Arquivo para clichês

| O Juiz | Crítica

Posted in Críticas de 2015, Drama, Home Video with tags , , , , , , , , , , , , , on 21 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

2.5

TheJudge
Robert Downey Jr. e Robert Duvall

Em certo ponto do drama criminal/familiar O Juiz, eu só conseguia me perguntar “por quê?”.

Escrita por Bill Dubuque e Nick Schenk, a trama nos apresenta a Hank Palmer, um notório e egocêntrico advogado que ganha a vida defendendo as pessoas erradas. Quando sua mãe falece, ele é forçado a voltar à sua cidade natal para o funeral, convivendo com sua família disfuncional, liderada por seu pai, Joseph (Robert Duvall), respeitado juiz local. Quando Joseph é acusado de homicídio, Hank é obrigado a prolongar sua estadia e provar sua inocência.

Há muitos elementos potencialmente exploráveis em O Juiz. Nada realmente original, mas que se fosse feito com competência, renderia uma obra acima da média. Nas mãos do diretor David Dobkin (uma escolha incomum, já que Dobkin só dirigiu comédias, de Penetras Bons de Bico a Titio Noel), o já medíocre roteiro da dupla acima transforma-se num festival de melodrama do mais baixo nível, que junta todos os clichês (briga familiar, doença terminal, ex-namoradas) em uma narrativa arrastada e episódica. Dobkin pesa a mão no drama (a cena em que Hank assiste a filmes antigos com seu irmão funcionaria perfeitamente em silêncio, mas Dobkin carece da música de Thomas Newman…), mas inexplicavelmente traz um humor caricato e que não combina com sua abordagem dramática, como os personagens de Dax Sheppard e Billy Bob Thornton (este último, um advogado que daria um ótimo antagonista a Saul Goodman).

Visualmente, o diretor resolve em tratar tudo com grandiosidade. As cenas dos tribunais trazem movimentos de câmera estilizados, enquadramentos fortes e um trabalho de contra-luz do diretor de fotografia Janusz Kaminsky que faz Michael Bay parecer sutil com seu uso de luz (de verdade, os canhões de luz chegam a cobrir de forma nada elegante o rosto dos atores em certos momentos). Falando em – falta de – sutileza, Robert Downey Jr. parece decidido a interpretar Tony Stark para o resto de sua vida, o que é uma gigantesca pena. Sua performance é carismática como de costume, mas eu realmente gostaria de ver o ator experimentar coisas novas, ou ele cairá no mesmo limbo de piloto automático que consumiu Johnny Depp.

Admito que entretém ver Robert Duvall carrancudo e dando sermão pra todo lado (suas discussões com Downey Jr são ainda mais intensas), e a dupla de roteiristas acerta quando a trama se concentra no caso jurídico. Mas quando nos enfiam subtramas risíveis que poderiam ou não conter um caso de incesto, e quando a presença de Vera Farmiga é um elemento que prejudica o filme, sabemos que tem coisa errada por aí.

O Juiz é um festival de melodrama que não medirá esforços para emocionar o espectador, não importa quantos clichês ou artifícios baratos ele use. Traz bons momentos e uma boa presença de Robert Duvall, mas é um trabalho esquecível e falho.

Anúncios

| Se Eu Ficar | Crítica

Posted in Críticas de 2014, Drama, DVD, Romance with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 18 de dezembro de 2014 by Lucas Nascimento

1.0

IfIStay
Chloe Grace Moretz corre pelo hospital. Muito.

O que reside além da vida é o mistério definitivo desta. Só de se pensar nas infinitas possibilidades e as questões éticas, morais, metafísicas e sobrenaturais já é empolgante. Como o assunto consegue ser tão entediante e sub como este Se Eu Ficar, é algo digno de reconhecimento.

A trama é baseada no livro homônimo de Gayle Forman, centrando-se na vida de Mia Hall (Chloe Grace Moretz), uma jovem aprendiz que sonha em ser uma grande violocentista. Quando um acidente de carro a coloca em um coma, seu espírito vagueia pelas lembranças de sua vida, relações amorosas e familiares – enquanto decide se seguirá em frente ou permanecerá no mundo mortal.

