Arquivo para curta-metragem

Confira o curta original de WHIPLASH – EM BUSCA DA PERFEIÇÃO

Posted in Notícias with tags , , , , , , , on 2 de março de 2015 by Lucas Nascimento

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Vencedor de 3 estatuetas do Oscar, Whiplash – Em Busca da Perfeição permanece meu filme preferido lançado em 2015 até o momento. Com o lançamento do filme em blu-ray se aproximando, a Sony enfim liberou o curta original que Damien Chazelle dirigiu em 2013 para garantir orçamento.

O curta já traz J.K. Simmons como o severo Fletcher, mas é Johnny Simmons (de Scott Pilgrim contra o Mundo) quem fica com o papel que seria de Miles Teller, e adapta uma das mais icônicas cenas do filme, e é interessante notar como o resultado no longa é praticamente idêntico. Confira:

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| Whiplash – Em Busca da Perfeição | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , on 4 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

5.0 Whiplash2 O Andrew de Miles Teller encara o Fletcher de J.K. Simmons

Fico realmente impressionado quando um artista mostra do que é capaz logo em sua primeira grande obra. Orson Welles em Cidadão Kane, Jean-Luc Goddard em Acossado, Quentin Tarantino em Cães de Aluguel e até o Dan Gilroy com seu eficiente O Abutre. Cada uma dessas obras tems sua respectiva importância para os períodos em que foram lançados. Damien Chazelle não vai mudar o mundo ou a linguagem cinematográfica com Whiplash – Em Busca da Perfeição, mas cacetada… O sujeito é dos bons.

A trama é inspirada em um curta-metragem do próprio Chazelle, centrando-se no jovem Andrew Nieman (Miles Teller), ambicioso baterista que almeja ser um dos melhores de seu tempo. Solitário, sem amigos e não recebendo o reconhecimento esperado de sua família, Andrew é selecionado para a banda principal de sua escola de música, regida pelo influente Terence Fletcher (J.K. Simmons). Mas à medida em que Fletcher vai se revelando um monstro obsessivo, Andrew começa a questionar seus limites.

Basicamente, Whiplash faz com baiteristas de jazz o que Cisne Negro fez com bailarinas. Desde os acessos surtados de obsessão pelo perfeito até os instrumentos ensaguentados, Damien Chazelle mantém uma condução segura e invejável, demonstrando domínio dos mais variados enquadramentos (de quantas formas se é possível filmar uma bateria?), planos, movimentos de câmeras velocidades de quadros por segundo. Ao lado do diretor de fotografia Sharone Meir, Chazelle visualiza uma Nova York sombria e ao mesmo tempo harmoniosa, alcançando uma coloração similar à que David Fincher e Jeff Cronenweth trazem em suas colaborações- o que, particularmente, é sempre um ponto positivo.

E dedico aqui um parágrafo inteiro para o sobrenatural trabalho de montagem de Tom Cross. Responsável por organizar e mesclar todo o material capturado por Chazelle, Cross oferece uma montagem frenética e que acerta ao acelerar a passagem de tempo em alguns eventos com cortes rápidos e jump cuts, e também deixar a cena fluir por mais tempo quando necessário (como o primeiro flerte entre Andrew e Nicole). Mas é mesmo nos números musicais que Cross se sobressai, onde cada transição acompanha uma nota musical; cada corte segue uma diferente batida das baquetas de Andrew. Trabalho digno de Oscar, nada menos.

Tecnicamente impecável, seu esqueleto básico não deixa a desejar. O roteiro é eficaz ao trazer diversas situações que testam os limites do protagonista, assim como diálogos fervorosos que exploram como sua ambição fica à uma tênue linha da vaidade: a discussão com primos à mesa do jantar e um frio término de namoro são apenas alguns dos exemplos. Mas nada do que Andrew faz é capaz de chegar aos pés do Fletcher de J.K. Simmons, que – em uma performance nada menos que espetacular – entrega um dos antagonistas mais brutais, sádicos e enigmáticos dos últimos tempos. Seu discurso sobre “a morte do jazz” e a aceitação do medíocre é genial, e cada gota de suor que vemos Miles Teller derramar enquanto toca a bateria como um louco é algo assustador de se contemplar, já que a catarse parece nunca chegar.

Whiplash – Em Busca da Perfeição é uma obra que funciona exatamente como uma orquestra sinfônica. Cada departamento exerce sua função magistralmente, tal como instrumentos musicais, cada um a seu ritmo e sob a conduta de um sujeito inteligente para entregar uma experiência inebriante. Ao final, tudo o que posso dizer é “bravo”.

Obs: Crítica publicada após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 3 de Outubro de 2015.

