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Qualidade X Bilheteria

Posted in Artigos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de agosto de 2010 by Lucas Nascimento

Semana passada, Scott Pilgrim contra o Mundo estreou nos cinemas norte-americanos, rendendo um resultado decepcionante nas bilheterias – que neste momento, estão lideradas por Os Mercenários – e, pior, a possibilidade de o longa não ver a luz do dia aqui nos cinemas do Brasil.


Vampiros que se Mordam: Sem comentários

Bons filmes fazem, sim, uma boa arrecadação, mas obviamente não são todos que possuem uma qualidade decente e um bom resultado monetário. Veja por exemplo, uma das estreias da semana nos EUA: a sátira Os Vampiros que se Mordam, que provavelmente é tão ruim e estúpido quanto os filmes anteriores da dupla de diretores (Espartalhões, Deu a Louca em Hollywood e outras “obras de arte”…), mas mesmo assim garantiu segundo lugar nas bilheterias. Talvez seja pelo fato de que Crepúsculo tenha uma legião de inimigos ( e estes tenham comparecido em massa nas exibições) ou, simplesmente,  o mau gosto de certos espectadores.

Sou completamente contra esse tipo de paródias e me deixa frustrado o fato de que essas porcarias até mesmo cheguem nos cinemas; a estreia do filme já está garantida no Brasil e não duvido de que fará um bom resultado por aqui. Aliás, por aqui as bilheterias também são decepcionantes. Caso você não saiba, O último Mestre do Ar lidera essa semana e nem vou comentar a injustiça de que A Origem não tenha ficado no topo sequer uma vez.


Inception: Qualidade e bilheterias caminham juntas

A Origem é o exemplo perfeito do ano de “qualidade e bilheteria”. Não só é o melhor filme de 2010, mas também já arrecadou mais de 500 milhões de dólares pelo mundo; isso sem precisar da potencial ajuda dos óculos 3D e suas conversões baratas, apenas um ótimo roteiro. E mesmo assim, o filme teve sua estreia adiada aqui no Brasil, fazendo com que a expectativa dos brasileiros aumentasse demais. Resultado? Recepção morna pela (maioria) dos críticos daqui.

Outra consequência desagradável do adiamento da estreia é o resultado pobre nas bilheterias. Veja o caso de Kick-Ass: Quebrando Tudo; o longa não se saiu bem nos EUA – em parte, devido a sua censura alta – e demorou quase dois meses para ser lançado no Brasil e foi um fracasso de arrecadação. Isso se deu por diversos motivos; falta de conhecimento no material original, censura alta, pouquíssima divulgação e, é claro, o download que a maioria já tinha feito.


Scott Pilgrim: Futuro apenas nos DVDs?

Voltando ao caso de Scott Pilgrim, parece que seguirá o caminho de Kick-Ass, isso é claro, se chegar a ser exibido por aqui. O filme recebeu boas críticas e a HQ é sensacional. Meu conselho às distribuidoras nacionais: deem uma chance aos filmes menos conhecidos e ignorem as porcarias que lhe são jogadas no colo.

Concorda? Discorda? Comente.

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Especial Trilogia Shrek

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , on 9 de julho de 2010 by Lucas Nascimento

Com a estreia do último capítulo da franquia Shrek nos cinemas, preparei esse pequeno especial com as críticas dos filmes anteriores da franquia. Vamos lá:

Shrek (2001)

Com uma ideia original e muito bom humor, o primeiro filme é uma aventura agradável e emocionante. O trio Mike Myers-Cameron Diaz-Eddie Murphy virou mania e conquistou a plateia com seus memoráveis personagens. A paródia aos contos de fada é brilhante.

Shrek 2 (2004)

No melhor estilo “maior e melhor”, a continuação é uma das melhores animações já feitas. Humor inteligente e muitas sátiras memoráveis; a melhor delas, o Gato de Botas, dublado divertidamente por Antonio Banderas, que virou personagem clássico.

Shrek Terceiro (2007)

E fechando na tradição “3 é o pior”, o personagem título perde o destaque para a enxurrada de coadjuvantes, a maioria deles divertidos vilões, e um roteiro ordinário com lição de moral fraca e ideias bobas. Fica a esperança de que o quarto filme salve a franquia.

Bem, deu pra relembrar sobre os filmes anteriores, só falta conferir o quarto capítulo! A crítica estará aqui à noite, até lá!

| Um Olhar do Paraíso | Delírio visual de Peter Jackson tem coração

Posted in Críticas de 2010, Drama, DVD, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , on 23 de junho de 2010 by Lucas Nascimento

  Uma Vida interrompida: A jovem Susie encara seu monstruoso assassino  

A coisa mais impressionante em Um Olhar do Paraíso não é o visual brilhante, a lição de moral nem suas cenas mais sombrias. Mas sim, um homem chamado Stanley Tucci, que transforma-se com sutileza em um assassino pedófilo e perturbador, valendo cada minuto do filme.

