | A Teoria de Tudo

Richard Linklater | Boyhood: Da Infância à Juventude

MELHOR ATOR

Benedict Cumberbatch | O Jogo da Imitação

Eddie Redmayne | A Teoria de Tudo

Jake Gyllenhaal | O Abutre

Michael Keaton | Birdman

Ralph Fiennes | O Grande Hotel Budapeste

MELHOR ATRIZ

Amy Adams | Grandes Olhos

Felicity Jones | A Teoria de Tudo

Julianne Moore | Para Sempre Alice

Reese Witherspoon | Livre

Rosamund Pike | Garota Exemplar

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Edward Norton | Birdman

Ethan Hawke | Boyhood: Da Infância à Juventude

J.K. Simmons | Whiplash – Em Busca da Perfeição

Mark Ruffalo |Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

Steve Carell | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Emma Stone | Birdman

Imelda Staunton | Pride

Keira Knightley | O Jogo da Imitação

Patricia Arquette | Boyhood: Da Infância à Juventude

Rene Russo | O Abutre

MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESA

Dois Dias, Uma Noite

Ida

Leviatã

The Lunchbox

Trash: A Esperança vem do Lixo

MELHOR ANIMAÇÃO

Uma Aventura LEGO

Os Boxtrolls

Operação Big Hero

MELHOR DOCUMENTÁRIO

20 Feet from Stardom

20,000 Days on Earth

Citizenfour

Finding Vivian Maier

Virunga

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

O Abutre | Dan Gilroy

Birdman | Alejandro G. Iñarritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris Jr, Armando Bo

Boyhood: Da Infância à Juventude | Richard Linklater

O Grande Hotel Budapeste | Wes Anderson

Whiplash – Em Busca da Perfeição | Damien Chazelle

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Garota Exemplar | Gillian Flynn

O Jogo da Imitação | Graham Moore

Paddington | Paul King

Sniper Americano | Jason Hall

A Teoria de Tudo | Anthony McCarten

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

Grandes Olhos | Rick Heinrichs, Shane Vieau

O Grande Hotel Budapeste | Adam Stockhausen, Anna Pinnock

Interestelar | Nathan Crowley, Gary Fettis

O Jogo da Imitação | Maria Djurkovic, Tatiana MacDonald

Sr. Turner | Suzie Davies, Charlotte Watts

MELHOR FOTOGRAFIA

Birdman | Emmanuel Lubezki

O Grande Hotel Budapeste | Robert Yeoman

Ida | Lukasz Zal, Ryzsard Lenczewski

Interestelar | Hoyte Van Hoytema

Sr. Turner | Dick Pope

MELHOR FIGURINO

Caminhos da Floresta | Collen Atwood

O Grande Hotel Budapeste | Milena Canonero

O Jogo da Imitação | Sammy Sheldon Differ

Sr. Turner | Jacqueline Durran

A Teoria de Tudo | Steven Noble

MELHOR MONTAGEM

O Abutre | John Gilroy

Birdman | Douglas Crise, Stephen Mirrione

O Grande Hotel Budapeste | Barney Pilling

O Jogo da Imitação | William Goldenberg

A Teoria de Tudo | Jinx Godfrey

Whiplash – Em Busca da Perfeição | Tom Cross

MELHOR TRILHA SONORA

Birdman | Antonio Sanchez

O Grande Hotel Budapeste | Alexandre Desplat

Interestelar | Hans Zimmer

Sob a Pele | Mica Levi

A Teoria de Tudo | Johánn Johánnsson

MELHOR SOM

Birdman | Thomas Varga, Martin Hernández, Aaron Glascock, Jon Taylor, Frank A. Montaño

O Grande Hotel Budapeste | Wayne Lemmer, Christopher Scarabosio, Pawel Wdowczak

O Jogo da Imitação | John Midgley, Lee Walpole, Stuart Hilliker, Martin Jensen

Sniper Americano | Walt Martin, John Reitz, Gregg Rudloff, Alan Robert Murray, Bub Asman

Whiplash – Em Busca da Perfeição | Whiplash Thomas Curley, Ben Wilkins, Craig Mann

MELHOR MAQUIAGEM/CABELO

Caminhos da Floresta | Peter Swords King, J. Roy Helland

Guardiões da Galáxia | Elizabeth Yianni-Georgiou, David White

O Grande Hotel Budapeste | Frances Hannon

Sr. Turner

A Teoria de Tudo | Jan Sewell

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Guardiões da Galáxia

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

Interestelar

Planeta dos Macacos: O Confronto

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

The Bigger Picture

Monkey Love Experiments

My Dad

MELHOR CURTA-METRAGEM

Boogaloo and Graham

Emotional Fusebox

The Kármán Line

Slap

Three Brothers

MELHOR ESTRELA EM ASCENSÃO

Gugu Mbatha-Raw

Jack O’Connell

Margot Robbie

Miles Teller

Shailene Woodley

Os vencedores serão anunciados em 8 de Fevereiro.

COSTUME DESIGNERS GUILD AWARDS 2015: Os Indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 7 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Os indicados ao Costume Designers Guild Awards, que premia os melhores figurinos em cinema. Confira:

(apostas em negrito)

FILME DE ÉPOCA

O Grande Hotel Budapeste | Milena Canonero

O Jogo da Imitação | Sammy Sheldon Differ

Selma | Ruth E. Carter

A Teoria de Tudo | Steven Noble

Vício Inerente | Mark Bridges

FILME DE FANTASIA

Caminhos da Floresta | Colleen Atwood

Guardiões da Galáxia | Alexandra Byrne

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos | Bob Buck, Lesley Burkes-Harding, Ann Maskrey

Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 | Kurt and Bart

Malévola | Anna B. Sheppard, Jane Clive

FILME CONTEMPORÂNEO

Birdman | Albert Wolsky

Boyhood: Da Infância à Juventude | Kari Perkins

Garota Exemplar | Trish Summerville

Interestelar | Mary Zophres

Livre | Melissa Bruning

Os vencedores serão anunciados em 15 de Fevereiro.