Leia esta crítica em inglês.

| Temporário 12 | Um poderoso e intimista marco para o gênero

Posted in Críticas de 2014, Drama, DVD with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 31 de março de 2014 by Lucas Nascimento

5.0

ShortTerm12
Brie Larson: Remember her name

Eu nem consigo imaginar quantos filmes com a temática “jovens problemáticos” o cinema recente produziu na última década. A maioria, de qualidade competente, ainda que totalmente presa a clichês e situações que apelam ao emocional do público de maneira quase ameaçadora. Mas posso dizer que raramente assisti a um como Temporário 12 (Short Term 12, no original), estreia do cineasta indie Destin Cretton que impressiona não apenas por sua qualidade e impacto, mas principalmente pela naturalidade com que desempenha tais funções.

A trama é adaptada de um curta-metragem de autoria do próprio Cretton, concentrando-se numa unidade residencial que se dedica a abrigar jovens desfuncionais e com problemas familiares por um período de 12 semanas. Nesse cenário, encontramos Grace (Brie Larson), uma das supervisoras do Temporário 12 que precisa lidar com uma série de problemas pessoais, ao passo em que se esforça para ajudar os meninos e meninas em sua custódia.

Premissa batida, mas Cretton é extremamente bem sucedido ao lançar um ar fresco e inédito à história. Seu roteiro é hábil ao trabalhar e distribuir as diversas subtramas: a gravidez inesperada de Grace, sua relação com o namorado (vivido pelo eficiente John Gallagher Jr., da série The Newsroom) e três casos-chave envolvendo jovens do Temporário 12. Seu texto acerta ao manter a naturalidade entre os personagens, uma decisão que se revela inteligente quando a trama começa a revelar camadas obscuras perturbadoras, provocando maior impacto na resolução destas (desde abusos sexuais até violentas discussões). Nesse sentido, a direção de Cretton acerta também ao manter um caráter íntimo dentro da narrativa: a câmera incessante e os planos sempre fechados nos rostos do elenco, quase como se o diretor fosse um intruso naquele universo e nos garantisse verdadeiros registros de vidas humanas reais e palpáveis.

É impressionante também como Temporário 12 é surpreendentemente eficaz ao balancear os tons. Em uma cena, por exemplo, acompanhamos Grace presenteando uma das internas, prestes a ser liberada da instituição, com um cupcake preparado por seu namorado na noite anterior. Uma coisa leva a outra e a jovem rebela-se violentamente, com insultos verbais, agressões e o momento inesperado em que esfrega o cupcake na cara de sua superiora. Com a ajuda do namorado, Grace consegue conter a jovem – em uma cena intensa. E que forma maravilhosa de se quebrar o gelo encontrada na forma de Gallagher Jr, que, ao contemplar sua namorada com o rosto sujo do doce, solta de forma bem-humorada: “Ei Grace, meu cupcake tava bom?”. Memorável e divertido, sem soar artificial.

E grande parte deste balanceamento é fruto do excelente trabalho do elenco. A começar por Brie Larson, atriz talentosíssima que lentamente vem fincando seu nome em Hollywood. Você provavelmente reparou nela em filmes como Scott Pilgrim contra o Mundo, Anjos da Lei, Como Não Perder Essa Mulher e algumas participações na série Community, mas já está na hora de guardar esse nome na cabeça. Larson impressiona pela seriedade de Grace, mas suas pequenas nuances faciais perfeitamente traduzem os diversos conflitos internos que a personagem guarda dentro de si, algo balanceado com seu senso de humor sarcástico e, especialmente, a relação que mantém com a personagem de Kaitlyn Dever. Vale mencionar também o excelente Lakeith Lee Stanfield, intérprete do veterano da instituição, Marcus. O ator transfere ao mesmo tempo tristeza e perigo (por consequência desta) em seu olhar seco, e é em sua espetacular performance de um rap (outra cena belíssima, ainda mais por não conter cortes) que temos indícios de seu passado sombrio e marcado por abusos de sua mãe.

Temporário 12 é uma experiência curta em duração, mas densa e eficientemente complexa na maneira como lida com seus temas difíceis. Destin Cretton revela-se um poderoso contador de histórias, contando também com um ótimo elenco em mãos. Certamente é uma das obras mais intimistas produzidas pelo cinema norte-americano nos últimos anos, e um marco absoluto para o gênero.

Obs: O filme ainda não está disponível em home video no Brasil, já havia adquirido o blu-ray no exterior e fui surpreendido por sua exibição no canal de TV paga Max. Atualizarei o post se hover novidades.

