Arquivo para cano da arma

Afogamento em Tons de cinza | A introdução de James Bond em CASSINO ROYALE

Posted in Artigos with tags , , , , , , , , , , , , , , on 24 de novembro de 2012 by Lucas Nascimento

Obs: Há SPOILERS sobre Cassino Royale aqui, mas acredito que todos já tenham visto o filme a esta altura.


Daniel Craig é James Bond

Tem início a projeção de 007 – Cassino Royale, vigésimo-primeiro longa do agente secreto James Bond, e o espectador fã do personagem percebe uma série de fatores incomuns dentro dos pradrões da franquia. Primeiro, a ausência da tradicional vinheta do “cano da arma” como abertura do longa e segundo, a presença de um visual em preto-e-branco. É assim que o diretor Martin Campbell apresenta ao mundo Daniel Craig no papel do espião mais famoso do Cinema.


Bond Noir: O agente é apresentado em preto-e-branco

Bond ainda não é um “00” quando o encontramos, ele ainda precisa cometer dois assassinatos para ser promovido a tal status e, consequentemente, ganhar sua licença para matar. O uso do preto-e-branco não é apenas um mero artíficio para acentuar a atmosfera sombria que permeia a cena – que traz o espião encurralando um traidor do MI6 em seu escritório – mas também uma sutil maneira de mostrar ao público que James Bond ainda não é “James Bond”. O preto-e-branco e seus tons de cinza imediatamente nos remetem ao antigo, ao passado e aqui não deve ser confundido com um mero flashback, e sim um prólogo. Iluminada com eficiência por Phil Meheux, é conferida à cena um belo visual noir, que casa perfeitamente com a situação que o roteiro de Neal Purvis, Robert Wade e Paul Haggis vai explicitando.


O primeiro assassinato de Bond

Bruscamente, a cena muda e acompanhamos Bond cometendo seu primeiro assassinato. Uma violenta luta em um banheiro toma conta da tela e, assim, conhecemos a capacidade do personagem para a brutalidade. Reparem que, mesmo mantendo o preto-e-branco, a cena apresenta uma granulação forte e suja, contrastando com as elegantes sombras do diálogo anterior. Uma oposição que não se limita apenas à fotografia, mas que contribui imensamente na mise em scène de Campbell: o primeiro assassinato é descontrolado e selvagem, quase mal feito (eis a granulação e a câmera intensa do diretor), ao passo que o segundo é um serviço executado com profissionalismo e limpeza, traços que são manifestados tanto pela paleta mais “suave” de Meheux, quanto pela câmera que se mantém mais estável (não podendo me esquecer também da música de David Arnold, que varia sua intensidade de acordo com a cena específica).

Bond elimina o traidor Dryden com um tiro silenciado, já o contato deste é vítima de uma morte “nada bonita”. Eis que surge em Cassino Royale um elemento interessantíssimo que se extenderá durante boa parte do longa (e também se apresentará em sua sequência, Quantum of Solace): Bond afoga o sujeito em uma pia.


A sexy Solange: primeira vítima do “Bond-Viúva-Negra”

Chega a ser irônico como o  afogamento perseguirá o personagem de James Bond, especialmente no que diz respeito a seus múltiplos interesses amorosos/sexuais. A começar com a bela Solange (Caterina Murino), esposa de um criminoso que Bond persegue nas Bahamas. Após uma noite de carícias, a moça surge morta numa praia e a causa de seu óbito é – mesmo que nunca fique muito claro – o afogamento. Mesmo que não tenha sido dessa forma, ela definitivamente foi encontrada no mar, tendo areia e algas em seu corpo para sustentar essa ideia. Mas tudo bem, porque Solange foi uma mera fonte para Bond, e quem de fato faz a cabeça do protagonista é a analista Vesper Lynd (Eva Green).

James se apaixona perdidamente por Vesper ao longo da missão central do longa, mas como você (que assistiu ao filme, claro) bem sabe, as coisas não dão certo para o casal, e Lynd acaba por traí-lo ao revelar-se associada de uma outra organização. E após uma tensa perseguição por Veneza, Vesper aceita seu destino e morre afogada – apesar das tentativas de Bond de salvá-la.


