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Além da Martelada do Trovão – Especial THOR

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 25 de abril de 2011 by Lucas Nascimento

Thor! O deus do trovão ganha seu primeiro grande filme nas telas do cinema, dando início à temporada de blockbusters e continuidade à saga dos Vingadores. Aproveitem o especial:

Bastidores de Thor
Os bastidores de Thor

Antes de chegar nas mãos do britânico Kenneth Branagh, o projeto de Thor passou por diversos estúdios e diretores, incluindo Sam Raimi (que dirigiu a trilogia Homem-Aranha) e Matthew Vaughn (que agora termina X-Men: Primeira Classe), mas em decorrência de problemas diversos – um deles sendo a dificuldade em transpor o projeto às telas -, a produção não andou pra frente.

Partindo do roteiro escrito por Ashley Miller e Don Payne, Branagh começou a pré-produção em 2009; escalando Chris Hemsworth como Thor e Tom Hiddleston – que fez teste para o papel principal – na pele de seu meio-irmão Loki. O resto do elenco foi contratado de forma comum, exceto pela polêmica racista contra o ator Iris Elba (que interpreta Heimdall); que foi atacado por um grupo que ofendeu-se com a variedade racial apresentada nos deuses de Asgard.


O diretor Kenneth Branagh na Comic-Con

As filmagens começaram no Novo México, em Janeiro de 2010; tendo uma pequena cidade construída especialmente para as gravações. Muitas explosões, cenários complicados e uma direção de arte promissora e as filmagens – com ponta de Stan Lee, claro –  terminaram.

Infelizmente, a vontade de faturar uma grana a mais surgiu na cabeça da Marvel Studios, fazendo com que Thor (e também o Capitão América) fossem submetidos à suspeitosa conversão para 3D… Quem já viu o filme garante que o efeito não estraga a projeção, mas que também não oferece profundidade alguma. Resumindo, deve ser o “2D com óculos”.

Thor carrega duas tarefas difíceis, que Homem-de-Ferro conseguiu cumprir exatamente 3 anos antes em sua estreia: fazer sucesso (o personagem não é dos mais populares na geração atual) e continuar o plano Vingadores.

Os deuses, humanos e criaturas que protagonizam o longa:

Thor | Chris Hemsworth

Deus do Trovão, Thor é um valente, porém arrogante, guerreiro de Asgard. Após perturbar as relações de paz com os Gigantes de Gelo, ele é banido por seu pai Odin para a Terra. Lá, sem poderes, recebe ajuda da cientista Jane Foster, que o ajudará a recuperar sua força a tempo de salvar seu reino de Loki.

Jane Foster | Natalie Portman

Interesse amoroso de Thor, Jane é uma cientista séria e dedicada, cujo foco é justamente na astrofísica. Ela e sua amiga Darcy o encontram logo após sua chegada na Terra, ajudando-o posteriormente a reencontrar seu poder e proteger o planeta do vindouro ataque de Loki.

Loki | Tom Hiddleston

Deus das Travsessuras e irmão adotivo de Thor (sua origem estaria ligada com os Gigantes de Gelo), Loki é um ser manipulador e invejoso. Com más intenções, assumi o trono de Asgard após o exilio de seu irmão,  enviando as forças mais poderosas de seu reino – incluindo o letal Destruidor – para destruí-lo na Terra.

Odin | Anthony Hopkins

Temperamental e esquentado, Odin governa Asgard há milhares de anos, estabelecendo uma complicada paz com os outros reinos. É o pai de Thor e Loki; Após o Deus do Trovão quebrar o acordo pacífico, Odin bane seu filho arrogante para a Terra onde espera que ele aprenda uma lição de humanidade.

Heimdall | Iris Elba

Guardião da Ponte de Arco-Íris, elo entre Asgard e a Terra, Heimdall é um poderoso guerreiro que ouve e observa os acontecimentos dos outros mundos, tornando-o perfeito na proteção dos reinos.

Criaturas

Jotuns, ou Gigantes de Gelo

Originados do gelado mundo de Jotunheim, os gigantes eram antigos inimigos dos Asgardianos. Liderados pelo rei Laufey, perderam inúmeras guerras para Odin e seus guerreiros, resultando em uma frágil trégua, que é quebrada por Thor em consequência de uma disputa por um artefato místico.