É uma premissa que já vimos inúmeras vezes, a diferença é que no filme de RJ. Cutter é muito mais sem graça e sem inspiração. Os eventos que a jovem protagonista enfrenta são todos clichês (“devo ir à faculdade ou ficar com o namorado? Ele gosta de rock, eu de música clássica…”), idealizados e com apego barato ao espectador, que é forçado a engolir uma história de amor patética e sonolenta. O roteiro de Shauna Cross até consegue ser pontualmente envolvente quando traz referências musicais interessantes, mas falha ao fornecer força à sua mensagem: nos enche de frases feitas e recorre à colagens de flashbacks da família de Mia, só para atingir uma catarse que falha em decorrência de sua abrupta cena final.

E Chloe Grace Moretz, outrora tão promissora em filmes como Kick-Ass: Quebrando Tudo e Deixe-me Entrar parece estar se acomodando ao ordinário. Sua performance como Mia é boa e tem seus momentos – e a jovem realmente parece ter aprendido a tocar violoncelo, o que é impressionante – mas nada realmente incrível, além de ficar correndo o tempo todo por corredores do hospital. Outra que também prometia muito, Liana Liberato sai de sua performance corajosa e memorável em Confiar para a “melhor amiga” mais desinteressante da História. Só se salva Mireille Enos (da série The Killing), atriz cada vez mais forte em personagens coadjuvantes (você deve tê-la visto como “a esposa” em Guerra Mundial ZCaça aos Gângsteres) e que precisa urgentemente ganhar um papel de protagonista no cinema.

Se Eu Ficar é um drama melancólico, sem graça e tão sem vida quanto sua protagonista desinteressante. Constantemente tenta provocar uma catarse no espectador, mas a única reflexão que me fez enquanto assistia ao filme é se eu iria aguentar ficar até o final.

| Como Não Perder essa Mulher | Estreia de Joseph Gordon Levitt na direção é uma mistura interessante

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2013, Romance with tags , , , , , , , , , , , , on 21 de dezembro de 2013 by Lucas Nascimento

3.5

DonJon
The things I do for Scarlett Johan… I mean, love…

Joseph Gordon Levitt começou sua carreira de ator cedo, de pequenas participações em séries de TV até pontas em produções cinematográficas de médio orçamento. Chamou a atenção no hit 10 Coisas que eu Odeio em Você, mas a bomba explodiu para Levitt em 2009 quando protagonizou a divertida comédia romântica (hoje reverenciada como Eldorado pelas páginas do Facebook e Tumblr) (500) Dias com Ela. De lá, conseguiu bons papéis em filmes grandes (como A Origem, Looper e até o oscarizado Lincoln) e agora ataca de diretor e roteirista com Como Não Perder essa Mulher, uma comédia romântica cujo título capcioso certamente vai enganar (e afastar) muitas pessoas.

A trama gira em torno de “Don” Jon (Levitt), um sujeito feliz com sua vida simples e limitada a poucos interesses: cuidados com seu corpo, apartamento, carro, família, igreja, mulheres e… pornografia. Na opinião de Jon, a experiência de um video pornô é mais envolvente até mesmo do que uma relação sexual de verdade, mas sua cotidiano é abalado quando este conhece Barbara (Scarlett Johansson), uma mulher que talvez faça com que a vida de Jon mude radicalmente.

Não há nada de novo na premissa de Como Não Perder essa Mulher e, sinceramente, são poucas as coisas que o diferem de diversas obras do gênero. É até aliviante que o roteiro assuma uma postura quase metalinguística ao criticar todos os clichês presentes em filmes românticos, mas é realmente confuso quando o próprio filme as assume: estaria Levitt satirizando o gênero ao exibir o mais manjado movimento de câmera de todos os tempos durante uma cena de beijo (rotação em volta dos atores) ou se entregando completamente ao ridículo ao exibir uma trilha sonora assustadoramente melosa durante uma caminhada em slow motion? Don Jon se perde entre a sátira e aquilo que satiriza em diversos momentos, mas nada suficiente para prejudicar a obra como um todo. O tratamento oferecido para a questão da pornografia oscila de forma curiosa entre o engraçado e o dramático, soando em alguns momentos quase como uma versão light de Shame (sem medo de exibir clipes gráficos) e em outros como uma sutil crítica aos relacionamentos no século XXI.

