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| O Homem do Futuro | Ficção científica divertida e inteligente

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2011 with tags , , , , , , , on 7 de setembro de 2011 by Lucas Nascimento


Alguém viu o meu delorean? Wagner Moura é o viajante do tempo da vez

A viagem no tempo sempre foi um dos meus temas cinematográficos favoritos. Depois de diversos cineastas de diversos países embarcarem no gênero, chega a vez do brasileiro Cláudio Torres com seu divertido O Homem do Futuro, que mistura ficção científica com comédia na medida certa.

A trama acompanha o físico João “Zero” que, ao experimentar um acelerador de partículas, é enviado de volta no tempo para um fatídico dia onde sua vida passou a desandar, em decorrência de uma decepção amorosa.

Tomando como inspiração (e referência) diversos filmes sobre o tema, o diretor e roteirista Cláudio Torres traça uma inteligente e comovente história, admitindo uma lógica narrativa interessante e científica ao mesmo tempo em que explora divertidamente os extremos de sua premissa; passando por realidades alternativas (bem no estilo De Volta para o Futuro) e a complexa ideia de que o tempo é simultâneo (a reviravolta do final é ótima). O roteiro de Torres cria belos diálogos e estabelece alguns bordões divertidos.

Algo que aprecio na direção de Torres é o visual. Desde A Mulher Invisível, o diretor vem construindo uma aparência caprichada para seus filmes, acertando nos enquadramentos e também corretamente auxiliado pela ótima fotografia de Ricardo Della Rosa, que alterna com talento os tons de cores de acordo com suas respectivas passagens temporais; por exemplo, a paleta de cores na realidade alternativa é mais fria do que na das cenas ambientadas no passado.

Provando seu imenso talento mais uma vez, Wagner Moura aparece aqui como um genuíno camaleão que, mesmo interpretando o mesmo personagem, impressiona na composição diferente de cada uma de suas versões temporais ao longo da projeção, alternando do mais caricato ao mais dramático (seu trabalho como o estilo “cientista louco” é o mais divertido). Mas é só Moura quem se destaca, já que Alinne Morais faz pouco mais além de enfeitar as telas a passo que Fernando Ceylão abraça o estereótipo do “melhor amigo” com tamanha intensidade que passa grande parte do longa com uma fantasia do Robin.

Contando também com excelentes valores de produção que incluem belos designs de produção e eficientes efeitos visuais, O Homem do Futuro é uma divertida ficção científica que brinca com inteligência com os extremos de sua trama, alcançando um climax satisfatório e comprovando o imenso talento de Wagner Moura.

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