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Primeiro trailer de JOY, de David O. Russell

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , on 15 de julho de 2015 by Lucas Nascimento


Saindo de uma trinca de sucessos composta por O Vencedor, O Lado Bom da Vida e Trapaça (ainda que a definição de sucesso seja discutível…), o diretor David O. Russell prepara-se para lançar seu novo filme.

Confira o trailer:

Joy é baseado na história real de Joy Mangano, inventora do Miracle Mop que também lutava para sustentar seus três filhos. Jennifer Lawrence protagoniza enquanto Robert De Niro, Bradley Cooper e Edgar Martinez formam os coadjuvantes.

Joy estreia em 25 de Dezembro nos EUA.

Os Mestres do Oscar 2014| Volume IV: Categorias Principais

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 27 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2014! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo em inglês (curiosamente, a Sony não liberou nenhum de seus 5 roteiros indicados)

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Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

Blue Jasmine | Woody Allen

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Como um iniciante na vasta carreira de Woody Allen (não assisti a nem metade de seus 49 filmes), fui surpreendido por seu Blue Jasmine. Depois de 3 comédias leves, Allen aposta em uma densa tragédia de humor negro, que balança mais para o lado dramático do que o de humor, servindo como um poderoso estudo de personagem. Jasmine é a alma do projeto, sua irremediável e inevitável autodestruição, algo que o roteiro acerta ao colocá-la em situações que testam sua paciência e promovem um confronto de ideias/opiniões (vide sua irmã, o namorado desta, etc). Mas minha característica preferida aqui é o uso de digressões temporais (flashbacks) bem posicionados para revelar, aos poucos, os elementos que resultaram na queda de Jasmine da alta classe – deixando o surpreendente estopim para o final.

Quotação Memorável: “Quando a Jasmine não quer saber de alguma coisa, ela tem o hábito de olhar pro outro lado” – Ginger

Clube de Compras Dallas | Craig Borten e Melisa Wallack

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Por anos na conceituada “Black List” dos roteiros americanos, o roteiro de Clube de Compras Dallas é assinado pelos estreantes Craig Borten e Melisa Wallack, que adaptam o período da vida real do eletricista Ron Woodroof quando este descobre ser vítima do mortal vírus da AIDS – passando a contrabandear medicamentos ilegais. O texto da dupla é eficaz ao apresentar diversas críticas sobre temas como homofobia, burocracia farmacêutica, entre outros; mas é de se impressionar com o bem-vindo senso de humor excepcionalmente bem colocado na trama pesada. Sendo um filme centrado em seus personagens, é de se admirar com a eficiente construção das relações entre estes: como opiniões colidem, visões mudam e atitudes são modificadas.

Quotação Memorável: “Cuidado com o que vocês comem e quem vocês comem” – Ron Woodroof

Ela | Spike Jonze

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O mérito do roteiro de Spike Jonze já pode ser encontrado em sua fascinante premissa, que traz um sujeito depressivo apaixonado pelo sistema operacional de seu computador. Passado o choque inicial da ideia, Ela transforma-se em um estudo sensível e delicado a respeito do amor e a forma como a tecnologia pode influenciar as relações humanas – e o quão interessante pode ser a noção de uma máquina adquirir sentimentos e consciência própria. Jonze sutilmente coloca elementos de ficção científica na trama, mas se concentra principalmente em seus personagens, que protagonizam fabulosos diálogos e situações completamente inusitadas (a ideia mais inspirada certamente é o “avatar” utilizado por Samantha no mundo real, coisa de gênio). Ela traz muitas questões em suas palavras, e Jonze ganhou praticamente tudo o que é preciso ganhar para garantir uma vitória aqui. Absolutamente merecido.

Quotação Memorável: “O coração não é como uma caixa que você pode preencher; ele expande seu tamanho à medida em que você ama. Eu sou diferente de você. Mas isso não me faz te amar menos. Na verdade, me faz te amar mais ainda” – Samantha

  • WGA – Roteiro Original
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Nebraska |Bob Nelson

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Em seu primeiro trabalho no cinema, Bob Nelson já descolou uma indicação ao Oscar. Nada mal e merecido, já que seu texto em Nebraska é divertido e bem desenvolvido, apresentando um acertado mix de diversos temas diferentes. Há a saga de auto-satisfação do protagonista Woody Grant, as problemáticas relações familiares (pai e filho, marido e mulher, irmão e irmão), a cobiça, valores do passado e outros pequenos elementos que se complementam com eficiência ao longo da narrativa centrada. É interessante como Nelson aposta na lentidão (o que geralmente é um problema) para situar e contextualizar alguns dos personagens (especialmente a família do irmão de Woody, mergulhada na monotonia) para gerar situações engraçadas, seja através de figuras caricatas (os irmãos Bart e Cole, por exemplo) ou situações absurdas (dois “mascarados” esperando para executar um ataque). Uma história simples, mas com ótimo desenrolar.

Quotação Memorável:

“- Por que você e a mamãe tiveram filhos?
– Porque eu gostava de trepar. E a sua mãe é Católica, então já sabe” – David Grant, Woody Grant

Trapaça | Eric Singer e David O. Russell

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Nos segundos iniciais de Trapaça, um divertido letreiro alerta que “alguns desses eventos até aconteceram mesmo”. Enquanto é difícil identificar o que aconteceu e o que é pura ficção (ou se é tudo ficção, quem sabe), deve-se apontar a bipolaridade presente no texto de David O. Russell e Eric Singer. Sugeri na minha crítica que a dupla teria dividido suas funções, com Russell se dedicando mais à parte de relações pessoais (o que funciona, mas graças ao elenco) e Singer ficando a par dos elementos voltados à golpes, trapaças e dois canos fume… Não, filme errado. No fim, o roteiro de Trapaça comete o erro de tentar complicar sua trama – que é mais simples do que aparenta – e dar voltas, ao repetir frases como “Todo mundo trapaceia para sobreviver” ou diversas outras versões alternativas. O humor e os diálogos são bem acertados, porém.

Quotação Memorável: “Eu sou como um vietcongue. Estou dentro, estou fora, mas você não me vê ali.” – Irving Rosenfeld

  • BAFTA

APOSTA: Ela

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Trapaça

MEU VOTO: Ela

FICOU DE FORA: Short Term 12

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Você provavelmente nunca ouviu falar em Short Term 12, o que é uma pena. A produção indie do novato Destin Cretton é de uma qualidade fantástica, pegando a batida temática de jovens disfuncionais e oferecendo um tratamento poderoso graças à força de seus personagens e a sutileza de suas subtramas. Não está disponível no Brasil, e acho difícil que esteja tão cedo.

