Arquivo para direção de fotografia

| Sob a Pele | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Ficção Científica, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 29 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

3.0

UndertheSkin
Scarlett Johansson é… Bem, ninguém tem nome no filme

Certamente muitos de vocês não teriam ouvido falar desse filme se não fosse o alarde (inclusive da própria distribuidora nacional, a Paris Filmes) em torno do nu frontal de Scarlett Johansson. Obviamente há muito mais do que isso em Sob a Pele, a peculiar ficção científica de Jonathan Glazer que parte para estudar o comportamento humano. Mas nem tanto.

A trama misteriosa é centrada na figura de Johansson, uma alienígena enviada à Terra para se misturar entre os humanos. Silenciosa e ambígua, ela se dedica a dirigir uma van pelas ruas da Escócia e oferecer carona a homens solitários, apenas para aprisioná-los em um sombrio cativeiro.

Em muitos termos, a premissa remete bastante à de A Experiência, quadrilogia iniciada por Roger Donaldson em 1995, que também girava em torno de uma alienígena sexy buscando por homens solitários – era, de certa forma, uma versão nada sutil da alegoria sexual de Alien – O Oitavo Passageiro. Mas se este era mais explícito e direto ao ponto em sua execução, Sob a Pele valoriza mais a experiência em si e tenta substituir a sutileza de Ridley Scott por um jogo onírico, mesmo que sua trama seja bem simples. Por tal motivo, Jonathan Glazer opta por fazer um espetáculo visual, capturando belíssimas imagens com o diretor de fotografia Daniel Landin, seja na beleza natural da Escócia (como as florestas altas ou a estupenda cena da névoa) ou na estética minimalista dos ambientes alienígenas, como o obscuro cativeiro reluzente mantido pela protagonista. É particularmente agonizante também ver o destino dos humanos capturados, e a requintada trilha sonora de Mica Levi traz alguns dos arranjos mais bizarros que você ouvirá em um bom tempo.

Agrada aos olhos, mas infelizmente não vai além. Pelo menos pra mim, a experiência não mexeu tão forte, rendendo mais uma história que vai se alongando além do necessário pelos 108 minutos de projeção. É interessante apontar que diversos dos passageiros abordados pela protagonista não eram atores, tendo suas reações capturadas com uma câmera escondida (mas todos assinaram um contrato de divulgação de imagem posteriormente, claro), o que resulta em um registro quase documental da extraterrestre. Scarlett Johansson, aliás, pouco pode fazer com sua personagem inexpressiva – ficando interessante apenas no ponto em que esta começa a entender as emoções humanas.

No fim, Sob a Pele não deixa de ser um experimento interessante. É lindo em suas imagens e na proposta, mas me atingiu como algo vazio e  quase sem vida. Mesmo que nos convide para explorar temas subjetivos, não há muito o que se observar sob sua pele.

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Prévia do trailer de GAROTA EXEMPLAR

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 11 de abril de 2014 by Lucas Nascimento

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Olha, acho esse negócio de “prévia de trailer” um exagero. Mas como alguém que está sedento por material de Garota Exemplar, novo filme do mestre David Fincher, me rendo ao trazer aqui uma amostra de 20 segundos do filme; exibida em um dos comerciais do programa ET, que também sugere que o trailer completo será lançado na próxima segunda-feira.

Enfim, dá pra perceber como está linda a fotografia dark de Jeff Cronenweth, e que Ben Affleck promete surpreender. Confira o breve vídeo:

Garota Exemplar estreia em 1º de Outubro.

| Jobs | Ashton Kutcher se esforça na biografia de um ícone da informática

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 5 de setembro de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

Jobs
Ashton Kutcher é Steve Jobs: casting acertadíssimo, mas compensador?

Não é preciso procurar muito por influências de Steve Jobs em nosso cotidiano. Por exemplo, a primeira coisa que fiz terminada a sessão de Jobs foi checar meu Iphone para novos emails ou mensagens. Claro, o smartphone não é um artefato exclusivo da poderosa Apple, mas sem dúvida alguma é o mais cobiçado e o que promove maior “status”. Mas deixando a informática de lado, resta dizer que a cinebiografia de Joshua Michael Stern é uma obra competente, ainda que longe da perfeição.

O roteiro de Matt Whiteley faz um apanhado geral sobre a vida de Jobs (Ashton Kutcher), partindo desde o momento em que este larga a faculdade para se dedicar à indústria de computadores, até a nova fase da Apple no mercado (iniciada em meados dos anos 90).

Confesso que não conheço muito a história de Steve Jobs (pra ser sincero, sou nulo em praticamente todas as biografias envolvendo empresas de internet), então fica díficil julgar o quanto no filme é fato e o que é ficção. Mas algo perceptível é o tratamento quase sagrado fornecido a Jobs: reparem como o diretor de fotografia Russell Carpenter constantemente joga a contra luz no rosto de Ashton Kutcher, proferindo-o uma imagem quase “divina”, característica associada mais ao lado mítico do que humano do personagem. Claro que Whiteley acerta ao trazer à tona diversas imperfeições de Jobs (como mentir o valor do pagamento por um serviço a seu amigo ou sua obsessão com design), mas nunca ocorre uma análise profunda às suas ações; Jobs é sempre a vítima, algo que a trilha sonora extremamente apelativa de John Debney faz questão de nos lembrar.

