Arquivo para comédia

| A Espiã que Sabia de Menos | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2015 with tags , , , , , , , , , , , , , on 5 de junho de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

spy
Melissa McCarthy heroína de ação? Yep

Não me lembro se já comentei aqui com vocês, mas aí vai: não suporto Melissa McCarthy. Não vejo a menor graça em Melissa McCarthy. Não compreendo como Melissa McCarthy já foi indicada ao Oscar por Missão Madrinha de Casamento. Não compreendo, Melissa McCarthy. Também não compreendo como fui parar naquela sessão não muito cheia de A Espiã que Sabia de Menos, mas confesso que me deparei com um filme muito mais divertido do que esperava.

A trama você já viu várias vezes: Quando todos a identidade de todos os agentes secretos da CIA é vazada para criminosos, a analista Susan Cooper (McCarthy) se voluntaria para uma missão que a colocará em campo pela primeira vez, envolvendo a venda de uma ogiva nuclear por terroristas.

É quase a mesma estrutura, passo a passo, de filmes como Johnny English e, principalmente, a – subestimada – adaptação de Agente 86 de uns anos atrás. Por isso, fica muito fácil prever cada reviravolta do roteiro de Paul Feig (também responsável pela direção), que infelizmente aposta em clichês batidos como a velha história do “personagem que forja a morte” ou de um “traidor que não é traidor”, e por aí vai. O mérito de Feig é mesmo nas surpresas e no absurdo de algumas piadas, que envolvem uma hilária participação especial e o próprio fato de McCarthy se sair muito melhor do que alguém poderia esperar numa luta física: esse absurdo desproporcional (a atriz não tem o físico que esperamos de um astro de ação, claro) ajudam a fazer rir e também construir bem sua Susan Cooper – sem falar que Feig manda bem no comando de tais sequências.

Mesmo não sendo admirador de McCarthy, confesso que gostei de sua performance e das surpresas de sua personagem: no ponto em que assume uma postura durona, é realmente animador vê-la xingando a dondoca de Rose Byrne de todas as formas possíveis. E ainda que o foco seja todo na protagonista, é Jason Statham quem rouba a cena em uma atuação surpreendentemente cômica, onde interpreta um espião britânico falastrão e grosseiro, notório por algumas das mais absurdas missões que você ouvirá falar – Feig e o ator certamente se divertiram durante os ensaios de uma cena em particular.

Jude Law também se diverte em uma clara paródia de James Bond (como o ato de constantemente arrumar seu cabelo durante combates) e a estreante Miranda Hart mostra-se uma boa promessa cômica. Ah, e que legal ver Peter Serafinowicz deixando de lado seus papéis mais sisudos (como em Todo Mundo Quase Morto ou no recente Guardiões da Galáxia) para mergulhar num agente italiano completamente tarado e canastrão.

A Espiã que Sabia de Menos é uma comédia eficiente que impressiona pelas quebras de estereótipos, como Melissa McCarthy funcionar como heroína de ação ou Jason Statham ser o cara mais engraçado da sala.

Obs: Há um divertido clipe após os créditos.

| Poltergeist: O Fenômeno | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2015, Terror with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de maio de 2015 by Lucas Nascimento

2.0

Poltergeist
Kennedi Clements assume o papel icônico de Heather O’Rourke

Quando parei para assistir ao Poltergeist original de 1982, me surpreendi com a capacidade do filme em combinar com maestria o gênero do terror com um de aventura para toda a família. O filme dirigido por Tobe Hooper e co-escrito por Steven Spielberg era uma pérola oitentista, detentora de um clima único daquele período saudoso. Infelizmente, o novo Poltergeist: O Fenômeno falha feio ao se mostrar relevante.

A trama é exatamente igual a do filme original (e de 80% dos filmes do gênero), começando quando a família Bowen (Sam Rockwell, Rosemarie DeWitt, Saxon Sharbino, Kyle Catlett e Kennedi Clements) se muda para uma nova casa, graças a dificuldades financeiras. Estranhos acontecimentos passam a ocorrer, especialmente com a caçula Madison, que acaba sendo transportada por espíritos para uma outra dimensão, acessível por aparelhos eletrônicos. Desesperada, a família recorre a investigadores paranormais.