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Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, artigos, peças ou desenvolver continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão |John Ridley, baseado no livro “12 Anos de Escravidão” de Solomon Northup

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John Ridley tinha uma extraordinária história de sobrevivência em mãos. A jornada de escravidão de Solomon Northup não é uma história para os fracos de coração, e Ridley certifica-se de manter os elementos mais cruéis e brutais desta, em um retrato que mantém o foco exclusivamente em seus personagens durante os 12 anos do título. O que me chama a atenção, é a construção de seu protagonista: um homem livre desacostumado em obedecer ordens brutas e ser atacado com insultos baixos, o que leva Northup a travar diálogos excepcionalmente bem escritos com seus diferentes mestres – fator que o diferencia dentro do gênero. Toda a execução da narrativa funciona, seja na linha do protagonista ou nas subtramas (como aquela envolvendo o fazendeiro Epps e a escrava Patsey). O roteiro de Ridley é forte.

Quotação Memorável: “Eu não quero sobreviver. Eu quero viver” – Solomon

  • Critics Choice Awards
  • USC Scripter

Antes da Meia-Noite | Julie Delpy, Ethan Hawke e Richard Linklater, baseado nos personagens de Richard Linklater

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Fico triste pela ausência de Antes da Meia-Noite em mais categorias, mas ao menos seu impecável roteiro foi lembrado pela Academia. Escrito por Richard Linklater e preenchido com diversas improvisações de Ethan Hawke e Julie Delpy, a terceira parte da trilogia romântica se diferencia radicalmente dos anteriores por apresentar uma trama mais “sombria”, explorando os problemas de relacionamento entre Jesse e Celine, 18 anos após seu primeiro encontro. Elegantemente destrói a ideia de “felizes para sempre”, contando com as habituais longas conversas teatrais e aqui com mais personagens que obtém tempo de cena. Algo que, se tira o foco do casal por alguns instantes, oferece interessantes paralelos e reflexões a respeito da relação de Jesse e Celine. E outra, eu assistira facilmente ao filme que Jesse elabora brevemente.

Quotação Memorável: “Eu fodi a minha vida toda por causa do jeito que você canta” – Jesse

Capitão Phillips | Billy Ray, baseado no livro “Dever de Capitão” de Richard Phillips

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Paul Greengrass é conhecido por seu desejo de reproduzir fatos reais com fidelidade quase documental (vide seu trabalho excepcional em Voo United 93). Agora, se o roteiro de Billy Ray segue à risca todos os eventos envolvendo o sequestro do Capitão Richard Phillips é outra história, mas o que importa aqui é que seu texto cumpre o serviço; sendo capaz de prender o espectador na história – que se concentra quase que inteiramente na situação de risco do protagonista. O mais interessante, porém, foi a admirável decisão de Ray em apresentar tanto Phillips como o Muse (líder dos piratas) como seres multifacetados: em nenhum momento o líder dos piratas é visto como um vilão arquétipo, nem Phillips (ou a Marinha) como um símbolo de soberania estadunidense (uma bobagem que algumas pessoas conseguiram encontrar no filme). No fim, é o poder do choque sobre um ser humano seguro (e as ações que o despedaçam) que prevalece.

Quotação Memorável: “Eu sou o capitão agora” – Muse

  • WGA – Roteiro Adaptado

O Lobo de Wall Street | Terence Winter, baseado no livro “O Lobo de Wall Street” de Jordan Belfort

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Em cerca de 3 horas de duração, o roteiro do estreante (em cinema) Terrence Winter é eficaz ao reunir diversos eventos importantes da vida do corretor Jordan Belfort. Como leitor do livro, parabenizo Winter pelo ótimo trabalho de adaptação ao tomar liberdades criativas com a história, ao pegar diferentes elementos da história e costurá-los em um único grande evento; causando maior impacto cinematograficamente. Mas adaptações à parte, a prosa de Winter é excepcional ao trazer diálogos inteligentes (a forma delicada de como se desenrola aquele entre Jordan e um agente do FBI é tão empolgante como um duelo de armas de fogo), engraçados e completamente situados no mundo das ações de Wall Street. As digressões de seu protagonista (seja em narrações em off ou em quebras de 4ª parede) são divertidíssimas e envolventes.

Quotação Memorável: “Às vezes quando se vai bancar o vilão de James Bond, precisa estar à altura do papel” – Jordan Belfort

Philomena | Steve Coogan e Jeff Pope, baseado no livro “Philomena: A Mother, Her Son, and a Fifty-Year Search”, de Martin Sixmith

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E mais uma história real (impressionante, não? 6 dos 10 indicados de ambas as categorias são baseados em fatos verídicos) é reconhecida pela Academia, o consistente roteiro de Philomena. Seu grande mérito certamente reside nos diálogos entre os protagonistas, especialmente os divertidos choques de opiniões entre os dois; o que leva o texto de Pope e Coogan a abrir algumas discussões a respeito de religião, a repreensão de instinto sexuais, mídia e uma sombria revelação que coloca em xeque algumas práticas da antiga Igreja Católica. Mas no fim, Philomena agrada pelo tom leve e o eficiente equilíbrio entre humor e drama.

Quotação Memorável: “Nunca estive no México, mas imagino que seja adorável. Com exceção dos sequestros” – Philomena

  • BAFTA
  • Festival de Veneza

APOSTA: 12 Anos de Escravidão

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Capitão Phillips

MEU VOTO: Antes da Meia-Noite

FICOU DE FORA: The Spectacular Now | Scott Neustadter e Michael H. Weber, baseado no livro “The Spectacular Now”, de Tim Tharp

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Ainda sem previsão de lançamento em Home Video no Brasil (no cinema, muito menos), The Spectacular Now passou despercebido por diversas premiações. Uma pena, já que a adaptação de Scott Neustadter e Michael H. Weber (dupla responsável por (500) Dias com Ela) para o romance de Tim Tharp surge como uma das mais honestas, divertidas e bem feitas obras sobre amadurecimento pós-colegial, aquele drama todo. A dupla encontra na complexa figura do protagonista Sutter Keely uma oportunidade de traçar um envolvente estudo de personagem, com uma subtrama amorosa que agrada pela espontaniedade. Assistam.

diretor

Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Alfonso Cuarón | Gravidade

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Assim como James Cameron fez em Avatar, Alfonso Cuarón desenvolveu novas tecnologias e câmeras para contar sua história em Gravidade – costumo brincar ao dizer que este dirigiu o filme numa caixa. Mas atrevo-me a dizer que o resultado alcançado pelo diretor mexicano tenha sido ainda mais fascinante do que aquele visto em 2009: Cuarón aposta em longuíssimos planos sequência onde a câmera passeia pelo ambiente e seus personagens, garantindo uma imersão completa – com belo uso do 3D – dentro da experiência. Em uma premissa limitada (dois astronautas perdidos no espaço), Cuarón realizou um dos filmes mais emocionantes de 2013.