Mas, em um longa biográfico, todos os olhos se viram para a performance protagonista. Despertando a insegurança de muitos ao assumir o papel, eu pessoalmente fiquei impressionado com o trabalho de Ashton Kutcher e a competência do ator ao lidar com um papel dramático (porque para mim, ele sempre, sempre, será o Michael Kelso de That’ 70s Show) e até estabelecer maneirisimos que o ajudem a ilustrar a imagem do personagem – principalmente o andar relaxado que Kutcher opta por usar durante toda a projeção. Claro que é uma performance favorecida pela (incrível) semelhança física do ator com o fundador da Apple mas – mesmo que aqui e ali brote um overacting – é um trabalho notável e nitidamente esforçado.

Sobre o elenco de apoio, é incrivelmente piloto-automático. Salva-se o Steve Woz de Josh Gad, sócio e amigo pessoal de Jobs. O ator é introduzido como um péssimo alívio cômico que raramente funciona, mas que explode as expectativas ao protagonizar uma única cena que compensa toda a sua participação no longa (e é também uma das melhores da fita) e apresenta uma, até então, inexistente carga dramática. Você saberá exatamente de qual cena estou falando quando a ver.

Dirigido de forma contida e sem ousadias pelo novato Joshua Michael Stern, Jobs é um filme competente e que – mesmo não sendo 100% acurácio – é capaz de trazer o espectador para dentro de sua narrativa. Mas algo impactante como Steve Jobs merecia, no mínimo, uma obra no mesmo nível de A Rede Social.

E aí, que tal chamar Aaron Sorkin para O Legado Jobs?

Obs: Antes dos créditos finais há uma bela montagem de fotos que compara o elenco com seus respectivos personagens na vida real.

SKYFALL fatura o prêmio do AMERICAN SOCIETY OF CINEMATOGRAPHERS 2013

Posted in Prêmios with tags , , , , on 11 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

sky

E o impecável trabalho de Roger Deakins em 007 – Operação Skyfall foi reconhecido pelo sindicato de diretores de fotografia da América. Será que o veterano – indicado 11 vezes para o prêmio da Academia – enfim faturará seu primeiro Oscar no dia 24? Bem, seu concorrente mais forte é o igualmente eficiente trabalho de Claudio Miranda em As Aventuras de Pi, que já colecionou diversos prêmios por sua fotografia até aqui.

Mas eu sou do time Deakins. #VaiSkyfall

Indicados ao AMERICAN SOCIETY OF CINEMATOGRAPHERS 2013

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , on 9 de janeiro de 2013 by Lucas Nascimento

skyfall

O sindicato dos diretores de fotografia de Hollywood divulgou hoje os indicados para seu prêmio de 2013. #VaiSkyfall:

MELHOR FOTOGRAFIA

007 – Operação SkyfallRoger Deakins

Anna KareninaSeamus McGarvey

As Aventuras de Pi – Claudio Miranda

LincolnJanusz Kaminski

Os Miseráveis – Danny Cohen

Os vencedores serão anunciados em 10 de Fevereiro.

| As Aventuras de Pi | O milagre da computação gráfica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , on 28 de dezembro de 2012 by Lucas Nascimento

4.0

There’s a f***ing tiger in the boat!

Após três tentativas frustradas desde sua estreia, enfim consegui assistir As Aventuras de Pi, o elogiadíssimo novo filme de Ang Lee. E devo dizer que o momento em que finalmente me sentei naquela sala escura parecia o mais apropriado: não estando no melhor estado de espírito e levemente deprimido em circunstância de problemas pessoais, apostei no poder “milagroso” que a crítica internacional conferiu ao filme. Ao fim, pode-se dizer que Pi é uma experiência muito agradável, mas nada fora do comum.

Filho de um proprietário de zoológico na Índia, o jovem Pi (vivido pelo estreante Suraj Sharma) viaja com sua família em um cargueiro, visando vender os animais do negócio no Canadá. Uma tempestade repentina afunda com o navio e deixa Pi isolado, e com um tigre como companhia, em um bote em alto-mar.

Partindo de uma premissa típica dos filmes de náufrago (e também do livro de Yann Martel), As Aventuras de Pi expande seu significado ao realçar a importância da fé e o papel de Deus/religião na vida de um homem. Em sua longa apresentação (que é até ressaltada pelo personagem de Rafe Spall), o roteiro de David Magee introduz o espectador a diferentes religiões enquanto o jovem Pi vai descobrindo seus princípios e convertendo-se a eles. É um primeiro ato muito teórico e pouco movimentado, mas a situação melhora quando o longa encontra seu ponto de virada.

