Arquivo para charlton heston

| Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Clássicos, Críticas de 2014, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , on 25 de outubro de 2014 by Lucas Nascimento

5.0

StarWarsEpisodeIVANewHope
A trinca original: Luke Skywalker, Leia Organa e Han Solo

Eu devia ter uns 6 ou 7 anos quando perguntei a meu tio sobre filmes legais pra se assistir. Lembro que a resposta trouxe Planeta dos Macacos e Star Wars, me apresentado no nostálgico título nacional Guerra nas Estrelas. O clássico com Charlton Heston eu deixaria para assistir alguns anos depois, mas tive a sorte de pegar uma maratona da saga de George Lucas no SBT, que preparava um esquenta para o lançamento de Ataque dos Clones, em 2002. Foi meu primeiro contato com Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança, filme que mudou a minha vida pra sempre.

Acho válido explicar porque o primeiro filme lançado é o quarto em cronologia. Em 1977, George Lucas lançou o filme apenas como Star Wars (Guerra nas Estrelas em terras tupiniquins), tendo a ideia de contar a história anterior a esta alguns anos depois, seguindo o lançamento de O Retorno de Jedi, em 1983. Estamos em 1997 e a notória Edição Especial é lançada, que – além das alterações digitais criticadas até hoje – trouxe a classificação de Episódios IV, V e VI para a trilogia, preparando o terreno para a estreia do Episódio I, que viria dois anos depois. Ao contrário do que algumas lendas por aí afirmam, Lucas não tinha a história dos Episódios I, II e III quando iniciou a saga com Uma Nova Esperanca.

O que nos leva, enfim, à trama do filme. Começa aproximadamente 20 anos após os eventos de A Vingança dos Sith, com o Império Galáctico perseguindo um grupo da Aliança Rebelde que tenta fugir com planos secretos da Estrela da Morte, estação bélica com capacidade para destruir um planeta. Os dróides R2-D2 (Kenny Baker)e C-3PO (Anthony Daniels) fogem com os planos para o planeta de Tatooine, onde são adquiridos pelo fazendeiro Luke Skywalker (Mark Hamill), que logo se aliará ao Mestre Jedi Obi-Wan Kenobi (Alec Guiness) para devolver os dróides a seu dono.

É uma clássica história de arquétipos. Mocinhos idealizados, vilões maniqueístas e premissas que envolvem o resgate de princesas, como nos contos de fadas. O que faz a diferença aqui, é a mitologia fantástica que o roteiro de Lucas apresenta, um universo habitado por alienígenas, caçadores de recompensas e piratas espaciais. O Han Solo de Harrison Ford é um anti-herói divertido e que impressiona por sua mudança de atitude no último ato, enquanto a Princesa Leia de Carrie Fisher é uma personagem forte e nada indefesa, invertendo os papéis ao salvar os heróis enviados ali justamente para salvá-la.

StarWars
A perseguição nas trincheiras

Com a ajuda de efeitos visuais dominados por miniaturas espetaculares, truques de iluminação e um elaborado design sonoro, Lucas cria cenas de ação que ficariam na História. A perseguição de caças espaciais nas trincheiras da Estrela da Morte é empolgante como poucas sequências da saga, sendo também mais um atestado do poder sobrenatural de John Williams para compor temas icônicos e belíssimos, que temperam bem o tom de aventura nostálgica e despretensiosa adotado pelo longa.

Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança talvez seja o filme mais importante da minha vida. É a obra que iniciou minha jornada pelo Cinema, e tudo o que assisti, aprendi e experienciei depois, teve início quando conheci o universo de George Lucas.

No próximo filme, veríamos o melhor episódio da saga, e aquela que é considerada uma das melhores continuações da História do Cinema.

