Arquivo para créditos finais

| Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de setembro de 2014 by Lucas Nascimento

2.5

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Seth MacFarlane diverte Charlize Theron e Liam Neeson

Com o sucesso de Uma Família da Pesada na TV e a aceitação de seu divertido Ted, nem em um milhão de anos eu apostaria que Seth MacFarlane apostaria em uma comédia de faroeste como seu próximo projeto. E mesmo que o comediante tenha lá suas boas tiradas e venha evoluindo como diretor, Um Milhão de Maneiras de Pegas na Pistola não é exatamente engraçado ou memorável.

A trama é centrada em um fazendeiro covarde (MacFarlane) que está em depressão após o término com sua namorada Louise (Amanda Seyfried). Quando ele conhece a misteriosa forasteira Anna (Charlize Theron), ela concorda em treiná-lo para ser um exímio pistoleiro, desafiando o novo companheiro de Louise (Neil Patrick Harris) para um duelo.

Primeiramente, vamos só enfatizar o quão idiota e equivocado é esse título nacional: “Pegar na pistola”. Sério mesmo? O próprio protagonista diz em certo ponto que existem “um milhão de maneiras de morrer no Oeste”, e essa é a principal questão do filme, não as diferentes maneiras que existem de se sacar um revólver. Bom, elefante da sala removido, meu problema como o filme transcende o título. Seth MacFarlane não sabia que tipo de filme estava fazendo; é uma comédia, mas também acaba se levando a sério nos momentos errados, como a repentina perseguição de cavalos pelo deserto. Minha teoria é a de que MacFarlane tivesse ficado tão impressionado com as belas imagens capturadas (e são realmente belíssimas) que resolveu fazer algo épico, nem um pouco a ver com sua proposta inicial. Vejam por exemplo Anjos da Lei 2, que aposta em diversas cenas de ação, mas jamais se esquecesse do gênero em que está.

O roteiro assinado por MacFarlane, Alec Sulkin e Wellesley Wild (mesma trinca responsável por Ted) acerta ao tornar o universo e seus personagens completamente anacrônicos, utilizando termos e dialetos que jamais estariam no Velho Oeste, mas sim nos dias atuais. Tal artíficio quase transforma o filme em um desenho animado, que também se traduz nos figurinos simplórios (mocinho usa core mais claras, vilão usa só preto, etc) e no design de produção cartunesco, marcado também por diversos cenários pintados e em greenscreen. A verdade é que MacFarlane parece mais fã de De Volta Para o Futuro: Parte III do que os clássicos do faroeste, já que muitas viradas e situações no roteiro – além da própria trilha sonora de Joel McNeely – lembram muito as do filme de Robert Zemeckis, além de trazer uma saudosa participação especial. Aliás, participações especiais são o que o filme tem de melhor.

O elenco também se sai bem. Especialmente Charlize Theron, que oferece uma construção agradável para sua pistoleira Anna: é ao mesmo tempo destemida e durona, mas também dócil e nada modesta em relação a seus atributos (“Eu tenho peitos incríveis, óbvio”). Já Seth MacFarlane revela-se melhor dublador do que ator, ainda que seu sarcasmo seja bem colocado. E se Liam Neeson como herói durão já é o suficiente para comprar um ingresso, vê-lo como um vilão genérico é bem divertido.

Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola impressiona pela quantidade de trabalho técnico e visual dedicados a uma comédia, mas não faz bonito naquilo que seria sua única prioridade: fazer rir, seja na perda de foco ou na insistência em humor barato.

Poxa, alguém aí ainda acha piadas com peido e diarreia tão hilariantes?

Obs: Fiquem durante E depois dos créditos, há uma participação especial imperdível.

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| Anjos da Lei 2 | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 4 de setembro de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

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Jonah Hill e Channing Tatum estão de volta

Continuações são arriscadas. Especialmente se estivermos no âmbito das continuações de comédias, que tendem muito a decepcionar: a trilogia Se Beber, Não Case! é o perfeito exemplo de uma boa piada que funcionou uma vez e foi estuprada para render continuações “maiores e melhores”, praticamente repetindo passo a passo a fórmula do original. É justamente esse sistema que Anjos da Lei 2 ataca, e o faz isso de forma inteligente e, mais importante, engraçada.

A trama começa logo depois dos eventos do primeiro filme (com direito até a um “Previously on…”), com Schmidt (Jonah Hill) e Jenko (Channing Tatum) recebendo a missão de se infiltrar em uma faculdade local e capturar um traficante que anda espalhando uma nova droga experimental pelo campus. À medida em que os dois vão se misturando em grupos sociais distintos, a parceria dos dois vai sofrendo atritos.

Se você prestou atenção, reparou que a premissa é EXATAMENTE igual à do primeiro, trocando apenas o ensino médio pelo superior. O roteiro assinado por Michael Bacall, Ori Uziel e Rodney Rothman continua martelando na metalinguagem, o que novamente rende algumas das melhores piadas: personagens repetindo o tempo todo que Schmidt e Jenko façam “exatamente a mesma coisa da última vez”, repetições que se dão conta de que são repetições e há até uma perseguição de carros onde o personagem de Hill orienta o companheiro para não destruir nada que a Polícia não possa pagar, já que o departamento estourara o orçamento estabelecido pela polícia, quase como uma produção hollywoodiana se descontrolando. É a metalinguagem da metalinguagem.

