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| Malélova | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , on 29 de maio de 2014 by Lucas Nascimento

3.0

Maleficent
Não vou fazer comentários irônicos sobre Angelina Jolie e chifres, ok

Bem, estamos em 2014 e os contos de fadas hollywoodianos continuam em alta. Cada vez mais a safra de filmes aposta no épico e em visuais arrebatadores, e Malévola prometia uma novidade ao se focar em uma das antagonistas mais célebres do gênero, sendo encabeçado pela presença esmagadora de Angelina Jolie. Considerando que tivemos aquela A Garota da Capa Vermelha e duas Brancas de Neve hediondas nos últimos anos, até que Malévola se sai bem.

A trama oferece um ponto de vista alternativo para o conto clássico da Bela Adormecida, dos contos dos irmãos Grimm e o do francês Charles Perrault, concentrando-se na vilã do longa animado da Disney: Malévola (Angelina Jolie). O roteiro de Linda Woolverton explora suas motivações e seu passado como uma fada protetora da floresta, traída e enganada por seu outrora amante, o rei Stefan (Sharlto Copley).

Em seu primeiro trabalho como diretor, Robert Stromberg nem disfarça qual fora seu cargo anterior na indústria: supervisor de efeitos visuais e designer de produção (oscarizado duas vezes, com Alice no País das Maravilhas e Avatar). Ao longo de toda a projeção, somos bombardeados com inúmeras sequências computadorizadas, batalhas povoadas por figurantes digitais e uma série de criaturas estilizadas. Funciona sim e não, já que o design de produção de Dylan Cole é criativo e feliz ao apostar no cartunesco (o que o diferencia de, por exemplo, Branca de Neve e o Caçador), mas alguns efeitos digitais praticamente transformam o filme em uma animação artificial (prefiro nem comentar a composição tenebrosa do trio de fadas composto por Imelda Staunton, Lesley Manville e Juno Temple), ao passo em que Stromberg revela-se um cineasta pouco inspirado em suas escolhas. Sabe explorar bem figuras, sombras e cores fortes com o diretor de fotografia Dan Semler, mas não alcança nada além do plástico – e não resiste a algumas tomadas em câmera lenta da protagonista caminhando pelo campo.

E falando nela, recorramos agora à figura icônica que estampa todos os pôsteres da produção: Malévola. Ainda que caracterizada com asas demoníacas, caveira brotando de suas bochechas e um par de chifres nada sutis em sua cabeça, Angelina Jolie consegue surgir linda como sempre, e sua presença em cena é nada menos do que hipnotizante. Tudo bem que grande parte do mérito pertence ao genial maquiador Rick Baker, mas Jolie consegue divertir quando abraça o lado malicioso da protagonista (quando chora ou traz gritos de batalha, não funciona tanto), e também convence ao retratar as mudanças enfrentadas pela protagonista, destacando-se em meio a uma bom elenco – Elle Fanning graciosa e Sharlto Copley apropriadamente caricato.

Eu sinceramente nem lembrava se Malévola era vilã da Bela Adormecida, da Branca de Neve ou da maldita Cachinhos Dourados, e por tal motivo minha experiência aqui foi de total mente aberta em relação às ideias de Linda Woolverton, que tomam diversas liberdades em relação à história original. O roteiro é pedestre e expositivo por quase o filme todo, mas lá no finalzinho da história, Woolverton toma uma decisão inesperada e que consegue fugir de alguns clichês típicos e convenções do gênero, especialmente nos estereótipos do “príncipe encantado” e do “amor verdadeiro” – paro por aqui para não entregar spoilers, mas é uma mudança bela e interessante.

No fim, não há muita coisa em Malévola que o torne mais especial do que a safra recente de contos de fada hollywoodianos, mas certamente se sai melhor ao apostar em mudanças pertinentes. E também ajuda ter uma monstrenga com as feições e o carisma de Angelina Jolie.

Obs: O 3D é descartável.

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2011: Os Melhores dos Melhores

Posted in Melhores do Ano with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento

Este ano, o post dos melhores filmes do ano vai ser diferente. Enquanto nos últimos três anos a seleção se deu por ranking, os longas lançados em 2011 serão avaliados através de categorias. Antes de conferir, algumas observações:

  • A lista contém apenas filmes lançados no Brasil COMERCIALMENTE (logo, filmes de 2010 que chegaram este ano nos cinemas ou home video marcam presença aqui) e alguns lançamentos estrangeiros ficaram de fora (como O Espião que Sabia Demais, Shame, Drive, entre muitos outros).
  • Se  não concorda com minha opinião (e isso certamente vai acontecer), fique a vontade para comentar e apresentar sua própria seleção, mas seja educado, porque comentários grosseiros serão reprovados.
  • MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres ainda não estreiou no Brasil, mas marcou presença na lista em 2 categorias, mas sua presença é justificável.

Melhor Filme: Meia-Noite em Paris

Sem dúvida o feel-good movie de 2011, uma deliciosa experiência cinematográfica que traz Woody Allen em ótima forma em sua primeira visita a Paris. O desenrolar da trama acontece de forma mágica, flertando com elementos fantásticos ao mesmo tempo em que nos presenteia com alguns dos melhores diálogos do ano e uma mensagem verdadeiramente inspiradora – que me atingiu em cheio. O elenco também é ótimo, de Owen Wilson altamente expressivo a Adrien Brody divertidíssimo em uma antológica participação especial. Crítica completa.

Outros destaques (em ordem de preferência)

Cisne Negro

Deixe-me Entrar

X-Men: Primeira Classe

Bravura Indômita

O Palhaço

Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

Tudo pelo Poder

A Pele que Habito

Super 8

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Planeta dos Macacos: A Origem

Melhor Diretor: Selton Mello | O Palhaço

Selton Mello realmente surpreendeu com O Palhaço. Desempenhando diversos papéis na produção (incluindo o de protagonista do longa), o sucesso do filme é fruto de sua habilidosa direção. Escolhendo lindos planos e enquadramentos, mostra-se um talentoso diretor de atores e também usa com inteligência a subjetividade. Diversas cenas funcionam justamente por sua complexo trabalho visual; às vezes é o olhar de um personagem, seu gesto com as mãos, cabeça… E não são necessárias palavras para compreender o que se passa.

Melhor Comédia: Amizade Colorida

Depois do divertido A Mentira, Will Gluck assume a direção e créditos como co-roteirista nessa excelente comédia romântica. Tomando como base um assunto já conhecido – a relação puramente sexual entre dois amigos – Amizade Colorida é um filme surpreendente, já que apresenta um roteiro com alguns dos melhores diálogos do ano, mensagens inspiradoras e um elenco arrasador; com destaque para a ótima química entre Justin Timberlake e Mila Kunis. Anseio pelo próximo trabalho de Gluck.

Melhor Filme de Ação: Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

Um dos melhores e mais empolgantes filmes do ano. O diretor Brad Bird, responsável por grandes animações da Pixar, dá vida nova à franquia do agente Ethan Hunt, promovendo um espetáculo com ótimas cenas de ação (a escalada ao Burj Dubai já é antológica) e um ritmo narrativo muito agradável e divertido. O elenco é bem entrosado e muito talentoso, e Tom Cruise mostra que ainda tem fôlego para mais continuações – e eu espero que elas aconteçam.

Melhor Ator: Andy Serkis | Planeta dos Macacos: A Origem

Especialista em personagens digitais, Andy Serkis é o rei do motion-capture. No prequel que mostra a origem do Planeta dos Macacos, o ator empresta sua expressividade imensa ao macaco Cesar, líder de uma revolução de símios de grandes proporções. O talento de Serkis é perceptível em cada pixel do rosto do personagem e certamente merece atenção no Oscar (o cara interpretou um macaco!).

Outros destaques:

Selton Mello – O Palhaço

Michael Fassbender – X-Men: Primeira Classe

Ryan Gosling – Tudo pelo Poder

James Franco – 127 Horas

Melhor Atriz: Emma Stone | A Mentira

Eu simplesmente adoro Emma Stone em A Mentira. Ao encarar seu primeiro papel como protagonista, a atriz fornece uma das performances mais divertidas, carismáticas e honestas que eu já vi. É boa nas caretas, nas vozes e irradia uma energia impressionante que pega o espectador de surpresa. Mesmo sendo uma comédia (um preconceito estúpido dentro de premiações), merecia indicação ao Oscar.

Natalie Portman – Cisne Negro

Mélanie Laurent – Toda Forma de Amor

Kirsten Dunst – Melancolia

Mila Kunis – Amizade Colorida

Melhor Ator Coadjuvante: Christopher Plummer | Toda Forma de Amor

Na pele de um idoso na casa dos 70 que abraça sua homossexualidade, Christopher Plummer dá um show. Apresenta muito carisma e expressividade, divertido e emocionando na medida certa, assim como uma química muito natural com Ewan McGregor (que interpreta seu filho). O ator certamente será indicado ao Oscar por essa performance, e eu não me surpreenderia se ele saísse vencedor.

Alan Rickman – Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Tom Hiddleston – Thor

Corey Stoll – Meia-Noite em Paris

Colin Farell – A Hora do Espanto

Melhor Atriz Coadjuvante: Elle Fanning | Super 8

Irmã mais nova de Dakota Fanning, Elle Fanning brilha na deliciosa aventura oitentista de JJ Abrams. Personificando a “garota desejada por todos da escola”, a atriz mostra imenso talento e carisma e, em diversos momentos, um senso de autoridade diante do restante do elenco (afinal, sua personagem é mais velha). A cena em que atua como zumbi é antológica.

Cate Blanchett – Hanna

Evan Rachel Wood – Tudo pelo Poder

Amy Adams – O Vencedor

Marion Cottilard – Meia-Noite em Paris

Melhor Roteiro Original: Meia-Noite em Paris | Woody Allen

Sempre afiado em seus maravilhosos diálogos, Woody Allen apresenta uma verdadeira aula de história da arte em Meia-Noite em Paris. A ideia central é genial em si, com o nostálgico Gil retornando ao passado magicamente – e ao não explorar o que é essa viagem no tempo, o texto fica mais misterioso – e encontrando diversos artistas da época. Todos os diálogos são inspiradíssimos, alguns até antológicos.

Melhor Roteiro Adaptado: X-Men: Primeira Classe | Jamie Moss, Josh Schwartz, Zack Stentz, Jane Goldman e Matthew Vaughn

Depois de Batman – O Cavaleiro das Trevas, o nível das adaptações de quadrinhos de super-heróis aumentou, e as histórias amadureceram muito. Mas apenas o roteiro de X-Men: Primeira Classe escrito por Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman e Matthew Vaughn, fez jus ao trabalho de Christopher Nolan. Na aventura que ambienta-se na Guerra Fria, as origens dos X-Men são apresentadas com maestria e inteligência, tomando como base ótimos diálogos, diversos níveis de história e sempre uma atenção excepcional a seus personagens.

Melhor Fotografia: Bravura Indômita | Roger Deakins

Indicada ao Oscar do ano passado, a direção de fotografia de Roger Deakins para Bravura Indômita é uma das melhores de sua carreira. Trabalhando novamente com os irmãos Coen, o fotógrafo captura com maestria as paisagens do Velho Oeste dos EUA, sempre usando uma boa iluminação (o frame inicial, que revela a morte de um dos personagens é soberbo) e cores vivas. Um deleite visual, não teve filme em 2011 com trabalho melhor.

Melhor Montagem: Contágio | Stephen Mirrione

Contágio aborda diversos personagens em diferentes cantos do planeta. O alastramento da doença mortal que move a trama é sempre acompanhanda com legendas (como dia 3, 4, etc) e até o uso da tela dividida, elementos que o montador Stephen Mirrione certamente tem domínio. Mirrione consegue equilibrar com ritmo as diversas tramas paralelas do longa, dando espaço para todos os personagens. Outra sacada genial é iniciar o longa com o 2º dia da contaminação, criando um final chocante ao revelar a causa da pandemia.

Melhor Direção de Arte: X-Men: Primeira Classe | Chris Seagers (Design de produção), Larry Bellantoni, Erin Boyd e Sonja Klaus (Decoração de set)

Recriando diversos cenários dos anos 60 (e até um campo de concentração em certo momento), a equipe responsável pelo design de produção de X-Men: Primeira Classe soube combinar o fantástico com o real. Um exemplo disso é o submarino do personagem de Kevin Bacon, que tem uma arquitetura clean e aparentemente comum, mas esconde uma sala rodeade de espelhos e luzes azuis. Ótimo trabalho, isso contando que muitos cenários foram levantados de verdade, usando o mínimo de CG possível.

Melhor Figurino: Thor | Alexandra Byrne

Eu sempre me interesso pelos figurinos em filmes de super-heróis. Ainda espero pelo dia em que a Academia reconheça (com pelo menos uma indicação) o trabalho em transportar personagens de quadrinhos para as telas. Na adaptação de Thor, a figurinista Alexandra Byrne acerta na composição das vestimentas de deuses nórdicos, misturando elementos clássicos (como a capa vermelha, as escamas no braço) com toques modernos.

Melhor Maquiagem: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

Ao longo da série de Harry Potter, o departamento de maquiagem sempre teve um papel fundamental na criação do universo de JK Rowling. Mas no oitavo e último filme da franquia, o trabalho é multiplicado na criação de dezenas de duendes para a cena do ataque ao banco de Gringotes. Foram cerca de 20 anões e muita criatividade na composição de cada criatura.

Melhores Efeitos Visuais: Planeta dos Macacos: A Origem

Depois de Avatar mudar o jogo com seus impressionantes efeitos visuais, Planeta dos Macacos – A Origem chega para aprimorar o que havia sido aprimorado. Com todos os símios (macacos, chimpanzés, gorilas, etc) criados digitalmente, com auxílio de captura de performance, o resultado é de encher os olhos, aproximando-se ao máximo da realidade. Se perder o Oscar, é marmelada.

Melhor Trilha Sonora: MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Trent Reznor & Atticus Ross

MILLENNIUM ainda não estreiou aqui no Brasil, mas a trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross já está disponível online há mais de uma semana. Claro que, dessa forma, fica impossível saber se os oníricos sons criados pela dupla combinam com as imagens do filme, mas se considerar o trabalho musical isoladamente, ainda é superior a qualquer outro lançado este ano. Com cerca de 3 horas, o resultado é sensacional, tão bom quanto a trilha de A Rede Social.

Canção do Ano: “Immigrant Song” |Trent Reznor, Atticus Ross e Karen O | MILLENNIUM: Os Homens que não Amavam as Mulheres

Tava começando o primeiro teaser de MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (uma versão pirata, vazada do próprio estúdio), e em meio a diversos cortes rápidos de cenas do filme, ecoava o selvagem cover de Karen O para a “Immigrant Song” de Led Zeppelin. Com Trent Reznor na instrumental e Atticus Ross como mixador, a música pesada é inesquecível e viciante, pontuando em cheio o tom do filme de David Fincher.

Melhor 3D: Transformers – O Lado Oculto da Lua

Mesmo sendo um dos piores filmes do ano, Transformers – O Lado Oculto da Lua tem um atrativo poderoso: seu genuíno 3D estereoscópico. O longa foi rodado com câmeras 3D e garante um resultado visual impressionante – especialmente ao retratar as crateras e rochas lunares na cena inicial – e uma profundidade maior nas cenas de ação. Pena que tanto esforço foi para um filme ruim.

Melhor cena de abertura: Melancolia

Lars Von Trier tem mostrado bastante talento na abertura de seus longas recentes. Primeiro, o sinistro prólogo em preto-e-branco e câmera lentíssma em Anticristo, agora ele apresenta sua visão do fim do mundo nos minutos iniciais de Melancolia, quando um planeta gigante colide com a Terra. Mantendo a câmera lenta, o diretor preenche a tela com imagens simbólicas e sem muita conexão (explícita) com a trama, alcançando um resultado arrasador.

Surpresa do ano: Amor a toda Prova

Amor a Toda Prova era tão irrelevante para mim, que não assisti nenhum trailer antes de conferir o filme sim. Talvez isso tenha influenciado no resultado, já que adorei o filme de Glenn Ficara e John Requa e fiquei completamente surpreso com sua história e as inúmeras reviravoltas nela. O elenco inteiro também se sai muito bem, com destaque para Ryan Gosling, que tem em 2011 o melhor ano de sua carreira.

Decepção do ano: O Preço do Amanhã

Eu já disse milhões de vezes, e repito: Andrew Niccol teve a melhor ideia do ano com O Preço do Amanhã. É um imenso desperdício que o diretor/roteirista tenha desenvolvido tão mal a sua ótima premissa e alcançado um resultado ordinário e simplório, recorrendo ao formulaico filme de ação. Não que o filme seja ruim, mas poderia ser muito mais.