Durante toda a projeção, só pensava numa coisa: já vi isso, e já vi melhor. Não só pela óbvia comparação ao filme de 1982, mas também em perceber como esse Poltergeist empalidece diante dos melhores exemplares contemporâneos do gênero, especialmente os filmes de James Wan ou até mesmo o sólido remake de A Morte do Demônio, que adotava o espírito e atualizava a técnica. Aqui, o diretor Gil Kenan (estreando no live action após A Casa Monstro e Cidade das Sombras) demonstra domínio de alguns travellings digitais inventivos e bons movimentos de câmera, mas não sabe se dirige um terror ou uma comédia – as piadinhas são tão óbvias, que olha…

Nem o terror é acertado, já que Kenan abusa do design de som para criar jump scares artificiais provocados por ações comuns, como uma mão no ombro ou inocentes batidas em portas. Já quando se arrisca a recriar duas das ameaças mais icônicas do original (o galho de árvore e o palhaço sinistro), o diretor parece não saber o que faz, trazendo efeitos digitais sem graça e uma “briga” entre o garoto e o palhaço que chega a ser risível. Mas admito que o diretor acerta na elaboração visual da dimensão “poltergeist” durante o clímax (composta por incontáveis “zumbis fantasmas” que impressionam em seu design), que também funciona muito bem em 3D.

O tom fica no balanço entre humor e terror, mas o espírito aventureiro para toda a família do original é esquecido, já que nenhum dos personagens tem o mínimo de carisma para criar um interesse por parte do espectador. Sam Rockwell é um bom ator que funciona bem no piloto automático, mas a esposa vivida por Rosemarie DeWitt é desinteressante e todos os três filhos não convencem (com exceção da jovem Kennedi Clements, que assume com competência o papel da falecida Heather O’Rourke). Só Jared Harris que consegue acrescentar um pouco de charme a seu investigador Carrigan Burke, ainda que o personagem seja só mais um arquétipo batido do gênero. Poxa, o original tinha uma caça-fantasmas anã, sem falar na poderosa crítica ao preconceito ianque contra os nativo-americanos. Este aqui? Nada de inovador, a não ser um bocado de aparelhos da Apple.

Poltergeist: O Fenômeno é uma obra que não parece se decidir entre o terror e o humor, falhando miseravelmente em ambos. Pode até trazer um visual elaborado, mas não há nada aqui que justifique a visita ou sua existência, ainda mais quando o original está aí e envelheceu tão bem.

| Vício Inerente | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2015 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 26 de março de 2015 by Lucas Nascimento

4.0

InherentVice
Joaquin Phoenix é Doc Sportello

Não acontece com tanta frequência, mas vira e mexe e aparece um filme como Vício Inerente. Sétimo filme do cineasta único Paul Thomas Anderson, oferece uma narrativa torta, confusa e que indubitavelmente vai deixar uma grande parcela do público perdida em sua viagem chapada e desconexa de 2h30. Não é uma experiência das mais confortáveis – e também não diria satisfatória – mas certamente provoca fascínio.

Adaptada pelo próprio PTA da obra homônima de Thomas Pynchon, a trama… Vamos tentar organizar isso de forma coesa… A trama começa quando o detetive Larry “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix) é surpreendido por sua ex-namorada Shasta (Katherine Waterston), que pede sua ajuda quando descobre o complô da esposa de seu amante, Mickey Wolfmann (Eric Roberts), para trancafiá-lo num hospício. Paralelamente, Doc analisa dois casos que se relacionam com Wolfmann de alguma forma: o sumiço de um saxofonista (Owen Wilson) e a fuga de um guarda-costas que estaria envolvido com neonazistas.

Estruturalmente, Vício Inerente é uma bagunça, mas curiosamente isso não precisa ser um defeito – dependendo do ponto de vista. Suas tramas misturam-se através de diálogos malucos e repletos de gírias, o que compremente o fluir da narrativa e a compreensão da trama geral (eu, por exemplo, tive que ler um resumo do filme para compreender todos os seus pontos de virada e conexões entre histórias). Podemos dizer que a narrativa acelerada, com um zilhão de personagens e acontecimentos, é um reflexo da própria mente de Doc, dominado pela paranóia e lentidão de seu constante uso de maconha – e a fotografia de Robert Elswitt sabiamente aposta em sequências em que o personagem encontra-se cercado por neblina, prestando também a devida homenagem ao visual icônico do cinema noir.