  • DGA
  • BAFTA
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Steve McQueen | 12 Anos de Escravidão

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Responsável pelos excepcionais Hunger e Shame, o britânico Steve McQueen enfim parece ter entrado no radar da Academia com seu pesado e dramático 12 Anos de Escravidão. Seu trabalho ganha força por sua decisão em retratar com visceralidade todos os abusos psicológicos e físicos a que eram submetidos os escravos durante o sombrio período do século XIX, o que faz McQueen apostar em longas tomadas de açoitamentos e agressões (e algumas imagens gráficas). Mas o diretor também é extramamente competente nos quesitos técnicos, mantendo seus habituais longos takes (que aqui geram tensão ou simbolizam sutilmente uma longa passagem de tempo) e um cuidado visual detalhista.

Alexander Payne | Nebraska

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Indicado surpresa da categoria (na teoria, a vaga deveria ser de Paul Greengrass), Alexander Payne é lembrado novamente por seu tragicômico Nebraska. A começar pela decisão do diretor em gravar o filme em preto e branco, o que rendeu um tom absolutamente único para a narrativa, que conta com seu comando de forma contida, mas igualmente efetiva. Payne aposta na lentidão de cenas e diálogos para balancear um humor divertido e diversos subtemas poderosos, sendo explorados por completo meramente por mise em scènes simples ou planos detalhados.

David O. Russell | Trapaça

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Em sua terceira indicação ao Oscar na categoria, por seu terceiro filme consecutivo, David O. Russell já vai assumindo um status invejado em Hollywood. Aprecio seu trabalho, mas sua indicação por Trapaça revela um trabalho muito mais contido e centrado em seu elenco (que, repito mais uma vez, é o grande mérito da produção); não é por acaso que os planos de Russell sejam sempre mais fechados, com raríssimas tomadas abertas e movimentos de câmera que se limitam a circular entre os diálogos dos personagens. Russell aproveita o elenco e, aqui e ali, surge inspirado com algumas tomadas musicais (o destaque aqui fica com “Live and Let Die”), mas nada que eu considere espetacular a ponto de uma indicação.

Martin Scorsese | O Lobo de Wall Street

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Martin Scorsese é um monstro sagrado do Cinema, e aos 71 anos de idade recebe sua 9ª indicação na categoria, pela selvagem e frenética condução de O Lobo de Wall Street. A cinebiografia de Jordan Belfort transporta o diretor para seu território de mestre, um no qual não pisava os pés desde a década de 90, em obras como Os Bons Companheiros e Cassino (sem contar o flerte com o gênero em Os Infiltrados). Aliado de um excelente roteiro, uma poderosa atuação central e sua inseparável montadora, Scorsese traça uma narrativa repleta de elementos dinâmicos (quebra de quarta parede, narrações em off, recortes e até confusões mentais de seu protagonista), humor negro afiado e muita segurança ao abusar do conteúdo de sexo e drogas – mas nunca glorificando seu objeto de estudo. Scorsese como não víamos há tempos.

APOSTA: Alfonso Cuarón

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Steve McQueen

MEU VOTO: Alfonso Cuarón

FICOU DE FORA: Paul Greengrass | Capitão Phillips

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Paul Greengrass, como Tom Hanks, parecia uma aposta certeira para uma vaga no Oscar de direção. É uma pena que Greengrass tenha ficado de fora, já que seu comando no intenso Capitão Phillips é seguro, quase documental e de manter o espectador vidrado na cadeira. Câmera incessante, close ups em seus atores e algumas cenas de ação em alto-mar muito bem executadas.

Menções Honrosas:

Joel e Ethan Coen | Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

Ron Howard | Rush: No Limite da Emoção

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Um homem livre escravizado, um capitão da marinha sequestrado, sistemas operacionais sedutores, astronautas perdidos, corretores da bolsa anárquicos, um pai obcecado com uma fortuna, uma mãe em busca de seu filho e um grupo de golpistas trapaceiros estão entre os indicados a Melhor Filme no Oscar 2014. Vejamos:

12 Anos de Escravidão | Brad Pitt, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Steve McQueen e Anthony Katagas

4.5

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“Excepcional também em seus valores de produção, 12 Anos de Escravidão é uma experiência difícil e pesada. Corajosamente pega um dos gêneros mais delicados do cinema norte-americano e oferece um tratamento visceral e que certamente será lembrado por anos, não só por sua brutalidade, mas também pela força de seu impecável protagonista e o emocionante desfecho de sua dura jornada.”

  • Producers Guild Awards (Empate)
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

Capitão Phillips | Scott Rudin, Dana Brunetti e Michael De Luca

4.5

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Capitão Phillips é intenso do início ao fim, você sabendo ou não o desfecho da história. Tecnicamente impecável e com atuações verossímeis a ponto de nos esquecermos de que isto são apenas imagens fictícias projetadas em tela, Paul Greengrass fez aqui um dos trabalhos mais memoráveis de 2013. Filmaço.”

Clube de Compras Dallas | Robbie Brenner e Rachel Winter

3.5

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“Ao fim, Clube de Compras Dallas é uma história cativante sobre um sujeito interessante, sendo favorecida pelas esforçadas performances de seu elenco principal. O resultado seria melhor com alguns minutos a menos, mas felizmente Matthew Conaughey é bem sucedido ao carregar o filme todo nas costas.”

Ela | Megan Ellison, Spike Jonze e Vincent Landay

4.0

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“Durante suas duas horas de duração, Ela traz conceitos fascinantes e o poder de despertar as mais variadas discussões envoltas em sua narrativa. Seja na presença onipresente de tecnologia ou em sua abordagem moderna e inovadora sobre o Amor, o filme de Spike Jonze é uma obra importante, pontualmente divertida e sensível, que merece múltiplas visitas e análises mais profundas do que uma mera crítica cinematográfica.”

Gravidade | Alfonso Cuarón e David Heyman

4.5

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“Uma das melhores experiências cinematográficas de 2013, Gravidade é uma trama muito intimista e simples narrada com alguns dos recursos mais grandiloquentes que o cinema já viu. Tenso e emocionante a ponto de dar nó na garganta, Gravidade pode ser visto como o 2001: Uma Odisseia no Espaço da nossa geração, pela forma com que retrata o espaço sideral. Algo especial foi criado aqui.”