Destruidor

Grande armamento de Aasgard, é uma implácavel entidade de metal, sem remorso ou emoções. É guardião do cofre de Aasgard, que guarda relíquias e tesouros inestimáveis. Sua armadura é feita do mesmo material utilizado no martelo Mjolnir de Thor, e só presta serviços para seu rei.

Um guia turístico com as principais locações do filme:

Asgard

Legendária e mística cidade habitada por quem os vikings chamavam como deuses. É comandada por Odin e é lendária por seus impecáveis guerreiros.

Jotunheim

Sombrio planeta congelado onde habitam os Jotuns (ou Gigantes de Gelo), liderados pelo rei Laufey. A fonte de seu poder vem de um artefato místico, que tem a capacidade de englobar mundos em gelo e neve.

Ponte do Arco íris

Protegida pelo guerreiro Heimdall, a Ponte do Arco-íris (também chamada de Bifrost) é o elo entre os mundos, dando destaque para a Terra e Asgard, que será mostrada com mais destaque no filme.

Terra

A porção de Thor que se passa na Terra, toma lugar na cidade do Novo México, em uma pequena cidade, instalações da SHIELD e pelo deserto, prometendo um clima road-movie.

O ambicioso projeto que vai unir diversos super-heróis em um único filme continua…

Hugo Weaving em CAPITÃO AMÉRICA - O PRIMEIRO VINGADOR, de Joe Johnston
Hugo Weaving com o Cubo Cósmico, objeto mitológico de Thor, em cena de Capitão América

Bem, retomemos aquele assunto mais uma vez: A Marvel Studios começou com Homem-de-Ferro sua Iniciativa aos Vingadores, super-grupo que reúne alguns dos mais poderosos heróis da editora. Thor é o próximo elemento, e muito importante por dominar elementos mágicos e, correm os boatos, de que o deus Loki será a grande ameaça do filme dos Vingadores.

No próprio Thor, a SHIELD aparece novamente, assim como o Agente Coulson e Nick Fury (Samuel L. Jackson), além da presença de um novo personagem: o Gavião Arqueiro, interpretado por Jeremy Renner, que fará uma pequena participação no filme.

É evidente que o filme se passa depois dos eventos de Homem-de-Ferro 2, já que a cidade do Novo México é mencionada e o próprio martelo do vingador aparece nos créditos finais. Sobre sua ligação com Capitão América, foi revelado que um certo objeto conhecido como “Cubo Cósmico” – que faz parte da mitologia de Thor – vai estar no filme do herói bandeiroso, sendo alvo de cobiça do vilão nazista Caveira Vermelha.

Os Vingadores estreia em Julho de 2012 e ponho minhas fichas em Loki como vilão do filme. Mas claro, não conte apenas com ele…

O personagem original dos quadrinhos:

Criado por Stan Lee e Jack Kirby, com clara inspiração na mitologia nórdica, Thor apresenta características diferentes do filme. A razão pela qual o deus do trovão habita a Terra é quase a mesma: enfrentar experiências humanas após seus atos de arrogância desencadearem problemas e conflitos em Asgard. Sem memória e sem poderes, ele é mandado sob o alter ego de Donald Blake, um médico deficiente que logo percebe sua missão de protetor da Terra.

Poderes

Thor é um ser humano normal como eu e você, a fonte de seus poderes é seu martelo Mjolnir, que lhe oferece uma quantidade impressionante de poderes como:

  • Resistência à dor e agressões, incluindo regeneração e uma quase  invulnerabilidade
  • Viagem no Tempo
  • Velocidade e agilidade avançadas
  • Controle de trovões, chuva e elementos de tempestade
  • Habilidades de luta soberbas

Os poderes de Thor vêm de seu martelo. Aqui, alguns objetos que apresentam fonte de poder interessantíssimos:

Um Anel

Anel da trilogia O Senhor dos Aneis – e dos vindouros filmes de O Hobbit -, oferece a quem o usa o poder de dominação total, mas também uma terrível apegação a ele, resultando em monstruosas transformações

A Arca da Aliança

Objeto de cobiça dos nazistas em Os Caçadores da Arca Perdida, o misterioso artefato guardava as tábuas dos dez mandamentos de Moisés e também um poder divino invencível. No clímax do primeiro filme de Indiana Jones, seu poder é testado em uma arrepiante sequência.