Próximo: O Império Contra-Ataca

A SAGA

Episódio I – A Ameaça Fantasma

Episódio II – Ataque dos Clones

Episódio III – A Vingança dos Sith

Episódio IV – Uma Nova Esperança

Episódio V – O Império Contra-Ataca

Episódio VI – O Retorno de Jedi

 

A Franquia do PLANETA DOS MACACOS

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , on 18 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

Caesar-in-Dawn-Of-The-Planet-Of-The-Apes-Wallpaper

Com a estreia de Planeta dos Macacos: O Confronto na semana que vem (já estão sendo exibidas algumas pré-estreias), pela primeira vez parei para assistir a todos os filmes da franquia da Fox, que desde 1968 vem surpreendendo. Confira:

O Planeta dos Macacos (1968)

4.0

PlanetOfTheApes_B1ST_g

Baseado na obra de Pierre Boulle, O Planeta dos Macacos transformou-se em um dos maiores clássicos da ficção científica pelas mãos do diretor Franklin J. Schaffner. Com a história sombria de um grupo de astronautas que se encontra em um misterioso planeta dominado por macacos, a trama se desenrola com eficiência para uma das maiores e mais icônicas reviravoltas da História do Cinema. Vale lembrar também dos incríveis bordões de Charlton Heston e do revolucionário trabalho de maquiagem de John Chambers.

De Volta ao Planeta dos Macacos (1970)

2.0

beneath

Seguir a conclusão arrasadora do original não é tarefa fácil, e não é de se admirar que a primeira da série de continuações falhe miseravelmente. O filme de Ted Post tenta recriar visualmente diversos aspectos do anterior, desde o protagonista humano que vai aprendendo sobre a comunidade símia até os cenários americanos devastados. Merece créditos por oferecer um rumo completamente inesperado com a comunidade de seres radioativos que cultua um míssil (em uma metáfora interessante da tensão atômica da Guerra Fria), mas o resultado é bem esquecível.

Fuga do Planeta dos Macacos (1971)

4.0

escape-03-300dpi

Mostrando ainda mais ousadia, a franquia agora inventa de brincar com viagem no tempo. E o resultado é surpreendentemente uma das melhores adições da série, já que agora pode mostrar como se deu o processo de dominância mundial dos macacos; e na tradição das melhores obras do gênero, que foi invariavelmente causado pela própria viagem no tempo. Tem um excelente roteiro permeado por questões sociais, e uma conclusão brutal e corajosa.

A Conquista do Planeta dos Macacos (1972)

3.0

conquest

Ligeira fonte de inspiração para o reboot de 2011, o quarto filme revela quando de fato os macacos iniciam o processo de revolução. Tem ainda mais subtexto político do que o anterior, buscando agora um esperto paralelo com a escravidão dos negros, mas carece do impacto. É um bom filme, mas não traz a inteligência visual nem o senso de surpresa que os outros trazem, ficando apenas acima da média.

A Batalha do Planeta dos Macacos (1973)

2.5

battle-for-the-planet-of-the-apes-caesar2

Último filme da franquia original, percebe-se como a fórmula estava fraca. A história, que mostra o grupo símio de César lidando com rebeliões militares e a ameaça de um grupo de mutantes humanos, não empolga. É provavelmente o roteiro mais fraco e sem grandes ambições da série (mesmo ruim, o segundo filme ao menos se arriscava), que só encontra nas medianas cenas de batalha um atrativo.

Planeta dos Macacos (2001)

2.5

planet-of-the-apes-remake-mark-wahlberg-tim-roth

O infame remake de Tim Burton para o clássico de 1968. Pessoalmente, não achei o monstro tão feio como o a maioria, apesar de não faltarem alguns momentos ridículos e diversos elementos incongruentes. O filme acerta pelo visual, contando com o inacreditável trabalho de maquiagem do mestre Rick Baker, que cria macacos e gorilas expressivos. Dou créditos também à coragem de oferecer um final ainda mais enigmático do que o original, mas perde por não fazer tanto sentido.

Planeta dos Macacos: A Origem (2011)

4.0

riseapes_12

Uma das grandes surpresas de 2011 e inegavelmente um dos reboots mais bem-sucedidos de todos os tempos. O filme de Rupert Wyatt ignora a cronologia original, ainda que deixe as devidas homenagens visuais e dê pistas sobre o futuro, que certamente levará à dominação planetária dos símios. A tecnologia de captura de performance funciona e Andy Serkis dá mais um show como o macaco César, mas o que realmente surpreende é a humanidade com que é tratada a trama – graças à relação entre o protagonista e seu pai adotivo, vivido por James Franco.

Bem, já assisti ao novo filme e publicarei a crítica ainda hoje. Até lá!

