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| A Morte do Demônio | Um remake para a saudosistas e novatos agradar

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Terror with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 19 de abril de 2013 by Lucas Nascimento

4.0

EvilDead
I’m singing in the… Wait! A jovem Mia encara uma chuva de sangue

Acho remakes muito interessantes, ainda que majoritariamente desnecessários. Quando Hollywood resolve recontar uma história imortalizada décadas atrás, adaptando-a para um público moderno, é muito comum que o resultado não capture a essência do longa original – e desvalorize seus feitos técnicos ao trazer um excesso de efeitos computadorizados em sua nova versão. Felizmente, o uruguaio Fede Alvarez compreende o que tornou o Evil Dead de Sam Raimi especial e faz de A Morte do Demônio um dos mais estimulantes remakes já feitos.

A trama mantém a premissa do filme de 1981, mas oferece mudanças que contribuem de forma genial ao desenrolar da narrativa. Agora temos um grupo de 5 amigos que se hospeda em uma cabana na floresta, buscando não a diversão, mas sim um auxílio ao processo de desintoxicação de drogas de um deles (expurgar os “demônios interiores”, irônico). Enquanto exploram o local e seus cômodos ocultos, encontram um sinistro livro que acaba despertando espíritos demoníacos que vão possuindo um a um os jovens.

Parte do sucesso deste novo A Morte do Demônio deve-se ao fato de os produtores do original (incluindo seu diretor e astro, Sam Raimi e Bruce Campbell) estarem envolvidos de perto no desenvolvimento do projeto. Alvarez remete ao longa de Raimi com maneirismos elegantes, como ao trazer gravações de áudio (atenção à cena do “One by one, we will take you!”) do primeiro filme e reproduzir nos momentos apropriados a marcante câmera em primeira pessoa avançando rapidamente pela floresta. Estão lá também as motosserras, os colares cujas correntes assumem a forma de um crânio e mais inúmeras pequenas referências que certamente agradarão os saudosistas.

Mas se fosse para simplesmente copiar o filme que já assistimos, a versão de 2013 não valeria o ingresso. Em sua estreia como diretor de longa metragens, Fede Alvarez revela bom olho para tomadas criativas (e a fotografia de Aaron Morton é impecável ao retratar ambientes escuros com limitadas fontes de luz e os planos cobertos por uma névoa acertadamente sinistra) e também evita os sustos mais clichês: há diversas cenas em que o usual jump scare poderia ser utilizado para provocar a platéia, mas o diretor prefere manter-se à tensão, exacerbada com habilidade pela trilha sonora de Roque Baños (que oferece um ótimo efeito sonoro de intensidade crescente, semelhante a um alarme). Por tal motivo, o longa não é de se assustar muito, e opta por chocar o espectador com litros e litros de sangue, que são jogados sem piedade em diversas mutilações, vômitos e até mesmo uma curiosa “chuva” do líquido. Importante ressaltar que o diretor fez considerável uso de efeitos práticos, muito mais impactantes do que imagens computadorizadas.

Como havia escrito no segundo parágrafo, o longa traz mudanças na história que surpreendem por sua eficiência. Todo o núcleo da viciada em drogas Mia (a adorável Jane Levy) é perfeitamente inserido dentro do contexto sobrenatural, já que as experiências iniciais da jovem com os demônios e árvores violentadoras são vistos por seus colegas como “um efeito colateral da abstinência desta”, um argumento que soa muito menos clichê do que a presença do ceticismo. No entanto, se acerta nessa inspirada transposição, o texto de Rodo Sayagues e do próprio Alvarez (além de uma revisão não creditada de Diablo Cody) erra ao nem tentar nos fazer importar com os vazios coadjuvantes e ao oferecer uma solução absurda para o destino de um dos personagens – que soa algo do tipo “por que demoraram tanto tempo para tentar isso?”

Contando ainda com um desfecho que abraça a alma trash da franquia, A Morte do Demônio é um remake que tem potencial para agradar tanto aos fãs do original, quanto à nova geração. O resultado aqui é tão inventivo que até oferece possíveis formas de conectar este filme com a trilogia de Sam Raimi. Fique de olho.