  • Producers Guild Awards (Empate)
  • Directors Guild Awards
  • BAFTA – Filme Britânico
  • Critics Choice Awards – Ficção Científica

O Lobo de Wall Street | Leonardo DiCaprio, Emma Tillinger Koskoff, Joey McFarland e Martin Scorsese

5.0

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“Com o mais inspirado uso de trilha sonora incidental em sua carreira em anos, O Lobo de Wall Street é uma frenética e implacável tragédia grega do mundo das finanças. Pode muito bem ser considerado o Bons Companheiros do gênero, mais uma fantástica adição para a carreira de Martin Scorsese. E mesmo que alguns tenham a equivocada visão de que o longa glorifica as ações repreensíveis de seu protagonista, basta observar com atenção a última tomada do filme – onde a câmera de Scorsese aponta para as reais vítimas da história. Um trabalho de mestre. Obrigado, Scorsese. Obrigado, Leo.”

Nebraska | Albert Berger e Ron Yerxa

4.0

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“No fim, é interessante observar Nebraska como uma obra sobre a auto-satisfação, mesmo que seja pautada em mentiras. Seja no suposto prêmio do protagonista, que logo desperta interesses alheios, ou em diversos momentos do último ato, o filme de Alexander Payne acerta ao analisar essa temática de forma bem-humorada e até tocante. Mas se a satisfação dos personagens aqui é fraudulenta, a do espectador diante do filme é verdadeiramente genuína.”

Philomena | Gabrielle Tana, Steve Coogan e Tracey Seaward

3.5

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“Mesmo que, aqui e ali, Frears pese a mão para arrancar algumas lágrimas, Philomena é um belo filme que encontra sustento em suas carismáticas performances centrais e o tratamento simples a temas delicados e complexos. Não é uma grande obra que será lembrada durante anos e anos, mas sem dúvidas rende um bom programa.”

Trapaça | Charles Roven, Richard Suckle, Megan Ellison e Jonathan Gordon

3.0

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“No fundo, Trapaça surge mais como uma boa oportunidade de reunir um grande elenco do que uma experiência narrativa concreta, falhando na agridoce elaboração de seu roteiro. Aqui e ali David O. Russell tenta brincar de Scorsese, mas seu grande mérito reside na liberdade que fornece a seu dream team.”

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia
  • SAG – Melhor Elenco
  • Critics Choice Awards – Melhor Comédia

APOSTA: 12 Anos de Escravidão

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Gravidade

MEU VOTO: O Lobo de Wall Street

FICOU DE FORA: Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

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“Servindo como um curioso estudo de personagem que leva seu objeto do nada ao nada, Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum é uma experiência única, proporcionada por duas das maiores mentes do cinema contemporâneo. Seja em sua maestria técnica, narrativa ou em sua vibrante trilha sonora folk, o filme é tragicômico no melhor sentido da palavra.”

Menções Honrosas (porque 2013 foi foda)

Rush: No Limite da Emoção

Short Term 12

Antes da Meia-Noite

Bem, é isso! O Oscar 2014 acontece já nesse domingo de Carnaval (2), então façam suas apostas e voltem aqui para mais cobertura. Até!

| Trapaça | Dream team de David O. Russell salva a brincadeira

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , on 19 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

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Amy Adams, Bradley Cooper, Jeremy Renner (o esquecido), Christian Bale e Jennifer Lawrence

O cinema do diretor David O. Russell vem se tornando muito popular nos últimos anos, especialmente com a aclamada trinca formada por O Vencedor, O Lado Bom da Vida e com o novo Trapaça. Reunindo o melhor dos dois mundos, Russell mesclou os elencos de seus dois últimos trabalhos a fim de conseguir um invejável dream team de atores estelares e, no fim, tudo se resume a isso: as boas performances que carregam o filme todo.

Assinado por Russell e Eric Singer (em seu segundo trabalho no cinema, após Trama Internacional), o roteiro de Trapaça alerta em seus segundos iniciais que “até que alguns dos eventos aconteceram mesmo”, nos apresentando então aos golpistas Irvin Rosenfeld (Christian Bale) e sua amante Sydney Prosser (Amy Adams). O casal segue aplicando golpes internacionais bem-sucedidos até serem interceptados pelo agente do FBI Richie DiMasio (Bradley Cooper), que os obriga a colaborar em um grande esquema envolvendo a exposição de políticos corruptos em troca de sua liberdade.

Uma premissa muito apetitosa, mas que rende um resultado um tanto quanto bipolar. Algo que, curiosamente, se justifica pela aliança dos dois roteiristas: Singer, saído do labiríntico Trama Internacional, certamente foi o responsável por preencher a trama com os conflitos internos e toda a porção envolvendo as operações/golpes exercidos pelos personagens, enquanto Russell inubitavelmente deve ter dado maiores contribuições nos confrontos pessoais (o ponto alto da narrativa) entre os mesmos. O problema é que a dupla insiste em dar voltas e voltas dentro dos esquemas planejados, apostando em narrações em voice over absolutamente descartáveis e que afastam o espectador da trama – quando deveriam fazer justamente o oposto.

Não pude deixar de perceber também a influência da escola de cinema de Martin Scorsese aqui, mas que nem de longe alcançam o feito do diretor de Os Bons Companheiros e do recente O Lobo de Wall Street (agora entendi porque classificaram Russell como “Scorsese Light” nos EUA, um título muito apropriado), falhando ao trazer pequenas digressões temporais que explicitam certos eventos de forma cômica (mas sem timing, como fica explícito na sequência que envolve o personagem de Cooper agredindo um superior) ou nas já mencionadas narrações em off.

As 2 horas de projeção se arrastam, e devemos agradecer à excelente trilha sonora incidental e o entrosamento do elenco pelo resultado decente.

Até Russell saliva com o talento reunido, já que seus planos surgem predominantemente fechados a fim de se concentrar nos atores (sem muitas tomadas abertas, de cenários, etc) e com movimentos de câmera que circulem entre estes à vontade. A surpresa aqui fica por conta de Bradley Cooper (especialmente após sua indicação-surpresa ao Oscar deste ano), que surge muito carismático como o explosivo agente do FBI, provavelmente meu preferido do elenco. Amy Adams está completamente deslumbrante com o decote mais hipnótico da década e um acertado sotaque britânico, enquanto Christian Bale oferece uma caracterização forte e relaxada (reparem em seu tom de voz baixo). Já a queridinha Jennifer Lawrence toma para si todas as (poucas) cenas em que aparece, divertindo na pele de uma dona-de-casa carregada de sotaque de Nova Jersey. E não me esqueço de Jeremy Renner, que agrada como o político bem apessoado Carmine Polito. Todos dignos de reconhecimento.

No fundo, Trapaça surge mais como uma boa oportunidade de reunir um grande elenco do que uma experiência narrativa concreta, falhando na agridoce elaboração de seu roteiro. Aqui e ali David O. Russell tenta brincar de Scorsese, mas seu grande mérito reside na liberdade que fornece a seu espetacular dream team.

