Arquivo para cena da piscina

| Deixe-me Entrar | Um remake na linha do original

Posted in Cinema, Críticas de 2011, Drama, Terror with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 28 de janeiro de 2011 by Lucas Nascimento

4.5


Nova Geração: Os ótimos Kodi Smith-McPhee e Chloe Moretz dividem a cena

A mania americana de refilmar filmes estrangeiros não tem um propósito lógico e muito menos artístico. Raramente há um motivo para refazer um longa que já é bom. Não me lembro de encontrar um motivo em Deixa Ela Entrar, mas o remake aconteceu e, apesar de não apresentar mudanças radicais, é um resultado acima do esperado.

Mantendo exatamente a mesma trama – apenas trocando nomes e cenários – o filme acompanha o garoto Owen, que sofre bullying constante de colegas agressivos. Tudo muda quando conhece sua nova vizinha Abby, que é na verdade uma vampira que cria uma série de assassinatos na cidade.

Primeiramente, Matt Reeves merece aplausos por dirigir e escrever o filme, sendo praticamente um novato na cadeira de diretor, mostrando-se um profissional eficiente e talentoso. Mantendo-se fiel à estática e ao desenrolar da trama, Reeves acerta ao “aprender” com o filme original de Tomas Anderson e não copiá-lo. O longa sueco é repleto de longas tomadas e planos sequências, em sua maioria silenciosos e simples; já Reeves é muito mais agressivo e incorpora essa técnica narrativa ao seu estilo selvagem, como no memorável acidente de carro, mas não empolga ao dar uma nova visão à icônica cena da piscina.

Seu roteiro também exclui as tramas paralelas do original – mas faz a elas uma homenagem estilo Janela Indiscreta no início do longa -, o que torna a história mais vazia, para focar-se principalmente em Owen. Vivido por Kodi Smith-McPhee com carisma impressionante e com carga dramática intensa, o ator é promissor. No papel da vampira Abby, Chloe Moretz entrega sua melhor performance até agora, apresentando-se como uma pessoa misteriosa, cujo olhar ambíguo pode significar qualquer coisa.


A Sombra e a escuridão: A fotografia é um dos pontos altos da produção

Mais do que qualquer elemento, Reeves explora mais a natureza do misterioso guardião de Abby, vivido com competência por Richard Jenkins. O diretor/roteirista parece se divertir ao retratar seus ataques de maneira muito mais criativa do que o “Hakan” do original; apresentando-o sempre nas sombras, atacando carros, mas mantendo a essência de cansaço do personagem.

Em valores técnicos é uma produção estilosa e caprichada. A fotografia de Greig Fraser é espetacular, apresentando tons quentes, escuros e utilizando-se mise-en-scenes fabulosos; é um absurdo ela não ter sido indicada ao Oscar. A trilha sonora de Michael Giacchino é excelente e tensa, em certos momentos parecendo ter sido transportada diretamente de Lost.

Nunca perdendo seu foco e profundidade, Deixe-me Entrar é um filme estiloso, bem dirigido e que não limita-se a copiar o original, apresentando um estilo diferente do filme sueco – mais acessível a uma audiência maior, eu diria -, mas homenageando-o de forma impecável.

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