Obs: Durante e após os créditos finais, há dois elementos-chave do filme original que vão trazer um enorme sorriso aos fãs da série. Mas aos não-adeptos, será apenas WTF.

Obs II: Durante minha sessão no shopping Bourbon da Pompeia, a cópia do filme apresentou um defeito vergonhoso que mudou o áudio da fita de legendado para dublado. Permaneceu assim por cerca de 10-15 minutos e depois retornou ao formato original. Uma exibição com erro desse tipo é uma ofensa para aqueles que pagam ingresso para assistir o filme da forma desejada. Espero sinceramente que a falha tenha sido reparada.

Read this review in english here.

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Groovy Business | Especial A MORTE DO DEMÔNIO

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de abril de 2013 by Lucas Nascimento

Groovy Business | Especial A MORTE DO DEMÔNIO

Preparem-se adoradores da trasheira! A Morte do Demônio, remake para o cult clássico de Sam Raimi enfim estreia no Brasil. Preparei aqui um breve especial (eu teria aprofundado-o, não fosse meu computador rebelar-se contra mim) com algumas informações sobre o novo filme e também uma revisitada na trilogia original. Confira:

POR TRÁS

DA

SANGUEIRA

O novo filme é uma continuação?

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Não… E sim. Trata-se de um remake do primeiro filme da trilogia de Sam Raimi, onde um grupo de 5 amigos resolve passar um fim de semana em uma cabana abondanada na floresta. Ao explorar o local, descobrem um sinistro livro que acaba libertando espíritos demoníacos que possuem um a um os integrantes. No entanto, o diretor Fede Alvarez não descarta a possibilidade de seu novo filme ser, de fato, uma continuação que se ambienta 30 anos depois do original. De acordo com ele, o único problema nessa definição seria na semelhança dos eventos entre um filme e outro; mas que veria a solução nos poderes sobrenaturais do Livro dos Mortos. Uma “Remaquência”, então?

Quem são os envolvidos?

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A Sony Pictures já planejava trazer Evil Dead de volta aos cinemas há muito. Com um roteiro que passou por algumas revisões (a última delas, pela oscarizada Diablo Cody) e a presença do diretor Sam Raimi e do ator Bruce Campbell (dupla da trilogia original) na produção, o remake optou por um diretor novato. O escolhido foi o uruguaio Fede Alvarez, que também colaborou no roteiro ao lado de Rodo Sayagues.

Quais serão as diferenças principais entre o remake e o original?

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Primeiramente, é importante reparar no tom. Levando em consideração apenas os trailers e clipes divulgados, já se percebe a intenção de produzir um longa muito mais assustador que o de 1981 – que flertava com o humor constantemente, e o abraçou em suas duas continuações . Vale notar também a ausência do herói da trilogia original: Ash Williams, que foi vivido pelo amigo e colaborador de Sam Raimi, Bruce Campbell. O ator explicou que os produtores resolveram deixar seu personagem de fora por considerá-lo “único”, não sendo justo substituí-lo por outro. Em seu lugar, entra o núcleo da viciada em drogas Mia.

Com o avanço da tecnologia em Hollywood, é de se esperar muito CG no filme?

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É a pergunta (e até mesmo preocupação) que passa pela cabeça de todo fã gore. Felizmente, Fede Alvarez afirmou que efeitos digitais tiveram o mínimo possível de uso durante a produção, que contou litros e litros de sangue falso, maquiagens e até mesmo truques de ilusionismo.

O que é o Livro dos Mortos encontrado pelos protagonistas?

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É difícil dizer se o novo filme vai manter a mitologia do original, mas de acordo com esta, o Livro dos Mortos (ou Necronomicon Ex mortis em sua língua nativa) é uma coleção de encantos e rituais que tem o poder de abrir portais na Terra para a entrada e saída demônios de uma ordem conhecida como Canda. Feito de pele humana e escrito com sangue, o livro teria desaparecido em meados de 1300 D.C. – para depois ser encontrado por um arqueólogo que o levou para estudar na tal cabana.

O novo A Morte do Demônio iniciará uma trilogia?

