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| Headhunters | Mais uma peróla do cinema nórdico

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2012 with tags , , , , , , , on 7 de julho de 2012 by Lucas Nascimento


A vida do headhunter Roger Brown fica, literalmente, toda cagada

Os cineastas e escritores dos países nórdicos têm chamado atenção. A Suécia saiu na frente ao apresentar uma reivenção dos filmes de vampiro com Deixa ela Entrar e a volta dos thrillers investigativos para adultos com a trilogia Millennium e seus Homens que Não Amavam as Mulheres, mas eis que a Noruega entra no jogo com Headhunters, um filme esperto, imprevisível e muito divertido.

A trama gira em torno do headhunter Roger Brown (Aksel Hennie) e, antes que perguntem, não é uma profissão que envolve decapitações. O termo poderia ser traduzido facilmente como “caça-talentos”, mas aqui o personagem seleciona candidatos para altos cargos em empresas prestigiadas; sendo também um ladrão de obras de arte a fim de sustentar sua vida luxuosa e os mimos de sua linda esposa, Diana (Synnøve Macody Lund). Ele encontra a oportunidade de sua vida ao conhecer Clas Greve (Nikolaj Coster-Waldau), que não só é perfeito para o cargo que procura, como também possui uma valiosa pintura de Rubens.

Com a boa premissa, o cenário de Headhunters é estabelecido com agilidade e eficiência pelo diretor Morten Tyldum nos minutos iniciais de projeção, contando também com um ótimo roteiro assinado por Lars Gudmestad e Ulf Ryberg, que adapta fielmente o bom livro de Jo Nesbø (batizado de “Stieg Larsson Norueguês” pela mídia) e fornece um cuidado especial com seus personagens. E com um mundinho perfeito estabelecido, é impressionante ver Tyldum e sua equipe destruindo-o.

A reviravolta aqui é que Clas Greve é um ex-militar, e transforma a vida de nosso “herói” em um inferno ao iniciar uma caçada implacável à sua procura. Mesmo que com recursos limitados, Tyldum mantém um ritmo sempre agitado e se beneficia de um humor negro pesadíssimo ao longo da projeção. Afinal, que metáfora é mais apropriada para a mudança brusca na vida de Roger do que vê-lo mergulhando em um depositório de fezes humanas? Ajuda também a performance de Aksel Hennie, que demonstra a inteligência que sua profissão requer e a urgência de seu instinto de sobrevivência, com destaque para uma desconfortável sequência onde este raspa o cabelo.

Headhunters não acrescenta nada de novo ao gênero de thrillers, mas traz uma narrativa invejável e a executa de forma agradável e empolgante, em mais um triunfo nórdico. Não é surpresa que algum “headhunter” já selecionou o projeto para ganhar uma versão hollywoodiana.

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| Kick-Ass: Quebrando Tudo | É um título auto explicativo

Posted in Ação, Adaptações de Quadrinhos, Cinema, Comédia, Críticas de 2010 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de junho de 2010 by Lucas Nascimento


Watchmen: Kick-Ass e Red Mist passeam pela cidade de Nova York

Para aqueles que não sabem, “kick-ass” é uma expressão, que traduzida para o portugûes significa “chuta-bundas”, em inglês que significa arrebentar, mandar ver, etc, principalmente no sentido de pancadaria. A adaptação da violenta graphic novel de Mark Millar merece e faz juz ao seu título: vulgar, politicamente incorreto, ofensivo e extremamente divertido.

Na trama, o despercebido estudante Dave Lizewski resolve se tornar um super-herói, sem poderes ou treinamento. Suas ações começam a fazer sucesso na internet e geram, além da fúria de bandidos e traficantes, o aparecimento de novos mascarados.

Fato: super-heróis não são mais coisa de criança. O Cavaleiro das Trevas em 2008, Watchmen em 2009 e agora, Kick-Ass em 2010. O filme de Matthew Vaughn estabelece um novo patamar aos filmes de super-heróis, e digo isso levando em consideração seus diálogos pop (que precisam de um breve conhecimento de super-heróis para serem entendidos), personagens e uma violência gráfica extrema. O diretor mudou muita coisa da história, tornou-a menos misteriosa e mais direta; mas com algumas surpresas embutidas. O final, que eu achei um tanto exagerado, deixa as portas abertas para uma sequência (e promete).


Chloe Moretz perfeita como Hit-Girl e Nicolas Cage divertidíssimo como Big Daddy: Vigilantes violentos

Grande força do filme vem de seu talentoso elenco, liderado pelo carismático e desconhecido Aaron Johnson; o jovem convence e diverte, fazendo de seu Kick-Ass um personagem real. Christopher Mintz-Plasse e Nicolas Cage estão muito divertidos como Red Mist (que ainda vai ganhar mais destaque) e Big Daddy (uma hilária paródia ao Batman de Adam West). Mas quem rouba o filme é a garotinha Chloe Moretz, como a mortal e polêmica Hit-Girl, que tem ótimas frases e um jeito muito meigo e natural, sem nunca parecer forçada, rendendo momentos memoráveis (a cena com trilha de Morricone entrou para a história e deve ter deixado Tarantino orgulhoso) e presença marcante.

O roteiro é esplêndido, bem amarrado e repleto de diálogos divertidíssimos, com destaque para as cenas entre o mafioso Frank (vivido por um eficiente Mark Strong) e suas conversas com capangas. Não pode faltar ação em um filme desses e ela está presente, não decepcionando. Bem coreografadas, realistas e excepcionalmente editadas, elas são de cair o queixo (destaque paras as cenas de Hit-Girl e a primeira aparição pública de Kick-Ass), assim como a colorida fotografia. A trilha sonora “pop” empolga mais do que esperava, mas a orquestrada peca em ser pouco animadora e de, raramente, combinar com a cena em que é tocada.

Kick-Ass: Quebrando Tudo é mais uma revolução para os filmes de quadrinhos; amplifica a violência, a linguagem chula e, principalmente, a transição de uma pessoa normal para o mundo heróico, elemento que o filme mostra de maneira crua, convincente e extremamente satisfatória, sendo um dos raros casos onde a adaptação supera o trabalho original. Kick-Ass chuta bundas.