Mas se a proposta deliberadamente levaria Anjos da Lei 2 para o caminho sombrio do qual faz piada, é aí que a trama começa a trazer reviravoltas e se diferenciar da fórmula do primeiro, especialmente na resolução do caso. A introdução de coadjuvantes carismáticos, nas figuras de Wyatt Russell, Amber Stevens (lindíssima) e Jillian Bell – além da decisão acertadíssima de expandir o personagem de Ice Cube – enriquecem o universo meta e repleto de referências pop criado pelos diretores Phil Lord e Chris Miller – que devem estar agora relaxando em uma paraíso tropical, dada a incrível sequência de sucessos que a dupla vem mantendo. Jonah Hill e Channing Tatum também continuam divertidos em sua relação quase homoafetiva, rendendo diversos trocadilhos do tipo “eu acho que é hora de nós começarmos a investigar outras pessoas” ou até uma inesperada e afetada terapia de casais.

Anjos da Lei 2 é engraçado e inteligente como o primeiro, aperfeiçoando praticamente todo setor da produção (só peca ao ter um vilão menos carismático do que Rob Riggle) ao mesmo tempo em que ri de seus próprios absurdos. E tem provavelmente a melhor sequência de créditos finais já produzida na História, literalmente deixando a melhor piada para o final.

Imperdível. Realmente espero que a dupla não custe a se mudar para o número 23 da Jump Street.

Obs: Diversas participações especiais divertidíssimas ao longo do filme. Fiquem de olho.

Obs II: Há uma cena após os créditos.

| Thor: O Mundo Sombrio | Retorno do Deus do Trovão conserta erros do antecessor

Posted in Ação, Adaptações de Quadrinhos, Aventura, Cinema, Críticas de 2013 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 1 de novembro de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

thor
Jane Foster (Natalie Portman) dá uma bronca em Thor (Chris Hemsworth)

Um problema quase que unânime nos filmes do Universo Cinematográfico Marvel é a impessoalidade de seus respectivos diretores. Em seus 8 filmes lançados até agora, foi raro encontrar ali um diretor que demonstrasse criatividade no ramo de contar histórias, seja narrativa ou puramente visual; a exceção fica com Joss Whedon em Os Vingadores e Kenneth Branagh em Thor – mas esse último perde pontos por se entregar puramente à estética. Achei que seria diferente com Thor – O Mundo Sombrio, mas parece que a Marvel novamente dominou o lado criativo. O resultado, no entanto, não é nada mal.

A trama assinada a seis mãos é ambientada após os eventos de Os Vingadores, com Loki (Tom Hiddleston, roubando o show mais uma vez) sendo confinado às masmorras de Asgard por seu pai (Anthony Hopkins) e Thor (Chris Hemsworth) lutando para restaurar a paz entre os Nove Reinos. Paralelo a isso, a perigosa raça dos Elfos Negros, liderada pelo grotesco Malekith (Christopher Eccleston), acorda quando um misterioso artefato de seu povo é descoberto pela cientista Jane Foster (Natalie Portman) na Terra. Para salvar o reino e sua amada terráquea, Thor deverá formar uma frágil aliança com seu irmão Loki para impedir Malekith de… destruir o Universo, é.

De início de conversa, já é quase que evidente atestar a superioridade deste novo filme em relação ao de 2011. O diretor Alan Taylor não impressiona por sua criatividade, mas ao menos merece méritos por fornecer uma abordagem mais medieval e suja ao universo do Deus do Trovão, deixando de lado o visual clean e shakespeariano de Kenneth Branagh – algo também proporcionado pelo excelente trabalho de direção de arte, que mescla elementos vikings com artilharias dignas de Star Wars (os efeitos sonoros, aliás, remetem muito à saga de George Lucas. Com a Disney bancando as duas franquias, deve ser fácil ter acesso à biblioteca de Ben Burtt). Outra correção essencial é o tom da produção: enquanto o primeiro se perdia em seus excessos de humor (outro recorrente problema no universo Marvel), O Mundo Sombrio sabe exatamente quando e onde encaixar suas piadas, gerando um bom timing graças à pequenos detalhes cômicos; como o herói “pendurando” seu martelo na parede de um apartamento.

O grande problema fica na história mesmo. Ainda que mais empolgante e complexa do que a de seu antecessor, os roteiristas criam uma série de conceitos que se perdem dentro da própria lógica (nem o tal do Mundo Sombrio do título ganha uma explicação eficiente). Toda a questão de passagens entre diferentes dimensões faz sentido no início, mas é completamente extrapolada em seu clímax (o que rende uma boa cena de ação, mas sacrifica a compreensão “científica” do espectador). Quem sai perdendo também é a Sif de Jaimie Alexander, que ganha considerável destaque no primeiro ato da projeção – surgindo como potencial interesse amoroso – simplesmente para ser esquecida da metade pro fim, enquanto o vilão de Christopher Eccleston chama a atenção meramente por seu visual elaborado, já que encarna uma figura essencialmente maniqueísta e sem motivações devidamente exploradas.