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Como toda produção que se é feita atualmente, continuações sempre estão nos planos do estúdio. Com A Morte do Demônio tendo dobrado seu custo de produção em apenas um fim de semana (o longa foi “barato”, 14 milhões de dólares), é quase certo que a Sony dê um sinal verde para a sequência. No entanto, Fede Alvarez – que já trabalha no roteiro – disse que trilhará novos caminhos, e que Uma Noite Alucinante (a continuação do filme original) não será uma fonte de inspiração. Isso quer dizer que não veremos a Idade Média novamente?

Sam Raimi vai, ou não, fazer Evil Dead 4?

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Excelente pergunta. Até o lançamento de Oz: Mágico e Poderoso, Sam Raimi já deixava claro sua vontade de retornar à franquia que o consagrou e decolou sua carreira em Hollywood. As últimas declarações do diretor não confirmavam a realização do projeto, mas que ele e seu irmão Ted estariam “bolando ideias” para um novo Evil Dead. Bruce Campbell disse que participaria de qualquer coisa que Raimi faria e até brincou (?) ao sugerir que poderia ser Army of Darkness 2 (que nos levaria novamente à Idade Média do terceiro filme). Houve até mesmo a discussão sobre um possível crossover entre as duas franquias, com as histórias de Ash e Mia se encontrando. Groovy…

É verdade que o filme teve que ser cortado?

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Todo filme passa por inúmeros cortes antes de se alcançar seu resultado final, então não é nada demais dizer que A Morte do Demônio teve alterações antes de seu lançamento. O interessante nesse quesito, é que o filme era MUITO sangrento e chegou a receber uma classificação NC-17 (a mais alta dos EUA, que até faz a maioria dos cinemas evitarem exibições de filmes taxados com essa censura). Obviamente, um filme assim não daria lucro, então este sofreu ajustes para conseguir uma classificação R. Mas ele ainda será para maiores de 18 anos aqui no Brasil.

PERSONAGENS

O sangue novo (que logo será jorrado…) de Evil Dead:

Mia | Jeny Levy

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Principal núcleo do novo filme, Mia é uma viciada em ópio que enfrenta um tratamento. A fim de se livrar do vício, ela e um grupo de amigos se isolam em uma cabana na floresta. Como os trailers já entregaram, é ela quem sofre mais influência dos espíritos libertados.

David | Shiloh Fernandez

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Irmão de Mia, David tem uma relação conturbada com esta e, sua presença na cabana é uma surpresa para a jovem. Difícil dizer mais coisas, mas ele parece ser o equivalente ao Ash desse filme (já que aparece nos trailers e fotos divulgados portando a icônica motosserra).

Eric | Lou Taylor Pucci

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Amigo de Mia, trabalha como professor em um colégio. Provavelmente pela busca por sabedoria que seu ofício provoca (aposto que é professor de História, hehe), ele encontra o Livro dos Mortos na cabana e acaba por pronunciar as palavras que despertarão os demônios.

Olivia | Jessica Lucas

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Namorada de David, Olivia trabalha como enfermeira. Faz sentido ter uma praticante da Medicina quando isolado numa cabana com demônios, certo?

Natalie | Elizabeth Blackmore

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Natalie é namorada de David, trabalhando na loja de autopeças deste. Será que ela vai ganhar um colar de presente? (Entendedores entenderão).

A TRILOGIA

ORIGINAL

Uma revisada pelos três filmes da franquia original:

(Ignorem a lambança que as distribuidoras fizeram com a numeração…)

The Evil Dead – A Morte do Demônio (1981)

4.0

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A estreia de Sam Raimi na direção de longa metragens inaugura o subgênero de “cabana na floresta sinistra”. Com orçamento limitado e uma simplicidade ímpar em seu roteiro, Evil Dead é uma experiência envolvente por nos permitir observar as diferentes escolhas de Raimi como cineasta: desde seus posicionamentos e movimentos de câmera até as maquiagens trash dos demônios. Eu, como cineasta amador, fiquei encantado com o resultado.