Colocar a platéia sob os olhos de um entorpecido é um experimento interessante, e PTA mantém sua técnica invejável ao apostar em longos planos e enquadramentos fechados, muitas vezes centrado apenas em diálogos que vão ramificando-se de maneira curiosa (uma provocante cena em particular que envolve Doc e Shasta é desde já um dos pontos altos da carreira do cineasta). As consequências e surpresas são muitas, e o humor caricato do filme é acertadíssimo; ainda mais pela performance noiada de Joaquin Phoenix, completamente imerso no papel do detetive. O elenco estelar ainda conta com ótimas presenças de Josh Brolin, Owen Wilson, Martin Short e a já citada Katherine Waterston, cuja mera presença sensual em cena já é absolutamente hipnotizante.

O filme acerta também na escolha de sua trilha sonora (tanto a original de Jonny Greenwood quanto a vasta seleção de músicas da década de 70) e no design de produção, que explora com criatividade uma Los Angeles povoada por criaturas bizarras e coloridas à sua própria forma. Seja na surtada reunião hippie que simula a Santa Ceia de Michelangelo com pizzas ou o excêntrico culto descoberto por Doc ao longo da investigação, PTA acerta em sua representação.

Mesmo com inúmeras qualidades, Vício Inerente não funcionará completamente para todos, como filme e experiência. Tem momentos de verdadeira maestria cinematográfica, mas é um filme difícil de se acompanhar e fácil de se perder, e que certamente necessita de uma segunda visita.

Leia esta crítica em inglês.

| Sem Escalas | Crítica

Posted in Ação, Críticas de 2014, DVD, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 30 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

3.0

Non-Stop

Acho interessante que Liam Neeson esteja dedicado a se tornar um grande astro de ação. O ator irlandês tem invejável carga dramática e já mostrou em produções medianas como Busca ImplacávelDesconhecido, ou o ótimo A Perseguição, que é muito capaz de chutar bundas. Neeson já chegou a um nível em que o acompanharemos, não importa o tipo de produção (e a qualidade desta) em que se arrisque. Com Sem Escalas, temos um suspense que hora beira ao brilhantismo de Alfred Hitchcock hora nos lembra as comédias dos irmãos Wayans.

A trama gira em torno do agente federal William Marks (Neeson), encarregado de se misturar entre os passageiros de aviões e monitorar a situação, neutralizando possíveis ameaças. Em certo voo, ele recebe uma ameaça anônima via celular, requisitando 150 milhões de dólares ou a cada 20 minutos, um passageiro do avião será assassinado. Enquanto as suspeitas começam a se virar para Marks – um alcoólatra depressivo – ele corre para encontrar o responsável.

Outro fator que pessoalmente me interessou em relação a Sem Escalas é o “gênero avião”. A ambientação claustrofóbica e os diversos tipos de passageiros sempre me divertiram em obras como Plano de Voo, Voo Noturno e até mesmo o intenso Voo United 93, e o diretor espanhol Jaume Collet-Serra (com quem Neeson já havia trabalhado em 2011, com Desconhecido) é muito sábio ao explorar as diferentes convenções. Sua câmera passeia pelos estreitos corredores com imensa liberdade, sendo até capaz de simular longos e engenhosos planos-sequência. Todas as decisões de Serra auxiliam na construção de um pesado tom de suspense, que como todo bom filme do gênero, vai intrigar o espectador a respeito da identidade do antagonista.

O problema mesmo é quando o filme passa a marca de 1 hora. Os primeiros dois atos oferecem conceitos e promessas fascinantes, mas o roteiro dos novatos John W. Richardson, Christopher Roach e Ryan Engle é incapaz de oferecer uma resolução que faça sentido – dentro ou fora do contexto pré-estabelecido. É cheio de furos em relação à forma impossível com que as mortes vão acontecendo e simplesmente risível quando descobrimos o antagonista e seus motivos absurdos, que até tentam oferecer uma crítica aos padrões de segurança estadunidenses do pós-11 de Setembro, mas falham em decorrência dos absurdos e dos estereótipos forçados (CLARO que temos um árabe a bordo, CLARO que ele sofre com preconceitos…). E nem falo nada sobre os pavorosos efeitos digitais que invadem a trama nos últimos 20 minutos.