Obs: Um ator MUITO famoso tem uma participação divertida (e digna de sua carreira) em meados da projeção.

Obs II: Esta crítica foi escrita após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 18 de Janeiro.

TRAPAÇA terá pré-estreias em São Paulo e Rio de Janeiro neste fim de semana

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , on 15 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Vencedor de 3 Globos de Ouro no último domingo (e com potencial para faturar ainda mais indicações ao Oscar), o novo filme de David O. Russell, Trapaça, terá algumas pré-estreias em São Paulo e Rio de Janeiro neste sábado (18). Ainda não foram divulgados horários de todas as sessões, mas os locais são os seguintes:

SÃO PAULO
CINEMARK CIDADE JARDIM – 21h30
KINOPLEX ITAIM – 23h55
ESPAÇO ITAU FREI CANECA – 21h30
CINÉPOLIS JK IGUATEMI – 23h10

RIO DE JANEIRO
KINOPLEX LEBLON – Sala 4
CINEMARK BOTAFOGO – 23h10
ESPAÇO ITAU BOTAFOGO – Sala 4
CINEPOLIS LAGOON – Sala 5

Trapaça estreia em grande circuito em 7 de Fevereiro.

DIRECTORS GUILD AWARDS 2014: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , on 7 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Importantíssimo prêmio pré-Oscar, o Directors Guild of America divulgou hoje os cinco diretores candidatos a seu prêmio. E são eles:

Alfonso Cuarón | Gravidade

Paul Greengrass | Capitão Phillips

Steve McQueen | 12 Anos de Escravidão

David O. Russell | Trapaça

Martin Scorsese | O Lobo de Wall Street

Bela (e esperada) seleção. A única dúvida ficava em torno da vaga assumida por Scorsese. O DGA anuncia o vencedor em 25 de Janeiro.

O Incógnito Oscar 2013 | Volume IV: Categorias Principais

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

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Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2013! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo (em inglês)

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Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

Amor | Michael Haneke

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Assim como aconteceu com A Separação no ano passado, a indicação de Amor nestas categorias principais automaticamente garante sua vitória em Filme Estrangeiro. Já o texto de Michael Haneke em si, não é meu preferido dentre os indicados… Acho a maior parte dos diálogos monótonos e que raramente trazem temas envolventes (um exemplo raro, é quando vamos percebendo aos poucos a identidade de um ex-aluno), sendo essencialmente cotidianos. O que admiro no roteiro de Haneke são ideias que funcionam melhor visualmente, como a cama de flores ou a genial metáfora da pomba invasora. E, claro, sua chocante reviravolta.

Quotação Memorável:
“- O que você diria se ninguém aparecesse no seu funeral?
– Nada, provavelmente” – Anne, Georges

Django Livre | Quentin Tarantino

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Eu ja disse antes e repito: não há ninguém que seja capaz de escrever diálogos como Quentin Tarantino. Sua investida no gênero de faroeste ( só que aqui, a designação mais apropriada é “farosul”) preserva todos os elementos típicos de sua escrita, desde os longos e caprichados diálogos até os personagens absurdos (como o bandido que cita a Bíblia e cola páginas desta no corpo enquanto chicoteia escravos). É certo que Django Livre é uma narrativa imperfeita, visto que sofre com um leve problema estrutural próximo a seu desfecho – onde a projeção se extende após o tiroteio em Candyland. Mas mesmo assim, o longa merece a vitória graças à habilidade e inteligência de Tarantino na construção dos diálogos, sendo mestre em prolongar as interações entre personagens e trabalhar a ascenção de tensão. Personagens e situações dignos do talento do cineasta, já está bom demais.

Quotação Memorável:Senhores, já tinham minha curiosidade. Mas agora têm minha atenção” – Calvin Candie

  • Globo de Ouro
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards – Roteiro Original

A Hora Mais Escura | Mark Boal

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Mark Boal era um jornalista freelancer antes de se converter a roteirista vencedor do Oscar. E percebe-se a marca de sua profissão anterior aqui, já que o colaborador de Kathryn Bigelow enche A Hora Mais Escura de nomes, eventos e datas; visando um retrato quase que documental da busca por Osama Bin Laden. E ainda assim, certamente há muita ficção aqui, como a teatrilidade que eu pessoalmente duvido que a agente Maya demonstrava (como sua insatisfação ao marcar uma contagem de dias na janela de seu chefe), mas não é nada sensacionalista ou evasivo. Tendo seu final reescrito durante as filmagens, o roteiro do filme traz bons diálogos e situações, mas exausta por sua vasta quantidade de informações.

Quotação Memorável: “Eu sou a ‘motherfucker’ que achou esse lugar, senhor” – Maya

  • WGA – Roteiro Original

Moonrise Kingdom | Wes Anderson e Roman Coppola

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Moonrise Kingdom foi o primeiro filme de Wes Anderson que vi na vida, e acho que a narrativa cômica e quase caricata deve se aplicar à maioria dos trabalhos do diretor/roteirista. Aliado a Roman Coppola (isso mesmo, ele é filho do grande Francis Ford), Anderson traça uma fábula inocente e dócil sobre a própria perda desta; um jovem casal que se apaixona e resolve fugir da cidade, atravessando situações divertidas, simbólicas (o gesto de “furar a orelha”, por exemplo, é revelador) e personagens excêntricos. Não vejo grandes diálogos aqui, mas traz muitas ideias que funcionam visualmente.

Quotação Memorável: “Estarei lá no fundo. Vou procurar uma árvore pra cortar.” – Sr. Bishop

O Voo | John Gatins

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A premissa elaborada por John Gatins em O Voo é muito instigante, e funciona admiravelmente bem na primeira metade da projeção. O problema é que Gatins sente a necessidade de estender a narrativa desnecessariamente, e acaba adicionando elementos comoletamente descartáveis, como a viciada em drogas Nicole. Além disso, o roteirista resolve analisar a fundo o problema de alcoolismo de seu protagonista com uma série de clichês (está lá a velha cena de despejar as bebidas no ralo da pia) que só funcionam graças à performance de Denzel Washington. Se houvessem mais cenas sobre a investigação da perícia (ou apenas elas), seria mais interessante.