Uma Noite Alucinante (1987)

4.0

evildead2

Com mais dinheiro e confiança do estúdio, Sam Raimi extrapola (realmente, EXTRAPOLA) todos os elementos do original para gerar uma das melhores sequências de todos os tempos. Repetindo a estrutura da cabana, Uma Noite Alucinante transforma-se em uma impressionante mistura de humor e terror, trazendo maquiagens ainda mais cartunescas e apostando na figura de Bruce Campbell como um herói de ação (decisão mais acertada da franquia), o filme enfim se supera ao trazer um gancho surpreendente para a continuação.

Uma Noite Alucinante 3 (1992)

3.5

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Partindo do incrível desfecho do anterior (que me fez lembrar um pouco a fórmula do terceiro De Volta para o Futuro), Uma Noite Alucinante 3 mostra o herói Ash voltando no tempo e enfrentando demônios em 1300 DC. Ainda que fuja radicalmente da proposta dos outros filmes, o longa diverte graças à exagerada performance de Bruce Campbell (sem falar de seus bordões, que deixariam Schwarzenegger com inveja) e os novos conceitos que Raimi apresenta aqui. Não fosse sua conclusão apressada, receberia a mesma nota dos outros filmes.

Bem, foi um especial curto mas espero que tenha servido como “esquenta” para a estreia de A Morte do Demônio, que estreia na próxima sexta-feira. Não deixe de conferir a crítica aqui, até!

| Jovens Adultos | Diablo Cody at her best

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2012, Drama with tags , , , , , , , , , on 8 de abril de 2012 by Lucas Nascimento


Charlize Theron é Mavis Gray, a nova pérola de Diablo Cody

Jovens adultos, adultos jovens, crianças maduras… Pode parecer clichê realizar um filme sobre um tema castigado por comédias familiares e com um apelo meramente comercial (Grande Menina, Pequena Mulher, lembra desse? Nem eu). O que faz Jovens Adultos tão diferente é o ótimo roteiro de Diablo Cody, novamente em colaboração com o diretor Jason Reitman – repetindo a bem-sucedida parceria de Juno.

A trama, de estrutura e tema muito tradicionais, nos apresenta à Mavis Gray (Charlize Theron), uma ghost writer (escritora fantasma, como naquele recente filme de Roman Polanski) desleixada e muito peculiar. Quando recebe um e-mail de seu ex-namorado, ela resolve retornar para sua antiga cidade e reconquistá-lo, mesmo o sujeito estando casado e com uma filha recém-nascida.

É  confortante ver Diablo Cody de volta a boa forma. Depois do irregular Garota Infernal, a roteirista reúne aqui alguns elementos que tornaram sua estreia no cinema tão marcante, especialmente pela presença de uma personagem central carismática e requintada. Ela está na forma de Mavis Gray, exatamente o oposto de Juno McGuffin – enquanto a colegial surpreendida por uma gravidez acidental é madura e quase independente, a escritora de Jovens Adultos é carente e com dificuldade para amadurecer – mas ainda assim, tão interessante e divertida quanto a  interpretada por Ellen Page.

Mas seria incorreto rotular Mavis como “imatura”. Ela é mais complexa do que isso, e a ótima performance de Theron torna a personagem convincente e realista. Suas manias ajudam a entender seus sentimentos, que eu enxergo como uma crise nostálgica regada com solidão. Gray é alguém com quem eu pude me identificar bastante: ela abraça o passado – é irônico como ela se esconde atrás da personagem do livro que escreve, uma adolescente colegial -, esforça-se para manter sua chama acesa (vide sua desesperada tentativa de estragar o casamento de seu ex-namorado, vivido muitíssimo bem por Patrick Wilson) e evita a possibilidade de um futuro melhor do que seus “tempos no auge”. Cody trabalha muito bem essa temática e cria bons diálogos (“É mesmo, o seu armário ficava ali”), a passo que o diretor Jason Reitman mostra-se bem contido atrás das câmeras – ainda que a trilha sonora indie, sua obrigatória assinatura, esteja presente.

Contando também com o memorável Patton Oswalt, que rouba a cena como o nerd Matt Freehaulf, Jovens Adultos é um belo estudo de personagem que apresenta uma curiosa mistura de drama e comédia, abordando eficientemente temas e situações delicados com originalidade. E mesmo que tenha demorado cinco anos, e que um filme mediano tenha aparecido no caminho, mostra que o trabalho de Diablo Cody em Juno não foi sorte de principiante.