Vale por Liam Neeson, carismático como sempre. E durante sua primeira metade, Sem Escalas é assustadoramente eficiente em sua suculenta premissa, comandada com maestria pelo diretor. Infelizmente, o longa abandona tudo isso em uma conclusão absurda e implausível, ainda que seja divertido ver Neeson apanhando uma arma em gravidade zero.

Como diz o co-piloto do avião em certo momento: “Ah, que se foda!”

| Vizinhos | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , on 21 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

Neighbors
Zac Efron e Seth Rogen na pista de dança

Acho muito satisfatório quando uma comédia consegue ser bem atual, adotando as inovações culturais/tecnológicas da sociedade em suas dezenas de piadas. Judd Apatow (O Virgem de 40 AnosLigeiramente Grávidos, entre outros) é um especialista nesse quesito, e mesmo que seu dedo não esteja presente em Vizinhos, não é difícil encontrar influências do diretor/roteirista. Ainda que escrachada, vulgar e essencialmente um longa com propósito para fazer rir, é possível encontrar um inesperado subtexto sobre justamente isso: inovação.

A trama começa quando uma república de estudantes, liderada por Teddy (Zac Efron), se muda para a casa vizinha à do casal Radner (Seth Rogen e Rose Byrne), que vai lidando com os desafios iniciais de serem pais. Com as constantes e barulhentas festas promovidas pelo grupo, o casal logo inicia uma guerra contra os universitários.

Ao pensar nessa premissa, só imagino os roteiristas estreantes Andrew J. Cohen e Brandon O’Brien pelos corredores da Universal vendendo a ideia de um filme sobre “um casal vizinho de uma fraternidade universitária”, e como a amizade com Seth Rogen deve ter ajudado. É uma boa ideia no papel, mas difícil de se fazer um longa que se sustente em aproximadamente 90 minutos, que é justamente onde Vizinhos patina: estrutura. O roteiro da dupla é problemático ao fornecer uma narrativa fluente, dado que em certo momento da trama o casal “vence” a fraternidade, mas resolve voltar a atacá-los simplesmente pelo ócio. Não faz sentido também a briga que o casal tem durante outro ponto da história, que não leva a absolutamente lugar algum e é resolvida sem grande dificuldade.

Mas tudo bem, já que Vizinhos tem muito mais qualidades que o redimem. Falar sobre comédia sempre é uma tarefa engrata, já que é o gênero mais relativo de todos: uns vão rir horrores com frases do tipo “ele parece uma estátua esculpida por cientistas gays”, já outros vão ficar completamente enojados com a rápida imagem de um pênis enorme enrolado no pescoço de uma mulher ou uma bizarra cena de ordenha. Saiba o tipo de filme em que está entrando, é uma comédia suja. Vizinhos me arrancou muitas risadas, especialmente pela facilidade do roteiro em capturar em cheio o período atual, sobrando referências para séries como Breaking Bad (“Sorria, bebê Heisenberg”) e Game of Thrones, a maciça inclusão digital como artifício narrativo e momentos de puro nonsense, como a luta entre Rogen e Zac Efron.

Aliás, como antigo hater do ator marcado por High School Musical, reconheço sua ótima performance como o presidente da fraternidade Delta Psi. Não só é um completo maluco e marginal quando a trama o requer assim, mas também carrega uma faceta dramática escondida – que traz à tona o embate novo/velho e o futuro incerto em um interessante diálogo – que ajuda a tornar seu personagem crível, ao invés de simplesmente um antagonista unidimensional. Ao seu lado temos o cada vez mais carismático Dave Franco como um de seus amigos, o sempre hilário Seth Rogen e a revelação cômica na forma de Rose Byrne, que simplesmente rouba todas as cenas com um brilhante sotaque australiano. E o diretor Nicholas Stoller (Ressaca de Amor e O Pior Trabalho do Mundo) é inteligente ao fornecer bastante espaço para improvisos, além de comandar bem as sequências envolvendo baladas e suas luzes coloridas, e até brincar com diferentes formatos de vídeo em alguns rápidos flashbacks sobre a origem da fraternidade: anos 30, filme mudo; anos 70, razão de super 8; anos 80, VHS.

