Arquivo para dev patel

| Chappie | Crítica

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2015, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , on 17 de abril de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

Chappie
Sharlto Copley é Chappie

Quando Neill Blomkamp anuncia que Chappie será protagonizado por um robô, não é uma grande surpresa. Em Distrito 9, a tecnologia já se manifestava na forma daquelas armaduras robóticas, enquanto Elysium já trazia seguranças androides em plena atividade no planeta. Não me espantaria se Blomkamp revelasse que os três filmes se passam no mesmo universo sul-africano

A trama parte de um conceito original de Blomkamp com Terri Tatchell (com quem escreveu Distrito 9), situando-se numa 2016 que vai se adaptando ao uso de robôs policiais no combate ao crime. Com a tremenda aceitação popular, o cientista Deon Wilson (Dev Patel) trabalha uma maneira de criar uma autêntica inteligência artificial, capaz de pensar e sentir. O resultado é o androide Chappie (Sharlto Copley), que acaba sendo roubado por um grupo marginal – que por sua vez, precisa quitar uma dívida com um bandidão -, ao mesmo tempo em que um competidor da mesma empresa (Hugh Jackman) tenta sabotar seu experimento.

Pela premissa acima, já da pra matar de cara um dos problemas de Blomkamp que retorna em Chappie: excesso. Não chega a ser bagunçado como em Elysium, mas o roteiro aqui realmente se sairia melhor sem alguns elementos narrativos. O filme começa maravilhosamente bem, quando concentra-se no “nascimento” de Chappie e sua genial aprendizagem, que rende ótimos momentos com Sharlto Copley praticamente invisível ali no processo de motion capture, mas 100% capaz de criar uma figura emotiva e realista (os efeitos visuais certeiros também ajudam). O humor funciona muitíssimo bem, já que os sequestradores tentam transformá-lo num robô “gangsta”, adotando gírias e trejeitos típicos.

De maneira similar, Hugh Jackman consegue criar um antagonista que passa longe de ser unidimensional, mesmo que o visual zookeeper com mullet e o fato deste carregar uma bola de futebol no escritório (jockey vs nerd, a eterna luta). Seu Vincent Moore é ambicioso e cruel, mas é impossível não perceber uma tristeza no olhar do personagem por sua invenção ser substituída pela do protagonista Deon, o que de certa forma faz com que o espectador entenda sua fúria e frustração. Quem não tem a mesma sorte é Sigourney Weaver, novamente reduzida a um papel simplista (lembram dela em Êxodo? Tipo assim) que não lhe permite explorar suas habilidades.

E mesmo que sejam atores ruins, os músicos Ninja e Yo-Landi Visse (que intepretam uma versão mais cartunesca de si próprios) rendem ótimos momentos com Chappie, principalmente pelo carisma do personagem e sua inocência absolutamente simpatizante: é fácil sentir pena e compaixão pela máquina, e Blomkamp explora bem esses momentos. Tudo bem que aqui e ali ele exagera na câmera lenta (um vício que se iniciou em Elysium, e rende aqui momentos realmente vergonhosos), mas nada que prejudique totalmente o resultado final. Vale apontar também a vibrante trilha sonora eletrônica de Hans Zimmer, que oferece mais uma chance para que o compositor experimente novos estilos.

O problema é a necessidade de transformar o longa em ação. Estava funcionando muito bem como um drama sci fi que abordava questões interessantes, como a confusão de Chappie ao se deparar com violência, mentiras e traições por parte da raça humana, e da curiosa relação com seu “criador”. No terceiro ato, arma-se um clímax estranhamente parecido com Robocop – O Policial do Futuro (com direito a um robô descaradamente copiado do ED 209) e que consegue ficar pior quando o protagonista apela a um recurso absurdo e sem muito desenvolvimento para amarrar as pontas finais (e outras simplesmente ficam sem solução, como um destrutivo tumulto que se iniciara). Sem querer detalhar demais, apenas imaginem uma mistura louca de Avatar com Transcendence – A Revolução. Um conceito fascinante, mas que é reduzido a um recurso simplista e que, no fim, não faz o menor sentido em relação ao destino de um dos personagens…

Chappie é um filme eficiente e que traz boas ideias e um ritmo agradável, mesmo com suas 2 horas, mas que quase sacrifica tudo com uma conclusão absurda e pouco satisfatória. Porém, seu protagonista radiante faz valer a visita.

Anúncios

Confira o primeiro trailer de CHAPPIE

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 4 de novembro de 2014 by Lucas Nascimento

chappie_b1

Depois de um apartheid alienígena com Distrito 9 e uma divisão espacial de classes sociais em Elysium, o diretor Neil Blomkamp retorna com mais uma ficção científica de cunho político/social. Dessa vez, é com Chappie, que é centrado em um robô com sentimentos. O elenco traz Sharlto Copley, Hugh Jackman e Dev Patel.

Confira:

Chappie estreia nos EUA em 6 de Março de 2015.

| O Último Mestre do Ar | Shyamalan no ápice do ridículo

Posted in Aventura, Cinema, Comédia, Críticas de 2010 with tags , , , , , , , , , , , , on 21 de agosto de 2010 by Lucas Nascimento

  Atenção: Nada de alienígenas ou seres azuis nesse filme!

Nunca me interessou muito o desenho animado da Nickelodeon Avatar – A Lenda de Aang. Depois de conferir a adaptção feita por M. Night Shyamalan, estou ainda menos interessado; o espectador é apresentado a uma mitologia pobre e desinteressante de personagens e criaturas (fãs do desenho que me perdoem), diálogos risíveis e atuações horrorosas. Não há nada, além de efeitos visuais estilosos, que preste.

Em pouco menos de 15 minutos, o espectador recebe uma quantidade absurda de informações, algumas ridículas e outras simplesmente muito confusas. Fui informado de que o longa adapta a primeira temporada inteira da série animada, em apenas 1:30h de projeção. Ao decorrer da história, a narrativa apressada e o apego inexistente entre os personagens, – seja com a plateia ou dentro da trama – prevalecem de maneira constante.

O roteiro fraco não é o único culpado pelo trabalho pobre com a caracterização dos personagens; seus intérpretes são tão ruins, que nem considero muito em comentar suas performances. Basta dizer que Dev Patel (o Jamal de Quem quer ser um Milionário?) está razoável quando não faz caretas e o protagonista Noah Ringer é o completo anti-charme e inexpressivo até mesmo nas cenas de luta, que só são interessantes pelo uso de bons efeitos visuais.

Não há nenhum suspense ou mistério digno do diretor – aquela estranheza tradicional de seus trabalhos – , nem qualquer tipo de grandiosidade; gostei das paisagens geladas do pólo sul, mas nem cenários nem seu clímax patético empolgam. Como é costume em todo blockbuster atualmente, há um gancho para uma sequência que, felizmente, pode não acontecer devido a seu resultado medíocre nas bilheterias.

Ao que parece, Shyamalan estava no fundo do poço depois de uma sucessão de fracassos. Foi lhe jogado uma corda, que poderia fazê-lo subir novamente, mas, numa tentativa desesperada de escape, ele acabou por usá-la para cavar um buraco e descer mais fundo ainda.