Logo em seus minutos iniciais, Levitt se revela um diretor confiante e eficientemente introduz a rotina de seu protagonista. A repetição de eventos (muito bem situada pela montagem de Lauren Zuckerman) e situações se estabelece apenas para que o espectador observe como a vida de Jon vai sofrendo pequenas alterações, até o ponto em que se transforma completamente. E Levitt é tão bom ator quanto diretor, e comprova versatilidade ao assumir um personagem diferente de seus papéis típicos: machão, falastrão e carregado de sotaque de Boston. Scarlett Johanssom também surge bem e estonteante como sempre, mas é mesmo Julianne Moore a responsável por entregar uma personagem feminina adorável e complexa. Fico triste pelo desperdício total de Brie Larson, intérprete da irmã de Jon, que surge 90% do filme alienada em um smartphone – algo que é narrativamente justificado pela repentina discurso de sua personagem, mas ainda assim…

Repito, não se deixe levar por essa tradução ofensiva (queria ver a reação daqueles que esperavam uma comédia romântica água com açúcar), pois Como Não Perder essa Mulher é um divertido e significativo filme. Não ousa muito, não oferece novidades de explodir a sua cabeça, mas ao menos consegue se virar um pouco diferente e oferecer um tratamento admirável a seu protagonista. Joseph Gordon Levitt revela-se um bom diretor.

Obs: Preciso reclamar de novo, que tradução horrível, Imagem Filmes!

Obs II: Anne Hathaway e Channing Tatum têm duas breves participações.

| Círculo de Fogo | Guillermo Del Toro fica gigante

Posted in Ação, Aventura, Cinema, Críticas de 2013, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 8 de agosto de 2013 by Lucas Nascimento

3.5

Pacific-Rim
Cadê o Michael Bay agora, hein? Os robôs de Guillermo Del Toro impressionam pela escala

Quando comecei a me inteirar sobre o material temático de Círculo de Fogo, que prometia batalhas homéricas entre monstros colossais e robôs igualmente colossais, não pude evitar de temer pelo monte de excremento que julgava ser este filme. No entanto, nunca posso me dar ao erro de esquecer quem é o artista por trás das câmeras: Guillermo Del Toro.

A trama parte de um roteiro original de Travis Beacham e do próprio Del Toro, mas com clara inspiração na cultura japonesa de monstros gigantes (o termo “Kaiju” é utilizado com frequência), onde a Terra encontra-se em constante ataque de criaturas que emergem de uma fenda no oceano pacífico (região real que atende pelo tal do Círculo, ou Anel, de Fogo do título, que no original é Pacific Rim) e que necessitam de poderosos robôs gigantes operados por humanos para defender as grandes cidades.

Em outras palavras, ROBÔS GIGANTES ARREBENTANDO MONSTROS GIGANTES. E só o uso do caps lock para ajudar a ilustrar a grandeza visual que é Círculo de Fogo. Todas as cenas de ação impressionam pela escala e o cuidado em retratar as gigantes armaduras de forma a ilustrar o peso destas (ao contrário daqueles vistos em Transformers, aqui os robôs têm seus movimentos muito mais demorados) e também a diversidade em seu visual. Depois de O Labirinto do Fauno e Hellboy II – O Exército Dourado, não achava que Del Toro continuaria me impressionando com sua imensa criatividade ao elaborar distintas criaturas: seja no design dos Jeigers ou dos detalhadíssimos Kaijus, a equipe de direção de arte do diretor acerta em cheio.

E da mesma forma que os efeitos visuais da ILM dão vida com maestria a todos esses elementos, o roteiro de Beacham e Del Toro é hábil ao criar um mundo afetado pela presença destes. Um dos mais memoráveis exemplos no Hannibal Chau de Ron Perlman, um excêntrico comerciante de “partes” de Kaijus em um mercado negro, personagem que certamente foi tão divertido para a dupla escrever como foi para o ator interpretá-lo. Infelizmente, o personagem de Perlman é a única figura memorável do filme, já que todos os outros não passam de criaturas estereotipadas e arquétipas; algo que é bom quando diverte (vide os cientistas “malucos” vividos por Charlie Day e Burn Gorman), mas que aborrece quando somos forçados a engolir clichês do tipo “o parente próximo que morreu” ou, deus me livre, o de “relação problemática com o pai”. Além disso, o que dizer da Mako Mori de Rinko Kikuch0i, que apresenta nociva dificuldade em controlar um Jeiger com sua mente (até colocando em risco as vidas de todos os seus colegas em sua primeira experiência), mas que o roteiro o soluciona ao simplesmente trazer um dos personagens dizendo que “A primeira vez é sempre difícil”?