No fim, Vizinhos é uma experiência divertida e que certamente vai arrancar risadas se você curtir esse tipo de humor, e também surpreende com seu esperto e inesperado subtexto. Considerando que este é um filme onde a ereção é usada como golpe de luta, é no mínimo surpreendente.

Obs: Alguém dê um biscoito para quem teve a ideia de uma festa temática Robert De Niro.

Primeiro trailer de DEBI & LÓIDE 2

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , on 11 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

dumb

Só agora me toco de que este filme realmente existe. E como Jim Carrey envelheceu. Mas enfim, está no ar o primeiro trailer de Debi & Lóide 2, comédia que reúne a dupla de Carrey e Jeff Daniels em mais uma aventura tapada, novamente dirigido pelos irmãos Peter e Bobby Farelly. Gosto muito do primeiro, e espero realmente que este funcione. Confira:

Debi & Lóide 2 estreia em 13 de Novembro no Brasil.

Primeiro trailer de MAGIC IN THE MOONLIGHT

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , on 21 de maio de 2014 by Lucas Nascimento

magic

Em uma semana agitada para o cinema popular, sai o primeiro trailer de Magic in the Moonlight. O novo filme de Woody Allen traz Emma Stone, Colin Firth em uma comédia sobrenatural ambientada no sul da França. Confira:

Magic in the Moonlight estreia em 28 de Agosto no Brasil.

| Os Estagiários | Google – O Filme, sem graça

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2013 with tags , , , , , , , , , , , , , , on 31 de agosto de 2013 by Lucas Nascimento

1.5

TheInternship
Vince Vaughn e Owen Wilson vão trabalhar no Google…

Sempre faço questão de frisar, antes de comentar um filme do gênero, que a comédia é muito relativa. Você pode não rir das mesmas piadas que eu e vice-versa, mas eu acho realmente difícil que tenha alguma coisa verdadeiramente engraçada neste Os Estagiários. Mesmo que tente repetir a química entre Owen Wilson e Vince Vaughn (que deu certo no ótimo Penetras Bons de Bico), o filme de Shawn Levy soa mais como um corporate movie do Google e, pior ainda, sem graça alguma.

A trama é assinada por Jared Stern e pelo próprio Vaughn (e tendo em vista que ele também trabalhou no roteiro de Encontro de Casais, seria melhor que o ator ficasse longe da função), e traz os amigos Nick (Owen Wilson) e Billy (Vaughn) arriscando-se em um programa de estágios do Google, após ambos terem perdido sua firma de vendas de relógios. Lá, bem, a dupla enfrenta diversas equipes a fim de conseguir um emprego definitivo na empresa.

Ao ouvir da premissa, eu realmente não sabia o que esperar. Não parecia que havia muito o que falar ou explorar comicamente durante 120 minutos (o que é uma duração muito longa para um filme do gênero, que é sentida aqui), então Os Estagiários aposta basicamente no mesmo tipo de piada: as diferenças de idade entre os personagens de Wilson e Vaughn e a equipe jovinal com quem são forçados a trabalhar. De referências a filmes dos anos 80 (e também elementos da cultura pop, como Harry PotterGame of ThronesStar Wars) até Vince Vaughn repetindo “on the line” umas 4 vezes, o filme chega a causar vergonha alheia. O pior é que o roteiro até tenta dizer alguma coisa nas entrelinhas de suas “piadas” acerca do desemprego pós-crise de 2008 e a crescente dependência em cima da internet móvel. Mas se nem fazer rir o filme consegue, o que dizer de comentário social?

Infelizmente, nem o elenco salva. Wilson faz um preguiçoso piloto-automático e Vaughn dispara seu típico diálogo ultrarrápido, mas é mesmo a interação entre os dois que (em um ou dois momentos) faz valer, um pouco, a experiência. Todo o restante dos intérpretes abraça os mais variados arquétipos e ajudam a tornar cada piada mais previsível ou simplesmente imbecil: o que dizer do antagonista vivido por Max “sotaque britânico” Minghella? Um personagem que existe pelo único propósito de nos fazer odiá-lo, e de uma maneira forçada.

Irritante, longo demais e provocador de tédio, Os Estagiários é uma comédia previsível e completamente apoiada em todos os clichês conhecidos pelo Homem. Mas aposto que o Google deve estar muito feliz com a quantidade de pessoas que irá utilizar a ferramenta para confirmar se a empresa realmente é o local paradisíaco demonstrado no filme.