Capacete do Magneto

Usado por Magneto nos filmes X-Men, o capacete protege seus pensamentos de seus inimigos, além de permanecer oculto na localização de mutantes conhecida como Cérebro, de seu antigo amigo Charles Xavier. Me pergunto se o capacete atrapalharia os extratores de A Origem…

O Baú de Davy Jones

O baú guarda o coração pulsante do pirata Davy Jones, colecionador de almas e responsável pela “passagem” entre uma vida e outra, tendo como armas a lula mitológica Kraken e uma alucinante prisão no fim do mundo. Quem domina o coração, domina o pirata…

Bem, o especial vai ficando por aqui, mas aguarde pela crítica de Thor, que deve sair na Sexta-Feira ou no Sábado. Até!

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| Bravura Indômita | Western dos Coen é mais uma Obra-prima

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2011, Indicados ao Oscar, Western with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 12 de fevereiro de 2011 by Lucas Nascimento


Era uma Vez no Oeste: Dois grandes personagens, duas grandes performances

Os irmãos Coen são conhecidos por diversos fatores, os predominantes sendo o constante cinismo na trama e a mistura de gêneros e subgêneros (é difícil “rotular” um longa da dupla), alcançando um resultado único. Esses fatores – mesmo que mais contidos – estão em Bravura Indômita, nova adaptação do livro de Charles Pottis, que joga o espectador em uma empolgante aventura à moda antiga.

Ambientada no Velho Oeste dos EUA, a trama acompanha a jovem de 14 anos Mattie Ross (Hailee Steinfeld) que pretende vingar a morte de seu pai, contratando o excêntrico federal Rooster Cogburn (Jeff Bridges) e inciando uma caçada ao assassino (Josh Brolin).

Mesmo que os fatores característicos, abordados no início do texto, não estejam em cena o tempo todo, ainda é um filme dos irmãos Coen. O humor negro e sarcástico é presente tanto no geniral roteiro (assinado pelos dois) quanto na direção, que inclue longos takes em silêncio e coadjuvantes bizarros (o que dizer do capanga que faz sons animalescos?); sempre levando à conclusão de que o filme não se leva a sério o tempo todo.

Assim como o federal Cogburn, a quem Jeff Bridges presta um trabalho sensacional; adotando um sotaque característico, o personagem é impagável e divertidíssimo, agindo quase como uma criança, mas com um toque de seriedade dentro de si. Sua presença em cena só é rivalizada pela verdadeira “criança” do filme, a jovem Hailee Steinfeld que preenche Mattie Ross com uma vivacidade e energia contagiantes, sempre apresentando determinação em suas falas; Melissa Leo (O Vencedor) come poeira perto da atriz mirim, que injustamente foi indicada ao Oscar como Atriz Coadjuvante, quando na verdade é a protagonista do filme.


O Oscar de Melhor Fotografia para Roger Deakins é obrigatório

Matt Damon também faz bem como o Texas Ranger LaBoeuf, rendendo boas discussões com Cogburn e diálogos de afeto com Mattie. Josh Brolin aparece pouco, mas compõe o assassino Tom Chaney com um ar de monstruosidade (ele até engrossa a voz) e impressiona.

Fotografado com talento pelo experiente Roger Deakins, o longa oferece uma paisagem mais sublime do que a outra, predominando tons pasteis e a luz do sol, apesar de as cenas noturnas serem igualmente caprichadas, dando força em especial ao inesquecível clímax. A estatueta já escapou de suas mãos 9 vezes, mas não vencer dessa vez seria injusto…

Bravura Indômita é uma grande diversão e uma aventura com emoção genuína, do tipo que Hollywood raramente consegue realizar. Os Coen focam-se na trama, sem se preocupar com em distorcer o gênero e acrescentam mais uma obra-prima à sua filmografia.