No fim, Thor: O Mundo Sombrio é um bom filme, mesmo com seus muitos problemas. Diverte, demonstra uma evolução no “Marvel way of cinema” ao corrigir problemas de tom e, felizmente, não cai na armadilha de simplesmente servir como prelúdio ao eventual Os Vingadores 2. Mas mais do que a segunda união da superequipe, é a continuação da trama de Asgard que desperta mais interesse.

Isso nos revela como o Deus do Trovão pode se virar sozinho na tela grande.

Obs: Há DUAS cenas adicionais após o filme. Uma durante os créditos finais e outra no término destes. Não iniciados certamente ficarão no ar com a primeira cena, então aí vai uma explicação: aquela cena nos apresenta ao universo de Os Guardiões da Galáxia, arriscada aposta da Marvel no gênero da ficção científica, que ganhará as telonas em Agosto do ano que vem.

Obs II: Como de costume, Stan Lee faz uma rápida aparição especial. E ele não é o único, mas paro por aqui para não estragar uma GRANDE surpresa…

Obs III: O 3D convertido é absolutamente descartável.

Leia esta crítica em inglês.

| Wolverine – Imortal | Hei, Wolverine luta contra samurais!

Posted in Ação, Adaptações de Quadrinhos, Cinema, Críticas de 2013 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 26 de julho de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

TheWolverine
Wolverine e sua “yojimbo”: pontos altos do filme

“Go fuck yourself, preety boy!”, solta o mutante Wolverine em certo ponto de sua nova aventura-solo. A f-word sai novamente pelos lábios do personagem, o que é algo muito incomum de se ocorrer em um filme adaptado de quadrinhos (ainda mais um da Marvel) e também já define o tom de Wolverine – Imortal: a selvageria. Mesmo que seja um longa muito problemático, é algo muito mais digno para o Carcaju do que o nojento X-Men Origens: Wolverine.

A trama do filme é situada alguns anos após os eventos de X-Men – O Confronto Final, trazendo um Logan (Hugh Jackman, pela sétima vez!) andarilho e assombrado pela morte de sua amada Jean Grey (Famke Janssen). A situação muda quando ele conhece a misteriosa Yukio (Rila Fukushima), que o convida para ir ao Japão e aceitar o agradecimento de um veterano de guerra que Logan havia salvado há muito. Em Tóquio, o mutante é surpreendido com a repentina perda de seu fator de cura e os esquemas criminosos que envolvem uma poderosa família japonesa.

o Wolverine é sem dúvidas o personagem mais popular da franquia mutante nos cinemas. Já tendo entregado um retorno financeiro decente à Fox com o filme de 2009 (apesar das críticas negativas), mais uma aventura com Hugh Jackman foi encomendada e, dessa vez, por que não colocá-lo quebrando tudo no Japão? O eclético diretor James Mangold (de Johnny & June, Os Indomáveis e Garota, Interrompida) acerta na condução das mais variadas cenas de ação em solo asiático: luta insana em um veloz trem-bala, garras admantium chocando-se contra o metal de espadas samurais e até um exército ninja está no pacote, aliás nunca havia visto tanto sangue em um filme da Marvel. Jackman também faz valer a visita, já que o australiano continua trazendo as mesmas características do personagem – aqui, com muito mais brutalidade – com seu habitual carisma, que se destaca em um elenco (predominantemente japonês) que carece de boas atuações; com exceção talvez da exótica Rila Fukushima, cujas feições estranhamente belas – aliado à força de sua personagem – lhe garantem forte presença em cena.

O roteiro assinado por Mark Bomback e Scott Frank é até eficaz ao criar uma história coesa e que prenda a atenção, mas não que valha pelos 137 minutos que parecem muito mais longos do que realmente são. Mesmo que seja interessante apresentar uma nova história de amor (?) para o herói, a narrativa é repleta de personagens com motivações confusas e uns um tanto… cartunescos demais para ver a luz do dia (isso mesmo, ver a russa Svetlana Khodchenkova cuspindo ácido, ou seja lá o que for aquilo, é vergonhoso), sendo desnecessário comentar a estúpida reviravolta envolvendo um dos antagonistas e um certo Samurai de Prata. E lembra que o Wolverine tinha o fator de cura enfraquecido? Isso não o impede de tomar tiros à queima-roupa e sair voando no teto de um trem e correndo pela rua minutos depois. Imortal, de fato.

Mesmo que a produção impressione, Wolverine – Imortal não passa de uma mera curiosidade. Não acrescenta e nem prejudica a franquia X-Men, tornando-se uma história isolada que não necessariamente precisa ser vista para acompanhar a história dos mutantes no cinema. Basta a matadora cena extra que é revelada durante os créditos finais…