Obs: O diretor Shawn Levy faz uma rápida ponta em certo momento.

| Bem-vindo aos 40 | Judd Apatow e a idade da loba

Posted in Comédia, Críticas de 2013, DVD with tags , , , , , , , , , , , on 11 de julho de 2013 by Lucas Nascimento

4.0

ThisIs40
Iris Apatow, Maude Apatow, Paul Rudd e Leslie Mann elegantes para a foto

Os filmes de Judd Apatow possuem a incrível capacidade de capturar com eficiência o “feeling” do período em que se situa. Autor de O Virgem de 40 Anos, Ligeiramente Grávidos e Tá Rindo do Quê?, Apatow tem uma afiada habilidade de utilizar referências pop como causa de humor (característica que ninguém domina como ele) em uma situação delicada. Depois da perda da virgindade, gravidez acidental e a quase-morte, Bem-vindo aos 40 traz – como o próprio título sugere – personagens encarando uma crise com a chegada da “idade da loba”.

Servindo como derivado de Ligeiramente Grávidos, a trama se concentra no casal Pete (Paul Rudd) e Debbie (Leslie Mann), que resolvem acertar diversos pontos em sua vida para tornar o novo estágio um período agradável. Enquanto os problemas passam por comida, menopausa e inevitáveis conflitos sobre a durabilidade da relação, o casal ainda precisa prestar atenção em suas filhas (Iris e Maude Apatow, filhas do diretor com Mann).

Os filmes de Apatow são longos para comédias. Com a projeção encostando em 2h20 (a média em um longa do gênero é de 90 minutos), Bem-vindo aos 40 consegue abordar vasto material e fornecer um excelente trabalho de desenvolvimento de personagens; algo que nunca foi uma dificuldade para o diretor/roteirista. O tema do novo filme não rende uma abordagem tão madura quanto a do comediante George em Tá Rindo do Quê?, mas consegue encaixar suas piadas com eficiência ao período atual: Pete e Debbie, por exemplo, têm uma filha adolescente que não larga os aparelhos da Apple (“Você está proibida de usar o Iphone, Ipad, Ipod, Itouch…”) e discute com os pais para poder assistir ao último episódio de Lost no Netflix. Esse tipo de piada faz com que o longa permaneça sempre atual e permita uma identificação com o público, afinal, a figura de jovens dominados pelas redes sociais não é estranha para ninguém.

Mas o humor também é uma eficaz ferramenta para trabalhar o drama de seus personagens. Seja pelos ausentes pais do casal (o dela, um bem-sucedido cirurgião vivido por John Lithgow, o dele, o pobretão pai de trigêmeos vivido por Albert Brooks) ou os constantes desentendimentos, Rudd e Mann sempre soam convincentes graças à ótima química em cena e a diálogos cinceros que trazem verdadeiras pérolas com a cena em que os dois discutem maneiras de matar um ao outro (“Já viu Fargo? Então, daquele jeito). O problema é que Apatow adora gastar um bom tempo de tela com suas filhas, e se antes era “bonitinho” ver suas pequenas participações, agora torna-se algo prejudicial à fita – já que a mais velha (Maude Apatow) carece de carisma.

Bem-vindo aos 40 possui todas as características de um filme de Judd Apatow: é engraçado de forma vulgar, surpreendentemente sensível em seus pontos mais dramáticos e um pouco comprido demais. De qualquer forma, o filme é mais uma ótima adição ao currículo desse competente realizador.

Obs: Sendo um derivado de Ligeiramente Grávidos, fico muito decepcionado com a ausência de uma cameo de Seth Rogen ou Katherine Heigl.