Esse é Mesmo o Oscar 2012? | VOLUME IV: Categorias Principais

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2012! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

O Artista | Michel Hazanavicius

Assumindo ambos os cargos de diretor e roteirista, Michel Hazanavicius merece créditos por seu roteiro apresentar pouquíssimos diálogos. Os poucos que aparecem são em cartões – típicos dos filmes mudos – e trazem diversas ironias (George Valentin insiste em não falar diversas vezes, simbolizando tanto a situação da trama quanto o fato de O Artista ser mudo) e cenas já icônicas (como Peppy brincando com o casaco de Valentin). No entanto, acho que o roteiro do filme não merece o ouro por não ter diálogos falados.

Quotação Memorável: “Eu não vou falar! Não direi uma palavra!” – George Valentin

Margin Call – O Dia antes do Fim | J.C. Chandor

Não assisti Margin Call – O Dia Antes do Fim, mas fazer um filme sobre crise ecônomica realmente vem a calhar atualmente. Pelo que li, o roteiro de J.C. Chandor é bem adulto e maduro, sem dar explicações sobre eventos ou uma aula de economia. Enfim, preciso assistir antes de falar qualquer coisa.

Quotação Memorável: “Há três meios de se sair bem nesse negócio: seja o primeiro, seja esperto ou trapaceie.” – John Tuld

Meia-Noite em Paris | Woody Allen

Sem dúvida um dos melhores roteiristas em atividade, Woody Allen escreve o melhor roteiro dentre os indicados (incluindo os da categoria de Adaptados) com sua fantástica saga parisiense. A entrada do protagonista em um mundo do passado é sensacional e rende momentos hilários, principalmente com as memoráveis participações especiais (ressalto novamente a inspirada presença de Salvador Dalí). Mas o legal mesmo, é como Allen fala sobre como o tempo surge para reforçar uma ideia ou época, algo com que eu pude me identificar bastante.

Quotação Memorável:Eu confio em você, mas tenho ciúmes. É uma dissonância cognitiva!” – Gil

Missão Madrinha de Casamento | Annie Mumulo & Kristen Wiig

Certamente a indicação mais boba da categoria, a comédiazinha Missão Madrinha de Casamento conseguiu se infiar na lista. Com alguns diálogos inspirados, o filme tem pouco de genuinamente engraçado (a maior parte do charme do filme está nas mãos do elenco) e usa-se de muitos clichês de comédia romântica para estar em uma categoria que preza originalidade. Tem até uma piada (exagerada) com churrascaria brasileira…

Quotação Memorável: “Eu sou a vida, Annie, e eu estou mordendo a sua bunda!” – Megan

A Separação | Asghar Farhadi

A indicação do iraniano A Separação como Roteiro Original sela a vitória o longa de Asghar Farhadi na categoria de Filme Estrangeiro. Ainda não assisti ao filme (sim, tenho muitos a ver), cuja trama foca um casal que é forçado a escolher entre mudar de país para fornecer condições melhores a seus filhos ou ficar no Irã para tratar de um parante portador de Alzheimer. Quando sair em Blu-ray, não vou perder.

Quotação Memorável: “O que é errado é errado. Não importa quem disse ou onde está escrito.” – Nader

FICOU DE FORA: 50% | Will Reiser

Em uma mistura inusitada de comédia e drama, o roteirista Will Reiser coloca sua própria experiência com o câncer no papel, rendendo o divertidíssimo e de bom coração 50%. Traz diálogos bem desenvolvidos (com uma linguagem bem chula, e que abraça o politicamente incorreto todo o tempo) e situações inesperadas para um longa do gênero, como a piada de usar a situação para pegar mulher. Como Missão Madrinha de Casamento entrou e este não, é um mistério.