Na trama, Susie Salmon é uma garota de 14 anos que é assassinada por seu vizinho. No caminho para o Céu, ela acompanha a tentativa de sua família de capturar o criminoso.

Ao contrário de tantos outros filmes que tentam usar belíssimos visuais para esconder péssimos roteiros, o novo trabalho de Peter Jackson não têm nada para esconder. Sim, temos alguns furos, melodramas exagerados e um final estranho, mas isso não estraga tudo o que o filme consegue atingir. A jornada de Susie (Saoirse Ronan, ótima) é interessante e visualmente impecável, mas sem dúvida, a caça ao assassino é o que o filme tem de melhor.

A maneira como Jackson constrói suas tomadas, seus ângulos de câmera e estilo são brilhantes, especialmente nas cenas que envolvem o perturbador Sr. Harvey, em uma surpreendente performance de Stanley Tucci, que vale sua indicação ao Oscar; seu maníaco é assustador.

Um Olhar do Paraíso certamente tem seus atrativos visuais, que não deixam a desejar, mas é no elenco e na direção de Peter Jackson que o filme ganha força, tornando-se uma experiência muito peculiar.

| Atividade Paranormal | Muito Barulho por (quase) nada

Posted in Críticas de 2010, DVD, Terror with tags , , , , , , , , , on 10 de março de 2010 by Lucas Nascimento

Violação de privacidade: Câmera ligada, assombrações à vista

Tudo começou com A Bruxa de Blair. O sucesso foi estrondoso, com um orçamento barato rendeu milhões de dólares e uma série de “seguidores” nesse estilo de narrativa. Cloverfield – Monstro veio em seguida e entregou um trabalho muito melhor do que o anterior. O terror espanhol [Rec] foi o destruidor e o mais assustador, rendendo a fraca refilmagem Quarentena. Ufa! Que verdadeira saga através desse tipo de narrativa, estamos aqui agora com Atividade Paranormal, um terror simples, cansativo e sem muita justificação para o estrondoso barulho feito pela fita.

Na trama, o jovem casal Micah e Katie resolve instalar uma câmera de alta resolução em seu lar para captar algum tipo de “atividade paranormal” que a moça alega ser real. Não demora para a situação se agravar e se mostrar algo mais complexo.

Bem, Atividade Paranormal foi bem abaixo das minhas expectativas. Quem assistiu alegava ter visto “um dos mais assustadores filmes de terror de todos os tempos”. Puro exagero, o filme consegue render alguns momentos perturbadores e bons sustos, mas de resto, o filme não parece chegar a lugar nenhum, sendo muito sonolento em sua primeira meia hora. Algumas cenas noturnas são de dar calafrios e são a elas que o filme merece todo o crédito. As atuações são muito medianas (aliás os atores são inexperientes) e forçadas.

O diretor acerta nas cenas em que o casal tenta investigar, seja por livros ou pela internet, o que estaria causando esse distúrbio. Em uma dessas cenas, temos um momento digno de O Exorcista, mas é o mais perto que o filme chega de revelar suas ameaças. A cena do talco e as pegadas são memoráveis.

Algumas pessoas me disseram que eu não me assustei com o filme porque eu não o assisti na tela grande no cinema com sons estrondosos. Agora nunca saberei se o problema é a qualidade do filme ou se eu não vi como foi feito para ser visto. Mas ficará na minha memória como um filme bem mediano, devagar e com alguns, bons, sustos.

| Preciosa – Uma História de esperança | O Triunfo de Lee Daniels

Posted in Cinema, Críticas de 2010, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , on 21 de fevereiro de 2010 by Lucas Nascimento

  Gabourey Sidibe como Precious: Atuação poderosa e delicada

Você acha que tem problemas? Então dê uma boa olhada na vida de Clareece Precious Jones; estuprada pelo pai duas vezes, violentada pela mãe desequilibrada, obesa e analfabeta. O filme acompanha essa vida dura mostrando a jornada de Precious, que tenta superar esses problemas e ter uma vida feliz. Tenso, pesado e muito depressivo, o que pode tornar o filme desconfortável de se assistir.

Na trama, Precious é uma adolescente de 16 anos cheia de problemas sociais e familiares. Vive com sua mãe desequilibrada que a trata mal e a abusa. Para superar seus problemas, ela entra uma escola especial, onde começa a aprender a escrever e a ler.

Bem, é um filme muito bom. O diretor Lee Daniels faz um trabalho excepcional em gravar o filme com uma câmera de mão, balançando em certos momentos, e não têm medo de mostrar sequências tensas e fortes; como a cena do estupro que, apesar de não ser gráfica, é extremamente perturbadora. O roteiro é bem escrito, possui diálogos bem montados e um ritmo bem tenso, mas temos um problema: o processo de superação, com colegas e professores não apresenta nenhuma novidade e possui personagens arquétipos; como a professora determinada a ajudar, colegas que dão suporte, etc…

O elenco é sensacional. Gabourey Sidibe interpreta Precious, mantendo o mesmo estilo depressivo e delicado em boa parte do filme. Seus momentos mais dramáticos são emocionantes e suas cenas com Mo’Nique, extremamente tensas. E por falar em Mo’Nique, ela interpreta a mãe de Precious, que no início é apresentada como uma personagem fria e sem coração, mas logo, descobrimos que ela é mais uma vítima, que faz o que faz com suas razões (meio exageradas e egoístas). Mo’Nique é a favorita para o Oscar de Atriz Coadjuvante, favoritismo extremamente merecido; a atriz está excelente no papel, que é o mais difícil do filme.