Após uma monstruosa tempestade (que Ang Lee coordena com maestria e faz belo uso dos efeitos visuais), o longa enfim transforma-se no filme de náufrago que a campanha de marketing tanto divulgou. É nesse ponto também que Pi atinge seu ápice: a complicada relação entre o protagonista e o tigre Richard Parker. Sharma mostra-se bem carismático para um estreante (e Lee confia em sua capacidade ao dar-lhe um longo monólogo sem cortes) mas o grande destaque é mesmo o trabalho de computação gráfica da Ryhthm & Hues, que cria um dos personagens digitais mais convincentes já feitos – seu olhar, andar, e até mesmo a interação com o toque humano são perfeitos – e traz paisagens em green screen espetaculares. Pi é um deleite visual, e agradecemos ao diretor de fotografia Claudio Miranda pelas lindas imagens.

Competente em seu ritmo de narração e interação entre a história contada e aqueles que contam a mesma (no caso, o ótimo Irrfan Khan), As Aventuras de Pi é uma linda realização visual e também uma bela mensagem sobre o desapego da vida. Não o achei poderoso em suas manifestações divinas, mas entre o caminho racional e o fantástico proposto pelo protagonista e pelo pai deste, fico com “a do tigre”.

Obs: Vale a pena ver em 3D.

| Contágio | Uma assustadora saga de epidemia

Posted in Cinema, Críticas de 2011, Ficção Científica, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , on 30 de outubro de 2011 by Lucas Nascimento


A verdade está lá fora: Jude Law espalha panfletos sobre o vírus mortal

Muitos cineastas têm sua visão sobre a destruição da humanidade. Roland Emmerich acredita na força de explosões e invasões alienígenas, e este ano Lars Von Trier apresentou um olhar essencialmente psicológico quanto ao fim do mundo em Melancolia. Agora, Steven Soderbergh pega o já conhecido tema de epidemias e vírus e lhe fornece um tratamento realista e impressionante.

A trama acompanha o alastramento de um novo vírus que vem destruindo milhares de vidas ao redor do globo, e como a ameaça afeta a vida de indíviduos que incluem um homem de família, cientistas e a mídia.

De todas as formas que a Humanidade pode ser destruída, um vírus mortal soa como a mais verossímil e possível de realmente acontecer – se considerar as constantes mudanças da natureza e dos organismos vivos – e o roteiro de  Scott Z. Burns oferece uma visão puramente científica, analisando os diversos estágios da doença (em alguns momentos, através de informações literalmente jogadas na tela, pecando em dramaturgia) e seu monstruoso alastramento.

E Soderbergh tece uma aura de perigo e alarmismo terrificamente eficiente em cima do bom roteiro de Burns. Logo na cena de abertura, o talento do cineasta em lidar com múltiplas narrativas fica bem evidente, enquanto acompanhamos as primeiras ocorrências do vírus de maneira rápida e dinâmica, tomando nota sobre os sintomas e seu “modus operandi” sem a necessidade de diálogos  para explicá-los. A arte da linguagem visual – que  fica ainda melhor com a fantástica direção de fotografia, do próprio Sorderbergh.

Se você viu algum cartaz de Contágio, sabe que o longa está repleto de atores conhecidos e, talvez pelo fato de a maioria deles não contracenarem juntos, o equílibrio entre seus respectivos personagens ocorre perfeitamente. Começando com meu preferido, Jude Law interpreta com determinação o radical blogueiro investigativo (acho o termo tão original, de verdade) Alane, ao longo da projeção,  certamente mostra-se o mais heróico – mesmo com uma reviravolta no final. Matt Damon abraça o sentimentalismo ao interpretar um viúvo que possui imunidade à doença e tenta manter sua filha segura, sendo o personagem com quem o público possa se apegar mais facilmente (o ator brilha em um momento próximo ao fim, ao enfim se dar conta da perda de sua mulher).

Do outro lado da equação, Laurence Fishburne, Kate Winslet e Marion Cottilard trabalham duro para encontrar uma cura para o vírus. Todos bem colocados, mas dentre os três, quem mais chama atenção é Winslet, que enche a Dra. Erin Mears de determinação e força de vontade,  nunca soando artificial ou forçada.

Tecnicamente, um ótimo trabalho. Já havia mencionado a fotografia, mas reforço aqui a qualidade de sua composição, fazendo uso de tons alaranjados e planos-sequência – principalmente quando alguns personagens correm. Temos também a ótima trilha sonora de Cliff Martinez, que apresenta ecos de A Rede Social mesclados com músicas-tema de videogames de SuperNintendo, garantindo um resultado surpreendentemente eficaz, contribuindo na construção do tom alarmante – tanto que em diversos momentos, os diálogos e efeitos sonoros dão lugar à música.

Com um elenco bem equilibrado e um roteiro eficiente, Steven Soderbergh faz de Contágio uma experiência deliciosamente aterradora, apresentando os estágios de uma epidemia mortal com precisão e oferecendo diversos debates sobre o tema. É o realismo do longa que o torna tão assustador, certamente um dos melhores do gênero.

E preparem-se, a cena final é chocante.