Quotação Memorável: “Ninguém quer transar comigo. Eu pareço o Voldemort” – Adam

APOSTA: Meia-Noite em Paris

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Artista

Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, peças ou fazer continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

Os Descendentes | Alexander Payne, Nat Faxon & Jim Rash

Adaptado de: Livro Os Descendentes, de Kaui Hart Hemmings

Com alguns dos melhores diálogos do ano, Alexander Payne mostra novamente que é melhor roteirista do que diretor (não que esta seja falha), contando com auxílio de Nat Faxon e Jim Rash. O texto é sedutor por quebrar o clichê paradisíaco que a maioria das pessoas têm em relação ao Havaí, contando com ótimas narrações de seu protagonista e situações criativas e até bizarras – tal como a “conversa” entre Matt e sua esposa no hospital. É o favorito para levar o prêmio, e com razão (mesmo não sendo meu favorito dentre os indicados).

Quotação Memorável: “No telefone ele pode fugir, pessoalmente, ele não tem pra onde ir. Eu quero ver a cara dele” – Matt King

O Espião que Sabia Demais | Bridget O’Connor & Peter Straughan

Adaptado de: Livro O Espião que Sabia Demais de John Le Carré

Complexo e intrincado, é difícil entender a trama de O Espião que Sabia Demais em uma única visita. O roteiro de Bridget O’Connor (falecida pouco antes do início das filmagens) e Peter Straughan é assaverado na lógica e raciocínio do espectador, isentando-se de pausas para explicar o que acontece ou diálogos que sejam claros o bastante. O resultado é meio devagar, mas muito inteligente se analisado a fundo.

Quotação Memorável: “É a mais antiga das perguntas, George. Quem consegue espionar os espiões?” – Oliver Lacon

O Homem que Mudou o Jogo | Aaron Sorkin & Steven Zaillian

Adaptado de: Livro Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game, de Michael Lewis

Com dois nomes de peso na assinatura (e ainda por cima, oscarizados), o roteiro de O Homem que Mudou o Jogo é meu favorito dentre os indicados. No complexo mundo da análise de jogadores de beisebol, Steven Zaillian e Aaron Sorkin – tomando como base o livro acima e o argumento de Stan Chervin – escrevem diálogos formidáveis cheios de passagens inspiradíssimas (especialmente nas formas em que lida com a mediocricidade do time), trabalham bem os personagens e passam um significado que vai além do esporte, lidando com questões familiares e principalmente a importância de uma boa escolha. Excelente.

Quotação Memorável:Você prefere levar um tiro na cabeça ou três no peito e sangrar até morrer?”Billy Beane

A Invenção de Hugo Cabret | John Logan

Adaptado de: Livro A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick

Usando a história de um orfão solitário como ponto de partida, John Logan tece uma trama empolgante e fantástica que traz uma mensagem linda em suas entrelinhas. Além de ser repleto de momentos de bom humor e falar muito sobre a História do Cinema (e atestar, junto com Scorsese, sua paixão de alma e coração pelo mesmo), emociona com sua metáfora onde o mundo é uma grande máquina, e que todos tem uma função nela. Inspirador.

Quotação Memorável:Se o mundo é como uma grande máquina, então eu não poderia ser uma peça extra. Eu tinha que estar aqui por um motivo. E você também” – Hugo Cabret

Tudo pelo Poder | George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon

Adaptado de: Peça Farragut North, de Beau Willimon

Praticamente ignorado no Oscar deste ano, o ótimo thriller político de George Clooney teve, ao menos, seu roteiro lembrado. Escrito pelo próprio Clooney, seu parceiro Grant Heslov e Beau Willimon tece uma intrigante rede de mentiras e traições, tendo como cenário uma eleição presidencial bem contemporânea. O grande atrativo, além dos belos diálogos, é como Tudo pelo Poder é acessível para qualquer um, independente do gosto político; basta ser apreciador de uma boa história.

Quotação Memorável:Você pode mentir, pode trair, pode começar uma guerra e até falir o país, mas você não pode comer as estagiárias. Eles te pegam por isso” – Stephen Meyers

FICOU DE FORA: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Steven Zaillian

Adaptado de: Livro Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de Stieg Larsson

Também de Steven Zaillian, aqui o roteirista faz um trabalho solo e dá uma aula de adaptação literária. Como leitor do livro original, é possível perceber o quanto Zaillian resumiu bem a trama e se deu a coragem de realizar mudanças favoráveis a fim de uma resolução dramática mais simplificada. Os diálogos são excelentes (o que se passa no porão de Martin Vanger é assustadoramente genial), assim como a intrincada construção estrutural da história e seus personagens. Zaillian está escrevendo o segundo filme, será que agora vai?