Groovy Business | Especial A MORTE DO DEMÔNIO

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de abril de 2013 by Lucas Nascimento

Groovy Business | Especial A MORTE DO DEMÔNIO

Preparem-se adoradores da trasheira! A Morte do Demônio, remake para o cult clássico de Sam Raimi enfim estreia no Brasil. Preparei aqui um breve especial (eu teria aprofundado-o, não fosse meu computador rebelar-se contra mim) com algumas informações sobre o novo filme e também uma revisitada na trilogia original. Confira:

POR TRÁS

DA

SANGUEIRA

O novo filme é uma continuação?

evildead_05

Não… E sim. Trata-se de um remake do primeiro filme da trilogia de Sam Raimi, onde um grupo de 5 amigos resolve passar um fim de semana em uma cabana abondanada na floresta. Ao explorar o local, descobrem um sinistro livro que acaba libertando espíritos demoníacos que possuem um a um os integrantes. No entanto, o diretor Fede Alvarez não descarta a possibilidade de seu novo filme ser, de fato, uma continuação que se ambienta 30 anos depois do original. De acordo com ele, o único problema nessa definição seria na semelhança dos eventos entre um filme e outro; mas que veria a solução nos poderes sobrenaturais do Livro dos Mortos. Uma “Remaquência”, então?

Quem são os envolvidos?

image

A Sony Pictures já planejava trazer Evil Dead de volta aos cinemas há muito. Com um roteiro que passou por algumas revisões (a última delas, pela oscarizada Diablo Cody) e a presença do diretor Sam Raimi e do ator Bruce Campbell (dupla da trilogia original) na produção, o remake optou por um diretor novato. O escolhido foi o uruguaio Fede Alvarez, que também colaborou no roteiro ao lado de Rodo Sayagues.

Quais serão as diferenças principais entre o remake e o original?

evildead_09

Primeiramente, é importante reparar no tom. Levando em consideração apenas os trailers e clipes divulgados, já se percebe a intenção de produzir um longa muito mais assustador que o de 1981 – que flertava com o humor constantemente, e o abraçou em suas duas continuações . Vale notar também a ausência do herói da trilogia original: Ash Williams, que foi vivido pelo amigo e colaborador de Sam Raimi, Bruce Campbell. O ator explicou que os produtores resolveram deixar seu personagem de fora por considerá-lo “único”, não sendo justo substituí-lo por outro. Em seu lugar, entra o núcleo da viciada em drogas Mia.

Com o avanço da tecnologia em Hollywood, é de se esperar muito CG no filme?

image

É a pergunta (e até mesmo preocupação) que passa pela cabeça de todo fã gore. Felizmente, Fede Alvarez afirmou que efeitos digitais tiveram o mínimo possível de uso durante a produção, que contou litros e litros de sangue falso, maquiagens e até mesmo truques de ilusionismo.

O que é o Livro dos Mortos encontrado pelos protagonistas?

image

É difícil dizer se o novo filme vai manter a mitologia do original, mas de acordo com esta, o Livro dos Mortos (ou Necronomicon Ex mortis em sua língua nativa) é uma coleção de encantos e rituais que tem o poder de abrir portais na Terra para a entrada e saída demônios de uma ordem conhecida como Canda. Feito de pele humana e escrito com sangue, o livro teria desaparecido em meados de 1300 D.C. – para depois ser encontrado por um arqueólogo que o levou para estudar na tal cabana.

O novo A Morte do Demônio iniciará uma trilogia?

evildead_06

Como toda produção que se é feita atualmente, continuações sempre estão nos planos do estúdio. Com A Morte do Demônio tendo dobrado seu custo de produção em apenas um fim de semana (o longa foi “barato”, 14 milhões de dólares), é quase certo que a Sony dê um sinal verde para a sequência. No entanto, Fede Alvarez – que já trabalha no roteiro – disse que trilhará novos caminhos, e que Uma Noite Alucinante (a continuação do filme original) não será uma fonte de inspiração. Isso quer dizer que não veremos a Idade Média novamente?

Sam Raimi vai, ou não, fazer Evil Dead 4?

image

Excelente pergunta. Até o lançamento de Oz: Mágico e Poderoso, Sam Raimi já deixava claro sua vontade de retornar à franquia que o consagrou e decolou sua carreira em Hollywood. As últimas declarações do diretor não confirmavam a realização do projeto, mas que ele e seu irmão Ted estariam “bolando ideias” para um novo Evil Dead. Bruce Campbell disse que participaria de qualquer coisa que Raimi faria e até brincou (?) ao sugerir que poderia ser Army of Darkness 2 (que nos levaria novamente à Idade Média do terceiro filme). Houve até mesmo a discussão sobre um possível crossover entre as duas franquias, com as histórias de Ash e Mia se encontrando. Groovy…

É verdade que o filme teve que ser cortado?

evildead_13

Todo filme passa por inúmeros cortes antes de se alcançar seu resultado final, então não é nada demais dizer que A Morte do Demônio teve alterações antes de seu lançamento. O interessante nesse quesito, é que o filme era MUITO sangrento e chegou a receber uma classificação NC-17 (a mais alta dos EUA, que até faz a maioria dos cinemas evitarem exibições de filmes taxados com essa censura). Obviamente, um filme assim não daria lucro, então este sofreu ajustes para conseguir uma classificação R. Mas ele ainda será para maiores de 18 anos aqui no Brasil.