Quotação Memorável: “Ninguém poderia ter aterrissado aquele avião como eu. Ninguém” – Whip

FICOU DE FORA: Looper: Assassinos do Futuro | Rian Johnson

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Em uma época em que Hollywood aposta em continuações, adaptações e remakes de tudo quanto é coisa, eis que brota Rian Johnson e oferece uma aventura de ficção científica muito competente na forma de Looper: Assassinos do Futuro. Partindo da criativa premissa em que assassinos são contratados para eliminar alvos do futuro, Johnson explora com eficiência os conceitos e leis desse universo que criou, não se preocupando em oferecer uma explicação mega-científica para realidades alternativas e viagens no tempo. Um bom roteiro, que só peca pela presença desnecessária de poderes telecinéticos…

Quotação Memorável:Eu não quero falar de viagem no tempo, porque se começarmos vamos acabar ficando o dia todo aqui, fazendo diagramas com canudinhos” – Joe do Futuro

APOSTA: Django Livre

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Hora Mais Escura

MEU VOTO: Django Livre

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Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, artigos, peças ou fazer continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

Argo | Chris Terrio, baseado no artigo Escape from Theran: How the CIA used a Fake Sci-Fi Flick to Rescue Americans from Iran de Joshuah Bearman

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Adaptado de um artigo que relata uma história real “que só poderia ser coisa de filme”, o roteiro de Argo deveria ser o sonho de qualquer cineasta. Escrito por Chris Terrio, este faz um ótimo trabalho ao trazer diálogos inteligentes e divertidos (nesse quesito, todas as cenas que envolvem Hollywood), gerando não apenas um eficiente thriller de espionagem, mas também um filme sobre se fazer filmes. Além da inusitada mistura, Terrio ainda traz um tema que se mantém atual e proporciona uma abordagem sem julgamentos pró-EUA. Claro que com um grupo de americanos a serem resgatados no Irã, os árabes recebem um tratamento antagonista, mas nunca chega a ser algo ufanista. E em tempos pós-11 de Setembro e Primavera Árabe, isso já é motivo para parabenizá-lo. Sem falar que criou o bordão mais legal dos últimos anos: “Argofuck yourself!”.

Quotação Memorável: “Se eu vou fazer um filme de mentira, vai ser um sucesso de mentira!” – Lester Siegel

  • WGA – Roteiro Adaptado
  • BAFTA

As Aventuras de Pi | David Magee baseado no livro A Vida de Pi de Yann Martel

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Muitos julgavam Life of Pi de Yann Martel uma obra infilmável (e enquanto termino o livro, reconheço que seja uma adaptação difícil), mas o roteiro de David Magee conseguiu dar conta do recado. Adotando a clássica estrutura do sujeito que compartilha suas histórias fantásticas para um terceiro, tal recurso compensa pela ausência de diálogos e também para envolver melhor o espectador da narrativa – afinal, Pi está nos contando a história. Mas ainda que Magee traga bons momentos de humor e reviravoltas  (a maioria destes na forma de baleias e peixes voadores) em um ambiente limitado, o texto erra no mesmo ponto do livro: a demasiada exposição sobre os conceitos de diversas religiões. Probleminhas à parte, é uma adaptação eficiente e bom entretenimento, conseguindo preservar a bela mensagem sobre o desapego da vida e a presença do simbolismo no embate realidade x ficção.

Quotação Memorável: “Eu acho que no fim, a vida toda torna-se um ato de desapego, mas o que sempre me entristece é não ter um momento para se despedir”. – Pi Patel

Indomável Sonhadora | Lucy Alibar e Benh Zeitlin baseado na peça Juicy and Delicious de Lucy Alibar

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Em breve, texto em progresso!

O Lado Bom da Vida | David O. Russell, baseado no livro The Silver Linnings Playbook de Matthew Quick

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David O. Russell assume a dupla função de diretor e roteirista, e sua habilidade com as palavras e tão formidável como a que este demonstra atrás das câmeras. O diretor adapta o livro de Matthew Quick (que não li, ainda) e oferece um tratamento leve e divertido a temas delicados como transtornos psicológicos e depressão – ambos favorecidos pelos excelentes diálogos entre os carismáticos personagens -, ainda que não os transforme totalmente em uma piada. Do meio pro fim, O Lado Bom da Vida se rende a algumas decisões previsíveis e até a elementos fantásticos (como a presença de “zica” em partidas de futebol americano), mas isso não prejudica por completo o bom trabalho de O. Russell.

Quotação Memorável: É, mande o Ernest Hemingway nos ligar e pedir desculpas também!” – Pat, Sr.

Lincoln | Tony Kushner, baseado parcialmente no livro Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln de Doris Kearns Goodwin

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Já tendo trabalhado com Steven Spielberg em Munique (que também lhe garantiu uma indicação nesta categoria, em 2006), Tony Kushner traz os eventos mais relevantes de Team of Rivals para tratar um perfil dos últimos meses da vida de Abraham Lincoln. O que me incomoda no roteiro de Lincoln é que a narrativa prefere se concentrar nas politicagens e quebra-paus acerca do processo de validação da 13a emenda (e nas práticas maquiavélicas para conseguí-la) do que no homem que nomeia o título. Mesmo que traga bons diálogos nas cenas do Congresso (especialmente as rebatidas de Tommy Lee Jones), é a relação de Lincoln com sua família que me despertou maior interesse, e esta é – infelizmente – pouco explorada.

Quotação Memorável: “Eu poderia escrever sermões mais curtos, mas quando começo tenho preguiça de parar.”

  • Critics Choice Awards – Roteiro Adaptado

FICOU DE FORA: As Vantagens de Ser Invisível | Stephen Chbosky

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É muito interessante quando o autor de um livro sai para adaptar ele próprio sua obra. No caso de Stephen Chbosky, ele não só assina o roteiro de As Vantagens de ser Invisível, mas também a direção do longa; o que lhe da o direito de fazer todas as alterações que bem entender, sem sacrificar a obra original. Na crônica de Charlie e sua entrada no ensino médio, temos aqui diálogos maravilhosos, personagens muito carismáticos e também um tratamento muito delicado e original a temas como abuso sexual, problemas psicológicos e homofobia. Mas mais do que isso, é uma bela história sobre encontrar a si mesmo.

Quotação Memorável: “Nós estamos vivos agora mesmo, e nesse momento eu juro que somos infinitos” – Charlie

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo

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Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Michael Haneke | Amor

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Cineasta de currículo impecável (que conta com Caché, os dois Violência Gratuita e A Fita Branca), é de se espantar que essa seja apenas a primeira indicação de Michael Haneke. Como discuti em minha crítica, o austríaco confere um tom com grande lentidão e calmaria (a ausência de música e a presença de longos planos sem cortes ajudam nesse quesito) ao longo das 2 horas de Amor e isto é essencial para que o clímax funcione tão bem, e destrua toda esse tom como uma bomba atômica. O trabalho de Haneke é muito inteligente, mas requer muita paciência de seu espectador.