Assista ao curta ANINGAAQ, derivado de GRAVIDADE

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 22 de novembro de 2013 by Lucas Nascimento

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Quem assistiu ao filmaço Gravidade de Alfonso Cuarón, certamente ficou curioso quanto à cena em que a personagem de Sandra Bullock tem uma conversa via rádio com um cidadão da Terra. Daí vem Aningaaq, curta de Jonas Cuarón que originalmente seria apresentado como material extra no blu-ray do filme, mas cujo resultado foi tão elogiado que ele disputará uma vaga no Oscar dentro da categoria de curtas. Bacana, confira o curta abaixo:

Leia a crítica de Gravidade.

| Mama | Conto de fadas gótico se perde na autoexplicação

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Terror with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 5 de abril de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

Mama
A ruiva Jessica Chastain adota visual gótico para enfrentar o sobrenatural

O mexicano Guillermo Del Toro deve ser daqueles que todo mundo precisa ter na lista de contatos. Mesmo sem ter lançado um filme nos últimos 5 anos (depois de Hellboy II – O Exército Dourado, este ano ele volta à direção com Círculo de Fogo), já “apadrinhou” diversos projetos vindos de aspirantes a cineastas. Em 2011 foi o fraco Não Tenha Medo do Escuro, agora ele ajuda a lançar o terror Mama; mais um conto de fadas gótico que se perde nas próprias ideias.

Baseada em um curta-metragem de mesmo nome (que você pode assistir no YouTube, por aqui), a trama acompanha as jovens irmãs Victoria e Lily (Megan Charpentier e Isabelle Nélisse) que são abandonadas pelo pai quando este se descontrola durante a crise econômica de 2008. Cinco anos depois elas são encontradas pelo tio (Nicolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister de Game of Thrones) e sua namorada Annabel (Jessica Chastain) e trazidas para morar junto ao casal. No entanto, uma presença fantasmagórica conhecida como “Mama” passa a assombrar a família e ameaça tomar as crianças para si.

O problema de Mama consiste na necessidade de elaborar uma trama complexa para sua personagem-título. O curta-metragem de Andrés Muschietti (que assume aqui o cargo de diretor e co-roteirista, este último com sua irmã Barbara) funciona muito melhor que o longa justamente pelo mistério. Os 3 minutos de duração retratam uma cena bizarra (que no filme é refeita praticamente quadro a quadro) que fica sem explicação, impressionando também por sua competência narrativa. Aqui, os roteiristas criam toda uma história de fundo para a criatura e ainda preenchem a história com figuras mal distribuídas, salvas apenas pelas boas performances de seus intérpretes; especialmente a versátil Jessica Chastain, que constrói uma sujeita completamente diferente de suas atuações prévias – e não foi só o visual gótico que ajudou, a atriz é a única que tem a chance de desenvolver apropriadamente sua personagem.

O longa começa muito bem com o estabelecimento do cenário, e durante boa parte da projeção, é eficaz ao nos manter presos à narrativa. O mistério acerca da personagem-título é o que desperta maior interesse, mas os roteiristas veem a necessidade de explicitar termos e fenômenos (trazendo uma absurda explicação para diferenciar Mama de um fantasma, e que é literalmente jogada aos ares em sua conclusão) e não consegue nem dar conta de suas linhas narrativas. Como por exemplo, o momento em que um dos personagens chega de dia para explorar uma cabana na floresta e, por algum motivo, o vemos na cena seguinte adentrando-a durante a noite…

Estreante no ramo, Muschietti consegue mostrar tem bom olho para a direção e garante planos lindos (vide a abertura que traz imagens de uma montanha dominada pela neve) e criatividade na elaboração do horror, sobressaindo-se a cena em que acompanhamos o flashback de Mama em primeira pessoa (que assusta pela intensidade da situação e a paleta de cores escolhida pelo diretor de fotografia Antonio Riestra ) e a que o psicológo vivido por Daniel Kash procura pela criatura em uma cabana escura, usando flashes de uma máquina fotográfica como orientação. Claro que os sonoplastas e o compositor Fernando Velázquez usam e abusam de suas funções para gerar os mais clichês jump scares do gênero, sendo muito fácil prever quando um susto irá nos pegar; mas sendo inevitável de escapar dele quando chega.

Mama é eficiente em garantir um monstro cativante e bons sustos, mas carece de uma história competente. Sinceramente, o curta-metragem de 3 minutos consegue ser mais satisfatório do que um longa de quase 2 horas. O simples que satisfaz.

Observação: Se o visual da Mama te assustou, confira este ótimo vídeo com o teste do ator Javier Botet (famoso por interpretar a medonha Niña de Medeiros na franquia espanhola REC), que é ainda mais perturbador sem a inclusão do CGI:

Um aspirante a cineasta

Posted in Fan Boys with tags , , , , , on 10 de abril de 2011 by Lucas Nascimento

Como parte de um trabalho escolar, eu e meu grupo de amigos deveríamos recitar ou adaptar um dos poemas da coleção “Eu”, escrita por Augusto dos Anjos. Nossa opção foi “O Morcego”, que transformamos em um curta-metragem de terror. Esse pequeno filme pode ser o início de uma carreira cinematográfica… Confiram e deixem sua opinião: