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Era um Alien ou não? | Discutindo PROMETHEUS

Posted in Artigos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 20 de junho de 2012 by Lucas Nascimento

Após assistir a Prometheus, muitas dúvidas foram lançadas no ar e muitas explicações ficaram à mercê da imaginação do espectador. Assim como fiz com A Origem em 2010, escreverei sobre alguns pontos complexos do longa e tentarei encontrar uma explicação detalhada sobre a criação do Alien.

Obviamente, o post está INFESTADO de spoilers. Só leia se já tiver assistido o filme.

O Engenheiro


O Engenheiro da cena de abertura

Primeiramente, vamos falar sobre os Engenheiros. Vistos pela dra. Elizabeth Shaw e seu marido Charlie Holloway  como os criadores da vida na Terra, a cena inicial do filme (que traz uma bela homenagem à 2001 – Uma Odisseia no Espaço) logo confirma essa teoria quando vemos um desses seres se aproximando de uma cachoeira, em um planeta deserto, sobre o qual o diretor Ridley Scott afirma que “não seria necessariamente a Terra”, e que o objetivo da sequência seria mostrar a criação da vida.

Mas os Engenheiros já seriam vida. Dando progressão a cena, o Engenheiro bebe um líquido preto misterioso (que posteriormente descobriremos ser a substância essencial para a criação do Alien) e seu corpo começa a se corroer, tendo seus restos indo parar no fundo da mesma cachoeira. A fita de DNA do humanóide é então combinada com as moléculas de água, em uma reação conhecida como biogênese.


O Engenheiro ancião e o Sacrificador

Aí começam as dúvidas? O que esse Engenheiro fazia lá? Tinha consciência de que estava criando vida? Bem, eu interpreto que sim. A chave para essa questão fica com o androide David, quando afirma que “para se criar vida nova, um sacríficio deve ser feito”. Uma referência direta do roteiro para a cena inicial, a meu ver. Outra informação é uma imagem que caiu na rede recentemente, que mostra um momento cortado do filme, onde é possível observar um Engenheiro envelhecido. Ou seja, ele não foi deixado para trás (ao fundo, uma nave decola abruptamente durante a cena) e o idoso estaria ali por orientação, talvez.


A fita de DNA responsável pela criação da vida humana

Então, o que presenciamos aqui não é meramente a criação da vida, mas sim a criação da vida humana. Isso porque a dra. Shaw examina uma amostra de DNA humana e uma Engenheira, tendo uma equivalência total no código genético. Os Engenheiros criaram os Humanos. Mas como a própria Shaw aponta: quem criou os Engenheiros?

Fico com a resposta de Holloway: “Nunca vamos saber”.

Big things have small beginnings


Seria uma ilustração do Alien em um dos murais?

E vamos ao que todos esperavam: o Alien xenomorfo. O primeiro estágio de sua complexa formação encontra-se dentro da nave dos Engenheiros (que antes pensava-se ser uma caverna), mais precisamente na câmara com o obelisco faraônico. Centenas e até milhares de vasos estão à mostra, em uma espécie de reverência (?) ao cabeção, e é bom prestar atenção também nas ilustrações dos murais, muito parecidas com o Alien.


O líquido preto começa a vazar

A equipe da Prometheus invade o local, catalisando uma mudança na atmosfera e, por fim, o vazamento de uma substância preta (que podemos assumir ser a mesma que o Engenheiro ingere no início do filme, chegaremos a esse ponto em instantes) dos recipientes. Antes da fuga acelerada, David congela e leva consigo um dos vasos.


David analisa o recipiente alienígena

É aí que o androide resolve criar sua própria vida. Dentro do recipiente, encontra-se o líquido preto e ele resolve testá-lo com Holloway ao infectar sua bebida. Acho curioso a moralidade simples de David, que pergunta ao cientista “até onde ele iria para encontrar as respostas”, “eu faria de tudo” responde Holloway. Dessa forma, o robô não sente remorso (e também não poderia, já que é uma máquina) e pode-se até insinuar que ele não viu sua ação como prejudicial. Resumindo, David poderia até achar que estava ajudando o cientista.


Holloway sofre com a infecção

Com a substância em seu organismo, Holloway e Shaw fazem sexo e o embrião alienígena é depositado na fêmea. Ao despertar, Holloway começa a sofrer mutações em seu rosto (similares à do Engenheiro no início do filme), que acabam ocasionando em sua morte pelas mãos de Vickers.


A “cobra espacial”

Vamos falar mais sobre esse contágio. Como Charlie fora incinerado, a infecção não atingiu seu estágio final e não podemos saber o que teria acontecido com a pobre vítima. Mas talvez haja uma resposta, se nos lembrarmos de Fifield e o biólogo, membros da tripulação que se perderam durante a primeira expedição à câmara dos Engenheiros. Os dois haviam encontrado uma misteriosa “cobra” que os atacou e demonstrou uma similiaridade com o Alien: o sangue ácido.


Um infectado (e monstruoso) Fifield

Posterior ao ataque é a contaminação de Fifield pela substância preta, que eu acredito ser a mesma que David usou em Holloway (mas já que o androide usara uma dose menor, o efeito foi enfraquecido). O sujeito ataca a tripulação, mas não traz grande papel (além de mais um elemento sinistro) na trama.


A já famosa cena do parto

Voltamos para Shaw, que descobre estar grávida de um ser alienígena. Quando ela finalmente dá a luz (em uma sequência brilhantemente grotesca), vemos o primeiro facehugger, ainda que não tenha a aparência com que estamos acostumados a vê-lo. Aqui ele se parece mais com uma lula, e seu tamanho ganha proporções monstruosas posteriormente.


O sacrifício da Prometheus

O filme vai se aproximando do fim e o último Engenheiro do qual temos notícia está se preparando para decolar sua nave e atacar a Terra com a substância preta. E aí a frase de David sobre sacríficio estampa na cabeça novamente: a Prometheus então colide com o Engenheiro, destruindo ambas e, assim, salvando nosso planeta da suposta invasão. Mas essa não é a única vida que sairá ganhando com esse sacrifício…


O “filho” de Shaw atinge proporções colossais

Mesmo com a nave destruída, o Engenheiro sobrevive e persegue a dra. Shaw pelos destroços da Prometheus (mais especificamente, o módulo de escape de Vickers) e tem o azar de se encontrar com o “filho” da cientista, que o agarra violentamente e insere tentáculos dentro de sua boca. É uma ação típica do facehugger.


O Proto-Alien

E como vocês bem sabem, a última cena revela o Alien perfurando o peito do Engenheiro. Assim como seu estágio anterior, não é a criatura que estamos habituados, mas sabemos o que virá depois. Nasce o “proto-alien”, ou “Deacon” de acordo com Ridley Scott.


Simples e efetivo infográfico sobre as criaturas de Prometheus

Então agora sabemos o que vem antes do ovo:

Líquido preto + Hospedeiro humano macho + fecundação com fêmea = Nascimento da “Lula” + Hospedeiro Engenheiro (fica a dúvida se, com outra criatura, o resultado seria o mesmo) = nascimento do proto-alien.

Agora, um Prometheus 2 terá que explicar o buraco entre a fisiologia desse novo Alien e o visto em O Oitavo Passageiro, assim como o que aquele outro Engenheiro fazia no planeta do filme de 1979 (sim, Engenheiro = Space Jockey). E, claro, onde a dra. Shaw encontrará novamente nossos criadores?

Gostaram do post? Curtiram o filme? Detestaram?

Discutam!

Crítica do filme

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