Melhores Trailers

1. MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres – Teaser

2. Prometheus – Teaser

3. Shame – ‘New York, New York’ Trailer

Melhor Pôster: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Bem, essa foi a retrospectiva de 2011. Diferente do ano passado, talvez eu continue com esse modelo de postagem ou quem sabe o ranking gigante voltará? Enfim, comentem e compartilhem suas opiniões sobre os lançamentos de 2011, e tenham um Feliz Natal!

| Super 8 | Nostálgica e deliciosa ficção cientifica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2011, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento

 


Ninguém tem um DVD aí?

Bons tempos aqueles em que Steven Spielberg era um mestre da ficção científica e promovia uma serie de espetáculos nas décadas de setenta e oitenta. Aprendendo com o mestre, o diretor e roteirista J.J. Abrams presenteia os fãs do genero com uma aventura deliciosa e nostalgica, que faz lembrar o significado de entretenimento e bom cinema.

A trama se passa na decada de oitenta, girando em volta de um grupo de jovens cineastas que, ao gravarem uma cena em uma estação de trem, presenciam a chegada de um misterioso ser que passa a aterrorizar a pequena cidade onde vivem.

O misterio em torno de Super 8 se dá desde o período de sua genial campanha de marketing (que incluiu sites falsos, panfletos e muita discrição quanto ao monstro que antagoniza o longa), e ele permanece de forma brilhante ao longo do filme. Provando-se cada vez mais estiloso, Abrams acerta na direção e em seus ótimos enquadramentos – sempre com sua habitual luz de neon, fornecendo à trama um bem-vindo toque da série Lost (especialmente os efeitos sonoros que remetem à presença da criatura) e diversas referências temáticas e visuais ao trabalho de Spielberg.


Elle Fanning e Joel Courtney são ótimas revelações

E o que os filmes de Spielberg (incluo aí também os produzidos por ele) tambem acertavam, era no elenco juvenil. Bem entrosados e talentosos ao nível Goonies, são liderados pelo estreante Joel Courtney, que apresenta bastante carisma e a fragilidade emocional que o personagem requere (chegaremos nesse ponto em alguns instantes). Temos divertidos alívios comicos (como Riley Griffith, que faz o diretor Charles, e Ryan Lee, uma espécie de jovem Michael Bay afeccionado por pirotecnia), mas quem realmente se sobressai aqui é Elle Fanning (isso mesmo, irmã da Dakota), que surpreende pela força fornecida à personagem.

No que diz respeito à temática do filme, ela passa longe de se prevalecer contatos extraterrestres acima  da relação pai-filho. Joel e seu pai (Kyle Chandler) são bem capturados pela câmera de Abrams, que oferece mise en scènes maravilhosos – como aquele em que o jovem, vestido como militar, enfrenta seu pai e busca certa autoridade por suas ações – e um ótimo desenvolvimento de personagens. Ao longo da projeção, podemos observar uma série de detalhes que simbolizam a infância e a busca pela maturidade; seja com Elle Fanning dirigindo um carro ou tanques de guerra atravessando por cima de playgrounds. Bastante conteúdo para os mais observadores.

Mais uma vez embalado pela trilha sonora de Michael Giacchino (o compositor ja trabalhou em 3 filmes de Abrams), o vencedor do Oscar oferece um trabalho sensacional que equilibra o suspense (característica que ele explorou bem em Deixe-me Entrar) e acordes mais fantásticos (aí temos um pouquinho de Star Trek) em uma criação impecável. Enquanto isso, montagem de Maryann Brando e Mary Jo Markey preenche o filme de ritmo (principalmente no espetacular acidente de trem) e a fotografia de Larry Fong retrata bem a época e a cidade, assim como esconde com habilidade a criatura misteriosa, cuja revelação é tao bem apresentada quanto ao monstro de Tubarão (a cena do posto de gasolina… Sem palavras).

Decepcionando apenas nas ambições da criatura, Super 8 é uma deliciosa experiência que remete ao bom cinema oitentista, sendo carregado de temas de paternidade e amadurecimento, mas também com muita diversão e misterio. Um dos melhores filmes do ano.

PS: Durante os créditos finais, é exibido o filme caseiro que o grupo de amigos produzia. Nao deixe de conferí-lo.