Mas mesmo com diversos problemas de roteiro, Círculo de Fogo oferece uma experiência contagiante graças ao tom adotado pelo cineasta: a de que tudo isto não é tão das produções de monstros gigantes tão populares no Japão. Diversão garantida.

Obs: Assista ao filme na maior tela possível. O 3D não é nada mal.

Obs II: Há uma hilária cena durante os créditos finais.

| Amor a Toda Prova | Comédia romântica divertida e imprevisível

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2011, Romance with tags , , , , , , , , , , , on 31 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento


Strangers in a Bar: Steve Carrell e Ryan Gosling lideram um ótimo elenco

Hoje em dia é muito difícil fazer uma comédia romântica cujo final não fique óbvio na metade da projeção. Amor a Toda Prova é um memorável aprimoramento no gênero, acertando em sua estrutura e narrativa – que conseguem esconder surpresas e reviravoltas em sua trama – e no talento de seu ótimo elenco, mesmo que caia no clichê em alguns momentos.

Na trama, acompanhamos diferentes histórias de amor que estão (inesperadamente) relacionadas, entre elas o choque de Cal (Steve Carell) ao descobrir que sua esposa quer o divórcio e, no momento de desepero, recebe conselhos do misterioso garanhão Jacob (Ryan Gosling), que ajuda-o a mudar seu estilo e vida.

Primeiramente, o que chama a atenção no longa é seu bem equilibrado e entrosado elenco. Começando com Steve Carell, mais contido do que o comum, utiliza de um humor bem mais sutil e cujo timing funciona perfeitamente – assim como sua química com a carismática Julianne Moore (que interpreta aqui a esposa de Cal). Quem surpreende é Ryan Gosling (mais uma vez em um filme que questiona os valores do amor), que consegue evitar o estereótipo de “conquistador” exibindo bastante segurança no personagem e incorporando uma postura de “mestre” (com referência a Karate Kid) magnética e, devo acrescentar, inspiradora.

Enquanto isso, Emma Stone continua arrasando e me conquistando a cada novo papel com sua intensa e bem humorada expressividade (fato curioso são as referências ao trabalho da atriz em A Mentira, que vão da leitura de “A Letra Escarlate” até antológica frase da “vida censura PG-13”), Marisa Tomei faz um papel menor divertido e o jovem Jonah Bobo mostra grande talento como o filho apaixonado de Cal. Todo o elenco junto em cena faz valer o ingresso e torna a experiência extremamente agradável.

Dirigido por Glenn Ficarra e John Requa, os cineastas trabalham bem os movimentos de cena e os mise-en-scène, utilizando muito a subjetividade e outros eficientes recursos (com destaque para o plano que passa por sapatos e saltos-alto sofisticados apenas para depois focar-se nos tênis capengas de Cal) que geralmente não se vê em filmes do gênero. Movendo e circundando o longa, temos o ótimo roteiro de Dan Fogelman, que cria belos diálogos e situações imprevisíveis (a melhor delas, mais para o final…), mesmo que recorra ao clichê típico dos romances – há até uma piadinha metalinguística com Carell na chuva – e decepcione um pouco com as decisões tomadas no clímax.

Amor a Toda Prova mostra-se mais eficaz do que a maioria das comédias românticas da atualidades, beneficiando-se com seu excelente roteiro, direção estilosa e um elenco imensamente talentoso. Se todos os filmes do gênero fossem dotados dessa qualidade, não seriam restringidos apenas ao público feminino.

| O Vencedor | Pura fórmula com ótimas atuações

Posted in Cinema, Críticas de 2011, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , on 4 de fevereiro de 2011 by Lucas Nascimento


A Grande Família: Christian Bale vale o ingresso e o Oscar de Ator Coadjuvante

Christian Bale é um monstro. Começo essa crítica indo direto ao ponto e destacando a performance do ator, que transforma-se na alma do filme que, apesar de conter uma boa química entre o elenco, apresenta uma trama que se desenrola através de pura fórmula gasta e sem introduzir novidades memoráveis no gênero.