Quotação Memorável:É engraçado como o medo de ofender pode ser maior do que o medo da dor.” – Martin Vanger

APOSTA: Os Descendentes

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Homem que Mudou o Jogo

Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Woody Allen | Meia-Noite em Paris

Woody Allen sai um pouco de sua zona de conforto, no caso a cidade de Nova York, e se aventura nas luzes da Paris contemporânea e dos anos 20. A viagem  valeu a pena, já que o amado cineasta recebe sua primeira indicação para Melhor Diretor desde Tiros na Broadway (em 1995). Criando planos bem abertos e sem cortes, a direção de Allen é charmosa e sem muitos maneirismos, respeitando principalmente seu próprio roteiro e as bela arquitetura da cidade.

Michel Hazanavicius | O Artista

É preciso coragem para dirigir um filme mudo e preto-branco hoje em dia. Mas parece que o cineasta francês Michel Hazanavicius não se viu tão preocupado, já que comanda O Artista com naturalidade, maestria e expira ar fresco e novo, mesmo tratando-se de uma das mais antigas formas de cinema que existem. Hazanavicius adota a estrutura, capricha nos enquadramentos (sua mise em scène é soberba) e homenageia de alma e coração os bons tempos de Hollywood. Já ganhou o Directors Guild Awards, então é favorito.

Terrence Malick | A Árvore da Vida

Tímido e bastante reservado, o diretor Terrence Malick é indicado ao Oscar novamente e promete também permanecer anônimo durante a cerimônia. Dono de um estilo invejável, sua técnica em A Árvore da Vida é maravilhosa; sua câmera gira, balança e se move junto aos personagens, como se a mesma fosse um personagem com vida própria. Não me agrada o resultado do longa, mas a direção de Malick é muito bonita.

Alexander Payne | Os Descendentes

Fora da direção de um filme desde Sideways – Entre umas e Outras, Alexander Payne retorna em boa forma com seu ótimo retrato de uma família havaiana em crise com Os Descendentes. É engraçado como Payne vai inserindo humor na trama através de seu visual, como na corrida na praia – onde Matt vai percebendo quem é o corredor que passa por ele – e também equilibrando o drama, tal como na já famosa cena da picina, e na direção de seu impecável elenco.

Martin Scorsese | A Invenção de Hugo Cabret

Trabalhando com a tecnologia 3D – e em um filme para toda a família – pela primeira vez, Martin Scorsese mostra que ainda é um dos melhores cineastas de nossos tempos. Suas tradicionais assinaturas estão aqui (o uso da neblina, névoa entre os personagens), mas ele usa a ferramenta tridimensional para proporcionar uma imersão impressionante, principalmente com seus travellings digitais e uma atenção especial à trama, que se move com ritmo e de forma bem humorada.

FICOU DE FORA: David Fincher | Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Um dos melhores diretores da atualidade, David Fincher nunca trabalhou tanto o visual quanto em Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Mostra-se maduro e ao mesmo tempo infinitamente criativo, ousando nos planos (como na câmera que vira de ponta-cabeça) e sempre prestando atenção nos detalhes da cena (reparem em como enquadramentos mudam durante a cena do primeiro estupro e a vingaça do mesmo), sempre indo além em seu comando narrativo.

Artistas em decadência, a origem da vida, cavalos de guerra, famílias desfuncionais, empregadas lutando contra racismo, técnicos de beisebol que anseiam em mudar o jogo, inventores de cinema, escritores nostálgicos e crianças traumáticas disputam o Oscar deste ano. Os indicados são:

O Artista

O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma ode muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica, e nem mesmo um Oscar é grande o suficiente para o filme. Uma verdadeira obra-prima.” Crítica

A Árvore da Vida

“De verdade, eu não gostei de A Árvore da Vida. Acho suas imagens belíssimas, direção maravilhosa e seu elenco esplêndido, mas sua narrativa complexa e quase sem coerência não foi capaz de me prender, o que tornou a experiência cansativa. Não é um filme para todos, e certamente agradará aos fãs de Terrence Malick, mas não vejo nada de espetacular que possa justificar a indicação para Melhor Filme.Crítica