Leia esta crítica em inglês (english)

| Cisne Negro | A dualidade entre a Luz e as Trevas sob a visão de Darren Aronofsky

Posted in Cinema, Críticas de 2011, Drama, Indicados ao Oscar, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 5 de fevereiro de 2011 by Lucas Nascimento


Espelhos do Medo: Natalie Portman na performance de sua carreira

Cisne Negro é daqueles filmes que requerem uma segunda e talvez uma terceira visita, não apenas pela complexidade narrativa, mas pelo nível impressionante de detalhes que expõem a natureza e a personalidade da protagonista. A dualidade clássica entre a luz e as trevas é o ponto de foco central da narrativa, que acompanha a esforçada bailarina Nina Sayers.

Escolhida para o disputado papel principal na peça O Lago dos Cisnes, Nina deve satisfazer seu ambicioso diretor Thomas Leroy (Vincent Cassel, excelente) ao traduzir para a dança, a personalidade graciosa do Cisne Branco e, simultaneamente, a sensualidade do Cisne Negro.

O problema é que Nina não consegue dançar como o Cisne Negro. Ela é o Cisne Branco em sua fidelíssima incorporação física; a sensacional performance de Natalie Portman enfatiza tais características ao traçar a jovem como frágil, graciosa e, sempre que algo dá errado ou imprevisto, dando a impressão de que seria capaz de se desmoronar em lágrimas, o que provavelmente é fruto de sua vida quase infantil; os bichos de pelúcia em seu quarto, a atenção constante e super-protetora de sua mãe (Barbara Hershey). São muitos detalhes bárbaros que contribuem para que essa seja a melhor performance da carreira de Portman, que mostra-se também uma dançarina eficáz.

Todo esse primeiro ato sobre o Cisne Branco é simpático e agradável, em certos momentos parecendo até mesmo uma animação de princesas da Disney (sombria, claro), no entanto, o espectador nunca se esquece de que este é um filme de Darren Aronofsky. Exibindo uma visão sinistra e sua tradicional marca, é impactante ver o cineasta preparar o terreno para a destruição psicológica que vem a seguir, provocando seu habitual desconforto no espectador.

Through the Looking Glass


I am to become Death: Nina dança o Cisne Negro

Enquanto Nina é graciosa e virginal, a novata Lily (Mila Kunis, da série extinta That’ 70s Show) é exatamente o oposto: sensual, provocante e agressiva, características que ela apresenta tanto em seu modo de vida quanto no balé, o que a torna perfeita para o papel do Cisne Negro. O perfil da personagem é retratado com muito carisma e atenção por Kunis, que enfim mostra um papel forte e memorável, mostrando-se mais do que um rosto (muito) bonito.

É maravilhoso observar os elementos simbólicos. A transição de Nina para “o lado sombrio” pode se dar perfeitamente pelo plano em que a personagem veste uma blusa preta dada por Lily, mas sem remover a vestimenta branca que ela já vestia, o que claramente estereotipa que, mesmo entrando nesse estado sombrio, o conflito interno entre a luz e as trevas continua, manifestando-se pela brilhante fotografia de Matthew Libatique , que utiliza espelhos e reflexos de forma genial; seja como contribuição dramática para a busca pela perfeição de Nina (em certos planos, é possível acompanhar a ação e a reação de personagens diferentes, graças ao espelho) ou a já mencionada dualidade…

O contraste entre preto e branco não é esquecido nem mesmo na polêmica cena de sexo entre as protagonistas; Nina usa roupas íntimas brancas, enquanto Lily traja preto. Mesmo questionando a existência de tal ato (acredite, realidade e imaginação se confundem excessivamente ao longo do filme) é importante na transformação assustadora de Nina, que ainda conta com alucinações, maquiagens, efeitos sonoros perturbadores e um uso magnífico de efeitos visuais (a pena que sai de suas costas no trailer é apenas a ponta do iceberg…) que resultam numa criação assustadora e uma dança final inesquecível.

Confundindo o espectador com níveis de realidade e alucinações, Cisne Negro é um retrato único da dualidade bem e mal através da direção onírica e sinistra de Darren Aronofsky, que entrega uma visão bizarra do mundo do balé e uma performance inesquecível de Natalie Portman.

Leia esta crítica em inglês (english)