Preciosa – Uma História de Esperança é um filme muito bem produzido, montado e talentosamente dirigido pelo corajoso Lee Daniels. O elenco é ótimo, mas o ritmo depressivo e tenso pode ser desconfortável para alguns.

| Educação | Excelente elenco salva filme previsível

Posted in Cinema, Críticas de 2010, Drama, Indicados ao Oscar, Romance with tags , , , on 17 de fevereiro de 2010 by Lucas Nascimento

  Encontro de famílias: Excelente elenco inglês vale a visita

Educação é o filme inglês que recebeu 3 Indicações ao Oscar desse ano; Filme, Atriz e Roteiro Adaptado. Eu diria apenas uma dessas é realmente merecida. O filme conta uma velha história que todos nós já vimos várias vezes (e de maneira melhor, devo acrescentar), mas conta com um elenco realmente excepcional, liderado pela estreante Carey Mulligan, que -como muitos já disseram- tem o potencial para se tornar uma nova Audrey Hepburn.

Na trama, Jenny é uma estudante de 16 anos que tenta conseguir uma vaga em Oxford. Tudo muda quando ela conhece David, um homem mais velho que lhe mostrará o lado divertido da vida; e suas consequências.

Não há muito o que falar sobre Educação. É realmente um filme muito simples. A trama se desenvolve de maneira previsível e com situações pouco originais, entretanto, o filme possui diálogos e frases bem escritas, desenvolve seus personagens de maneira interessante, apesar de trilhar caminhos conhecidos. Segue a linha da garota que conhece um homem mais velho, eles se apaixonam e ele mostra o lado mais divertido do mundo, junto com muitos dramas e surpresas (esperadas).

O elenco é realmente o que vale o filme. Disse mais acima que apenas uma das indicações ao Oscar é realmente merecida, e essa é a de Carey Mulligan no papel de Jenny. Atuação muito convincente, cheia de graça, divertida e dramática de acordo com seus momentos. Alfred Molina, que vive o pai de Jenny, é um injustiçado do Oscar. O melhor do filme, seus discursos e broncas são trabalhos de mestre e prendem a atenção. Peter Sarsgaard dá vida ao misterioso David, personagem manipulador e muito interessante. E pra fechar, Emma Thompson deve ter, aproximadamente, 5 minutos de cenas, mas em cada segundo, ela está espetacular como a diretora da escola.

 Educação é um filme muito simples, de poucas novidades, mas com um elenco verdadeiramente excepcional, que vai da carismática Carey Mulligan até o excelente Alfred Molina.

| Premonição 4 | Mais do mesmo, só que pior

Posted in Cinema, Críticas de 2010, Suspense with tags , , on 15 de fevereiro de 2010 by Lucas Nascimento

                                                                               Mortes no Shopping: As cenas de morte estão mais estúpidas e engraçadas

A série de filmes Premonição não é o tipo de filme para ser levado a sério. É puro entretenimento para os públicos mais impressionáveis, caindo na repetição e no excesso de cenas violentas e sangue. Mas realmente, a quarta parte dessa franquia tão gasta não adiciona nenhuma novidade. São os mesmos adolescentes estúpidos, as cenas de morte trash e sem sentido e uma trama risível, que, sabe se lá, tenta ser levada a sério.

Na trama um grupo de adolescentes está presente em uma corrida de carros, quando um deles tem uma visão horrível que mostra a morte de todos eles em um acidente. Eles escapam, e o acidente ocorre, matando muitas pessoas. Só que a Morte persegue os jovens, e eles terão que enganá-la. Que novidade…

Premonição 4 não merece uma análise crítica séria. Se fosse o caso, ficaria a noite inteira listando todos os inúmeros defeitos desse filme que, de novidades, não traz nada de novo, apenas novas formas (estúpidas) de como se matar uma pessoa. Os adolescentes parecem estar mais imbecis, menos carismáticos e completamente arquétipos. Se você já viu algum filme da série, você já viu Premonição 4, mas aí é que está; para conseguir mais público, o novo filme foi feito em 3D, e não me refiro à revolução de Avatar (o filme de James Cameron foi lançado depois de Premonição 4), mas sim àqueles efeitos tradicionais, com objetos e miolos voando em sua direção.

Resumindo, Premonição 4 é um filme péssimo, sem novidades, sem qualquer tipo de afinidade com personagens ou com a história e com uma trama mais que batida. Agora, se vierem com um quinto filme, aí vai uma idéia: ao invés de se focar nos adolescentes chatos e patéticos, que tal fazer da Morte a protagonista da história? Eu assistiria. Ou não.