O Vencedor foca-se na imensa família de Micky Ward (Mark Whalberg), composta por sua mãe Alice (Melissa Leo), seu pai George, suas irmãs e seu irmão/treinador Dicky Eklund (Bale) e sua relação com o mundo do boxe profissional. Outrora campeão e grande lutador, Dicky é a inspiração de Micky, que tenta seguir os passos de seu irmão e atingir mais sucesso e dinheiro, para cuidar de sua filha.

Partindo da premissa clássica e esgotada do lutador de boxe em decadência, o filme indicado a 7 Oscars (incluindo Melhor Filme) não apresenta novidades ou situações inesperadas do gênero – apenas talvez a relação entre a família -, não merecendo toda a atenção vinda das premiações; especialmente a indicação para o diretor David O. Russell, cujo trabalho é razoável (admiro alguns de seus enquadramentos), mas se destaca por dirigir adequadamente seu elenco.

Mark Wahlberg  interpreta Micky – e também produz o filme –  com um carisma agradável e competente, mas seu personagem é tão cheio de clichês que o ator se repete em diversos momentos. Os holofotes são mesmo de Christian Bale, que entrega uma performance assustadora e magnética; magro a beira da bulimia, o ator consegue que seu personagem – mesmo que com falhas e hábitos reprováveis (como o uso de crack) -, ganhe a admiração do espectador, por apresentar uma energia contagiante no terceiro ato e por sua devoção à seu irmão. Uma atuação arrasadora.

Do outro lado do ringue, temos Melissa Leo e Amy Adams, ambas indicadas por suas personagens Alice e Charlene. A favorita é Leo, mas sinceramente, não achei sua performance digna de prêmio. É um papel forte, de fato e a atriz o faz muito bem (admiro como a força de Alice só é abalada por seu filho Dicky), mas o favoritismo deve ser uma consolação por sua derrota em 2009 com Rio Congelado… Amy Adams continua se sobressaindo; está melhor, mais carismática e apresenta uma carga dramática maior à sua Charlene.

O Vencedor é um filme cuja trama de desenvolve por pura “fórmula” do gênero, por isso, espere ver Mark Whalberg correndo no frio à la Rocky, mas surpreenda-se com a memorável performance de Christian Bale. De fato, o verdadeiro “vencedor” do título.

Obs: Amanhã tem crítica de Cisne Negro!

| Piranha 3D | Filme trash que entende a que veio

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2010, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , on 25 de outubro de 2010 by Lucas Nascimento


Peixe Grande: Uma das assassinas do filme aprisionada

Atualmente, alguns diretores/roteiristas parecem sentir muita falta dos filmes B e trash. Primeiro foi o Grindhouse do Tarantino/Rodriguez, alguns de menos impacto (como Zombie Strippers) e Machete. Esse novo Piranha é outro bom exemplo desse tipo peculiar de filme; violento, repleto de nudez e de uma estupidez impressionante, cumpre exatamente o que promete.

Não se preocupa em criar qualquer tipo de reflexão ou desenvolver personagens e não se leva nem um pouco a sério; bem, algumas cenas de ataque são realistas e bem feitas (parabens à equipe de maquiagem), enquanto outras são tão absurdas que é impossível segurar a risada. Mas a computação gráfica que dá vida às piranhas do título é vergonhosa.

Os personagens são completamente artificiais e desinteressantes, apesar de Christopher Lloyd (o doc Brown de De Volta para o Futuro) roubar a cena com o pequeno papel de um biólogo maluco. Com um personagem tão unidimensional e exagerado, é nesse momento que fica claro a que veio o filme.

Outro elemento indispensável em um filme B/trash é a nudez sem sentido, que toma conta de muitos momentos da trama (com direito a um “balé aquático”). Tudo isso porque um dos protagonistas é um produtor de filmes pornô, que rende alguns momentos muito divertidos.

De fato, Piranha é um filme ruim. Recheado de clichês e situações estapafúrdias, não dá a mínima para seus personagens nem para o rumo da “trama”, mas diverte com seu alto nível trash. E convenhamos, não era esse o objetivo do filme?