Ang Lee | As Aventuras de Pi

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Seguindo os passos de James Cameron e Martin Scorsese, Ang Lee é o novo reconhecido da Academia pelo uso da tecnologia 3D. Não que esta seja algo espetacular, mas o taiwanês traz recursos visuais muito interessantes em sua adaptação de As Aventuras de Pi, como mudar a proporação da imagem – alternando entre 16:9 e 4:3 em momentos chaves – a fim de conferir efeitos tridimensionais que, literalmente, “saltam” da tela. A direção de Ang Lee é criativa e este ajuda a criar uma narrativa competente que se sustenta com lindas imagens.

David O. Russell | O Lado Bom da Vida

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Eu tinha birra com David O. Russell desde sua indicação por O Vencedor, mas agora é tudo water under the bridge após seu trabalho seguro em O Lado Bom da Vida. Sua câmera é habilidosa ao circular todos os personagens em uma cena com diversos movimentos de mão e até bruscos, servindo para salientar ora a tensão, ora o humor (o zoom que este confere a um momento chave é acertadíssimo). Acho particularmente interessante como ele usa o recurso da câmera em primeira pessoa no flashback de Pat, que não só nos coloca na pele do personagem, como também adiciona um elemento de surpresa ao desfecho da cena. Meu trabalho favorito – quem diria – entre os indicados, parabéns sr. Russell.

Steven Spielberg | Lincoln

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De todos os filmes de Steven Spielberg que já vi, Lincoln traz sua direção mais contida. O diretor acerta ao reunir um ótimo elenco e lhes proporcionar um espaço eficiente que lhes permita trabalhar bem (sua câmera é sempre bem fixa e centrada nos intérpretes) e também ao aproveitar seu gordo valor de produção com planos abertos. Não seria justo taxá-lo como “piloto-automático”, já que o diretor cria belos planos que preservam a figura icônica do presidente, mas ainda que saiba como despertar emoções genuínas nos momentos certos (como a aprovação da 13ª emenda), desmerece a vitória por decidir mostrar a morte de Abraham Lincoln de forma melodramática; ainda mais porque poderia ter encerrado o filme minutos antes, com uma bela cena que mostra o protagonista caminhando em direção à luz. Spielberg precisa voltar ao espetáculo.

Benh Zeitlin | Indomável Sonhadora

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Sua estreia na direção de longa-metragens e Benh Zeitlin já garantiu sua primeira indicação Oscar: que belo começo de carreira. Assumindo-se como “essencialmente indie”, o diretor faz uso de uma câmera sempre incessante e com diversos planos e close-ups que retratem a precariedade do ambiente principal de Indomável Sonhadora (preservando com habilidade o ótimo trabalho do design de produção sem recursos grandiloquentes). Mas felizmente Zeitlin não apega-se à melancolia ou a maniqueísmos em tais momentos, conseguindo tirar situações divertidas dos cenários mais improváveis e sobressaindo-se na direção de elenco. Vamos ver se, com seu próximo projeto, não foi sorte de principiante.

FICOU DE FORA: Quentin Tarantino | Django Livre

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Ben Affleck, Kathryn Bigelow e Paul Thomas Anderson foram incríveis ausências nesta categoria. Os três diretores fizeram trabalhos incríveis em seus respectivos filmes, mas senti mais ainda a falta de Quentin Tarantino entre os 5 indicados, já que seu comando no faroeste (sul) de Django Livre é excelente. Cheio de referências e jogadas visuais, o diretor homenageia uma série de filmes do gênero (e também de outros, como Taxi Driver e … E o Vento Levou) e utiliza de um recurso de câmera divertidíssimo: o zoom rápido. Além de manter a narrativa sempre divertida, Tarantino também separa com inteligência a “violencia cômica” da “violência séria” ao alternar a forma com que retrata ambas. Não é o melhor trabalho do diretor, mas nada menos do que digno de indicação.

APOSTA: Steven Spielberg

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ang Lee

MEU VOTO: David O. Russell

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Um casal de idosos testando seu amor, espiões cinéfilos, um indiano náufrago, um escravo recém-libertado, uma agente obcecada, uma jovem sonhadora, um popular presidente americano e um grupo de miseráveis cantores estão entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano. Vejamos:

Amor

4.0

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“Então o filme só para idosos? Não, mas requer uma experiência de vida (especialmente àquelas baseadas no sentimento-título) que um jovem à beira da maioridade ainda desconhece por completo. Fui comovido pelas ótimas performances de seu elenco e pelo tratamento que Michael Haneke fornece ao longa, mas acho que levará alguns anos para Amor me acertar em cheio.” Crítica Completa

  • Palma de Ouro – Festival de Cannes
  • Globo de Ouro – Filme Estrangeiro
  • BAFTA – Filme Estrangeiro
  • Critics Choice Awards – Filme Estrangeiro

Argo

4.5

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“Um filme sobre um resgate americano em território iraniano renderia uma propaganda ufanista e exagerada nas mãos de um diretor “Michaelbayano”, mas o diretor-ator merece aplausos por apresentar uma relativa neutralidade diante da questão abordada – questionando tanto a incapacibilidade da CIA diante do sequestro quanto a violência executada pelos revolucionários. Argo é uma ótima dramatização de um inusitado capítulo da história da CIA, tratando seus temas de forma aprofundada e acessível, além de mostrar que Ben Affleck não é só um bom diretor, mas sim um ótimo cineasta.” Crítica Completa

  • Producers Guild Awards
  • Globo de Ouro – Drama
  • Directors Guild Awards
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

As Aventuras de Pi

4.0

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“Competente em seu ritmo de narração e interação entre a história contada e aqueles que contam a mesma (no caso, o ótimo Irrfan Khan), As Aventuras de Pi é uma linda realização visual e também uma bela mensagem sobre o desapego da vida. Não o achei poderoso em suas manifestações divinas, mas entre o caminho racional e o fantástico proposto pelo protagonista e pelo pai deste, fico com “a do tigre”.” Crítica Completa

Django Livre

4.5

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“Movendo-se com um bom ritmo até uma conclusão um tanto exagerada, Django Livre é mais um ótimo trabalho de Quentin Tarantino, e ainda que não alcance a perfeição de Bastardos Inglórios ou Pulp Fiction, comprova a facilidade do diretor em navegar com seu estilo único através de diferentes gêneros. Vejamos o que ele vai aprontar a seguir…” Crítica Completa

A Hora Mais Escura

4.0

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“Não tenho dúvidas de que há muita ficção em A Hora Mais Escura. Mas mesmo que alguns fatos apresentados tragam uma veracidade questionável, funcionam eficientemente bem como peça de entretenimento e não do tipo que vangloria uma nação. Ao invés de comemorar euforicamente a morte de Osama Bin Laden, o filme traz de volta a questão Maquiavélica e ainda deixa no ar uma ainda mais complexa: ” e agora?” A reação ambígua de Maya, que com olhos lacrimejados e a noção de que havia concluído uma tarefa que lhe custara 12 anos de sua vida, é a prova de que o filme vai além de sua proposta.” Crítica Completa

Indomável Sonhadora

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Com diversas passagens protagonizadas por criaturas pré-históricas que marcam presença simbólica (creio eu), Indomável Sonhadora explora de forma criativa e apropriada a relação de “causa e efeito” dentro de um ecossistema, enfatizando como cada pequeno elemento pode gerar consequências devastadoras, e também como as relações familiares podem ser comparadas com tal. É o grande indie da temporada de prêmios.