Vesper e Bond na linda cena do chuveiro

Não deixa de ser curioso também, que o primeiro momento (real) de intimidade entre Bond e Vesper seja na cena do chuveiro, quando a moça está perturbada por presenciar um assassinato pelas mãos de 007, e senta-se no chuveiro em uma tentativa (metafórica) de se limpar daquela situação assustadora. Mesmo já visando o suicídio ao se jogar na água durante o clímax do filme, pode-se dizer que Vesper tentava – mais uma vez – uma limpeza da situação.

Voltemos à primeira cena do filme, quando 007 já cometeu seus dois assassinatos. Apesar de minha teoria acima, há um elemento que poderia destruí-la: o sujeito afogado acorda, e Bond rapidamente se vira e “inaugura” o cano da arma, baleando seu oponente. Então, para manter a teoria de pé (e a Sétima Arte, maravilhosa como é, permite múltiplas interpretações de um fato) vejo a presença da vinheta como algo puramente estilístico (sem menosprezá-la, porque adoro a nova colocação desta), então o capanga desta cena morreu de fato, afogado por Bond.


O sangue vermelho traz, enfim, cores ao filme

E pra finalizar, Bond se torna Bond após esse cano da arma, realizando seus dois assassinatos e conseguindo seu status de 007. O sangue vermelho, que traz cores ao filme pela primeira vez, auxilia na conclusão dessa metamorfose.

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Mulheres, tiros e acordes | As Aberturas de 007

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 22 de outubro de 2012 by Lucas Nascimento

Com a estreia de 007 – Operação Skyfall na próxima sexta, preparei este pequeno especial sobre as aberturas da série. Aproveitem:

O CANO DA ARMA

Precedendo os créditos de abertura, temos a assinatura marcante da franquia: a sequência do cano da arma. O espectador observa do ponto de vista da arma de um assassino o  agente James Bond caminhar calmamente até eliminar seu oponente, culminando no derramamento de sangue e o clássico tema de John Barry.


A estreia da sequência em 1962

Desenvolvida pelo designer Maurice Binder em 1962, a sequência tem o visual inspirado no cano de uma arma calibre .38, e alguns ainda dizem que faz referência ao final de O Grande Roubo do Trem. A cena mantém a mesma estrutura até hoje, mas com mudanças sutis acrescentadas ao longo dos anos. Em O Satânico Dr. No, o dublê Bob Simmons assumiu o terno de Bond e protagonizou a primeira abertura da série.

Depois de trabalhar em 14 filmes da franquia, Binder faleceu em 1991. Entra Daniel Kleimann para susbtituí-lo em GoldenEye, onde a abertura ganha, pela primeira vez, elementos digitais em sua composição.


Daniel Craig filma seu primeiro “cano da arma”

A sequência ganhou uma radical variação em Cassino Royale, onde não serviu como abertura e quebrou com os paradigmas estabelecidos. Daniel Craig não usa um smoking nem dá a tradicional caminhada, e o cano da arma é incorporado à trama – o que faz muito sentido, já que Bond não era um agente “00” até cometer seu segundo assassinato e ao realizá-lo, eis que surge a famosa assinatura.

Outra mudança interessante aconteceu no último filme do agente, Quantum of Solace, onde o diretor Marc Foster resolveu colocar o cano da arma ao fim da projeção. Estranha pela velocidade da sequência (Craig acelera o passo) e pela sensação de esquecimento, como se Foster tivesse “lembrado” na última hora de inseri-la.

OS CRÉDITOS DE ABERTURA

E agora, vamos a uma breve análise sobre as canções que marcam presença nos créditos de abertura dos 23 filmes:

Enter Connery. Sean Connery.