PERSONAGENS

O sangue novo (que logo será jorrado…) de Evil Dead:

Mia | Jeny Levy

20130414-162012.jpg

Principal núcleo do novo filme, Mia é uma viciada em ópio que enfrenta um tratamento. A fim de se livrar do vício, ela e um grupo de amigos se isolam em uma cabana na floresta. Como os trailers já entregaram, é ela quem sofre mais influência dos espíritos libertados.

David | Shiloh Fernandez

20130414-162050.jpg

Irmão de Mia, David tem uma relação conturbada com esta e, sua presença na cabana é uma surpresa para a jovem. Difícil dizer mais coisas, mas ele parece ser o equivalente ao Ash desse filme (já que aparece nos trailers e fotos divulgados portando a icônica motosserra).

Eric | Lou Taylor Pucci

20130414-162043.jpg

Amigo de Mia, trabalha como professor em um colégio. Provavelmente pela busca por sabedoria que seu ofício provoca (aposto que é professor de História, hehe), ele encontra o Livro dos Mortos na cabana e acaba por pronunciar as palavras que despertarão os demônios.

Olivia | Jessica Lucas

20130414-162025.jpg

Namorada de David, Olivia trabalha como enfermeira. Faz sentido ter uma praticante da Medicina quando isolado numa cabana com demônios, certo?

Natalie | Elizabeth Blackmore

20130414-162034.jpg

Natalie é namorada de David, trabalhando na loja de autopeças deste. Será que ela vai ganhar um colar de presente? (Entendedores entenderão).

A TRILOGIA

ORIGINAL

Uma revisada pelos três filmes da franquia original:

(Ignorem a lambança que as distribuidoras fizeram com a numeração…)

The Evil Dead – A Morte do Demônio (1981)

4.0

theevildead

A estreia de Sam Raimi na direção de longa metragens inaugura o subgênero de “cabana na floresta sinistra”. Com orçamento limitado e uma simplicidade ímpar em seu roteiro, Evil Dead é uma experiência envolvente por nos permitir observar as diferentes escolhas de Raimi como cineasta: desde seus posicionamentos e movimentos de câmera até as maquiagens trash dos demônios. Eu, como cineasta amador, fiquei encantado com o resultado.

Uma Noite Alucinante (1987)

4.0

evildead2

Com mais dinheiro e confiança do estúdio, Sam Raimi extrapola (realmente, EXTRAPOLA) todos os elementos do original para gerar uma das melhores sequências de todos os tempos. Repetindo a estrutura da cabana, Uma Noite Alucinante transforma-se em uma impressionante mistura de humor e terror, trazendo maquiagens ainda mais cartunescas e apostando na figura de Bruce Campbell como um herói de ação (decisão mais acertada da franquia), o filme enfim se supera ao trazer um gancho surpreendente para a continuação.

Uma Noite Alucinante 3 (1992)

3.5

armyofdarkness

Partindo do incrível desfecho do anterior (que me fez lembrar um pouco a fórmula do terceiro De Volta para o Futuro), Uma Noite Alucinante 3 mostra o herói Ash voltando no tempo e enfrentando demônios em 1300 DC. Ainda que fuja radicalmente da proposta dos outros filmes, o longa diverte graças à exagerada performance de Bruce Campbell (sem falar de seus bordões, que deixariam Schwarzenegger com inveja) e os novos conceitos que Raimi apresenta aqui. Não fosse sua conclusão apressada, receberia a mesma nota dos outros filmes.

Bem, foi um especial curto mas espero que tenha servido como “esquenta” para a estreia de A Morte do Demônio, que estreia na próxima sexta-feira. Não deixe de conferir a crítica aqui, até!