Fiquem aí com uma menção honrosa genial:

| Planeta dos Macacos: A Origem | Clássico da ficção científica ganha vida nova

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2011, Ficção Científica, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , on 27 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento

4.0


Só faltou o Kong: Liderados por Cesar, os símios atacam a ponte Golden Gate

Eu estou muito orgulhoso e satisfeito com a Fox. Por muitos anos, a empresa foi responsável por alguns dos blockbusters mais imbecis da atualidade, cujo foco não passava além de arrecadação nas bilheterias (pra citar um exemplo, X-Men Origens: Wolverine). Vida nova no estúdio, que acerta grande pela segunda vez este ano (quem esqueceu do X-Men – Primeira Classe?) com um excelente retorno ao Planeta dos Macacos.

Inspirando-se no quarto filme da franquia (A Conquista do Planeta dos Macacos, de 1972), a trama mostra os eventos que levaram os símios a dominarem o planeta, girando em torno do macaco Cesar e as alterações genéticas que o tornaram superinteligente.

Planeta dos Macacos: A Origem é uma grande surpresa. Na minha opinião tinha tudo para dar errado, mas felizmente o resultado é mais do que satisfatório. A começar pelo roteiro de Ricka Jaffa e Amanda Silver, que traça perfeitamente a saga dos personagens e cria diálogos e situações eficientes que sucedem em contar bem a história – mesmo que não escape de algumas incoerências (como uma explicação mais elaborada no vírus ALZ 112). De quebra, ainda há muito respeito pelo original (atenção a uma importante notícia de jornal) e diversas referências empolgantes (fiquem até o fim dos créditos!

Com um roteiro consistente em mãos, o diretor Rupert Wyatt respeita o material e elabora diversas táticas visuais para adaptá-lo às telas, mostrando-se um talentoso contador de histórias que sabe bem quando equilibrar o drama (é tocante a cena em que Cesar olha assustado a seu redor após proteger seu mentor) e a ação – aqui, um espetacular ataque na ponte Golden Gate. Wyartt também mostrou habilidade em trabalhar com efeitos visuais impressionantes.

Encarregados pela Weta – a empresa de Peter Jackson que trabalhou em O Senhor dos Anéis, King Kong, Avatar, entre outros – os efeitos digitais que criam os diversos sídios do filme garantem a eles um realismo assombroso. Chimpanzés, gorilas e orangotangos enchem as telas e têm todas as suas feições e movimentos espelhados pelo CG, que conta com a tecnologia de captura de performance (a mesma de Avatar), que  ajuda a fortalecer a sensacional performance de Andy Serkis.


A tecnologia de captura de performance transforma Andy Serkis no macaco Cesar

Serkis, especialista em personagens computadorizados, mostra mais uma vez que tais performances merecem reconhecimento de premiações. Perfeito como o macaco Cesar, ele utiliza como grande trunfo os olhos (humanos ao extremo), que servem para o personagem expressar-se de forma bem subjetiva, e a captura de performance mantém o impecável trabalho do ator, que merece uma indicação ao Oscar pelo trabalho.

Mesmo com Cesar na linha narrativa principal, os humanos também conseguem brilhar. James Franco continua apresentando imenso talento ao preencher o dr. Will Rodman de determinação, enquanto John Lithgow acerta ao explorar corretamente a doença do pai de Will. Do outro lado, Freida Pinto serve apenas como enfeite e Tom Felton repete o estilo malvado do Draco Malfoy de Harry Potter, ganhando destaque por trazer de volta os icônicos bordões de Charlton Heston.

Entre os valores técnicos, a direção de arte é criativa no design dos laboratórios e nas terríveis jaulas onde os macacos ficam aprisionados. A montagem é ágil e bem coordenada – principalmente nas cenas de ação – e a trilha sonora de Patrick Doyle é excelente, empolgando nos momentos mais radicais a passo em que funciona também nos mais dramáticos.

Alcançando o efeito de reboots como Star Trek e Batman BeginsPlaneta dos Macacos: A Origem é um ótimo retorno à franquia original – não incluo aí o fraco remake de Tim Burton – e um dos melhores blockbusters do ano, repleto de agradáveis referências e uma trama bem equilibrada e cheia de conteúdo para refletir. Parabéns Fox, continue assim.

Ficha Técnica