O SATÂNICO DR. NO – “James Bond Theme”

Intérprete: John Barry

Avaliação da música: 5/5

Avaliação dos créditos: 3/5

MOSCOU CONTRA 007 – “From Russia with Love”

Intérprete: Matt Munro

Avaliação da música: 4/5

Avaliação dos créditos: 3.5/5

GOLDFINGER – “Goldfinger”

Intérprete: Shirley Bassey

Avaliação da música: 4/5

Avaliação dos créditos: 4/5

A CHANTAGEM ATÔMICA – “Thunderball”

Intérprete: Tom Jones

Avaliação da música: 3.5/5

Avaliação dos créditos: 4/5

SÓ SE VIVE DUAS VEZES – “You Only Live Twice”

Intérprete: Nancy Sinatra

Avaliação da música:2.5/5

Avaliação dos créditos: 2/5

Enter Lazenby. George Lazenby.

A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE – “We Have all the Time in the World”

Intérprete: Loius Armstrong

Avaliação da música: 4/5

Avaliação dos créditos: 4/5

Come Back, Connery. Sean Connery

OS DIAMANTES SÃO ETERNOS – “Diamonds are Forever”

Intérprete: Shirley Bassey

Avaliação da música: 2/5

Avaliação dos créditos: 3/5

Enter Moore. Roger Moore

VIVA E DEIXE MORRER – “Live and Let Die”

Intérprete: Paul McCartney

Avaliação da música: 5/5

Avaliação dos créditos: 3/5

O HOMEM COM A PISTOLA DE OURO – “The Man with the Golden Gun”

Intérprete: Lulu

Avaliação da música: 4/5

Avaliação dos créditos: 4/5

O ESPIÃO QUE ME AMAVA – “Nobody does it Better”

Intérprete: Carly Simon

Avaliação da música: 3/5

Avaliação dos créditos: 4/5

O FOGUETE DA MORTE – “Moonraker”

Intérprete: Shirley Bassey

Avaliação da música: 2/5

Avaliação dos créditos: 3.5/5

SOMENTE PARA SEUS OLHOS – “For Your Eyes Only”

Intérprete: Sheena Easton

Avaliação da música: 3/5

Avaliação dos créditos: 3/5

OCTOPUSSY – “All Time High”

Intérprete: Rita Coolidge

Avaliação da música: 4/5

Avaliação dos créditos: 3.5/5

NA MIRA DOS ASSASSINOS – “A View to a Kill”

Intérprete: Duran Duran

Avaliação da música: 5/5

Avaliação dos créditos: 4/5

Enter Dalton. Timothy Dalton

MARCADO PARA A MORTE – “The Living Daylights”

Intérprete: A-Ha

Avaliação da música: 5/5

Avaliação dos créditos: 3/5

PERMISSÃO PARA MATAR – “Licence to Kill”

Intérprete: Gladys Night

Avaliação da música: 4/5

Avaliação dos créditos: 4/5

Enter Brosnan. Pierce Brosnan

GOLDENEYE – “GoldenEye”

Intérprete: Tina Turner

Avaliação da música: 4/5

Avaliação dos créditos: 4/5

O AMANHÃ NUNCA MORRE – “Tomorrow Never Dies”

Intéprete: Sheryl Crow

Avaliação da música: 2/5

Avaliação dos créditos: 3/5

O MUNDO NÃO É O BASTANTE – “The World is not Enough”

Intérprete: Garbage

Avaliação da música: 5/5

Avaliação dos créditos: 5/5

UM NOVO DIA PARA MORRER – “Die Another Day”

Intérprete: Madonna

Avaliação da música: 3.5/5

Avaliação dos créditos: 5/5

Enter Craig. Daniel Craig

CASSINO ROYALE – “You Know My Name”

Intérprete: Chris Cornell

Avaliação da música: 5/5

Avaliação dos créditos: 5/5

QUANTUM OF SOLACE – “Another Way to Die”

Intérprete: Alicia Keys & Jack White

Avaliação da música: 4/5

Avaliação dos créditos: 4/5

OPERAÇÃO SKYFALL – “Skyfall”

Intérprete: Adele

Avaliação da música: 5/5

007 – Operação Skyfall estreia em 26 de Outubro.