O Lado Bom da Vida

4.0

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“Com uma admirável química entre os dois protagonistas e um ritmo eficiente que fazem as 2 horas de filme parecerem minutos, O Lado Bom da Vida só peca ao recorrer a clichês típicos do gênero em sua conclusão (como uma série de coincidências e elementos supersticiosos). Mas como o próprio Pat diz ao reclamar de Adeus às Armas de Hemingway: ‘a vida já é dura como é, seria pedir demais por um final feliz?’ No caso deste belo filme, é aceitável.”  Crítica Completa

Lincoln

3.0

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“Em um de seus trabalhos mais contidos e livres de maneirismos (não que isso seja uma qualidade aqui) Steven Spielberg faz de Lincoln uma aula de História americana de quase três horas. Mas mesmo com valores de produção e elenco espetaculares, o “professor” carece de um bom material didático que nos ajude a entender melhor o Lincoln Homem, e restringe seu maior impacto emocional ao povo americano.” Crítica Completa

Os Miseráveis

3.5

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“Com 168 minutos que se movem com notável lentidão, Os Miseráveis apresenta uma ótima história e um elenco espetacular, mas que é ofuscada em meio ao excesso de canções. O novo método escolhido por Tom Hooper favoreceu aos intérpretes, que dão o seu melhor em apresentações intensas, mas rendeu uma experiência difícil de se acompanhar. Nas palavras do comediante Jerry Seinfeld: ‘Não gosto desses musicais, não entendo por que cantar, quem canta? Se tem alguma coisa pra dizer, diga!'” Crítica Completa

  • Globo de Ouro – Musical/Comédia

FICOU DE FORA: O Mestre

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“Pontuado nos momentos certos pela abstrata trilha sonora de Jonny Greenwood, O Mestre é uma obra poderosa que consegue expandir sua premissa a níveis universais, sobre o Homem questionando o papel de um líder ou de uma organização; e como estes podem alterar seus instintos mais básicos. Desculpem pelo trocadilho, mas é um trabalho de Mestre.” Crítica Completa

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo ou Django Livre

Bem, esse foi o especial Oscar 2013, não esqueçam de fazerem suas apostas. E só pra lembrar, no dia da cerimônia (domingo, 24) estarei aqui comentando o evento ao vivo, então apareçam!

| O Lado Bom da Vida | Bradley Cooper e Jennifer Lawrence o farão acreditar nos clichês

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2013, Drama, Indicados ao Oscar, Romance with tags , , , , , , , , , , , on 6 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

4.0


Os incríveis Jennifer Lawrence e Bradley Cooper

O Lado Bom da Vida tem muito clichês em suas duas horas de duração e já podemos adivinhar seu desfecho por simplesmente olhar um pôster ou trailer do filme. Mas quando é feito de forma tão original e orquestrada com maestria por uma direção acertada, roteiro inteligente e um elenco espetacular, como não resistir?

Adaptada do livro homônimo de Matthew Quick A trama gira em torno de Pat (Bradley Cooper), que é internado em uma instituição psiquiátrica após agredir gravemente o homem com quem sua esposa Nikki o estava traindo. Quando consegue a liberdade, volta para a casa dos pais e começa um plano para reconquistar Nikki, só que no percurso ele conhece a excêntrica Tiffany (Jennifer Lawrence), com quem se compromete a ajudar para um concurso de dança em troca de uma chance de reencontrar sua esposa.

Depois de ter sido indicado ao Oscar por O Vencedor em 2011, David O. Russell enfim me satisfaz completamente e comprova seu talento por trás das câmeras. E de um drama de boxe até uma “dramédia romântica”, é de se admirar a brusca mudança e me impressionei com a segura direção de O. Russell, que passeia com a câmera na mão pelo elenco, utiliza de zooms nos momentos certos (como a ótima cena em que o protagonista descobre algo fundamental sobre uma carta, por exemplo) e até de uma dinâmica cena em primeira pessoa em um flashback, que – sendo colocada em determinado momento da narrativa – ao aplicar tal recurso, torna-se ainda mais surpreendente.

Tal dinâmica vai se mantendo durante a projeção e a montagem habilidosa de Jay Cassidy e Crispin Struthers garante um ritmo formidável ao filme, fornecendo economia às cenas de passagem no tempo (como as rápidas leituras de Pat, que abre certo livro e cortes depois já o vemos fechando e atirando-o de uma janela) e velocidade nas cenas de dança, sem torná-las incompreensíveis ao exagerar na “picotagem” e manter sua fluidez.

Famoso por seu Phil em Se Beber, Não Case! Bradley Cooper rapidamente foi ascendendo em sua carreira como ator, e agora surpreende com sua incrível carga dramática, ainda que preserve – com inteligência – grande porção de seu carisma cômico. Encarnando um sujeito diagnosticado com bipolaridade, é notável ver a naturalidade do ator em mudar repentinamente de humor, seja para garantir um efeito divertido, como quando sua raiva subitamente transforma-se em alegria ao ter sua forma física elogiada por outro personagem, ou para chocar, onde a simples busca de um vídeo pelo personagem resulta neste agredindo os pais (o ótimo Robert DeNiro e a simpática Jacki Weaver).

Mas quem de fato rouba a cena é a irresistível Jennifer Lawrence, favorita ao Oscar de Melhor Atriz deste ano. Em uma performance cheia de nuances (suas expressões de raiva, e uma risada irônica em certo momento, são soberbas), Lawrence acerta ao exibir a notoriedade de Tiffany e também sua força (algo que já havia feito muitíssimo bem em Jogos Vorazes) o que torna a personagem praticamente invulnerável emocionante. E quando o roteiro vai se aprofundando em sua alma, percebemos sua humanidade (e sentimentos ocultos) a atriz assume essas características com a mesma dedicação, em um trabalho memorável.

Com uma admirável química entre os dois protagonistas e um ritmo eficiente que fazem as 2 horas de filme parecerem minutos, O Lado Bom da Vida só peca ao recorrer a clichês típicos do gênero em sua conclusão (como uma série de coincidências e elementos supersticiosos). Mas como o próprio Pat diz ao reclamar de Adeus às Armas de Hemingway: “a vida já é dura como é, seria pedir demais por um final feliz?”

No caso deste belo filme, é aceitável.