Cavalo de Guerra

“Cavalo de Guerra é um drama eficiente que, mesmo utilizando artifícios clichês e já explorados, consegue mostrar o poder de uma amizade em meio a uma guerra terrível, onde a inocência do animal – e a compaixão humana por este – surge como um tocante cessar-fogo.” Crítica

Os Descendentes

Os Descendentes é um filme maravilhoso, com um ritmo divertido e emocionante. É difícil para mim colocar em palavras o quanto gostei do filme, então digo apenas que é um longa que merece ser visto e que faz jus às suas indicações ao Oscar. Aloha! Crítica

Histórias Cruzadas

Com valores de produção bons o suficiente para recriar a época em questão, Histórias Cruzadas é um bom filme que, mesmo trazendo um tema já discutido diversas vezes, vale a vista graças a seu ótimo elenco e sua boa mistura de humor/drama. Crítica

O Homem que Mudou o Jogo

O Homem que Mudou o Jogo nos ensina muitas lições. Não apenas sobre beisebol (aqui, por exemplo, é fascinante acompanhar a desvalorização de jogadores por motivos banais), mas sobre todo o resto, já que este bate constantemente na tecla sobre as escolhas que surgem ao longo da vida e a consequência das mesmas. Comovente e bem executado, não é um home run, mas ainda assim uma ótima jogada que certamente merece suas 6 indicações ao Oscar.”
Crítica

A Invenção de Hugo Cabret

A Invenção de Hugo Cabret é mais do que apenas o primeiro 3D de Martin Scorsese. É uma história sobre encontrarmos nossa função no mundo e como os sonhos podem ser capturados pela incomparável magia do cinema. É uma carta de amor para o cinéfilo dentro de todos nós.” Crítica

Meia-Noite em Paris

“Divertidíssimo e com roteiro fabuloso, é um belíssimo atestado à Cidade da Luz e seus artistas, também apresentando um elenco equilibrado e uma bela mensagem sobre a valorização do presente e o poder que o tempo possuí sobre a arte. Algo que certamente Woody Allen compreende bem… . Crítica

Tão Forte e Tão Perto

Trazendo uma calorosa trilha sonora de Alexandre Desplat, Tão Forte e Tão Perto mostra o desespero para se receber indicações ao Oscar (Oskar, alguém?). Stephen Daldry acerta no visual e na ambientação de sua trama, mas não consegue evitar seus inúmeros clichês e situações desnecessárias, além de carecer por um protagonista mais talentoso. Um título melhor seria “Tão Dramático e Tão Apelativo”… Crítica

FICOU DE FORA: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

“Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres oferece tudo que a franquia literária merece, provindo um longa maduro e envolvente, catapultando a talentosa Rooney Mara ao estrelato e oferecendo, em uma rara ocasião, uma franquia blockbuster destinada ao público adulto.” Crítica

APOSTA: O Artista

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Invenção de Hugo Cabret

É isso aí, o especial vai ficando por aqui. Juntem-se a mim durante minha transmissão ao vivo do Oscar 2012 no Domingo (publicarei mais detalhes em breve). Até mais!

Primeiro trailer de YOUNG ADULT

Posted in Trailers with tags , , , , , , on 7 de outubro de 2011 by Lucas Nascimento

O diretor Jason Reitman e a roteirista Diablo Cody repetem a bem-sucedida parceria de Juno com Young Adult. Mas enquanto Ellen Page interpretava uma jovem espantosamente adulta, agora Charlize Theron faz uma mulher completamente imatura e desleixada. O primeiro trailer saiu ontem e é bem divertido, confira:

Young Adult estreia nos EUA em 16 de Dezembro.

Veja o ótimo pôster de YOUNG ADULT

Posted in Notícias with tags , , , , on 6 de setembro de 2011 by Lucas Nascimento

O novo filme que reunirá o diretor Jason Reitman e a roteirista Diablo Cody (ambos de Juno), ganhou um criativo primeiro pôster. Espertamente inspirado em capas de livros norte-americanos, o primeiro cartaz de Young Adult:

Young Adult estreia em 16 de Dezembro nos EUA.